Category inteligência artificial

Reimaginando os e-sports com Cloud e Inteligência Artificial

Por Claudio Bessa, Líder do Ecossistema de desenvolvedores e Chief Developer Advocate, IBM América Latina

O mundo dos videogames continua crescendo em grande escala, e a América Latina não é exceção. Na verdade, a região é apontada como uma das com maior potencial neste mercado. De acordo com o instituto de pesquisa Newzoo, a receita do mercado de games global deve chegar a 180 bilhões em 2021, e a América Latina, com mais de 260 milhões de jogadores, deve crescer cerca de 13% ao longo do ano.

A expansão acelerada dos videogames entre diferentes tipos de usuários em diversas áreas e sua impressionante transformação movida pela tecnologia fez com que eles evoluíssem para uma poderosa ferramenta usada pelas empresas para inovar em experiências, desde o back-end até os clientes e as comunidades. Impulsionados pela explosão digital e móvel, os videogames também revolucionaram indústrias como esportes e aprendizagem, tornando-se uma ferramenta importante para oferecer e desenvolver diferentes competências e sendo um veículo de apoio a projetos científicos, educacionais e de formação.

Quais são as tecnologias que estão transformando a indústria?

Cloud Gaming: Cloud a espinha dorsal

Com imagens carregadas com texturas, animação e iluminação, o gaming online requer a capacidade de processar gráficos complexos em escala sem interrupções. Uma infraestrutura de cloud híbrida aberta possibilita a base da escalabilidade em qualquer ambiente, portabilidade de dados aprimorada e capacidades para criar e implementar plataformas de jogos de alto desempenho em todo o mundo com a baixa latência que os jogadores precisam. Algumas empresas já estão inovando com a IBM Cloud:

• Skyegrid: Sua plataforma permite que as pessoas joguem videogames com zero lag a partir de um laptop, tablet ou smartphone sem a necessidade de instalar software de jogos ou comprar hardware caro. Eles já têm mais de 3.000 assinantes.

• Exit games: Criou uma plataforma SaaS altamente disponível, escalável e confiável para desenvolvimento e hospedagem de jogos multiplayer no mundo todo. Hoje eles têm mais de 250 milhões de jogadores mensais e uma plataforma para 260.000 desenvolvedores.

• Mobbyt: Encontrou em videogames educacionais a oportunidade de ajudar crianças que passam por tratamentos contra o câncer. Sua plataforma gratuita possibilita a criação de jogos de forma rápida e simples. O Mobbyt é atualmente usando por muitos usuários em todo o mundo.

AI: Capturando os momentos mais impactantes

Não importa se os jogadores estão fisicamente em uma arena ou controlando avatares virtuais em ambientes digitais, a inteligência artificial (IA) pode ajudá-los a melhorar seu desempenho com insights, enquanto entregam informações a casters para narrar jogos e novas experiências para que os fãs vivam a excitação dos e-sports.

• Aumentando as habilidades de jogo: com desenvolvimentos simples de Inteligência Artificial, você pode otimizar as estratégias depois de um jogo. Por exemplo, ao usar o IBM Watson Studio, é possível analisar, visualizar e obter informações sobre o jogo Starcraft II com um padrão de código.

• Casting com insights em tempo-real: os momentos destacados com IA da IBM que apareceram no US Open, Wimbledon e no Masters podem ser aplicados em e-sports. Esta solução monitora o jogo e identifica os tempos mais emocionantes com base nos dados, incluindo pontuação, reação do público e do jogador. A tecnologia da IBM pode compilar os momentos mais emocionantes para casters, fãs e jogadores.

• Experiência para fãs em outro nível: as capacidades de processamento de linguagem natural da IBM e o Machine Learning estão criando novas experiências emocionantes em muitas áreas, desde o ESPN Fantasy Football até o a Overwatch League de Activision Blizzard. No Fantasy Football, essas soluções ajudam os jogadores a ter mais profundidade, o que lhes permite entender melhor seu desempenho, apontar projeções e avaliar decisões de risco/recompensa à medida que configuram seu alinhamento. Na Overwatch League, a IBM usa a mesma tecnologia para desenvolver ferramentas de análise de desempenho de jogadores e equipes para os fãs, assim como para equipes e casters.

A cloud e a inteligência artificial estão mudando a forma como jogamos, assim como a forma como os videogames são criados e usados para beneficiar negócios e transformar profissões. Além disso, estão melhorando a acessibilidade em todos os aspectos. Com as comunidades de código aberto globalmente trabalhando em diferentes áreas e com a evolução de outras tecnologias como a computação quântica, você consegue imaginar as inovações que virão no futuro?

KPMG: Brasil possui 702 startups voltadas para soluções de Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial (IA) é um campo da ciência da computação focado na criação de máquinas capazes de pensar e aprender. Trata-se também de um termo amplo, que abrange variados tipos de aplicações, como o Machine Learning — ferramenta que torna computadores capazes de analisar dados, identificar padrões e predizer comportamentos. Essas tecnologias são vistas como grandes tendências para o futuro dos negócios. No Brasil, a IA já é o foco de atuação de 702 startups. A informação é do Distrito Inteligência Artificial Report, levantamento realizado pelo Distrito Dataminer, braço de inteligência de mercado da empresa de inovação aberta Distrito. O estudo teve ainda apoio da KPMG.

O levantamento dividiu as startups em duas categorias: Setores (479) e Funções (223). As primeiras oferecem soluções de Inteligência Artificial especializadas, visando impactar um segmento específico, como Serviços Financeiros, Imobiliário, Varejo, Educação, entre outros. Destas, a área de Saúde e Biotecnologia é a que concentra um maior número de startups (12,5%), seguida pelos campos de RH e Gestão Pessoal (10%) e Indústria 4.0 e Agricultura e Comida, ambas com 9,6% de participação.

“Hoje quase todos os setores utilizam a inteligência artificial para analisar dados e identificar padrões. Com isso, as startups focadas nesse segmento podem desenvolver expertises personalizadas, de acordo com a necessidade imposta. Esse fator é determinante para termos cada vez mais soluções inovadoras em cada uma das principais atividades econômicas”, analisa o sócio-líder da KPMG Lighthouse para Analytics, Artificial Intelligent e Intelligent Automation, Ricardo Santana.

