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Comércio entre Brasil e Estados Unidos atinge a pior marca em 11 anos, aponta estudo da Amcham Brasil

O comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos até o mês de setembro registrou em 2020 o pior resultado dos últimos 11 anos. Segundo estudo da Amcham Brasil, o valor das trocas comerciais entre janeiro e setembro de 2020 foi de US﹩ 33,4 bilhões, uma redução de 25,1% em relação ao mesmo período de 2019. O Monitor de Comércio Brasil-Estados Unidos da Câmara Americana de Comércio, foi divulgado nesta quarta-feira (14/10).

“A contração de ¼ da corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos é um golpe duro no comércio bilateral, sendo o pior resultado para o período desde a crise econômica de 2009”, afirma Abrão Neto, vice-presidente executivo da Amcham Brasil, entidade que representa cerca de cinco mil multinacionais brasileiras e americanas.

O relatório aponta três fatores principais para explicar a forte redução das trocas bilaterais. “A combinação dos graves efeitos da crise econômica causada pela pandemia, da queda do preço internacional do petróleo e de restrições comerciais em setores específicos, como o siderúrgico, respondem por grande parte da contração do comércio bilateral”, contextualiza Abrão Neto.

Exportações e Importações em baixa

Segundo análise da Amcham Brasil, no acumulado do ano, as exportações brasileiras para os EUA caíram 31,5% em comparação com igual intervalo de 2019, alcançando o total de US﹩ 15,2 bilhões. É o menor valor para o período desde 2010. Em termos relativos, os EUA foram o mais afetado entre os 10 principais destinos de exportação do Brasil em 2020.

“Foram sete bilhões de dólares a menos em exportações. Como o perfil do comércio bilateral é composto principalmente por produtos de maior valor agregado, a atual crise econômica atingiu em cheio nossas exportações para os Estados Unidos. A taxa de queda foi quatro vezes maior do que a redução das exportações totais do Brasil para o mundo”, explica Abrão Neto.

Por outro lado, as importações brasileiras vindas dos Estados Unidos despencaram neste terceiro trimestre, com redução de 41,6% em relação a 2019. Entre janeiro e setembro de 2020, as importações totalizaram US﹩ 18,3 bilhões, uma queda de 18,8%.

Cenário de déficit

Como resultado do encolhimento das exportações e importações, a tendência é que o Brasil registre o maior déficit comercial com os Estados Unidos dos últimos cinco ou seis anos, aponta a projeção feita pela Amcham Brasil. Até o momento, o saldo negativo foi de US﹩ 3,1 bilhões em desfavor do Brasil.

Apesar da forte redução do comércio bilateral, os EUA seguem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil (12,3% do total de suas trocas com o mundo). A China se mantém em 1º lugar, tendo aumentado sua fatia para 28,8%, segundo dados do estudo publicado na integra no portal www.amcham.com.br e disponível aqui neste link.

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Visita de Bolsonaro aos EUA: veja as ações de curto prazo que podem agilizar o comércio bilateral

O Brasil tem todas as condições para conseguir resultados concretos de aproximação bilateral de comércio com os Estados Unidos durante a visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington, que vai acontecer nos dias 18 e 19 de março. É o que acredita Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasill, a maior Câmara Americana, entre 114 existentes fora dos EUA.

“Uma vez que temos dois presidentes que dão bastante importância ao desenvolvimento do setor privado, nossa expectativa é que se faça um bom programa de trabalho, com objetivos de curto, médio e longo prazos para que esse relacionamento, de fato, ganhe outra dimensão.”

Na primeira semana de março, a CEO da Amcham Brasil se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e levou as propostas de cooperação bilateral que são as mais relevantes para suas 5 mil empresas associadas para o encontro. “Um bom programa de trabalho é a forma mais adequada de conseguir resultados concretos. Falo de uma agenda que traga bom impacto nas relações e não tenha uma complexidade tal que seriam necessários anos para se chegar a um resultado”, resume.

A CEO da Amcham Brasil acompanhará a delegação do presidente Bolsonaro aos EUA como uma das representantes do setor privado. No dia 18, vamos divulgar nos EUA o relatório Brazil and the United States: A Roadmap to a Trade Agreement, sobre as possíveis etapas para um acordo de livre comércio. O documento foi feito em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a US Chamber e será divulgado na segunda-feira (18) durante o Brazil Day in Washington, encontro de empresários e autoridades dos dois países na capital americana.

Resultados de curto prazo

É muito provável que o governo brasileiro comece a dialogar com os Estados Unidos sobre um acordo de livre comércio ou mesmo um acordo de cooperação e facilitação de investimentos, iniciativas que são apoiadas pela Amcham. O que requer entendimentos e negociações que podem chegar a dois ou três anos para finalmente serem concluídos.

Isso não quer dizer que o Brasil não tenha expectativas de curto prazo que não possam ser atingidas no período e, que preparem o terreno para alcançarmos esses acordos, detalha a CEO. “São as ações e entregas intermediárias que lançam as bases para entendimentos duradouros. Precisamos de medidas à curto prazo para trazer um novo folego de diálogo a relação e aquecer negociações para conquistas amplas e ambiciosas. A intenção de um acordo comercial pode até parecer em discurso dos dois presidentes, mas sabemos que ela é completamente dependente desse entusiasmo comercial e bilateral renovado à curto prazo”, comenta Deborah Vieitas.

