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Procura-se Design Thinker

Boa parte do tempo e energia intelectual dos profissionais dentro das empresas está comprometida com a tentativa de solucionar problemas estratégicos dos negócios. Mas, apesar do esforço contínuo, não é incomum que as abordagens propostas fracassem ou que as soluções encontradas deixem arestas abertas com consequências que só serão percebidas bem adiante. Um caso emblemático foi o ocorrido com as empresas produtoras de garrafas PET na década de 70. Consideradas uma “salvação” para os vendedores de bebidas, por conta dos baixos custos de produção, praticidade e leveza, as garrafas feitas do plástico rapidamente tomaram o lugar das embalagens de vidro retornáveis, muito utilizadas na época. No entanto, como são feitas de um derivado do petróleo, com o passar dos anos, tornaram-se um dos principais poluentes do mundo, gerando um enorme prejuízo social e ambiental para as décadas seguintes. Por fim, a solução, inicialmente apontada como genial, mostrou-se apenas pontual, não levando em consideração suas repercussões globais.

Para chegar a uma saída realmente sustentável para problemas cada vez mais complexos, foi preciso que os líderes corporativos começassem a pensar os problemas com uma visão nova e, a partir daí, surgiram abordagens como o “Design Thinking”. Criado na década de 70 para desenvolver soluções na área de engenharia, o método foi adaptado como recurso de gestão por David M. Kelley, professor da faculdade de Stanford (EUA). A ferramenta foi sendo aprimorada com o passar do tempo e, atualmente, conta com etapas bem definidas, que permitem identificar objetivamente problemas, organizar e compreender processos e pessoas envolvidas e, assim, delinear estratégias para chegar a soluções criativas tanto no âmbito pontual como global para cada questão.

Empresas inovadoras, como a brasileira Clever Caps, já vêm sendo criadas com suas bases fincadas na metodologia do Design Thinking . Do problema causado pelo descarte excessivo de embalagens plásticas, por exemplo, seus fundadores encontraram a razão de existir da organização: a marca é internacionalmente premiada por desenvolver tampas que se transformam em blocos de montagem e que criam diversos objetos úteis, como bancos, enfeites e brinquedos. Segundo Rogério Londero Boeira, especialista em desenvolvimento de pessoas da escola Cultman, esse modo inovador de analisar os desafios apresentados por um mercado mais e mais exigente vai muito além do ‘pensar fora da caixa’. O professor da escola de aprendizagem corporativa explica que o Design Thinking consiste em métodos e processos que desenvolvem a habilidade de empregar melhor os recursos disponíveis, sejam eles, financeiros, humanos ou de conhecimento. “O objetivo é tomar as decisões de forma mais eficiente, passando a observar tudo e todos com um olhar de que há sempre a possibilidade de melhorar e aprimorar potencialidades”, afirma.

Para aumentar a habilidade de interpretar as situações sob diversas perspectivas, Boeira defende a ideia de que é preciso estar preparado para aprender continuamente. Na metodologia da aprendizagem contínua, desenvolvida pela Cultman e premiada em 2012 no Congresso Internacional da Arabian Society of Human Resource Management (ASHRM), a premissa básica é de que, para aprendermos de fato, é necessário construirmos uma estrutura moral e emocional que nos possibilite questionar até mesmo nossas verdades absolutas. Dessa forma, o método valoriza os distintos níveis de experiência de cada indivíduo, que é singular e único, e a livre associação de ideias, de forma que o aluno consiga internalizar os assuntos discutidos, maximizando sua aprendizagem e alcançando a plenitude de suas capacidades.

Cada vez mais aplicado por empresas que desejam ampliar a produtividade e habilidade de inovar, a aplicação do Design Thinking demanda profissionais preparados a considerar todas as dimensões em que estão inseridos – célula produtiva, organização, sociedade e vida pessoal. Portanto, para se alinhar a essa tendência corporativa e se destacar no ambiente de trabalho, o colaborador precisa estar em constante evolução e ser cada vez mais responsável pelas consequências de suas escolhas. Integrado a seus programas de desenvolvimento para gestores, a Cultman prega o Full Dimensional Comprehension Capacity (FDCC), que, em português, corresponderia a “plena capacidade de compreensão de todas as dimensões em que se está inserido”, nele, o Design Thinking é uma das ferramentas orientadas pela escola para ensinar aos alunos a analisar e compreender os problemas de modo aprofundado. Mas, além desse conceito, os profissionais também aprendem a expandir sua percepção espacial e temporal, desenvolvendo sua capacidade de prestar atenção, facilitando a identificação e a resolução de dilemas.

Os benefícios desse aprendizado podem ser percebidos em pouco tempo na rotina de trabalho, segundo Rogério Boeira, e vão desde o crescimento dentro da carreira até a ampliação de consciência sobre cada decisão tomada, o que garante maior efetividade e produtividade. “Com isso, esse profissional vai ao encontro do que é mais procurado pelo mercado de trabalho contemporâneo: pessoas que contribuam tanto de maneira pontual quanto global, visando não só o problema em si, mas toda a cadeia de responsabilidades, bem como o impacto de suas ações nos demais colaboradores e na comunidade com que ela se relaciona” destaca o professor da escola Cultman.

