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PIX e Open Banking vão revolucionar a vida dos brasileiros

Por Ralf Germer


O Banco Central do Brasil (Bacen) tem trazido atualizações necessárias para levar o ecossistema bancário brasileiro a um novo patamar de inovação e equipará-lo aos mercados mundiais mais avançados. Termos como PIX e Open Banking estarão cada vez mais presentes em nosso dia a dia, uma vez que prometem transformar a forma como lidamos com as transações financeiras. Não é preciso ser especialista para entender que essas resoluções vão incentivar a inovação e competição entre as instituições financeiras e, consequentemente, quem se beneficiará serão os consumidores.


A primeira novidade são os pagamentos instantâneos, iniciativa prevista para chegar em novembro e que visa trazer mais praticidade. O PIX vai permitir que as transações sejam efetivadas em até dez segundos, sem restrição de datas e horários, reduzindo significativamente os custos das operações e abrindo um leque de possibilidades para o varejo e os consumidores. Por meio da tecnologia, pagadores e recebedores movimentarão o seu dinheiro de forma online e imediata para toda e qualquer entidade, empresa e pessoa física.


Já o Open Banking é uma revolução maior e, sem dúvida, um grande avanço para o mercado nacional. Com um sistema aberto e transparente, os cidadãos vão poder acessar seus dados e histórico financeiro, hoje mantidos pelos grandes bancos, e compartilhar com qualquer empresa regulada pelo BC se assim desejar. Os clientes passam a ter controle das suas informações e podem escolher por entidades do setor que tenham serviços mais adequados ao seu perfil.


Imagine, por exemplo, que uma pessoa queira conquistar um crédito pessoal para quitar suas dívidas. As fintechs do setor, bastante procuradas em épocas de crise, vão conseguir acessar as operações financeiras desse cliente, avaliar e negociar propostas que possam ser interessantes, além de terem um risco operacional menor, identificando bons e maus pagadores. Vale dizer que a regulamentação do Open Banking vem ao encontro da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).


Como comentei inicialmente, toda essa adaptação será importante não só para a evolução do mercado como um todo, mas também para proporcionar aos consumidores uma oferta maior de produtos e serviços. Por meio da tecnologia, será possível adquirir crédito pessoal com taxas de juros mais baixas, isso porque todas as instituições poderão ter acesso ao histórico de pagamento do cliente, se assim ele permitir.

Por fim, acredito que todo o dinamismo que os pagamentos instantâneos e o Open Banking irão proporcionar para o mercado financeiro, fará com que ele se torne mais competitivo e menos engessado. E nessa corrida pelo digital e disruptivo, sobrevive quem acompanha o mercado e sai na frente dos demais.

Ralf Germer, CEO e cofundador da PagBrasil

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World FinTech Report 2019: Mercado está em transição de Open Banking para “Open X”

O World FinTech Report (WFTR) 2019, publicado pela Capgemini e Efma, indica que apesar do Open Banking ainda não ter atingido a maturidade, a indústria de serviços financeiros está entrando em uma nova fase de inovação – chamada de “Open X” – que exigirá colaboração e especialização mais profundas. O relatório defende que os bancos e outros agentes do ecossistema de serviços financeiros devem começar a planejar adequadamente e desenvolver seus modelos de negócios.

O WFTR 2019 identificou um desafio duplo: os FinTechs estão lutando para escalar suas operações e os bancos estão emperrados na colaboração FinTech. Como resultado, os players da indústria estão tentando pular do Open Banking direto para o Open X, que é uma forma mais eficaz e estruturada de colaboração, facilitada pela padronização de APIs (Application Program Interface) e insights compartilhados de dados de clientes. A era do Open X criará um mercado integrado, com funções especializadas para cada participante, que permitirão uma troca de dados e serviços, melhorando a experiência do cliente e acelerando a inovação de produtos.

As principais conclusões do relatório incluem:

Open X irá transformar as normas e suposições da indústria

O advento do Open X está sendo impulsionado por quatro mudanças fundamentais:

• Um afastamento do foco nos produtos para uma ênfase na experiência do cliente;
• A evolução dos dados como ativo crítico;
• Uma mudança para priorizar a propriedade com o intuito de facilitar o acesso compartilhado;
• Ênfase na parceria para inovar em vez de comprar ou construir novas soluções

O Open X guiará a indústria de serviços financeiros a um ecossistema ou mercado compartilhado, no qual a indústria reintroduz o reagrupamento de produtos e serviços, e ambos (bancos e FinTechs) devem reavaliar sua estratégia de inovação e atendimento aos clientes.

As APIs serão importantes ativadores do Open X

As APIs que permitem que terceiros acessem sistemas bancários e dados em um ambiente controlado, serão catalisadores para a criação do mercado Open X. Embora os dados dos clientes já sejam amplamente compartilhados e aproveitados no setor, as APIs padronizadas não são comuns. Embora os requisitos e as regulações sejam complexos, a padronização ajudará na redução de fraudes, na melhora da interoperabilidade, aumento da velocidade de lançamento no mercado e elevará a escalabilidade.

O WFTR 2019 também descobriu que os players da indústria estão olhando para dois modelos potenciais de monetização para APIs: compartilhamento de receita (que 60% dos bancos e 70% da FinTechs consideram viável) e taxas de acesso à API (suportadas por 46% dos bancos e 55% FinTechs). No entanto, apenas cerca de um terço dos executivos do setor bancário disseram que estão atualmente bem equipados para gerar receita com APIs.

