Zoop recebe aporte de R$ 60 milhões liderado pela Movile

A Movile, empresa que investe e desenvolve negócios de tecnologia e pessoas, acaba de liderar um novo aporte de R$ 60 milhões na Zoop, fintech líder em tecnologia para serviços financeiros no mercado B2B. Esse é o terceiro investimento da Movile na empresa desde 2018. A Zoop usará a nova rodada de capital para crescer ainda mais a vertical de Fintechs do Grupo, acelerando o lançamento de novas formas de pagamentos digitais, serviços de banking e crédito para seus clientes dentro da sua estrutura segura e certificada. Acompanha o investimento a Darwin Capital.

A Zoop atua nos segmentos de meios de pagamento, “banking as a service” (BaaS) e crédito. Os produtos da plataforma unem tecnologia e conformidade regulatória, permitindo que qualquer empresa – seja ela uma startup, um marketplace ou mesmo uma grande empresa – possa criar e oferecer serviços financeiros, com sua própria marca (white-label), de forma simples, eficiente e segura. A plataforma de tecnologia da Zoop é uma das principais infraestruturas por trás de um número crescente de novas ofertas de fintechs na América Latina hoje.

De acordo com Patrick Hruby, CEO da Movile, a vertical de Fintech hoje é o principal foco de expansão do Grupo. “Enxergamos uma imensa oportunidade nos próximos anos para melhorar os serviços financeiros e permitir um maior acesso para empresas de todos os tamanhos, e queremos garantir que estamos na vanguarda dessa transformação. Especificamente, existe um enorme potencial de crescimento para atender às necessidades de pequenas e médias empresas. Com o novo aporte, fortalecemos ainda mais a oferta de serviços da Zoop, permitindo que seus parceiros ofereçam serviços financeiros mais completos e integrados”, reforça.

Fabiano Cruz, CEO e Cofundador da Zoop, conta que a fintech cresceu o TPV em 140% na comparação com o ano anterior, além de ter atraído mais de 40 novos parceiros durante a pandemia. Ainda destaca o lançamento de vários produtos inovadores, como a vertical de Banking as a Service (ou BaaS), que chega para completar um portfólio de produtos e serviços de meios de pagamento e crédito.

“Acreditamos que qualquer empresa, de qualquer setor, poderá adicionar novas linhas de receita oferecendo conta digital, cartão pré-pago, saques, transferências, pagamento de contas, pagamentos instantâneos (PIX) e uma série de outros produtos e serviços disponíveis na plataforma white-label da Zoop. Queremos que os nossos parceiros de negócio idealizem, incorporem e operem produtos financeiros com a sua própria marca para a sua base de clientes, possibilitando que eles criem, hoje, os serviços financeiros do amanhã. A Zoop está no centro dessa revolução e tem possibilitado o surgimento de milhares de novos negócios em serviços financeiros. Com o aporte da Movile, seguiremos crescendo exponencialmente e desenvolvendo os produtos e serviços disponíveis na nossa plataforma B2B de “fintech as a service”, oferecendo as melhores tecnologias e lidando com todo o arcabouço regulatório para nossos parceiros”, afirma Cruz.

Fundada em 2013, a Zoop tem em sua plataforma mais de 500 parceiros. Além disso, a empresa cresceu quatro vezes o volume total de 2018 e está se preparando para processar 20 bilhões em transações na plataforma em 2020.

Fintechs

A estratégia de Fintechs da Movile está concentrada em três principais ofertas específicas para pequenas e médias empresas: pagamentos, banking e crédito. A Zoop exerce um papel fundamental dentro desse modelo, já que atua como uma plataforma tecnológica para meios de pagamento e serviços financeiros e habilita empresas de tecnologia para varejo, marketplaces e negócios B2B a se tornarem fintechs.

Responsáveis por mais de um terço de todo o capital aportado em startups brasileiras no ano passado, as fintechs captaram cerca de US$ 1 bilhão em 2019, volume quase três vezes maior em relação a 2018. Desde 2015, as startups que inovam no setor financeiro receberam US$ 8 bilhões em aportes, conforme levantamento recente do KoreFusion.

No último ano, a Movile investiu R$ 100 milhões na vertical de Fintech, o valor foi quase o dobro dos R$ 55 milhões investidos em 2018.

next, banco digital do Bradesco, se torna empresa e ganha mais autonomia

A partir de setembro, o next, banco digital criado pelo Bradesco em 2017, passará a funcionar como uma das empresas do conglomerado financeiro da Organização Bradesco, adquirindo maior autonomia e velocidade de gestão e de atuação.

O movimento é parte da estratégia do Bradesco na competição com outros bancos digitais e fintechs, que se torna mais acirrada com a entrada de novos marcos regulatórios como o PIX e o Open Banking, especialmente após a aceleração dos hábitos digitais da população no cenário Covid19 e que intensificou o uso de canais digitais.

Com a mudança, o next será uma empresa de tecnologia, proprietária da plataforma digital que já alcançou mais de 3 milhões de clientes, e atuará também como um correspondente digital, abrindo sua plataforma para oferta de produtos e serviços financeiros e não financeiros do Bradesco e também de terceiros.

“É um movimento natural e evolutivo, à medida que o next tem se tornado cada vez mais uma experiência completa de serviços financeiros. Queremos estar presentes em todos os momentos da jornada de vida dos nossos clientes”, diz Octávio de Lazari Jr, Presidente do Bradesco.

Nos últimos meses, o next agregou em sua plataforma produtos da Bradesco Seguros e da Ágora Investimentos e segue trazendo novas parcerias. A Ágora, que também é uma plataforma aberta de investimentos, comercializa produtos de terceiros.

Recentemente, o next lançou uma conta digital para crianças e adolescentes, o nextjoy, em parceria com a Disney, trazendo os personagens para dentro da experiência para estimular a educação financeira.

Quatro áreas críticas para bancos no mundo pós-pandemia

Por Elias Rogério da Silva, Presidente da Diebold Nixdorf no Brasil

Antes mesmo da pandemia de COVID-19, instituições bancárias de todo o mundo já reconheciam que a adoção de novas tecnologias, como reconhecimento facial, acesso a caixas eletrônicos sem cartão, assistentes virtuais e aplicativos móveis, era uma questão onipresente e indiscutível. Por outro lado, a variedade de caminhos a serem seguidos era tanta que também provocava efeitos colaterais, muitas vezes gerando uma espécie de paralisia na jornada de inovação dos bancos.

De fato, questionamentos como “qual tecnologia é a mais adequada para minha companhia?” ou “como sei se vale a pena investir nessa opção?” sempre foram recorrentes nos processos de evolução das instituições bancárias, permeando todos os planos e projetos para a transformação digital de agências e das estratégias de atendimento.

Mas o cenário mudou, e essas curvas de inovação acabaram sendo completamente aceleradas pela crise aberta pelo coronavírus. As dúvidas tiveram de ser superadas pela urgência do momento. Nesse cenário, aliás, vale destacar que uma das mudanças mais notáveis para combater o impacto da pandemia foi justamente a busca por impulsionar o autoatendimento, com a divulgação de novos canais digitais para comunicação e utilização dos serviços.

A crise do COVID-19, com as demandas por isolamento social, deixará marcas. Ainda assim, porém, ela irá passar. Com isso, a questão que os bancos terão de responder será outra: o que nos espera a seguir? Podemos dizer que as instituições bancárias precisarão concentrar seus focos em quatro áreas críticas:
clientes, estratégia tecnológica, pessoal e roteiro bem definido.
Primeiro, é preciso se atentar em conhecer bem seus clientes. Por exemplo, uma agência bancária no centro de São Paulo provavelmente atende a uma população diferente de uma cooperativa de crédito em uma cidade rural no interior. Em meio à pandemia, os melhores bancos migraram quase 70% dos depósitos de caixa para o autoatendimento, com pouco mais de 50% ocorrendo no caixa eletrônico. Utilizar dados é uma coisa – alavancá-los é outra.

Logo, o primeiro passo é simples: concentre-se em seus clientes e em qual experiência eles valorizam. O que mudou desde a pandemia? Os bancos devem ter acesso a dados para que possam identificar quais atividades estão acontecendo.

Depois de conhecer seus clientes, está na hora de fazer o mesmo com a sua estratégia tecnológica. É importante adaptar processos e comunicar com clareza sobre o ambiente em rápida mudança. Considere avaliar quais serviços serão mais importantes para atrair os clientes para a área digital, especialmente porque o autoatendimento desempenhará um papel fundamental na transição para uma nova interação bancária.

Pesquisas mostram que consumidores que contam com melhor experiência digital acabam utilizando os canais de autoatendimento dos bancos com mais frequência, com os usuários de bancos móveis realizando 25% mais transações por meio deste recurso do que aqueles de bancos não móveis. O entendim ento de quem você está servindo e em que tipo de tecnologia você precisa investir determinará onde fazer suas apostas em tecnologia.

O terceiro passo é investir em seu pessoal. As empresas devem repensar o que esperam de seus funcionários se quiserem minimizar riscos. Uma pesquisa recente da Diebold Nixdorf indica que muitos colaboradores das agências não usam as soluções de tecnologia implementadas pelo banco porque as equipes temem que a promoção desses serviços possa ameaçar seus empregos, ou porque relutam em falar com os clientes sobre esses recursos devido à falta de conhecimento para solucionar possíveis dúvidas ou problemas.

