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Há inflação em tudo que vejo…

Por Luis Otavio Leal, economista-chefe do Banco Alfa

A música “Flores”, dos Titãs, fala que “há flores por todos os lados, há flores em tudo que eu vejo”. Bom para os Titãs porque, no mundo dos banqueiros centrais, as únicas coisas vistas são pressões inflacionárias por todos os lados. 

Afora todas as perdas humanas, a doença trouxe uma desorganização nas cadeias produtivas que parece longe de acabar. Na verdade, as coisas parecem que estão se somando em vez de se subtraindo. Um exemplo mais direto é a questão da variante Delta, que pegou de forma mais forte os países do Sudeste Asiático que passaram relativamente imunes à primeira onda, como a Malásia e o Vietnã. Isso poderia ser apenas um problema de saúde pública local, mas o mundo descobriu que boa parte das peças para o setor automobilístico ao redor do mundo vem do primeiro e que um pedaço relevante das confecções de grandes cadeias mundiais do último. Não por coincidência, a Nike solicitou ao governo americano o envio de vacinas para o Vietnã como forma da produção local retomar mais rápido. 

Outro impacto relevante que estamos vendo a partir da disseminação da Covid-19 vem da China. Com sua política de tolerância zero com a doença, cada vez que um novo caso é descoberto, temos uma região fechada, onde, além de fábricas, observamos também portos importantes, como o de Ningbo-Zhoushan, o terceiro maior em movimentação de contêineres no mundo, que ficou fechado durante duas semanas em agosto. Dessa forma, mais do que apenas um problema de falta de matéria-prima devido às paralisações na produção, temos um verdadeiro pesadelo logístico, com falta de contêineres para transportar os produtos e filas nos portos para atracar os navios. 

As medidas sanitárias de distanciamento social, para evitar contaminação, agravam ainda mais o problema, uma vez que tornam os procedimentos de embarque e desembarque mais demorados do que o normal. Os resultados disso são atrasos nas entregas e encarecimento, não só das matérias-primas, mas também dos transportes das mercadorias. O frete marítimo entre os portos chineses e a Califórnia triplicou de preço desde o início do ano. Ou seja, se quando pensamos em impactos da variante Delta sobre a economia, pensamos em desaceleração econômica, devemos estender o nosso horizonte para mais inflação também.

Mantendo o foco nos impactos da Covid-19 na inflação, chegamos ao gás natural. Item especialmente importante para a alta de preços na Europa, pode se tornar um problema mundial por ser a matéria-prima básica para a fabricação dos fertilizantes.

As paralisações devido à pandemia, em conjunto com um aumento da demanda, devido tanto à retomada mais rápida da economia do que a esperada, quanto às mudanças climáticas, fizeram o preço do gás natural subir 290% nos últimos seis meses. Pensando na Europa em particular, o grande aumento da demanda costuma ocorrer no inverno, devido ao aumento do consumo de calefação. O problema é que, nos últimos anos, o verão também tem sido inclemente, com as ondas de calor aumentando a utilização do ar-condicionado. Além disso, temos a transição para a economia verde, o que tem elevado mais ainda a demanda estrutural por gás natural, à medida que a matriz energética se afasta das usinas a carvão na produção de energia elétrica e se aproxima daquelas abastecida por essa commodity. 

Pelo lado da oferta, além dos problemas com a Covid-19, temos uma questão geopolítica relacionada à Rússia. Em meio à escassez generalizada do produto, os russos iniciaram a manutenção do principal gasoduto, o Nord Stream 1, que leva o gás dos campos do Mar do Norte para a Europa, como forma de pressionar os países europeus a certificar o Nord Stream 2, a grande aposta econômica de Vladimir Putin. O fato é que o gás natural vem sendo o maior fator de pressão sobre a inflação na Zona do Euro. Entretanto, esse é apenas o impacto direto do aumento do preço desta commodity. Como supracitado, ela também é matéria-prima básica para a produção de fertilizantes, que já subiram mais de 100% entre janeiro e agosto de 2021. Os agricultores ao redor do mundo estão diante do seguinte dilema: usam a quantidade normal de fertilizantes para manter a produtividade constante, mas veem o custo de produção subir, ou reduzem a utilização deste insumo e mantém os gastos contidos, mas ao preço de uma menor produtividade da colheita, reduzindo, portanto, a oferta do produto. Qualquer que seja a decisão tomada, o resultado final será mais pressão sobre os preços dos alimentos. 

Bem, por aqui não temos mais dúvida da perenidade da inflação. Obviamente que o IPCA rodando acima de 10% no acumulado em 12 meses ajuda nessa clarividência. Entretanto, se já reconhecemos o perigo, ainda não temos certeza de que as armas empregadas até agora serão suficientes para afastá-lo. Nesse ponto, a Ata da última reunião do COPOM e o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), se não ajudaram a reduzir essa dúvida, pelo menos indicaram qual a estratégia que o Banco Central do Brasil (BCB) pretende utilizar para resolver o problema. Se vai conseguir ou não, vamos saber depois.

Há choques de oferta por todos os lados em várias partes do mundo, o que faz com que a inflação seja um fenômeno mundial. Os países emergentes, como o Brasil, que têm menos espaço para ficar em uma discussão filosófica se ela é temporária ou permanente, já estão se movendo para combatê-la. Mas, mesmo entre os países centrais, parece que a “ficha começou a cair” e já vemos movimentações importantes para a retirada dos estímulos monetários dados durante a pandemia. Isso é particularmente verdade no caso dos EUA, que deverão começar a reduzir as compras de ativos até o final do ano. A principal consequência dessa movimentação do BC americano já está sendo vista nos mercados internacionais: o fortalecimento do dólar. Ou seja, um pedaço da perda de valor da moeda brasileira está ligado menos às nossas idiossincrasias e mais a um movimento global. Entretanto, quanto menos estivermos preparados para enfrentar esse vento de proa, maior vai ser a desvalorização do real, maior o trabalho que o BCB terá para trazer a inflação para a meta e, consequentemente, pior o crescimento esperado para o Brasil. Portanto, urge fazer o dever de casa e resolver as pendências fiscais para 2022 o mais rápido possível, sempre lembrando que “bom, bonito e barato” só em propaganda enganosa.

Como começar um negócio alinhado com a pauta ESG

Por Jandaraci Araújo, conselheira de administração e cofundadora do Conselheira 101

A pauta ESG, como sabemos, está relacionada ao mundo corporativo e nunca esteve tão evidente como agora. A sigla ESG (Environmental, Social and Governance) é uma necessidade para qualquer empresa, independente do tamanho, que se preocupe com o futuro e com a sua perpetuidade no mercado. Muitos negócios já começam colocando entre suas pautas não só o pilar ambiental, mas também o social e a governança. Ser reconhecido por cuidar do meio ambiente, promover impacto social positivo e adotar uma conduta corporativa ética é fundamental para o negócio prosperar. Já é sabido, que a nova versão do capitalismo, o capitalismo de stakeholders, abarca não apenas o “S – Social”,da sigla ESG, como também o “E-Environment” e o “G-Governance”, pois não são temas dissociados, como pode aparentar em princípio.

Para contextualizar, segundo uma pesquisa feita na América Latina pela Sherlock Communications, – que nada mais é que um recado para as empresas -, para as companhias instaladas no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru: 94% dos entrevistados afirmaram que as empresas precisam investir mais em iniciativas sociais e ambientais. Entre as nacionalidades ouvidas, os brasileiros são os que mais se importam com a responsabilidade social corporativa, nove em cada dez pessoas. O que isso comprova? Que consumidores e investidores despertaram e não aceitam mais a justificativa do lucro “a qualquer custo”.

Os benefícios para começar alinhado com os princípios ESG, podem ser inúmeros, principalmente na perspectiva financeira, já que podem atrair mais investidores alinhados com a pauta. Além disso, tem um claro ganho de vantagem competitiva, seja pelos seus consumidores que se tornam embaixadores da marca, seja pela publicidade positiva que eles promovem. Empresas com reconhecidas práticas sociais e critérios de governança elevados tendem a ter uma cultura mais inovadora, colaboradores mais engajados e consequentemente uma baixa rotatividade.

Escolher o ESG como estratégia, mais do que uma moda do mercado, deve nos mover a responder a seguinte pergunta: como meu negócio pode contribuir para um mundo melhor, seja sob a perspectiva ambiental e/ou social, e ainda ter sustentabilidade financeira? A dica é: comece simples, informe-se sobre os benefícios fiscais disponíveis para empresas que possuem práticas sustentáveis. Não há uma fórmula única, um modelo padrão, mas há vários caminhos, simples e fáceis de serem implementados.

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A retenção de talentos em empresas de tecnologia

Por Simony Morais, diretora corporativa de gente & gestão da Locaweb

O setor de tecnologia é um dos que mais cresce no Brasil e no mundo. De acordo com dados da Associação Brasileiras das Empresas de Software (Abes), as companhias tech investiram mais de R﹩ 200 bilhões somente em 2020 no país e apresentaram crescimento de 22,9%. Outro estudo, do Datahub, indica que houve um aumento de 210% no número de empresas de tecnologia, comparando o ano passado com 2011.

