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Para conquistar investidores em IPOs, empresas devem reforçar governança

Por Luiz Marcatti, presidente da MESA Corporate Governance

Apesar da crise econômica provocada pela pandemia, apenas na primeira semana de abril seis empresas abriram o capital na B3, elevando a 26 ações as listagens em 2021. E o movimento ainda vai longe, já que estão sob análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 82 pedidos para ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês).

Na avaliação de Luiz Marcatti, presidente da MESA Corporate Governance, consultoria especializada em Governança Corporativa, com 20 anos de mercado, para garantir longevidade as empresas precisam ter atenção na preparação do processo de IPO. “Não basta uma boa ideia. Mesmo com um produto ou serviço muito bom, se não tiver um bom plano de negócios e demonstrar alta capacidade de implementá-lo, com sua alta administração -governança e gestão corporativas – adequada a empresa pode não avançar”, avalia.

O presidente da MESA Corporate Governance aponta quatro pontos que merecem atenção das empresas que pretendem se listar na bolsa.

1- Organização administrativa

O maior desafio para empresas que vão abrir capital é a estruturação de uma alta administração – governança e diretoria – altamente competente. Todo negócio nasce de uma ideia inovadora ou percepção diferente, mas a gestão nem sempre recebe a devida atenção. Contar com profissionais especializados para administrar e criar uma base organizada fará com a empresa alcance a maturidade e mantenha o foco no negócio, não em problemas de gestão.

2- Planejamento para o IPO

Quando uma empresa entra na bolsa de valores, ela precisa constantemente impactar positivamente o investidor e os analistas, atentos a cada detalhe do negócio. “Maquiar” a performance é um grande erro. Em algum momento, o mercado percebe que a companhia fez um planejamento muito rápido e o produto ou serviço, que pode até ser bom, naufraga, pois não há garantia de gestão qualificada.

3- Atenção às Parcerias

Muitas startups que surgem como promissoras despertam interesse de parceiros financeiros. No entanto, alguns desses associados buscam a empresa para lucrar apenas na abertura do capital. São veículos que aceleram o crescimento dos negócios e aproximam a empresa do IPO, mas se limitam a organizar o mínimo para a entrada no mercado e lucrar com a venda de ações logo na estreia. Em pouco tempo deixam a companhia sem auxílio para manter as operações e a estrutura necessária para atendimento do exigente mercado investidor. É uma relação, na avaliação de Marcatti, que precisa ser analisada com cuidado, identificando os reais ganhos que uma parceria trará para o negócio, não olhando apenas para o aporte de recursos. Os valores e as visões de negócio precisam estar alinhados, para que este casamento seja promissor. O IPO não é um fim em si próprio.

4- Percepção do mercado         

A startup que alcança sucesso no IPO é a que alia criação de uma solução inovadora com um impacto positivo no mercado. Ou seja, os investidores precisam ter a percepção de que o negócio entrega uma boa solução, mas, também, que está organizado para crescer, com governança e diretoria de alta performance. Indicar a governança para o mercado como um checklist, sem realmente ter práticas efetivas, prejudica a estrutura futura da companhia, afeta sua imagem e contribui para sua desvalorização.

Testes de integridade: você conhece quem está contratando?

Por Cláudia Avilar


Em um contexto de contratação, nos deparamos com os mais diversos perfis de profissionais. E realmente não poderia ser diferente, já que enquanto seres humanos somos tão únicos e diversificados. Pensando por este lado, a importância de um processo de recrutamento e seleção robusta e completa torna-se ainda mais evidente. Não apenas pelo viés de admissão ou exclusividade, mas porque, levando em consideração a diversidade de perfis, é possível entender a melhor forma de integrar cada profissional e, consequentemente, minimizar riscos para o negócio.

Sabe-se que as empresas investem em diferentes processos e testes direcionados para conhecer melhor os profissionais que estão contratando, sendo que boa parte referem-se aos testes de competência e comportamentais. Mas, e do ponto de vista da integridade, isso também está sendo considerado com a devida importância?

O objetivo dos testes de integridade é analisar e identificar a percepção e o posicionamento de cada profissional diante da exposição a dilemas éticos corporativos, que podem variar desde a forma como ele lida com seus erros no ambiente de trabalho, até mesmo como se posiciona diante de oportunidades em vislumbrem benefícios financeiros próprios em alguma negociação ilícita.

Esse tipo de teste representa uma ferramenta relevante para o negócio, pois oferece ao contratante um norte maior sobre qual a percepção moral do candidato diante de diferentes dilemas éticos corporativos com os que ele pode se deparar em sua rotina profissional, além de evidenciar ao candidato a importância que a organização atribui às questões éticas.

Pesquisas apontam que cerca de 25% dos profissionais podem representar um risco significativo para a empresa, tanto por possuírem um alto nível de apetite ao risco e de desconsideração do cunho ético, quanto por agirem sob influência de uma análise individualista de custo versus benefício. Este risco pode ou não se concretizar, mas, é certo que identificar previamente qual a flexibilidade moral de seus profissionais pode oferecer à companhia o suporte devido para entender como prevenir possíveis riscos.

Investir no processo seletivo que possa demonstrar o nível de alinhamento entre os valores pessoais e os valores organizacionais se mostra ainda mais relevante em um momento como esse de pandemia. A maioria dos processos seletivos passou a ser conduzida totalmente de forma remota, e ter uma perspectiva mais abrangente do perfil do candidato pode representar uma segurança e um cuidado maior por parte da empresa no momento de contratação à distância, já que muitas vezes é um profissional com quem não teve alguma interação presencial.

Chamado de Compliance Individual, esses testes de integridade são processos que analisam e anteveem pontos de atenção apresentados na percepção moral de um indivíduo, possibilitando à empresa conhecer melhor seus profissionais do ponto de vista ético, além de trabalhar antecipadamente na prevenção de ameaças à ética corporativa.

Sem esquecer a enorme diversidade de perfis, entendemos que tanto uma ação ética quanto uma antiética pode ser influenciada por uma série de elementos, que vai desde a forma como o próprio indivíduo categoriza cada vivência como certa ou como errada, como também pela forma como ele experiencia as diversas pressões com que se depara.

Neste sentido, o teste de integridade pode representar um suporte relevante para a empresa, pois, conhecendo as nuances existentes na percepção moral e no posicionamento do candidato, é possível tomar uma decisão mais assertiva e consciente sobre a contratação ou mesmo sobre movimentações internas. Conhecendo de forma aprofundada sua tomada de decisão, a empresa pode individualizar a integração de cada candidato contratado, investindo em ações de treinamentos, coachings éticos individuais, demonstrações particularizadas de seus códigos de condutas e termos. Trabalhar estes pontos preventivamente com o profissional pode minimizar riscos posteriores ao negócio. Fica a pergunta, então: você sabe quem está contratando?