Já as startups classificadas como “funções” oferecem serviços e produtos para diversos segmentos simultaneamente. Essa categoria apresenta cinco atuações: AlaaS (34,1%), que oferece Inteligência Artificial as a service; Business Intelligence & Analytics (30,9%), plataformas de gestão de dados e inteligência de mercado; Chatbots (19,3%), que são programas inteligentes que se comunicarem com clientes e usuários de maneira interativa; Cibersegurança (9,4%), ferramentas de segurança de redes privadas e diagnóstico de riscos; e, por fim, Sistema de Recomendação (6,3%), tecnologia de recomendação automatizada de produtos e serviços e previsão de comportamentos de clientes.

Desde 2012, as startups voltadas para soluções de IA captaram US$ 839 milhões, por meio de 274 rodadas. Atualmente, o ano de 2020 é o recordista em volume de investimentos. Nos últimos doze meses, essas empresas atraíram US$ 365 milhões por meio de 44 aportes. Até então, 2019 tinha o melhor resultado, com US$ 243 milhões investidos no setor. A maior rodada de investimento ocorreu no último ano, direcionada à startup Unico, que recebeu um cheque de US$ 109 milhões da General Atlantic e SoftBank.

Entre as 274 rodadas realizadas nas empresas com soluções de Inteligência Artificial, os estágios de Pré-Seed e Seed foram os mais recorrentes em investimentos, com 61 e 121 aportes, respectivamente. Em seguida encontram-se as rodadas Séries A (44) e Séries B (22). Até hoje, somente uma rodada Séries D foi realizada no setor. Ela ocorreu em 2019, quando a Resultados Digitais recebeu US$ 50 milhões da Riverwood Capital e Redpoint Eventures.

“O campo da Inteligência Artificial é tão promissor que, muito em breve, acreditamos que não será possível realizar um estudo como esse, no qual tentamos distinguir no ecossistema quais startups utilizam esta tecnologia como um diferencial de negócios”, pontua Tiago Ávila, líder do Distrito Dataminer. “Logo mais, perguntar se uma startup faz uso da Inteligência Artificial será o mesmo que questionar hoje se elas utilizam a internet. Isso diz muito sobre o passo dos avanços tecnológicos que, por sua escala e velocidade sem precedentes, naturalizamos”, conclui.

O levantamento traz ainda a distribuição geográfica das startups com soluções de IA pelo país. Mais de 90% delas estão concentradas nas regiões Sudeste (70,2%) e Sul (22,5%). As empresas restantes estão localizadas nas regiões Nordeste (3,7%), Centro-Oeste (3,2%) e Norte (0,3%). Vale destacar que apenas o estado de São Paulo sedia 51,9% do total das startups deste segmento. Em seguida estão os estados de Minas Gerais (9,4%) e Rio de Janeiro (8,1%).

Como acontece em outras verticais de tecnologia, as startups que fazem uso de IA apresentam uma das maiores desigualdades de gênero no quadro societário, tipicamente liderado por homens, com 40 anos em média, paulistas em sua maioria. Apenas 13,5% dos sócios destas empresas são mulheres.

O impacto da Inteligência Artificial no processo de inovação das empresas

Por Evandro Abreu 

De acordo com pesquisa do Gartner, realizada em setembro de 2020, com cerca de 200 profissionais de negócios e de tecnologia, 24% das organizações aumentaram seus investimentos em aplicações relacionadas à Inteligência Artificial (IA), e 42% das empresas mantiveram seus projetos inalterados, mesmo depois da pandemia originada pelo COVID-19. O estudo destaca ainda que as áreas com maior concentração são relacionadas à experiência e retenção de clientes, que incluem novas formas de crescimento de receitas e de otimização de custos. Neste cenário, a grande questão é: qual é o verdadeiro impacto da inteligência artificial nas empresas durante a pandemia? 

É fato que a tecnologia potencializa a capacidade racional do ser humano de simular situações e resolver problemas práticos. Quando falamos sobre inteligência artificial, muitos ainda pensam em robôs substituindo o ser humano em uma determinada atividade, o que não é verdade, já que sua importância vai além da automação. A inteligência artificial permite que sistemas simulem uma inteligência similar à humana, ultrapassando a programação de ordens específicas para a efetiva tomada de decisão de forma autônoma, precisa e apoiada em dados digitais. Hoje, a IA está mais relacionada à produtos que já fazem parte do nosso cotidiano do que vendida como algo individual. Portanto, esta tecnologia está em todos os lugares e presente mais do que nunca na indústria, nas redes sociais, nos dispositivos móveis e buscadores de internet. 

Com a pandemia, muitas empresas depararam-se com a necessidade de digitalizar seus processos para sobreviver. Aquelas que não estavam adequadas às novas demandas, correram atrás do prejuízo e investiram em novas tecnologias. No entanto, muito antes da pandemia, o mercado já enxergava a inteligência artificial como um pilar fundamental para os negócios, por conta do volume de informação disponível e impossível de ser processada por qualquer humano: são toneladas de dados e a serem analisados, e isso só é possível com máquinas especializadas. Do corretor ortográfico às análises da bolsa de valores, os recursos de inteligência artificial precisam fazer parte da rotina das empresas que querem se destacar frente a concorrência. 

Afinal, onde se aplica a inteligência artificial?

Uma das aplicações mais perceptíveis da IA está relacionada ao atendimento ao cliente, principalmente neste momento de isolamento social. O surgimento dos chatbots permitiu a resolução de problemas de modo fácil e descomplicado, aumentando a satisfação dos clientes e promovendo maior agilidade e facilidade na comunicação, agora à distância. Entretanto, empresas mais maduras tecnologicamente optam por oferecer uma solução mais personalizada do que o chatbot, como um assistente de voz que reproduz perfeitamente a linguagem humana. Além de ser uma solução omnichannel, a implantação é praticamente plug and play (tecnologia ligar e usar).   

A inteligência artificial também está nas lojas virtuais quando oferece recomendações personalizadas de produtos para clientes de acordo com suas pesquisas e seus hábitos de consumo. Além disso, o mercado já oferece tecnologias especializadas na gestão do estoque e layout dos sites. Existem até mesmo recursos capazes de negociar variações de preço com os clientes direto do site. Encontramos também sistemas que utilizam a IA como recurso de automação e análise, atuando de maneira objetiva e precisa na avaliação de crédito automático de consumidores ou até em diagnósticos de exames clínicos. As aplicações da inteligência artificial são inúmeras. No segmento bancário, por exemplo, esta tecnologia permitiu que vários bancos digitais passassem a ser completamente virtuais e de fácil acesso.

