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Por que empreendedores devem apostar em Inteligência Artificial?

Por Leonardo Dias

Atualmente, o empreendedorismo é a força motriz que conduz à inovação. No Brasil, vemos isso expandir quase que diariamente. A base tecnológica é o seu principal pilar de sustentação, tanto na otimização, como para escalar e gerar novos negócios. E é por isso que o uso da inteligência artificial tem papel fundamental nesse ecossistema.

Não por acaso, os gastos globais com tecnologia cognitiva e sistemas de inteligência artificial devem somar US$ 77,6 bilhões até 2022, o que representa um montante três vezes superior ao projetado para este ano, de acordo com estimativa da consultoria IDC. Esse mercado avançará em alta velocidade. Por essa razão, os empreendedores devem considerar com bastante atenção o seu uso.

Apesar de já estar presente em diversas áreas do conhecimento, como na medicina, no setor financeiro, na engenharia e na agronomia, a inteligência artificial ainda é uma tecnologia em consolidação. Uma de suas vertentes, o machine learning, possui alto potencial de incorporação em novos negócios, como no reconhecimento de voz e imagem, na identificação de padrões de comportamento e na gestão, resolução e predição de problemas.

Em situações em que as empresas precisam aplicar conhecimento para se aproximar de seus clientes com o uso de estratégias de marketing, a inteligência artificial e o machine learning podem exercer total protagonismo. Com soluções desse tipo, é possível analisar uma grande quantidade de informações de uma base de clientes. Os algoritmos podem determinar padrões de comportamento a partir da análise de dados e assim abrir caminhos para ações de marketing mais específicas e assertivas.

Empreendedores também podem utilizar da inteligência artificial em tarefas administrativas e em situações que a restrição de orçamento não permite altos investimentos em contratação de pessoal ou mão de obra qualificada. O uso de chatbots, por exemplo, também pode ter grande utilidade, sobretudo em negócios que tenham uma demanda relevante de atendimento ao público.

O maior ganho a ser obtido é a otimização das operações diárias do negócio. Para isso, aplicações de machine learning podem conduzir à automação de processos e à redução de custos. O retorno sobre o investimento com o uso de soluções específicas de inteligência artificial pode resultar não apenas em capacidade de reinvestimento, como também novas fontes de receita.

É importante ressaltar que a inteligência artificial não substitui o capital humano – e não estamos próximos dessa realidade. Mas a tecnologia tem um potencial enorme para somar em áreas como criação e execução. O estabelecimento de uma relação entre máquinas e humanos são complementares para o desenvolvimento de um negócio. Enquanto uma parte possui melhor capacidade lógica, a outra conta com a subjetividade e ética, capazes de corrigir as pequenas distorções dos modelos matemáticos da IA. Com isso, ocorre a geração de melhores resultados.

Além disso, apostamos em novos cargos e funções voltadas a melhorar as inteligências artificiais e os dados utilizados por tais aplicações. A qualidade dos dados é essencial em sistemas de inteligência artificial, e, muitas vezes, será necessário a utilização da inteligência humana na geração de novos dados que melhorem o funcionamento das aplicações.

Quanto mais cedo houver o entendimento dos empreendedores de que a inteligência artificial terá papel fundamental na próxima onda da inovação, mais rápido será o uso prático e os resultados para consumidores e empresas. A busca por capacitação para compreender as possibilidades de negócio no uso dessa tecnologia se faz mais do que necessária para entender como isso pode ajudar a impactar o seu mercado.

Leonardo Dias, CDO e co-fundador da Semantix, empresa especializada em Big Data, Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Análise de dados.

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Ética na era dos dados: um novo tipo de compliance?

Por Leonardo Dias

O uso de dados para o aumento da assertividade e do desenvolvimento de produtos cada vez mais precisos não é novidade, porém, a forma que grandes companhias encaram essas informações, sim. Ao mesmo tempo que se mostram mais preocupadas com a qualidade, a segurança e a governança, existe também a busca incessante de formas de extrair valor desses dados.

Muito desse investimento repousa sobre a suposta quebra de privacidade dos usuários, como no caso da geolocalização, que é passível de monetização, gerando receita, mas sem que exista a necessidade da exposição do indivíduo. É possível, por exemplo, contabilizar quantas pessoas passaram por determinado local sem precisar identificá-las. Ou seja, existem limites e isso não significa que as iniciativas serão menos rentáveis. É possível dar lucro sem abrir mão da ética e da privacidade dos clientes.

Para garantir a integridade das informações, as companhias atuam com diversas medidas, que vão desde a criação de modelos criptográficos de armazenamento até o completo sigilo para que não haja uma identificação do usuário. Há, sem dúvidas, maneiras de tornar esses dados anônimos, e muitas empresas buscam a adoção dessas práticas. Tudo vai depender de uma boa criptografia, já que a capacidade de processamento vem aumentando ao ponto de transformar antigas técnicas e soluções em tecnologias obsoletas.

O uso e a exploração dos dados devem ser analisados internamente para garantir a ética, que permite sua exploração até o ponto da privacidade. Além disso, também é possível aproveitar as informações para a implantação de serviços, entregando aos consumidores medidas capazes de transformar as operações em mais seguras e inteligentes por meio da análise de grandes volumes de dados, explorando mais padrões e não comportamentos individuais.

No Brasil, com o Marco Civil da Internet, que criou uma dificuldade maior e uma necessidade de manutenção dos dados, as empresas ainda estão em um processo de adaptação. Muitas delas ainda não possuem a devida governança, dificultando a localização e avaliação de variáveis específicas e limitando a qualidade das informações por trás de determinadas métricas, fazendo com que algumas práticas de análise não sejam mais adequadas.

No restante do mundo já existe uma maior utilização de sistemas de governança e uma constante busca para que os dados sejam atualizados e precisos. O conceito de análise de informações em tempo real (Real Time Analytics) cresce, se apresentando como tendência global para o futuro. A biometria e o reconhecimento facial serão métricas mais qualificadas e que poderão, por vezes, deixar de lado a questão da privacidade em troca da geração de valor.

Daqui para frente, os aspectos que não forem sanados por meio da legislação, deverão ser resolvidos por meio da ética dos indivíduos responsáveis por lidar com os dados. Apesar de o futuro ser incerto, para cada grande inovação, será preciso repensar, de maneira ética, quais serão suas aplicações e como essas informações poderão ser protegidas. Essa será, sem dúvida, uma necessidade crescente para o compliance na era dos dados.

Leonardo Dias é CDO da Semantix, empresa especializada em Big Data, Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Análise de dados. http://semantix.com.br/

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