Para contornar esse desafio, os bancos podem adotar diversos métodos para investir em seus funcionários, oferecendo treinamento sobre as opções de autoatendimento. Um caminho é designar membros da equipe com conhecimen to mais profundo em soluções de tecnologia como “embaixadores digitais”, que responderão às perguntas dos usuários e darão suporte a outros colaboradores. A ideia é treinar a equipe para identificar oportunidades de comunicar os benefícios das opções disponíveis.

O quarto ponto é: siga um roteiro bem definido. A retomada real não acontecerá da noite para o dia e exigirá uma abordagem gradual de todos. Os bancos que desejam reabrir suas agências devem considerar algumas coisas importantes: uso da análise para entender a direção dos principais indicadores, como canais digitais, call centers, caixas eletrônicos e filiais; alinhamento com centros de transporte e direcionadores de tráfego do varejo, como supermercados; lobbies de agências maiores para manter o distanciamento social.

Da mesma forma que a implementação da tecnologia não ocorrerá da noite para o dia, o ROI também não será imediato. Definir um roteiro ajuda a estruturar o que os bancos farão no primeiro ano, em comparação aos dois ou três anos seguintes. Esse roteiro deve incluir a tecnologia, além de investimentos nos colaboradores e mudanças em processos.

Com muita frequência, os bancos implementam novas soluções, mas não medem o impacto desses investimentos. Defina metas para a migração de transações no nível das filiais e meça o desempenho comparando-o com as metas. Avalie o uso de novas soluções pelo feedback dos clientes e desenvolva métricas adicionais, conforme necessário. Testar e avaliar novas soluções é fundamental para o sucesso.

Embora ninguém tenha certeza sobre o que é o “Novo Normal”, uma realidade foi comprovada – a mudança pode acontecer instantaneamente. Os bancos precisarão avaliar possíveis resultados e estabelecer iniciativas para se posicionar de forma vantajosa. Em vez de copiar e colar os investimentos em tecnologia de outras empresas, concentre-se em si mesmo porque todo mundo está jogando um jogo diferente.

O impacto da tecnologia nos bancos durante a pandemia do COVID-19

Por Reginaldo Santos

Já faz um tempo que o comportamento das pessoas para consultas e transações financeiras passou a ser digital. De acordo com recente pesquisa da FEBRABAN relacionada ao comportamento financeiro em 2019, o orçamento total que o segmento de tecnologia obteve dos bancos foi de R﹩ 24,6 bilhões, 24% maior do que os R﹩ 19,8 bilhões registrados em 2018. Agora com a pandemia global de COVID-19 uma série de adaptações tecnológicas tornaram-se necessárias para que o setor bancário continue a operar de forma cada vez mais digital. Mas, qual é o verdadeiro impacto da tecnologia nos bancos neste momento tão delicado?

Antes de mais nada, é importante contextualizar e relembrar as iniciativas realizadas pelos bancos neste momento. No que diz respeito aos negócios, as primeiras medidas adotadas foram a criação de linhas de crédito e a prorrogação/renegociação dos contratos vigentes. O impacto recessivo da COVID-19 sobre a economia reduz a inflação e torna o ambiente cada vez mais propício à queda das taxas de juros, cuja tendência de declínio já se apresentava desde antes da crise. Outro aspecto a ser considerado é que, embora tenha havido um crescimento da abertura de novas contas bancárias, grande parte desses clientes não tem perfil de consumo de outros produtos bancários. Logicamente, os bancos terão que tentar capitalizar e fidelizar estes clientes. Desta forma, é necessário que estejam preparados para lidar com este cenário e todas essas questões, especialmente para o risco de perdas, uma vez que inevitavelmente ocorrerão inadimplências.

A resposta para o enfrentamento desta situação passa cada vez mais pela tecnologia, pela digitalização de tudo o que envolve a atividade bancária. Em relação ao atendimento, é extremamente necessário educar o comportamento dos clientes durante o período da crise, ensinando-os e incentivando-os a poupar, direcionando-os para as linhas mais interessantes, entre outros.

No campo dos produtos tornou-se ainda mais importante acelerar o que já estava sendo feito para operacionalizar as vendas e os serviços digitais. De fato, existem bancos mais maduros e outros menos, porém, o caminho do digital foi obrigatoriamente acelerado neste momento. Há questões bem especificas a serem tratadas, como por exemplo, os refinanciamentos que, neste momento, apresentam-se como cruciais. Existem necessidades relacionadas ainda a ajustes no modelo operacional e ao controle de custos, já que investir em soluções que sobreviverão após a pandemia e que continuarão interessantes é sempre o caminho mais estratégico.

Atendimento ao cliente X tecnologias nos bancos

A multiplicação dos canais digitais de atendimento é uma solução já existente, mas deve ser aprimorada. Hoje, diversos bancos já utilizam tecnologias mais avançadas como inteligência artificial e chatbots, para minimizar a necessidade de interação com os atendentes. Os bancos que já nasceram digitais estavam com toda a plataforma tecnológica preparada para o atendimento não presencial. Alguns bancos tradicionais, no entanto, por conta da pandemia tiveram que acelerar a corrida por mudanças em sistemas e procedimentos, inclusive com a reconstrução de suas plataformas de internet banking e mobile banking.

O aumento da demanda por canais digitais reforçou a necessidade do segmento bancário em ampliar e aprimorar os seus recursos, com a implementação de novas tecnologias. A multicanalidade, por exemplo, consiste em oferecer várias formas de acessar os produtos, por meio de canais diferentes. Já o conceito omnichannel, representa oferecer uma ótima experiência ao cliente independentemente do canal pelo qual o cliente entrou e uma resposta padronizada e satisfatória. Além disso, há a continuidade do atendimento. Para o omnichannel, ainda há um caminho a ser perseguido e este é mais um processo no qual os bancos que já nasceram digitais possuem vantagem frente aos bancos tradicionais.

O open banking é outro conceito, mais do que nunca, importante, já que permite que as pessoas levem seus históricos de relacionamento com uma determinada instituição financeira para outra, democratizando o segmento e permitindo uma maior competição no setor. Ou seja, o usuário final terá acesso às suas informações financeiras para compartilhar com a instituição financeira que desejar e com isso buscar melhores taxas e preços, com liberdade ao cliente de diversificar o ambiente e alinhar os serviços financeiros de acordo com os seus interesses.

Desafios da tecnologia nos bancos

É fato que hoje, não ser digital não é uma opção. A digitalização para atender aos clientes é importante e necessária. O desafio é quebrar a mentalidade tradicional, mesmo em um banco que já nasceu 100% digital e entender qual é a real necessidade do cliente. Um exemplo, é a abertura de conta. Muitas vezes, é irrelevante para o cliente se existem ou não pessoas e processos por trás, se ao final ele conseguir abrir sua conta virtualmente. Sendo assim, um processo que ainda não é 100% digital atinge essa necessidade do cliente. Porém, quando olhamos internamente, este banco gastou muito mais do que um banco completamente digital. A pandemia evidenciou que as instituições que estavam mais avançadas nesse processo encontram-se em uma posição mais vantajosa.

Pagamentos instantâneos e open banking

Recentemente, o Banco Central anunciou que o sistema de pagamentos instantâneos (PIX), será gratuito para pessoas físicas. Segundo o BC, o baixo custo para o consumidor é uma questão central do PIX, já que a iniciativa se propõe a ser um meio de pagamento acessível para quem paga e para quem recebe, além de permitir um funcionamento 24×7, simples e sem burocracia. O PIX promete transações seguras com período de liquidação de poucos segundos, sem restrições de datas ou horários. É uma iniciativa que vem ganhando força em outros países e proporciona assim, um ambiente disruptivo e novo no Brasil. O PIX veio para trazer uma experiência mais rápida para o consumidor já que a movimentação financeira é instantânea, diferentemente de uma TED, em que você tem um tempo para a compensação.

Considerando o PIX e o open banking, onde os dados passam a estar disponíveis, está mais fácil criar um negócio novo hoje no setor financeiro do que há dois anos, por exemplo. O PIX e o open banking permitirão a inclusão de mais pessoas nesse universo financeiro, sendo uma excelente oportunidade para oferecer serviços diferenciados. Até 2010, o mercado financeiro no Brasil era fechado e reduzido a um pequeno número de instituições. Após essa abertura, empresas focaram em inovação e apostaram em tecnologia para criação de produtos e soluções para as Instituições de Pagamentos – IP. Embora sejam muito semelhantes aos bancos tradicionais, especializados em intermediar o dinheiro investido e empréstimos, as IPs viabilizam serviços de pagamento e cobrança e movimentação de recursos, diferenciados dos bancos.

Por todos estes aspectos mencionados, o forte impacto da COVID-19 no setor bancário acentuou ainda mais a busca por soluções tecnológicas. O desafio imposto pela pandemia escancarou a importância e a urgência em investir em tecnologias que mantenham e promovam a relevância das instituições financeiras.

Reginaldo Santos, Diretor Executivo da Provider IT

Clientes pessoas físicas fizeram 74% das transações bancárias pelos canais digitais em abril

As transações bancárias feitas por pessoas físicas pelos canais digitais – internet e mobile banking – foram responsáveis por 74% do total de operações analisadas em abril, um mês após o início da quarentena e das medidas de isolamento social para combate ao Covid-19 em grande parte do país. O resultado representou um aumento de 10 pontos percentuais em relação a janeiro e foi impulsionado pelo uso intenso dos smartphones. Os celulares, sozinhos, representaram 67% das transações analisadas neste mês.

