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PageGroup: aumenta a confiança dos executivos brasileiros em promover novas contratações de funcionários

Os executivos brasileiros estão mais otimistas para fazer novas contratações de funcionários neste ano. É o que revela o Estudo de Perspectivas de Carreiras e Profissões LATAM 2017, desenvolvido pelo PageGroup, consultoria líder mundial em recrutamento executivo especializado, que opera com as marcas Page Executive, Michael Page, Page Personnel e Page Interim na região. De acordo com a pesquisa, 22% apostavam na expansão do quadro de empregados em 2016. Neste ano, 29% acreditam nessa possibilidade.

De acordo com Patrick Hollard, diretor executivo do PageGroup para as LATAM, África e Oriente Médio, os resultados refletidos na pesquisa estão ligados à melhora do cenário econômico na região. “Os executivos estão mais confiantes com as perspectivas econômicas no Brasil e na América Latina. Com essa confiança em alta, aumentam as possibilidades de vermos novas contratações de empregados em alguns mercados e setores. Essa retomada da confiança é um ótimo indicador de que as empresas devem retomar seus investimentos e a expansão do quadro funcional é parte desse processo”, analisa.

Participaram do levantamento, realizado em dezembro do ano passado, 6.437 executivos que ocupam cargos de média e alta gestão no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México.

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Peru lidera a expectativa de contratações

O Peru é o país onde mais da metade dos respondentes (51%) afirmam que pretendem contratar mais funcionários em 2017. O percentual aumentou 10 pontos em relação à pesquisa anterior (41%). A busca por mais empregados também será mais intensa na Argentina (46% X 37%), Colômbia (45% X 42%) e Chile (30% X 26%). A exceção ficou por conta do México, onde diminuiu o interesse por novas contratações – caiu de 54% em 2016 para 47% neste ano.

“O México passa por um momento de desaceleração e isto está refletido no resultado. Nos demais países o clima de otimismo é maior”, explica Patrick Hollard.

Áreas com possibilidade de contratação no Brasil

– Vendas
– Operações
– Logística
– Tecnologia da Informação
– Finanças

Áreas com possibilidade de contratação na América Latina

– Operações
– Vendas
– Tecnologia da Informação
– Marketing
– Logística

Executivos do Brasil e Colômbia lideram investimento em qualificação técnica

Outra parte do levantamento procurou entender quais são as prioridades dos trabalhadores em seu plano de carreira. Executivos de Brasil e Colômbia aparecem na liderança para investir em qualificação técnica, com 13%. Logo na sequência aparecem Peru (12%), México (9%), Argentina (6%) e Chile (5%).

Quando o assunto é trocar de emprego, quem aparece na dianteira são os argentinos, com 47% de intenções de buscar novas oportunidades no mercado e no mesmo setor (23%) e buscar oportunidades em um setor diferente (24%). Em seguida aparecem os mexicanos, com 39% de intenção de mudança, e os colombianos, com 31%. Os brasileiros aparecem na quarta posição, com 31%, seguidos por chilenos (29%) e peruanos (26%).

A promoção na carreira é o item que desperta menos interesse para peruanos (5%) e brasileiros (6%). O interesse é maior por parte dos executivos consultados na Colômbia (7%), Chile e Argentina (8%) e México (11%).

Emprego

A crise também reflete no mercado de trabalho. Para 72% dos entrevistados pelo PageGroup, não haverá redução de postos de trabalho. Na América Latina, esse índice de contratação está mais favorável. Pouco mais de um terço (37%) das companhias pretendem contratar neste ano. E 80% informaram que não vão reduzir o quadro de funcionários.

Na América Latina, esse índice de contratação está mais favorável. Pouco mais de um terço (37%) das companhias pretendem contratar neste ano. E 80% informaram que não vão reduzir o quadro de funcionários.

Possibilidades de cortes nas áreas de Operações e Contabilidade/ Finanças no Brasil superam a média na América Latina
A pesquisa mostra se haverá redução de equipe no primeiro semestre deste ano. Para 83% dos respondentes, não haverá.

Ao promover o recorte por área, foi possível identificar os setores mais prejudicados pelas demissões:

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No Brasil, o levantamento apontou que as áreas de Operações e Contabilidade/ Finanças estão mais vulneráveis a reduções de quadro que a média verificada nos demais países da América Latina. Em Operações esse percentual chega a 75% e no setor de Contabilidade e Finanças, 43%.

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Confiança em alta
A confiança dos executivos latino-americanos em uma recolocação se mantém em alta. Do total consultado, 12% estão desempregados e, deste universo, 72% estão confiantes ou muito confiantes para conseguir uma oportunidade de trabalho nos próximos seis meses. No Brasil os resultados capturados foram semelhantes a este.

