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Comércio entre Brasil e Estados Unidos atinge a pior marca em 11 anos, aponta estudo da Amcham Brasil

O comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos até o mês de setembro registrou em 2020 o pior resultado dos últimos 11 anos. Segundo estudo da Amcham Brasil, o valor das trocas comerciais entre janeiro e setembro de 2020 foi de US﹩ 33,4 bilhões, uma redução de 25,1% em relação ao mesmo período de 2019. O Monitor de Comércio Brasil-Estados Unidos da Câmara Americana de Comércio, foi divulgado nesta quarta-feira (14/10).

“A contração de ¼ da corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos é um golpe duro no comércio bilateral, sendo o pior resultado para o período desde a crise econômica de 2009”, afirma Abrão Neto, vice-presidente executivo da Amcham Brasil, entidade que representa cerca de cinco mil multinacionais brasileiras e americanas.

O relatório aponta três fatores principais para explicar a forte redução das trocas bilaterais. “A combinação dos graves efeitos da crise econômica causada pela pandemia, da queda do preço internacional do petróleo e de restrições comerciais em setores específicos, como o siderúrgico, respondem por grande parte da contração do comércio bilateral”, contextualiza Abrão Neto.

Exportações e Importações em baixa

Segundo análise da Amcham Brasil, no acumulado do ano, as exportações brasileiras para os EUA caíram 31,5% em comparação com igual intervalo de 2019, alcançando o total de US﹩ 15,2 bilhões. É o menor valor para o período desde 2010. Em termos relativos, os EUA foram o mais afetado entre os 10 principais destinos de exportação do Brasil em 2020.

“Foram sete bilhões de dólares a menos em exportações. Como o perfil do comércio bilateral é composto principalmente por produtos de maior valor agregado, a atual crise econômica atingiu em cheio nossas exportações para os Estados Unidos. A taxa de queda foi quatro vezes maior do que a redução das exportações totais do Brasil para o mundo”, explica Abrão Neto.

Por outro lado, as importações brasileiras vindas dos Estados Unidos despencaram neste terceiro trimestre, com redução de 41,6% em relação a 2019. Entre janeiro e setembro de 2020, as importações totalizaram US﹩ 18,3 bilhões, uma queda de 18,8%.

Cenário de déficit

Como resultado do encolhimento das exportações e importações, a tendência é que o Brasil registre o maior déficit comercial com os Estados Unidos dos últimos cinco ou seis anos, aponta a projeção feita pela Amcham Brasil. Até o momento, o saldo negativo foi de US﹩ 3,1 bilhões em desfavor do Brasil.

Apesar da forte redução do comércio bilateral, os EUA seguem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil (12,3% do total de suas trocas com o mundo). A China se mantém em 1º lugar, tendo aumentado sua fatia para 28,8%, segundo dados do estudo publicado na integra no portal www.amcham.com.br e disponível aqui neste link.

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IoT, Big Data e BI: as inovações para o Comércio Exterior do Futuro!

Por Alexandre Gera

Os importadores e exportadores brasileiros trabalham para diminuir a burocracia desde a reabertura comercial no começo dos anos 90. O governo também faz a sua parte com programas que beneficiam e facilitam as operações, mas mesmo assim o Brasil ocupa uma das piores posições no ranking mundial de exportação devido aos nossos gargalos logísticos. Em 2016, o Banco Mundial divulgou um relatório no qual nosso país estava na 55ª posição entre 160 países.

Historicamente, o Brasil nunca ultrapassou os 20% de participação na geração do PIB com as compras e vendas internacionais e, em 2017, movimentou 197 bilhões de dólares em exportações e 146 bilhões de dólares em importações, segundo o Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Esses números demonstram que, mesmo com os problemas, trata-se de um mercado bastante valioso e importante para a economia. E, se pensarmos que em todo ano de eleição este setor sofre influências com as turbulências políticas e sociais, vale a dica aos empreendedores e executivos que atuam no mercado internacional e logístico de que eles precisam inovar constantemente para se manterem competitivos em seus segmentos.

Uma das principais tendências para o futuro do comércio exterior brasileiro é o famoso e esperado “Despacho sobre águas”. Nele as mercadorias são fiscalizadas pelas autoridades brasileiras ainda com o navio em alto mar, diminuindo ainda mais o tempo de negociação, que é uma das métricas mais importantes para esse tipo de business.

Essa novidade virou realidade em 17 de novembro de 2017 com a Portaria nº 85, criada pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, a COANA, da Receita Federal, regulamentando o despacho aduaneiro de importação “sobre as águas OEA”, que é uma modalidade do Programa do Operador Econômico Autorizado, e foi desenvolvido em 2014 para as aduanas concederem para importadores, exportadores e outros players do ecossistema de comércio internacional, o status de empresa segura e confiável exatamente para esse tipo de operação e benefício.

Nesse cenário, o desafio dos empreendedores é prever o futuro e fomentar seus negócios com inovações que façam sentido para a direção em que o mercado global está apontando e, usando o “OEA sobre águas” como exemplo, podemos afirmar que dispositivos de Internet das Coisas (IoT) fazem uma revolução no rastreamento e identificação de cargas. Quando aliados a ferramentas de análises de dados, chamados de Big Data e Business Intelligence, entendemos que esse futuro já está perto e pode se tornar real de maneira mais rápida para as empresas que investem em projetos inovadores.