Segundo dados da consultoria Allied Market Research, o setor de reconhecimento facial está em rápida evolução e deve crescer cerca de 21,3% ao ano, movimentando US$ 9,6 bilhões em 2022. Nesse sentido, um modelo de inteligência artificial muito utilizado em empresas aéreas é a biometria facial, que captura mais de mil pontos da face humana e permite a identificação e criação de um “CPF facial” de cada pessoa, facilitando assim o embarque de passageiros e acabando com a necessidade de apresentar o cartão de embarque impresso ou na tela do celular para entrar na aeronave. 

Inteligência artificial é o caminho para a inovação nas empresas

Muitos especialistas acreditam que estamos entrando na quarta revolução industrial, caracterizada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Nesse contexto, a inteligência artificial tem papel protagonista nesta próxima onda de inovação, trazendo grandes mudanças na maneira como pessoas e empresas se relacionam com tecnologia. Segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers (PWC), os investimentos estimados nessas tecnologias atingirão US $ 70 bilhões, ainda em 2020.

A inteligência artificial tornou-se possível por meio da união de big data, computação em nuvem e bons modelos de dados. Sem dúvida alguma, essa tecnologia nunca foi tão real quanto presenciamos hoje. A inteligência artificial combinada com a capacidade humana, pode impulsionar pessoas e empresas a fazerem coisas incríveis. Desta forma, é importante salientar que, no mundo dos negócios, se você não está sendo disruptivo em seu setor, certamente alguém está. E a IA pode ser a maior parceira para contribuir com a transformação digital que as empresas tanto almejam, especialmente neste momento delicado que o mundo enfrenta.  

Tags, ,

IBM, USP e FAPESP dão início às atividades de Centro de Inteligência Artificial no Brasil

IBM, Universidade de São Paulo (USP) e FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) dão início hoje às atividades do mais moderno Centro de Inteligência Artificial (C4AI) do Brasil, dedicado ao desenvolvimento de estudos e à pesquisa de ponta em IA para endereçar temas de grande impacto social e econômico. O novo centro terá sede no prédio do Centro de Pesquisa e Inovação InovaUSP, localizado no campus da USP em São Paulo.

O C4AI terá foco inicial em cinco grandes desafios relacionados à saúde, meio ambiente, cadeia de produção de alimentos, futuro do trabalho e no desenvolvimento de tecnologias de Processamento de Linguagem Natural em Português, procurando maneiras de melhorar o bem-estar humano e apoiar iniciativas para diversidade e inclusão.

Em paralelo, três comitês de acompanhamento serão criados para promover temas de interesse comum do país, com foco na indústria, ciência e sociedade. Esses comitês visam ampliar esses cinco desafios iniciais e conferir a eles uma aplicação real que seja útil para as empresas e a sociedade brasileira.

O Centro contará também com uma segunda unidade para capacitar estudantes e profissionais, disseminando conhecimento e transferindo os benefícios da tecnologia para a sociedade. Este local será instalado no Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC), no campus da USP em São Carlos.

“À medida que tecnologias como inteligência artificial e nuvem híbrida habilitam a transformação das empresas e da sociedade, vemos uma objetiva oportunidade de expandir seu estudo e aplicação em segmentos relevantes para o país. Com o Centro, estamos criando um ecossistema que engloba os setores produtivo, acadêmico e de inovação para que o valor real da inteligência artificial aumente a experiência e habilidades dos talentos humanos, colocando a tecnologia a serviço de governos, cidadãos e negócios em diversos setores da economia”, disse Tonny Martins, Gerente Geral da IBM Brasil.

“Esta é a realização de um projeto estratégico da Universidade de São Paulo, que considera a área de Inteligência Artificial obrigatória para acompanhar e participar dos desenvolvimentos que dominarão, com suas múltiplas aplicações, a sociedade moderna. A Pró-Reitoria de Pesquisa se sente vitoriosa por participar desse esforço tão bem-sucedido que é a criação de um Centro de Inteligência Artificial, agregando competências disseminadas na USP. Que isso seja apenas o começo de grandes transformações, como, de fato, esperamos”, destaca o pró-reitor de Pesquisa da USP, Sylvio Canuto.

“A área de inteligência artificial (IA) é um infinito de possibilidades. Neste momento de intenso combate contra a covid, estamos tendo análises de milhares de moléculas, análises teóricas de potenciais vacinas, análises de centenas de milhões de dados, tudo com o apoio de IA, gerando mais efetividade e diminuindo o tempo para soluções corretas. Para a FAPESP, a parceria com uma empresa como a IBM é um marco em uma área estratégica para o futuro”, afirmou o diretor científico da FAPESP, Luiz Eugênio Mello.

Cinco Grandes Desafios iniciais

1) AgriBio – modelos de causa e efeito para processos de tomada de decisão com incerteza para o setor de agricultura

Os ciclos produtivos do agronegócio, sustentabilidade ambiental, mudanças climáticas e segurança alimentar são demandas atuais que desafiam as autoridades mundiais. Essa linha de estudo irá focar em modelos de causa e efeito para cadeias de produção de agricultura, em especial a de pequenos produtores. O objetivo será utilizar modelos de correlação avançados para a tomada de decisão baseada na causa e efeito, abordando muitas fontes de preocupações, como desperdício de água e alimento.

2) KEML (Knowledge-Enhanced Machine Learning) – Aprendizado de máquina integrado com conhecimento simbólico com foco na Amazônia Azul (Blue Amazônia Brain)

Combinando aprendizado baseado em dados e raciocínio baseado em conhecimento, o Blue Amazônia Brain (BLAB), como o projeto está sendo chamado, pretende abordar perguntas complexas sobre a Amazônia Azul, vasta região do oceano Atlântico na costa brasileira rica em biodiversidade e recursos energéticos.

O BLAB trabalhará com sistemas de conversa compostos por argumentos, causas, explicações, raciocínios e planos sobre tarefas específicas, trazendo respostas às perguntas mais diversas sobre o ecossistema marinho, como “o que causou o aparecimento de manchas de óleo na costa nordeste do Brasil?”.