Este crescimento – muito bem-vindo, por sinal – leva a uma pressão por mão de obra qualificada que, infelizmente, está em falta. E o panorama tende a ficar ainda mais desafiador: segundo estudo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), até 2024 o mercado de tecnologia brasileiro, que é uma prioridade para a continuidade e sucesso dos negócios, necessitará de cerca de 70 mil profissionais anualmente, mas forma apenas 46 mil. Esse déficit nacional é potencializado pela fuga de cérebros, na qual diversos funcionários migram para trabalhar em outros países, visto que as linguagens de programação são as mesmas em todos os cantos do mundo.

Neste cenário ‘apocalíptico’, o que as empresas podem fazer? Colaborar na formação de novos profissionais, com ações educacionais, cursos, workshops etc., investir em aumentar a diversidade – hoje mulheres representam apenas 37% na área de tecnologia e pessoas pretas 30% (segundo a Brasscom), e criar estratégias para reter estes talentos. Um método para isso é criar um programa de incentivo de longo prazo, que bonifique a permanência, ajudando a atrair funcionários para posições-chave, reduzindo o turnover de talentos e garantindo o alinhamento de interesse entre equipe e acionistas. Outra estratégia é elaborar um mapeamento de sucessores, o que ajuda a direcionar esforços, criando um plano de desenvolvimento específico para cada um dos talentos identificados.

O time de gestão de pessoas também tem responsabilidade para a retenção desses talentos, com a criação de um ambiente de trabalho mais amigável, mesmo que este local hoje seja virtual, com ações que viabilizem uma comunicação aberta e franca entre gestores e empregados, uma cultura de feedback onde as opiniões são ouvidas – e não punidas. Motivar os colaboradores para que permaneçam na empresa é um trabalho árduo, que não pode ser resolvido com uma fórmula mágica, dependendo muito da cultura de cada companhia. Porém é um esforço que vale a pena, tanto para o negócio quanto para as pessoas, que mantém e constroem a cada dia as empresas de tecnologia.

5 soft skills fundamentais para as mulheres na área tech

Por Mariel Reyes Milk, fundadora da {reprograma}

Para ter sucesso na carreira profissional é necessário ter mais do que habilidades técnicas, é necessário habilidades interpessoais, o que chamamos de soft skills. Quando o assunto é mulheres no mercado de trabalho, as empresas, atualmente, buscam por candidatas que consigam desempenhar bem suas funções técnicas, mas que também possam se encaixar na cultura institucional da empresa e interagir com o time completo. 

Na área da tecnologia, por exemplo, é recomendado que as programadoras executem cinco principais soft skills, que irão servir de apoio para desempenhar bem suas funções. São elas: 

  1. Capacidade de trabalhar em equipe: seja dentro de uma equipe de desenvolvedores, designers ou uma equipe de projeto, as desenvolvedoras precisam trabalhar bem com as outras pessoas do time para ter sucesso;
  2.  Comunicação efetiva: as desenvolvedoras muitas vezes podem passar horas trabalhando sozinhas, mas ainda assim precisam ter excelentes habilidades de comunicação, uma vez que  raramente estão codificando todo o sistema ou projeto sozinhas. Além de outros devs – abreviação de desenvolvedoras-, precisam coordenar com outros membros da equipe e da empresa;
  3. Problem solving ou a habilidade de resolução de problemas: pensamento crítico e obtenção de uma solução criativa para um problema relacionado a software é essencial para uma programadora.
  4. Paciência e perseverança: é raro que um código ou programa funcione na primeira tentativa e, muitas vezes, as programadoras precisaram de várias tentativas e muito trabalho para fazer um aplicativo ou uma página funcionar corretamente, sem erros.
  5. Bom gerenciamento de tempo: trabalhar sob pressão e ainda cumprir prazos é extremamente importante na vida de uma boa dev.

Benefícios de habilidades bem desenvolvidas na área tecnológica

Quando bem entendidas e executadas, as habilidades resultam em pontos positivos para as programadoras, como: desenvolvimento do trabalho em equipe, no qual incentiva a colaboração na empresa; resolução de problemas de formas mais criativas; criação de produtos e serviços inovadores, com um mix de ideias, experiências e contribuições de todas; capacidade de lidar melhor com estresse e pressão e a menor chance de frustração, aptidão de continuar tentando e aprendendo com os erros. 

Desenvolvimento dos skills dentro das organizações 

O treinamento das equipes é fundamental para melhorar a dinâmica de trabalho, otimização do tempo e a conexão de ideias em diferentes setores das empresas. Por isso, é importante que as lideranças corporativas invistam no desenvolvimento dessas habilidades para uma melhor prática da cultura organizacional dos colaboradores. 

Entre os benefícios posso citar: 

  • Criar uma cultura de Mentorships: não só programas de mentorias, mas também incluir estas mentorias na cultura da empresa, para que todas possam desenvolver a mentalidade em ajudar uns aos outros a crescer.
  • Promover internamente e dar oportunidades de liderança que vão permitir o desenvolvimento de soft skills.
  • Oferecer oportunidades para praticar os soft skills e promover uma cultura de feedback: as colaboradoras da empresa podem praticar os soft skills, porém,  recebendo retroalimentação saberão se realmente estão desenvolvendo esses skills e quais podem ser as áreas a fortalecer.

Como as soft skills impactam na liderança 

Ser uma líder é mais do que guiar pessoas, tem a ver em se conectar com pessoas e saber lidar com situações de adversidades. Entre as principais habilidades para serem exercitadas no ambiente corporativo estão: 

  •     Capacidade de colaboração e comunicação clara e eficaz;
  •     Ser bom para ouvir aos outros e aprender dos outros;
  •     Liderar pelo exemplo, capacidade de ensinar e ser mentora;
  •     Ser confiável e respeitar e valorizar as diferenças das pessoas com quem trabalhe;
  •     Capacidade de dar e receber feedback construtivo.

Utilização das soft skills: maternidade x ambiente corporativo 

As habilidades desenvolvidas podem auxiliar mulheres em muitas áreas, dentro e fora da empresa. No meu caso, ao empreender e ser mãe ao mesmo tempo, várias soft skills foram desenvolvidas, no qual se conectam no ambiente de trabalho e na maternidade. No contato com a área tech, as habilidades ajudam a organizar a vida fora da empresa e contribuem para uma melhor qualidade de vida, como: 

  • Habilidades como melhor gerenciamento de tempo e priorização são muito importantes para poder dividir tarefas e priorizar entre atividades do trabalho e responsabilidades dentro de casa, com ou sem filhos; 
  • Paciência também é chave – como mãe de 3 pequenos, posso dizer que a paciência é essencial na educação dos filhos;
  • Trabalho em equipe é bem importante porque com sua parceira/seu parceiro em casa assim como com os colegas do trabalho todas precisam a compartilhar e dividir tarefas; 
  • Comunicação eficaz e capacidade de ouvir os outros. poder comunicar necessidades dentro de casa para poder focar as vezes em trabalho ou vice-versa é bem importante.

M&A: a bola da vez

Por Rodolfo Fücher, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software

Diversos estudos e pesquisas apontam uma forte tendência para o amadurecimento do empreendedorismo no Brasil, acelerada pelo movimento de transformação digital e que trouxe como bagagem a “febre global das startups”. E, mais recentemente, exponencializada pela pandemia, levando a uma corrida desesperada por inovação, como forma de assegurar a sobrevivência do negócio. O título deste artigo talvez dê uma dica para a resposta de uma simples pergunta: qual é o caminho mais curto e rápido nesta corrida em busca de inovação, com menor risco? E se você não for rápido, talvez seu concorrente seja.

Duas pesquisas do GEM (Global Entrepreneurship Monitor) realizadas com apoio do IBQP e Sebrae, uma de 2001 e outra de 2019, demonstram o processo de evolução do empreendedorismo no Brasil, que saiu de uma taxa de 14,2%, onde de cada 100 brasileiros, 14 eram empreendedores em 2001, para a taxa de 38,7% da população adulta – aumento de mais de 270%. Outro estudo que deixa claro o momento propício ao empreendedorismo, mas especificamente às startups, são os dados apresentados em relação aos investimentos em startups no Brasil, pela Distrito Dataminer, apontando um crescimento de 17% em relação a 2019, atingindo a cifra de US﹩ 3.5 bilhões em 2020.

Esse crescimento significativo do mercado de empreendedorismo acaba gerando um imenso mercado de fusões e aquisições, que movimentou US﹩ 52,1 bilhões no primeiro semestre de 2021, superando os US﹩ 45,9 bilhões gerados durante todo o ano de 2020, segundo a Dealogic, que coleta dados do mercado financeiro. Um estudo global da consultoria EY sobre o desinvestimento corporativo, aponta que 95% dos negócios que foram alvo de aquisições admitem que deveriam ter vendido o negócio antes.

Estes dados fortalecem ainda mais a tendência de M&A no mercado, até como uma opção de exit para investidores. Diante do crescente volume de investimentos em startups, M&A passa a ser uma saída mais rápida para o investidor, ao invés de esperar 10 anos, em média, por um IPO.

Essa tendência é confirmada por uma recente pesquisa publicada pela ABES em parceria com a BR Angels e a Solstic Advisor, referente a percepções sobre fusões e aquisições no atual cenário do mercado brasileiro. Ela apontou que 86% dos empreendedores entrevistados veem fusão ou aquisição como forma para o crescimento do negócio, e 50% pretendem realizar alguma transação neste sentido nos próximos 12 meses.