Alguns tópicos no curto prazo poderiam ter efeito imediato no comércio e investimento entre os dois países. A Amcham listou os temas de impacto rápido e com chance de serem anunciados como prioritários no primeiro encontro entre os presidentes Bolsonaro e Trump:

CEO Fórum – Principal iniciativa em prol do diálogo, o CEO Fórum deve ser reativado. “Criado há 10 anos e interrompido em 2015, é focado em reuniões bilaterais criadas entre grandes empresários dos dois países e seus respectivos Presidentes para encontrar formas de ampliar as relações comerciais e de investimento”, explica Vieitas. Do lado americano, já saíram duas chamadas para apresentação de candidaturas do Federal Reserve e o Ministério de Economia está em definição da seleção de membros brasileiros.

Acordo de Salvaguardas Tecnológicas – com ambos os lados comprometidos, o texto do acordo segue em revisão final com chances de ser assinado durante a visita presidencial, permitindo o uso da base de Alcântara (MA) pelo governo americano. “Se isso for concretizado, pode trazer muitas oportunidades na área de Defesa e dar um belo impulso ao programa espacial brasileiro. É um cenário promissor para a transferência e desenvolvimento de tecnologias”, explica.
Global Entry – adesão do Brasil ao Global Entry, programa de facilitação de vistos para executivos e investidores. “Para que os países possam fazer parte deste programa, é necessária uma troca de informações bilateral. Que, no nosso caso, envolvem Receita Federal e Polícia Federal. Quando se compartilham essas informações, os viajantes que são considerados de baixo risco têm um processo de liberação muito mais rápido através de quiosques eletrônicos”. Pela complexidade de informações trocadas em sistemas, pode não ser assinado durante a visita, mas segue sendo um atual tema de interesse e não controverso para os dois lados.
Operador Econômico Autorizado – Um acordo de reconhecimento mútuo entre o Operador Econômico Autorizado (OEA) brasileiro e o dos EUA traria benefícios imediatos ao comércio, sendo um tópico de grande convergência entre os dois países e dependente apenas do cumprimento das exigências sensíveis de segurança (sendo o único ponto atual de obstáculo). O OEA é uma plataforma que reúne empresas que atuam com importação e exportação e certifica as que são mais assíduas e responsáveis. “É uma ferramenta fundamental para ajudar a cadeia logística a cumprir de forma agilizada as exigências aduaneiras dos dois países. Se houvesse esse acordo de reconhecimento mútuo, as empresas que são tradicionais exportadoras e importadoras acabam recebendo uma classificação que facilitaria e daria muita agilidade ao trânsito de mercadorias que elas têm com os dois países.”

Convergência regulatória – Uma das exigências prévias para fazer trocas comerciais com outro país é estar em conformidade com os padrões técnicos e legais da localidade. Nesse sentido, é importante ampliar o acordo de convergência regulatória com os EUA. O setor de porcelanato conseguiu fazer um acordo desses, que surgiu de um diálogo entre o Departamento de Comércio dos EUA (em inglês, a sigla é DoC) e o ex-MDIC, hoje Ministério da Economia.
“Em comum acordo, os dois países fizeram um alinhamento da regulação permitindo aos brasileiros exportar para lá e vice-versa. Seria muito importante que esse acordo fosse alcançado com outros setores. Para isso, é necessário que haja disposição nos diferentes setores econômicos dos dois países.” O lado americano (DOC) aguarda propostas do Brasil para avançar na agenda.

Diálogos bilaterais – O diálogo setorial também é um mecanismo importante de aproximação. “O diálogo comercial entre o DoC e o Ministério da Economia tem sido dos mais ativos, mas há outras iniciativas, como o da Infraestrutura, da Defesa e de Energia. Esses diálogos é que acabam levando a ações mais concretas de cooperação.” A agenda está em processo de retomada no Ministério da Economia, tendo o seu esforço concentrado na facilitação comercial.

Ações de médio e longo prazos

Para consolidar o diálogo bilateral, Vieitas destaca que ele não depende só do governo e do setor privado, mas também do Congressos americanos e brasileiros. “Precisamos envolver os dois congressos nesse movimento de aproximação. Não se pode ter qualquer ambição de acordo comercial sem iniciar esse envolvimento. Precisamos reativar a Frente Parlamentar Brasil – EUA, bem como o “Brazil Coucus” nos EUA, voltando a reunir os congressistas que estão diretamente implicados na decisão sobre temas da relação bilateral, e que serão responsáveis pelo entendimento aprofundado desses temas”.

Apesar da grande expectativa da obtenção do apoio dos EUA para acessão do Brasil à OCDE, o tema pode até ser citado neste primeiro encontro, mas segue ainda sendo um ponto com necessidade de maior diálogo e influência. “Sabemos que os EUA têm sua própria visão sobre instituições multilaterais, mas isso não impede que possamos receber o apoio americano para a nossa acessão à OCDE, já que ele foi dado à Argentina recentemente.”

A visita de Bolsonaro é a oportunidade para aprofundar a relação, defende a CEO. “Entendemos que esse momento exige um sincero desejo de fazer mais. O que é muito positivo. Como representantes do setor privado, somos espectadores e ao mesmo tempo protagonistas: esperamos coisas boas e sabemos que temos espaço para ampliar a relação comercial e de investimentos com vantagens para ambos os lados.”

Fatos e dados da relação bilateral Brasil-EUA

INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS DIRETOS DOS EUA NO BRASIL*

– As exportações de empresas americanas estabelecidas no Brasil somaram US$ 8,5 bilhões em 2015.

– As empresas americanas geraram US$ 37,2 bilhões em valor agregado ao PIB brasileiro e empregaram 645.800 brasileiros, com um estoque de ativos de US$ 263 bilhões em 2015, e venderam US$ 171,3 bilhões internamente.

– Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar entre as origens de investimento estrangeiro direto no Brasil . O estoque alcançou US$ 68,2 bilhões. Isso equivale a 3.3% do PIB brasileiro. Entre 2008 e 2017, o IED dos EUA no Brasil cresceu 55.3%.

