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Crédito: Risco ou oportunidade?

Por Daniel Orlean

Se você é empreendedor ou gestor de uma empresa, certamente já passou por aqueles momentos preocupantes em que se questiona se os recursos em caixa serão suficientes para honrar os compromissos empresariais. Por outro lado, também já deve ter imaginado como seria se tivesse mais capital para investir, expandir o negócio e aproveitar oportunidades do mercado.

Em ambos os casos, a busca por crédito por ser uma boa solução. Porém, é comum que alguns empresários ainda vejam o empréstimo como algo negativo e não como uma solução que irá permitir um período de mais tranquilidade para a empresa ou que vá ajudar a alavancá-la em oportunidades de crescimento.

Essa decisão depende de diversos fatores e os principais que devemos analisar com atenção é o momento que a empresa está, e qual será o destino do uso do capital. Por isso, acho que vale uma reflexão importante. Em que situações devemos pedir um empréstimo?

Um dos casos em que se pode pedir crédito é para o capital de giro da empresa. Pegar empréstimo para esse fim é positivo quando o custo de financiar o prazo de pagamento para o cliente é compensado pela margem que aquele negócio traz, bem como pelo valor que o prospect terá para a empresa no médio e longo prazo. Outra razão é manter o estoque de matéria-prima ou de mercadorias que terão saída em um prazo esperado e que permitirão o pagamento das parcelas do empréstimo tomado.

Muitas vezes, para reduzir os custos de operação da empresa é necessário aplicar um capital adiantado, que na maioria dos casos não está disponível para a empresa. Se o grau de segurança que você tem com relação a aproveitar oportunidades como, por exemplo, aumentar eficiência de máquinas, equipamentos, tecnologias e infraestrutura da organização, procurar por um empréstimo pode ser uma solução viável.

Outra possibilidade é trocar dívidas contraídas no passado a juros mais altos ou em produtos menos adequados às necessidades de sua empresa, por linhas de crédito mais apropriadas com o momento da companhia, seja por sua finalidade ou por suas características.

Por fim, acho importante ressaltar que é comum que alguns empresários façam empréstimos sem levar em consideração as atividades e o porte de suas empresas. Nesse caso, tenho a obrigação de dar um alerta – não cometa o mesmo erro! Antes de assinar qualquer empréstimo, pesquise as condições oferecidas e veja se os valores dos juros estão dentro daquilo que você pode arcar no futuro. Boa sorte e bons negócios!

Daniel Orlean é CMO e Sócio-fundador da BizCapital, fintech que tem como principal objetivo desburocratizar e tornar mais eficiente o processo de concessão de crédito para o micro e pequeno empreendedor.

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O impacto das Fintechs no setor de serviços – Por Ana Claudia S. Reis

Não é mais novidade nos depararmos com boas e consolidadas startups, que aliam conceitos inovadores a produtos brilhantes, os quais fazem toda a diferença no nosso dia a dia.

Se elas estão em serviços vitais, como transporte e alimentação, por que não entrariam em negócios ainda maiores, como o de transações bancárias? Este é o caso das Fintechs, já consideradas fenômenos mundiais. Obviamente, essa atmosfera de inovação muda drasticamente a forma como o mercado se comporta, ampliando as possibilidades de negócio e, fatalmente, as concorrências.

Para muitas pessoas, é difícil imaginar uma estrutura de livre mercado se os serviços financeiros de bancos e corretoras deixassem de ser exclusivos e essenciais, ainda mais no Brasil, culturamente dependente desse formato. Mas para as Fintechs, esse movimento já é uma realidade exequível e de sucesso, aproximando a tecnologia ainda mais do setor de serviços diretos.

A velocidade com que essas empresas estão se multiplicando é prova de que o modelo de negócio idealizado é eficiente. Segundo dados da consultoria Clay Innovation, mais de 150 startups já atuam nesse segmento no Brasil, divididas em setores de pagamentos, empréstimos, gestão financeira, seguros, entre outros.

Entre os diferenciais das Fintechs que merecem destaque e seduzem positivamente o mercado estão a possibilidade de antecipação de riscos e de trabalhar com tecnologia avançada, nova e hábil, além de reduzir a escala de processos que atrapalham o ganho de eficiência.
Tais conveniências são fundamentais para a renovação de um setor de serviços perdido em protocolos de atendimento ineficientes, que deixam qualquer tipo de relação com as instituições completamente distante. Com as novas gerações manipulando e detendo mais capital financeiro, é interessante e essencial falar a mesma língua desse público, por motivos de transparência, relacionamento e, claro, sobrevivência.