Cláudia Avilar, consultora sênior de Compliance da ICTS Protiviti

O futuro do trabalho já é nosso presente

Por Marcelo Moreira, Líder de Engenharia para Colaboração, Cisco América Latina

Por muitos anos as discussões sobre futuro do trabalho eram pautadas pela ideia de que trabalharíamos de qualquer lugar, eliminando a necessidade de um escritório físico, integrando-o às nossas casas, viagens, até mesmo nos carros. Porém, o que não poderíamos prever é que as mudanças ocorreriam de forma tão profunda e tão rápida em 2020, com o advento da pandemia de Covid-19 e a necessidade do isolamento e distanciamento social. De uma hora para outra, bilhões de pessoas passaram a trabalhar de suas casas e empresas, fornecedores de soluções de colaboração, provedores de internet e muitos outros setores se viram diante de uma nova realidade.

O “novo normal”, como nos acostumamos a dizer, alterou de forma definitiva a discussão sobre o futuro do trabalho. Se antes era um exercício de futurologia, este conceito se tornou mais próximo do que nunca, buscando respostas para perguntas mais claras: como as relações de trabalho vão se alterar após o período que estamos vivendo? Como manter a produtividade nestes novos tempos? Nós vamos voltar à realidade que vivíamos até 2019? A resposta para esta última pergunta já temos.

Quase um ano após o início do distanciamento social, muitas empresas já perceberam que a forma como adotaram o trabalho remoto no início do ano passado ocorreu de forma compreensivelmente amadora. O funcionário recebia seu notebook para trabalhar de casa – isso quando não usava seu próprio dispositivo pessoal – se conectava a seu Wi-Fi particular e se conectava com seus colegas através de ferramentas de colaboração simples, como aplicativos de mensagem. Foi uma solução apressada para um momento de urgência, contudo hoje se vê que ela não é sustentável em longo prazo.

Conforme fomos nos adequando à nova realidade e vimos a ideia de trabalho híbrido se tornando mais popular e concreta, novas necessidades se tornaram claras. A empresa híbrida do futuro precisa de ferramentas que permitam conexões com maior qualidade e estabilidade, um maior arsenal de soluções de colaboração em áudio e vídeo, adaptabilidade às diferentes demandas de diferentes profissionais e, tão importante quanto, uma maior rede de cibersegurança e opções de monitoramento por parte de gestores e equipes de TI.

Parece uma lista complexa de soluções, mas a realidade é que a maioria delas já está à nossa disposição. Os avanços que o segmento de colaboração trouxe para o mercado nos últimos 12 meses são impressionantes, em especial levando-se em conta o pouco tempo em que estas evoluções ocorreram. Hoje já temos como prover a uma empresa uma solução que permita ao gestor ter uma completa visibilidade e acessibilidade do quão produtivo um funcionário está sendo, e que também permite que este funcionário reporte algum problema técnico ao setor de TI de forma simples e rápida, dando ao profissional todas as informações necessárias para solucionar o problema remotamente.

O futuro, que rapidamente se torna nosso presente, do trabalho remoto é uma realidade onde a empresa investe nas ferramentas de colaboração a distância da mesma forma que investe na sua estrutura física, criando uma experiência uniforme para todos envolvidos na cadeia produtiva. Afinal, na realidade do trabalho híbrido alguns funcionários estarão um dia no escritório, e no outro em suas casas e no dia seguinte podem estar em uma viagem de negócios. Garantir que o projeto que estão realizando seja facilmente acessado e modificado de todas estas locações é um passo fundamental para que esta transição ocorra da melhor forma possível.

Com novas tecnologias, hoje já é possível utilizar sistemas de IA e reconhecimento de voz e rosto para garantir que salas de reuniões sejam totalmente automatizadas, sem a necessidade de toque por parte dos participantes. Além disso, estas mesmas salas podem ter soluções programadas para garantir que nunca excedam um número limite de participantes, evitando aglomeração em um espaço pequeno. Uma ferramenta esta que pode ser extrapolada para todo o escritório e até mesmo para elevadores de condomínios corporativos, espaços estes onde a circulação de pessoas é muito alta.

Respondendo uma das perguntas feitas no início deste artigo, já temos a certeza de que nosso trabalho nunca voltará a ser como era antes da pandemia. E não apenas porque percebemos as vantagens do trabalho remoto, mas também porque as ferramentas que foram desenvolvidas neste período expandiram dramaticamente nossas opções. Nós ainda iremos aos escritórios, mas cada vez mais diante de uma necessidade de contato pessoal – afinal, somos todos humanos – do que pela necessidade de estar lá para realizar alguma tarefa. O futuro do trabalho é poder trabalhar de qualquer lugar. E o futuro já está aí.

Como o Open Banking irá impactar todos os momentos da sua vida?

Por Carlos Kazuo Missao

Tem se discutido muito sobre a implementação do Open Banking no Brasil, e de forma correta, fala-se muito em como se adequar às fases deste marco regulatório. É uma adoção complexa tanto do ponto de vista jurídico, onde há diversas intersecções com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), quanto de tecnologia para exposição das informações através de APIs (Application Programming Interface) e de infraestrutura e segurança cibernética.

Esses importantes pontos são apenas o primeiro passo da implementação do Open Banking. Vamos observar o que Banco Central discorre sobre os objetivos do sistema: incentivar a inovação e o surgimento de novos modelos de negócio; melhoria na experiência dos usuários e uma melhor oferta de produtos e serviços; e por fim, mais transparência e liberdade para o usuário final. Também se prega que o Open Banking vai diminuir a assimetria do mercado, a partir do compartilhamento de dados compulsório para os maiores participantes do sistema financeiro.

Estamos apenas no início desta jornada. Muitas instituições ainda estão se adequando às necessidades regulatórias citadas e talvez nem todos pensem na melhor forma de explorar novos negócios, linhas de receita e novas formas de conhecer e fidelizar os clientes. Num primeiro momento, todos estes benefícios já soam como algo inovador, mas é a longo prazo que veremos a enorme gama de oportunidades na vida das pessoas com a adoção do Open Banking.