Questões como privacidade, segurança e colaboração podem retardar o progresso
Embora os bancos e as FinTechs tenham dito que entendem a importância da colaboração, questões como privacidade e segurança permanecem no topo das preocupações. Quando perguntados sobre o que os inquieta sobre o Open Banking, a grande maioria dos bancos identificou segurança de dados (76%), privacidade do cliente (76%) e perda de controle dos dados do cliente (63%). As FinTechs estavam mais otimistas em relação ao Open Banking, mas 50% expressaram temores sobre segurança e privacidade e 38% sobre a perda de controle de dados de clientes.

Quando questionados sobre obstáculos à colaboração efetiva, 66% dos bancos e 70% das FinTechs apontaram para uma diferença na cultura organizacional/mentalidade do outro, 52% dos bancos e 70% das FinTechs mencionaram as barreiras de processo, e uma falta de longo prazo. visão de longo prazo e objetivos foram listados como portões por 54% dos bancos e 60% dos FinTechs. Apenas 26% dos executivos do banco e 43% dos líderes da FinTech disseram ter identificado o parceiro de colaboração do Open Banking. Essas respostas sugerem que muitos bancos e FinTechs continuam despreparados para o Open Banking, quanto mais para as crescentes demandas de compartilhamento de dados e integração que o Open X trará.

Os participantes do Open X devem escolher papéis estratégicos e baseados em especialidades

No mercado do Open X, os bancos precisarão aprimorar seu modelo integrado (tradicional) primeiro e depois se concentrar em áreas de força especializada. O WFTR 2019 identifica três papéis estratégicos que devem evoluir como parte do Open X:

• Fornecedores: desenvolverão produtos e serviços;
• Agregadores: irão acumular produtos e serviços do mercado e distribuí-los através de canais internos, mantendo o relacionamento com o cliente;
• Orquestradores: atuarão como conectores e coordenadores de mercado, facilitando as interações dos parceiros.

De acordo com o relatório, as empresas integradas provavelmente se esforçarão para combinar o tempo para o mercado de um ecossistema de especialistas e acharão um desafio atender às demandas exclusivas dos clientes. No mercado do Open X, muitos operadores podem não estar mais bem posicionados para competir como um orquestrador e seus pontos fortes podem levá-los a outras funções. Não importa qual papel eles assumam no Open X. No entanto, eles devem recrutar o talento certo, alavancar dados e tecnologia e colaborar com as FinTechs para primeiro garantir melhores recursos internos para a entrega competitiva de serviços relevantes no atual cenário do Open Banking.

“O Open Banking tem sido considerado transformacional para os serviços financeiros, mas este relatório mostra que é apenas uma parte de um cenário muito maior”, afirmou Anirban Bose, CEO da divisão de Financial Services e membro do Conselho Executivo do Grupo Capgemini. “A indústria está à beira de uma evolução mais abrangente, onde existe a oportunidade de saltar para um mercado integrado que estamos chamando de Open X. Nela, haverá compartilhamento transparente de dados, e os parceiros do ecossistema poderão colaborar de uma maneira muito mais abrangente. Nossa pesquisa sugere que os bancos e as FinTechs precisam se preparar para uma mudança mais radical do que muitos previam”.

“As conclusões do relatório não poderiam ser mais claras: a colaboração será o pilar do futuro dos serviços financeiros”, afirmou Vincent Bastid, Secretário-Geral da Efma. “Na era do Open X, os players do ecossistema terão que trabalhar juntos mais efetivamente do que antes. Somente abraçando a colaboração e novas funções especializadas, os bancos e as FinTechs podem prosperar e servir melhor seus clientes. Está claro que muitas das barreiras à colaboração ainda existem, e há uma necessidade urgente de superá-las para benefício coletivo”.

Metodologia de relatório

O World FinTech Report 2019 é baseado em uma pesquisa global que abrange respostas de 116 empresas tradicionais de serviços financeiros e 40 empresas FinTech, incluindo serviços bancários e empréstimos, pagamentos e transferências, e gestão de investimentos. As questões buscavam gerar perspectivas tanto das FinTechs quanto das empresas tradicionais de serviços financeiros – explorando o surgimento do Open Banking no setor de serviços financeiros. Ele esclarece o impacto que o novo ecossistema terá sobre todos os interessados, os desafios e as preocupações que as empresas enfrentarão e o surgimento de novos negócios e modelos de monetização nesse espaço.

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Open banking e a “guerra das contas”

Por Carlos Netto, CEO da Matera

Todos estão acompanhando a “guerra das maquininhas”. Isso não aconteceu por acaso. Um conjunto de regras criadas pelo regulador possibilitou o nascimento de vários concorrentes, levando à inevitável concorrência e consequente redução dos custos para os usuários. Estas regras foram alteradas anos atrás; demorou um pouco para observamos um grande impacto, mas este dia chegou.

Da mesma forma, começa agora um conjunto de alterações para o mercado bancário que pode, no limite, gerar também uma “guerra dos bancos” ou “guerra das contas”, dado que não é só banco que tem conta hoje em dia.