3) Modelamento de AVCs usando técnicas multimodais de análise de redes para melhorar diagnósticos, tratamento e reabilitação

Os avanços do aprendizado de máquina na medicina são notáveis. No entanto, ainda existem questões importantes que precisam ser abordadas. Nesta frente de estudo, serão abordadas duas questões de grande importância: como integrar e selecionar recursos médicos relevantes (biomarcadores) de fontes heterogêneas e dinâmicas em grande escala e como interpretar decisões tomadas por algoritmos de aprendizado de máquina integrando inteligência humana e artificial.

A primeira fase do estudo terá duas frentes de pesquisa. Uma com o objetivo de melhorar o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação de pacientes de acidente vascular cerebral (AVC), com técnicas de análise de redes complexas em dados multimodais. E, a segunda, com foco em investigar formas de melhorar a escolha de protocolos de reabilitação em casos de AVC, o que trará uma importante contribuição social.

4) IA em países emergentes: políticas públicas e o futuro do trabalho

Essa frente de estudo vai envolver diversas áreas de humanas da USP, como economia, história, sociologia e ciências sociais, para mapeamento, compreensão e abordagem do impacto da IA em economias como a do Brasil. Existe um consenso significativo de que, no campo da IA, os países emergentes estão atrasados em relação aos países pioneiros, em particular, os EUA e a China.

Inicialmente, o C4AI focará em pesquisas relacionadas às políticas públicas para a inteligência artificial e à coleta e análise de dados sobre impacto da IA nos empregos e no futuro do trabalho.

5) PLN (Processamento de Linguagem Natural) de última geração para o português

Hoje em dia, existe pouca disponibilidade de ferramentas e dados para treinar sistemas de diálogo em português. O objetivo do Centro será habilitar o processamento de linguagem natural de alto nível para o português do Brasil, assim como já existe para outros idiomas, possibilitando sua melhor aplicação nas atuais demandas críticas da sociedade, como, por exemplo, aprimorar os serviços de atendimento ao cliente, o treinamento de assistentes virtuais, o monitoramento de redes sociais, bem como possibilitar a análise e a extração de conhecimento de grandes fontes de dados, entre outros.

Comitês de acompanhamento

O Centro de Inteligência Artificial também contará com três comitês distintos para fomentar temas de interesse comum da sociedade, relacionados à ciência, indústria e sociedade:

• Um comitê científico internacional, que terá como função avaliar o progresso científico do Centro.

• Um comitê de indústria e sociedade, que contará com a participação de representantes de empresas de diversos setores do Brasil, órgãos públicos e sociedade civil, que irão colaborar para que o Centro tenha o maior impacto possível na indústria, na economia e na sociedade do País.

• Um comitê de diversidade e inclusão, cuja função será promover e aumentar a participação de mulheres, afrodescendentes e outros membros da sociedade para que haja participação mais inclusiva no setor de IA, tanto na academia quanto na indústria.

Tags, , , , ,

Inteligência Artificial não é um robô que vai fazer todas as atividades do advogado

A Inteligência Artificial (IA) é uma tecnologia promissora para aperfeiçoar os processos nos escritórios de advocacia no país, aponta Caio Santos, CEO da Data Lawyer, empresa especializada em ciência de dados para o meio jurídico. “O Brasil ainda está em uma fase inicial de estudos e classificação de informações, que tem ajudado muito em estatísticas e extração de partes específicas dentro dos textos. Claro que, após este big data organizado, vamos evoluir bastante em ampliação de automação, peças automáticas e auxílio na tomada de decisões”, explica.

Caio participa, junto com Alexandre Zavaglia, sócio e diretor da Legal Score – Data-driven Consultancy, e Ricardo Fernandes, chief legal researcher da Neoway, do painel “Oportunidades das Aplicações de Inteligência Artificial para o Setor Jurídico”. O encontro será transmitido dia 13 (terça), a partir das 10h30, na programação da Fenalaw 4.0 Xperience – Transformando o Setor Jurídico através do Digital, encontro referência para o mercado jurídico e o mais tradicional evento do setor há 17 anos, que será 100% digital e gratuito em virtude da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Para Caio, a implantação de IA em escritórios de advocacia passa pela superação de dois desafios: educação e redução de custos. “O primeiro desafio é educacional. Por isso, eventos como a Fenalaw são fundamentais para passar para o mercado o que é mito e o que é verdade. Explicar que a IA não é um robô que vai fazer todas as atividades do advogado e que vai, sim, resolver problemas pequenos que vão possibilitar ganho de produtividade”, frisa. O segundo, destaca, é o custo: por ser contabilizado em dólar, ainda tem um preço final significativo, apesar de começar a se tornar mais acessível.

Conhecimento

Com o objetivo de difundir o conhecimento técnico, a Fenalaw 4.0 vai discutir os temas atuais ligados ao campo jurídico e promover o encontro dos principais players do mercado com advogados, consultores jurídicos e gestores. “Em um momento atípico como esse não poderíamos deixar de reunir a comunidade jurídica para discutir os desafios presentes e futuros do segmento e do país. É nosso compromisso oferecer um conteúdo de excelência para gestão, tecnologia e áreas específicas do Direito, buscando atender às necessidades de todo o mercado e de seus profissionais”, afirma a business director do evento, Maria Juliana do Prado Barbosa.

A programação está dividida nos hubs como: Departamentos Jurídicos, Escritórios [PME], Compliance & LGPD, Marketing, Gestão de Pessoas e Liderança, Tecnologia e Inovação, Direito Digital.

Estrutura

Desenvolvida pela Informa Markets, organizadora de eventos responsável pela Fenalaw , a nova plataforma Xperience é um modelo inédito no mercado, e traz uma revolução ao mundo dos eventos empresariais e feiras de negócios. O novo formato apresentado para a Fenalaw por meio da Xperience deverá garantir a entrega de um evento de alto nível, mantendo a qualidade e o alcance da audiência, contemplando os 3 principais pilares deste tradicional encontro para todo o ecossistema jurídico: conteúdo de qualidade, networking e bons negócios.

Quanto ao Conteúdo, o participante terá acesso aos painéis com transmissão ao vivo e apresentações exclusivas; com especialistas renomados do setor, divididos em quatro salas virtuais com diferentes temáticas durante os 3 dias de realização; além da possibilidade da comunicação via texto, áudio e vídeo com os representantes das marcas patrocinadoras.