Com a evolução desse sistema, a tendência é que o seu impacto esteja presente em todas as jornadas dos consumidores, seja na aquisição de bens materiais como em viagens, estudos e cuidados com a saúde. À medida que as instituições tiverem mais acesso e conhecimento sobre a vida de um determinado cliente, elas poderão contribuir com ofertas e conteúdos mais personalizados de uma forma automatizada, sem a necessidade de solicitar informações adicionais. Este impacto, que estará presente ao longo de toda a jornada do consumidor, é algo que as instituições financeiras atualmente almejam e poucas de fato conseguiram executar de forma satisfatória.

Se pensarmos na cadeia de valor dos consumidores e clientes dos bancos, podemos expandir essa corrente para uma jornada mais completa e ampla, o que convencionou-se chamar de Momentos de Vida (Life Moments). Em grandes linhas, os participantes do Open Banking têm a oportunidade única de obter dados de clientes (e também de potenciais clientes), trabalhar a informação e transformá-la numa oferta hiper personalizada – não apenas aderente ao perfil estático dos consumidores, mas também seu perfil temporário, dinâmico, sem “momento de vida”.

Costumamos dizer que assim os clientes de uma instituição financeira consumirão serviços financeiros de uma forma diferente, praticamente sem perceberem que estarão interagindo com a plataforma de um banco, pois a experiência será fluida ao longo da jornada. O banco torna-se invisível na cadeia e, paradoxalmente, mais presente desde o seu início. Ou seja, através do uso de dados disponíveis com o Open Banking, as jornadas dos clientes serão repensadas e recriadas.

Hoje, um exemplo comum de benefício quando falamos de Open Banking é o da oferta de empréstimos com taxa de juros menores ao entender o perfil de renda e de comportamento de um determinado cliente. O potencial, no entanto, vai muito além. Com os processos de negócios focados nas dinâmicas dos clientes e com o uso de tecnologia, como machine learning, inteligência artificial, realidade aumentada, as instituições podem desenhar jornadas muito mais ricas e fluidas, transformando-se em grandes parceiras dos seus clientes.

Já imaginou ter uma proposta 100% digital de seguro de vida, customizada a partir da análise dos dados disponibilizados pelos seus wearables? Ou conversar com assistentes virtuais, como Alexa ou HomePod Mini, sobre as contas do dia a dia e a melhor forma de economizar recursos para adquirir determinado item para a sua casa, sugeridos com informações baseadas no que você gosta de observar em suas mídias sociais?

Esses são apenas alguns dos exemplos que já conseguimos projetar para o Open Banking neste momento da história. Ou seja, as oportunidades são enormes. Com a criação de novos modelos de negócios, a partir da adoção plena deste sistema nos próximos anos, teremos muito a explorar em soluções, pensando tanto do ponto de vista das grandes instituições quanto nas startups dos mais diversos segmentos.

E o mais excitante destas projeções é que os insumos para tornar essas oportunidades em realidade já existem e estão disponíveis: a tecnologia para extrair e processar grandes volumes de dados, com automação e inteligência artificial; a criação de jornadas personalizadas para os clientes, explorando canais diversos, com tecnologias inovadoras, seguras e convenientes. Somam-se a isso, a inteligência de negócio e ambiente competitivo que o Open Banking já está estimulando, e temos um cenário promissor para o sistema financeiro brasileiro.

Temos desafios pela frente como o da segurança, é verdade, mas as lições que estamos aprendendo com outros mercados mais maduros na implementação desse modelo nos apontam para grandes conquistas e avanços. As companhias que conseguirem agregar e investir em alta tecnologia, segurança de dados e conhecimento dos seus clientes terão vantagens competitivas muito fortes neste novo mundo criado pelo Open Banking.

Carlos Kazuo Missao, Diretor de Soluções de Inovação para Clientes da GFT Brasil

2021 será marcado pelo atendimento nas redes sociais

Por Rafael Souza

O ano de 2021 é um período desafiador para as empresas, pois é necessário manter um relacionamento ainda mais próximo com os consumidores, afinal, agora, ter um atendimento de qualidade é indispensável. Novos canais surgiram para cumprir o papel de estreitar esse relacionamento entre marcas e pessoas, como o atendimento nas redes sociais. 

É o momento que o mercado precisa se adaptar ao digital e trazer novas soluções capazes de otimizar o dia a dia das pessoas. O canal presencial, que foi o preferido de alguns públicos por muito tempo, foi substituído por canais digitais. O número de transações no ambiente online no Brasil subiu de 19% para 34%, ainda no primeiro mês da quarentena, segundo dados da Kantar/Ibope. 

Algumas necessidades surgiram do dia para a noite sem praticamente nenhum planejamento, como o WhatsApp que virou loja, o Instagram se tornou uma vitrine e os chats online tiveram um volume de mensagens exorbitantes. Porém, houve um excesso de criatividade e o planejamento acabou ficando em segundo plano, resultando na falta de profissionalismo, em alguns casos, atendentes e vendedores usaram suas contas pessoais nos apps de mensagens para continuar em contato com os clientes, por exemplo.

WhatsApp

Em março de 2020, no início da pandemia, com lojas e escritórios fechando as portas, foi preciso buscar soluções para seguir se relacionando com os consumidores. Com isso, o WhatsApp desempenhou esse papel no ano passado. O aplicativo, que já vinha dando alguns passos no meio empresarial desde 2018, teve sua ascensão no último ano. As organizações de todos os portes recorreram ao canal para suprir demandas que o isolamento social dificultou, como:

  • Dar continuidade às vendas;
  • Atender e prestar suporte aos clientes;
  • Informações importantes sobre as medidas de proteção contra o coronavírus;
  • Atendimento bancário.

O WhatsApp cumpriu tão bem este papel, que foi utilizado até mesmo por gigantes do mercado, como a Polishop, No entanto, muitas empresas acabaram esbarrando em um problema em comum: dificuldades para gerenciar as interações feitas através do canal.

Todos foram pegos de surpresa com a situação, a maioria das empresas não conseguiu profissionalizar as interações realizadas através do canal, no qual foi considerado um movimento natural que cada atendente, agente ou vendedor atuasse do seu telefone e aplicativo pessoal. Essa ação resultou em enormes dificuldades para as empresas, que não conseguiram mensurar os resultados, além de gerar problemas para a marca, uma vez que, cada pessoa usava uma linguagem diferente e não havia uma padronização das interações.