Executivos elegeram os grandes desafios para 2016

– Desenvolver estratégia para melhorar os resultados (25%)
– Ganhar mercado em um ambiente altamente competitivo (15%)
– Enfrentar problemas econômicos/ manter a produtividade (11%)
– Reter e desenvolver talentos na empresa (9%)
– Manter os colaboradores motivados/ enfrentar dificuldades (9%)

Dos profissionais consultados na pesquisa, 51% são de empresas multinacionais e 49% de companhias locais e ocupam postos de observação privilegiados. Desse total, 22% atuam em companhias com faturamento superior a US$ 1 bilhão, 15% em empresas com faturamento até US$ 1 bilhão, 24% em empresas com faturamento de até US$ 500 milhões e, por fim, 39% estão alocados em empresas com faturamento de até US$ 100 milhões. Hierarquicamente estão divididos em CEO ou diretor geral (6%), vice presidentes (7%), diretores (17%), gerentes executivos (18%), gerentes (28%) e outros cargos (24%).

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57% dos CEOs brasileiros preveem crescimento em 2017

Os principais líderes empresariais brasileiros estão otimistas em relação ao crescimento de seus negócios: 57% deles acreditam que o faturamento irá se expandir nos próximos 12 meses. O percentual é quase o dobro dos 24% que previam expansão dos negócios em 2016 e 19 pontos percentuais maior do que a média entre os cerca de 1.400 CEOs entrevistados no mundo. Uma maioria ainda mais expressiva (79%) prevê crescimento de receita nos próximos três anos.

Os CEOs brasileiros também demonstram mais otimismo quanto ao cenário global de negócios. Quase a metade (43%) prevê crescimento econômico em 2017, 14 pontos percentuais a mais do que a média global de líderes (29%) que compartilha a mesma previsão.

Os resultados da 20ª Pesquisa Global com CEOs da PwC revelam um cenário positivo também globalmente. Cerca de 50% dos CEOs afirmam estar muito confiantes em relação ao aumento das receitas de suas empresas no médio prazo (três anos) e 38% têm essa mesma perspectiva já para este ano, ante 35% no ano passado.

Para 90% dos CEOs brasileiros, a expansão dos negócios nos próximos 12 meses se dará por meio de crescimento orgânico, globalmente 79% planejam seguir esse mesmo caminho. A estratégia para ampliar resultados envolve ainda redução de custos, para 86% dos brasileiros e 62% dos líderes globais, e a formação de alianças estratégicas, 62% no Brasil e 48% globalmente.

No Brasil, 45% dos líderes também pretendem investir em fusões e aquisições e 43% devem firmar parcerias com startups, ante 28% da média mundial. “O aumento do grau de confiança dos executivos brasileiros está bastante relacionado às perspectivas de retomada econômica do país”, diz Fernando Alves, sócio presidente da PwC Brasil. “Mas aspectos menos positivos, como a carga tributária e a necessidade de investimentos em infraestrutura, continuam a ser fonte de preocupação para o empresariado”, acrescenta.

Questionados sobre quais países, excluindo o Brasil, são mais importantes para os negócios, 67% responderam Estados Unidos, 43% China e 26% Argentina, fato que reflete a retomada da confiança naquele país. Globalmente, os CEOs estão focando em um mix maior de países para fechar parcerias de negócios, ao invés de centrar esforços apenas em países emergentes como vinham fazendo há alguns anos. Nos próximos 12 meses, a maioria dos líderes empresariais pretende investir nos Estados Unidos (43%), China (33%), Alemanha (17%), Reino Unido (15%) e Japão (8%).

Desafios Globais

Em relação às principais ameaças ao desempenho dos negócios, 88% dos executivos brasileiros citam o excesso de regulação (ante 80% da média mundial), o aumento da carga tributária (86% e 68% respectivamente) e a falta de infraestrutura (81% e 54%). Também há temores em relação a outros aspectos que podem representar dificuldades para a expansão das empresas, como a falta de profissionais com competências-chave, mencionada por 69% dos executivos brasileiros (no mundo, essa é uma preocupação para 77% dos CEOs), a velocidade dos avanços tecnológicos (64% e 70%) e a entrada de novos concorrentes (55% e 58%).

Globalmente, a pesquisa revela uma crescente preocupação com medidas protecionistas. Entre os entrevistados, 58% acreditam que já está mais difícil competir em nível global, devido a políticas nacionais mais restritivas.

“Embora os CEOs estejam mais confiantes com as perspectivas de crescimento, eles revelam três principais preocupações: a adoção de estratégias de gestão de pessoas e de tecnologia para formar profissionais adaptados à era digital; a preservação da confiança nos negócios num ambiente de crescente interação virtual; e o maior engajamento da sociedade na busca de soluções colaborativas, para que a globalização beneficie a todos”, destaca o chairman global do Network PwC, Bob Moritz.

Estes são também os principais assuntos em pauta nos próximos dias no Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde Moritz anunciou há pouco os resultados da 20ª edição da Pesquisa Global com CEOs da PwC.

A PwC ouviu os maiores líderes empresariais do mundo a respeito dos impactos da globalização – há 20 anos, esse foi um dos principais temas da primeira edição da pesquisa. Ainda que reconheçam os benefícios obtidos, os CEOs questionam se houve algum efeito na redução da desigualdade e na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Essa mudança de perspectiva fica evidente quando se compara os resultados da pesquisa com os da primeira edição, lançada em Davos em 1998.

A globalização é vista por 60% dos CEOs como responsável por melhorar o fluxo de pessoas, capitais, bens e informações e 37% acreditam que ela permitiu o surgimento de uma força de trabalho mais educada e capacitada. No entanto, 44% dos líderes avaliam que o movimento não colaborou para diminuir a diferença entre ricos e pobres.