As oportunidades de Relacionamento estão por toda a parte. Com o uso da inteligência artificial da plataforma vamos oferecer recursos de Matchmaking de acordo com os interesses de cada participante, recomendando interações com marcas patrocinadoras e outros participantes. A página feed também irá conter uma timeline ativa para posts e interações na rede social dos participantes da Fenalaw 4.0.

Bons Negócios ganham novos formatos em nossa exposição virtual com ambiente de pronto atendimento, promoção e exposição de produtos e serviços dos principais fornecedores do setor; disponibilidade de salas de reuniões, e contatos via chat/call, com texto, áudio e vídeo entre públicos-alvo; e o Matchmaking 365, uma ação de inteligência artificial que irá conectar compradores a vendedores selecionando a audiência certa para cada negócio.

5º Fórum Internacional da Tributação

A Fenalaw 4.0 Xperience terá, pelo segundo ano consecutivo, uma sala virtual exclusiva para a realização do 5º Fórum Internacional da Tributação – FIT. O objetivo do encontro é promover a interação da comunidade jurídica na organização política, social e econômica sugerindo modelos de tributação mais modernos e atuais, alterando paradigmas antes considerados como alicerces do sistema tributário. A proposta visa, com isso, dar maior competitividade e atualidade ao modelo nacional vigente e, ainda, contribuir para políticas de desenvolvimento econômico-financeiro por meio da política fiscal.​

Para participar — As inscrições online e gratuitas para a Fenalaw 4.0 Xperience estão abertas no site: fenalaw.com.br

Fenalaw 4.0 Xperience – Transformando o Setor Jurídico através do Digital
Data: 13 a 15 de outubro.
Horário: 9:30 às 17 horas.
Local: fenalawxperience.com.br

Tags, , ,

Certisign cria área de Inteligência Artificial sob o comando de Marcelo Câmara

A Certisign, especialista em soluções digitais, anuncia nova área de Inteligência Artificial sob a liderança de Marcelo Câmara. Com o cargo de Chief Artificial Intelligence Officer, Câmara será o responsável pelas iniciativas envolvendo esse conceito, incluindo Machine Learning e automação nos processos existentes e em novos produtos. Além disso, deve auxiliar a ampliar a cultura de dados na companhia.

“Estou bastante entusiasmado com este desafio. A Certisign é a maior do segmento de Certificação no Brasil desde a sua criação e vamos trabalhar agora para torná-la referência, também, em identificação digital e provedora de soluções inteligentes para os atuais e novos clientes. Há uma infinidade de oportunidades que vamos avaliar, estruturar e colocar em prática ao longo dos próximos meses”, comenta.

Com mais de 25 anos de experiência em inovação, segurança da informação e inteligência artificial, o executivo ficou amplamente conhecido por seu trabalho no desenvolvimento, implementação e sustentação da BIA, a assistente digital do Banco Bradesco, case referenciado mundialmente.

Além do Banco Bradesco, Marcelo já passou por importantes instituições, como a Febraban, quando foi Diretor Setorial da área de Prevenção a Fraudes.

Time reforçado

Marcelo atuará sob o comando de Ramon Coronado, Diretor Técnico e de Operações (antes Microsoft), e, também, nos projetos de Bruno Portnoi, Diretor de Marketing e Vendas (antes Sascar, pertencente ao grupo Michelin, e Vivo) – ambos contratados há menos de um ano. “É um novo momento para a Certisign. Nós, que sempre fomos referência no mercado de Certificação Digital, estamos caminhando para nos tornarmos uma empresa ainda maior em outros setores da tecnologia, sempre pensando em oferecer ao cliente uma experiência simples e segura, além de produtos inovadores”, finaliza Bruno Portnoi.

Tags, ,

Startup ligada ao HC usará Inteligência Artificial para evitar surtos em empresas e escolas

Em parceria com o Centro de Inovação do Hospital das Clínicas da FMUSP, uma startup internacional desenvolveu uma plataforma de rastreamento de casos da Covid-19 e uma carteira de imunidade digital, com dados como resultados de testes e sintomas. Será a primeira com esse modelo no país. O objetivo é utilizar tecnologia e Inteligência Artificial para organizar informação em larga escala e dar segurança às pessoas e empresas no processo de retomada da economia. Escolas e universidades também poderão se beneficiar da plataforma no reinício das aulas presenciais, dando mais segurança a alunos e professores.

Os dados da plataforma permitirão que empresas e gestores públicos, por meio de Inteligência Artificial, possam mapear e planejar melhor todos os passos da retomada, assim como antecipar possíveis surtos da doença. Com tecnologia blockchain, a startup garante a privacidade e o uso ético das informações dos cidadãos. Os dados privados de cada pessoa pertencem somente a ela.

Na plataforma, pessoas e empresas poderão registrar os resultados de testes para Covid-19. Os dados permitirão maior agilidade e segurança tanto para iniciar a retomada econômica como no pós-pandemia. Quem já tem imunidade ganha mobilidade, quem não tem ganha segurança, e o uso de dados, de forma coletiva, promove o controle em tempo real de novos casos e a retomada da economia. A plataforma terá como parceiro o Inova HC, hub do Hospital das Clínicas para acelerar startups de saúde e testar novas tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas e impressão 3D.

A plataforma permitirá um mapeamento preciso dos casos, fazendo com que o planejamento do uso de espaços comuns seja feito com base em dados científicos. Já o certificado digital de imunidade garantirá aos indivíduos acesso a locais fechados de ampla circulação e até entre países. Iniciativas similares com uso desta tecnologia já estão sendo adotadas em países mais adiantados na retomada econômica, como Alemanha e Austrália.

“Trabalhar por meio de Inteligência Artificial e segurança da informação é a chave para uma retomada mais rápida da economia. Precisamos testar muito, garantir a qualidade dos testes e, sobretudo, garantir que essa informação seja usada de forma organizada e segura”, afirma Pablo Lobo, CEO da startup Blok BioScience para a América Latina.

“A pandemia trouxe várias dúvidas e uma certeza: informação, em quantidade e qualidade, é fundamental para o seu enfrentamento. Isso vale para a OMS, para governos, empresas e cidadãos. Trabalhar esses dados com a melhor tecnologia e todos os pré-requisitos éticos é fundamental. E o Inova HC é parceiro no desenvolvimento dessa tecnologia, dentro desses parâmetros”, afirma Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho Diretor do Inrad do HCFMUSP e do Inova HC.