Vem aí o Open Banking! O titular de uma conta em uma instituição poderá compartilhar seus dados com outra. Vamos conseguir usar nosso banco via APIs, agregando valor sobre elas, assim como agregamos valor sobre um smartphone, criando aplicativos interessantes. Isso vai abrir espaço para empresas mais qualificadas no trato do consumidor assumirem esta relação diretamente, mesmo que o dinheiro do consumidor esteja em outro banco que ele confia mais. Da mesma forma que você compra uma pizza pelo Rappi ou iFood, que não fazem pizza, quem sabe vamos conseguir comprar um CDB através deles no futuro?

Os grandes bancos tinham que encontrar a inovação antes que os inovadores achassem a distribuição. Pois bem: quem é distribuição poderá atuar com produtos bancários mesmo sem ser banco. Talvez a “distribuição” tenha encontrado a inovação e não os inovadores tenham encontrado a distribuição. Os varejistas e todos detentores de transações terão um ambiente dos sonhos para inovar e embarcar as transações bancárias em suas transações.

Se os varejistas poderão trabalhar com produtos dos bancos, que tal os bancos trabalharem com varejo? Talvez não seja estranho eu ver um anúncio de um smartphone na TV e o app do meu banco perguntar “quer um por apenas R$ X?”. Se eu responder sim, pronto: o produto vai chegar em casa. Tudo isso pode ser feito pelo app do banco, que atuou, na prática, como um marketplace.

Da mesma forma, aplicativos que geram Qr Code para pagar não precisarão mais ficar reféns dos cartões de crédito e seus chargebacks por transações não presenciais. A wallet destes aplicativos poderá ter contas bancárias acessíveis via API, autorizadas pelo usuário do app que também é titular da conta. Os bancos podem simplesmente oferecer limite rotativo de crédito para estes aplicativos, fazendo que uma transação de pagamento móvel com Qr Code não possa ser paga pelo usuário só num dia do mês, como um cartão de crédito, mesmo com o lojista recebendo a vista. E tudo isso sem uma bandeira para viabilizar a conexão.

Para por aí? Não! Uma mudança tão grande como esta vai habilitar muitas inovações. Teremos um mar de possibilidades e pessoas criativas certamente vão criar aquilo que até então era impossível e que, na mente de muitos, vai continuar impossível pela força do hábito. O open banking vai mudar muita coisa e vai gerar muitas oportunidades para o mercado mudar, de novo.

Carlos Netto, CEO da Matera, empresa de tecnologia para os mercados financeiro, varejista e de riscos

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Qual é a diferença entre banco digital e open banking?

Sciensa explica o que separa os modelos de negócio mais comentados em tecnologia para o setor financeiro

Unir as palavras “tecnologia” e “bancos” na mesma frase quase sempre provoca a consequência de presenciar, em seguida, os termos “Bancos Digitais” e “Open Banking”. Em ascensão nos últimos tempos, as expressões trazem à tona a necessidade de instituições financeiras se modernizarem e garantirem uma nova atuação diante do inegável avanço das fintechs em âmbito global. Apesar de similares, as expressões trazem significados distintos: você sabe o que significa cada um deles?

Para Davi Cunha, head de Digital Banking da Sciensa, consultoria de Transformação Digital, os Bancos Digitais são uma etapa de evolução necessária dentro da jornada para o Open Banking, que representa uma verdadeira transformação do setor financeiro. “A digitalização de instituições financeiras, caracterizada pela estruturação dos bancos digitais, está ligada a um modelo de negócio preparado para apresentar conteúdo on-line, com flexibilidade de interação via canais digitais e ampla conveniência para o usuário, enquanto o Open Banking abrange um cenário maior, e que habilita novos modelos de negócio proporcionados por meio de APIs abertas e novos ecossistemas de negócios”, explica.

Na prática, o último termo pressupõe uma mudança na mentalidade dos executivos: menos competição com fintechs e mais cooperação para proporcionar uma experiência do usuário mais satisfatória, ágil e eficiente. “Abrir-se para novas parcerias e ecossistemas significa oferecer uma oportunidade única de, em longo prazo, reter e conquistar clientes com eficiência e velocidade”, destaca Cunha.

Chegar até lá, entretanto, não é uma tarefa fácil. De acordo com a Big Data Executive Survey 2018, 99% dos executivos no setor financeiro dizem que suas empresas estão tentando se tornar mais ágeis, a exemplo das start-ups (“orientadas por insights”), mas apenas um terço deles relata ter sucesso nessa operação.

“Muitos executivos ainda não sabem por onde começar ou como adaptar sua operação atual aos novos modelos. Mexer na estrutura de grandes instituições financeiras envolve diversos estudos e tentar fornecer o maior número de serviços por conta própria pode surtir o efeito contrário do esperado. Nessa nova era, saber como se posicionar e quais parcerias fazer é um aspecto primordial para o sucesso”, afirma o executivo.

O banco como plataforma: novo modelo para clientes cada vez mais exigentes

Para a Sciensa, ter sucesso nesse novo ambiente depende de um olhar relacionado a facilitar a troca entre consumidores e fornecedores de serviços financeiros, movido pela forte colaboração. Nesse caso, grandes instituições financeiras podem tornar-se um verdadeiro marketplace de serviços financeiros e, indo além, terão a capacidade oferecer e inclusive monetizar uma série de serviços adicionais, como verificação de identidade, Know Your Customer (KYC), identificação de fraudes, entre outros.
“Vale a pena participar desse momento de mudança. O Open Banking e seu modelo baseado em APIs abertas representam uma oportunidade única para as instituições financeiras tornarem mais rápida a oferta de novos produtos e serviços, permitindo às instituições financeiras retomar o controle da jornada do cliente, oferecendo novas experiências com extrema personalização”, finaliza Cunha.