O mesmo estudo também revelou a necessidade do mercado de adequar seus negócios à nova realidade, diante dos desafios da pandemia, fortalecendo o cenário para fusões e aquisições, especialmente no setor de TI, o qual mostrou que 50% aumentaram os investimentos neste setor. Destes, 85% investiram em softwares, como SaaS e Cloud, 40% em hardware e equipamentos e 39% em serviços, como manutenção e instalação.

O setor de tecnologia deve continuar a ter destaque, ainda segundo o estudo da ABES em parceria com a BR Angels e a Solstic Advisor, devendo ser responsável por 66%, e-commerce 5,7% e logística 5,7%. O estudo apontou ainda: que 36% dos entrevistados pretendem investir entre R﹩ 1 milhão e R﹩ 5 milhões em aquisições; 17% planejam aplicar entre R﹩ 5 milhões e R﹩ 15 milhões e 9% consideram valores entre R﹩ 30 milhões e R﹩ 50 milhões. Cerca de 4% afirmaram que devem aportar mais de R﹩ 50 milhões.

Outra conclusão é que os esforços voltados a fusões e aquisições devem ganhar destaque ao longo dos próximos dois anos. 24% pretendem implementar um programa de Corporate Venture para investir ou adquirir negócios externos iniciantes. Porém, 75% ainda não tem uma área de M&A estruturada na empresa.

Na hora de realizar uma transação de M&A, cerca de 64% avaliam o modelo de negócio da empresa a ser investida ou adquirida. Além disso, os executivos também dão importância a escalabilidade, inovação, saúde financeira, equipe e liderança, como principais pontos a serem analisados no processo.

Interessante analisar as razões que a pesquisa apontou como principais motivadores para considerarem uma operação de fusão ou aquisição: em primeiro lugar, aparece a possibilidade de aumentar o market share com cerca de 43%, seguido pela necessidade de incorporar tecnologias com 36%, a aceleração da transformação digital e inclusão de talentos com 21%.

Diante de um mercado cujo a dinâmica da transformação digital foi potencializada devido a pandemia, a busca por soluções inovadoras e disruptivas, considerada um fator competitivo, tornou-se uma questão de sobrevivência. As startups passaram a ser principal fonte destas soluções, como também a necessidade de unir forças para enfrentar os desafios deste ambiente. Por outro lado, a ânsia dos investidores em agilizarem o retorno de seus investimentos (exit) tornam as operações de fusões, M&A, o caminho mais seguro e rápido, para não serem defenestrados do mercado por um concorrente mais ágil e ávido em ocupar um espaço.

A reabertura do comércio presencial e seus impactos no e-commerce

Por Fernando Cirne, CEO da Locaweb

Desde o ano passado, observamos que o processo de migração do varejo para o ambiente digital veio para ajudar o mercado a lidar com os desafios impostos pela pandemia e pelas restrições ao atendimento presencial em estabelecimentos comerciais. Graças às tecnologias desenvolvidas e implementadas para as plataformas de e-commerce, muitas empresas puderam manter suas operações, o que permitiu que empregos pudessem ser preservados e que a economia não sofresse danos ainda maiores.

Diante desta perspectiva, muitas pessoas podem ficar com dúvidas sobre o futuro do e-commerce, uma vez que a vacinação tem avançado no Brasil e as lojas começam a retomar suas atividades com público de forma gradual, em linha com os protocolos de segurança sanitária. É possível que as compras online parem de crescer ou voltem a ser alternativas eventuais na cultura do consumidor?

Ao mesmo tempo que o ambiente digital de vendas cresceu nos últimos meses, houve mudanças bastante rápidas, mas muito consolidadas no comportamento deste consumidor brasileiro, que adotou hábitos digitais para diversas situações, sem contar os novos e-consumidores. Com as lojas virtuais cada vez mais intuitivas, o avanço da logística e o investimento realizado pelas empresas em eficiência e segurança em meios de pagamento, quem começou a comprar online não deve abandonar essas novas formas de consumo.

Esta tendência vem ao encontro de fenômenos que já são observados ao redor do mundo. Antes mesmo da pandemia, o Brasil registrava uma participação muito baixa no varejo digital em comparação com grandes potências mundiais do consumo, como Estados Unidos e China. Hoje, a jornada online do consumidor brasileiro já evoluiu muito e envolve desde a pesquisa de produtos e preços até as vendas realizadas por meio das plataformas..

Além disso, o e-commerce não funciona de forma isolada ou descolada do ambiente presencial de vendas. Com a adoção de estratégias omnichannel ou multicanal, os empreendedores dos mais variados segmentos conseguem criar conexões entre seus meios de interação com o consumidor e combinar o uso de ferramentas on e offline para dinamizar seu atendimento, de acordo com o perfil dos clientes.

Todos estes fenômenos sugerem que a retomada das lojas físicas não diminuirá a importância que o digital ganhou nas nossas vidas, em especial desde o ano passado. Em linha com a perspectiva de um futuro mais seguro e estável em relação ao coronavírus, todos os caminhos apontam para uma atividade sinérgica, integrada e pulsante, que demandará bastante esforço e cuidado, mas renderá frutos importantes para empreendedores e consumidores. O mais importante de tudo isso é que agora o consumidor tem em suas mãos a informação, a tecnologia e o hábito do digital. Cabe a ele decidir como usar tudo isso a seu favor.

Como saber se estou no momento certo para abrir uma rodada de investimento?

Por Amure Pinho, fundador do Investidores.vc


Apesar do Brasil ainda ser um país em que o mercado de capitais, no geral, está em estado de maturação, o Venture Capital tem encontrado terreno fértil para sua consolidação. Em especial nos últimos quatro anos, momento em que o segmento atingiu maior maturidade, tanto no lado dos investidores, quanto para empreendedores.

A verdade é que o ano de 2020 foi uma demonstração de que o Brasil ainda tem muito espaço para desenvolvimento e pode se tornar uma potência do Venture Capital nos próximos anos. Os dados preliminares de 2021 estão confirmando esse cenário, onde o país aumentou expressivamente o número de Unicórnios, tendo também empresas com rodadas significativas de captação, liderando muitas vezes os números em segmentos tanto no contexto regional da América Latina, quanto no macro.

Diante de todo esse cenário, acredito que estamos vivendo o melhor momento do ecossistema. A popularização das startups, as plataformas de investimentos e a revolução digital que as empresas precisaram passar nesses últimos anos trouxeram muita liquidez para o mercado, o que provocou a procura pelo tema por investidores em busca de diversificação. Aqueles que investiram há quatro ou cinco anos, hoje estão recebendo o retorno do investimento à medida que o número de fusões e aquisições cresce no país. Os empreendedores que vendem suas startups, se transformam em anjos. Estamos começando a ver esse fenômeno com mais frequência no Brasil.

Outro ponto importante é sobre o momento certo para abrir uma rodada de investimento. A verdade é que não existe uma fórmula pronta para se captar investimentos, mas para startups em geral é necessário ter cumprido alguns critérios claros para identificar o timing para se iniciar o processo de captação de recursos. Não adianta querer captar recursos se você ainda não fatura, se não demonstra evidências de product-market fit e a sua solução não é capaz de manter crescimento mês a mês, ou seja, atrair recorrentemente usuários pagantes e de forma constante.

O que é preciso entender é que uma rodada de investimentos para um startup precisa ter a finalidade de acelerar o crescimento da empresa sem que ela tenha que esperar para reinvestir os lucros ou pegar um empréstimo com o banco. Por isso, uma rodada de captação de investimento vem para acelerar a captação de clientes, aumentar o time e/ou realizar melhorias no produto. Dessa forma, o custo de oportunidade do capital investido é vantajoso, tanto para os investidores quanto para o empreendedor.

 Desde o ano passado, as startups brasileiras estão em destaque, seja por captarem rodadas mais atraentes, por participarem de operações de M & A – Merge & Acquisitions – ou por se tornarem unicórnios, mesmo em cenário de extrema volatilidade. No entanto, saber navegar em momentos de instabilidade econômica ou de adversidade é o dia a dia de uma startup. Basta analisarmos, por exemplo, as cifras da operação de M & A que envolveu a Gama Academy – startup que o Investidores.vc investiu – no valor de R$84 milhões. Esse valor de venda foi construído ao longo de anos, de operação constante e recorrente resiliência em melhorar o produto e a operação, o que culminou no ápice durante a pandemia.

Quem tinha expertise em contratar desenvolvedores, vendedores e profissionais de marketing digital em escala? A Gama. Quais foram os setores que mais abriram oportunidades durante a pandemia? Tecnologia da informação e vendas na modalidade remota. Pronto, temos aí uma receita de sucesso e crescimento que foi acelerado pela pandemia. Esse foi o momento dos investidores-anjo de empresas, como a Gama Academy, fazerem o seu cash-out com lucro.

O real cenário é que a crise econômica e as consequências da pandemia mudaram a forma como empresas e pessoas operam negócios e esse novo ambiente é muito favorável às startups: online, seguro, eficiente, tecnológico. O resultado disso é que as startups cresceram na crise, em sua maioria, e as que estavam na corda bamba, deixaram de existir, trazendo maturidade para o mercado. Do outro lado, empresas buscaram tecnologia e inovação para defenderem suas posições em um mercado em transformação, quebrando o recorde de fusões e aquisições no ano de 2020.

Essa é a tendência que deve permanecer pelos próximos dois ou três anos no país e as startups vão continuar sendo o motor de inovação da nova economia!

