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Aprimoramento dos materiais é crucial para transformação da indústria têxtil e de confecção

Conhecida como uma das indústrias mais resilientes do mercado, o mundo da moda segue se reinventando. Sob o tema o “Fim das fronteiras: da criação ao consumo”, a quarta edição do Congresso Internacional Abit acontecerá em 22 e 23 de outubro, em Minas Gerais.

O primeiro painel debaterá sobre a “A transformação através dos materiais” com o objetivo de abordar sobre a disseminação, o desenvolvimento e as aplicações de fibras, fios e novos materiais capazes de integrar funcionalidades e propriedades físicas, químicas e biológicas, com usos em diferentes finalidades.

Para Paulo Coutinho, gerente do Instituto Senai de Inovação em Biossintéticos (Senai Cetiqt) e um dos integrantes desse debate, a exploração da biodiversidade brasileira para o desenvolvimento de novas fibras naturais, artificiais e sintéticas é primordial para o crescimento do país e, se feita de modo correto, pode trazer benefícios e um diferencial competitivo para as empresas brasileiras no mercado global.

“É importante avaliar essa vantagem, identificando o que funciona ou não no Brasil. O ponto de partida é considerar as reservas, materiais e aplicações que poderiam ser direcionados”, diz Coutinho.

O especialista acredita que as fibras sintéticas e novas funcionalidades que podem surgir com o avanço tecnológico aplicado a elas, partindo de uma visão sustentável, são as principais tendências mundiais. Coutinho destaca, ainda, que o uso das fibras funcionalizadas vai além do setor têxtil: “Pode beneficiar a agricultura, energia, construção civil e até mesmo a indústria automobilística. Você desenvolve materiais a partir de fibras, sejam elas artificiais, naturais ou sintéticas para dar características e funcionalidades totalmente novas para diferentes aplicações”.

O especialista relata que, dentre as fibras funcionais, já existem tecnologias de controle da temperatura corporal, repelentes de mosquitos e, até mesmo, que não pegam fogo. “Já se fala, inclusive, no desenvolvimento de fibra que pode ser usada para a coleta de energia, seja por vibração ou solar”, declara.

O painel acontecerá durante o primeiro dia do evento, às 10h30, e conta com a participação de Carlos H. Gonzalez, diretor do setor de fibras da América Latina na Wood Mackenzie; e Raul Frangueiro, criador da Plataforma Internacional Fibrenamics, professor associado e pesquisador na Universidade do Minho.

O Congresso Internacional Abit conta com a parceria estratégica do Senai Cetiqt e apoio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Os patrocinadores são: Rhodia Solvay Group, Vicunha, Abrafas, Cedro, Hering, Honda Tar Adovgados, Trützschler, Dohler, Paramount, Unifi, Alpina Têxtil, Cia Industrial Textil, Dini Têxtil, Jolitex, Lunelli, Marcel Phillippe, Saltorelli, Sancris, SCMC e Tear Têxtil.

Para acessar a programação completa, basta acessar o link www.congressoabit.com.br/programacao

Congresso Internacional Abit 2019

Data: 22 e 23 de outubro

Local: Simultâneo ao Minas Trend

Informações: www.congressoabit.com.br/

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Congresso Abit 2016: futuro da indústria têxtil é a tecnologia

O primeiro Congresso Internacional Abit 2016 reuniu cerca de 400 empresários em discussões estratégicas para o setor e como os olhares do cenário global estão voltados para inovação, sustentabilidade, internacionalização, macrotendências, além das novas tecnologias, modelos de negócios e perfil do consumidor.

Mesmo com o cenário brasileiro incerto, para o presidente da Abit, (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Rafael Cervone, não há crise que dure para sempre, esse momento deve ser visto como oportunidade. Exemplo disso é o fato de que com o custo elevado, as pessoas deixam de adquirir eletrônicos e passam a comprar roupas. “Para um setor tão criativo, nenhuma ideia é perdida. Agora ao lado de cada um de vocês, tem alguém que está se preparando, pensando em como inovar, para este novo Brasil que virá”, afirma.

Um dos destaques do evento foi a apresentação de uma visão positiva, por parte da entidade sobre a indústria têxtil, que segue buscando fomentar o comércio exterior, que mesmo enfrentando há tempos a concorrência estrangeira tem expandido suas ações para além das fronteiras. O otimismo com as exportações foi ratificado pelo presidente da Apex-Brasil, David Barioni. “Apenas de janeiro a maio deste ano, a indústria têxtil já exportou cerca de R$ 650 milhões”, lembrou o executivo.