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BB lança primeira API de crédito do Brasil

O Banco do Brasil avança na estratégia de Open Banking e lança a primeira API (Interface de Programação de Aplicativos) de crédito do Brasil. Ampliando as parcerias de open banking, oferece agora a contratação de crédito consignado (servidor público e INSS) totalmente digital, com a bxblue, startup que oferece comparativo de taxas de crédito consignado para aposentados, pensionistas e funcionários públicos.

“Em um ambiente de forte competição no crédito, não podemos limitar a oferta de consignado apenas a canais tradicionais. Precisamos disponibilizar o produto onde o cliente estiver, de forma segura e 100% digital. Saímos na frente com esta parceria que aumenta a capilaridade digital do BB em soluções de crédito”, afirma Marcos Renato Coltri, diretor de empréstimos, financiamento e crédito imobiliário do BB.

Por meio da integração, os clientes do BB ganharão agilidade na contratação, uma vez que o crédito consignado contratado via bxblue é creditado rapidamente na conta do cliente, que realiza a simulação e contratação do seu empréstimo por meio de um moderno protocolo de segurança que conecta o BB à bxblue.

“A parceria é um grande marco para a bx, mas também um excelente benchmark para o mercado. Da forma que a API foi construída, o usuário do BB, pode entrar e contratar o seu empréstimo na bxblue em menos de três minutos, e receber o dinheiro em instantes, a qualquer hora do dia ou da noite, de qualquer local do Brasil”, ressalta Gustavo Gorenstein, CEO da bxblue.

“As parcerias que firmamos por meio do open banking vêm para complementar a estratégia do Banco em soluções totalmente digitais, para trazer mais facilidade e agilidade para os nossos clientes, no ambiente que ele estiver, seja no aplicativo da agência de viagens ou no site de uma fintech parceira”, afirma Marco Mastroeni, diretor de negócios digitais do BB.

Open Banking

O Banco do Brasil lançou a sua plataforma de open banking em junho do ano passado, com o Portal do Desenvolvedor (developers.bb.com.br). Em agosto, anunciou a primeira operação estruturada do país, numa parceria com a ContaAzul, que oferece uma plataforma de gestão empresarial para micro e pequenas empresas.

O conceito de open banking compreende a criação de novos negócios e ecossistemas digitais, disponibilizados por instituições bancárias, por meio da integração de seus sistemas. Isso permite que outras empresas e desenvolvedores criem novas soluções, aplicativos e serviços que melhoram a interação entre bancos e clientes.

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O Open Banking e a disrupção no setor financeiro

Por Koen Pelgrims, Diretor de Open Banking e Customer Experience Solutions da Atos

Já ouviu falar no Malcon McLean? Este empresário americano foi um grande instrumento para o crescimento da economia e pela globalização do comércio ao apresentar para o mundo, em 1956, um navio que comportava os contêiners de carga dos caminhões por inteiro, e não só as mercadorias de dentro dele. Antes dessa invenção, todo o trabalho de transferir mercadorias do veículo ao navio era feito manualmente.

McLean criou uma nova plataforma de colaboração global que permitia que companhias de navegação, caminhões e qualquer outra pessoa na indústria de transporte entregasse qualquer coisa, em qualquer quantidade e a qualquer distância, desde que coubesse dentro de um contêiner – e poderiam fazê-lo a um custo muito reduzido, pois a carga e descarga do navio poderiam ser feitas de maneira muito mais rápida e 40 vezes mais barata. Ao tirar essa enorme fricção do sistema, a eficiência disparou e essa inovação foi imediatamente adotada por todos.

Esta história é uma prévia do que pode estar prestes a acontecer aos bancos na União Europeia após a introdução do PSD2 (diretiva revisada dos serviços de pagamento, em português). De acordo com a regulamentação, as instituições financeiras da UE são agora obrigadas a fornecer acesso às contas correntes do cliente a terceiros, se o cliente assim exigir. Isso permite que um cliente possa, por exemplo, gerenciar sua conta bancária e despesas com a ajuda de um aplicativo de uma Fintech para gestão financeira e, ao mesmo tempo, compartilhar os dados da conta com outro banco que ele usa para gerenciar seus investimentos.

Tal como aconteceu com McLean, muito atrito está prestes a ser retirado do sistema para as empresas que oferecem serviços baseados em informações bancárias. Dados e transações serão repassados entre as instituições através de ecossistemas de bancos e terceiros. Isso tem o potencial de redefinir o setor bancário e o papel dos no atual modelo, já que o objetivo é promover a concorrência e a inovação nos serviços financeiros em benefício do cliente.

Um exemplo é o GDPR (Regulamente Geral de Proteção de Dados), que apesar de regulamentado na Europa impactou empresas de todo o mundo por se aplicar a todas as companhias que tratam de dados de cidadãos europeus.

A mudança cultural promovida pelo Open Banking, isto é, a adoção dos consumidores a diversas instituições financeiras para diferentes finalidades, não acontecerá da noite para o dia. Mesmo que grandes mudanças – como a disrupção causada pelos contêineres da McLean – também afetem o setor de serviços financeiros, as discussões sobre o assunto estão acaloradas e os participantes da UE estão lutando para lidar com a nova realidade.