INVESTIMENTOS BRASILEIROS DIRETOS NOS EUA*

O estoque de IED brasileiro nos Estados Unidos cresceu 356% entre 2008 e 2017, alcançando US$ 42,8 bilhões em 2017. Em 2017, o Brasil foi a 16ª maior investidor nos EUA – à frente do México.

Em 2015, as empresas brasileiras detinham US$ 102,2 bilhões em ativos nos Estados Unidos e empregavam 74.200 pessoas. Comparado com grandes emergentes (China, Índia, Rússia, e México), o Brasil fica em segundo lugar na geração de empregos nos EUA.

As subsidiárias brasileiras venderam US$ 48,3 bilhões no mercado interno, e geraram US$ 7,9 bilhões em valor adicionado ao PIB americano (2015). Entre 2009 e 2015, as empresas brasileiras nos EUA superaram consistentemente empresas de outros grandes emergentes em vendas internas e valor adicionado ao PIB dos EUA.

As subsidiárias brasileiras nos EUA exportaram US$ 5,1 bilhões em 2015, mais que subsidiários de outras grandes economias emergentes (China, México, Índia, Rússia).

*Dados Amcham, Apex e Brazil-US Business Council.

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Programa de MBA dos EUA oferece bolsas para brasileiros

A Marshall School of Business da University of Southern California (USC) está oferecendo três bolsas de seu programa de MBA Internacional em 2019 para estudantes brasileiros. Considerado um dos 10 melhores dos Estados Unidos na área de negócios, o International Business Education and Research MBA, ou IBEAR MBA, é um programa de um ano, criado para profissionais em meio de carreira que estão sendo preparados para assumir altos cargos globais. “Temos o orgulho de ser um dos programas de MBA com mais diversas nacionalidades em todo o mundo. Temos oferecido bolsas a alunos brasileiros excepcionais nos últimos anos e não poderíamos estar mais felizes com a contribuição deles em nosso curso”, afirma o diretor do programa Richard Drobnick.

Para os interessados em participar, a USC organiza uma info session online para explicar todo o processo de ingresso ao programa de MBA, desde a inscrição até as atividades realizadas durante a jornada acadêmica. O evento é liderado pelo diretor-associado do IBEAR MBA, Pankaj Bhushan, e acontece no dia 2 de agosto, às 19h. A inscrição é gratuita e deve ser realizada pelo link: http://goo.gl/forms/SGrzwH2wVM9DtiCv1.

Após algumas edições, as bolsas oferecidas em 2019 ganharam um acréscimo de U$ 5.000, podendo chegar a US$ 50.000. Além disso, a instituição americana fornece auxílio-moradia, que pode chegar a US$ 15.000 para quem viaja com os filhos. No total, o valor da bolsa pode chegar a US$ 65.000. O programa é voltado para candidatos com alto potencial, por isso o processo de seleção é baseado na experiência profissional do candidato, sua formação acadêmica, performance em testes de proficiência (GMAT ou GRE, além do TOEFL ou IELTS) e cartas de recomendação e de candidatura. A seleção exige que o candidato comprove um mínimo de seis anos de experiência profissional e diploma de bacharel antes do início do programa. Mais detalhes podem ser acessados no site http://bit.ly/2JrIwr9. Os currículos em inglês devem ser enviados para Ibearmba@marshall.usc.edu. As inscrições estão abertas até 15 de maio de 2019, mas é aconselhável que os candidatos se inscrevam o quanto antes, principalmente os candidatos à bolsa.

Fundado em 1978, o programa IBEAR formou mais de 1.500 alunos que atuam em cargos de liderança em 60 países em todo o mundo. Os participantes têm em média 34 anos, cerca de 10 anos de experiência profissional, falam várias línguas e demonstram forte compreensão do negócio e da cultura internacionais. Significativamente mais experiente que um estudante de MBA tradicional de dois anos, o participante típico do IBEAR pretende voltar ao mercado de trabalho em um nível mais sênior após a conclusão do curso. O currículo do curso é projetado para fornecer uma educação geral de gestão e prática, enfatizando habilidades de pensamento e resolução de problemas críticos em um mercado global.

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Brasileiro cria startup para interessados em investir no mercado imobiliário americano

Plataforma usa big data e machine learning para orientar, inclusive, brasileiros que desejam investir em imóveis nos Estados Unidos

Empresário também criou o primeiro fundo de investimento imobiliário do mundo alimentado por inteligência artificial

Profundos conhecedores do mercado imobiliário americano, o brasileiro Stefan Schimenes e o estoniano Gert Stahl sabem que são crescentes as possibilidades de ganhos com a valorização desses ativos — desde que sejam bem escolhidos. Pois foi com base nessa ideia de seleção que eles criaram a startup Investorise, plataforma que usa tecnologias como big data e machine learning para orientar investidores de todo o mundo, inclusive brasileiros interessados na compra de imóveis nos Estados Unidos.

Por meio de monitoramento e geração de relatórios, o sistema ajuda o usuário a identificar oportunidades e faz análises de riscos em tempo real. São numerosas as informações disponíveis na plataforma, e para acessá-las paga-se uma licença anual de uso cujo custo varia de US$ 40 mil a US$ 60 mil. A Investorise permite cálculos de valores de aluguel e venda, mensuração de riscos de depreciação de imóveis de determinada região, identificação dos melhores lugares com unidades disponíveis e o cap rate (taxa de capitalização).