Não podemos tomar como uma verdade absoluta, mas a geração dos nossos filhos não possui o perfil para atuar horas em escritórios fechados, ou para recorrer a bancos tradicionais, em filas gigantes para negociar empréstimos, por exemplo. Sem contar que a possibilidade de resolver qualquer movimentação ou demanda, diretamente em seu aparelho de celular, em um único clique, é o futuro aguardado pelo público-alvo de diversos setores. Essa mudança precisa ser feita – e logo.

A transformação do mercado e o apelo para novos negócios são cíclicos e importantes para o desenvolvimento de estilos distintos e métodos originais de oferecer serviços fundamentais. Como profissional de tecnologia e especialista nessas áreas, enxergo que as Fintechs têm muito a nos ensinar, sobretudo por sua finalidade de atender da melhor maneira o consumidor e ofertar a ele um serviço integrado, útil e facilitador.

Ana Claudia S. Reis, sócia da The Caldwell Partners no Brasil

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Executivo da Fiat Chrysler Finanças é o novo presidente da ANEF

Gilson de Oliveira Carvalho foi eleito para o mandato de três anos como presidente da entidade
A ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) elegeu o seu novo presidente, que vai representar os bancos ligados às fabricantes de veículos e motocicletas, a partir deste mês, no triênio 2016-2019. O cargo será exercido pelo CEO da Fiat Chrysler Finanças, vice-presidente do Banco Fidis e responsável pela gestão de tesouraria e serviços financeiros do Grupo FCA na América Latina, Gilson de Oliveira Carvalho, que até este ano era vice-presidente da entidade.

Carvalho substitui a Décio Carbonari – atual presidente do Banco Volkswagen, da Volkswagen Corretora de Seguros e do Consórcio Nacional Volkswagen – que presidia a ANEF desde maio de 2010.

“É uma honra e um desafio representar o setor de crédito para aquisição de veículos, assim como todos os meus colegas que estão à frente dos bancos de montadora, mantendo os pleitos da ANEF e a credibilidade conquistada pela entidade nos últimos anos”, afirma. O novo presidente ainda destaca o trabalho realizado por Décio Carbonari nos seis anos em que presidiu a associação. “Décio deixa um legado importante que queremos manter e expandir com a ajuda dos nossos vice-presidentes e diretoria executiva”.

Aos 48 anos, Gilson Carvalho é formado em Direito, Ciências Contábeis e Administração de Empresas, além de possuir título de mestre em Economia de empresas pela FEAD, MBA Executivo Internacional com ênfase em Marketing pela FGV e MBA Mercado de Capitais pela FEA/USP. Atualmente, cursa doutorado em Administração na Universidade FUMEC.

Gilson Carvalho tem cerca de 30 anos de atuação no mercado. Iniciou sua carreira no Banco Real, com passagens pelos bancos Agrimisa, Safra, CNH Capital e Banco Fidis (atual denominação do Banco Fiat), onde ocupa atualmente os postos de conselheiro e diretor vice-presidente. Em fevereiro de 2010, ingressou na Fiat Chrysler Finanças para assumir o cargo de CEO. Na ANEF, o executivo é membro da diretoria desde 2004, ocupando a posição de vice-presidente durante os últimos seis anos.

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As três tendências de digitalização de bancos e seguradoras em 2016

Por Luiz Piovesana, gerente de marketing na Sensedia

O mundo financeiro foi inundado de novidades e perspectivas de fortes mudanças, principalmente entre os dois últimos anos.

Uma das principais novidades, sem dúvida, é a forte ascensão das fintechs (startups que entregam digitalmente alguns serviços financeiros específicos e que estão surgindo às centenas no mundo), já causando mudanças no mercado e, principalmente, na postura dos grandes bancos e seguradoras.

Inclusive, existem diversos mapas que mostram a grande quantidade de fintechs, já detalhando suas principais especialidades.

Veja um panorama internacional:

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Fonte: Everis Digital

E aqui um levantamento das principais fintechs no Brasil:

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Fonte: Fintechlab e Clay Innovation

Esse novo panorama de mercado, fez com que os principais players de serviços financeiros iniciassem mudanças em seus fundamentos empresariais.

E é claro, essa mudança é impulsionada pelas novas possibilidades de transformação digital e disrupção do mercado financeiro.

Vamos então falar das três principais tendências que estão (ou deveriam estar) nos planos de bancos e seguradoras:

1- A busca pela melhor jornada do cliente

A experiência vivida pelo cliente é um fator cada vez mais essencial para que empresas tenham sucesso.

Segundo o estudo da McKinsey, “Digitizing the consumer decision journey”, dois terços das decisões de consumidores são determinadas pela qualidade da experiência em suas jornadas anteriores.