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Banco do Brasil irá selecionar fintechs durante o Fintouch 2018

O Banco do Brasil, em parceria com a ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs) e Startup Farm, irá selecionar fintechs para entrar na sua plataforma de Open Banking, lançada há um ano. A ideia é facilitar o processo de entrada e expandir as parcerias, dando mais um passo em relação ao movimento iniciado em 2017. Para isso, o Banco do Brasil estará presente no Fintouch 2018.

“Estaremos com um estande recheado de conteúdo e três sessões de Open Mic. É vai lá e faz. Serão três horários, com pitches de até cinco minutos, e mais cinco de perguntas da plateia”, explica Marco Mastroeni, diretor de negócios digitais do BB. A plateia será formada por mentores de aceleração da Startup Farm, executivos do BB e investidores convidados.

“Este programa de Open Banking é uma das provas de que os bancos podem e devem se aproximar das fintechs, gerando novos negócios. A ABFintechs reconhece o Banco do Brasil como um importante parceiro na expansão das inovações promovidas pelas fintechs no mercado financeiro brasileiro”, ressalta Stephanie Fleury, Diretora Executiva da ABFintechs.

Como participar do Open Mic

As fintechs interessadas em participar devem enviar um e-mail para contato@abfintechs.com.br com o título “Eu quero uma vaga no Open Mic do BB”. Serão 15 pitches, e apenas seis podem ser pré-reservados.

Sobre o Fintouch 2018

Organizado pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), o Fintouch 2018, um dos maiores eventos de fintechs da América Latina, debaterá a importante transformação do mercado financeiro brasileiro graças à nova era de inovação promovida pelas startups financeiras conhecidas como fintechs. Além disso, contará com vasta programação e conectará os principais players do ecossistema ao mercado financeiro, investidores e clientes.

Fintouch 2018

Data: 8 de agosto de 2018, quarta-feira

Horário: Das 8h às 20h

Local: Transamerica Expo Center

Endereço: Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro, São Paulo – SP.

www.fintouch.com.br

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Atos antecipa debate sobre Open Banking no CIAB 2018

Após a regulamentação do chamado Open Banking na Europa, espera-se que o Brasil siga os mesmos passos no futuro próximo. Isto é, que as instituições financeiras sejam obrigadas a fornecerem acesso a dados como saldo de contas, investimentos e padrão de consumo a terceiros — se o cliente assim desejar. Hoje, as instituições financeiras brasileiras têm domínio total sobre essas informações, o que dificulta, por exemplo, que um cliente consiga administrar sua vida financeira com a ajuda de um aplicativo de uma fintech voltada para gestão que contabiliza gastos.

A Atos, líder internacional em Transformação Digital, antecipará o debate sobre essa tendência mundial no painel “PSD2 – A Implantação da Regulação de Open API na Europa”, com uma palestra de seu Diretor de Open Banking e Customer Experience Solutions, Koen Pelgrims, que esteve ativamente envolvido na implementação da norma nos bancos europeus. Ele irá compartilhar com os executivos do setor financeiro brasileiro sua experiência com a PSD2, os principais desafios, além de impactos e consequências nas instituições e clientes.

“As fintechs ganham cada vez mais espaço no setor financeiro e possuem o apoio do Banco Central nesse processo. O primeiro passo foi quando o BC autorizou tais empreendimentos a atuarem de acordo com a regulamentação dos arranjos e instituições de pagamento; depois, o Conselho Monetário Nacional garantiu uma nova conquista ao regulamentar que fintechs pudessem oferecer empréstimos sem a necessidade de parceria com outros bancos”, comenta o Diretor de Mercados da Atos na América Latina, Ricardo Munhoz.

“É natural que em um futuro próximo tenhamos nossa própria versão do PSD2 e coloquemos o Open Banking em prática. O próximo passo será esses dados e informações pessoais serem passados adiante e cada empresa do setor financeiro atuar dentro de sua finalidade fazendo uso deles, com toda segurança e dentro dos padrões definidos. Será o um grande ecossistema completo de serviços, com mais liberdade e autonomia para o cliente”, finaliza.

Koen irá discutir o âmbito da regulamentação, limitações e impacto esperado no cenário bancário da UE e do Brasil no dia 14 de junho, às 15h30, no Auditório C.

Era Exponencial

Os executivos da Atos ainda participarão de um segundo painel intitulado “O Trabalho na Era Exponencial”, composto pelo Head de Transformação Digital, Alexandre Morais; e o Diretor de Marketing de Produtos da Unified Communications and Collaboration (Unify), Carlos Castro. Eles abordarão como tecnologias disruptivas como inteligência artificial, realidade aumentada e virtual, blockchain, entre outras, impactarão o futuro do trabalho com as novas gerações chegando ao mercado. O painel acontece no dia 13 de junho, às 11h30, no Auditório F3.

Jornada Integrada

Durante o evento, a Atos apresentará também em seu estande quatro exemplos de jornadas de clientes em que seja necessário acionar um banco ou seguradora, nas quais os visitantes poderão vivenciar em tempo real a solicitação sendo resolvida. Começando pelo atendimento por chatbots já projetados desde o princípio no idioma português, até o contato com o atendente, tudo acontece de forma integrada, sem que o contexto das informações seja perdido. Trata-se de uma oferta única que utiliza CRM, Machine Learning Accelerator, Inteligência Artificial e customer DNA para fornecer um atendimento personalizado, de ponta a ponta e armazenada na nuvem.

