Expansão da geração hidrelétrica no Brasil é tema de carta aberta ao Ministério de Minas e Energia

Expansão da geração hidrelétrica no Brasil é tema de carta aberta ao Ministério de Minas e Energia

Representantes das principais empresas da cadeia produtiva da hidreletricidade do Brasil, elaboraram uma carta aberta ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com as recomendações consideradas mais imediatas para destravar o desenvolvimento da geração hidrelétrica no país. O documento destaca a escassez de novos projetos de grandes e médias hidrelétricas no país e lista medidas que podem contribuir para a retomada da expansão do segmento, essenciais para a segurança e transição energéticas, assim como para o desenvolvimento econômico.

Uma das recomendações se refere ao grande potencial de desenvolvimento de hidrelétrica de médio porte, com menor complexidade de licenciamento ambiental e capazes de dinamizar o segmento e assegurar energia renovável para a expansão da geração no país.

Outro ponto importante é a modernização das usinas hidrelétricas já existentes, o que poderia gerar aumento da capacidade instalada em 51 centrais em funcionamento há mais de 30 anos, resultando em um ganho expressivo de energia. O documento ressalta que esta oportunidade já foi, inclusive, apontada em estudos da Empresa de Pesquisa Energética, a EPE.

“O Brasil tem uma vantagem enorme em sua transição energética. Dos mais de 70 GW de capacidade hidrelétrica da América do Sul, grande parte é do Brasil e tem mais de 30 anos em operação. Isso representa uma grande oportunidade para modernização das unidades, além de novos negócios neste segmento por meio de novas usinas médias. Estamos prontos para ajudar a desenvolver um sistema elétrico sustentável, moderno e acessível”, destaca o diretor-executivo da IHA, Eddie Rich.

A ENGIE, uma das integrantes da IHA, está entre as líderes em geração hídrica do país e ressalta a importância da retomada dos investimentos nesta fonte, necessária para a diversificação das alternativas de suprimento de energia. “O Brasil já tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo graças às hidrelétricas. É importante seguir investindo no desenvolvimento desta modalidade para garantir a segurança do sistema, paralelamente com o crescimento de outras fontes renováveis como eólica e solar”, avalia o diretor de Comunicação e Responsabilidade Corporativa da ENGIE Brasil e conselheiro da IHA, Gil Maranhão.

Para Adriana Waltrick, CEO da SPIC Brasil é fundamental fomentar discussões regulatórias a respeito da repotenciação de hidrelétricas. “Nosso objetivo é discutir e propor uma regulação que permita a instalação de mais turbinas em usinas existentes, quando houver a possibilidade, como é o caso da Usina Hidrelétrica São Simão, que completa 45 anos em 2023 e passa por um robusto processo de digitalização e modernização. À medida em que digitalizamos as hidrelétricas, podemos trabalhar uma potência maior e imaginar sua expansão, desde que a regulação permita. Temos atuado fortemente para demonstrar o ganho para o país a partir desses investimentos.”

Para Cláudio Trejger, CEO da divisão de Hydro da GE Renewable Energy na América Latina, o cenário é bastante propício para que a geração hidrelétrica se torne ainda mais relevante no setor elétrico nacional. “Vemos grandes oportunidades para retomar a construção de novas usinas hidrelétricas no Brasil, uma vez que elas trazem energia mais flexível e sustentável para toda a rede elétrica nacional. Além disso, há tecnologias avançadas disponíveis para investirmos nas hidrelétricas já existentes, a fim de reduzir custos e otimizar as operações, possibilitando a geração de mais energia limpa, confiável e competitiva para o país”.

Em resumo, as recomendações endereçadas pela IHA são:

  1. Utilização do Padrão de Sustentabilidade Hidrelétrica nos processos de desenvolvimento, implantação, financiamento e operação de usinas hidrelétricas.
  2. Promoção da preparação de projetos para concessão. Sem os devidos estímulos, financiamentos e garantia de reembolso do investimento nos estudos, as empresas de engenharia e investidores-operadores não elaboram esses estudos e, consequentemente, não há novas concessões.
  3. Melhora da regulamentação de forma a remunerar adequadamente as usinas hidrelétricas e reservatórios por seus serviços ancilares, como flexibilidade, despacho e armazenamento, que ajudam a viabilizar fontes intermitentes de energia.
  4. Aumento da capacidade das centrais existentes através da modernização, estimando-se um aumento de 5% a 20% da capacidade instalada em 51 centrais antigas.

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