Para Schimenes, o sistema inova principalmente por deixar aos computadores as tarefas de analisar e fazer previsões com base em informações — processo hoje feito por pessoas. “A Investorise criou uma plataforma analítica muito mais poderosa do que qualquer cérebro humano. Usamos a tecnologia para ajudar o investidor a tomar decisões. O mercado imobiliário americano é dos maiores do mundo, mas ainda usa pouca tecnologia no processo de tomada de decisão”, observa.

Mas por que o mercado imobiliário americano? Segundo o brasileiro, é um mercado muito desenvolvido em termos de dados (o que é necessário para treinar os algoritmos), além de oferecer oportunidades enormes para investidores. Depois da crise de 2008 e do estouro da bolha imobiliária, pode-se comprar imóveis a preços muito baixos e aluga-los para famílias que não conseguem comprar imóveis. Os aluguéis no modelo Single Family Residence (SFR) são um exemplo disso — representam atualmente o maior produtor de renda dessa classe de ativos nos Estados Unidos. A Investorise estima que existem 14 milhões de aluguéis SFR (no valor de US$ 2,8 trilhões), o correspondente a 35% do mercado americano de locação imobiliária.

Outro motivo da escolha é o fato de os Estados Unidos abrigarem as maiores empresas do mundo. Hoje a plataforma já conta com diversos investidores do mundo todo, como Alan Chang, que foi um dos responsáveis por expandir o Airbnb para a Ásia e Justin O’Connor, General Manager de uma das maiores indústrias químicas do mundo, Inneos. A sua equipe de advisors tem nomes como Riley Newman, que foi o chefe da área de Ciência dos Dados no Airbnb e um dos cinco primeiros funcionários da empresa, e Ricardo Franca, que foi analista da Gávea, do banco J.P.Morgan, e, agora, fundou a sua asset.

Aos interessados no mercado imobiliário americano, Schimenes faz um alerta: é necessário conhecimento. Há muitas regras do mercado e barreiras que não existem no Brasil. “Sazonalidade e período letivo são fatores que determinam, por exemplo, grande parte das vendas ao longo do ano”, exemplifica. E foi pensando nessas dificuldades que a empresa também criou um fundo de investimento.

Fundo de Investimentos

O Realty AlgoFUND I, lançado em julho do ano passado, é o primeiro fundo de investimento imobiliário do mundo alimentado por inteligência artificial. A tecnologia orienta gerenciadores de rendas de aluguéis do modelo SFR. Por meio da plataforma, a equipe da Investorise pode desenvolver uma estratégia de investimentos baseada em dados e também em experiências.

O investimento mínimo no fundo é de US$ 1 milhão, com perspectiva de retorno de 10% ao ano no período de sete anos. Pelo menos 90% dos recursos do AlgoFUND são investidos em imóveis residenciais, incluindo casas single families e condomínios, de várias regiões dos Estados Unidos. Schimenes destaca que a taxa de assertividade do Realty AlgoFUND é de 98%, em média, para previsão de um ano. “No final de 2016, nosso sistema previu que o mercado imobiliário da região de San Francisco valorizaria 9,82% em 2017. O índice oficial de apreciação foi de 9,85%, ou seja, muito próximo da nossa previsão”, explica o brasileiro. Desde a sua criação, o fundo de investimento imobiliário já adquiriu portfólio em quatro estados, de costa a costa (Oregon, Colorado, Geórgia e Flórida).

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90% dos brasileiros escolhem a Flórida para empreender

Com a persistência da crise política e econômica, muitos brasileiros continuam buscando oportunidades no exterior. De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), atualmente, mais de 1,3 milhão de brasileiros residem legalmente nos Estados Unidos. Um levantamento da Visa Franchise, consultoria americana especializada na abertura de negócios nos Estados Unidos, mapeou a preferência nacional ao ingressar em terras americanas. Para 90% dos empresários, a Flórida é o principal destino de quem deseja abrir seu próprio negócio. Outros 5% preferem a Califórnia e os demais 5% se espalham por diversas regiões do país.

“São três fatores que influenciam na preferência pela Flórida. O primeiro é que se trata de uma região com voos diretos para algumas cidades brasileiras; o segundo é o clima, similar ao do Brasil; e o terceiro é a presença de brasileiros na região, o que facilita a adaptação na terra estrangeira”, explica Jack Findaro, diretor financeiro da Visa Franchise.

As cidades mais requisitadas pelos empresários são Miami e Orlando, por serem regiões bem conhecidas e turísticas. Porém, também existe procura em demais municípios, como Tampa, Boca Raton e Fort Lauderdale. “O interessante é que esta regra apresenta exceções. Os gaúchos, normalmente, não gostam de Miami ou outras localidades da costa leste dos Estados Unidos. Preferem lugares onde podem vivenciar a cultura local, como Califórnia”, detalha o executivo.

Apesar de não estar entre as localidades preferidas pelos empresários, o Texas vem se mostrando uma tendência para perfis já conhecedores das terras americanas. “Estamos percebendo um movimento de pessoas para o Texas. Geralmente, quem já conhece o estado, sabe de seu potencial econômico e enxerga que há boas oportunidades de investimento. É um foco em retorno econômico, mais do que em qualidade de vida”, diz Findaro.

Investimentos X Retorno

Além da decisão sobre onde atuar, é necessário entender no que investir. Jack Findaro explica que a abertura de franquias está se tornando uma opção recorrente dos empresários brasileiros, por conta do convênio entre estabilidade e lucro.

Até o ano de 2016, o segmento de franquias movimentou, direta ou indiretamente, US$ 2,3 trilhões. “Trata-se de um mercado mais maduro e regulamentado do que o Brasil, porque existe um órgão fiscalizador, que obriga as empresas franqueadoras a divulgarem seus rendimentos, custos, entre outras informações essenciais para quem deseja empreender”, detalha Findaro.