A Blok BioScience tem em seu time internacional alguns dos maiores especialistas do mundo em ciência e tecnologia. Seu CEO global, Alex Tai, foi diretor de projetos Especiais do Virgin Group, CEO da Virgin Racing, Virgin Oceanic e COO da Virgin Galactic.

Microsoft, SESI e SENAI lançam competição para projetos de Inteligência Artificial para a indústria

A Microsoft, O SESI (Serviço Social da Indústria) e o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) estão lançando uma nova iniciativa para fomentar o desenvolvimento tecnológico brasileiro, em um projeto de colaboração mútua. Entre os dias 22 de junho e 30 de outubro de 2020, alunos do SESI e do SENAI poderão se inscrever em um desafio nacional para selecionar os melhores projetos com recursos de Inteligência Artificial (IA) do Microsoft Azure que solucionem problemas do setor industrial.

As equipes podem ser formadas por até cinco estudantes a partir de 16 anos, com orientação de um instrutor responsável. Os estudantes serão divididos em três categorias a partir do curso em que estiverem matriculados:

Iniciantes – Estudantes do Ensino Médio:

Desafio: Desenvolver um chatbot que auxilie na resolução de um problema ou melhore algum produto ou processo da indústria brasileira.

Veteranos – Estudantes de cursos de qualificação e técnicos:

Desafio: Selecionar um dos desafios registrados na plataforma de inovação e propor uma solução desenvolvida a partir de ferramentas de Inteligência Artificial Microsoft.

Seniores – Estudantes de graduação e pós-graduação:

Desafio: Selecionar um dos desafios registrados na plataforma de inovação e propor uma solução desenvolvida a partir de ferramentas de Inteligência Artificial Microsoft.

“A Microsoft assumiu um compromisso de longo prazo com o Brasil, país no qual operamos há 30 anos. Enxergamos na capacitação tecnológica uma forma de contribuir com o futuro dos brasileiros e aumentar a nossa competitividade. Com essa parceria, conseguiremos ensinar IA para grupos de estudantes e, ao mesmo tempo, solucionar problemas importantes da indústria nacional,” explica Vera Cabral, diretora de Educação da Microsoft Brasil.

As inscrições de projetos estarão abertas entre 22 de junho e 30 de outubro de 2020, e deverão ser feitas por meio do site Saga Senai de Inovação, disponível em http://plataforma.sagainovacao.senai.br. A partir daí, as inscrições serão avaliadas e selecionados as melhores propostas para resolver problemas recorrentes da indústria brasileira.

Para cada categoria do desafio, serão selecionados três projetos finalistas. Os integrantes das equipes que ficarem em primeiro lugar serão premiados com notebooks e vouchers para exames de certificação Microsoft, enquanto as equipes em segundo e terceiro lugar também receberão vouchers para exames de certificação Microsoft, cujo valor normal de mercado é de 100 dólares americanos.

“O conhecimento em Inteligência Artificial é uma competência fundamental para as profissões. Esse desafio visa despertar nos estudantes do SESI e do SENAI o domínio da Inteligência Artificial para a resolução de problemas reais da indústria”, afirma Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI e diretor-superintendente do SESI.

O futuro da inteligência artificial

Por Michal Pechoucek, CTO da Avast

 

A inteligência artificial (IA) dominou as manchetes em 2019, tanto para o bem quanto para o mal. Enquanto a tecnologia trouxe muitos benefícios, também mudou o cenário da segurança cibernética, criando novas ameaças e trazendo novas mudanças sociais que precisam ser abordadas.

Neste artigo, Michal Pechoucek, CTO da Avast, discute algumas das maiores previsões e desafios que a inteligência artificial trará na próxima década.

A corrida armamentista da IA: A corrida armamentista da inteligência artificial está iniciada. É um jogo de gato e rato, que vemos todos os dias em nosso trabalho de inteligência de ameaças. À medida que a nova tecnologia evolui, nossas vidas se tornam mais convenientes, mas os cibercriminosos veem novas oportunidades para atacar os usuários. Seja abusando dos dispositivos invadidos para criar uma botnet ou derrubando sites e importantes infraestruturas de servidores, ficar à frente dos bandidos é a prioridade para os provedores de segurança. A IA aumentou a sofisticação dos ataques, tornando-se cada vez mais imprevisíveis e difíceis de mitigar.

Aumento dos ataques sistemáticos: A IA reduziu o volume de trabalho necessário para realizar um ataque cibernético. Ao contrário do desenvolvimento manual de códigos de malware, esse processo tornou-se automático reduzindo o tempo, esforços e custos relacionados com esses ataques. O resultado: os ataques estão cada vez mais sistemáticos e podem ser realizados em uma escala cada vez maior.

Mudança social e novas normas: O crescimento da inteligência artificial trouxe muitos avanços tecnológicos, mas, a menos que seja cuidadosamente regulamentada, corre o risco de mudar certos aspectos da sociedade. Um excelente exemplo disso é o uso da tecnologia de reconhecimento facial pela polícia e pelas autoridades. São Francisco ganhou as manchetes, quando se tornou a primeira cidade dos EUA a proibir a tecnologia.

Isso foi visto como uma grande vitória – a tecnologia carregava muito mais riscos do que benefícios e questões sobre imprecisão e viés racial. A tecnologia de inteligência artificial não é perfeita. É apenas tão confiável e precisa quanto os dados que a alimenta. À medida que entramos em uma nova década, as empresas de tecnologia e os legisladores precisam trabalhar juntos para garantir que esses desenvolvimentos sejam adequadamente regulamentados e usados com responsabilidade.

Mudando a maneira como olhamos para as informações: Agora estamos na era das notícias falsas e da desinformação. A IA tornou ainda mais fácil criar e espalhar informações enganosas e fraudulentas. Esse problema é exacerbado pelo fato de consumirmos cada vez mais informações nas “Echo-chamber” (que significa “câmara de eco digital”), dificultando o acesso às informações imparciais.

Embora a responsabilidade recaia sobre as empresas de tecnologia que hospedam e compartilham esse conteúdo, a educação em alfabetização de dados se tornará mais importante em 2020, e além. Um foco crescente em ensinar ao público como examinar informações e dados será vital.