Ao lado da Atos estarão outros parceiros de peso no setor: Kodak Alaris, McAfee, SQN e Software AG, oferecendo diferentes soluções como Dashboarding e soluções de segurança voltadas para o setor financeiro.

CIAB Febraban 2018

Data: De 12 a 14 de junho
Local: Transamérica Expo Center (São Paulo – SP)
Stand da Atos: B21

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Open Banking – Um checklist para preparar seu banco

Por Ricardo Taveira

O que parecia uma realidade distante vem se aproximando, rapidamente, do nosso mercado. O Open Banking—a possibilidade de se acessar os serviços de um banco por meio de qualquer sistema que o usuário escolha—avança em passos largos no Brasil.

Vários bancos, desde atores tradicionais de atacado até os maiores de varejo, já anunciaram publicamente iniciativas com APIs e colaborações com fintechs. Outra dezena, dos mais variados tipos, trabalha furiosamente em projetos ainda não-anunciados.

Se em 2006 o Banco Central já atuava na “abertura” do sistema bancário com a resolução 3.401/06, que obrigou a portabilidade de cadastro bancário, a mais recente resolução 4.649/18, que obriga os bancos à fornecerem débito em conta para Instituições de Pagamento, mostra que nosso Banco Central atuará mais energicamente na promoção da competitividade do sistema financeiro.

Seja por inevitabilidade regulatória ou arrojada estratégia comercial, como saber se seu banco está preparado para esta nova realidade? Baseado nas experiências mais recentes de diversos bancos e parceiros de tecnologia da Quanto, seguem os principais critérios para avaliação antes de definir sua estratégia de Open Banking:

Processos: muito além da transformação digital

Condição necessária para criar e capturar valor com Open Banking é já ter passado por uma extensa transformação digital dos processos internos do banco ou instituição financeira (“IF”). A preparação para o Open Banking começa por um processo de abertura de conta ou contratação de produtos 100% online e digital. Mas se enganam aqueles que acreditam que isso seja suficiente: o mundo do Open Banking se distingue pela possibilidade de o cliente utilizar estas funções a partir de sites e aplicativos de terceiros. Só assim uma IF conseguirá aproveitar, ao máximo, o open banking para distribuir seus produtos para terceiros.

Isso também significa que nem sempre o canal de atendimento será o aplicativo do banco, podendo gerar confusão para o cliente na falta de processos claros. Basta perguntar para um colega egresso do mundo das operadoras de celular para escutar histórias sobre o hábito de alguns consumidores entrarem com reclamações no PROCON simultaneamente contra a operadora, na tentativa de que alguém resolva seu problema. A IF precisa se antecipar e definir claramente processos e limites para parceiros e clientes.

Tecnologia: “plataformas” e plataformas de APIs

Boa parte dos bancos já possuem APIs de consumo interno. A exposição destas APIs para o mundo externo já é um primeiro passo importante para construir um “open bank”. Em um ambiente em que bancos, parceiros e clientes possuem necessidades diferentes para aproveitar ao máximo o open banking, na prática essas “plataformas” quase sempre solucionam o problema do banco, em geral ajudam o desenvolvedor, mas quase nunca auxiliam o consumidor final.

Integrações “um-para-um”—entre um banco do segmento agrícola e uma fintech de câmbio, por exemplo—sem dúvida ampliam o leque de escolhas do cliente. Mas a diferença de uma ferramenta para viabilizar parcerias e uma ferramenta pluripotente, que transforma o banco em uma plataforma exponencial necessita a participação do banco em um ecossistema que trabalha para o cliente. O futuro pertence àqueles que entendem (e aceitam) que em nosso exemplo acima, a escolha da fintech utilizada para o câmbio será do cliente e não do banco. E plataforma de APIs do banco precisa estar preparada para conectar de maneira segura, acessível e de maneira totalmente “self-service” para o desenvolvedor e o cliente também, baseado na escolha destes atores, e não do próprio banco.

Até mais importante do que a escolha de provedor ou tecnologia da API, o modelo de uso da sua API—se é self-service ou não, se possui aderência à uma plataforma que agrega vários provedores—é o fator crítico de sucesso de uma estratégia de open banking. Basta lembrar o que aconteceu com a RIM—fabricante do Blackberry—em face de uma plataforma aberta como o Android para ver o risco da história se repetir com a escolha de uma estratégia “fechada”.

Cultura: confiança e serenidade em meio a tempestade

Após décadas de construção do “supermercado financeiro” e a dominância de termos como “share-of-wallet”, o Open Banking colocará em cheque anos de trabalho em alguns departamentos de produto. Alguns destes irão potencializar sua distribuição através de novas plataformas e novos produtos dos mais variados nichos. Enquanto isso, outros que sobreviveram somente pelas vantagens do “protecionismo” ou subsídio interno serão expostos à concorrência global. Gestores serão forçados a reavaliar suas estratégias continuamente, tomando decisões difíceis sobre onde alocar esforços, recursos e talentos.

Enquanto isso, do lado operacional, novos desafios de segurança, autenticação e de privacidade de dados trarão um novo vocabulário para os departamentos de compliance, jurídico e segurança da informação. E ao contrário do seu papel tradicional de avaliação e consentimento, mais do que somente fornecer o “de acordo”, estas áreas estarão na linha de frente não só da execução, mas também da criação de estratégias verdadeiramente “abertas” de Open Banking.