Em 2021, o canal continua sendo um dos mais utilizados e procurado pelos consumidores. Justamente, por isso, é preciso planejar e estruturar muito bem o relacionamento através do WhatsApp. Abaixo, listo três dicas essenciais: 

  • Versão Business: com a versão empresarial do aplicativo, o atendimento digital ganhará um tom mais profissional, uma vez que ela dispõe de uma série de recursos corporativos;
  • Uso de chatbots no app: caso a conta já seja Business ou Business API, uma ótima opção para escalar os atendimentos é a implantação de um robô virtual no app, assim o relacionamento com os consumidores será mais ágil e assertivo;
  • Gerenciamento de todas as interações: uma ferramenta para centralizar o gerenciamento de todas as interações pode ajudar, desta forma, é possível disponibilizar apenas um telefone para os clientes, além de realizar a triagem das interações feitas pelo bot. 

Instagram 

A rede social de compartilhamento de fotos e vídeos curtos é hoje a quinta mais utilizada no mundo e conta com 1 bilhão de usuários ativos por mês. Já faz alguns anos que o Instagram foi incluído nas estratégias de comunicação das marcas, até se tornar uma importante vitrine no ambiente digital. Porém, mesmo já sendo um sucesso há algum tempo, foi somente no final do ano passado que o Instagram abriu a sua API para a automatização de interações.

A novidade tende a gerar um impacto maior ainda no segundo trimestre, uma vez que, isso as marcas têm a possibilidade de escala no atendimento realizado através do canal. Quando tratamos de automação no app, o chatbot pode ser um ótimo aliado e tem vários benefícios, como: 

  • Acabar com as filas de espera no canal: o bot irá atender todos os consumidores imediatamente, acabando com a espera por atendimento e gerando mais satisfação.
  • Aumentar a taxa de finalização de atendimento direto no canal: quando os clientes procuram por ajuda em determinado canal, eles esperam finalizar suas demandas por lá mesmo, sem serem encaminhados para e-mail, telefone ou afins. Com a ajuda do bot, será mais fácil finalizar o atendimento direto pelo Instagram.
  • Redução de custos operacionais: aloque sua equipe de atendentes humanos para demandas mais complexas. Um chatbot bem construído, pode lidar com até 90% das demandas no canal em que atua.

Vale ressaltar que, até o momento, apenas parceiros homologados podem acessar a API do Instagram, mas o cenário deve mudar em breve, abrindo a possibilidade para empresas dos mais diversos portes.

RCS: o substituto do SMS 

O RCS, ou Rich Communications Service, é um sistema de envio de mensagens, que nasceu para substituir o SMS. A primeira grande vantagem é o sistema de cobrança que, diferente do SMS que cobra a cada mensagem, o RCS cobra por sessão, ou seja, a cobrança só é realizada quando a conversa com determinada pessoa é finalizada. 

Outros benefícios podem ser explorados, como: 

  • Enviar mensagens com fotos e vídeos;
  • Enviar figurinhas e gifs;
  • Encaminhar documentos;
  • Enviar mensagens de áudios;
  • Criar grupos de conversas;
  • Ver quando a pessoa está digitando;
  • Não é preciso baixar nenhum aplicativo para poder utilizá-lo.

Em 2020 o SMS foi bastante utilizado, principalmente para serviços de cobrança e disseminar informações importantes sobre o coronavírus. Com o RCS é possível conquistar pontos positivos, abaixo, cito cada um deles:

  • Aumentar a taxa de conversão em promoções com o envio de fotos, vídeos e áudios;
  • Ter mais sucesso na estratégia de cobrança, realizando o envio da segunda via do boleto a ser pago direto na mensagem;
  • Chamar mais atenção no envio de informações importantes, com o uso de gifs e outras mídias;
  • Aumentar a taxa de matrícula em algum curso com o envio de informações extras, como: vídeos, fotos, documentos.

Rafael Souza, especialista em programação e CEO da Ubots, startup gaúcha especializada em atendimento digital

O papel do CFO na prevenção, detecção e investigação de fraudes

Por Antonio Gesteira


A sigla CFO, que representa no universo corporativo internacional a figura do profissional a função de um “Chief Financial Officer” ou diretor financeiro na tradução para o português, num contexto mais simplista, é o cargo definido como um executivo sênior com a devida responsabilidade pelos assuntos financeiros de uma empresa ou instituição.

Entretanto, podemos observar por meio de estudos e pesquisas recentes, que a função do diretor financeiro evolui de forma significativa com o passar dos anos. No passado, suas funções se resumiam a organizar as finanças e a contabilidade, preparar as demonstrações financeiras e adotar uma postura mínima de compliance regulatório.

Agora, o dia a dia dessa profissão requer um olhar interno e externo da organização e isso envolve um conjunto de atribuições ligado a orçamento, recursos humanos, departamento jurídico, tecnologia da informação, operações e logística, relações com investidores e, principalmente, finanças, planejamento e controle.

Mas esta supervisão vai além. Pesquisas que estão em linha com as novas perspectivas dos diversos setores de indústria apontam que, no exercício de suas funções, o chamado “novo CFO” deve incluir na agenda um olhar também cuidadoso sobre temas de riscos atuais, como a adoção de tecnologias digitais, a privacidade, gestão de identidade e segurança da informação, as soluções disruptivas e novas tecnologias, assim como as ameaças cibernéticas.

Somado a este cenário, outro ponto de preocupação ligado ao papel do CFO na gestão dos riscos empresariais está relacionado a atuação do CFO na prevenção, detecção, investigação de fraudes e desvios de conduta. Uma reflexão que podemos promover é se compete ao CFO a função de aplicar as medidas antifraude, bem como uma atuação mais proativa no sentido de evitar que esquemas financeiros e casos de assédio se perpetuem.

Em muitas organizações, a segunda e a terceira linhas de defesa estão sob responsabilidade do CFO, entretanto, muitas vezes não temos como afirmar que compete única e exclusivamente ao CFO a liderança do programa antifraude, assim como garantir que os erros, as fraudes ou desvios de conduta não ocorram.

Chamamos a atenção para o índice de turnover envolvendo a função de finanças, principalmente para cargos de liderança, dentre eles a posição de diretor financeiro. Em uma análise, ainda que preliminar, observamos que o tempo médio de um CFO na função tem sido de três anos, o que pode significar o insucesso de organizações em cumprir um ciclo completo de diagnostico, desenho, implementação e operação de programas mais robustos de prevenção, detecção e apuração de casos de fraudes e desvios mais complexos.

Como forma de auxiliar no processo de transformação da função de finanças sobretudo para os aspectos de riscos aqui abordados, elencamos algumas ações que podem ajudar a compor a lista de prioridades e que temos chamado de “agenda do CFO”. As atividades envolvem desde a realização de avaliação de riscos e fraudes nos processos críticos, implementação de mecanismos para garantir a segregação de funções e acessos, adoção de indicadores chave com o uso de análises de dados, avaliação de riscos de integridade e potenciais desvios de conduta de terceiros e colaboradores, assim como o reforço nos controles da primeira e segunda linha de defesas.