O relatório final da pesquisa está disponível em: https://www.pwc.com/ceosurvey

Perfil da amostra:

A pesquisa foi realizada entre setembro e dezembro de 2016. Foram entrevistados 1.379 CEOs de 79 países, da Ásia (36%), Europa (21%) e América Latina (12%), por meio on-line, postal, por telefone e pessoalmente. A amostra é composta por empresas privadas (57%) e companhias abertas (43%), com faturamento superior a US$ 1 bilhão (36%); entre US$ 101 bilhões e US$ 999 bilhões (38%) e menos de US$ 100 milhões (21%) e empregam entre 1.000 e 5.000 funcionários (36%). Dos participantes 3% ocupam o cargo de CEO há mais de 25 anos. A maior parte dos executivos está no atual cargo há até cinco anos (51%). Entre os profissionais que responderam à enquete, 43% têm entre 50 e 59 anos de idade, 6% têm menos de 39 anos e 7% possuem acima de 65 anos.

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Mercado: retomada lenta deve ser vista como oportunidade – Por Luiz Melo

Os números sobre o mercado brasileiro como um todo para o próximo ano não são tão animadores como divulgados anteriormente. Diversos segmentos, no entanto, tem demonstrado altas expectativas de crescimento para 2017 – ou seja, a retomada virá. Fato é que, não importa a situação, é preciso pensar na retomada do crescimento da sua empresa – somente desta forma é possível “espantar” a crise do seu caixa financeiro.

O mais importante para o mercado como um todo, é que estamos no fim de um ciclo ruim, no entanto a velocidade para que esta retomada seja sentida no comércio varejista deve ainda ser lenta – reflexo de algumas incertezas com relação à aprovação dos ajustes fiscais no campo político/econômico, e que refletem diretamente na confiança para a retomada do investimento e, consequentemente, na geração de emprego. Os fundos de investimentos estrangeiros estão interessados no Brasil e aguardam apenas que a situação política fique mais estável para começar a dar os primeiros passos, ou a retomada dos mesmos.

Vale ressaltar que setores que não são de primeira necessidade deverão ter um início de recuperação mais gradual durante o próximo ano. Ainda este ano a previsão para o setor supermercadista é de apresentar uma ligeira recuperação, fruto da inflação de alimentos que ainda deve continuar em alta e, principalmente, pelo comportamento do consumidor que em cenários de retração econômica preservam os seus gastos com os itens de primeira necessidade.

Portanto a retomada ainda não ocorrerá de forma generalizada. Teremos dois extremos no mercado brasileiro nos próximos meses, um com os supermercadistas, com expectativas de ligeiro crescimento, um pouco mais acelerado e rápido que os demais; e no outro extremo os segmentos automobilístico, eletroeletrônicos, linha branca, material de construção, vestuário e calçados, que tem uma perspectiva de melhora e recuperação somente para 2017.

É preciso ânimo e estratégias eficazes para voltar a crescer. Aproveitar o otimismo do mercado consumidor requer experiência e sabedoria para retomar o desenvolvimento de uma empresa, independendo do segmento. Por isso, o empresário que ficar se lamentando pela crise, perderá a boa vontade da retomada.

Luiz Melo, especialista em Gestão de Produtos & Supply-Chain e sócio-diretor da 360 Varejo

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Distribuidores de energia defendem mudanças profundas para retomada do crescimento

Seminário debate o setor de distribuição de energia. Foto: Roberto Gilliard

Seminário debate o setor de distribuição de energia. Foto: Roberto Gilliard

Interessadas em serem participantes ativas do processo de retomada do crescimento econômico, as concessionárias brasileiras de distribuição de energia defendem uma mudança profunda no setor, voltada para recuperar a capacidade de investimento e de um ambiente de negócios com segurança jurídica. Com a mudança na agenda econômica, focada atualmente em cortar os gastos excessivos da máquina estatal e resgatar espaço para os investidores, as distribuidoras esperam do atual governo federal sinais claros para a tomar decisões que possam impactar na recuperação do crescimento no país.

“O setor de distribuição vai passar por grandes mudanças, com atuação descentralizada e inteligente. As empresas precisam se preparar para isso e ter saúde financeira para investir. Temos que ter um ambiente que permita a sustentabilidade do negócio. É preciso um ambiente regulatório sintonizado com os novos tempos, mais estável e sustentável”, afirmou o executivo Nelson Fonseca Leite, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE), entidade organizadora da 22ª. Edição do SENDI (Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica). Considerado o principal evento do setor na América Latina, o Seminário está sendo realizado este ano no Paraná, no Expotrade de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

O setor de energia passa por dificuldades desde 2013, quando uma série de fatores, como a seca, crise econômica e uma política fracassada de subsídio no preço da tarifa resultaram em endividamento das distribuidoras de energia e tarifa alta para o consumidor. Os distribuidores pedem incentivos à modernização e expansão de rede, marco regulatório claro para atuar e maior autonomia e participação do setor para a tomada de decisões envolvendo a cadeia energética.