Uma autorreflexão individual e coletiva

Com decisões, execução e resultados medidos em dias e não meses, a IF e seus colaboradores precisarão de bastante serenidade diante de novos concorrentes, novos modelos de negócio e uma constante evolução em que o concorrente de ontem é o parceiro de hoje e ninguém sabe o amanhã. E talvez a melhor avaliação sobre se o seu banco está preparado para este acelerado novo mundo—com riscos e oportunidades igualmente exponenciais—seja a resposta do gestor a uma única pergunta:

Seus processos, tecnologia e cultura trabalham juntos para minimizar o downside ou maximizar o upside da sua estratégia? Se o seu foco é em capturar ao máximo o valor gerado por novas oportunidades, bem-vindo ao Open Banking. Este novo mundo foi feito para você.

Ricardo Taveira é CEO da Quanto

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Como o Banco Central Regulamentou o Open Banking em 2006 – Ainda que parcialmente

Por João Nascimento, sócio do escritório de advocacia SV LAW

Em setembro do ano passado, publicamos um artigo chamando a atenção para os possíveis impactos que uma eventual adoção, pelo Banco Central, do modelo de Open Banking europeu, teria na indústria brasileira de serviços financeiros.

De lá pra cá, pudemos observar um crescente interesse dos players do setor em entender e se preparar para esse eventual cenário, onde a forma como se dá o relacionamento dos clientes com os seus bancos muda radicalmente.

É claro que o Banco Central não só monitora como o Open Banking está sendo implementado na Europa, como também tem sido instado a se manifestar (ainda que em foros mais reduzidos) sobre um possível marco regulatório sobre o tema, que certamente terá um impacto profundo na dinâmica de diversos mercados, em especial, nos de crédito e pagamentos.

Mas o curioso é que, de uma certa forma, um dos pilares do Open Banking, tal qual implementado na Europa, já se encontra regulamentado no Brasil há algum tempo, por meio da Resolução do Conselho Monetário Nacional (“CMN”) nº. 3.401, de 6 de setembro de 2006 (“Res. 3401/06”), que alterou a Resolução do CMN nº 2.835, de 30 de maio de 2001 (“Res. 2835/01”).

Essa norma, que se encaixa no contexto geral da agenda do Banco Central de “empoderar” os cidadãos, facilitando a portabilidade de serviços financeiros e estimulando a competição no setor, conferiu aos clientes bancários a prerrogativa de obter, diretamente de seu banco de relacionamento, informações extremamente relevantes, tais como:

· dados cadastrais mantidos em razão da abertura de conta-corrente;

· histórico detalhado de operações de crédito contratadas;

· saldo médio mensal de conta-corrente; e

· saldo médio mensal de aplicações financeiras e demais investimentos.

Mas a Res. 3401/06 ainda foi além, ao permitir expressamente que o cliente possa disponibilizar tais informações a terceiros (instituições financeiras ou não), desde que por ele devidamente autorizado (o que é respaldado pela Lei de Sigilo Bancário).

A regra estabelece que as instituições detentoras das informações devem disponibilizá-las ao cliente, ou a quem este autorizar, em até 15 dias contados da solicitação, com base em dados relativos, no mínimo, aos 12 meses imediatamente anteriores àquela data.

É claro que o nível de detalhamento e agilidade no acesso às informações permitido pela sistemática prevista na Res. 3401/06 deixa muito a desejar, se comparada com a realidade de acesso via APIs preconizada pelo marco regulatório Europeu. Mas a regra, tal qual se encontra em vigor hoje, já permite um acesso interessante a informações bastante ricas, especialmente para fins de análise de crédito e de investimentos.

Guardadas as devidas proporções, é como já existisse hoje um “Open Banking Analógico”, meio truncado e incompleto, mas que serve para mostrar, principalmente, que o conceito já está presente na regulamentação, e que é só uma questão de tempo para que se torne realidade.

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Open banking: tecnologia a serviço do consumidor e a revolução das soluções financeiras

Por Thiago Arnese

O conceito de open banking pode soar como novidade para a maioria das pessoas. Porém, esse é um assunto que se faz cada vez mais presente na economia mundial, uma ideia que vem modificando a experiência dos usuários ao criar todo um novo universo de oportunidades.

Ele consiste na utilização de APIs abertas de um ou mais bancos para criar produtos e soluções sobre aquela tecnologia, aumentando o alcance, a diversidade e as possibilidades do seu uso. Dentre as possibilidades dessa inovação, está a de plugar diversas APIs em uma única solução de pagamentos. Assim, com um ponto de interação unificado, é possível, além do acesso ao ecossistema de pagametnos, acessar o ecossistema bancário.

O open banking possui, atualmente, importância vital para a cadeia de pagamentos. Isso por causa de seu potencial de levar aos clientes uma solução mais completa e unificada, possibilitando que, por meio da completude da ferramenta, ela seja o próprio banco dos clientes ou redes de estabelecimentos.

O boom das fintechs nos últimos anos pode estar ligado ao fato de a tecnologia ou a experiência do usuário (UX) dessas companhias serem melhores do que presentes no atual modelo bancário – ou pelo fato de elas não possuírem o mesmo fardo regulatório dos players tradicionais. Seja qual for a causa, o open banking vem para fortalecer essa tendência.