Esta agenda também deve envolver o fortalecimento do uso dos canais de captação das denúncias, monitoramento dos riscos de continuidade de negócios – incluindo Cyber, estabelecimento de protocolos robustos de apuração de denúncias de fraudes e desvios de conduta, elaboração e comunicação adequadas do plano de ações envolvendo também o ESG junto ao Conselho e implementação de ações de governança, riscos e compliance em linha com a agenda regulatória, incluindo Privacidade de Dados.

Se por um lado, dependendo do caso, podemos encontrar limitações ao imputar responsabilidades por falhas nos controles preventivos e detectivos ou que motivaram fraudes e desvios, por outro o CFO, diretor financeiro e equipe sob sua gestão, deve exercer um papel fundamental na aderência aos programas de governança, gestão de riscos e compliance bem como na manutenção do ambiente de controles internos adequado.

Antonio Gesteira, diretor executivo e líder das práticas de forense investigativo e computacional, auditoria interna e consultoria financeira da ICTS Protiviti

A Transformação Digital e o próximo passo no RH 3.0

Por Paulo Oliveira, gerente de marketing da Apdata


As relações pessoais vêm mudando desde antes da pandemia, com a evolução gradual da tecnologia e a flexibilização de acordos trabalhistas. Em 2020, o mundo viveu um dos principais momentos no processo da transformação digital e o setor de recursos humanos precisou correr para se adaptar ao novo normal que veio para confrontar os processos tradicionais.

Uma pesquisa, conduzida pelo Instituto Locomotiva, apontou que 47% das empresas já começaram a se movimentar para adotar soluções de modernização no RH e outras 21% afirmaram que já utilizam métodos inovadores em seus processos, abrindo caminho também para as novas habilidades técnicas que devem surgir a partir dessa digitalização.

O Brasil caminha para um RH cada vez mais digital, caracterizado, principalmente, por mudanças de mentalidade em relação ao negócio e por um uso mais estratégico e integrado da tecnologia. E, nesse novo patamar, a transformação digital mostra uma nova maneira de tomar decisões, com base em dados e indicadores que direcionam as empresas a uma verdadeira convergência entre o mundo real e o virtual.

O processo de recrutamento, nesse contexto, também começa a ser totalmente modificado, quebrando paradigmas e promovendo uma cultura galgada no conhecimento e não mais no cumprimento de critérios e tradições que não conseguem medir ou avaliar talentos e aptidões.

As soluções de Onboarding chegam como a cereja do bolo para tornar esse conceito ainda mais enraizado em empresas de todos os tamanhos, facilitando as imersões, melhorando o engajamento e ajudando a reter colaboradores e reduzir custos, tão importante em tempos de incertezas.

As empresas que conseguirem avançar nessa transformação vão impulsionar seus processos para um patamar cada vez mais alto, construir uma relação cada vez mais humanizada que, hoje, pode ser o ponto de partida para um desenvolvimento realmente sustentável e contínuo a longo prazo.

Entram nessa conta, ainda, a segurança dos dados e economia de tempo, que permitem planejamentos mais objetivos, colaboradores mais focados no negócio e uma drástica diminuição do turnover, rotatividade e absenteísmo que, atualmente, são algumas das principais dificuldades enfrentadas pelas empresas.

Na prática, tais ferramentas têm o potencial de elevar a Gestão de Pessoas a um estágio de grande reconhecimento, que ultrapassa as barreiras da comunicação interna para revelar aos clientes os verdadeiros valores e cultura que são construídos e alimentados diariamente nas organizações.

O crescimento do comércio eletrônico e as tendências para 2021

Por Henrique Donnabella, Diretor Geral da Collinson Brasil

A pandemia de COVID-19 marcou o ano de 2020 como o maior acelerador do comércio eletrônico e o início de uma nova era para o varejo. Dados de uma pesquisa da McKinsey revelam que esse cenário global foi o responsável por gerar, em apenas 90 dias, mudanças no comércio eletrônico e no comportamento do consumidor que aconteceriam apenas em 10 anos.

Segundo o Movimento Compre&Confie, que reúne várias lojas do varejo brasileiro para a transformação do mercado digital, o e-commerce foi ampliado em 56,8% no ano passado se comparado aos primeiros meses de 2019. A América Latina foi, pela primeira vez, a região de maior destaque em relação ao crescimento do comércio eletrônico, registrando um aumento de 36,7%, de acordo com da dados levantados neste ano pela eMarketer.

Com um cenário de declínio econômico e as carteiras dos consumidores mais vazias, há uma maior necessidade de que as marcas de todos os setores verticais ajam e sejam mais relevantes para os clientes, gerando, crucialmente, mais receita. Vamos explorar por que e como as marcas devem ir além por seus clientes, buscando sempre a experiência mais excepcional, e destacar a importância dos dados e de fluxos de receita diversificados em uma era de convergência de pagamentos.

O mercado em evolução – aceleração do comércio eletrônico: a passagem das compras off-line para as compras on-line

Devido ao desenvolvimento tecnológicos e ao ambiente de pagamentos em rápida mudança, fazer compras on-line está muito mais fácil para os consumidores. A maneira como compramos e pagamos por nossos produtos e serviços segue em reinvenção. Com essa nova tecnologia de comércio sustentando os hábitos de compra do consumidor e seu comportamento de pagamento, o futuro ruma ao comércio eletrônico em uma velocidade estonteante.

As compras on-line agora dominam o panorama do comércio, e não apenas entre a geração mais jovem. A pandemia forçou uma geração mais velha de consumidores, comumente chamados de baby boomers, a abraçar o comércio eletrônico, e suas expectativas em termos de segurança, velocidade, simplicidade, transparência e valor são tão altas quanto as dos consumidores mais jovens.

O estudo da E-bit|Nielsen, empresa de mensuração e análise de dados, demonstra que em 2021 as vendas online tendem a continuar em crescimento. O levantamento prevê que o e-commerce deve crescer 26%, atingindo um faturamento de R﹩ 110 bilhões.

Com as expectativas dos consumidores em torno da experiência de comércio eletrônico mais altas do que nunca, a necessidade dos varejistas de fornecer uma experiência de e-commerce excepcional para seus clientes nunca foi tão essencial – desde uma entrega barata e eficiente no dia seguinte até provadores virtuais onde você pode experimentar roupas no conforto da sua própria sala de estar.