Mais parcerias para combater a IA adversária: Para combater a ameaça da IA adversária, esperamos ver mais parcerias entre empresas de tecnologia e instituições acadêmicas. É exatamente por isso que a Avast fez parceria com a Universidade Técnica Tcheca (The Czech Technical University, CTU) em Praga, para avançar com pesquisas na área de inteligência artificial.

Os riscos de ameaças a dados de mais de 400 milhões de dispositivos em todo o mundo foram combinados com o estudo da Universidade Técnica Tcheca sobre ameaças complexas e evasivas, a fim de prevenir e inibir os ataques de cibercriminosos. Os objetivos do laboratório incluem publicar pesquisas avançadas neste campo e aprimorar o mecanismo de detecção de malware da Avast, incluindo os seus algoritmos de detecção baseados em inteligência artificial.

A IA continuará impactando, mudando a tecnologia e a sociedade ao nosso redor. No entanto, apesar das associações negativas, há muito mais ganhos em inteligência artificial do que perdas.

As ferramentas são tão úteis, quanto aqueles que as manejam. A maior prioridade nos próximos anos será a colaboração entre setores e o governo, para usar a inteligência artificial para o bem e proibir aqueles que tentarem abusar dela.

A Inteligência Artificial e o papel dos Governos

Por Fabio Rua

Acabo de colocar reticências no livro “Inteligência Artificial: como os robôs estão mudando o mundo, a forma como amamos, nos relacionamos, trabalhamos e vivemos”. Seu autor, Kai-Fu Lee (chinês), é considerado um dos principais líderes globais de tecnologia, tendo desenvolvido carreira em empresas como Apple, Microsoft e Google, nesta última como presidente da unidade China.

De tudo o que li e aprendi, o que mais me fez refletir foi a descrição sobre como a corrida pela supremacia na IA está mudando a balança de poder e a geopolítica mundial. E nela existem hoje três pelotões de países:O primeiro, chamarei de retardatários estrategistas, aqueles que acham que a inteligência artificial é importante e precisa ser estudada – mas não vão muito além disso. O segundo, dos intermediários pragmáticos, que já perceberam que estão ficando para trás e resolveram acelerar. E o último, dos líderes supersônicos, que estão há anos luz dos demais e tem na IA um dos principais pilares das suas estratégias de crescimento e desenvolvimento de longo prazo. O livro, aliás, é muito bom, e recomendo sua leitura.

Acho que não é surpresa para ninguém que o batalhão da frente conta com apenas dois países: os Estados Unidos e a China.

Para quem acompanha esse assunto, já beira ao consenso a máxima de que o preparo necessário para se atingir uma economia orientada pela IA exige, basicamente, quatro elementos: empreendedores vorazes, um exército de engenheiros e cientistas de IA, capital de risco abundante e dados, muitos dados.

Mas o que poucos especialistas reconhecem é que sem uma boa dose de (1) governança pública e (2) estímulos governamentais, essa corrida teria de ser cancelada por falta de parâmetros e preparo dos atletas, que não teriam fôlego para cruzar a linha de chegada.

No primeiro ponto, há de se reconhecer que muitos países vêm avançando nos debates e na construção de princípios, boas práticas e regulações para o uso de inteligência artificial – inclusive o Brasil. Por aqui, estamos concluindo o processo de elaboração da nossa estratégia nacional de IA e, ainda no primeiro semestre de 2020, devemos acelerar o diálogo em torno de algum tipo de legislação para o uso desta tecnologia.

Mas no segundo, não há como negar: os Estados Unidos e a China, com esta ainda à frente mais uma vez, são recordistas absolutos. Com envolvimento direto dos níveis mais altos de governo, esses países largaram e seguem liderando por meio de enxurradas de financiamentos, apoio real a startups, a pesquisas, desenvolvimento de incubadoras, de laboratórios, de centros de treinamentos, parcerias com universidades, setor privado e, não menos importante, adquirindo tecnologia por meio de contratos que abrangem desde a IA para a transformação digital e inteligente do setor público, até para projetos de reconhecimento facial, de veículos autônomos, drones e robôs.

No Brasil, mesmo na condição de representantes dos retardatários estrategistas – triste, mas verdadeiro -, temos totais condições de avançar para o pelotão seguinte. E os governos, em todos os níveis, tem papel fundamental. Será importante aproveitarmos o ano de eleições municipais, o debate legislativo em curso e o fato de que o executivo federal vem imprimindo importantes esforços – e vitórias – na digitalização dos serviços públicos, para inserir a inteligência artificial como um dos principais habilitadores do nosso desenvolvimento de longo prazo.

Lembram-se das reticências que citei, no primeiro parágrafo? Que elas, e não um ponto final, sirvam de inspiração para que o governo e o setor privado sigam em um trabalho conjunto e contínuo, estruturando ações que priorizem a inteligência artificial como elemento vital para a construção de uma economia habilitadora de crescimento e prosperidade.

Fabio Rua, diretor e membro do Conselho de Administração da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software)

Inteligência Artificial, Cibersegurança e Design de Engenharia concentrarão os investimentos digitais das empresas em 2020

Uma pesquisa realizada pela AVEVA, líder global em software industrial e de engenharia, mostra que Inteligência Artificial, Cibersegurança e Design de Engenharia devem ficar com a maior parte dos investimentos que as empresas farão este ano em busca de transformação digital, condição necessária para melhorar seu desempenho e assegurar o futuro de suas operações.

Realizada com 1.240 executivos, a pesquisa ouviu empresas com presença global, que atuam na Europa, Oriente Médio e África (EMEA), China, Japão, Austrália e Índia (APAC), além de países da América do Norte, dos setores de Petróleo e Gás; Construção e Infraestrutura; Embalagens; Energia e Utilities; Indústria Naval; Mineração e Indústrias em crescimento.

As tecnologias que fornecem dados preditivos para análise de grandes volumes de informação estão no foco dos investimentos, segundo a pesquisa. Inteligência Artificial foi citada por 75% dos entrevistados, seguida por Realidade Aumentada (64%); Realidade Virtual ou Mista (60%) e Processamento de Big Data (59%).

A Inteligência Artificial é destacada como tecnologia facilitadora por todos os segmentos analisados, sendo mais relevante nas áreas de Energia e Utilities – apontada por 84% dos entrevistados – e Óleo & Gás, em particular para as empresas de prospecção e extração (79%) e de processamento (78%). Dentre os países pesquisados, ela é prioridade no Japão e na China, por 88% e 84% dos entrevistados, respectivamente, seguidos por Reino Unido (79%) e EUA (77%).