Muitas companhias que têm operações logísticas ou de comércio exterior planejam inovações em seus cronogramas e budgets, mas enfrentam dificuldades para a execução desses planos estratégicos. Como precisam manter o business ativo e estão focadas nas ações diárias, muitas encontram complexidade para descobrirem novas oportunidades, sem contar a falta de condições para incluírem essas novidades na resolução das dores do dia a dia ou, até mesmo, para agregar mais valor em suas ofertas comerciais.

Empresas que buscam inovação contratam profissionais experientes e mesmo assim não atingem os resultados esperados porque não usam metodologias exatas, cabais e se deparam com os paradigmas e mindset dos seus executivos. Por isso, acredito que trabalhar com um processo de simbiose para criar e, depois, absorver na principal linha de negócio da companhia, assim como buscar uma consultoria externa especializada em projetos inovadores, é fundamental para quem quer, em breve, usar expressões como OEA e IoT (Internet das Coisas) na mesma frase!

Alexandre Gera é sócio-gestor da GERAVALOR, consultoria especializada em Inovação, Estratégias e Assessment para negócios de Comércio Exterior e de Logística.

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Exportação além da Exportação – Reduzir custos para ser competitivo

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Por Rogério Borili
Vice-Presidente da Becomex

Inegavelmente o Brasil tem despertado para as exportações. A tecnologia na comunicação entre países facilitou os negócios no mundo globalizado. As exportações tem sido uma aposta dos empresários brasileiros nos últimos anos para inserir o País no comércio internacional definitivamente. Além disso, exportar é uma alternativa para minimizar os impactos da crise econômica que o País atravessa, ocupando a capacidade produtiva, elevando a qualidade e inovação das empresas aqui instaladas.

Segundo divulgação do MDIC (Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio), as exportações brasileiras cresceram 19% nos seis primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2016. No ano, as exportações totalizam US$ 103,081 bilhões e as importações, US$ 68,722 bilhões, com superávit de US$ 34,359 bilhões.

O caminho da internacionalização está tornando as empresas brasileiras mais atentas às exigências do mercado externo, o que tem obrigado o empresariado investir em mais tecnologia para aumento da produtividade e qualidade do produto final. Além de todo investimento feito, é fundamental que sejam aproveitados todos os incentivos fiscais disponibilizados pelo Governo aos exportadores, sem os quais se perde muito em termos de competitividade. Na prática, isso significa tornar a operação brasileira mais atrativa para novos mercados, já que é possível reduzir uma boa parcela dos custos nas exportações.

Enquanto o mercado brasileiro possui pouco mais de 200 milhões de consumidores, o mercado global ultrapassa 7 bilhões, tornando muito mais atrativo exportar. Para competir em pé de igualdade com outros países mais globalizados, a produção brasileira tem que ser muito mais competitiva e, neste cenário, a redução dos custos deixa de ser uma estratégia e passa a ser uma questão de sobrevivência.

Essa redução da carga tributária ajuda a minimizar o efeito do denominado Custo Brasil, tornando o produto fabricado aqui mais equiparado em termos de preço ao dos concorrentes externos, permitindo desta forma conquistar uma fatia maior do mercado.

Enquanto na venda ao mercado externo o exportador goza de imunidade de pagamento do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) e fica isento da incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), nas compras dos insumos para a produção, sejam estes nacionais ou importados, há toda uma taxação de tributos federais e estaduais cuja desoneração só ocorrerá de forma adequada se a empresa utilizar corretamente os regimes especiais disponibilizados.

Mas, quais são esses regimes afinal?

Ao longo dos anos o Governo foi desenvolvendo legislações específicas que procuram remediar a complexa legislação tributária brasileira, cujo objetivo é criar mecanismos que permitam ao exportar não “exportar” impostos. Dentre os vários regimes destacam-se o Drawback para uso geral das empresas, os entrepostos aduaneiros como Recof, Recap, Repetro cuja finalidade é mais específica para empresas de maior porte ou de segmentos específicos. Também temos legislação específica como a que trata empresas predominantemente exportadoras. Mais recentemente o governo instituiu um prêmio exportação denominado Reintegra cuja finalidade é devolver uma parcela dos impostos cobrados na cadeia de fornecimento dos produtos exportados. Além destes mecanismos que são comuns em outros países, temos outros programas como o INOVAR-AUTO que foi criado para incentivar a indústria automotiva local. Este programa vem sendo duramente criticado no âmbito da OMC, sendo que o Brasil terá que rever o mesmo a partir de 2017.

Como pode ser visto, temos inúmeros regimes, programas, leis e mecanismos que ajudam o exportador a ser mais competitivo, porém os benefícios ainda são subutilizados por falta, talvez, de uma gestão tributária eficiente. Uma análise bem-feita pode indicar o caminho para o melhor aproveitamento dos regimes para benefícios do exportador e ir além, estendendo esses benefícios por toda a sua cadeia produtiva. Sim, isso é possível.

Antes de sair usando determinado benefício a empresa precisa saber exatamente onde quer chegar. Somente um estudo apurado, realizado por especialistas, pode desenvolver um projeto para beneficiar a empresa e reduzir seus custos de produção diretos e indiretos. Aí está um ponto de atenção. Esse estudo deve incluir não só a empresa propriamente dita, mas toda a sua cadeia de valor.

Por exemplo, quando sua empresa fornece peças, componentes e serviços para integrar um produto que será exportado pelo seu cliente, isso também é uma exportação que pode ser beneficiada pela redução de impostos em parceria com seu cliente. Ou seja, os benefícios não atingem somente a empresa exportadora, estes ultrapassam seus portões e se estendem pela cadeia produtiva.