Felippe Pinheiro, gerente de operações e desenvolvimento de negócios da Geogas, é um exemplo de profissional que trabalha com estes conceitos ao desenvolver a percepção de como suas atitudes e decisões têm influência não apenas na empresa, mas também na sociedade e nos colegas de trabalho por meio da aprendizagem contínua. “Atuo em um setor que tem impacto direto na vida da população e a consequência das minhas decisões pode afetar desde uma família até uma comunidade inteira. Desenvolvi também nos membros da minha equipe a capacidade de perceber os reflexos que suas ações têm no todo, ampliando seu nível de responsabilidade na tomada de decisão e garantindo a avaliação de diversos aspectos antes de fazerem uma escolha consciente. Dessa forma, acredito que aplicar o FDCC no dia-a-dia consiste em considerar múltiplos fatores e estimular a visão do coletivo. Isso ajudar em chegar a decisões mais corretas e além de buscar sempre melhorar as condições de trabalho e vida dos envolvidos direta ou indiretamente nas nossas ações”, argumenta.

Confira algumas dicas de Rogério Boeira para incluir a lógica ensinada pela Cultman na rotina diária de forma a chegar a soluções mais criativas e globais:

1) Dedique-se à reflexão sobre o que você aprende diariamente

Einstein e os maiores gênios criativos precisaram de muito tempo e dedicação para validar suas propostas. A apresentação de uma solução diferenciada também não é sinônimo de sucesso imediato. A criatividade está atrelada às percepções, emoções, intuições e práticas do conhecimento. Um bom exercício para incentivá-la, por exemplo, é manter um diário e reservar um tempo para reflexão sobre aquilo que acreditamos que aprendemos todos os dias. Retornar a esses registros depois de algum tempo e ponderar a respeito costuma ser uma ótima fonte de insights. A primeira característica pessoal que abre espaço para a criatividade é a permissão à dúvida; é a disposição de buscar melhores soluções e de experimentá-las depois da ponderação. A arte reflete bem tais fundamentos, pois só há criação quando o artista se permite ousar, praticar, ponderar e discutir sobre temas. Quanto mais se exercita, mais um músico tem possibilidades de compor. Também um pintor ou escultor não pode se restringir a ler a respeito de arte para exercê-la. Nesse sentido, dedicar um tempo para se dedicar ao desenvolvimento da criatividade é algo fundamental para conquistar resultados.

2) Questione suas emoções para decidir melhor

Quanto mais complexa e incerta for a decisão a ser tomada, maior é a interferência das emoções e, por isso esse questionamento permite lidar melhor com sentimentos como frustração e medo de falhar, contribuindo para o amadurecimento profissional. As pessoas, de forma geral, não costumam questionar conscientemente suas emoções e não se atentam para elas durante o processo de tomada de decisão. Muitas vezes optam por acreditar que agiram de maneira racional ou que suas emoções não tiveram forte interferência no processo. Porém, não há como evitar as emoções. Elas estão presentes em cada decisão que tomamos e uma de suas funções é dar estímulos para que o cérebro possa reagir de maneira rápida a determinadas situações. Inconscientemente, as emoções já estão criando atalhos, que nos tornam mais propensos a uma ou outra decisão, como a aprovação ou não de projetos, estabelecimento de prazos ou na escolha de fornecedores, por exemplo. Identificar as emoções é um exercício difícil, porém necessário, para que a tomada de decisão, o planejamento e a realização de projetos sejam realmente eficientes.

3) Atenção ao que acontece ao redor

Inovar é criar uma solução nova a partir do zero ou tornar um processo já existente em um procedimento mais eficiente. Para isso, é preciso tomar atitudes que sejam capazes de realizar verdadeiras transformações. É o caso do gerente financeiro que conquista sua equipe através de pequenos gestos que ele considerava pouco importantes. O simples hábito de preparar o café para todos, deixando a bebida pronta para consumir é a percepção de uma situação que pode agilizar alguns pequenos procedimentos internos. Quem deseja tornar o trabalho dos demais mais prático, sem que alguém perca tempo em fazer o café e esperar que ele fique pronto para depois consumi-lo, vai proporcionar maior integração, produtividade e bem estar no ambiente de trabalho. Para chegar a esse nível de atenção, é preciso se estimular a perceber o que ocorre ao redor. É a mesma proporção para quem deseja resolver um problema em um projeto, é preciso perceber todos os aspectos que ocorrem na questão analisada como, por exemplo: “quantas pessoas estão dentro de um bar lotado e quais as saídas e entradas em momento de pânico?” “Qual a quantidade de água você gasta por dia e o quanto você poderia poupar?”.

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