Encontrar novos clientes por meio de novos canais para impulsionar o ROAS

Com mais empresas precisando adotar o comércio on-line, juntamente com os desafios gerados pela pandemia para atender à demanda crescente e às expectativas ampliadas dos clientes, há uma necessidade crescente de que os varejistas encontrem novas maneiras de ser mais versáteis em suas estratégias para alcançar novos clientes e impulsionar o retorno sobre os gastos com publicidade (ROAS, de return on advertising spend).

Fora do Brasil, a cervejaria escocesa Brewdog é um exemplo de varejista que, em meio à pandemia, precisou atingir um novo público, já que um de seus canais, ligado a alimentos e bebidas para companhias aéreas, não apresentava bom desempenho. A solução da Brewdog foi atrair novos clientes por meio de ofertas personalizadas e relevantes, neste caso por meio de nossa rede de portais de compras, o que lhe permitiu atingir uma base de consumidores ampliada, alcançando milhões de novos clientes em potencial.

Uso de recompensas vinculadas a pagamentos para entender melhor o comportamento do consumidor

No entanto, encontrar novos canais é apenas parte do desafio. A maior falha em potencial para os varejistas hoje é a incapacidade de se adaptar às necessidades e comportamentos em constante mudança dos clientes. À medida que os consumidores se tornam cada vez mais perceptivos e exigentes, as marcas não podem deixar de colocá-los em primeiro lugar. Entrar e permanecer na mente do cliente deve ser a prioridade número um. Aqueles que não o fizerem perderão relevância.

Assim, os dados das transações são um dos elementos mais importantes que as marcas precisam levar em consideração no futuro. Por meio deles, é possível obter informações importantes sobre o comportamento dos consumidores, o que permite que os varejistas os conheçam melhor. O resultado disso é a construção de ofertas e recompensas mais personalizadas e que atendam à real demanda dos clientes.

A chave para obter os valiosos dados das transações dos clientes está nas recompensas vinculadas aos pagamentos. Ao longo dos anos, os programas de fidelidade e recompensas, oferecendo reembolso ou pontos de fidelidade, evoluíram para permitir uma interação mais diária com seus clientes. Por exemplo, substituindo os programas de passageiro frequente por parcerias entre companhias aéreas e varejistas, com o apoio de prestadores de serviços especializados em recompensas vinculadas a pagamentos, que recompensam os consumidores com base em seu comportamento de gastos. Essa abordagem não só dá à marca uma oportunidade maior de interagir com seu cliente no dia a dia, como também fornece uma fonte valiosa de dados, permitindo uma visão mais ampla sobre o comportamento e os hábitos de compra de seus clientes. Mais e mais marcas dos mais variados setores, desde grupos de hotéis até prestadores de serviços financeiros e grandes programas de fidelidade estão hoje aderindo a essa estratégia.

A melhor maneira de garantir que essa abordagem seja mutuamente benéfica para o consumidor, para o programa e para o varejista é trabalhar com um prestador de serviços especializado em recompensas vinculadas a pagamentos, que possibilitará a convergência de informações de pagamento e dados do programa de recompensas para criar um ecossistema digital de comércio de fidelidade.

O engajamento significativo da marca é fundamental para programas de recompensas, assim como ofertas e incentivos relevantes. Ao mesmo tempo, as empresas estão enfrentando uma grande crise, com uma competição feroz pelo dinheiro do consumidor. Esse ambiente apresenta uma oportunidade para os varejistas trabalharem com um programa de recompensas por meio de um prestador de serviços de comércio especializado para garantir o engajamento do consumidor atual, fazendo uso dos poderes da moeda de fidelidade e canais de marketing únicos para proporcionar uma troca de valor verdadeiramente dinâmica. Em um mercado em constante mudança, a importância dos dados das transações para ajudar a fornecer percepções sobre o comportamento do cliente nunca deve ser subestimada. São essas percepções que ajudarão as marcas a apresentar ofertas e recompensas mais personalizadas e relevantes em tempo real, que demostrem a importância das transações diárias para os programas. Esse é o verdadeiro poder das recompensas vinculadas aos pagamentos.

A segunda onda das vendas por WhatsApp e redes sociais

Por Caio Camargo, diretor Comercial da Linx

Não é novidade dizer que redes sociais como WhatsApp, Instagram e Facebook foram essenciais para a continuidade das vendas do varejo durante a pandemia. O uso dessas ferramentas se mostra vital para que os negócios possam, mesmo que longe de recuperar as vendas do passado, ao menos minimizar os impactos de permanecer com a loja física fechada.

Se muita gente “improvisou” a venda nessas plataformas durante os primeiros impactos da pandemia, buscando vender de qualquer jeito e com qualquer esforço, a situação atual do varejo (que pode permanecer por todo o ano), está levando as empresas a adotarem soluções cada vez mais adequadas de comunicação e vendas, buscando otimizar seus resultados.

A busca pelo WhatsApp, por exemplo, não é à toa. Mais de 93% dos brasileiros utilizam o aplicativo ao menos uma vez por dia, e ele se encontra instalado em mais de 99% dos celulares, segundo pesquisa da Panorama Mobile Time/Opinion Box. Ou seja, é uma ferramenta de comunicação que já está na mão do cliente, basta apenas encontrar os melhores caminhos para se conectar com ele. Mas quais são eles?

A comunicação não deve ser massificada

A lista de transmissão, embora uma opção prática na hora de enviar mensagens promocionais, já é algo tão ruim em resultados quanto o velho disparo de mensagens spam via e-mail. Em vez de enviar mensagens de maneira massificada, procure orientar seus vendedores a se comunicarem de forma mais personalizada. Quanto mais o cliente entender que está recebendo uma mensagem direcionada exclusivamente a ele, maiores serão as chances de receber uma resposta positiva. Afinal, quantas mensagens de texto ou imagens nos são encaminhadas diariamente e nem sequer são abertas? Acredite, os clientes têm a mesma percepção.

Colete e gerencie informações de seus clientes

Para saber quem compra e como compra com você, o CRM ou um sistema que lhe ajude a registrar e gerenciar esses dados são essenciais para fornecer insights para a tomada de decisão. E se antes apenas um caderninho de anotações ou um simples Excel dariam conta do recado, hoje o varejista precisa estar atento à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), evitando multas com o mal uso de dados de seus clientes.