As distribuidoras de energia estão com uma dívida líquida acumulada de R$ 3,8 bilhões, resultado da crise que o setor vem enfrentando desde 2014, quando o governo federal cortou subsídios (por falta de condições de mantê-los diante da crise econômica) que ajudavam a compor a tarifa final paga pelo consumidor. Resultado: os reajustes de energia em 2015 ficaram entre 5% a 28%, dependendo da região do país. O ministro das Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, afirmou no Seminário que, em quase seis meses de gestão, conseguiu desencadear uma série de ações que vão resultar numa maior segurança na tomada de decisões, com reflexos positivos para o setor. A ação principal foi resgatar o papel que cada órgão governamental desempenha na adoção das políticas públicas para o setor.

“Havia um emaranhado grande nos papéis dos órgãos de governo e suas atribuições. Era uma disputa de espaço onde se confundia o que era papel do governo, da agência reguladora e de outros setores envolvidos da área de geração, transmissão e distribuição. Procuramos estabelecer uma nova dinâmica de relacionamento. Parece apenas palavrório, mas para quem investe no setor elétrico, este ambiente de harmonia gera tranquilidade na tomada de decisões”, afirmou o ministro. O presidente da ANEEL, Romeu Ruffino, concordou com pontos de vista apresentados pelos representantes do setor de distribuição. Segundo ele, como o mercado tem características de receber investimentos de longa duração, os temas expostos para melhorar o setor são temas constantes de debates em todas as instâncias de governo e na própria agência reguladora. Ruffino espera que a atualização do marco regulatório das agências por parte do Congresso resulte em uma autonomia de atuação dos órgãos fiscalizadores como a ANEEL, responsável pelo monitoramento das ações de toda a cadeia energética.

A presidente do Grupo Neoenergia, Solange Ribeiro, declarou ter ficado muito otimista diante das manifestações expostas no debate pelos três convidados. Para ela, as declarações das autoridades mostram que há um compromisso claro de mudanças para garantir a normalização de um ambiente de negócios que é vital para a recuperação econômica do país. Promovido pela ABRADEE, com a coordenação da Copel, o XXII SENDI (Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica) acontece até 10 de novembro.

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Carta aberta de um investidor para Michel Temer

* Por Allan Pires

“Verba volant, scripta manent”. Presidente Michel Temer, se eu pudesse escrever uma carta diretamente a você pediria a sua ação direta para o reajuste e gestão efetiva das contas públicas. Naturalmente, uma proposta séria de ajuste das contas traria confiança ao mercado internacional para a realização de investimentos produtivos ou financiamentos de longo prazo. Sei que os desafios a serem enfrentados são muitos, mas como creio que com uma economia pulsante tudo fica mais fácil, um não aumento da carga tributária promoveria um ambiente receptivo para investimento.

Na física e na administração há o ditado: “o que não se mede, não se gerencia”. Um ajuste de contas mediaria os custos e despesas da chamada administração direta – fortemente representada pelo inchaço do funcionalismo público, responsável por comer mais de 80% das nossas contas públicas. Isso também é causado pelo descontrole da previdência social e das despesas financeiras relacionadas aos empréstimos feitos pelo governo com fins de custeio ou investimentos.

O governo tem de pagar juros de empréstimos que ele mesmo já realizou. E o que sobra? É o que chamamos de capacidade de investimento da máquina pública, ou seja, o dinheiro que se pode investir – indicador importante para se acompanhar. E, como sabemos, o crescimento em qualquer País se dá por duas maneiras: através de investimento ou de crédito.

Nos anos de prosperidade do governo Lula, a população acelerou o consumo de bens e o carro é um exemplo deste período. As ações do governo geraram uma tomada desenfreada de empréstimos pelos brasileiros. Ficou fácil financiar. Fácil demais. Com o slogan “pague em 60-80x”, a população não estava mais interessada no valor total do veículo, mas quanto elas iriam pagar por mês. Hoje, vemos que esse modelo não é sustentável. Por sinal, um comportamento idêntico ao adotado pelos dois últimos governos.

O modelo sustentável de crescimento em qualquer País, então, depende única e exclusivamente de investimento. E esse investimento é feito por quem? Pelo governo ou pela iniciativa privada. Como há baixo investimento ou captação de novos recursos, a segunda opção é a que melhor se encaixa. Contudo, as altas taxas de juros inibem esse movimento. Adicionalmente, o mercado está sem confiança. Então, para qualquer um investir é preciso saber se o público-alvo está disposto a comprar e qual o potencial deste mercado. No momento, nenhum dos dois se apresenta claramente em um cenário de curto prazo.

Sei que nesta viagem à China – sua primeira missão oficial como líder do País – o desafio maior foi atrair mais investimentos a partir de encontros bilaterais com empresários e governos. Entretanto, qual será a base de confiança a ser utilizada para que essas organizações globais voltem a olhar para o Brasil? Há uma necessidade urgente de redesenhar o sistema econômico brasileiro. Precisamos de um choque de gestão.

Pense comigo. Historicamente, muitos países aumentam a taxa de juros quando a inflação está alta como forma de desincentivo ao consumo. Então, por que a taxa de juros brasileira é sempre alta? Não importa se estamos crescendo ou em crise, o cenário é sempre o mesmo. Nossa taxa básica SELIC está em 14,25% enquanto que nos Estados Unidos e na Inglaterra sua correspondente está em 0,5%.