Os dados estão no capítulo “O impacto da Covid-19 nas transações”, da Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2020, feita em parceria com a consultoria Deloitte. O levantamento foi divulgado hoje (23/9) no CIAB FEBRABAN Live 2020 durante o painel “Prontidão em tempos de disrupturas”. No recorte feito especialmente para retratar as transações nos quatro primeiros meses do ano foram consideradas as seguintes operações: saldos, transferências, contratação de crédito, consulta de investimentos, depósitos, pagamentos de contas, saques e recarga de celular.

De acordo com a pesquisa, entre janeiro e abril de 2020, o volume de transações feitas por pessoas físicas nos canais digitais cresceu 19%. Somente no mobile banking, a alta foi de 22%. O levantamento também revelou que, no mesmo período, as operações bancárias caíram 53% nas agências. Nos ATMs, a queda foi de 19%.

“As últimas edições da nossa pesquisa de tecnologia têm revelado uma mudança de comportamento do consumidor, que cada vez mais se torna mais digital em suas operações do dia a dia”, avalia Gustavo Fosse, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da FEBRABAN. De acordo com Fosse, a pandemia do Covid-19 impulsionou a digitalização em todos os setores da economia, e com os bancos não foi diferente. “Entretanto, nossos clientes já elegeram, desde 2015, os meios digitais como os preferidos para suas transações, reflexo da praticidade de uso, da segurança e da conveniência oferecidas por estes canais.”

Na semana passada foram divulgados à imprensa os dados da pesquisa relativos à 2019. Hoje, a apresentação das informações inéditas do estudo, também revelou que a comparação entre a média mensal de 2019 e o último mês de abril mostrou um expressivo crescimento nas transações com movimentação financeira no mobile banking: a consulta de investimentos teve alta de 105%; contratação de crédito (+61%); pagamentos (+33%) e transferências (+24%).

Entre janeiro e abril deste ano, as interações dos clientes com os seus bancos por meio de chatbots registraram um crescimento de 78% e a quantidade de atendimentos nos contact centers cresceu quase 7 milhões no período – passando de 123,2 milhões para 130 milhões.

Executivos entrevistados

O recorte examinado, que trata das análises de transações financeiras no mês de abril, representa a visão de 16 bancos que responderam ao questionário. Já a pesquisa completa, que pode ser encontrada por meio deste link, traz os dados de 22 bancos que responderam o questionário, o que representa 90% dos ativos dessa indústria no Brasil.

Além do preenchimento dos formulários, dez executivos da área de tecnologia bancária concederam entrevistas para a edição de 2020 da pesquisa (tendo como ano-base 2019), informa Sérgio Biagini, sócio-líder da Deloitte para a indústria de Serviços Financeiros no Brasil.

O painel realizado hoje no CIAB FEBRABAN LIVE também revelou que entre as novas tecnologias que demandam investimentos dos bancos estão inteligência artificial (IA), RPA (Automação Robótica de Processos, na sigla em português), blockchain e internet das coisas. “As prioridades de investimentos para inteligência artificial estão nas áreas de atendimento ao cliente, contratação de crédito, biometria, robôs e jurídica”, afirma Biagni.

De acordo com ele, o atual levantamento também mostrou que os bancos já estão se preparando para o open banking, que começará a ser implementado a partir de novembro no Brasil. O sistema cria novos modelos de negócios com o uso de APIs (interfaces de programação de aplicações, em português), que permitem ao cliente visualizar, no aplicativo de banco, todas as contas, investimentos, serviços e produtos contratados que tenha, tanto do próprio banco, como em outras instituições. Segundo o estudo, 90% dos bancos já têm APIs.

A íntegra da Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2020 (ano-base 2019) completa está disponível em:

Site da FEBRABAN: http://portal.febraban.org.br/pagina/3106/48/pt-br/pesquisa

Investimentos de bancos com tecnologia crescem 48% em 2019 e orçamento total chega a R﹩ 24,6 bilhões

Os investimentos feitos pelo setor bancário em tecnologia em 2019 cresceram 48% em relação ao ano anterior, e o orçamento total chegou a R﹩ 24,6 bilhões, somados aos gastos do setor em TI, que tiveram alta de 14%, revelou a Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2020 (ano-base 2019), divulgada hoje. Os investimentos passaram de R﹩ 5,8 bilhões para R﹩ 8,6 bilhões, enquanto as despesas cresceram de R﹩ 14 bilhões para R﹩ 16 bilhões.

O estudo, realizado pela Deloitte, mostrou que, assim como nos anos anteriores, as despesas e investimentos em software estiveram no centro das atenções das instituições financeiras e somaram R﹩ 13,2 bilhões, ou 54% do total. O resultado reforça o compromisso da indústria bancária no desenvolvimento de novas funcionalidades em serviços e produtos.

“Os bancos brasileiros sempre funcionaram como um importante indutor em inovações no país. A crise impulsionou a digitalização dentro e fora das instituições financeiras, mas já estávamos preparados e queremos continuar ajudando o cliente a criar um DNA digital que lhe permita ter acesso a serviços com maior valor agregado, mais eficiência e redução de custos”, avalia Isaac Sidney, presidente da FEBRABAN.

“O histórico de investimentos dos bancos em TI, aliado ao crescimento do uso dos canais digitais nos últimos cinco anos, foram fundamentais para que, neste momento de pandemia, nossos clientes tivessem a opção de fazer praticamente todas as transações financeiras de forma segura em suas casas, evitando, assim, aglomerações”, destaca Isaac Sidney.

A Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária também revelou que as transações bancárias cresceram 11% em 2019, registrando 89,9 bilhões de operações. Deste total, 39,4 bilhões, ou 44% do total, correspondem a operações feitas pelo mobile banking, que a cada ano vem ganhando a preferência do consumidor brasileiro para suas transações financeiras.

“O mobile banking transformou-se em uma expressiva porta de entrada para a inclusão financeira de milhões de brasileiros pela possibilidade de carregar no bolso e acessar, em qualquer hora ou local, serviços antes restritos a agências bancárias”, afirma Gustavo Fosse, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da FEBRABAN.

De acordo com o levantamento, as operações com movimentação financeira no smarthphone tiveram alta de 41% no ano passado em relação a 2018. Na comparação anual, o mobile banking mostrou significativo avanço em todas as transações pesquisadas: contratação de investimento (alta de 114%); tomada de crédito (+47%); transferências, DOCs e TEDs (+43%); pagamento de contas (+39%). A pesquisa também revelou que a contratação de seguros por celular cresceu 133%, enquanto os depósitos virtuais mostram alta de 327% nesse canal .

O cliente do mobile banking faz login no banco 23 vezes por mês, sendo que os chamados heavy users – usuários que fazem mais de 80% das transações em um único canal – visitam seu banco 40 vezes, na média mensal. Já as contas abertas pelo smartphone cresceram 66% em 2019, na comparação ao ano anterior, totalizando 6,5 milhões.

As últimas edições da Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária têm revelado uma mudança de comportamento do consumidor. Hoje, 63% das operações bancárias são feitas pelos meios digitais – internet banking e mobile banking -, percentual que era de 46% em 2014. Atualmente, praticamente todas as operações bancárias podem ser feitas de forma eletrônica.

Metodologia

A Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária foi feita com 22 bancos, que representam 90% dos ativos da indústria bancária. O estudo, já em sua 28ª edição, traz uma radiografia e tendências do comportamento do setor financeiro no que se refere aos investimentos e uso da tecnologia, bem como a relação dos consumidores com os canais de atendimento.

Neste ano, o levantamento também ouviu executivos dos bancos brasileiros. “A coleta de dados se deu em uma fase quantitativa, via formulário, e outra qualitativa, com entrevistas mais aprofundadas. Além dos 22 bancos que responderam o questionário, o que representa 90% dos ativos dessa indústria no Brasil, 10 executivos da área de tecnologia bancária concederam as entrevistas para a edição de 2020 da pesquisa”, analisa Sérgio Biagini, sócio-líder da Deloitte para a indústria de Serviços Financeiros no Brasil.

Entre os resultados da pesquisa, Biagini também destaca que que os bancos investiram R﹩ 107,3 milhões com treinamentos no ano passado, que atingiram 146 mil pessoas, totalizando 1,7 milhão de horas. “Os bancos continuam a investir fortemente na formação de seus times, que conduzem a transformação digital do setor . ”

As fintechs são um sucesso no B2C. Mas e no B2B?

Por Eduardo Neubern, diretor executivo da TOTVS Techfin

Já é sabido que as fintechs ganharam força e popularidade no mercado nos últimos tempos. O acesso a serviços financeiros atrelados a tecnologia tem sido democratizado em ritmo impressionante. A popularização das fintechs fez com que os bancos se mobilizassem, mas também mexeu com empresas de outros segmentos, como entregas, transporte e e-commerce, por exemplo, que buscaram alternativas para pleitear o mesmo espaço.