É o caso do Drawback Intermediário, um regime aduaneiro especial criado com este objetivo específico, que pode trazer uma redução dos impostos pagos pelo fornecedor nas compras dos insumos utilizados nos componentes que serão incorporados nos produtos exportados do seu cliente.

Estudos da Becomex apontam que existem mais de R$ 300 milhões em créditos a serem recuperados somente no setor automotivo por meio do Drawback Intermediário. Este valor considera as exportações de 2015-2016 e deverá crescer em virtude do aumento do volume de exportações do segmento. Ainda assim, apesar do enorme valor a ser reduzido, a complexidade da operação de recuperação acaba desmotivando as empresas a solicitar os benefícios, exigindo muito conhecimento, paciência e empenho para tornar viável a redução.

Outro regime denominado Reintegra também previa uma devolução de valores na ordem de R$ 19 bilhões. Mas, mesmo em tempos de crise, deste valor apenas metade (R$ 9,5 bilhões) foi resgatada até o final do ano passado. A outra metade ainda está lá na Receita, esperando as empresas exportadoras requisitarem algo que tem direito.

Finalmente, mais recentemente o Governo repaginou o RECOF, Regime de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado, criando uma nova modalidade denominada RECOF SPED. Esta mudança veio sintonizada com os avanços dos controles implementados pela Receita Federal como o SPED FISCAL e BLOCO K, devendo se tornar nos próximos anos um dos regimes mais utilizados pelas empresas. Por enquanto ainda há muita dúvida no mercado sobre os mecanismos de controle e gestão que serão exigidos pela fiscalização uma vez que um dos alicerces do regime, o Bloco K, vem sendo postergado.

Em resumo, não importa qual regime será utilizado pela empresa, o que importa é que seja utilizado de maneira correta, dentro da legislação vigente, de forma consciente, obtendo desta forma um dos poucos diferenciais competitivos que podemos ter. As empresas não podem se dar ao luxo de perder clientes no exterior por não conseguir utilizar os incentivos que estão disponíveis.

Mãos à obra e comecem hoje mesmo a procurar aquilo que melhor atende ao seu negócio.

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Mais de R$ 9,5 bi do Reintegra aguardam resgate das exportadoras brasileiras

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De acordo com levantamentos da Becomex, uma empresa especializada no gerenciamento integrado na área tributária e operações internacionais, dos R$ 19 bilhões que o governo esperava devolver às empresas brasileiras exportadoras por meio do Programa Reintegra, apenas metade (R$ 9,5 bilhões) foi resgatada, mesmo em tempos de crise. A outra metade ainda está lá na Receita, esperando as empresas exportadoras do Brasil requisitarem esse benefício fiscal.

Em vigor desde 2011, o Reintegra é um mecanismo criado pelo governo para devolver uma parcela dos impostos pagos na cadeia produtiva às empresas exportadoras de bens manufaturados no Brasil. Como sugere o nome, tem por objetivo reintegrar valores referentes a custos tributários residuais existentes nas cadeias de produção. Assim, a pessoa jurídica produtora e exportadora de bens manufaturados no País, poderá reaver parcial ou integralmente o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção.

“O crédito proveniente do Reintegra é um recurso extra, um ‘dinheiro novo’ esperando ser resgatado, o que pode impactar positivamente nos resultados da empresa”, explica o vice-presidente de Operações da Becomex, Rogerio Borili.

Antes de solicitar os créditos do Reintegra a empresa precisa fazer uma apuração correta dos dados. Para isso, ao invés de procurar a terceirização dessa operação com parceiros da área jurídica ou da área de TI, o ideal é que se busque uma parceria completa, que possa garantir uma operação com compliance e com soluções de tecnologia feita sob medida, e que atenda às particularidades de cada empresa.

“Optar por um parceiro completo – não só tributário nem somente de sistemas – será estratégico para requerer o crédito, pois as inúmeras intimações nos pedidos se deve às divergências de informações”, afirma Borili.

Os créditos do Reintegra podem ser pedidos trimestralmente, ou seja, em julho já será possível solicitar o crédito referente ao 2º trimestre. É importante ficar atento porque quanto mais rápido for solicitado mais rápido o seu resgate.

Recentemente, levantamentos da Becomex também apontaram que mais de 50% das empresas exportadoras no Brasil pagam mais impostos do que deveriam por não aproveitar corretamente os benefícios fiscais e aduaneiros existentes. O estudo também revelou que muitas empresas sequer sabem o potencial que poderiam economizar com o pagamento de impostos e tributos.

“O investimento em inteligência fiscal e tributária é fundamental, pois as empresas gastam 1/3 de suas receitas, em média, por não conseguir fazer os controles fiscais de forma estratégica, pagando imposto a mais desperdiçando a chance de trazer o chamado ‘dinheiro novo’ para seus cofres, o que faz toda a diferença especialmente em tempos de crise”, declara Rogério Borili.

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Estudo revela: metade das empresas exportadoras no Brasil paga mais impostos do que deveria

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A Becomex, empresa especializada no gerenciamento integrado na área tributária e operações internacionais, acaba de divulgar um estudo que aponta que mais de 50% das empresas exportadoras no Brasil pagam mais impostos do que deveriam por não aproveitar corretamente os benefícios fiscais e aduaneiros existentes. O estudo também revela que muitas empresas sequer sabem o potencial que poderiam economizar com o pagamento de impostos e tributos.

Segundos os dados da Becomex a indústria automobilística, por exemplo, um dos maiores setores da economia nacional, tem hoje cerca de R$ 300 milhões em impostos a serem recuperados à espera das empresas solicitarem seus resgates junto ao governo.