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ESG: o valor do S à rotina corporativa

Por Elias Rogério da Silva, Presidente da Diebold Nixdorf Brasil 

Sustentabilidade. Basta uma rápida pesquisa para percebermos que este é o tema do momento. E não é para menos. Com a rápida e imprevisível rotina de transformação de nosso mundo, entender as questões ambientais, sociais e de governança – as pautas da agenda ESG (Environmental, Social, and Governance, em inglês) – é uma tarefa que já não pode ser deixada para o amanhã.  

Dentro das discussões sobre um futuro sustentável, no entanto, é comum avaliarmos essa estrutura por ângulos que, geralmente, se restringem a alguns temas, como a preservação do meio ambiente. Evidentemente, proteger a natureza é parte fundamental do universo de ESG. Mas não é só isso: está na hora de as lideranças entenderem, também, como a sustentabilidade de suas relações com a sociedade afeta a reputação e a influência das organizações diante dos diversos grupos de consumidores, inclusive e com especial destaque aos funcionários. 

Temos de nos lembrar repetidamente de que funcionários satisfeitos trabalham mais, permanecem mais tempo com seus empregadores e buscam produzir melhores resultados para a organização. E nesse cenário, parece cristalino afirmar que as ações de ESG e o sentimento dos profissionais são pontos cada vez mais conectados e indissociáveis. 

Estudos conduzidos pela consultoria MSCI indicam, por exemplo, que as organizações com pautas sustentáveis mais maduras têm notas de satisfação dos colaboradores, em média, 14% maiores do que os rivais sem ações práticas nesse quesito. Além disso, essas empresas são 25% mais atraentes para novos talentos. 

Isso significa que empregadores com melhores índices de retenção de funcionários têm pontuações em análises de ESG significativamente mais altas do que seus pares. Este padrão, definitivamente, não é uma coincidência. A preocupação com o “S” do ESG tem se tornado uma condição essencial para ajudar as companhias a reduzir custos com turnover e para contratação de jovens promissores, bem como potencializar a reputação e a imagem de suas marcas junto ao público em geral, começando por seus próprios colaboradores. 

Ou seja, em um mundo no qual as fronteiras já inexistem e que a competição por inteligência é vital para qualquer negócio, saber lidar com o ESG dentro de casa é uma necessidade muito mais urgente do que muitos líderes atuais conseguem imaginar. Até porque, é bom destacar, que a agenda ESG não é apenas um trend passageiro. Estamos no começo de uma jornada na qual líderes de todos os setores terão de entender como garantir que as pessoas tenham espaço para desempenharem seus papeis com mais inteligência e efetividade. Vale salientar, por exemplo, que, em 2029, os Millennials e Gen Z representarão 72% da força de trabalho mundial. Essas gerações são as que mais importância dão às questões ambientais e sociais e, por conseguinte, esperam mais dos empregadores também. 

Como fazer isso? Primeiro, construindo uma mentalidade realmente orientada à sustentabilidade. Para tanto, é preciso compreender bem o ambiente e os desafios específicos de cada área, local e público, alinhando essas perspectivas e interesses aos valores e ideias da organização. A próxima etapa é agir de maneira verdadeira e com real preocupação com o que a sociedade (e seus stakeholders) dizem e buscam. 

O momento exige que as ações de sustentabilidade social sejam práticas e gerem valor ás pessoas. Temos de ir além da oferta de escritórios confortáveis e salários competitivos, buscando formas reais de valorizar o bem-estar financeiro, físico e psicológico dos trabalhadores. 

Os resultados desse tipo de proposta são evidentes, começando por uma estrutura de “ganha-ganha” infindável. Ajudar os trabalhadores a terem mais qualidade de vida, pertencimento e destaque também ajuda a elevar o potencial de competitividade, inovação e financeiro de qualquer organização. 

Cumprir a jornada de ESG, portanto, não deve ser visto como uma ameaça ou um custo extra, trazido à esteira de obrigações trabalhistas, ecológicas e de compliance. Ao contrário.  É necessário que as lideranças observem essas demandas como uma importante oportunidade de desenvolvimento contínuo. As empresas que implementam metas ambientais, sociais e de governança ganham em visibilidade, reputação e na capacidade de resiliência e sustentabilidade. 

As empresas estão sendo, mais do que em qualquer outra época, examinadas por sua capacidade de conduzir e moldar um ambiente positivo para todos os públicos interessados (a comunidade, a sociedade, os colaboradores, acionistas etc.). Errar pode ter um impacto enorme, tanto em termos de lucratividade quanto de reputação; do mesmo, acertar em uma estratégia de ESG pode representar enormes ganhos. 

O valor de uma marca empregadora sempre esteve intimamente ligado aos resultados que a companhia alcançava. Agora, porém, é seguro dizer que a geração de valor também estará diretamente relacionada à percepção que as pessoas – consumidores, clientes e colaboradores – têm sobre as empresas. Para os lideres dessas companhias, portanto, negligenciar as questões de ESG é muito mais do que simplesmente não pensar no futuro; é, antes disso, uma decisão radical que fará com que suas marcas não cheguem nem mesmo a vivê-lo. 

Como a área de Recursos Humanos pode ajudar a sua empresa a ser mais sustentável?

Por Ana Paula Prado, Country Manager do InfoJobs

Quando o assunto é sustentabilidade, é comum que as pessoas o relacionem às questões de meio ambiente, como exploração de recursos naturais e poluição. De fato, o conceito tem a ver com os temas citados, porém, também vai muito além disso. Quando falamos de sustentabilidade empresarial, os olhares se voltam para organizações que pensam e aplicam ações que vão beneficiar não só o seu negócio, como também o ecossistema em que está inserida.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), um dos seus principais objetivos para os próximos anos é conscientizar e promover iniciativas sustentáveis em grande parte dos países. Para isso, é necessário que, principalmente, grandes empresas, estejam também empenhadas nesses esforços. No entanto, abordar a sustentabilidade e as soluções para se adequar a ela não é um papel só de grandes instituições, mas de toda e qualquer companhia que se importe com causas ambientais e com o futuro do planeta.

De acordo com uma pesquisa da Opinion Box, 33% dos entrevistados acham a sustentabilidade de uma empresa um fator muito importante na hora de comprar um produto ou serviço. Além disso, 55% dos respondentes afirmam dar preferência às marcas sustentáveis. Portanto, como diz uma frase conhecida: “Bom para o planeta, bom para os negócios”. Mas, afinal, por onde começar?

E é aí que o RH pode ajudar! Com o passar dos anos, o setor acabou recebendo muitas atribuições. Dessa forma, ações de sustentabilidade e muitas outras passaram a ser pautas importantes e que podem ser implementadas diretamente pela área de Recursos Humanos para promover empresas mais conscientes socialmente.

É importante frisar que uma abordagem mais sustentável, partindo da diretoria e se caminhando para os demais setores, precisa estar cada vez mais enraizada no negócio. Logo, deve ser parte da estratégia da organização e cabe ao RH mobilizar e engajar os colaboradores por meio de ações voltadas para o tema. Tudo isso de forma muito bem pensada em um foco maior: proporcionar boas práticas para os funcionários dentro e fora do ambiente de trabalho.

Entre as práticas que podem ser estimuladas, é possível pensar em saídas de mobilidade urbana, como por exemplo a migração de alguns colaboradores para o home office e o investimento em treinamentos para as lideranças com o tema da sustentabilidade. Além disso, a promoção de ações colaborativas e recompensas internas para engajar o público e fomentar o uso consciente de alguns recursos também entram no escopo de ações.

Outro ponto a ser destacado é que o RH, por meio da aplicação destas práticas, deve também se atentar ao acompanhamento desses resultados. Para medir e otimizar o desempenho das ações, a área de recursos humanos pode estabelecer indicadores que vão apontar se cada projeto está sendo eficiente ou não. A sustentabilidade dentro de uma organização geralmente é alcançada a médio e longo prazo, ou seja, mesmo com a ausência de resultados imediatos, é importante que a empresa esteja ciente disso para que não interrompa essa transição.

Neste contexto, a tecnologia também tem um papel fundamental na contribuição da sustentabilidade. Isso porque além de promover uma revolução nos processos burocráticos do RH, principalmente no que se trata do recrutamento e seleção, a tecnologia também se mostrou uma grande aliada para tornar a área mais sustentável. Observe que, hoje em dia, a maioria das empresas já dispensam o recebimento de currículos de papel, reduzindo assim o desmatamento e ainda se adequando à obrigatoriedade da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Além disso, grande parte dos recrutadores já não utilizam mais fichas impressas para aplicar testes nos candidatos, uma vez que esses são realizados por meio de softwares de recrutamento e seleção, como o PandaPé, o que significa um grande ganho para todos os envolvidos no processo. Ações simples como essas são indispensáveis atualmente para empresas que desejam investir em sustentabilidade e também melhorar os seus processos.

Promover a digitalização do RH, significa contribuir com a economia de recursos e agilidade nos processos, além de ajudar as companhias a se tornarem mais sustentáveis e competitivas. E você, já está investindo nessa ideia?

Foco no cliente, maior concorrência e inovação: o Open Banking que você ainda não viu

Por Fabio Cossini, Líder de Soluções para Bancos, Capgemini Brasil

Em um cenário acelerado de inovação digital em todas as áreas, o sistema financeiro brasileiro já está se movimentando – de forma bastante acelerada – rumo ao futuro do relacionamento entre as instituições e os clientes, por meio de um profundo processo de transformação com o Open Finance, ou Sistema Financeiro Aberto.