Hoje, já não se sabe mais com exatidão quem concorre diretamente com quem. Os bancos passaram a concorrer com empresas de tecnologia e vice versa. O que abre um caminho bastante interessante, com diversificação de ofertas para os clientes, que agora podem contar com uma variedade enorme de soluções inovadoras para serviços como transações comerciais, crédito consignado, antecipação de recebíveis, pagamentos online, cartões virtuais, entre outros. Com as fronteiras entre setores cada vez mais cinzentas quem sai ganhando é o cliente, que passa a ter mais opções e experiências de uso muito mais fluidas e relevantes.

Diante desse cenário, é nítido que as fintechs já são um sucesso de público e renda no mercado B2C. Mas e no B2B? Hoje, soluções que facilitam o acesso de empresas a serviços financeiros personalizados estão ganhando cada vez mais espaço. Segundo dados de uma pesquisa do Sebrae, em parceria com a ABFintechs, as PMEs já são 30% da base de clientes de 45% das fintechs entrevistadas. Ou seja, o mercado B2B está cada vez mais relevante para as fintechs. Um fenômeno natural uma vez que a tecnologia pode e deve ser usada para melhorar, simplificar e baratear o acesso das empresas a serviços financeiros.

As novas tecnologias que desafiam os modelos tradicionais trazem, certamente, uma enorme vantagem competitiva às fintechs e techfins. Usufruindo de recursos como computação em nuvem, inteligência artificial, internet das coisas, distribuição e atendimento digital, entre outros, as soluções dessas empresas passam a brigar de igual para igual com os grandes bancos, que, por sua vez, passam a repensar seus modelos de negócios a partir do momento em que as taxas e prazos das fintechs tornam-se vantajosos aos clientes.

É também muito importante ressaltar que essa competição transversal não deve ser maléfica para ninguém. É quase unânime o discurso por parte dos grandes bancos de que as fintechs não são uma ameaça, mas sim um incentivo para se moldarem a essa transformação do setor financeiro. E os clientes são os grandes beneficiados disso tudo, podendo desfrutar dessa evolução mercadológica no mercado B2C e também no B2B!

World FinTech Report 2020: colaboração das FinTechs é ainda mais essencial para que os bancos atinjam o foco no cliente neste momento

A Capgemini e a Efma publicaram o World FinTech Report 2020, revelando que, apesar de um abismo crescente entre bancos tradicionais de um lado e as BigTechs e bancos desafiadores do outro, as empresas financeiras tradicionais têm uma oportunidade de prosperar no mercado atual ao abraçar o Open X (*1) e tornaram-se bancos inovadores (*2).

A diferença entre o que os clientes esperam e o que os bancos tradicionais atualmente entregam nunca foi tão grande, mas agora é o momento certo para os bancos acompanharem do front ao back-end para oferecer a melhor experiência ao cliente. Com experiências hiper personalizadas e alimentadas por dados em tempo real, tanto BigTechs como os bancos desafiadores demonstraram sua capacidade de conquistar clientes. Por outro lado, embora os bancos tradicionais tenham investido pesadamente na infraestrutura de TI de front-end para melhorar a experiência do cliente, os esforços até o momento não se ajustaram ao que se tornou habitual em outros setores, especialmente com fornecedores de tecnologia. Para que os bancos permaneçam atraentes e competitivos nesse cenário de mudanças, o relatório destaca que eles devem se transformar em bancos inovadores, ágeis e centrados no cliente, adotando o Open X e assumindo um papel especializado, em vez de universal, como fornecedor ou agregador dentro do novo ecossistema aberto.

O caminho a seguir: colaboração estruturada eficaz é essencial para o sucesso de parcerias entre bancos e FinTechs

Bancos e FinTechs estão atualmente frustrados com os resultados sem brilho de suas colaborações até o momento. O World FinTech Report 2020 revelou vários pontos negativos:

– Apenas 21% dos bancos dizem que seus sistemas são ágeis o suficiente para colaboração;
– Apenas 6% dos bancos alcançaram o ROI desejado com a colaboração;
– 70% das FinTechs não vêem, nos campos cultural ou organizacional, o mesmo que seus parceiros bancários;
– Mais de 70% das FinTechs dizem estar frustrados com as barreiras de processo dos bancos;
– Metade dos executivos das FinTechs afirma que não encontrou o parceiro colaborativo certo.

“O mundo mudou dramaticamente nos últimos dois meses. As empresas evoluirão e emergirão da crise do COVID-19 de maneiras diferentes e profundas. Para os bancos tradicionais, isso se traduzirá em uma necessidade ainda maior de experiência digital por meio de mais colaboração com a FinTechs. Desde que começamos este relatório, há 3 anos, as FinTechs passaram de disruptores para players maduros, e agora é essencial que os bancos históricos os considerem não apenas como concorrentes formidáveis, mas como parceiros de escolha necessários para atender às mudanças nas expectativas dos consumidores”, comenta Anirban Bose, CEO dos Serviços Financeiros da Capgemini e Membro do Conselho Executivo do Grupo. “A colaboração eficaz exige maturidade de pessoas, negócios e processos. Embora, para os bancos tradicionais, o fracasso não seja uma opção, as FinTechs são rápidas no mercado e estão prontos para o fracasso. Bancos inovadores com vontade e capacidade de colaborar em escala e “industrializar” a inovação provavelmente prosperarão no ecossistema compartilhado do Open X”.

Os bancos tradicionais devem investir em operações de middle e back-end para oferecer uma melhor experiência ao cliente

De acordo com o World FinTech Report 2020, para permanecer competitivo e apelar para os consumidores, os bancos devem priorizar a transformação do middle e back-end por meio de parcerias centradas em dados e no cliente com as FinTechs, o que acabará por melhorar também o front-end. Embora o investimento geral em novos desenvolvimentos de TI (vs. manutenção) tenha aumentado de 24% em 2016 para 33% em 2019, as operações de middle e back-end continuam baseadas em processos de negócios complexos e frequentemente manuais, levando a uma experiência fragmentada do cliente.

O relatório destacou que a experiência de última milha do front-end – por exemplo, embalagem e entrega de produtos aos clientes – está atualmente perdendo a marca, resultando em insatisfação dos clientes, pois sentem que não recebem um relacionamento personalizado do banco (50%) e não pode fazer pagamentos por débito direto em vários sites comerciais (60%). Enquanto isso, 48% dos clientes da nova era (geração Y e especialista em tecnologia) ficam frustrados com a estreita gama de produtos e serviços oferecidos pelo banco tradicional principal, impulsionando-os a mudar no próximo ano para players da nova era, à medida que procuram serviços que correspondam às suas preferências e se integrem a outras plataformas/aplicativos. Melhorar toda a cadeia de valor, do início ao fim, é essencial para ingressar na onda Open X e melhorar o crescimento dos lucros e resultados, aumentar a produtividade, aprimorar o envolvimento do cliente, reduzir custos, aumentar a transparência e aumentar a satisfação dos funcionários.

Bancos e FinTechs que priorizam a colaboração eficaz prosperarão na economia de compartilhamento do Open X

O “Open X Readiness Index”, da Capgemini, é uma ferramenta de benchmarking global que mede a prontidão dos bancos para colaborar efetivamente em escala com as Startups, medindo sua maturidade nos pilares de pessoas, finanças, negócios e tecnologia. Apresentado no World FinTech Report 2020, o índice mostra que os principais bancos colaborativos são aqueles com uma equipe de parceria de inicialização autônoma e dedicada e que demonstram uma abordagem inovadora à prova de falhas para determinar valor e reduzir perdas rapidamente. Os pioneiros de prontidão também são pioneiros no investimento em tecnologias emergentes e têm pouca dependência de sistemas legados, facilitando a integração com as FinTechs.

“Os bancos tradicionais estão em um momento crítico. Eles devem abraçar o Open X ou correr o risco de se tornar irrelevantes “, disse John Berry, CEO da Efma. “Para acompanhar as constantes mudanças nas expectativas dos clientes no mercado de hoje, os bancos existentes devem se transformar em bancos inovadores com o apoio colaborativo de parceiros qualificados da FinTech”.

Metodologia do relatório

O Relatório Mundial FinTech 2020 baseia-se em informações de pesquisa das Entrevistas Executivas Globais de 2020 da FinTech e do Índice Capgemini Open X Readiness.

Entrevistas globais de executivos FinTech 2020

A edição 2020 do relatório inclui informações de entrevistas focadas com executivos seniores de bancos líderes de todas as regiões.

Capgemini’s Open X Readiness Index

O Open X Readiness Index da Capgemini avalia bancos com base em 98 pontos de dados para avaliar sua prontidão de colaboração em quatro pilares: Pessoas, Finanças, Negócios e Tecnologia. Cada parâmetro recebeu uma ponderação apropriada e as pontuações finais foram mapeadas em um gráfico de dispersão (rebatizando a pontuação em 100). A visão dos bancos sobre a prontidão da colaboração é representada no eixo X, enquanto o eixo Y representa o sucesso da colaboração do banco.

Brasil é um dos países com mais acessos a aplicativos financeiros no mundo, aponta relatório

O ano de 2019 foi extremamente positivo para os aplicativos financeiros em todo o mundo. Com a digitalização dos bancos e o crescimento das fintechs e carteiras digitais, esse tipo de app se tornou cada vez mais presente no dia a dia das pessoas, e o número de acessos a eles superou a marca de 1 trilhão no ano passado. É o que aponta o novo relatório Mobile Finance Apps , da Liftoff, líder global em marketing e retargeting de aplicativos, realizado em parceria com a App Annie.