As possibilidades são inúmeras, mas alguns segmentos se destacam nas preferências dos brasileiros: indústrias de beleza, de fitness, mercado de gestão de propriedade, indústria de sobremesas congeladas e indústrias de limpeza. Os investimentos iniciais variam entre US$ 80.000 e US$ 286.000, conforme a área selecionada.

O diretor financeiro explica que, além de decidir no que investir, é necessário entender que determinados segmentos exigirão conhecimentos específicos. “As franquias baseadas em serviços geralmente funcionam apenas para investidores com inglês avançado. Caso a pessoa não fale o idioma, ela deve ter um parceiro ou gerente que tenha esse conhecimento, e isso pode aumentar o investimento inicial”.

Para Findaro, as diversas segmentações em crescimento mostram que franquias são negócios benéficos a todos os lados envolvidos. “O franqueador encontrará nesta forma de negócio, um meio de crescer mais rápido. Já o franqueado tem a possibilidade de investir em um produto ou serviço em que terá processos definidos, fornecedores selecionados e suporte”

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Professor da FGV aponta desequilíbrio sistêmico com o “fim da neutralidade de rede” nos EUA

O professor e coordenador do MBA em Marketing Digital da FGV, André Miceli, definiu a decisão da Comissão Federal das Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) de deixar de classificar a internet banda larga como serviço de utilidade pública no país como um “desequilíbrio sistêmico”. De acordo com ele, o resultado pode ser péssimo para o ambiente digital porque recentemente, pela primeira vez nos últimos anos, houve um desaquecimento nos investimentos de infraestrutura de acesso à internet.

“Nesse formato, teremos menos concorrência e menos possibilidade de evolução. A tendência é que os serviços piorem para os consumidores, e os distribuidores de conteúdo vão perder em performance”, ressalta André Miceli.

O professor da FGV explica que, com os servidores de internet ainda considerados de utilidade pública, não podia acontecer priorização desses pacotes. “Agora vai poder. Isso significa que, se você enviar dados no mesmo momento ou em uma rede que está lotada e tiver concorrendo com a Netflix, por exemplo, esta terá prioridade sobre o seu pacote porque ela deve ter um acordo diferenciado com esses provedores”, relata o especialista.

André Miceli aponta ainda que nesse novo formato, teremos menos concorrência e menos possibilidade de evolução. “A tendência é que os serviços piorem para os consumidores, e os distribuidores de conteúdo vão perder em performance”, analisa e completa: “Isso pode ser um tiro no pé dos próprios desenvolvedores de conteúdo. É um desequilíbrio sistêmico bastante significativo.”

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Siemens faz demonstração com o primeiro sistema eHighway nos Estados Unidos

A Siemens e a “South Coast Air Quality Management District (SCAQMD)” estão fazendo uma demonstração do eHighway em um trecho de uma milha (1,6 km) e emissão zero, na cidade de Carson, na Califórnia, Estados Unidos, perto dos portos de Los Angeles e Long Beach. Três caminhões de carga operam ao longo do trecho da rodovia que usa a tecnologia da Siemens que eletrifica pistas de estradas selecionadas usando um sistema de catenária aérea. Este sistema fornece energia elétrica aos caminhões de forma semelhante aos modernos bondes em muitas ruas da cidade. O sistema também permite operar caminhões fora das seções eletrificadas da infraestrutura.

Os caminhões de carga pesada são a principal fonte de emissões de poluição atmosférica no sul da Califórnia. O desenvolvimento de um sistema de movimentação de carga de emissão zero ou quase zero nos portos reduzirá as emissões de gases de efeito estufa, gases tóxicos e de poluição atmosférica nas comunidades próximas dos portos, que são umas das mais afetadas pela poluição do ar.

“Este projeto nos ajudará a avaliar a viabilidade de um sistema de movimentação de carga de emissão zero usando cabos em catenária”, disse Wayne Nastri, diretor executivo da SCAQMD. “Esta demonstração pode levar à implementação de sistemas de eHighway que reduzirão a poluição, com benefícios para a saúde pública das pessoas que moram perto dos portos”.

“Todos os dias, os americanos dependem dos produtos e serviços transportados por caminhões. Esse meio de transporte deve dobrar as emissões de CO2 no mundo todo até 2050”, disse Roland Edel, Diretor de Tecnologia da Divisão de Mobilidade da Siemens, “a nossa tecnologia eHighway tem a capacidade de dupla eficiência em comparação aos caminhões a diesel convencionais, reduz o consumo de energia pela metade e a poluição atmosférica local nas áreas próximas dos maiores portos da América.

Um caminhão elétrico movido a bateria, um caminhão elétrico a gás natural e um caminhão híbrido a diesel estão operando em um sistema de catenária em um trecho de uma milha (1,6 km) nas pistas norte e sul da South Alameda Street, desde a East Lomita Boulevard até o Canal Dominguez, em Carson. Esse sistema deve reduzir o consumo de combustível fóssil, os custos operacionais do caminhão, as emissões de gases causadores de poluição atmosférica, gases tóxicos e CO2 e ajudará a atender a demanda cada vez maior do transporte rodoviário de mercadorias. O objetivo deste projeto específico é mostrar como funciona o sistema eHighway na operação de caminhões em vias públicas nos Estados Unidos e elaborar mais aplicações para iniciativas de maior escala no futuro.