“As possibilidades de reaver esses tributos aumentam quando a fabricante de veículos inicia um trabalho em toda sua cadeia com o objetivo de apurar todos os benefícios fiscais e aduaneiros concedidos pelo governo à indústria”, revela o vice-presidente da Becomex Rogério Borili.

O conceito de Gestão Integrada de Impostos da Becomex, que já é referência no mercado, proporciona redução significativa da carga tributária e potencializa resultados das empresas, graças à aplicação de metodologias de análise com elevado conhecimento da legislação somado a ferramentas de alta performance.

Um bom exemplo de recuperação ou isenção de imposto é o Drawback, uma devolução total ou parcial de tributos federais (II, IPI, PIS-Importação, Cofins-Importação e AFRMM), recolhidos quando há importação de matérias primas (embalagens, insumos e componentes) utilizadas na fabricação de mercadorias comprovadamente exportadas. É um incentivo às exportações, pois reduz os custos de produção dos produtos exportáveis, aumentando a competitividade no mercado internacional.

Segundo dados divulgados pela Receita Federal, nos últimos quatro anos o Drawback correspondeu a 29% de todo benefício fiscalconcedido pelo governo federal. Porém, cerca de 25% das maiores empresas exportadoras do Brasil não fazem a requisição desse benefício que pode gerar milhões de reais em “dinheiro novo” para a companhia.

Outro exemplo de benefícios que podem ser utilizados pelas empresas é o Reintegra, que como o próprio nome sugere, tem por objetivo reintegrar valores referentes a custos tributários residuais existentes nas cadeias de produção. Assim, a pessoa jurídica produtora e exportadora de bens manufaturados no País, poderá reaver parcial ou integralmente o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção.

“O investimento em inteligência fiscal e tributária é um ponto de atenção estratégico, pois gastam 1/3 de suas receitas, em média, por não conseguir fazer os controles fiscais de forma eficiente, pagando imposto a mais desperdiçando a chance de trazer o chamado ‘dinheiro novo’ para seus cofres, o que faz toda a diferença especialmente em tempos de crise”, declara Rogério Borili.

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Siscoserv reúne dados sobre serviços e intangíveis no exterior

Exportar serviços é um salto no processo de internacionalização, e com isso surgem novos deveres. Um deles é o registro das transações no Siscoserv – Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio. O governo federal criou esse sistema para identificar operações de empresas e indivíduos domiciliados no Brasil com o exterior e, com esses dados, fomentar a inserção do Brasil no comércio internacional.

O público-alvo do Siscoserv são pessoas jurídicas tributadas no Lucro Presumido e Lucro Real e, também, pessoas físicas cujas operações excedam 30 mil dólares mensais. Entidades enquadradas no Simples Nacional e Microempreendedores Individuais (MEI) estão dispensados da obrigação.

O que reportar no Siscoserv

A venda ou aquisição de serviços no mercado externo – consultoria e frete, por exemplo – e a transferência ou compra de intangíveis, como direito de propriedade intelectual, marcas, patentes e autorização para explorar recursos naturais.

Joice Izabel, sócia da Drummond Advisors, lembra que também é obrigatório registrar no sistema outros tipos de operações no comércio exterior que não correspondem a serviços nem a intangíveis. “Essas transações, realizadas por agentes situados no Brasil, podem envolver licenciamento, contratos de franquia, arrendamentos, operações financeiras, entre outros”, esclarece a contadora.

Como fazer o registro

O Siscoserv é acessado pelo Centro de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC), no site da Receita Federal e da Secretaria de Comércio e Serviços.

Mas, antes de tudo, é necessário ter o certificado digital E-CPF do administrador da empresa, documento emitido por autoridades certificadoras habilitadas pelo fisco brasileiro. O E-CNPJ não possibilita a entrega da obrigação.

Quando a informação for prestada por pessoa jurídica ou representante legal de terceiros, também é exigida a procuração eletrônica.

Prazo de entrega

O prazo de entrega da obrigação termina no último dia útil do terceiro mês após a data de início da prestação de serviço ou da comercialização do intangível.

Quais são as penalidades?

A legislação prevê três situações passíveis de multas, que podem ser aplicadas de forma concomitante:

• Apresentação fora do prazo – multa de R$ 100,00 a R$ 1.500,00, por mês-calendário ou fração de atraso;

• Não atender à intimação para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal – multa de R$ 500,00, por mês-calendário;

• Informações inexatas, incompletas ou omitidas – multa de 1,5% a 3% do valor das transações comerciais ou das operações financeiras relacionadas ao registro.

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Tecnologia inteligente é o futuro da indústria que atende o comércio internacional

O investimento cada vez maior em tecnologia é visto por muitos especialistas como tendência nos setores de comércio exterior, logística e transporte de cargas. Integrando a chamada “Indústria 4.0” ou “Quarta Revolução Industrial”, que prevê a evolução e a transformação dos mercados no âmbito de novas soluções e de tecnologias inteligentes, grandes empresas apostam no desenvolvimento de softwares e serviços automatizados e integrados para reduzir custos, aumentar a eficiência, a produtividade e a competitividade.

Uma delas é a Bysoft/NSI. De acordo com a CEO da empresa, Edneia Moura Chebabi, a Bysoft não desenvolve apenas sistemas que visam a gestão dos processos relacionados ao comércio exterior, mas soluções cognitivas, com foco na produtividade e na redução de custos de todos os intervenientes da cadeia: agentes de carga, exportadores, importadores e despachantes aduaneiros. “Todas as nossas soluções são integradas, de maneira inteligente, provendo informações online e em tempo real que são distribuídas pela cadeia e permitem a rápida tomada de decisões tanto pela indústria quanto pelo prestador de serviços”, afirma.