A pesquisa analisou 117 apps nos 12 mercados mais importantes do mundo entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2019. Foram contabilizadas 22 bilhões de impressões, 382 milhões de cliques e 7 milhões de instalações.

Com mais de 550 fintechs em atividade, o Brasil registrou o terceiro maior número de acessos a apps financeiros no ano passado, atrás apenas de China e Índia, e à frente de países como Estados Unidos e Rússia.

O Nubank, que chegou à marca de 15 milhões de clientes em outubro do ano passado, foi o aplicativo de finanças mais acessado no Brasil em 2019. Os apps do FGTS e da Caixa Econômica e as carteiras digitais PicPay e Mercado Pago completam o top 5 brasileiro.

“O Brasil vem se mostrando um terreno muito fértil para fintechs e outras alternativas mais tecnológicas e menos burocráticas para cuidar do dinheiro. Nesse sentido, os aplicativos de finanças têm tudo para continuar crescendo e se consolidando no país, tanto os bancos mais modernos e 100% digitais, quanto os mais tradicionais”, afirma Antonio Affonseca, country manager da Liftoff no Brasil.

O relatório também mostra que as fintechs tiveram vantagem em relação aos bancos tradicionais no número de pessoas engajadas em seus aplicativos. A base de usuários dos apps de instituições financeiras digitais cresceu 20%, contra 15% dos bancos.

Covid-19

O uso de aplicativos móveis cresceu em praticamente todos os países analisados de março para cá, quando a pandemia da Covid-19 obrigou governos a decretarem quarentena ou incentivarem as pessoas a ficarem em casa. No Brasil, houve um crescimento de 35% no número de horas gastas em apps financeiros durante a primeira semana de março em relação à última semana do ano. Na Coreia do Sul e no Japão, esse crescimento foi de 85%.

“Durante esse período de pandemia, é natural que as pessoas acessem mais os apps financeiros, já que agências bancárias estão fechadas. O auxílio emergencial do Governo Federal também exige um registro que pode ser feito via aplicativo, e isso deve aumentar ainda mais a movimentação nessas aplicações”, analisa Antonio Affonseca.

Do dinheiro físico ao banco digital: o novo paradigma na América Latina

Por Edgardo Torres Caballero

Somos protagonistas da quarta revolução industrial, que chegou com força ao mercado de serviços financeiros. Estes, por sua vez, nos levam a uma nova tendência: a da economia digital.

A democratização dos serviços financeiros vem ocorrendo através da tecnologia. Somente através dela poderemos proporcionar inclusão financeira e acesso a serviços bancários para um maior número de cidadãos. A tecnologia atual oferece infinitas opções para fornecer novas experiências, capacitar usuários e situar socialmente uma instituição. Atualmente, através do celular, podemos efetuar pagamentos on-line e transações financeiras, permitindo o acesso ao banco sem distinção de categoria social.

Cerca de dois anos atrás, em abril de 2018, a GSMA apresentou a certificação de dinheiro móvel (GSMA Mobile Money Certification). Trata-se de um programa global para oferecer serviços financeiros mais seguros, transparentes e resilientes a milhões de usuários em todo o mundo. Segundo a organização, globalmente, o número de clientes que já utilizam serviços certificados chega a 114 milhões.

No Caribe e na América Latina já são mais de 21 milhões de contas cadastradas em 17 mercados, e Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Panamá e Peru se destacam no uso do dinheiro eletrônico, segundo a GSMA.

Além disso, serviços como o Apple Pay Cash oferecem envio e recebimento de dinheiro de usuário para usuário sem a participação de intermediários financeiros. Essas transações são feitas graças a um cartão virtual associado aos produtos instalados no Google Wallet. Para completar o cenário, as moedas eletrônicas, que ganharam popularidade com o advento das Bitcoins, também conquistaram seu espaço.

E a América Latina vem surfando essa onda. A modernização é observada na região, aumentando em média 50% nos últimos dois anos, especialmente em El Salvador, Honduras e Paraguai. Estes países estão entre os 15 principais mercados mundiais em relação à proporção de cidadãos que usam ativamente serviços de dinheiro digital.

De acordo com pesquisas de mercado, em março de 2018, 91% dos usuários de Internet na União Europeia acessaram um site ou usaram um aplicativo mobile de serviços financeiros. E os serviços bancários online foram utilizados por 70% dos usuários da Internet. Em comparação com outras indústrias, o setor bancário está adotando com sucesso as tecnologias móveis. (1)

Composable banking

Atualmente, fornecedores de TI conseguem garantir este processo de transformação do setor financeiro, não só com os bancos tradicionais, mas também com os novos bancos, os bancos digitais. Um caminho para isso é a adoção de um conceito chamado composable banking, na verdade uma nova abordagem que prevê o desenvolvimento e a prestação de serviços financeiros baseados na montagem rápida e flexível de sistemas independentes. Ela tem ajudado instituições tradicionais a oferecer novas experiências aos seus clientes, competir com as fintechs e responder a esta necessidade de mudança, sem abrir mão de seus ativos construídos ao longo de décadas.

Reduzir o uso de dinheiro físico a partir da maior adoção das transações digitais é um dos objetivos perseguidos no mundo. Assim como é a redução do uso de papel e de papel-moeda, uma meta para os mercados que querem ser sustentáveis. Na Suécia, por exemplo, apenas 5% das compras no varejo são feitas com dinheiro em papel. A Índia também reduziu expressivamente a emissão de papel-moeda.

A mudança para um banco cada vez mais tecnológico e inclusivo está a caminho – e anda a passos largos. As instituições precisam aproveitar as vantagens que a tecnologia oferece para enfrentar os desafios da nova economia digital.

Este ano, a implantação das redes 5G ganhará força nos Estados Unidos, China, Reino Unido, Japão e Coréia do Sul. Na América Latina, segundo a GSMA, o primeiro país a ter esta tecnologia será o México em 2020. E o Brasil deve iniciar os serviços em 5G também em breve. As novas redes otimizarão o desempenho das comunicações e haverá mais dispositivos conectados à Internet, que serão a chave para a explosão de novos serviços, como IoT, pagamentos mobile, inteligência artificial e cidades inteligentes.

E o dinheiro digital também deve ser desenvolvido. Evidentemente, os avanços tecnológicos promoverão o desenvolvimento da economia digital na América Latina.

É por esta razão que a indústria financeira deve avançar na reconfiguração de uma arquitetura para auxiliar a “Quarta Revolução Industrial”, o setor financeiro reconverter seus serviços e produtos para o novo consumidor, juntamente com o setor de tecnologia com serviços em nuvem, API e plataformas robustas e seguras. Assim – e só assim – alcançaremos a “revolução digital e social”.

Edgardo Torres Caballero, diretor geral da Mambu Américas

(1) Fonte: ComScore

Matera anuncia investimento de R$ 100 milhões da Kinea Private Equity

A Matera, empresa de tecnologia líder em soluções de TI para o mercado financeiro, gestão de risco e varejo, receberá um aporte no valor de R﹩ 100 milhões da Kinea Private Equity, uma plataforma independente de gestão de investimentos e um dos principais fundos de investimento de private equity do país. O investimento, feito via aquisição de participação minoritária na companhia, tem como objetivo acelerar o crescimento da Matera nos mercados locais e internacionais. A companhia continua a ser controlada pelos sócios fundadores.

“O investimento da Kinea será utilizado na expansão da companhia, aproveitando o excelente momento do mercado que está em plena transformação, em especial com o lançamento das redes de pagamentos instantâneos pelo Banco Central do Brasil e pelo FedNow nos EUA. É a “Internet das Contas” emergindo para beneficiar a população. Os atuais clientes também serão beneficiados com a evolução das nossas soluções.”, afirma o cofundador e CEO da Matera, Carlos Netto. “Receber esse investimento de um fundo como a Kinea é muito gratificante para nós e mostra que estamos no caminho certo”.

Com mais de 30 anos de história, e o compromisso de inovar sempre, a Matera conquistou mais de uma centena de clientes dentre bancos tradicionais, bancos digitais, fintechs e grandes varejistas. Com uma enorme vontade de criar o futuro, a Matera desenvolve soluções e constrói parcerias que vem promovendo uma transformação no mercado financeiro, ajudando a viabilizar novos modelos de negócio e a democratização do acesso a serviços financeiros, sendo referência no Brasil e no exterior.

“O posicionamento diferenciado da Companhia, combinado com a transformação trazida pelas novas tecnologias, tais como pagamento instantâneo e open banking, permitirá alavancar as ofertas de produtos da Matera em novos mercados e clientes, acelerando o crescimento da Companhia e o desenvolvimento do próprio mercado, afirma o diretor da Kinea Private Equity, Eduardo Marrachine.

A conclusão da transação está condicionada ao cumprimento de determinadas condições precedentes, incluindo a aprovação dos órgãos reguladores.

A Vinci Partners e o Freitas Leite foram os assessores financeiro e jurídico exclusivos dos sócios da Matera e da companhia nesta transação, e o Machado Meyer foi o assessor jurídico da Kinea Private Equity.