Catálogos digitais interativos

Ao enviar um catálogo para o seu cliente, evite mandar um PDF com dezenas de páginas, tal como na versão impressa. Além da visualização ser difícil nos telefones móveis, o cliente precisa sair da plataforma, navegar e depois retomar o contato para seguir com a compra. Links que direcionam para catálogos interativos digitais, hotsites ou mesmo uma página exclusiva de seu site podem aumentar consideravelmente a taxa de conversão e os resultados.

Links nas redes sociais

Embora boa parte das redes sociais já comece a criar ferramentas próprias que possibilitem a venda de produtos diretamente no Instagram e Facebook, muitas empresas têm utilizado agregadores de links, como o Linktr.ee ou o Biolinky.co para direcionar aos seus catálogos digitais, marketplaces ou páginas especiais de seus sites, realizando a venda diretamente para seus clientes.

Links de pagamento

Se no e-commerce já há um gap enorme entre a escolha dos produtos e a finalização da compra – muitos se assustam com questões de frete ou falta de parcelamento, por exemplo -, as vendas no WhatsApp ou redes sociais precisam buscar alternativas que facilitem a jornada do consumidor, evitando atritos. Oferecer pagamentos simplificados, usando links para pagamento ou soluções como o Pix, podem evitar que seu cliente desista da compra neste momento crucial para o varejista.

Mais que um canal de vendas, um canal de comunicação

O mais importante é entender que, embora muitas empresas tenham aderido às redes sociais só após o início da pandemia, elas não devem ser observadas somente como uma ferramenta de vendas. Para o consumidor, esses canais também servem para se comunicar com a marca e, portanto, seu atendimento deve estar adequado à essa expectativa. Uma mensagem no WhatsApp, por exemplo, não pode levar horas para ser visualizada e respondida, correndo o risco de perder o cliente.

Ainda estamos passando por um cenário incerto, com as lojas físicas alternando entre abertura e fechamento de acordo com os acontecimentos em cada cidade. Por isso, o varejo não pode apenas sentar e esperar pela normalização e deve procurar mais do que apenas se digitalizar, mas criar o máximo de oportunidades e resultados com as ferramentas disponíveis para vender mais nesse momento.

O potencial uso de Inteligência Artificial nas empresas

Por Renato Monteiro, Diretor de Tecnologia da Mars Brasil

Estamos rodeados por diversos termos tecnológicos dentro e fora do ambiente corporativo que, assim como grande parte das tecnologias desenvolvidas desde o início da história, foram criadas com para facilitar a vida dos seres humanos. Cloud, Big Data, RPA, Inteligência Artificial (IA) – atualmente, as empresas têm implementado estas tecnologias para multiplicar as capacidades humanas e otimizar processos.

Antes de nos aprofundarmos, precisamos entender termos como IA e Machine Learning e como essas duas palavras se relacionam.

Enquanto IA é o termo mais amplo da tecnologia, engloba um conjunto de ações e mecanismos com o objetivo de reproduzir capacidades da mente humana e proporcionar com que máquinas executem tarefas autonomamente (sem a intervenção humana). O Machine Learning é uma aplicação muito difundida da IA em que a máquina aprende e evolui automaticamente através de dados e exposição de experiências sem ter sido previamente programada.

Exemplo, ao comprar um novo par de sapatos, usualmente a pessoa compra também um novo par de meias; a máquina entende então que ao comprar o item A, o consumidor pode estar interessado em comprar o item B. Oferecendo esta opção proativamente, acredita-se inclusive que grande parte do crescimento de gigantes como Amazon seja devido a estas técnicas de IA.

Estas tecnologias foram desenvolvidas para que o computador consiga “imitar” nossas capacidades de aprendizado, raciocínio lógico, percepção de ambiente, entre outras. O que é chamado frequentemente de Inteligência Artificial representa todo o processo de tomada de decisão de uma máquina, baseado em dados, sendo assim, com muito mais informações do que qualquer humano normal é capaz de armazenar.

Estes mecanismos podem, por exemplo, fazer com que uma máquina tenha a capacidade de lidar de forma autônoma coordenando diversas tarefas simultâneas, que até então seriam feitas por uma pessoa. Além disso, também são uma peça importante em diversos setores da economia, como no ramo automotivo, com interfaces inseridas em um veículo que interagem com o próprio dono, no ramo financeiro, analisando dados e buscando indicativos de eventuais golpes em tempo real.

Sem muita percepção do público em geral, IA está presente em uma simples compra online como no exemplo da compra de um par de sapatos mencionada anteriormente, pois recebemos recomendações de produtos com base no histórico de buscas, costumes e até gostos de diversas formas, seja uma recomendação por e-mail, um pop-up ou uma barra de publicidade no meio da navegação pela internet.

Logo, mesmo que gradativamente, estas ferramentas terão impactos crescentes nas empresas brasileiras. A demanda por soluções fará com que as empresas contratem e desenvolvam profissionais especializados na área. Assim, as competências ligadas à essas tecnologias passam a ser cada vez mais essenciais para o mercado de trabalho, capacidades que serão as habilidades mais solicitadas do futuro à medida que a tecnologia avança e se torna dependente destes recursos.

Além disso, durante o período da pandemia, foi possível concluir que tecnologias antes desenvolvidas em anos, vêm sendo desenvolvidas e implementadas em questão de semanas, o que pode auxiliar no progresso do uso de inteligência artificial, seja em tarefas caseiras, ou em processos de linhas de produção nas fábricas.

Trazendo para a realidade da Mars, as novas tecnologias nos possibilitaram redirecionar Associados de tarefas braçais e repetitivas para rotinas de trabalho de inteligência, aprendizado e foco no consumidor.

Utilizamos alguns destes recursos com a produção de Skittles® feita nos EUA: com IA é possível calcular automaticamente a quantidade Skittles® e a porcentagem de cada cor na amostra geral da mistura, buscando a uniformidade das cinco cores e sabores dos confeitos presentes em cada pacote. Um processo que antigamente, era feito manualmente e por amostragem, com baixa exatidão e alto esforço de um Associado, em uma tarefa extremamente repetitiva.

Todas as inovações em tecnologia feitas e que ainda virão para a Mars fazem parte da decisão de colocar nossos princípios em ação: Qualidade, Eficiência, Mutualidade, além de proporcionar um sorriso em cada um de nossos consumidores, é o que nos move.

Novos métodos de ensino abrem portas para o empreendedorismo no Brasil

Por Fernanda Amorim, Presidente executiva da Brasil Júnior

O ano de 2020 será marcado na história da humanidade. Mesmo que o mundo já tenha vivenciado outras crises impulsionadas por um vírus, como foi o caso da peste bubônica e da gripe espanhola, a pandemia do coronavírus causou mudanças exponenciais em todo o planeta e em diversos setores. Foi visível que para responder ao novo cenário, tivemos que nos reinventar e usar da criatividade humana e o desenvolvimento de novas tecnologias para transformar e dar continuidade em diversos setores do mercado, na saúde e na educação.