Essa conversa já não é mais novidade, mas está muito aquecida: no último dia 13 de agosto, o Banco Central (BC) colocou em prática a segunda fase do Open Banking, onde os clientes das instituições financeiras já podem compartilhar seus dados cadastrais e transacionais, caso tenham interesse.

De olho no Open Finance, uma união entre o Open Banking e o Open Insurance – sistema semelhante ao bancário, desenvolvido no mercado de Seguros – os objetivos, anseios e benefícios dessas mudanças são claros e impactarão principalmente um elemento fundamental nessa jogada: o consumidor.

Mas as mudanças serão tão simples assim?

O sistema bancário – foco desse artigo, vem passando nos últimos anos por transformações significativas, principalmente associadas ao uso de aplicativos, entrada de empresas que não fazem parte do mundo bancário para a oferta de serviços financeiros – como as Big Techs e varejistas – e, mais recentemente, com o lançamento do Pix.

Com a expectativa pela implementação total do Open Banking, a privacidade e a segurança dos dados de clientes e instituições passou a ser discutida pelo mercado. Mas não só isso: questões como resolver problemas de governança e legados defasados, ter velocidade para adaptação e olhar estratégico para identificar oportunidades de inovação com base nos insights dos dados, devem estar em pauta. Será que as instituições estão preparadas para esse novo modelo?

Na prática, o consumidor poderá conectar sua conta bancária a um ecossistema compartilhado de dados que poderá analisar sua vida financeira e por meio de cruzamento de dados vai receber recomendações de produtos e serviços de acordo com a sua necessidade.

Do outro lado da bancada, a concorrência entre os bancos deve aumentar e, consequentemente, os serviços oferecidos ao consumidor devem melhorar. Por exemplo, ao comprar um item em uma loja onde o cliente pague com dinheiro em espécie, o caixa poderá oferecer o troco com o uso do Pix. Isso pode melhorar o relacionamento entre loja e clientes pela comodidade do serviço, atraindo mais público e aumentando as vendas.

De acordo com o World Retail Banking Report 2021 , 81% dos clientes pesquisados afirmam que a facilidade de acesso e a flexibilidade dos serviços podem motivá-los a substituir seu banco tradicional por um provedor financeiro de nova geração.

A mesma pesquisa aponta que muitos bancos ainda têm dúvidas sobre como orquestrar ecossistemas e articular totalmente sua organização em torno dos dados. No entanto, o estudo identificou que esse ponto é crucial nesse novo modelo de negócios bancários.

A recomendação é que os bancos realizem uma transformação digital e criem plataformas com o foco em Banking-as-a-Service (BaaS), baseadas na nuvem, que utilizam APIs para integrar o banco no dia a dia dos seus clientes, tornando-o assim mais acessível e mais inclusivo. Já estamos acompanhando grandes empresas do setor financeiro investindo nessa solução!

Vantagens só para correntista? É isso mesmo?

Já sabemos que com o Open Banking todo o histórico de relacionamento que o cliente construiu ao longo dos anos com uma instituição financeira ficará disponível para seus concorrentes, desde que ele autorize a divulgação dessas informações.

Mas, por que devo ceder meus dados? A resposta é simples: hiperpersonalização, conveniência e melhores práticas de experiência do consumidor! Com o compartilhamento, as empresas, sejam elas um fornecedor atual, ou futuros prospects, já saberão como é a “saúde financeira”, como são feitas as movimentações, saídas, entradas, etc. Não será necessário, por exemplo, construir um relacionamento do zero ao iniciar uma conta em uma nova instituição. Com o consentimento do cliente, basta acessar o banco de dados e pronto, todas as opções já estarão disponíveis.

Além disso, o relacionamento com as empresas financeiras será melhorado com ajuda da tecnologia, uma ponte integradora com os consumidores finais, que terão acesso facilitado para resolver problemas e aprimorar seu contato com as organizações. Cada cliente será único, com acesso a serviços personalizados e que atenderão suas necessidades reais, sem fazer parte de um pacote genérico de soluções.

Como fica a segurança dos dados? Até que ponto devo me preocupar?

Com a LGPD já em vigor, o BC implementando uma regulação específica para o Open Banking, também tendo em mente os recentes vazamentos de dados de instituições relevantes em diversos mercados, é de suma importância garantir um ambiente seguro para alcançar um sistema Open Banking protegido e eficaz. As instituições financeiras já estão investindo em tecnologia para garantir esse ponto, mas vale ressaltar que nunca é demais!

Será cada vez mais comum se deparar com certificados digitais que determinem padrões de criptografia, com chaves públicas e privadas. Também é importante que as ferramentas de segurança sejam integradas por meio de APIs (Aplication Programming Interface) que têm uma área compartilhada para interagir com outros sistemas.

O mercado já trabalha com APIs. Sites e redes sociais têm formas rápidas de cadastro, em que o usuário faz login e inclui suas informações, se assim concordar. O Open Banking propõe que o mercado financeiro também tenha APIs abertas.

O cliente também deve assumir o papel de observar para onde dará permissões de uso de dados, tomando o cuidado de verificar se a instituição seja reconhecida e possua certificados de segurança reconhecidos no mercado. De todo o modo, será preciso investimentos do setor financeiro em educação digital dos consumidores, salientando a importância do não compartilhamento de senhas e dispositivos móveis, dentre outras recomendações de segurança.

Mais novidades a caminho

Já no final de agosto, os clientes passarão a ter acesso a formas de pagamento fora do ambiente do banco via Pix – terceira fase do Open Banking. Serviços como pagamentos e propostas de crédito poderão ser realizados por um aplicativo de mensagens, por exemplo. A implantação do Open Finance continuará ao longo de 2022 e 2023, com as demais iniciativas de serviços bancários adicionadas às das seguradoras.

Quando todo o processo estiver finalizado, outras funcionalidades estarão disponíveis, como: TED; compartilhamento do envio de propostas de operações de crédito a clientes que aderirem ao Open Banking e compartilhamento de dados de clientes sobre demais operações financeiras, como câmbio, investimentos, previdência e seguros, dentre outros inúmeros serviços.

Pesquisa mostra que funcionários engajados são fundamentais para as empresas e para a sociedade

Por Tania Magalhães, Head de Comunicação do PayPal para a América Latina

Em um cenário de incerteza e tão polarizado, algumas instituições passam a ser percebidas com mais confiança do que outras – principalmente quanto a temas essenciais, como responsabilidade ambiental, social, equidade e tantas outras. Há cerca de duas semanas, a Edelman tabulou uma nova pesquisa sobre o assunto, para tentar entender o que se passa na cabeça de funcionários e funcionárias de empresas em sete mercados, incluindo o Brasil. E o resultado global é, no mínimo, curioso.

Trata-se de um relatório especial, chamado “Trust Barometer: The Belief-Driven Employee”, que destaca, entre outras coisas, que as empresas são as organizações mais confiáveis para 67% dos entrevistados. E quando a pergunta se refere à empresa na qual esse entrevistado trabalha, o índice sobe para 78%. Junto das ONGs (60%), são as únicas instituições confiadas globalmente. Governos (56%) e Mídia (55%) estão no patamar de neutralidade – nem confiáveis, nem não confiáveis.

Para nós, profissionais de Comunicação Corporativa, são dados que representam um crescimento gigantesco de responsabilidade. Ao mesmo tempo em que nos fazem pensar sobre como instituições tão importantes para as pessoas, como seus governantes e sua mídia, podem estar tão abaixo nesse ranking de confiança.

Em termos profissionais, o estudo traz dois itens que valem destaque: 62% dos pesquisados (foram 7 mil ao todo, 1.000 em cada mercado) afirmaram que, durante a pandemia, elevaram seu valor aos olhos do empregador. Como? Assumindo mais responsabilidades e aceitando mais tarefas. O ponto negativo disso: 43% dizem que as empresas nas quais trabalham não vêm levando a sério os sinais de burnout entre funcionários.

Isso significa o seguinte: as empresas que entenderem mais rapidamente as novas necessidades de sua força de trabalho estarão um passo à frente da concorrência. Segundo a pesquisa da Edelman, entre os respondentes que mudaram ou estão dispostos a mudar de emprego nos próximos meses, 59% estão em busca de empresas que estejam mais alinhadas aos seus valores, ou seja, empresas em que possam aprender de forma contínua, em que se sintam mais valorizados e que sejam mais engajadas socialmente e com uma cultura mais inclusiva – e aqui vale destacar uma comparação interessante permitida pelo estudo, segundo o qual apenas 31% dos entrevistados citam “melhor compensação ou avanço na carreira” como motivo para mudar de emprego.

Faz sentido, portanto, que 61% dos respondentes nos sete países escolham, saiam ou evitem uma empresa com base em suas crenças.

Outro ponto importante desse relacionamento entre funcionários e empresas é que, quando há consonância de valores e ideais, torna-se muito mais provável que os colaboradores recomendem essas empresas a outras pessoas (79 pontos no caso de funcionários movidos por seus valores contra 64 no caso dos não-movidos por seus valores). E essa motivação extra também faz diferença quando o assunto é recomendar produtos ou serviços produzidos por essas empresas (76 pontos no caso de funcionários movidos por seus valores contra 59 no caso dos não-movidos por seus valores).