Isso é duro de explicar para as pessoas. Qualquer especialista pode confirmar que o governo anterior não geriu as contas públicas da maneira certa. Gastou-se mais do que se poderia, comprometendo o futuro do País. Segundo o Tesouro Nacional, os nossos endividamentos internos e externos já somam R$ 2,87 trilhões, ou seja, a capacidade de investimento do governo hoje é limitada.

Sinceramente, não queria estar na sua pele. O cenário, como vimos, é extremamente adverso. Porém, como investidor, faço uma analogia que representa o sentimento da nossa classe. Quem passa por uma dieta alimentar para perder peso sabe que, antes de emagrecer, é preciso parar de engordar. Hoje o Brasil parou de engordar. Agora é preciso adotar as medidas necessárias para emagrecer. Ou seja, ter mais agilidade para produzir riquezas e um bem-estar melhor para toda a sociedade.

Mediante a situação de caixa do governo, a única forma de acelerar a economia é por meio da iniciativa privada. A demanda por investimentos em infraestrutura como a criação de novas rodovias ou portos impacta diretamente na economia. O Brasil necessita de investimentos contínuos do setor privado e as concessões se tornam fundamentais na área de infraestrutura. No setor de agronegócio, por exemplo, os portos brasileiros são ineficientes pelas longas filas. O trajeto é sempre sofrido, pois você também utiliza a estrutura rodoviário-metroviária e os atrasos no desembarque das matérias-primas podem acarretar altos prejuízos, pois existem produtos que dependem do tempo.

Analisando este cenário, poderíamos ser muito mais competitivos se tivéssemos melhor infraestrutura. Não podemos contar somente com a desvalorização do Real, devemos ser bons competidores em qualquer moeda. Há investidores de olho no sistema portuário brasileiro e com intenção de expandir o seu portfólio em outras áreas. Contudo, a não clareza no processo de concessões ou permissão de novos investimentos neste setor afasta a participação do setor privado e a nossa ineficiência continua crescendo.

Quando melhoramos a infraestrutura, e o custo Brasil, a tendência é que os negócios decolem. Para que isso aconteça, peço para que nos dê mais condições. Veja, não estou falando em dinheiro. O seu papel como líder é gerir de forma efetiva as contas públicas de maneira que sobre caixa para o governo realizar investimentos. Em relação à percepção de risco-Brasil, esperamos uma melhora na taxa de juros. Sentir-me-ei mais estimulado para investir se o governo me conceder espaço para impulsionar áreas que o País tanto carece. Com isso, sobra mais tempo para o governo focar no que é básico e de direito do brasileiro como saúde, educação e moradia.

Allan Pires, CEO para a América Latina e Texas da multinacional dinamarquesa Targit

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48% dos comerciantes e prestadores de serviços acreditam que o segundo semestre será melhor para a economia, aponta pesquisa SPC Brasil e CNDL

84% afastam a possibilidade de demitir funcionários nos próximos meses. Para os empresários, principais condições para que o Brasil volte a crescer é o combate à corrupção, a redução de tributos e o controle da inflação

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com varejistas e prestadores de serviços das 27 capitais e do interior do Brasil mostra que, em geral, o ânimo dos empresários para os próximos meses melhorou na comparação com o começo do ano.

O levantamento revela que caiu de 60,2% em abril para 39,5% em agosto o percentual dos empresários que consideram a crise econômica muito grave. Para 47,9%, o segundo semestre será melhor do que o primeiro, enquanto apenas 6,8% acreditam que será pior, bem abaixo 39,5% que pensavam o mesmo no primeiro semestre.

Em meio à crise, algumas medidas foram estão sendo tomadas pelos empresários para se manterem no mercado. A principal delas é a contenção de despesas, adotada por 38,0% – percentual menor que o verificado em abril, quando era de 45,1%. Em segundo e terceiro lugar aparecem a redução dos preços (17,3%) e a demissão de funcionários (10,1%). Já o investimento em propaganda e marketing e a mudança de foco no perfil do cliente aumentaram entre abril e agosto de 2016, respectivamente de 4,8% para 7,7% e de 2,3% para 6,1%.

“É importante ter em vista que a melhora do padrão de gastos pode ser um legado positivo da crise”, explica o presidente da CNDL, Honório Pinheiro. “Mesmo em períodos de bonança, o empresário deve buscar fazer o máximo com o mínimo de recursos, sem que isso prejudique a qualidade daquilo que oferta”.

“Os dados da pesquisa são consistentes com a discreta melhora dos indicadores de confiança tanto por parte dos consumidores como por parte dos empresários e as expectativas de que a economia inicie a retomada no próximo ano”, afirma. Para Pinheiro, a melhor notícia é que, tendo em vista o cenário de crise na economia, a larga maioria dos entrevistados não pretende demitir funcionários atualmente: 84,1% afastam a possibilidade de reduzir o quadro, contra 8,6% que consideram esta atitude. “A decisão de demitir em razão da crise é algo que o empresário tende a postergar, pois a recontratação posterior é custosa”.