Apesar dos canais digitais criados nas últimas décadas terem melhorado interações simples entre clientes e empresas, ainda há um longo caminho para que processos como abertura de contas e contratações de produtos transformem-se da versão papelada para a digital.

Além disso, a personalização de ofertas para clientes dependerá cada vez mais de Big Data e Machine Learning. Isso porque são esperadas cada vez mais recomendações relevantes que se encaixam com o que esses clientes precisam.

Por isso, veremos maior importância não só da coleta das informações, mas principalmente da análise dos dados.

Ou seja, Data Analytics e escalabilidade para lidar com grandes quantidades de dados de forma rápida e eficiente serão essenciais.

Como exemplo de empresa de serviço financeiro que se encaixa bem com essas preocupações, temos a Nubank. A empresa é referência por ter uma jornada de cliente ideal (sem papel, não-presencial, rápida, com recomendações e canais funcionais). E ganha cada vez mais clientes oferecendo facilidade de acesso (canais), conteúdo (recomendações) e resolução rápida de problemas (a cereja da satisfação do cliente).

2- Ecossistemas de parceiros digitais em torno dos grandes players

O conceito de ecossistema é utilizado em diversos segmentos e se baseia na integração de parceiros em torno de uma plataforma principal.

Por exemplo, em e-commerce temos os marketplaces, como Cnova (Extra, PontoFrio, Casas Bahia) e B2W (Submarino e Americanas), e plataformas online, como Catho e Expedia.

Bancos já vêm trabalhando esse conceito através de Open Banking, que concebe a criação de um ecossistema de parceiros digitais, de diversos segmentos, conectados ao banco.

Um exemplo brasileiro é o Bradesco, por meio do InovaBRA, com a abertura de APIs turbinada pela plataforma de gerenciamento de APIs da Sensedia, o API Suite.

Uma grande mudança de percepção para 2016 é o posicionamento das fintechs como parceiras, e não necessariamente como concorrentes.

Isso porque bancos contam tanto com uma base sólida e crescente de clientes, como também com todo o aparato regulamentário. Ou seja, grandes bancos e seguradoras se tornarão plataformas de serviços financeiros, já que fintechs também estarão conectadas a eles.

Nesse contexto, Open Banking não apenas faz todo sentido, como se torna praticamente obrigatório para bancos modernos e que querem se manter relevantes, frente à concorrência.

Já conseguimos ver exemplos concretos desse movimento nos EUA e também no Brasil. O Cardless Cash oferece a possibilidade de sacar dinheiro de ATMs usando apenas o celular, e já foi liberado para mais de 28 bancos nos EUA pelo PayPal.

Por aqui, temos desde os sites de cotação de seguros (como Bidu e Minuto Seguros) que se conectam às seguradoras, até iniciativas de aceleração de startups como o próprio InovaBRA do Bradesco e, no caso de seguros, a Oxigênio da Porto Seguro.

3- Inovação

Inovação é o grande motor dos dois pontos anteriores. Exatamente por isso que ela não pode parar e tende a aumentar.

Tecnologias de inteligência artificial, blockchain, robôs e IoT (internet das coisas) são, com certeza, pontos de atenção para a próxima década.

Dentre estes, com certeza IoT é o que está passando por um maior desenvolvimento.

Temos visto grandes mudanças nos meios de pagamento nos EUA, por meio não só de celular (com Apple Pay, Samsung Pay, Android Pay, etc.), mas também através de wearables como smartwatches e até acessórios.

A brasileira Atar (também participante do InovaBRA), disponibiliza anéis, clips e pulseiras que conseguem fazer pagamentos (entre outras ações) via NFC. Muito legal!

Ainda em Internet das Coisas, podemos citar a possibilidade de rastreamento dos carros para mapear tanto o estilo de direção, quanto as localizações e horários mais utilizados. A Liberty Seguros, por exemplo, já tem uma iniciativa que pode reduzir o valor do seguro para motoristas mais prudentes.

O século da experiência do usuário

Segundo relatório do Forrester, “Begin your journey to digital mastery”, a transformação digital é alcançada pelo foco na experiência do cliente, que trará requisitos de canais, atendimento e serviço diretos.

Eles puxarão a digitalização da operação da empresa e, assim, criarão uma grande revolução na forma como fazemos negócio.

Para os grandes bancos e seguradoras, com certeza o caminho é longo, dado não só a complexidade de suas operações e sistemas, como também os sistemas legados, que exigem uma preocupação maior para integrações com aplicações novas e ágeis. Mas a transformação digital é um caminho sem volta e quanto mais os setores financeiros se predispuserem às mudanças melhor preparados estarão para concorrer e ou unir-se às fintechs.

Referências

2016, o ano do banco digital

10 Fintech predictions for 2016

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