Ou seja, a confiança também reflete em mais e melhores negócios, porque os funcionários mais engajados – leia-se mais leais e comprometidos – tendem a fazer mais do que se espera deles (esse índice bate os 78 pontos na pesquisa).

A Edelman concluiu que, levando em conta o aumento da confiança dos funcionários na empresa em que trabalham, é possível dizer que:

  1. Esses funcionários são, agora, o stakeholder mais importante – e influente. E, por isso, é preciso trabalhar para atender suas expectativas. Mais: os empregadores que não fizerem isso correm sério risco de enfrentar o chamado ativismo disruptivo, além de maior rotatividade de sua força de trabalho.
  2. A capacidade de causar verdadeiro impacto social é uma grande expectativa para a maioria dos funcionários – assim como para os candidatos a emprego. As empresas devem centralizar suas estratégias de negócios e marca em torno de questões sociais críticas, como saúde, meio ambiente e a trilogia diversidade, equidade e inclusão.

Todos esses temas fundamentais e urgentes para a nossa sociedade deveriam ser endereçados com ênfase por outras instituições importantes da nossa democracia. Afinal, como vemos, os números não mentem. E mostram os novos caminhos que surgem na sociedade. É questão de fazer a coisa certa.

Como a América Latina pode vir a ser o novo berço de healthtechs no mundo

Por Cristian Rocha, CEO e cofundador da Laura

Muito tem se discutido sobre a importância de diversas áreas da economia investirem mais fortemente no desenvolvimento do setor tecnológico para se destacarem no mercado. Enquanto em países como Estados Unidos, China e Japão a transformação digital já esteja intrínseca em seus DNAs, regiões conhecidas geograficamente como países subdesenvolvidos ainda têm um papel muito tímido e seguem engatinhando quando o assunto é criação de soluções e ferramentas tecnológicas para o impulsionamento dos negócios. Contudo, é possível observar um ímpeto muito grande em mudar essa realidade, em especial na área da saúde.

O segmento, até então considerado um dos mais tradicionais e resistentes à inovação, tem se flexibilizado e visto como a tecnologia tem sido uma grande aliada na missão de salvar vidas. Não à toa, de acordo com levantamentos da Crunchbase, a América Latina já registra mais de 140 healthtechs com potencial de crescimento. Quando transportamos a realidade para a terra canarinho, o Brasil – maior país do continente – é disparado, com mais de 60 iniciativas grandes, seguido do México (37) e do Chile (21). Mas, então, por que será que os países latinos ainda não deslancharam, de fato, no ramo da tecnologia para a saúde?

Sem dúvidas, há muitos talentos e mentes brilhantes na região, mas existem uma série de fatores que colaboram com nosso “atraso” em relação aos outros países. Um deles é justamente a falta de investimentos, seja para a mão de obra, para a aquisição de ferramentas ou, mesmo, na educação e desenvolvimento profissional. Com isso, vemos um fenômeno muito comum: a exportação de talentos, que encontram em grandes potências os recursos e retornos financeiros necessários para dar andamento em seus projetos.

Outro ponto importante é a mentalidade coletiva. Não muito tempo atrás, era comum o pensamento de que as “máquinas iriam dominar os humanos”, resultando na relutância pela busca da digitalização. E, com os países latinos sendo predominantemente conhecidos como exportadores de matéria-prima e insumos agrícolas, a alçada pela tecnologia parecia muito distante e privilégio apenas daqueles que desejavam se destacar no setor. Hoje, a mudança de comportamento da sociedade prova o contrário: aqueles que não apostam na transformação digital tendem ao ostracismo. E, com a chegada da pandemia de Covid-19 no último ano, essa necessidade passou a ficar ainda mais latente, uma vez que as instituições de saúde precisam de respostas rápidas, dinâmicas e eficientes para garantir a segurança dos profissionais e pacientes, bem como o desafogamento dos hospitais.

Mas, se por um lado há preocupações e desafios, por outro há um vasto espaço para a criação de soluções e mecanismos novos. Com isso, foi possível ver uma grande força-tarefa de entidades como Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e investidores-anjo, por exemplo, para injetar mais recursos e dar o fôlego necessário para que países latinos corram contra o tempo e tenham mais acesso à tecnologia para combater a crise socioeconômica iminente. E os frutos estão sendo colhidos.

Segundo o último relatório de Healthtechs realizado pela Distrito, somente no Brasil já atingimos a marca de cerca de 920 iniciativas no setor dentro do ecossistema de inovação do país, além de investimentos de mais de US﹩ 328 milhões nos últimos dois anos.

Logo, por mais que ainda tenhamos um longo caminho pela frente, os números e expectativas são promissores. Com mais investimentos, novas demandas e comportamentos na sociedade e um povo latino com um rico repertório criativo, a América Latina e o Brasil deixam de engatinhar e passam a se levantar e caminhar com as próprias pernas em direção ao sucesso na área.

As Oportunidades do Mercado de TI

Por Jorge Sukarie, sócio fundador e presidente da Brasoftware e vice-presidente do conselho da ABES

A Associação Brasileira das Empresas de Software – ABES divulgou recentemente o seu estudo anual intitulado “O Mercado Brasileiro de Software 20 21 – Panorama e Tendências “, publicado desde 2005, com base numa pesquisa da IDC, uma das principais empresas de consultoria e inteligência de mercado com foco em TI e Telecom.

O estudo apresenta dados detalhados do Mercado Brasileiro de TI, comparado com mais de cinco dezenas de Países, também alvos da pesquisa da IDC, o que permite que se faça uma avaliação entre eles, a partir da normatização para o dólar americano, dos investimentos em TI em moeda local de cada um destes países.

Os investimentos mundiais em TI em 2020, que consideram os gastos em software, hardware e serviços, somaram US$ 2.395 bilhões, representando um crescimento de 2,5%. No Brasil estes investimentos somaram US$ 49,5 bilhões, com um crescimento de 22,9% sobre o ano anterior. Historicamente a taxa de crescimento destes investimentos no Brasil fica próximo do dobro da média mundial, mas no ano passado a taxa de crescimento foi quase dez vezes maior que a média mundial.

Alguns fatores podem explicar este crescimento tão elevado no Brasil, descolado da média mundial. Inicialmente podemos mencionar os baixos investimentos em TI nos últimos anos, impactados pelo cenário econômico desafiador que o País vem passando desde 2014. Como outro fator podemos citar a pandemia que trouxe uma grande oportunidade para o Setor de TI, se é que podemos considerar qualquer ponto como positivo num momento tão lamentável que a humanidade foi obrigada a passar nestes últimos 18 meses. Porém o fato é que a necessidade de distanciamento social com o home office, obrigou as empresas e as pessoas a investirem em tecnologia para permitir que se pudesse trabalhar, estudar, fazer teleatendimento, teleconsulta, compras, contratar serviços, entre outras atividades que precisaram ser feitas remotamente. Investimentos em projetos em segurança de TI, busca por soluções de produtividade, comunicação, redução de custos, entre outras, que deveriam ser feitos em 2 a 3 anos, precisaram ser feitos em 2 a 3 meses.

A expectativa de crescimento dos investimentos em TI no Brasil para 2021 ainda é bastante positivo, considerando esta janela de oportunidade que o País está vivendo. O mercado de TI deve crescer por volta de 11% contra uma previsão de crescimento médio mundial de 4,3%, voltando o Brasil a ter um crescimento em torno do dobro da taxa de crescimento médio mundial.

O resultado do ano passado permitiu ao Brasil voltar a ocupar a 9ª posição no ranking de Países com maior volume de investimentos em TI no Mundo. Na América Latina, o Brasil, que sempre ocupou a primeira posição entre todos os países em termos de volume de investimentos em TI, no ano passado aumentou sua participação nos investimentos na região, que representou 44% do total.

Os investimentos em Nuvem, IoT, Inteligência Artificial, BI, Segurança de TI, 5G, Conectividade, entre tantas outras tecnologias expoentes, garantirão ótimas oportunidade para as empresas que se dispuserem a explorar este mercado nos próximos meses.

Um dos fatores que tem limitado a competitividade do Brasil é a sua baixa produtividade. E uma das formas mais eficientes para se ganhar produtividade vem dos investimentos em tecnologia, em inovação, e esta é uma grande oportunidade para o Mercado de Software para os próximos anos, em especial no Brasil pelo que foi exposto anteriormente.

O uso de novas tecnologias e o seu impacto no Brasil, que são alvo do estudo da ABES, dão um pouco a dimensão das oportunidades que se abrem às empresas de software num país que está num momento importante de recuperação econômica. O importante é as empresas estarem atentas para acompanhar esta evolução e identificar as oportunidades com base em sua expertise e conhecimento para não perderem esta importante janela de oportunidade que teremos à nossa frente. A publicação do seu estudo anual sobre o Mercado Brasileiro de Software é um dos serviços que a ABES oferece a seus associados como forma de trazer o máximo de informações para garantir que estas empresas tenham oportunidade de surfar esta onda de crescimento que teremos nos próximos anos.

Diversidade é condição essencial para a inovação

Por Rafaela Bassetti, fundadora e CEO da Wishe

Uma pesquisa da KPMG confirmou que, em épocas de crise, os investidores preferem direcionar mais de seus investimentos em um número menor de projetos, indicando a busca por negócios que apresentam menos riscos. E a tomada de decisão segue o viés inconsciente de, ao buscar por segurança, buscar seus iguais. Foi assim que vimos o ano passado bater recorde de investimento em startups, mas o aporte em startups fundadas por mulheres caiu 22%.