No entanto, pela sua gravidade, a crise teve fortes impactos nas empresas. De acordo com a pesquisa, 62,9% dos entrevistados tiveram que demitir funcionários no primeiro semestre. Ainda como reflexo das dificuldades econômicas, metade dos entrevistados dizem estar com seu negócio estagnado; 12,9% dizem estar em crise e outros 13,1% no vermelho. Cerca de 20% afirmam estar em crescimento.

Na percepção dos empresários que se dizem afetados pela crise (87,3%), o maior impacto sobre os seus negócios foi a diminuição das vendas (70,0%), com percentual menor que a sondagem para o primeiro semestre (82,7%). Os demais motivos mais citados também tiveram queda na comparação: aumento do pagamento de impostos (33,8% ante 51,0%), e a inadimplência dos clientes (31,8% ante 32,8%).

Combate à corrupção, aumento dos impostos e inflação

Na percepção dos empresários, o maior impacto da crise política sobre a economia foi o aumento do desemprego (65,8%), seguido do aumento dos impostos (50,5%), e a redução das vendas (45,7%). A proporção dos que mencionaram esses dois últimos impactos caiu na comparação entre abril, quando eram de 63,6% e 59,2% respectivamente.

Para que o Brasil volte a crescer, as principais atitudes a serem tomadas na opinião dos empresários são a redução dos impostos (42,7%), o combate à corrupção (42,7%) e o controle da inflação (39,1%).

O levantamento do SPC Brasil e da CNDL mostrou que o maior temor dos empresários é que o país não saia da crise em 2016. Porém, o percentual caiu em relação ao levantamento de abril, de 41,1% para 33,5%.

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, se os ajustes propostos pela equipe econômica do governo não forem aprovados ou postos em prática, a situação ainda pode se agravar. “As projeções dos economistas apontam para uma queda do PIB superior a 3,0% em 2016, com resultado levemente positivo em 2017.

Diante disso, é importante para os empresários buscarem opções de crédito mais baratas e estreitar o relacionamento com os clientes como forma de sustentar as vendas do negócio e sobreviver à turbulência”, diz Kawauti. “O PIB pode até voltar a crescer no próximo ano, mas ainda teremos que tratar a questão tributária, a excessiva burocracia e a infraestrutura deficiente”, conclui.

Metodologia

A pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) foi realizada com 822 empresários de todos os portes dos segmentos de comércio e serviços nas 27 capitais e no interior.

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Thiago Ayres, do PMI-PR: recuperação do Brasil é projeto desafiador para empresas

O Valor Agregado entrevistou Thiago Ayres, presidente do PMI-PR para falar de um projetos mais desafiadores para nosso país: a recuperação da economia e das empresas brasileiras.

Vale a pena conferir!

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Sensedia projeta repetir crescimento de mais de 70% em 2016

Um crescimento de 77% em faturamento, esse é o resultado obtido pela Sensedia, empresa especialista em APIs, no último ano. A despeito da crise econômica, a companhia conquistou novos clientes – grandes companhias brasileiras que iniciaram sua exposição de APIs e projetos de transformação digital, alcançando um faturamento que ultrapassou a meta inicialmente prevista pela empresa. Para 2016, a projeção é repetir o percentual de crescimento e com uma oferta de serviços mais integrada (SOA e APIs), a Sensedia quer solidificar sua presença no Brasil, além de ampliar e reestruturar suas áreas de marketing e vendas.

As estratégias da empresa para sustentar os números positivos incluem ampliar a venda de soluções e serviços de consultoria para a base de clientes. Os resultados já podem ser comprovados. “Mesmo com a instabilidade da economia, os resultados de janeiro e fevereiro de 2016 estão cerca de 100% acima dos números do primeiro trimestre de 2015”, diz Kleber Bacili, CEO da Sensedia. Também faz parte do planejamento da companhia reforçar investimentos internacionais, iniciando pela América do Norte, em parceria com a CI&T, multinacional brasileira de TI.

Entre os novos clientes que impulsionaram esse resultado estão o Bradesco, e seu projeto InovaBRA, B2W, Netshoes, Universidade Estácio, Tecban e Stelo. “Grandes empresas estão mais atentas à necessidade de transformação digital e o investimento em API é um dos iniciais e mais importantes para atingir esse fim”, afirma Bacili.

Para apoiar o aumento da demanda, também houve um investimento grande na contratação de novos profissionais para o time da Sensedia. Com um crescimento de 105%, o número de colaboradores cresceu em diversas áreas, principalmente em tecnologia, comercial e marketing. Para abrigar essa nova leva de colaborares, a empresa vai mudar para uma nova sede quatro vezes maior que a atual, também no Pólis de Tecnologia, em Campinas.

Em 2015, a Sensedia também realizou o primeiro evento de APIs no Brasil, o API Experience. A iniciativa será repetida em 2016, com um evento três vezes maior e já previamente marcado para junho. A companhia também lançou a nova versão de sua plataforma de gerenciamento de APIs (API Management Suite). A comercialização da solução foi uma das propulsoras do crescimento obtido pela empresa ao longo do último ano.