Confira a agenda de tecnologia dos bancos para 2020

Sistema de Pagamentos Instantâneos e início da adoção do Open Banking são destaques da agenda de tecnologia dos bancos; conheça também as inovações que devem decolar em breve nas instituições financeiras

Entre os principais destaques da agenda de tecnologia do setor financeiro para o próximo ano estão o começo da adoção do Open Banking no Brasil, a partir do segundo semestre, e o início, em novembro, da operação do sistema de Pagamentos Instantâneos, que permitirá enviar e receber dinheiro durante 24 horas por dia, 7 dias por semana em até 10 segundos.

Para padronizar e organizar a plataforma de pagamentos instantâneos, em um ambiente de segurança e comodidade para os clientes, as instituições financeiras investem em infraestrutura, tecnologia e discussões técnicas. E tem levado propostas e recomendações ao Banco Central para a criação do ecossistema do Open Banking, de maneira a garantir sua segurança, financiamento adequado e confiabilidade.

Adicionalmente, para o próximo ano, investimentos em tecnologias como inteligência artificial, big data, internet das coisas e biometria prometem mudar de forma significativa os modelos operacionais e de negócios dos bancos, e devem trazer mais produtos e soluções bancárias inovadores.

“Para fazer frente às inovações e manter de pé uma estrutura que atenda a milhares de brasileiros, o setor bancário brasileiro vem investindo anualmente cerca de R﹩ 19,5 bilhões em tecnologia”, afirma Gustavo Fosse, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da FEBRABAN. “O montante é um reflexo do esforço das instituições para continuar sempre acompanhando a evolução da tecnologia.”

Conheça abaixo o que estará no radar e na agenda dos bancos brasileiros em 2020:

Sistema de Pagamentos Instantâneos

Enviar e receber dinheiro em menos de 10 segundos, durante 24 horas por dia, sete dias por semana, será possível no país a partir de novembro de 2020, quando está prevista a implementação do ecossistema de pagamentos instantâneos no Brasil. As instituições financeiras já estão se preparando para aderir ao sistema e investem em infraestrutura, tecnologia e discussões técnicas para padronizar e organizar uma plataforma de pagamentos instantâneos dentro de um ambiente de segurança para os clientes.

“A nossa meta é fazer com que uma transação realizada pelo sistema de pagamento instantâneo leve até, no máximo, 10 segundos”, afirma Leandro Vilain, diretor de Negócios e Operações da FEBRABAN. Hoje, 95% das TEDs acontecem geralmente em até 5 minutos, apesar de o prazo estabelecido na regulação ser de até 30 minutos.”

A partir de fevereiro de 2020, estará disponível, no Banco Central, o ambiente de testes de conectividade com as potenciais instituições participantes. Em junho, todas as instituições iniciam os primeiros testes relacionados à implementação do sistema de pagamentos instantâneos.

Open Banking

O sistema de Open Banking cria novos modelos de negócios digitais com o uso de APIs (interfaces de programação de aplicações). O modelo permite aos clientes compartilhar o acesso aos seus dados financeiros com provedores terceiros não-bancários, que podem usar esses dados para oferecer ao consumidor uma melhor experiência com serviços financeiros.

Em novembro, o Banco Central pôs a proposta de Open Banking em consulta pública até 30 de janeiro de 2020. A edição da regulação está prevista para o primeiro semestre, e o início da implementação deverá começar no segundo semestre, segundo o Bacen.

Para Fernando Freitas, superintendente-executivo do Departamento de Pesquisa de Inovação do Bradesco, o Open Banking impacta, praticamente, todas as áreas do banco. “Nesse cenário, o open banking pode permitir a construções de novos serviços financeiros e não financeiros como onboarding e validação de identidade.”

Big Data e Fast Data

O potencial do Big Data e das ferramentas para análise de dados, chamadas de Analytics, já permitem que as instituições reduzam seus custos e exposição a riscos, e conheçam melhor seus clientes.

Entretanto, o desenvolvimento e a expansão dos negócios nos bancos em áreas como IoT (internet das coisas) fizeram com que as instituições priorizem, agora, casos de uso de fast data e streaming (dados gerados em tempo real) que permitem interceptar, interpretar e responder a eventos em interações dos clientes com os canais de atendimento do banco com muito mais velocidade.

“Trata-se de uma nova fase em Big Data, em que a instantaneidade é o novo normal”, diz Richard Flávio da Silva, superintendente-executivo de Tecnologia do Santander. “Em uma sociedade em que os desejos são para o ‘agora’, vemos muito valor na capacidade de dialogar com os clientes no que chamamos ‘momento zero’, o instante mais próximo possível do tempo real.”

Inteligência artificial (IA)

A Inteligência Artificial (IA) ainda continuará revolucionando o atendimento bancário, por meio de chatbots e assistentes virtuais. Aqui, os robôs são dotados da capacidade de “pensar” como seres humanos, o que inclui a prática de raciocinar e tomar decisões a partir do cruzamento de dados. Com isso, ajudam a tirar dúvidas, dar informações e auxiliar em consultas e até sugerir investimentos.

“Agora, a bola da vez é o atendimento por voz, serviço que se expandirá nos bancos em 2020”, afirma Gustavo Fosse, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da FEBRABAN e também diretor de Tecnologia do Banco do Brasil.

O uso da tecnologia também avançará no processo de onboarding (abertura de contas) digital, reconhecimento de imagens, reconhecimento de assinaturas em cheques, financiamentos, modelos de risco de crédito, e em áreas como a de recursos humanos e na jurídica, para leitura de contratos e pareceres.

5G e internet das coisas

A internet das coisas (IoT) ganhará ainda mais importância na estratégia de negócios das instituições financeiras com a chegada da rede 5G, já que essa tecnologia deve impulsionar o uso massivo de IoT e a oferta de produtos e serviços inovadores.

Segundo previsão do Gartner, 14,2 bilhões de equipamentos conectados estarão em uso até o final de 2019, e esse total chegará a 25 bilhões de dispositivos até 2021, produzindo cada vez mais um imenso volume de informações.

O 5G promete elevar a comunicação móvel a um novo patamar. Além de maior velocidade (de até 1,5 Gbps de downlink – transmissão via satélite), cerca de 20 vezes mais rápida, e baixa latência (quanto mais baixa a latência, melhor a qualidade da transmissão), a tecnologia será capaz de conectar dez vezes mais dispositivos que as redes sem fio 4G. Neste mês, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) adiou a aprovação da proposta de edital para leilão de frequências 5G, que ficará para 2020, e o leilão poderá ficar para o início de 2021.

Biometria

Formas alternativas de biometria continuarão a avançar nas instituições financeiras em 2020. A biometria digital, ou pela palma da mão, já é velha conhecida dos clientes bancários brasileiros nos terminais de autoatendimento. As biometrias de voz e a facial, já estudadas por grandes instituições, deverão, em breve, ser usada em larga escala pelos clientes bancários.

“A biometria garante que é você mesmo que está fazendo a transação bancária, trazendo unicidade e veracidade para a operação”, diz Walter Faria, diretor-adjunto de Operações da FEBRABAN.

Os bancos também investem na biometria comportamental, para poder autenticar o cliente o tempo todo sem que ele seja incomodado. As instituições investigam aspectos cognitivos e ações adotadas pelos usuários, como, por exemplo, padrão de rolagem de tela e movimentação do mouse.

Os estudos com biometria comportamental crescem para atender diversos setores que precisam de tecnologias para reconhecimento, identificação e controle de acesso. “Nos EUA, o Pentágono já está estudando a biometria de batimento cardíaco; se esta tecnologia se mostrar viável no futuro, nada impede que seja usada no setor financeiro”, afirma Faria.

RPA

Os robôs não serão apenas assistentes virtuais que ajudarão clientes em suas operações bancárias. Para o próximo ano, eles continuarão a atuar nos bastidores das instituições financeiras, por meio da Automação Robótica de Processos (RPA, na sigla em inglês), com a ajuda de inteligência artificial. “RPA será uma tecnologia-chave para que os nossos colaboradores possam eliminar tarefas repetitivas e de baixo valor agregado”, avalia Fernando Freitas, do Bradesco.

Pesquisa feita pela Jupiter Research revelou que as receitas do setor bancário com RPA chegarão a US﹩ 1,2 bilhão até 2023. De acordo com o levantamento, quando combinada com inteligência artificial, o RPA pode reduzir consideravelmente os custos de conformidade, aumentar a produtividade e melhorar a experiência do cliente.

Quem disse que as fintechs querem acabar com os grandes bancos?

Por Ralf Germer

Recentemente, grandes instituições financeiras do Brasil reportaram o fechamento de centenas de suas agências. Desde então, muito se tem questionado sobre se as fintechs, com seus serviços e produtos inovadores, eficientes e mais baratos para o consumidor, vão acabar com os grandes bancos. E como poderiam, de certa forma, ser responsabilizadas por esse cenário. Tendo em vista que cerca de 92% de todos os lares brasileiros têm ao menos um smartphone e que no país há cerca de 45 milhões de pessoas sem conta bancária, acredito que a popularização das contas digitais justificaria melhor o que anda acontecendo.

É verdade que as fintechs têm conquistado cada vez mais espaço no mercado financeiro e que a entrada de novos players no setor favorece a competição, mas dificilmente seremos capazes de competir com nomes como Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – que além de concentrarem mais de 80% dos depósitos e empréstimos, segundo o Relatório de Economia Bancária divulgado pelo Banco Central – também oferecem uma série de conveniências atrativas para os clientes.