Ferramentas que promovem a colaboração das equipes por meio de Processos Avançados e de Design de Engenharia foram mencionadas por 74% das empresas pesquisadas, e são tecnologias consideradas essenciais principalmente para a Indústria Naval (75%), de Construção e Infraestrutura (74%) e Embalagens (73%). Elas também foram classificadas como muito importantes por setores como Energia e Petróleo & Gás. A pesquisa revelou ainda que, dentre todas as regiões analisadas, os países cuja indústria está na vanguarda nessa categoria são Japão (85%) e Alemanha (82%).

O ano de 2020 também deve ser marcado pela intensificação dos esforços em cibersegurança e segurança da informação. Este foi o terceiro tópico mais mencionado na pesquisa da AVEVA, com 71% das menções, sendo destaque nas empresas de Mineração (76%), seguido por Petróleo e Gás (75%), Energia e Utilities (70%) e Indústria Naval (70%). Tecnologias relacionadas à segurança da informação foram consideradas a prioridade mais alta para especialistas em planejamento e programação. Embora seja um tema prioritário em todas as regiões pesquisadas, melhorias na segurança, por meio investimentos em tecnologia, são particularmente importantes para empresas do Oriente Médio (68%), da Austrália (63%) e da Índia (60%).

Para a Lisa Johnson, CMO da AVEVA, as pessoas e os dados são, atualmente, os dois ativos mais importantes para as organizações globais. E para protegê-los, as empresas contam com a tecnologia para prever falhas críticas antes que elas ocorram. “À medida que a transformação digital passou a fazer parte da agenda da indústria, a tecnologia tem permitido aos especialistas colaborarem e alterarem modelos de negócios. Projetos de capital intensivo, desde a produção sustentável de energia, passando por mineração, fábricas inteligentes e cidades conectadas vêm sendo projetados, planejados e entregues por times multidisciplinares globais perfeitamente conectados por meio da tecnologia”, afirma Lisa.

Segundo a CMO da AVEVA, a pesquisa foi uma grande oportunidade de conhecer as demandas por soluções de tecnologia emergentes dos clientes da empresa e também de potenciais novos clientes em todo o mundo. “Inteligência Artificial, Machine Learning e Edge Computing estão transformando o cenário tecnológico com vastos fluxos de dados, fornecendo alternativas operacionais e resultados reais de negócios para nossos clientes”, concluiu Lisa Johnson.

Outras conclusões da pesquisa

• Gestão de Desempenho de Ativos (Asset Performance Management): a pesquisa da AVEVA revela que a APM é uma das áreas que mais demandam investimentos em tecnologia, por exigir um conjunto de produtos de longo alcance e uma abordagem visionária. Por meio dela, as empresas podem criar novos produtos e serviços, utilizar dados para obter novos fluxos de receita e colaborar com a IA e o Analytics. Tecnologia para gestão de desempenho de ativos também tem grande potencial de melhorar a segurança e a proteção dos ativos, além de reduzir o tempo de resposta em situações de emergência.

• Engajamento e confiança como alavanca de vendas: contatos presenciais com o fornecedor, tanto em eventos quanto em reuniões de apresentação, são muito importantes em todas as categorias, sendo que as referências pessoais são particularmente relevantes. Experiência prévia com o fornecedor é altamente priorizada no Reino Unido, na China e na Índia, enquanto casos de sucesso são mais valorizados na França, no Japão e na Austrália.

• Centros de operações remotos e Gerenciamento de Aprendizado e de Treinamento obtiveram as maiores pontuações em todas as áreas pesquisadas, sendo que China e Japão veem um Centro de Comando como o mais relevante, enquanto EUA e Austrália citam a otimização da cadeia de suprimentos como a chave para seus negócios.

• Redução de custos e aumento da segurança são prioridades para organizações de alto crescimento, sendo que os países que priorizam redução de custos são os que têm crescido mais rapidamente nas últimas décadas. China (61%), Índia (58%) e Oriente Médio (60%) indicaram que é possível melhorar as margens de forma significativa a partir de soluções de software. Essa demanda por mais eficiência espelha a necessidade de investir em tecnologia para promover a segurança, à medida que essas economias seguem amadurecendo, sendo relevantes principalmente na China (51%), nos Emirados Árabes Unidos (68%) e na Índia (60%).

Globo Livros lança ‘Inteligência artificial’

A Globo Livros lança Inteligência artificial – Como os robôs estão salvando o mundo, a forma como amamos, nos relacionamos, trabalhamos e vivemos. O livro de Kai-Fu Lee, um dos maiores especialistas mundiais em inovação tecnológica e ex-presidente da Google China, explica, tanto para leitores leigos quanto para aqueles que já dominam o assunto, como o desenvolvimento sem precedentes da IA já está alterando as nossas vidas e expõe quais são mudanças pelas quais podemos esperar nos próximos anos.

Um dos principais executivos de inovação de empresas como Apple, Google e Microsoft e atualmente CEO de um dos fundos de investimentos na área de tecnologia mais bem-sucedidos do mundo, Kai-Fu Lee é um dos criadores da inteligência artificial como a conhecemos hoje. Neste livro, ele fala sobre como a disputa entre Estados Unidos e China pela supremacia na IA está mudando a ordem mundial e a influência desse embate na vida das pessoas comuns.

Apesar de muitos especialistas afirmarem que a IA irá acabar com muitas das profissões que conhecemos hoje, Kai-Fu Lee argumenta que, assim como outras grandes revoluções ocorridas na história da humanidade, na verdade, a IA apenas mudará a forma como trabalhamos. À medida que alguns postos serão de fato extintos, outros irão ser criados para atender às novas necessidades de uma sociedade cada vez mais informatizada. As máquinas, aplicativos e softwares tornarão as jornadas de trabalho menores e aumentarão a geração de renda, fazendo com que as pessoas tenham cada vez mais tempo para se dedicarem ao lazer. Assim, atividades ligadas às artes e ao entretenimento, como criação de conteúdo audiovisual, musical e literário serão impulsionadas de forma jamais vista. Além disso, profissões em cujo cerne estão o contato humano, como as da área médica e educacional, para citar apenas algumas, serão cada vez mais valorizadas, já que, apesar de serem multitarefas, as máquinas não são capazes de sentir amor, carinho ou empatia.