O sistema de demonstração, semelhante aos sistemas de bondes, possui uma linha de contato aérea que fornece energia elétrica para os caminhões ao longo da via de percurso e um pantógrafo ativo localizado nos caminhões do sistema eHighway que transfere energia das linhas aéreas para os motores elétricos do caminhão. O pantógrafo pode se conectar e se desconectar automaticamente da linha de contato usando um sistema de sensor, enquanto os caminhões estão se movendo, conferindo a mesma flexibilidade que os caminhões a diesel convencionais, permitindo que os caminhões mudem de faixa ou passem outros veículos com facilidade, sem que fiquem fixos permanentemente aos sistemas aéreos, como o bonde. Para garantir a mesma flexibilidade que os caminhões convencionais, os veículos da eHighway usam um sistema de acionamento elétrico híbrido, que pode ser alimentado por diesel, gás natural comprimido (GNC), bateria ou outras fontes de energia integradas, permitindo o deslocamento para fora das linhas de catenárias.

Em junho de 2016, a Siemens lançou o primeiro sistema eHighway do mundo em estradas públicas na Suécia, que opera em um trecho de dois quilômetros da rodovia E16 a norte de Estocolmo até 2018. Dois veículos híbridos de biodiesel são usados neste projeto.

Além disso, estão planejados três testes de campo da tecnologia eHighway em rodovias alemãs para iniciar a operação em 2019. O projeto de US$ 13,5 milhões na Califórnia é financiado por US$ 2,5 milhões da SCAQMD, US$ 4 milhões de um acordo com a China Shipping, US$ 3 milhões da California Energy Commission, US$ 2 milhões do Porto de Long Beach e US$ 2 milhões da LA Metro. A Siemens forneceu US$ 1,3 milhão em espécie. A SCAQMD forneceu outros US$ 2,1 milhões e a US EPA, US$ 500.000 para o contrato da TransPower.

Em um contrato separado com a SCAQMD, os caminhões elétricos e híbridos a gás natural foram desenvolvidos pela TransPower, localizada em Escondido, e o híbrido a diesel foi desenvolvido pela subsidiária da Volvo, Mack Trucks.

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Polícia norte-americana usa veículo tipo MRAP com câmeras para inibir crimes

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Tirando proveito de novas tecnologias, a cidade de Haverhill, em Massachusetts, Estados Unidos, colocou nas ruas um veículo do tipo MRAP (Mine-Resistant Ambush Protected, ou Protegido Contra Emboscadas e Resistente a Minas). O veículo circula nos pontos mais críticos da cidade de 63 mil habitantes como um fator de inibição para criminosos e como medida preventiva. Equipado com câmeras IP, o MRAP registra os arredores por 72 horas e apoia operações policiais em locais mais propensos a ações criminosas, inclusive de gangues.

O MRAP combina diversas tecnologias. Na carroceria, foi instalada a câmera AXIS P3225-LVE na parte da frente para proporcionar melhor visão em situações de perigo. Do lado do passageiro, uma câmera AXIS Q3505-VE, resistente a golpes de até uma tonelada, foca nas áreas alvo com a ajuda da tecnologia Lightfinder, que visualiza imagens em cores com baixíssima iluminação. Além disso, a vista lateral é complementada por duas câmeras próprias para veículos, a AXIS F1035-E, que têm lente olho de peixe de 194 graus e são resistentes a poeira, chuva, neve, vibrações, impactos e mudanças de temperatura. Iluminadores IR também foram colocados no veículo e podem ser operados remotamente utilizando o AXIS P8221, um módulo que integra as câmeras a outros dispositivos.

“O MRAP é uma das armas do nosso arsenal. A ideia veio de outros departamentos e o veículo é mais utilizado para dissuadir. Acima de tudo, estamos felizes com a clareza e fidelidade das imagens, que eram bastante questionáveis antes da instalação das câmeras Axis”, conclui o Administrador de Rede do Departamento de Polícia de Haverhill, Ron Tuell.

A mesma câmera AXIS F1035-E, criada para uso veicular, é usada pela cidade na van que transporta presos. O equipamento captura as ações dentro e fora do veículo. Graças à tecnologia IP, todas as imagens estão ao alcance das mãos e podem ser vistas em celulares ou tablets através do software da Milestone, parceira da Axis.

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Mozilla debate o poder da Internet em São Francisco

Em junho, a Mozilla executou várias ações de alto nível para chamar a atenção do público para os problemas que a Internet enfrenta, quando se trata de uma ameaça existencial: ataques da FCC à Neutralidade da Rede.

Na última semana do mês, a Mozilla apresentou o debate Noite para a Saúde na Internet – uma noite especial para celebrar as pessoas e ideias que fazem nosso maior recurso global, a Internet, uma força tão transformadora para o mundo.

O evento aconteceu no Centro SFJazz e contou com música, filmes e histórias de um grupo diversificado. Os palestrantes e artistas foram: Sens. Franken e Wyden, DeRay McKesson, Lauren Duca, Moshe Kasher, Neko Case e muito mais.

A Mozilla também está lançando o IRL, um podcast que descompactará a dinâmica complicada entre nossas vidas on-line e off-line. Comando pela personalidade Veronica Belmont, influenciadora do meio online, o programa abordará vários problemas que afetam a web – desde a alfabetização na web até a privacidade e a descentralização.

No setor de tecnologias emergentes, os dispositivos habilitados para voz representam o futuro da Internet, mas muitas pessoas ao redor do mundo não podem acessá-las porque não reconhecem muitos idiomas. Uma Internet saudável depende de todos ter acesso, por isso é fundamental que criemos uma ferramenta que permita a todos contribuir com isso. É por isso que a organização criou a Common Voice, uma ferramenta revolucionária que as pessoas podem usar para integrar a voz nas aplicações diárias. Este é o primeiro aplicativo crowdsourcing como esse.

Do lado do navegador, o Firefox não é apenas novo e melhorado; É também um dos melhores exemplos do que as comunidades de código aberto podem criar para a web. O Firefox representa Internet Health, oferecendo ferramentas de usuários como Do not Track e outras proteções de privacidade avançadas. Ao contrário de outros navegadores, o Firefox apenas rastreia informações mínimas do usuário, colocando sua privacidade com lucro.