É mais fácil pensar assim: se por um lado as fintechs são capazes de fornecer soluções que simplificam a vida das pessoas e atendem suas necessidades específicas, por outro, os bancos muitas vezes são responsáveis por tornar viáveis essas inovações, além de utilizar sua capilaridade para atingir o consumidor. Ou seja, nessa relação quem ganha no final das contas é sempre o usuário final.

Já que citei o Banco Central, aproveito para dizer que ele tem um papel decisivo na evolução do mercado financeiro no país. Iniciativas como os pagamentos instantâneos, que aceleram o fluxo do dinheiro e ajudam o crescimento econômico do Brasil, e o open banking, que permite maior integração entre os bancos e as fintechs, são vistas de forma muito positiva, já que abrem o mercado para soluções que atendem ao novo cenário.

Para satisfazer uma população cada vez mais digital e que busca por soluções mais ágeis, simplificadas e de baixo ou nenhum custo, os bancos vão precisar adaptar alguns dos seus modelos de negócios. Como eles têm muito capital e, no Brasil, alta rentabilidade, eles poderão investir em novas tecnologias e, ainda, adquirir fintechs.

De acordo com o Fintech Mining Report, da Distrito – empresa que desenvolve dados sobre as startups brasileiras – existem 115 fintechs atuando com meios de pagamento e, dessas, 68 realizam processamento. No campo dos serviços digitais, 13 oferecem contas digitais. O que quero dizer com isso? Que ainda que atuem com transparência e atenção ao cliente, muitos players também vão desaparecer, uma vez que estamos falando de um segmento de inovação e sempre haverá aqueles que acabam se destacando em relação aos outros. Faz parte do jogo!

Ralf Germer, CEO e co-fundador da PagBrasil

ABBC realiza congresso sobre inovação em serviços financeiros

A ABBC – Associação Brasileira de Bancos realizará no dia 28 de novembro, a partir das 9h, o Congresso de Inovação em Serviços Financeiros (CISF) – open banking e pagamentos instantâneos. O objetivo é compartilhar diversas visões e experiências sobre o tema para que o sistema financeiro evolua em um ambiente ainda mais inclusivo. No evento, também serão conhecidos os ganhadores da segunda edição do Prêmio Idei@ABBC.

Entre os palestrantes: Guga Stocco, fundador da GR1D; Mariana Cunha e Melo, Relações Institucionais do Nubank; In Hsieh, fundador da Chinnovation e da Marco Polo Ventures; Thiago Guimaraes, head de Digital Finance na Stefanini; Rodrigo Furiato, diretor da área de Contas Digitais (Wallet) do Mercado Pago; Carlos Augusto de Oliveira, diretor de Tecnologia da ABBC; André Jafferian e Jorge Sant’Anna, diretores da CRT4; Marcelo Modesto, da Avivatec; e Diogo José Sousa da Silva, chefe de Subunidade do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central.

Confira a programação completa e faça a inscrição no site: http://www.abbc.org.br/cisf/

Serviço

Data: 28/11/2019

Horário: 8h30-18h30

Local: Teatro CIEE – Rua Tabapuã, 445 – São Paulo.

Provedores de serviços financeiros investiram 110 bilhões de dólares no combate a lavagem de dinheiro, mostra estudo da Accenture

As empresas do setor financeiro conhecem bem a luta contra o crime financeiro. Estudo da Accenture indica que provedores de serviços financeiros investiram 110 bilhões de dólares em um ano em esforços de combate à lavagem de dinheiro (AML) e no atendimento aos requisitos de AML.

Para essas empresas, a construção de uma abordagem de conformidade para crimes financeiros que usa as tecnologias da nova era – incluindo inteligência artificial (IA) e automação cognitiva – é uma forma de melhorar o investimento no combate ao crime.

Uma instituição global usou recursos de Machine Learning (ML), Natural Language Processing (NLP) e outras formas de automação inteligente para reformular suas funções de KYC (Know Your Customer – traduzido como “conheça seu cliente”). Entre os ganhos, foi registrada uma queda de 80% no tempo de integração de clientes comerciais. Outro banco de atuação global notou uma queda de 20% no volume de alertas sem impacto no apetite de seus clientes por risco.2

Os dados comprovam que a automação inteligente pode fazer a diferença nos negócios e que uma abordagem de conformidade de crimes financeiros combinada ao uso da automação inteligente pode resultar em benefícios como investigações de maior qualidade, menos falso positivos, menores custos operacionais e maior eficiência geral.

A Accenture teve acesso a inúmeros casos de sucesso nas seguintes áreas:

• Integração e atualização KYC

• Identificação de sanções e monitoramento de transações

• Investigação de sanções e monitoramento de transações

Conheça seu cliente (KYC)

Começando pelo KYC, o estudo da Accenture comprova que as empresas do setor financeiro podem se beneficiar da conformidade de crimes financeiros combinados à automação inteligente. A tecnologia certa pode resultar no aumento de eficácia em todas as etapas do processo KYC, desde a integração do cliente até a fase de due dilligence.

O estudo traz mais informações sobre como a automação inteligente pode melhorar as funções KYC:

• Integração de clientes – A integração das ações de gestão de relacionamento com clientes e de gestão do ciclo de vida do cliente cria eficiências operacionais que aperfeiçoam a criação de casos KYC.

• Análise de classificação de risco do cliente – A PNL ajuda as equipes a identificar a entidade de triagem; enquanto a resolução de correferência confirma o referenciamento da entidade. A rotulagem de funções semânticas ajuda a identificar suspeitos.

• ML para detectar atividades suspeitas – A automação inteligente ajuda a identificar padrões emergentes de lavagem de dinheiro, oferecendo uma melhor visão do que é uma atividade suspeita ou não.

• Auto-fechamento e alerta de hibernação – Alguns alertas de risco baixo a médio podem ser fechados ou colocados em modo hibernação automaticamente. Se as atividades de um cliente acionarem um alerta, ele poderá ser categorizado como sendo de alto risco.

Investigação eficiente de alertas:

A investigação de alertas e monitoramento de transações tradicionais envolve uma revisão inicial para descontar alertas falso positivos. Se necessário, isso pode ser seguido por uma revisão detalhada do cliente, com o encaminhamento do caso para revisão adicional com a apresentação de um Relatório de Atividades Suspeitas ao regulador.

Nesse ponto, segundo o estudo, a automação pode ajudar com:

• Processamento de dados para criação de cases: Essa abordagem pode simplificar a captura de dados para a criação de cases. Os dados coletados podem ser categorizados e apresentados em formato visual (por exemplo, identificando transações discrepantes) e de forma automatizada para ajudar no processo de investigação.

• Análise de mídia: Técnicas de PNL, como reconhecimento de entidade nomeada, resolução de correferência, extração de relacionamento e rotulação de função semântica, podem identificar entidades e possíveis suspeitos. Esse tipo de abordagem, combinado a ferramentas e sistemas inteligentes, pode identificar padrões novos e alimentar modelos com essas informações, ajudando os investigadores a tomarem decisões melhores.

• ML para tomada de decisão: Embora as decisões finais envolvam julgamento humano, os algoritmos de ML podem revisar a atividade acionada para automatizar aspectos do processo de tomada de decisão, construindo modelos estatísticos que incorporam dados coletados e calculam a probabilidade de disposição das transações alertadas, seja para fechamento ou progressão.

• Natural Language Generation (NLG) para geração de narrativas: Para transações não relatadas (a maioria das transações), a NLG pode gerar uma narrativa de caso convertendo dados em breves resumos de caso. Esse é um dos aspectos mais desafiadores de todo o processo de investigação. É fundamental que as instituições financeiras se concentrem em segmentos de alerta que podem ser efetivamente processados por meio da NLG.

FEBRABAN e CIP anunciam primeira rede de blockchain do setor financeiro nacional

A FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos e a CIP – Câmara Interbancária de Pagamentos anunciaram na manhã desta quarta-feira, 12, o lançamento da Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional, a primeira rede blockchain para o setor. Divulgada durante o Ciab, principal evento de TI para o sistema financeiro da América Latina, que acontece até amanhã no Transamérica Expo, em São Paulo, a iniciativa permite o compartilhamento de informações entre as instituições parceiras protegendo dados de forma acessível, ágil e segura, desde o primeiro acesso. A iniciativa, implementada pela CIP, utiliza plataforma Hyperledger Fabric, da IBM, projeto colaborativo baseado em código aberto, e conta com a participação do Banrisul, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Itaú, JP Morgan, Original, Santander e Sicoob. O primeiro caso de uso da rede de blockchain é o device ID. O projeto foi apresentado durante o CIAB FEBRABAN do ano passado como um protótipo desenvolvido de forma colaborativa por bancos e instituições financeiras. O projeto foi coordenado pelo trabalho (GT) Blockchain FEBRABAN, criado em 2016 para estudar a tecnologia.

Do final do CIAB de 2018 até a edição deste ano, o protótipo foi refinado e validado pelos bancos que integram o GT Blockchain FEBRABAN. As instituições financeiras também trabalharam para estabelecer a rede, cujas estruturas de governança, de instrumentos jurídicos e de segurança estão a cargo da CIP e da FEBRABAN. O device ID usa blockchain para compartilhar identificações de dispositivos móveis. A partir dessas identificações, as instituições financeiras poderão enriquecer seus sistemas antifraude para verificar se um dispositivo específico é confiável ao avaliar, por exemplo, se é um aparelho perdido, furtado ou roubado. Assim evita-se que o cliente bancário seja alvo de fraudes.

