Estudo sinaliza os desafios para o comércio exterior

Estudo sinaliza os desafios para o comércio exterior

Mais de oito em cada dez (81%) dos profissionais de Comércio Exterior avalia que a adoção de tecnologia é a solução mais rápida para que possam acompanhar as rápidas mudanças que estão acontecendo nos ambientes alfandegários e fiscais do comércio global. Esta é uma das revelações obtidas na pesquisa “Global Trade Report 2022” do Thomson Reuters Institute.

Apesar do consenso sobre a importância da tecnologia nos processos de importação e exportação, o estudo mostra que as empresas se mostram defasadas na atualização desses sistemas: metade delas (49%) em todo o mundo está atrasada ou em estágio inicial da adoção de soluções digitais nos seus processos de gestão.

Quase um quinto (19%) ainda está operando em ambientes altamente isolados com sistemas diferentes para cada região e/ou unidade de negócios, limitando severamente sua capacidade de compartilhar, comparar e analisar os dados comerciais de seus negócios.

Outros dados relevantes do estudo:

  • Quase sete em cada dez (69%) das empresas nos Estados Unidos dizem que tarifas retaliatórias estão afetando seus negócios. Na América Latina, essa é uma preocupação de apenas dois em cada dez (20%);
     
  • Mais de oito em cada dez (83%) dos entrevistados concordaram (46% fortemente) que as interrupções da cadeia de suprimentos Ásia-Pacífico, devido à pandemia e à turbulência econômica mundial, estão tendo grande impacto em seus negócios;
     
  • Mais de três quartos (77%) dos entrevistados concordaram que a rápida evolução da indústria tornou mais difícil preencher cargos em postos-chave nas companhias. Mais de quatro em cada dez (45%) das empresas em todo o mundo dizem que estão considerando terceirizar funções para preencher lacunas internas;
     
  • Na América Latina, mudanças nas políticas governamentais complicam a conformidade aduaneira, pressionando as empresas a procurar tecnologias sofisticadas para facilitar a resolução de pendências fiscais. Alguns exemplos incluem a criação da ANAM, a nova agência nacional de alfândegas do México, a exigência de novos relatórios e avisos eletrônicos, bem como a inclusão recentemente obrigatória do México, de um complemento ao Projeto de Lei de Embarque (Nota de Remessa) para toda movimentação física de mercadorias.

“Discussões sobre questões de gestão comercial, como estabilidade da cadeia de suprimentos, tarifas, sanções e conformidade aduaneira, foram colocadas em destaque nos últimos anos e por uma boa razão”, disse Luciano Idésio, Vice-Presidente do segmento de Corporates da Thomson Reuters na América Latina. “Resolver problemas em torno dos desafios do comércio exterior não é — e não deveria ser — reservado para profissionais de logística. Qualquer organização envolvida em atividades de importação/exportação deve entender que um negócio saudável depende do fortalecimento de seu sistema de gestão do comércio internacional. E isso não é possível sem um foco em inovação tecnológica em áreas como análise de dados, inteligência artificial (IA) e mobilidade. Cabe também aos líderes empresariais identificar a gestão do comércio global como prioridade, com a compreensão de que é um imperativo em toda a empresa, e a linha de fundo de seus negócios provavelmente depende disso.”

Metodologia

Os entrevistados desta pesquisa incluíram profissionais de comércio global dos EUA, UE, Reino Unido, América Latina (principalmente México e Brasil) e a região Ásia-Pacífico (incluindo China, Austrália, Japão, Cingapura e Tailândia). Um total de 228 profissionais de comércio global respondeu a uma pesquisa on-line de 15 minutos, realizada em maio e junho de 2022. A maioria (185) dos entrevistados era de empresas com receita superior a US$ 100 milhões, mas um número significativo de os entrevistados da América Latina (30 de 70) eram de empresas com receita inferior a US$ 100 milhões. Além disso, a maioria das empresas representadas está envolvida em atividades de importação e exportação.

Quanto aos entrevistados individuais, mais da metade eram executivos de nível sênior (presidente, CEO, COO, CFO, vice-presidente executivo) ou diretores/gerentes responsáveis ​​por compras e/ou logística comercial e gestão da cadeia de suprimentos. A amostra também incluiu especialistas em comércio e operações, especialistas em finanças e especialistas em compras e cadeia de suprimentos.

As empresas de manufatura e tecnologia/eletrônicos tiveram a maior representação (41%) entre os entrevistados, mas outros entrevistados incluíram aqueles que trabalham no comércio atacadista e varejista, serviços técnicos, transporte e armazenamento, automotivo, saúde, finanças e vários setores. Mais de um terço das empresas representadas estão sediadas nos Estados Unidos, seguidas por empresas sediadas no México, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Brasil, Japão e Cingapura. Outros países com sede corporativa incluem Suécia, Tailândia, China, França, Espanha e Suíça.

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