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Índia é o País com mais buscas feitas em smartphones. Brasil apresenta forte crescimento no mobile

Os indianos estão à frente de outros países do mundo quando o assunto é acessar sites de busca por smartphones. É o que apontou levantamento realizado pelo SEMrush, líder mundial em marketing digital e fornecedor de ferramentas de monitoramento online. Segundo a empresa, 66% das buscas feitas no País são feitas dessa forma, enquanto o Brasil e Estados Unidos aparecem um pouco abaixo, com 55 e 58%, respectivamente. O estudo mostrou também que 54% das buscas por meio de desktops são feitas pelos franceses, que lideram esse ranking. A pesquisa foi feita com dados do Brasil, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Estados Unidos, Espanha, Índia e Austrália.

Quanto aos tablets, a maior porcentagem é apresentada no Reino Unido: 14% dos britânicos usam o gadget para pesquisar online. O segundo lugar foi dividido por Austrália e Alemanha, ambos com 10% das pesquisas. O Brasil ficou no final da lista, com apenas 2% de todas as consultas feitas a partir de tablets, mostrando que o dispositivo ainda é utilizado aqui para outros fins na maioria das vezes.

Sobre tendências, o SEMrush observou que o crescimento mais impressionante da pesquisa por dispositivos móveis é observado na Índia, que aumentou 10,6% nos últimos três anos. O Brasil apresenta resultados semelhantes, crescendo 9,5%. Em média, o tamanho do público móvel aumenta em 5-7% ao ano para todos os países analisados: um pouco mais para os países do Sul da Europa como Espanha e Itália, e um pouco menos para a França, Alemanha e Reino Unido. EUA e Austrália demonstram a porcentagem mais baixa: 4,8% e 5,5%, respectivamente.

“O aumento do tráfego de dispositivos móveis é impressionante. No Brasil mais de 50% de todo o tráfego vem do celular e isso mostra como a Internet mudou em tão pouco tempo”, diz Olga Andrienko, Head de Global Marketing da SEMrush. Do ponto de vista do marketing digital, a executiva ainda afirma que a pesquisa mobile é crucial para o SEO local. “A intenção dos usuários de encontrar lugares próximos é muito maior em dispositivos móveis e sites que ainda não estão seguindo essa tendência terão dificuldade em alcançar os concorrentes mais presentes nos resultados de pesquisa por dispositivos móveis”, finaliza Andrienko.

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Por que registrar sua marca nos EUA?

Um dos patrimônios mais importantes de uma empresa é a marca. Registrar os sinais distintivos – palavras, figuras e/ou símbolos – não só garante a exclusividade da identidade visual e a segurança patrimonial, como também possibilita que investidores internacionais vejam a empresa com outros olhos.

Com a crescente onda de internacionalização de empresas brasileiras e a busca por exportar produtos e serviços, os empresários descobriram a necessidade de registro de sua marca no exterior.

Os EUA despontam como o destino preferencial para exportadores e empresas em expansão internacional e, naturalmente, também como local de registro de marcas brasileiras.

A celeridade do processo nos EUA é algo que chama a atenção; enquanto no Brasil um registro pode levar anos, o processo americano finaliza em torno de oito meses. Outra vantagem é que, diferentemente do Brasil, os EUA fazem parte do Protocolo de Madri, que facilita o registro em diversos países como Japão, China e Austrália.

Como fazer o registro

Pedro Drummond, sócio da consultoria internacional Drummond Advisors e advogado licenciado no Brasil e EUA, pontua que existem duas possibilidades de registro de marca nos Estados Unidos. “O órgão que regula o registro de marcas no território americano, o United States Patent and Trademark Office (USPTO), define como possível o registro do produto ou serviço que já está em uso (actual use) ou quando a marca que se pretende usar no futuro próximo (intent to use) ainda não está sendo utilizada”, diz.

Os passos para realizar o registro iniciam com uma pesquisa para identificar potenciais conflitos de marca. O conflito acontece quando a marca tem alguma semelhança com outra já existente, registrada ou não, que possa confundir o consumidor.

Após essa primeira análise, prefencialmente realizada por um profissional, pode-se iniciar o pedido de registro com mais segurança. “É importante mencionar que essa investigação prévia não garante que o registro seja autorizado. Além dos conflitos de marca, outros fatores podem impedir a liberação do registro, como o uso de um termo ofensivo ou do título de um filme ou livro, por exemplo”, explica Drummond.

Quando o órgão americano aprova o registro, a proteção da marca retroage à data do pedido e vigora por 10 anos. Entre o quinto e o sexto ano após a data de registro, deve ser enviada ao USPTO uma comprovação de uso da marca ou declaração justificada de não uso. Entre o nono e o décimo ano após o registro, deve ser enviada nova comprovação de uso e pedido de renovação do registro.

A taxa governamental de registro é de US$225 por classe de proteção.

Drummond enfatiza a importância de empresas brasileiras realizarem o registro de marca nos Estados Unidos. “Em um mercado com fronteiras cada vez mais fluidas, os empresários brasileiros devem buscar proteger a propriedade intelectual de forma global”, completa.

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O Estado, as startups e a tecnologia: um incentivo fornecido por contratos públicos – Por Ulrich Dietz

Não é apenas a tão aclamada combinação de empreendedorismo e venture capital que tem transformado muitas jovens empresas de tecnologia em grandes players e líderes de tecnologia nos Estados Unidos. O Estado também desempenha um papel decisivo como um cliente público que confere um selo de qualidade, ou seja, um cliente que transforma um investimento em uma aposta segura e contratos lucrativos, tendo em conta seus próprios interesses.