A executiva acrescenta ainda que, controlar os prazos de cada fase do processo de desembaraço aduaneiro é a expertise da companhia e cita alguns exemplos dos serviços oferecidos. “Os processos da indústria farmacêutica são um exemplo, pois envolvem o controle por parte da Anvisa. Contribuímos para que o prazo de liberação dos produtos seja infinitamente menor, proporcionando o peticionamento de forma automatizada. Outro exemplo são as contenções de multas, em processos que envolvem o Siscarga (sistema de controle de cargas da Receita Federal), no qual ofertamos uma ferramenta de integração em tempo real, com alertas automáticos”, ressalta a CEO da Bysoft, que será uma das expositoras da Intermodal South America, de 4 a 6 de abril, em São Paulo (SP).

Por outro lado, quando o assunto é a tecnologia aplicada ao segmento portuário, a T2S Tecnologia aposta no desenvolvimento de softwares customizados para os principais portos e terminais do país. Segundo o diretor comercial da empresa, Ricardo Pupo Larguesa, o ano de 2016, na contramão da crise econômica, foi muito bom para a T2S. “Expandimos nossa atuação para diversos outros estados. Em um comparativo de 2015 para 2016, esse foi um dos fatores que fez com que registrássemos um crescimento de mais de 60% em nosso faturamento”, comemora.

Larguesa destaca também alguns cases que contribuíram para que a empresa pudesse alcançar este resultado. “Fizemos algumas grandes implementações no último ano, como a troca do sistema de controle operacional do terminal de contêineres do porto de Paranaguá, no Paraná, por um software norte-americano, o Navis, do qual somos parceiros. Paralelamente, realizamos também a substituição do sistema operacional do terminal de contêineres do porto de Suape, em Pernambuco, que entrará em produção agora em fevereiro”.

“Outras implementações que estão em andamento são as dos novos sistemas de operações dos terminais da Wilson Sons em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, e em Salvador, Bahia, com conclusões previstas para o final do primeiro semestre e para o fim do segundo semestre deste ano, respectivamente”, completa o diretor comercial da T2S Tecnologia, que também irá apresentar suas novidades na Intermodal.

“A inserção dos conceitos de Sistemas Ciber-Físicos, Internet das Coisas e Computação em Nuvem não só nos portos, mas em todas as vertentes dos setores de transportes de carga, logística e comércio exterior é, felizmente, um caminho sem volta. A iniciativa privada vem estudando e implementando muitas possibilidades. Só na Intermodal temos mais de 12empresas de tecnologia expondo soluções. O setor acadêmico também contribui. Vale lembrar que, já em 2008, a Escola Politécnica (Poli) da USP começava a desenvolver, por exemplo, uma tecnologia de rastreamento da cadeia logística da carne bovina, que agiliza o processo de exportação, e que hoje é o sistema oficial utilizado pelo Ministério da Agricultura”, reforça Ricardo Barbosa, gerente do evento.

Tendências – De olho no futuro da inovação no transporte, armazenagem e distribuição de cargas, a 23ª edição da Intermodal promoverá o evento “Tendências Tecnológicas na Logística”, em um encontro que reunirá especialistas, executivos e representantes do setor, onde serão apresentadas e discutidas as últimas tendências e estratégias em conceitos, modelos, processos e tecnologias inteligentes.

Com início às 08h30 do dia 6 de abril, o evento contará com uma repleta grade de programação. Às 09h, a gerente de logística da Ajinomoto, Maristella Andrade, palestrará sobre a aplicação do footprint como solução integrada para otimizar a cadeia de suprimentos. Às 09h40, o diretor industrial da Lóreal, Antônio Grandini, e o professor de logística e orientador de gestão empresarial da consultoria Premiatta, Paulo Bertaglia, dissertarão sobre “a quarta revolução industrial” e a “logística 4.0”.

Já às 10h50 será a vez do professor e coordenador do laboratório em logística e transporte da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (FEC/UNICAMP), Orlando Fontes Lima, que apresentará o raio x da logística do futuro e as macro tendências tecnológicas que podem transformar o cenário logístico atual. Por fim, às 11h40, o diretor de logística e transporte da Pirelli na América Latina, Rodolfo Giotto, debaterá sobre o que as empresas estão fazendo para inovar em momentos de crise.

Para mais informações sobre essa e outras conferências da Intermodal 2017, acesse – http://www.intermodal.com.br/pt/conferencia-2/primeiro-dia

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Sonda IT desenvolve sistema para atendimento do Recof-Sped

O Recof-Sped, versão ampliada do regime Recof (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), que parte da iniciativa de aperfeiçoamento de regimes tributários para o apoio às exportações – um dos pilares do Plano Nacional de Exportações –, passa a ser atendido pela Sonda IT, maior integradora latino-americana de soluções de Tecnologia da Informação.

O beneficiário pode admitir as mercadorias no regime suspensivo em fluxo contínuo, com segurança, previsibilidade e sem a necessidade de formalização de novas concessões. “Trata-se de uma grande oportunidade aos contribuintes, visto que o usufruto do regime traz ao seu beneficiário uma vantajosa flexibilidade: isenta de multas a empresa que compra insumos no mercado nacional com suspensão tributária e depois não consegue exportar a quantidade prevista – cabe à empresa apenas pagar o imposto devido”, explica a coordenadora de produto da Sonda IT, Tatiana Almeida.