Instituições financeiras podem explorar sistemas bancários integrados para oferecer serviços digitais seguros, afirma Unisys a líderes do setor

A Unisys Corporation (NYSE: UIS) participa da Fintech Americas 2019 para discutir as oportunidades que os sistemas bancários integrados podem oferecer ao setor de serviços financeiros. Entre elas, formas de integrar funções bancárias, de empréstimo e pagamento às aplicações de consumo mais populares. Ao eliminar obstáculos dos processos tradicionais por meio dessas medidas, as instituições serão capazes de proporcionar uma excelente experiência aos clientes e promover avanços na gestão de identidades, que podem garantir uma sólida postura de segurança em meio ao acelerado ritmo de transformação.

Maria Allen, vice-presidente e head global da Unisys para a área de Serviços Financeiros, apresenta um painel de discussão ao lado de David Estevez, CIO do Grupo Petersen, e Daniel Kennedy, vice-presidente do Scotiabank para bancos digitais, para discutir como a transformação digital das instituições financeiras está mudando a experiência e as expectativas dos clientes, e como avanços como o open banking têm aberto portas para a oferta de muitos serviços que bancos tradicionais não poderiam oferecer anteriormente. A discussão também aborda os riscos da segurança cibernética que as transformações podem trazer consigo e o importante papel de uma abordagem Zero Trust para garantir sucesso no futuro.

“O ritmo acelerado das mudanças no setor bancário está abalando a abordagem tradicional dos bancos em relação aos consumidores”, destaca Allen. “Os clientes de hoje contam com muitas opções, mas avanços como o sistema bancário integrado permitem que os serviços digitais sejam oferecidos em tempo real, quando e onde for preciso. Trata-se de eliminar os obstáculos dos processos bancários tradicionais – permitindo que pessoas realizem transações de qualquer dispositivo, a qualquer momento – para proporcionar uma melhor experiência”.

Entre outros temas, destaca-se também a necessidade de os bancos ficarem atentos aos riscos de cibersegurança que podem enfrentar ao adotar novas tecnologias (como inteligência artificial baseada em voz) e de tomarem medidas proativas para estabelecer uma abordagem de segurança, uma vez que as defesas dos perímetros já não são suficientes para reagir às ameaças de hoje.

“Zero Trust é um tema importante atualmente e, como muitos outros termos novos, pode significar coisas diferentes para diferentes empresas. Na Unisys, acreditamos que uma essa abordagem se baseia na ideia de que nenhum usuário ou dispositivo – dentro ou fora de redes privadas – deve ser confiável e de que as organizações devem dar o mínimo acesso possível mediante a identificação segura”, explica Allen. “É necessário contar com uma abordagem que usa ‘identidades confiáveis’, pois a interconectividade com parceiros, fornecedores e clientes exige a proteção de dados críticos nos vários pontos de acesso. Felizmente, avanços como autenticação biométrica multimodal, incluindo elementos como reconhecimento de voz e de íris e biometria comportamental, como velocidade de digitação, podem ser implantados para verificar a identidade do usuário nos diversos canais”.

Usando tecnologias de acesso baseadas em identidade, bancos e instituições financeiras podem implementar um modelo de segurança Zero Trust para combater riscos sistêmicos agregados a sistemas bancários integrados. Dessa forma, conexões com fornecedores e parceiros podem ser feitas com confiança e os benefícios do open banking podem ser concretizados.

A Unisys ajuda as instituições financeiras a alcançar níveis elevados de digitalização utilizando o Elevate™, plataforma de software completa e pacote de aplicações desenvolvidas para proporcionar experiências seguras aos clientes de bancos digitais. O Elevate conta com a segurança do Unisys Stealth®, que dispõe de recursos dynamic isolation™ para isolar rapidamente dispositivos ou usuários ao primeiro sinal de comprometimento. O Stealth™ reduz as superfícies de ataque por meio de microssegmentação baseada em identidade, permitindo que os bancos separem e escondam ativos críticos e estabeleçam canais codificados para comunicação segura de usuários, aplicações e sistemas.

Mais de 450 instituições financeiras em todo o mundo usam soluções da Unisys. Para obter mais informações sobre os recursos da Unisys para serviços financeiros, clique aqui.

Você sabe o que é fisital? Conheça o impacto dessa inovação no setor financeiro

Por Simone Pittner

São Paulo, maio de 2019 – O fisital, união entre o físico e o digital, está evoluindo muito rapidamente no Brasil e em todo o mundo. Esse conceito foi cunhado na Inglaterra em 2015, e fica claro nas experiências de varejo, onde o cliente muitas vezes enfrenta problemas na hora de trocar, na loja física, produtos adquiridos no ambiente online. Há, por exemplo, diferença de preços entre os produtos (devido ao comissionamento de vendedores, prática comum das lojas físicas), falta de determinados modelos ou marcas, novos tempos de entrega, entre outros.

Com o aumento de profissionais especializados em Customer Experience (CX), a unificação de todos os canais da empresa, assim como a linguagem utilizada nesses canais (loja física, e-commerce, redes sociais, callcenter e aplicativos), começou a ficar mais forte. No mundo financeiro, com as instituições trazendo experiências dos bancos digitais para a sua forma de negócio, praticando abertura de contas e acompanhamento de cartões de crédito totalmente online, o fisital se fez presente.

Atualmente, alguns bancos de montadoras possuem serviços de aprovação do limite de crédito para compra de bens, liberando para o cliente na própria concessionária (no caso de compra de carro ou moto) em tempo real, além da aceitação de documentos enviados também digitalmente. O processo se tornou muito mais rápido – passamos de dias para horas – com a vantagem das empresas contarem com estrutura de armazenamento de documentos em nuvem, possibilidade exponencialmente mais barata.

Esse cenário caminha para uma realidade ainda mais transformadora, com a possibilidade das integrações digitais. Os bancos, corretoras, empresas de investimento e grandes negociações financeiras estão abrindo suas plataformas de serviços e produtos em formato de API, as chamadas Open APIs. Isso possibilita que duas empresas consigam se conectar através da integração de software. Um exemplo de nosso dia a dia é a funcionalidade de ouvir música no Spotify enquanto está com o Waze aberto.

Essas integrações com troca de dados têm sido ponto de discussões e regulamentações recentes, como a GDPR, na União Europeia, e a LGPD, no Brasil, criando a possibilidade de se abrir informações para que empresas comprem ou troquem entre si dados ou microsserviços de tecnologia.

O fisital também acrescenta melhorias na experiência do cliente. Atualmente, é comum termos cartões bancários em nossos celulares – existem aplicativos, como ApplePay e SamsungPay, que tornam desnecessário o uso do cartão físico. A transferências de crédito entre pessoas físicas em múltiplos países e interbancos acontece de maneira semelhante.

Uma validação recente, sinônima de toda essa integração, por exemplo, é um boleto atrasado. Os internet bankings, no últimos meses, prepararam-se para conseguir calcular o novo valor, mesmo que a conta seja de outra instituição, algo que não era permitido em um passado recente.

Esses são alguns exemplos que ilustram essa integração entre o físico e o digital no mercado financeiro. As mudanças só tendem a aumentar e os bancos as, corretoras e as investidoras serão cada vez mais digitais, com todas as transações em aplicativos, diminuindo a presença do cliente na agência física e sua necessidade de interação com o gerente ou a central de atendimento. Estamos vivendo numa realidade entre dois mundos: aspectos que ainda precisam do físico e do contato humano e outros que o mundo digital está resolvendo sem esse contato – na maioria das vezes, de maneira mais inteligente e rápida.

Quando falamos do fisital no Brasil, já conseguimos ver cases relevantes acontecendo. A Avon, por exemplo, desenvolveu um aplicativo com duas importantes funcionalidades, aumentando a rentabilidade e diminuindo os custos. A primeira permite às revendedoras resolverem problemas sem a necessidade de interação humana com o call center, acessando grupos de dúvidas e trocas de produtos parados. A outra funcionalidade do app é a leitura digital do folheto de compra, tornando a venda totalmente automatizada.

Outro case relevante para o cenário brasileiro é o de uma grande varejista que atualmente está no caminho para se tornar um banco. A marca iniciou seu processo de transformação digital com uma reestruturação do call center. Para reduzir o número de ligações, foram desenvolvidos canais web e mobile permitindo ao cliente buscar informações por conta própria. Essa ação teve um resultado surpreendente, com uma redução de 27% em ligações feitas para o call center só no primeiro mês. Outra ação da marca foi a implementação de 21 novos serviços em seu aplicativo, incluindo a solicitação de cartões de crédito.

Além de todos esses impactos, vale destaque para a transformação do que nomeamos BackOffice ou Digital BackOffice. Com as diversas mudanças proporcionadas, é preciso revisitar as jornadas internas, como captura e armazenamento de documentos e dados, uso de nuvem, redução de servidores locais, robotização de tarefas repetitivas, inteligência artificial, implementação de workflows, inclusão de testes de produtos de forma automatizada, entre outros. E nessa linha de raciocínio, assistimos ao aumento da utilização e importância do Data Science e o Business Intelligence, agora também sendo explorados e gerando oportunidades de negócios.

Simone Pittner, Head of the Lean-Agile Operations da GFT Brasil