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Visões sobre o ecossistema de tecnologia em Israel – Por Francisco Ferreira

Recentemente, passei uma semana em Israel para conhecer um pouco sobre a veia empreendedora da região, que se tornou o terceiro maior ecossistema de tecnologia do mundo. A gênese deste fenômeno de empreendedorismo aconteceu no início dos anos 90, quando o governo resolveu fomentar a indústria de venture capital por meio dos fundos Yozma (Iniciativa em hebraico).

Por meio deste programa, o Estado passou a oferecer incentivos fiscais para investidores interessados na nascente indústria de tecnologia do país. Em alguns casos, o governo chegou a oferecer um retorno mínimo para os interessados ou o direito de recompra de sua participação a uma taxa pré-fixada. De lá para cá, os resultados foram formidáveis.

Hoje, existem mais de 6000 empresas de tecnologia ativas em Israel. Existem mais startups em Israel, um país com 8 milhões de habitantes do que no Brasil. O sucesso foi construído com ingredientes fundamentais: a tolerância ao erro e a contestação do status quo. Os israelenses fazem isso melhor do que ninguém.

Eles criaram a expressão “Chutzpah” (é a qualidade da audácia, para o bem ou para o mal), parte da cultura local. Dos funcionários das empresas aos recrutas da IDF 8200, unidade de elite do exército responsável por desenvolver tecnologia de ponta e maior celeiro de empreendedores do país, todos podem contestar os líderes e desafiar autoridades. Ou seja, os líderes precisam aprender a conviver em um ambiente onde a contestação faz parte da busca pelo sucesso e pelos melhores resultados, uma característica ainda difícil de encontrar nas startups brasileiras.

Outro ponto que atraiu bastante a minha atenção na viagem foi o aguçado senso de comunidade que os Israelenses possuem. Eles sentem um profundo orgulho do ecossistema que criaram e sempre procuram promovê-lo. Não é incomum ver fundadores citando outras empresas e outras pessoas, exaltando as características únicas que fazem o país se destacar.

Durante a semana que estive por lá, visitamos diversas empresas e conversamos com muitos fundadores. É impressionante como o discurso é alinhado. Quase todos repetem os mesmos princípios que guiam a indústria: “conteste tudo”; “pense como uma empresa global”; “trabalhe duro”; “encontre as melhores pessoas” e “não tenha medo de errar e falhar”. Mais do que frases, esses pensamentos estão cristalizados e refletem o senso comum do que é preciso para fazer uma empresa dar certo. São passados de geração a geração de empreendedores e aplicados diariamente.

Então, o que precisamos fazer para mudar a mentalidade no Brasil? Por que nós buscamos tanto a utopia da “estabilidade”? Creio que as respostas para essas perguntas estão na própria comunidade empreendedora do Brasil. Precisamos nos engajar mais, desenvolver um senso de coletivo e nossa própria maneira de construir empresas de sucesso. Esta receita precisa ser comprovada com casos reais de empresas brasileiras e divulgada amplamente com o intuito de influenciar novas gerações de empreendedores.

Esta mudança já está acontecendo, porém ainda não atingimos o tipping point. Ainda precisamos coordenar melhor os diferentes stakeholders: empreendedores, investidores, incubadores e aceleradoras, governo, universidade e grandes empresas. Só a combinação das capacidades de cada um desses grupos permitirá que o Brasil atinja um novo patamar de desenvolvimento da indústria de tecnologia.

Francisco Ferreira, Sócio-fundador da BizCapital, fintech que tem como principal objetivo desburocratizar e tornar mais eficiente o processo de concessão de crédito para o micro e pequeno empreendedor.

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Crédito: Risco ou oportunidade?

Por Daniel Orlean

Se você é empreendedor ou gestor de uma empresa, certamente já passou por aqueles momentos preocupantes em que se questiona se os recursos em caixa serão suficientes para honrar os compromissos empresariais. Por outro lado, também já deve ter imaginado como seria se tivesse mais capital para investir, expandir o negócio e aproveitar oportunidades do mercado.

Em ambos os casos, a busca por crédito por ser uma boa solução. Porém, é comum que alguns empresários ainda vejam o empréstimo como algo negativo e não como uma solução que irá permitir um período de mais tranquilidade para a empresa ou que vá ajudar a alavancá-la em oportunidades de crescimento.

Essa decisão depende de diversos fatores e os principais que devemos analisar com atenção é o momento que a empresa está, e qual será o destino do uso do capital. Por isso, acho que vale uma reflexão importante. Em que situações devemos pedir um empréstimo?

Um dos casos em que se pode pedir crédito é para o capital de giro da empresa. Pegar empréstimo para esse fim é positivo quando o custo de financiar o prazo de pagamento para o cliente é compensado pela margem que aquele negócio traz, bem como pelo valor que o prospect terá para a empresa no médio e longo prazo. Outra razão é manter o estoque de matéria-prima ou de mercadorias que terão saída em um prazo esperado e que permitirão o pagamento das parcelas do empréstimo tomado.

Muitas vezes, para reduzir os custos de operação da empresa é necessário aplicar um capital adiantado, que na maioria dos casos não está disponível para a empresa. Se o grau de segurança que você tem com relação a aproveitar oportunidades como, por exemplo, aumentar eficiência de máquinas, equipamentos, tecnologias e infraestrutura da organização, procurar por um empréstimo pode ser uma solução viável.

Outra possibilidade é trocar dívidas contraídas no passado a juros mais altos ou em produtos menos adequados às necessidades de sua empresa, por linhas de crédito mais apropriadas com o momento da companhia, seja por sua finalidade ou por suas características.

Por fim, acho importante ressaltar que é comum que alguns empresários façam empréstimos sem levar em consideração as atividades e o porte de suas empresas. Nesse caso, tenho a obrigação de dar um alerta – não cometa o mesmo erro! Antes de assinar qualquer empréstimo, pesquise as condições oferecidas e veja se os valores dos juros estão dentro daquilo que você pode arcar no futuro. Boa sorte e bons negócios!

Daniel Orlean é CMO e Sócio-fundador da BizCapital, fintech que tem como principal objetivo desburocratizar e tornar mais eficiente o processo de concessão de crédito para o micro e pequeno empreendedor.

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