A nova modalidade, que traz a ampliação do regime Recof para todos os segmentos da indústria e, em sua essência, mantém os mesmos benefícios do tradicional regime, prevê como um dos principais pontos de mudança o controle em conjunto com a Escrituração Fiscal Digital – EFD em linha com as novas exigências para o livro de registro de controle da produção e do estoque – Bloco K.

Com a simplificação de procedimentos, não é mais obrigatória a homologação do sistema de controle junto à Receita Federal do Brasil, mas ainda assim há a responsabilidade da gestão informatizada do regime para a garantia de governança e de compliance com as exigências legais. “Não é mais necessária a manutenção de um portal. O regime tornou-se mais aderente às empresas. Antes o governo exigia um portal com cerca de 100 relatórios, ou seja, uma infraestrutura bem mais complexa. Mas é importante que o usuário conte com uma ferramenta como a nossa, que corrige eventuais falhas e obtém retorno consistente de diversos tipos de operações de negócios”, acrescenta Tatiana.

Para atender ao Recof-Sped, a Sonda IT desenvolveu uma ferramenta com três ofertas para clientes do universo SAP: uma opção em Hana utilizando a estrutura do TDF (Tax Declaration Framework), outra em Hana e sem a estrutura do TDF, e uma terceira totalmente ABAP (linguagem de programação nativa da SAP). O sistema da Sonda IT rastreia o produto desde a aquisição até sua destinação, seja ela mercado nacional ou internacional.

“Nosso trabalho é garantir que a empresa esteja cumprindo o que determina a legislação. Além de resguardar as companhias de possíveis autuações, controlamos, por exemplo, a solicitação de prorrogação de cada item importado que ainda não foi utilizado no processo produtivo e que está próximo do prazo de vencimento de pagamento dos tributos suspensos na importação”, finaliza a coordenadora, acrescentando que este e outros relatórios gerenciais permitem que o cliente tenha uma visão detalhada de todo o ciclo, dando condições para a tomada de decisões.

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TMF Group inicia operações de corporate trust no Brasil

A TMF Group, fornecedora líder global de serviços de negócios de alto valor para os clientes que operam e investem internacionalmente, acaba de anunciar que vai assumir as operações de corporate trust do Deutsche Bank no Brasil. A companhia vem expandindo sua participação na área de Trust and Corporate Services na América Latina, incluindo financiamentos estruturados e serviços de mercado de capitais, como parte de sua estratégia de linha de serviços globais e planos de crescimento a longo prazo.

O grupo já oferece serviços corporativos e de trust em países vizinhos como Argentina, Uruguai, Chile, Peru e México. Além disso, a empresa com sede em Londres oferece uma gama de serviços corporativos globais, como de contabilidade e impostos, RH, folha de pagamento e secretariado corporativo.

“Essa transferência vai aumentar a capacidade da TMF Group Brasil de participar da recuperação econômica do país, posicionando a empresa como uma parte independente e de confiança em transações financeiras como empréstimos, fusões e aquisições, reestruturação de dívidas, financiamento de projetos e outras atividades sensíveis que exigem conhecimento, controle e compliance”, afirma Raimundo Diaz, diretor para as Américas da TMF Group.

Sob os termos da transferência e após o cumprimento de determinadas condições, as contas de corporate trust atualmente administradas pela unidade brasileira do Deutsche Bank vão passar a ser administradas pela TMF Group.

Os funcionários da equipe de corporate trust do Deutsche Bank vão se juntar ao time da TMF Group, permitindo que os clientes atuais recebam toda assistência que precisam pela mesma equipe de profissionais e com o mesmo nível de qualidade e compromisso.

A TMF Group Brasil, que adquiriu a divisão brasileira de outsourcing da PwC em março de 2015, apresentou crescimento acentuado nos últimos anos. A empresa conta com mais de 700 funcionários no país, que apoiam empresas de todos os tamanhos, tanto locais como internacionais.

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PIS e COFINS: empresas podem solicitar restituição de importação – Por Beatriz Dainese

Você sabia que quem efetuou importação entre 2011 e 2013 pode solicitar restituição de PIS e COFINS pagos na importação? Até o exercício de 2013 a legislação aplicável dizia que o valor aduaneiro seria composto do valor que servisse de base de cálculo para o Imposto de Importação acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições.

Ocorre que este conceito estava totalmente equivocado. Isso porque o valor aduaneiro da mercadoria é encontrado a partir do seu valor FOB (Free on Board), acrescido dos valores do frete e seguros internacionais, convertendo-se esses valores para reais, por meio da taxa de câmbio do dia do registro da importação.

Sendo inconstitucional, foi determinada uma nova forma de cálculo, considerada a partir de outubro/2013, com alteração da legislação aplicável, como a maneira correta de calcular o PIS e a COFINS na importação, tendo como base de cálculo apenas o VALOR ADUANEIRO da mercadoria. Com este novo entendimento, os importadores passaram a ter direito a requerer a restituição dos valores pagos a mais (em função da base de cálculo incorreta).

O pedido de restituição pode ser feito administrativamente, e a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu um parecer e instruiu a Receita Federal, no sentido de que as solicitações deste tema, por ser um assunto pacificado pelo STF, não deverão ser discutidas e devem ser acatadas conforme já decidido.

Quem tem direito a solicitar a restituição do PIS da COFINS importação, são os importadores tributados no lucro presumido entre 2011 e 2013 que ainda não se apropriaram do crédito. O mais importante é que, por podermos fazer este trabalho de restituição integralmente de forma administrativa, os créditos poderão ser imediatamente utilizados pela empresa por meio da compensação com os tributos federais que forem pagos futuramente.