A Palantir, por exemplo, é uma startup de tecnologia com base no Vale do Silício que ficou conhecida por produzir software de análise de Big Data para o serviço secreto e as forças armadas. E tornou-se tão grande que agora é uma das mais valiosas startups do mundo.

De acordo com o Wall Street Journal, a Palantir foi classificada na categoria Unicórnio, pertencente às startups privadas de tecnologia que valem US$ 1 bilhão ou mais e é a quarta na lista das maiores empresas financiadas por capital de risco (Venture Capital), à frente de empresas como Snapchat e SpaceX, estando atrás apenas da Uber, Xiaomi e AirBnB.

Apesar de seu tamanho, a Palantir é relativamente desconhecida pelo grande público. Foi fundada em 2004 como uma empresa de inteligência cibernética e mantém um perfil discreto. Ser muito conhecida pode ser prejudicial quando se está na linha de negócios que começou com a CIA.

O serviço de inteligência dos EUA criou sua própria empresa de capital de risco chamada In-Q-Tel, antes dos atentados de 9/11. A In-Q-Tel gerou cerca de 100 startups de TI com o objetivo de rapidamente ter acesso a novas tecnologias que poderiam ser úteis para a segurança nacional e à defesa. Com mais de três mil funcionários, a Palantir é uma das empresas mais bem sucedidas neste grupo. Há algum tempo, o software da Palantir tem sido usado por quase todas as autoridades envolvidas na segurança nacional dos Estados Unidos. Isto se tornou de conhecimento público depois de um vazamento de informações em 2015 para o blog TechCrunch. Assim como a CIA, o software é usado pela NSA, o FBI, o Department of Homeland Security, a Força Aérea dos EUA e o Corpo de Fuzileiros Navais.

A Palantir, criada por meio de capital de risco por seu co-fundador Peter Thiel, não é um é um caso isolado. As empresas de alta tecnologia têm sido ajudadas por contratos públicos nos Estados Unidos e de Israel há anos. Isto tem acontecido principalmente nos setores altamente sensíveis de segurança e analytics. Da mesma forma, os fundos públicos são muitas vezes canalizados em projetos nas áreas de biotecnologia, enterprise computing, robótica e programas de formação digital.

De acordo com a Crunchbase, em 2013, dos 1,1 bilhão de dólares em contratos públicos com startups de tecnologia, 56% dos recursos foram destinados a novas empresas de transporte, especialmente na indústria aeroespacial. O principal beneficiário desses contratos é a SpaceX.

A startup do arrojado fundador da Tesla Inc., Elon Musk, aparentemente recebeu mais de 1,3 bilhão de dólares de fundos públicos dos EUA desde 2008. Além de transportar regularmente cargas comerciais para o espaço, sua empresa também alavancou outros contratos com a NASA e conseguiu posicionar-se como um importante parceiro para o transporte de mercadorias para a estação espacial internacional (ISS).

A SpaceX também tem trabalhado com a agência espacial americana no campo de viagens espaciais tripuladas. Este ano, a startup sediada na Califórnia recebeu sua primeira encomenda das forças armadas dos Estados Unidos para o lançamento de um foguete. Em 2018, a companhia irá colocar em órbita um satélite GPS para a força aérea dos EUA. Durante o processo de licitação do projeto, a SpaceX venceu com certa facilidade o único concorrente – a aliança United Launch, formada pelos veteranos Boeing e Lockheed Martin.

A tendência crescente de contratar empresas privadas para projetos aeroespaciais teve início com a NASA, com a chamada ‘NASA Authorization Act of 2010’. A lei visa apoiar viagens tripuladas espaciais, especialmente o desenvolvimento de novos sistemas e serviços para fornecimento e assistência da Estação Espacial Internacional.

Na realidade, os recém-chegados à corrida espacial são uma perspectiva altamente interessante para todos os tipos de investidores privados nos dias de hoje: de acordo com dados divulgados pela consultoria norte-americana Tauri Group, 1,8 bilhão de dólares de capital de risco foram investidos em 22 startups espaciais somente em 2015.

É fundamental que as autoridades não apenas apoiem o desenvolvimento diretamente por meio de investimentos maciços, mas também viabilizem projetos com clientes sólidos para novas tecnologias e produtos.

Normalmente, são assinados contratos de longo prazo, que garantem a segurança do investimento. Isso, por sua vez, atrai potenciais investidores de capital de risco do setor privado – fechando o círculo. Além disso, um contrato com o governo funciona como um selo de aprovação. Afinal, com os rigorosos controles e verificações de segurança para contratos públicos, que melhores referências é preciso para conseguir clientes no setor privado? Um exemplo disto é a Palantir, que agora gera cerca de metade do seu volume de negócios por meio de contratos com o setor privado.

Os EUA são um bom exemplo de como os cofres públicos podem ser usados como um instrumento eficaz para apoiar jovens empresas de tecnologia e promover o desenvolvimento de soluções ultra inovadoras. Esse financiamento coloca as agências de segurança do Estado em uma vantagem significativa, especialmente em campos que giram em torno da segurança.. Tratam-se de soluções com abordagem orientada para o futuro que proporcionam benefícios econômicos a longo prazo e energia ecológica, que asseguram cuidados de saúde eficientes, sistemas de transporte inteligentes e comunicação segura, dentro das estratégias de alta tecnologia do Governo Federal. O setor público deve analisar e levar em consideração as novas empresas tecnológicas na concessão de contratos públicos. É uma maneira rápida e pragmática de liberar potencial inovador.

Ulrich Dietz, CEO do Grupo GFT, provedor global de soluções de Tecnologia da Informação para o setor financeiro

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