Quando pensamos no ecossistema de inovação, esperamos uma mudança de status quo relevante e, por isso, a equidade de gênero precisa ganhar força nesse território. E é neste ponto que atuamos. A Wishe nasceu da dor que identifiquei quanto empreendia: há uma grande dificuldade em conseguir investimentos.

Conversamos com empreendedoras e investidores para entender o cenário e identificamos que para elas não há muitas informações e orientações disponíveis sobre os tipos de aporte, networking com outras fundadoras que conseguiram aporte e acesso aos investidores.

Já para os investidores, além da falta de mulheres em cargos de decisão, falta conexão com os celeiros de fundadoras e processos livres de vieses inconscientes (aquele de buscar os iguais para uma tomada de decisão mais segura). As startups fundadas por mulheres tendem a ser mais diversas e isso impulsiona resultados, fomenta a economia e contribui para diminuir o gap de gênero.

Fusões e aquisições no varejo: logística ganha papel fundamental na nova era do consumo

Por Waldir Bertolino, Country Manager da Infor no Brasil

Compras que podem ser feitas do sofá da sala ou enquanto se toma o café da manhã; cupons de descontos válidos para compras online, ferramentas de comparação de preços, cashbacks com condições especiais para compras via aplicativos e produtos entregues no mesmo dia ou em poucas horas. E tudo isso, feito com apenas um clique e na palma da sua mão. Essas e outras comodidades já faziam parte de um ciclo de transformação digital do varejo nos últimos anos. Com a pandemia, percebemos que essas opções passaram a definir o sucesso ou fracasso dos negócios do setor.  

Neste contexto, a mudança de hábito dos consumidores em relação ao e-commerce, que bateu recorde de vendas no primeiro semestre de 2021 e atingiu R$ 53,4 bilhões em faturamento, segundo dados de uma pesquisa elaborada pela consultoria Ebit Nielsen, também deflagrou a consolidação do processo de M&A (do inglês Mergers and Acquisitions, que em português significa fusões e aquisições) no varejo. Só nos três primeiros meses do ano foram 8 fusões e aquisições no setor. De acordo com os dados da  KPMG, esse número representa um salto de 300% na comparação com o mesmo período do ano passado. 

A tendência é que o movimento de fusões e aquisições do varejo se mantenha, impulsionado pelo crescimento exponencial do comércio eletrônico. Mas essa onda de M&A vai obrigar os varejistas a pensar com mais afinco no seguinte desafio: se hoje o poder está nas mãos dos consumidores, como oferecer uma experiência de e-commerce excepcional para eles com um modelo de logística ultrapassado? As chances de fracassar são enormes. Por isso, listo abaixo três passos que considero essenciais para as companhias darem um salto rumo à modernização da sua operação logística.

Escalar a digitalização

As exigências dos consumidores impulsionam nas empresas uma busca maior por tecnologia para conseguir atender as necessidades dos seus clientes.  O uso intensivo do big data, de análises preditivas e inteligência artificial se tornaram a última fronteira da logística para atingir o objetivo de escalar a digitalização. 

Ao fazer uso do big data, por exemplo, os gestores logísticos conseguem expandir o controle sobre a cadeia de suprimentos, otimizar serviços operacionais, aumentar a precisão na entrega de seus produtos, além de ter acesso rápido, e em tempo real, de todas as informações relacionadas ao processo logístico.

Assertividade na gestão do armazém

Centros de distribuição não podem ser encarados como custos para as empresas, e sim vantagens competitivas. Mas para que essa transformação ocorra é necessário investir em soluções para aumentar o controle sobre a rastreabilidade de cada item, ou seja, uma gestão eficiente de cada etapa percorrida pelos produtos, desde a manufatura, passando pela armazenagem, até a separação das peças. 

Com o suporte da tecnologia, o gestor terá ganhos de produtividade na sua operação e poderá reduzir o estoque do armazém em até 10 dias. De nada adianta querer reduzir o lead time (tempo entre o momento do pedido do cliente até a chegada do produto a ele) de entrega se o estoque está cheio. 

Cadeia de suprimentos conectada

As empresas devem trabalhar em sinergia para atender às necessidades dos clientes em um mercado em constante mudança. Portanto, criar uma conexão com toda a cadeia de suprimentos representa, na prática, ligar fornecedores, parceiros e clientes em um único ecossistema que permite compartilhar informações em tempo real ao longo de toda a cadeia,  tornando todos os processos mais ágeis à medida que os dados podem ser compartilhados e verificadas a todo instante.

Se reinventar é a palavra de ordem para sobrevivência de qualquer empresa. No caso das redes varejistas, aprimorar os processos logísticos é fundamental para se manter competitivas nessa nova configuração que está sendo desenvolvida pelo varejo. Não basta mais ter um bom produto, é preciso compreender que os consumidores estão mais exigentes e criando expectativas cada vez mais altas.

Como nosso relacionamento com os dispositivos está mudando?

Por Caio Moreno, líder do portfólio de dispositivos da Avaya para a América Latina

O número de dispositivos eletrônicos, conexões de internet e usuários de mídia social aumentou rapidamente no ano passado. Mas a leitura por trás dos números é de como as pessoas estão se relacionando com os dispositivos e como as empresas podem otimizar e facilitar os novos usos e dinâmicas em torno da tecnologia.

Por exemplo, é comum ouvir quantas pessoas decidiram optar por novos aparelhos para trabalhar em casa, para monitorar a saúde ou para se comunicar com amigos e familiares durante longos períodos de isolamento. Mas já nos perguntamos a quantos dispositivos ficamos conectados? Quantos dispositivos temos em nossa mesa agora? E quão necessários eles são?

Quando se fala em ferramentas que se integram ao dia a dia para a obtenção de experiências profissionais de qualidade, tanto presenciais como remotas, não podemos esquecer dois pontos fundamentais que garantem o sucesso: as ligações e as aplicações utilizadas para fazê-las.

Nos tempos modernos, é tão importante falar da qualidade dos aparelhos como das aplicações que os complementam. Além de estabelecer um canal de comunicação entre dois pontos, a eficácia também é marcada pela forma como as soluções adaptadas permitem responder a diferentes necessidades e ter inteligência e autonomia suficientes para favorecer as experiências cotidianas em qualquer contexto.

Progresso não consiste em pegar um dispositivo e adaptá-lo às próprias necessidades. Pelo contrário, a forma mais funcional é adicionar a uma solução que já possui inteligência, aplicações e plataformas integradas e, desde o primeiro momento, garanta uma experiência totalmente abrangente.

Cada pessoa, empresa ou setor possui necessidades diferentes e ambientes de trabalho diversos, por isso as ferramentas devem ser tão dinâmicas e completas que possam ser adaptadas a qualquer situação.

Além das colaborações, deve ser garantido o pleno acesso às informações no momento ou local que for necessário e prestar assistência alinhada às estratégias de negócios para a tomada de decisões com agilidade e, sobretudo, que a experiência do emissor seja tão satisfatória quanto a do interlocutor, independentemente de estar a distância, em uma pequena sala ou em um grande auditório.

O fundamental é poder contar com um dispositivo adequado, intuitivo, flexível e disponível para estabelecer comunicações, participando de reuniões, mas também garantindo o acesso a todas as plataformas, aplicações e documentos necessários ao dia a dia. Um dispositivo inteligente e integrado à nossa realidade.

O papel da Inteligência Artificial

Além de poder realizar todas as atividades básicas, como receber e-mails, enviar mensagens instantâneas ou ligar por videochamada, complementando essas aplicações com Inteligência Artificial (IA) também se tem a oportunidade de utilizar recursos como comandos de voz ou transcrições instantâneas, que melhoram a experiência interna e externa dos clientes finais.

Irritar-se com latidos de cachorro, com alguém que passa vendendo produtos ou com o barulho de um avião que atrapalha a comunicação é coisa do passado. Hoje existem ferramentas que se baseiam em avanços tecnológicos e favorecem o relacionamento com as pessoas.

Em um universo que pensa firmemente no presente, mas também no futuro, é fundamental que fique claro que, em caso de necessidade de adaptação, é possível melhorar a qualidade do áudio ou intensificar a integração sem ter que alterar toda a infraestrutura. Por exemplo, se você está falando de um telefone IP, não precisa necessariamente de um switch para se comunicar, porque simplesmente o conectando a uma fonte de alimentação ou wi-fi você já tem áudio.

Ondas Exponenciais e Resiliência Digital

Por Rodolfo Fücher, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software

O título deste artigo retrata o novo normal, onde o normal é o não normal. A tecnologia troca de lado, deixa de ser causa para virar efeito ou consequência. Em um momento, a tecnologia é responsável por alimentar a onda da disrupção, em um outro, passa a ser o salva vidas. Fatores externos, como a pandemia, tornam-se verdadeiros tsunamis, tirando mercados do nosso alcance e levando os negócios a capotarem. Mas, em qualquer situação, a tecnologia passou a desempenhar um papel fundamental para a sobrevivência dos negócios e foi, de vilã, transformada em heroína.