Beatriz Dainese, sócia da Giugliani Advogados www.giugliani.com.br

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Qual o momento certo para iniciar uma estratégia de importação – Por Tomaz Carvalho

É notório que a importação, mesmo trazendo inúmeras vantagens,
ainda é um desafio para quem empreende ou já é empreendedor no
Brasil. Afinal, são inúmeras as variáveis que envolvem esse
processo sendo que boa parte também depende do cenário atual da
economia e mercado.

Mesmo em se tratando de um campo minado repleto de dúvidas,
especialistas defendem cada vez mais que a importação pode ser uma
alternativa viável para uma empresa oferecer preços competitivos, e
assim, garantir sua existência. Entretanto, o primeiro passo é
entender como funciona esse tipo de operação, os reais custos,
cuidados que você precisa ter e quais opções podem ser mais
vantajosas para o seu negócio.

Insegurança e falta de informação também são dois fatores que
atrapalham a importação de produtos e insumos por pequenas e médias
empresas. No final de 2015, uma empresa selecionou produtos com uma
empresa chinesa, pagou e recebeu todo o material em uma qualidade
totalmente inviável. Após o trauma de amargar com um pesado
prejuízo, eles decidiram contar com uma assessoria especializada, e
hoje importam uma grande gama de produtos e crescem 20% ao ano.

Entretanto, se a ideia e importar da China, é preciso observar
alguns pontos críticos. Como você, ou a sua empresa, irão definir o
fornecedor? Como controlar a produção e a qualidade? Como confirmar
se os dados bancários são de fato do exportador?

“Todas essas questões só podem ser respondidas – de forma
eficaz e segura – através de duas formas: tenha um escritório
próprio na China ou uma consultoria especializada com filial na
China. Dessa forma, você poderá selecionar fornecedores e acompanhar
a produção de forma exigente” complementa o diretor.

Mas para ajudar na sua decisão final, segue um teste que vai te
ajudar a analisar se a sua empresa está em um bom momento para
importar. Caso o resultado tenha mais de cinco respostas “sim”,
significa que você está no momento certo para iniciar uma
estratégia de importação:

*O negócio de sua empresa está cada vez mais competitivo?

*Sua empresa está tendo dificuldade em crescer na região onde
atua?

*Sua empresa é atacadista?

*Sua empresa é varejista com vários pontos de venda?

*O nível de concorrência aumenta periodicamente?

*Sua empresa quer ficar mais independente da pressão dos
fabricantes nacionais?

*Seus concorrentes estão importando?

*Sua empresa quer ter maior autonomia de ação?

Você teve muitas respostas “sim”? Saiba o passo a passo do
planejamento de importação:

a. Definir o fornecedor, produto, preço, quantidade,
embalagem etc.
b. Aprovar amostras
c. Efetuar o pagamento de 30% ao fornecedor
d. Aguardar a produção
e. Efetuar o pagamento de 70% ao fornecedor
f. Embarcar o lote no porto de origem
g. Lote chega no porto de destino
h. Nacionalização da mercadoria
i. Liberação da mercadoria
j. Transporte do lote do porto até o endereço de
destino

Tomaz Carvalho é advogado. Atua à frente da Interbrax desde
2007, realizando desenvolvimento de produtos da China e gerenciamento
de importações.

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A glória da burrice – Por José Pio Martins*

Inconformado com a estupidez do governo e dos políticos dos anos 50 e 60, que batiam no peito e gritavam que nunca iriam autorizar empresas multinacionais a produzirem petróleo no Brasil, Roberto Campos desabafou dizendo que “a burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor”. A angústia do grande economista era que, enquanto rejeitava capitais de risco dispostos a investir na produção de petróleo aqui, o governo sofria em busca de empréstimos (a juros altos) para fazer importações do produto.

Roberto Campos não entendia que lógica o governo e os políticos viam na ideia de que mendigar empréstimos internacionais e ficar na dependência de suprimento externo era melhor que atrair empresas estrangeiras para a produção em território nacional. Quando veio a crise do petróleo, em 1973, e o preço do barril pulou de US$ 3,20 para US$ 14, o Brasil importava 75% do consumo, a dívida externa explodiu e o país quebrou. A frase de Roberto Campos foi profética. A burrice provou sua glória passada como, após a morte do autor, em 9 de outubro de 2001, continuou firme rumo ao futuro promissor.

Exemplo soberbo da burrice nacional são os entraves à participação na globalização. Levantamento da Câmara de Comércio Mundial informa que o Brasil continua sendo o país mais fechado para o comércio exterior entre todas as nações do G20, ficando com nota 2,3 em 2015 (a escala vai de 1 a 6), atrás de Argentina e Índia. Para piorar, o país caiu da 57.ª para a 75.ª posição, entre 140 países, no ranking da competitividade global publicado pelo Fórum Econômico Global – perdendo, assim, 18 posições.

Mas o que é essa tal globalização? Para começar, é uma necessidade, em face da superpopulação. O planeta atingiu 1 bilhão de habitantes somente em 1830. Em apenas 100 anos, a população dobrou. Hoje, já somos 7,3 bilhões. A globalização é a possibilidade de um habitante de Berlim comer um mamão produzido em Manaus, um morador de Maringá poder comer trigo produzido na França ou uma maçã da Argentina, um doente na China poder curar-se com um medicamento feito na Bélgica, ou um esquerdista francês poder escrever contra a globalização em seu notebook coreano.