Com o aumento na quantia de soluções oferecidas, é normal que haja, também, um crescimento por parte da adesão de clientes ao open banking. Isso reflete em um aumento de concorrência, o que é muito bem visto no mercado, pos assim, a tecnologia avança de maneira ainda mais rápida, assertiva e inovadora.

Nesse cenário, o papel de instituições como o Banco Central do Brasil (BACEN) é primordial para fomentar e capilarizar conceitos como o open banking. Cada vez mais empresas que estão inseridas em algum nicho, como a venda direta, franquia, sistema de salões de beleza, distribuidores ou atacados, estão trazendo serviços financeiros para a rede de clientes. Nesse contexto, o open banking é um enorme viabilizador de novos negócios e criação de uma nova linha de receita que não era possível antes.

Thiago Arnese é fundador da Hash lab, empresa de tecnologia para o ecossistema de meios de pagamentos.

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A bola da vez no mercado financeiro mundial

Por Maria Teresa Fornea

Recentemente participei do Paris Fintech Forum, um dos maiores eventos de fintehs da Europa, onde tive a oportunidade de acompanhar as principais tendências que vão transformar o mercado financeiro nos próximos anos. Após ouvir CEOs de diversas fintechs, grandes bancos e players de mercado de capitais de todo o mundo sobre as mais diferentes inovações, acredito que os conceitos que se perpetuarão fortemente no mercado de agora em diante são customização, integração e foco no core business.

Dando um passo a frente, a Europa já aprovou o regulamento PSD2 (diretiva revisada sobre os serviços de pagamento), tendência que mudará globalmente o setor bancário da forma como conhecemos hoje. Agora, os clientes dos bancos, tanto consumidores como empresas, poderão contratar outros fornecedores para administrarem suas finanças, o que abre novas oportunidades para os clientes.

Com a diretiva, os bancos europeus serão obrigados a fornecer as informações bancárias de seus clientes via APIs para terceiros. No Brasil, essa inovação do open banking ainda não acontece, principalmente porque os bancos ainda tentam proteger o atual oligopólio, dificultando essa divisão de dados e a integração de outras soluções financeiras na conta do consumidor. Todavia, acredito que nesse sentido o ponto não é se essa mudança regulatória ocorrerá por aqui, mas quando ocorrerá.

Fato é que a forma como as pessoas consomem serviços financeiros está mudando, e tanto bancos quanto empresas terão que se adaptar. Agora, quem decide como quer realizar a contratação de seus diversos produtos financeiros são os próprios clientes e é aí que entra o conceito de customização. O consumidor dessa nova era digital poderá optar por ter conta corrente em um banco, cartão de crédito de outro, pegar empréstimo em uma fintech, e fazer um investimento em outra, e assim por diante, utilizando serviços das mais diferentes empresas de acordo com o que deseja.

Por isso, a questão do compartilhamento de dados bancários é muito importante, pois é essa inovação que vai continuar evoluindo o setor. Até porque, no fim das contas, esses dados não são dos bancos, e sim dos clientes, que podem fazer uso deles da forma como lhe convir, escolhendo o melhor serviço para seu objetivo.

Interligado a esse conceito de customização, vem a outra tendência para o mercado financeiro, que é a de integração. Com os clientes buscando cada vez mais serviços personalizados, as empresas também têm que se ajustar a esse novo cenário, e integrar é a palavra-chave para continuar acompanhando a velocidade com que o mercado está evoluindo.

Para maximizar o valor do serviço entregue ao cliente, as empresas terão que concentrar seus esforços no core business (e aqui chegamos a terceira grande tendência do mercado financeiro), e se integrarem com outros negócios para ganharem expertise e capilaridade em áreas que não são seu foco original. Com isso, as plataformas de serviços financeiros passarão a funcionar como um “LEGO”. Ou seja, os consumidores não vão mais apenas dizer “sou cliente de tal banco”, mas sim “eu utilizo um produto de determinado banco”. Assim, todas essas plataformas financeiras vão se conectar, em um novo universo mais aberto e cooperativo, e o cliente poderá orquestrar a estrutura do seu LEGO de finanças da maneira como desejar.

Na Bcredi, por exemplo, trabalhamos com crédito imobiliário e oferecemos um produto de ciclo longo, que vai desde a originação até a gestão da carteira do crédito. Dentro disso, é difícil desenhar todo o serviço de ponta a ponta, por isso também precisamos integrar para ganhar mais expertise. Então a ideia é focar nos diferenciais, que ninguém mais oferece no mercado, e buscar o conhecimento de outras soluções para englobar na nossa plataforma com o objetivo de sempre entregar o melhor serviço.

Com essa movimentação constante do mercado, daqui para frente o diferencial das fintechs também se dará através do processo criativo. Isso porque, na era da inteligência artificial, qualquer processo repetitivo que possa ser aprendido por um robô, será substituído por um robô. Com isso, o capital humano intelectual de pessoas que pensam “fora da caixa” será cada vez mais fundamental.

Diante de todo esse cenário, a conclusão que fica é que a coleta de dados para entender o comportamento e as necessidades do cliente ao longo de toda a cadeia é a grande inovação para os próximos anos. O mercado está se transformando e o avanço da tecnologia será o principal fator para, no final do dia, entregarmos a melhor experiência para o cliente.

Maria Teresa Fornea é cofundadora da Bcredi, fintech que oferece crédito imobiliário de forma rápida e descomplicada em um processo 100% online.

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