Falando na educação, tivemos que vencer barreiras sociais, como o acesso à internet ou a divisão de tempo (dos pais), cuidado com os filhos e outros familiares, estudos e trabalho. A própria realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) levantou questionamentos sobre sua aplicação que foi adiada. Ou seja, conseguimos notar com mais clareza um gargalo cada vez maior no que diz respeito à educação no Brasil.

Ao passo que o mundo digital e uso de tecnologias permitiu romper barreiras físicas e reinventar nossa maneira de fazer negócios, empreender, se relacionar, na educação não foi diferente. Os modelos de ensino EAD e semipresenciais que já ganhavam força desde 2014, tiveram que mergulhar ainda mais nas experiências virtuais de aprendizagem e se utilizar da tecnologia para conseguirem se manter ativos ou se destacarem em seu setor, evitando a evasão escolar que foi crescente em 2020, atingindo 10,1% em meados de outubro .

Mas, é diante desse cenário que eu pergunto: Qual é a importância do papel da educação no cenário atual e a prioridade que devemos dar para que os alunos tenham acesso a um ensino de qualidade?

Para uma sociedade se desenvolver é necessário um pilar educacional forte. Segundo uma pesquisa realizada em 2019 pela BBC – British Broadcasting Corporation, os 5 países de referência mundial em educação universitária são: Suiça, Noruega, Alemanha, Finlândia e Estados Unidos e três deles (Noruega, Suíça e Alemanha) estão no top 6 do último ranking divulgado sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) Global. De acordo com o documento Produtivismo Includente, da Secretaria Nacional de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, “Se o Brasil se tornar uma grande potência sem uma grande universidade de ponta mundial, será o primeiro caso da história de um grande país.”.

Para pensar nesse ponto, entramos no tema deste artigo, que são os novos métodos de aprendizagem. Uma boa saída para esse momento é olhar com mais atenção para as soluções impulsionadas pelo contexto, como o aumento de cursos e adesão ao EAD, o surgimento de plataformas gamificadas, disponibilização de uma quantidade maior de equipamentos tecnológicos para alunos ou, ainda, na melhoria do fornecimento dos serviços de internet. Complementar a isso, a execução de atividades extra sala de aula, mesmo em formato assíncrono e virtual, que propiciem a consolidação do conhecimento teórico.

Um outro ponto dentro da educação e do desenvolvimento humano é o pilar da educação empreendedora que pode ajudar a elevar a qualidade de um país, já que ela tem como objetivo desenvolver pessoas para o empreendedorismo, para o empoderamento, ajuda grupos a alterar mentalidades e gerar atitudes que possam encontrar soluções transformadoras para os mais diversos problemas e em todos os setores, até os mais inimagináveis.

A educação empreendedora ocupa um espaço importante da educação, porque também desenvolve habilidades da sociedade como autonomia, criatividade, gestão, capacidade de cooperativismo, adaptação e fornece ao indivíduo as habilidades e o protagonismo necessários para aumentar sua inserção no mercado e para ter sucesso em seus empreendimentos. Aqui, as Universidades, por exemplo, podem inspirar o empreendedorismo aos estudantes, por meio de novos métodos de aprendizagem.

Entre os exemplos da aplicação disso estão a utilização da tecnologia para o ensino, espaços democráticos e diversos, debates, além de atividades de extensão que estimulem a prática da teoria aprendida em sala de aula, como iniciações científicas e a inserção de empresas juniores, que potencializam o empreendedorismo universitário, a entrada no mercado de trabalho e a inovação.

Portanto, temos como uma lição o questionamento e reflexão acerca do ensino no cenário atual. Tanto a educação como o empreendedorismo devem andar de mãos dadas, pois podem impulsionar o potencial de jovens em transformar o país e devem ser resposta à formação da juventude mesmo em tempos de crise. O ideal é utilizar novos métodos de aprendizagem e unir forças para que, de fato, consigamos inserir jovens no mercado usando as portas do empreendedorismo que estão sendo abertas.

Como o crescimento do e-commerce vai movimentar 2021

Por Thiago Mazeto, diretor de comercial e marketing da Tray, unidade de e-commerce da Locaweb

Já existe o movimento de migração para o e-commerce há alguns anos, mas ele tem se intensificado fortemente após o ano de 2020, em que as pessoas precisaram se reinventar para continuar no mercado de trabalho. Ano após ano, o comércio online tem conquistado uma importante fatia no varejo e ainda mais espaço na vida do consumidor.

Toda essa movimentação no comércio online somado com as tendências que já estão se popularizando internacionalmente, faz com que grandes expectativas surjam para 2021, com novas tecnologias e possibilidades tornando o mercado de ecommerce ainda mais completo.

Um novo momento está chegando para quem atua no comércio online e, para se destacar e sair na frente é preciso estar de olho no que vem por aí prometendo novas experiências de compra. Mas existe uma grande parcela de empreendedores que ainda tem medo do e-commerce engolir o próprio negócio, e esse é um ponto importante para exaltar. O novo movimento é que as lojas físicas continuem existindo, mas agora com auxílio do e-commerce, ou seja, agora você não vende só para sua cidade e sim para o Brasil todo e nós sabemos que é possível que esses dois cenários vivam juntos e se potencializem.

Com esse movimento do varejo online, as indústrias passaram a perceber um importante mercado na venda direta para o consumidor final. Hoje, além do B2B – business to business – o B2C – business to consumer – também está ganhando espaço. A preocupação nesse caso é com os revendedores, por exemplo, mas após uma venda online, esses revendedores podem continuar fazendo as entregas, otimizando tempo de toda a estrutura do negócio.

O objetivo do Brasil é chegar no patamar do mercado norte americano e chinês e nós estamos caminhando para isso. O e-commerce brasileiro cresce exponencialmente e está cada vez mais próximo desses grandes mercados internacionais. Nós temos um ecossistema pronto e bem desenvolvido, as empresas já sabem lidar com logística, os meios de pagamento para o consumidor e para o empreendedor são ótimos, o tempo médio de entrega diminuiu, portanto estamos no caminho certo.

A evolução de 2019 para 2021 foi muito grande e com muitos resultados positivos, por isso é importante que todos continuem investindo nessa forma de fazer negócio, porque só assim o Brasil alcançará bons resultados e crescimento significativo.