As necessidades humanas estão onde as pessoas estão; as condições adequadas à produção, não. O Brasil tem terra fértil e clima favorável à soja, mas não tem para o trigo. Certos países têm petróleo, mas não têm comida. Quanto mais os países se especializarem naquilo em que são mais produtivos e eficientes, melhores serão as chances de elevação do bem-estar via comércio exterior. Ademais, ao comércio seguem-se os investimentos e, a estes, segue-se a transferência de tecnologia. O nacionalismo protecionista condena o país ao isolamento e ao atraso. Nenhum país do mundo – nem mesmo os Estados Unidos – consegue gerar toda a tecnologia requerida para seu crescimento.

Quando proibiu a importação de computadores, componentes eletrônicos e tecnologia, e também proibiu empresários estrangeiros de investirem em empresas de informática em nosso território, a lei de reserva de mercado de informática (que durou até 1991) cometeu grave crime econômico contra o povo brasileiro. Mas os nacionalistas – de direita (inclusive alguns militares) e de esquerda – reivindicavam medalhas de defensores da pátria. Lamentável!

Apesar da repetição do fracasso desse tipo de nacionalismo, continuamos insistindo na mesma rota. Definitivamente, a burrice no Brasil tem garantido um futuro promissor.

José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.

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Estados Unidos querem ampliar intercâmbio com o Paraná

Edson Campagnolo e Dennis Hankins, durante encontro na Fiep (Foto: Mauro Frasson)

O cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Dennis Hankins, visitou nesta quinta-feira (24) a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Ele se reuniu com o presidente da entidade, Edson Campagnolo, com o objetivo de conhecer melhor o potencial econômico do Estado e prospectar oportunidades de negócios e parcerias entre empresas paranaenses e norte-americanas.
Para Campagnolo, a visita oficial do cônsul é um reconhecimento da importância do Paraná no cenário econômico brasileiro e uma oportunidade para estreitar as relações da indústria paranaense com os EUA. “O Paraná tem muitas empresas que já mantêm relações comerciais intensas com os Estados Unidos, mas podemos avançar ainda mais”, disse o presidente da Fiep.
Com a abertura do diálogo, Campagnolo espera que o Paraná tenha relações mais próximas com o consulado. “Colocamos toda a estrutura do Sistema Fiep para que tanto os investidores americanos tenham aqui uma porta de entrada para realizar negócios no Paraná quanto as indústrias paranaenses também identifiquem oportunidades nos Estados Unidos”, afirmou. Campagnolo reforçou que, através de seu Centro Internacional de Negócios (CIN), a Fiep já auxilia empresas que buscam maior intercâmbio com os EUA.

Segundo Dennis Hankins, a visita ao Paraná – a primeira desde que assumiu o Consulado Geral dos EUA em São Paulo, no ano passado – teve como um dos principais objetivos justamente prospectar oportunidades de negócios e parcerias no Estado. “Normalmente, as empresas americanas que se interessam pelo Brasil conhecem mais Rio de Janeiro e São Paulo. Estamos conhecendo melhor os outros estados para que, quando recebermos delegações empresariais americanas, possamos indicar outras possibilidades de negócios”, disse, referindo-se aos outros quatro estados que estão sob jurisdição do consulado de São Paulo: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. “O Paraná possui uma economia bastante diversificada e podemos direcionar novos investidores para cá, de acordo com as características do Estado”, acrescentou. Veja reportagem completa.

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Obras emergenciais e resgate do planejamento são prioridades para os portos paranaenses

Os planos de investimentos e de melhorias na operação dos portos paranaenses foram apresentados nesta segunda-feira (9) a representantes das principais entidades empresariais do Estado, durante reunião do Fórum Futuro 10 Paraná realizada na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino, que assumiu o comando da autarquia em março, afirmou que sua gestão tem como objetivo traçar um planejamento de longo prazo e está aberta a contribuições do setor produtivo. Reportagem completa da Agência Fiep…

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Comércio Brasil-Argentina: agenda positiva em vez de discutir problemas

Para estimular uma agenda positiva nas relações comerciais entre Brasil e Argentina, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), promove nesta terça-feira (08/05), em sua sede, a Rodada de Negócios Brasil-Argentina. O evento, que prossegue até o final da tarde, reúne representantes de 330 empresas argentinas e 270 indústrias brasileiras.e acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a realização deste encontro atende a um pedido da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, por meio de representantes dos ministérios de Relações Internacionais, Economia e Indústria Argentina durante uma visita do presidente da Fiesp ao país vizinho, em fevereiro. “Somos vizinhos e sempre seremos vizinhos. Em vez de discutir os problemas, estamos com uma agenda positiva. Nós temos que buscar o maior equilíbrio no comércio e eliminar barreiras. Tem que haver uma relação de amizade e camaradagem. O objetivo de todo este trabalho é o de eliminar os problemas que existem nas relações comerciais Brasil e Argentina”, avaliou Skaf. Leia mais…

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Paraná cria agência para promover o comércio exterior

O governador Beto Richa participou nesta quarta-feira (7), em Curitiba, do lançamento da Agência de Internacionalização do Paraná, voltada para a promoção do comércio exterior no Estado. O órgão faz parte do programa Paraná Competitivo e representa o esforço do governo para consolidar um bom ambiente de negócios no Paraná a partir da associação entre diversas entidades ligadas ao comércio exterior. A agência é uma associação civil sem fins lucrativos constituída por empresas, pessoas físicas, instituições do setor privado, entidades associativas e os poderes públicos estadual e municipal. Leia mais…

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