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O que a Coreia fez e o Brasil não

Por José Pio Martins*

Um dos mais extraordinários exemplos de crescimento econômico e superação da pobreza no pós-guerra é a Coreia do Sul. Há 70 anos, o país era pobre. Em 1945, foi dividido em dois: a Coreia do Norte, que permanece uma ditadura comunista miserável e atrasada até hoje; e a Coreia do Sul, que assombrou o mundo com seu desenvolvimento e continua a dar lições de como crescer e progredir.

Com 50 milhões de habitantes, a Coreia tem renda per capita de US$ 30 mil, contra US$ 11 mil do Brasil. É um dos países mais desenvolvidos do mundo, que se destaca por sua moderna indústria nacional, altas tecnologias e elevado nível de bem-estar social. Com população quatro vezes maior, o Brasil não tem uma única marca de veículos genuinamente nacional, e somos compradores dos produtos das coreanas Hyundai e Kia, além de outras gigantes como Samsung e LG.

Para começar, após o fim da guerra contra a vizinha do norte, a Coreia do Sul abraçou o capitalismo sem pruridos ideológicos, enquanto o Brasil nunca foi verdadeiramente capitalista e sempre viu a economia de mercado com certa desconfiança. O governo coreano definiu que seu escopo seria a fixação da estratégia de crescimento econômico e a criação de condições para a modernização capitalista. As reformas que vieram a seguir tiveram essas duas diretrizes como base e o país teve um surpreendente surto de desenvolvimento a partir dos anos 70.

O êxito coreano se deve, entre outros, a cinco fatores: a reforma agrária implantada no pós-guerra, que diminuiu sensivelmente a pobreza rural; o programa educacional, com maciços investimentos na educação de base sem a cultura bacharelesca latino-americana; a adoção do planejamento familiar; a abertura para o exterior e priorização de indústrias voltadas à exportação; investimentos pesados em infraestrutura de transportes, comunicações e tecnologias de ponta.

A Coreia entendeu que o motor do crescimento econômico é a empresa, não o Estado, e que a figura central da criação de riqueza é o empreendedor, não o burocrata estatal. Curiosamente, a Coreia demorou para estabilizar seu sistema de governo, após titubear sob governantes autoritários e tumultos políticos. No ranking internacional, o país é considerado o mais inovador do mundo, o que somente é possível pelo respeito reverencial ao pesquisador, ao inventor, ao empreendedor e ao educador.

Já o Brasil não se libertou da cultura bacharelesca (que valoriza mais as letras que a tecnologia), do apego subserviente ao Estado (que desconhece a expressão “satisfação do cliente”, mesmo vivendo à custa deste) e da aceitação envergonhada da economia de mercado. Nosso país tem uma relação esquizofrênica com o capitalismo. Adotamos o sistema, mas tratamos mal seu principal ator – o empresário -, não conseguimos entender a lei da oferta e da procura e seguimos acreditando, ingenuamente, que para cada problema individual há sempre uma solução estatal.

Mas a grande revolução coreana foi na educação. Ao dar ênfase à educação das mulheres, uma legião de trabalhadoras qualificadas foi formada e a explosão populacional foi contida. Ao priorizar a educação de base, o analfabetismo foi vencido e a competência técnica foi adquirida. Ao concentrar os recursos (sempre escassos) no ensino tecnológico e no domínio das matemáticas, uma multidão de trabalhadores tecnicamente preparados lançou o país ao sucesso econômico.

Bem, não é preciso ir longe para entender o que a Coreia fez e o Brasil não…

José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.

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Vendas de materiais de construção abaixo do esperado em 2012

A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) divulga o Índice de Vendas referente ao mês de agosto. No levantamento, o acumulado das vendas da indústria de materiais de janeiro a agosto teve um crescimento de apenas 2,1% com relação a este mesmo período do ano passado. Atualmente, a previsão crescimento para o ano é de 3,4%. Se relacionado ao mês anterior, as vendas aumentaram em 8,2%.

“Embora agosto apresente uma reação nas vendas, superando julho, o fraco resultado no acumulado do ano coloca um enorme desafio para alcançarmos a previsão de fechamento do ano de 3,4%”, informou Walter Cover, presidente da ABRAMAT. O executivo também conta que as vendas no primeiro semestre desse ano foram fortemente afetadas pela dificuldade na aprovação de crédito pelas famílias e em função do baixo crescimento das obras de infraestrutura.

Já o nível de emprego deste mês, em relação ao mesmo mês do ano passado, fechou em queda de 0,3%.

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Executivos da área de tecnologia esperam crescimento moderado para o setor, aponta pesquisa da KPMG

Brasil ocupa o terceiro lugar neste ranking, empatado com a Índia, como o mercado com a maior expectativa de aumento de receitas
O setor de tecnologia parece estar caminhando em direção a uma fase de crescimento moderado em relação ao número de contratações, receita e investimentos no próximo ano, de acordo com os resultados da pesquisa anual Technology Industry Business Outlook (Panorama de Negócios para a Indústria de Tecnologia, em português), realizada pela KPMG LLP, firma-membro norte-americana da rede KPMG International. Segundo o levantamento, os Estados Unidos continuam a liderar o mercado em relação às perspectivas de crescimento em contratações, receita e pesquisa e desenvolvimento nos próximos dois anos, à frente da China e Índia.