As “ondas exponenciais” passam a ser presentes, intensas e inesperadas, desfazem cadeias globais de valor, mudam hábitos e práticas de empresas e pessoas, e reforçam a necessidade premente de trabalhar sob a resiliência do digital. Fica claro distinguir os que estavam atentos às novas tecnologias e os que não estavam. Não há mais espaço para desatentos. Três tipos passam a existir: aqueles que se afogam, aqueles que capotam mas sobrevivem (como dizem: tomam um “caldo”), e os que surfam a onda. A pergunta é simples: qual deles você quer ser? A resposta é fácil, mas estar preparado para surfar a onda requer muita dedicação e experimento. Aprender com os erros e acertos de outros pode ser um dos caminhos. Um modelo recentemente muito procurado é o da inovação aberta, forma barata e de baixo risco, mesmo em segmentos tradicionais, em que inovar é também fator de sobrevivência, como alimentação, construção, financeiro entre outros.

O que mais pode acontecer? Difícil responder. Mas muitos especialistas dizem que precisamos mudar os nossos hábitos se queremos continuar vivendo neste planeta Terra. Em 2050, seremos 10 bilhões de pessoas, convivendo em apenas 20% do globo terrestre – parte habitável e produtiva. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o número ideal de habitantes que a terra conseguiria abrigar de forma sustentável seria entre 1,5 a 3 bilhões de pessoas. Hoje já existem diversas startups ao redor do mundo pesquisando como produzir carne animal em laboratório com base em célula tronco, outras desenvolvendo carne vegetal com o objetivo de reduzir drasticamente o impacto ambiental na produção animal. Agora, imagine um produtor de proteína animal, com milhões investidos em espaço e produção, quando em Singapura descobrem uma forma de produzir carne vegetal de frango e a base de célula tronco, de forma rápida, saborosa, nutritiva, sem impacto ambiental, sem necessidade de grandes galpões e etc… isso não está longe de acontecer nesta cidade-estado do continente asiático. E por uma razão muito simples: acabam de aprovar uma lei permitindo a produção de venda de carne a base de célula tronco .

Nessa busca frenética por inovar, estar preparado para surfar a onda, criar novas oportunidades, novas fontes de renda, novos modelos de negócio, como os inúmeros aplicativos conhecidos como gig economy que nos países da União Europeia geram renda para cerca de 1/3 da população, podemos encontrar um poderoso inimigo: a regulamentação. Com o poder de um tsunami, ela pode aniquilar modelos de negócios e milhares de novas oportunidades. A questão tributária é a pior das piores placas tectônicas, qualquer movimento sem o devido debate eleva ainda mais o risco de se fazer negócios no Brasil, onde até o passado é incerto. Certamente estaríamos na idade da pedra caso a mais de 5 mil anos fosse publicado uma lei proibindo as mais diversas aplicações do fogo e da roda devido seus potenciais riscos.

Ainda há um outro elemento extremamente importante para surfar a próxima onda: fator humano. Identificar e preparar as habilidades e competências necessárias torna-se vital. Conhecer novas tecnologias e tendências passou a ser fundamental para qualquer colaborador de qualquer empresa. Há empresas treinando todos os funcionários em inteligência artificial, assim eles podem contribuir para a melhoria de processos e novos modelos.

Para refletir mais sobre estes pontos e ajudar empresas a alcançarem a resiliência digital e surfar a próxima onda exponencial, o ABES Conference 2021 ” Ondas Exponenciais, Resiliência Digital ” promove debates nos dias 14, 15 e 16 de setembro. Serão três dias de trocas de expectativas e experiências. No primeiro dia, o tema é a resiliência digital. No segundo, o foco é o ambiente de negócios e as transformações regulatórias necessárias para a economia digital. Finalmente, no terceiro dia, o destaque fica para o protagonismo humano e a construção das competências necessárias para essa nova era.

A jornada de inovação dos caixas eletrônicos

Por Matheus Neto, Gerente de Soluções de Hardware da Diebold Nixdorf

Quando os primeiros caixas eletrônicos chegaram ao Brasil, no início dos anos 1980, a grande novidade era a possibilidade de retirar dinheiro ou emitir um extrato de forma automatizada. De lá para cá, evidentemente, muita coisa mudou. Embora para muitos sacar ou depositar moeda em espécie continue sendo a grande função desses equipamentos, a verdade é que os ATMs (sigla em inglês de Automatic Teller Machines) podem e devem ir muito mais além. Hoje, essas máquinas já são verdadeiras agências bancárias digitais, com mil e uma utilidades. E o melhor: estamos apenas no começo de uma nova era nessa indústria fundamental. 

Por exemplo: esqueça as máquinas que ocupavam grandes áreas e dependiam de uma enorme rede de processos manuais – para contar, retirar ou abastecer as caixas com dinheiro em espécie. Agora, a realidade é outra, com terminais mais inteligentes, adaptáveis e principalmente conectados, estamos caminhando para um ambiente em que a experiência dos clientes (e dos próprios bancos) será muito mais fluída, prática e ágil. 

A jornada de inovação dos ATMs está plenamente em acordo com a necessidade de transformação digital enfrentada pelas instituições financeiras. Não por acaso, dados da mais recente pesquisa divulgada pela Febraban destaca o aumento nos investimentos em TI, digitalização e novas formas de atendimento aos clientes. Segundo o estudo, o volume investido pelos bancos em 2020 é 8% superior ao montante aplicado no ano anterior – e 38% mais do que em 2016. 

Vale destacar que essa marcha de evolução não está acontecendo apenas agora, ou por conta da pandemia. Nestes últimos quarenta anos, os caixas eletrônicos foram ganhando uma série de recursos e ferramentas para tornar o uso das máquinas mais seguro, fácil e completo. Isso inclui pontos como a leitura de cartões magnéticos, solicitação de pins especiais, adoção de chips, criptografia avançada, monitoramento remoto, biometria e muito mais. 

Neste processo, um dos passos mais recentes e importantes é a adoção dos recicladores de notas. Essa é uma inovação que nem sempre está visível aos consumidores, mas que foi fundamental para proporcionar mais agilidade às operações. Antes, para as transações de depósito, as máquinas operavam por meio do uso de envelopes e isso fazia com que as notas ficassem bloqueadas por muito tempo dentro do terminal, até que uma pessoa fizesse as interações manualmente. Agora, no entanto, as notas são inseridas diretamente no ATM, são contadas e lançadas automaticamente nos sistemas e, principalmente, ficam à disposição para outras transações, reduzindo a necessidade de dinheiro em circulação através dos carros fortes e de logística para reabastecimento dos terminais, contribuindo para uma melhora no trânsito e consequentemente reduzindo a emissão de carbono por conta da redução de circulação dos carros fortes. 

São inovações como essas que ajudaram a manter os caixas eletrônicos em evidência até aqui. Mas como dito anteriormente, é possível dizer que estamos, agora, entrando em um novo capítulo desta história, com uma verdadeira revolução no modo como utilizaremos os terminais de autoatendimento bancário. Com a inclusão de recursos baseados em Inteligência Artificial, Automação de Processos, Machine Learning e Internet das Coisas (IoT), os terminais permitirão uma experiência mais integrada, eficiente e personalizada aos consumidores, oferecendo assim o mix certo de serviços para cada perfil.   

Isso é especialmente relevante em países como o Brasil. Em uma sociedade ainda bastante dependente da circulação de dinheiro em espécie, mas ao mesmo tempo cada vez mais conectada, com bancos agora 100% digitais, a utilização de ATMs inteligentes será certamente fundamental para permitir a inclusão das pessoas na economia que se apresenta para o futuro. 

A presença desses caixas automáticos de nova geração significa a oportunidade para atendermos necessidades latentes, seja para reaproximar as pessoas que já aderiram às operações on-line como para permitir o acesso a quem ainda prefere ou precisa usar o papel moeda como foco de suas transações. Temos de nos lembrar que pelo menos um quarto da população brasileira não possui contas em bancos, mas movimentam também bilhões de reais todos os anos. 

É importante que a evolução dos caixas eletrônicos acomode diferentes públicos – atendendo quem precisa apenas de consultas rápidas ou transações pontuais ou clientes que necessitam movimentar grandes quantias diariamente. Uma análise que corrobora esse ponto de vista é a de que, embora o índice de transações Mobile continue crescendo e que isso represente uma consequente diminuição no volume de operações em ATMs, também é notável que os valores movimentados a cada saque ou depósito estão aumentando – somente no ano passado caixas eletrônicos e terminais de pontos de venda movimentaram cerca de R$ 23 bilhões. 

O avanço do Open Banking, a massificação cada vez maior do uso de ferramentas digitais, como PIX, e a inclusão de novas funcionalidades no gerenciamento de contas e investimentos com certeza ampliará a necessidade dos bancos de oferecer soluções que integrem dispositivos inteligentes e ATMs, permitindo a construção de sistemas sem toque (touchless) e sem cartão (cardless). É preciso que o caixa eletrônico representa uma facilidade extra à disposição dos clientes. Um componente que permita a real integração dos canais de atendimento dos serviços bancários, otimizando a segurança, a assertividade e a confiança das pessoas. É a integação do físico com o digital. 

Não há como descolar a inovação dos ATMs das características culturais de cada local. Por mais que a digitalização econômica esteja em curso, é bastante provável que o papel-moeda permanecerá relevante por um longo tempo. Paralelo a isso, é função da indústria fazer com as vontades e necessidades das pessoas sejam atendidas. E isso explica a grande transformação que temos acompanhado, elevando o ATM a um novo patamar, como uma agência bancária completa e sempre disponível para os clientes.