Com temas divididos em seis painéis, os palestrantes abordaram a importância do investimento em novas tecnologias que integrem os processos e minimizem os impactos ambientais, pois o futuro da indústria está diretamente atrelado as novas gerações, no qual o consumidor definirá o que será produzido, priorizando o que é customizado e politicamente correto. A internet influenciará todas essas mudanças, interligando as informações, de forma a beneficiar não só o cliente final, mas toda a cadeia têxtil.

Ainda no evento, foi lançado o livro “A quarta revolução industrial do setor têxtil e de confecção: a visão de futuro para 2030”, organizado por Flavio da Silveira Bruno, com a intenção de aproximar o Brasil da revolução industrial que já acontece em outros países. A obra une história e tecnologia por meio de imagens e vídeos disponíveis em QR Code, diferencial que facilita a compreensão dos leitores.

O evento foi realizado pela Abit, em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), por meio do Texbrasil (Programa de Internacionalização da Indústria da Moda Brasileira).

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Investimento em tecnologia é questão de sobrevivência para indústria têxtil

Por Claudio Grando

A indústria têxtil e de confecções, uma das mais antigas do Brasil, vive uma dicotomia: o setor presencia o aumento da concorrência de produtos importados, com consequente queda das receitas. Mas, para fazer frente a essa questão, o setor precisa investir em tecnologia de forma a se tornar cada vez mais eficiente e competitivo. Tal situação fica evidente quando analisamos os recentes números divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Segundo a entidade, as expectativas trazidas pela realização da Copa do Mundo foram frustradas. Em levantamento pelo Siscomex/MDIC, comparando-se a atual Copa com o evento realizado em 2010, o volume de importação de camisetas de malha mais que dobrou nos períodos idênticos de janeiro a maio, de 1,46 mil toneladas para 3,1 mil toneladas. Informação oficial da Associação de Fabricantes e Exportadores de Artigos Têxteis de Bangladesh dá conta de que as vendas deste ano de camisetas subiram 14% em função do mundial.
Ainda de acordo com a ABIT, de janeiro a abril deste ano, ocorreu uma queda de 6,9% no segmento têxtil e crescimento de 0,8% no vestuário, na comparação com igual intervalo anterior. A questão que se impõe diante desse quadro, é de que, cada vez mais, a indústria brasileira precisa aumentar sua competitividade de forma a fazer frente aos produtos importados, cujos preços são muito mais atrativos para artigos com menor valor agregado.

Nossa indústria demonstra um perfil variado. Há desde empresas modernas e altamente competitivas em nível internacional até as mais sucateadas. Tal situação está relacionada ao histórico protecionista do governo. Por muito tempo, o mercado brasileiro foi marcado pela proibição das importações, o que levou a nosso atraso tecnológico. Somente na década de 90, é que a situação mudou e, com abertura econômica, as pequenas e médias empresas, que atuavam no mercado interno e exibiam uma tecnologia defasada, depararam-se com a concorrência externa e a competição que, desde lá, só se intensifica.

O fato é que a concorrência externa está aí e, portanto, a modernização não é mais luxo, mas sim questão de sobrevivência. O investimento na atualização do parque industrial pode parecer alto num primeiro momento, ainda mais quando o empresário se depara com queda das receitas e de suas margens. Entretanto, os que acompanham o segmento percebem que o retorno é rápido, diante da maior eficiência, melhor qualidade dos produtos e aumento de produção.

A boa notícia é que existem soluções acessíveis para empresas de qualquer tamanho. Os avanços da tecnologia tornam possível reduzir os desperdícios de tecido, aumentar a produtividade, reduzir o tempo de produção e valer-se do conceito de fast fashion, que é uma alternativa para o mercado brasileiro responder com rapidez à concorrência dos importados. É possível produzir moda com custo mais baixo e qualidade superior à que vemos no mercado atual. Para isso, não é necessário fazer uso de mão de obra escrava, mas sim aprimorar a produção por meio do uso das tecnologias hoje disponíveis no mercado.

* Claudio Grando é sócio-diretor da Audaces, empresa especializada na criação de tecnologias para a moda, e presidente do Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC).

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