Embora um número maior de executivos de tecnologia entrevistados (57%), em comparação com a pesquisa de 2011 (49%), esperar aumento no número de funcionários de suas empresas no próximo ano, eles dizem acreditar que a maior parte do crescimento terá um índice moderado. Quando questionados sobre o tamanho do aumento, 42% responderam de 1% a 6%, em comparação com os 28% da pesquisa realizada no ano anterior. Somente 15% previram uma taxa de crescimento de 7% ou mais, resultado 21% inferior à do ano anterior.

Os executivos estimam receitas similares. Apesar de mais de 75% deles esperarem o aumento da receita de suas empresas no próximo ano, somente 10% confiam em uma receita significativamente maior daqui a um ano, contra os 17% da pesquisa de 2011. Por outro lado, 67% dos executivos afirmaram que a receita de suas empresas será moderadamente maior, em comparação aos 60% da pesquisa realizada no ano anterior. O grupo de entrevistados que prevê que a receita não sofrerá alteração por um ano soma 20% do total, praticamente o mesmo de 2011 (21%). Espera-se que a computação em nuvem, os aplicativos móveis e o consumo de TI gerem o maior crescimento para as receita nos próximos três anos.

Gary Matuszak, sócio norte-americano e líder global da prática de Technology, Media and Telecommunications da KPMG, afirma que, “em conjunto com as perspectivas moderadas de contratações, de receitas e investimentos, há um foco maior no processo e na execução do setor, conforme os executivos investem com cautela para implementar seus planos e auxiliar na garantia do sucesso de suas estratégias”. “Na pesquisa deste ano, um número maior de executivos identifica a melhoria nos processos como uma das principais iniciativas de gestão em suas empresas para os próximos dois anos, embora o crescimento orgânico continue sendo a iniciativa primordial de gestão.”

“No Brasil, as perspectivas são similares à média apurada na pesquisa. O que tem feito a diferença são as políticas de incentivo adotadas pelo governo e o fortalecimento gradativo de nosso mercado consumidor interno”, destaca Marcelo Gavioli, sócio do segmento na KPMG no Brasil.

Quanto aos segmentos em que pretendem aumentar o investimento no próximo ano, os executivos novamente estão apontando para novos produtos ou serviços, aquisições e pesquisas e desenvolvimento como as maiores prioridades.
Ao analisar as despesas de capital como um todo, apenas 27% dos executivos de tecnologia preveem um aumento de 6% para o próximo ano, em comparação com 31% há um ano. Outros 27% veem um aumento de 1% a 5%, em comparação a 22% em 2011.
Matuszak afirma que “o panorama para as despesas de capital, apesar de mais moderadas, demonstra que os líderes das empresas reconhecem a importância de investir em seus planos de crescimento para serem inovadores e reagir às pressões da concorrência.”

Espera-se, também, taxas de crescimento mais modestas em relação aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para o próximo ano. A pesquisa da KPMG revelou que sete em dez entrevistados, praticamente o mesmo resultado de 2011, esperam um aumento nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. No entanto, somente 29% percebem um aumento de 6% ou mais para os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, em relação aos 36% da pesquisa do ano anterior, enquanto 42% esperam um aumento de 1% a 5%, em relação a 34% em 2011. Nesse sentido, houve um pequeno aumento no número de executivos que afirmaram não haver mudança nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Crescimento dos mercados dominantes
Pelo segundo ano consecutivo, os Estados Unidos lideram, à frente de China e Índia, como o mercado de que se espera o maior aumento de receita na área de tecnologia nos próximos dois anos, e onde as empresas de tecnologia preveem seu maior aumento relacionado a investimentos em pesquisas e desenvolvimento e contratações. O Brasil ocupa o terceiro lugar neste ranking, empatado com a Índia, como o mercado com a maior expectativa de aumento de receitas, o quarto lugar em aumento das contratações e o sétimo em investimentos em pesquisas e desenvolvimento.

Barreiras para o crescimento do setor
As pressões relacionadas aos preços continuarão sendo a barreira mais significativa ao setor no próximo ano, acompanhadas da atualização contínua em relação às novas tecnologias, além da falta de procura pelos clientes.
Este ano, um número maior de executivos cita os custos trabalhistas, pressões regulamentares e legislativas, ausência de mão de obra qualificada, concorrência externa, bem como tributação elevada como barreiras significativas para o crescimento. Os executivos de tecnologia indicaram que a governança de privacidade/segurança é o principal desafio para que as empresas adotem a computação nuvem, as mídias sociais e as tecnologias móveis.

Demora na recuperação dos EUA
Em consonância com as pesquisas realizadas pela KPMG nos dois últimos anos, os executivos de tecnologia adiam suas expectativas em relação à recuperação da economia dos Estados Unidos, já que mais de dois terços destes profissionais não veem uma recuperação substancial da economia até 2014 ou além.

Sobre a pesquisa
A pesquisa Technology Industry Business Outlook, da KPMG, foi realizada nos Estados Unidos em abril de 2012 e reflete basicamente as respostas de 122 altos executivos do setor de tecnologia. Dos 122 entrevistados, cujas empresas podem estar localizadas nos Estados Unidos ou em outros países, 62% pertencem a companhias com receitas anuais superiores a US$ 1 bilhão, e 38%, a empresas com faturamento entre US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão.

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