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Como as telas mais largas em smartphones influenciam no desenvolvimento de aplicativos

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Se você gosta ou está sempre por dentro do mundo das séries e de novas tecnologias, provavelmente já deve ter ouvido falar que de algumas mudanças que estão sendo encontrados nas exibições da Netflix para séries antigas, como a presença de dublês nas cenas de Friends. Não se trata, na verdade, de um erro de gravação, mas, sim, na alteração de um dos padrões mundiais de gravação. Entenda: se na década de 1990 as gravações eram na proporção 4:3, a alteração dos aparelhos televisivos para o formato widescreen mudou a exibição para o 16:9. Assim, no formato antigo da televisão (praticamente quadradas, 4 por 3), a imagem horizontal era mais estreita e, portanto, várias partes da cena estavam perdidas no enquadramento.

No entanto, esse padrão está novamente sofrendo alterações – agora é a vez dos smartphones. A chegada do aparelho Galaxy S8, da Samsung, é um exemplo disso. O modelo segue o padrão 18:9, também conhecido como 2:1 – nele, um dos lados da tela tem o dobro do tamanho da outra.

Aplicativos, jogos e todas as telas do sistema operacional, portanto, precisam ser remodeladas para serem exibidas no novo aparelho da gigante sul-coreana. “É uma alteração em um padrão mundial, que abre novas opções de exibição ao mesmo tempo em que dita alterações para vários tipos de arquivos digitais”, aponta Vinicius Gallafrio, CEO da MadeinWeb , empresa que busca desenvolver soluções web e mobile.

O novo formato parece estar se popularizando e as empresas rivais da Samsung já começam a demonstrar interesse pela tendência. No Mobile World Congress 2017, realizado em Barcelona, na Espanha, em fevereiro e março deste ano, a LG anunciou que o 18:9 vai ser usado no modelo LG G6, que será lançado ainda neste ano.

Impacto no Desenvolvimento de Aplicativos

Apesar da maioria dos aplicativos para Android já possuir uma certa flexibilidade para serem adaptados e diferentes formatos, o padrão 2:1 representa algumas alterações mais significativas que impactam no desenvolvimento de aplicativos. Isso porque essa proporção é também uma carta na manga: a tela pode ser usada convencionalmente ou com dois apps lado a lado, para agilizar processos multitarefas, como já é possível em computadores e notebooks. Nesse novo formato, no entanto, os aplicativos simultâneos ficariam exibidos em dois blocos de formato quadrado.

“Todos os aplicativos precisam ser atualizados no Google Play para suportar esse novo tamanho de tela mais larga. Do ponto de vista de programação a alteração é bem simples se o seu aplicativo estiver desenvolvido seguindo as guidelines da Google”, explica Gallafrio.

A alteração do padrão se mostra, assim, bem mais significativa e impactante do que parece a um primeiro olhar, já que abre um leque de opções para possíveis combinações de compartilhamento e troca de tela.

Ainda é recente afirmar se esse novo padrão de telas vai realmente se popularizar e se institucionalizar de forma efetiva. A Apple, responsável pela produção de grande parte dos smartphones vendidos no mundo, ainda não sinalizou esse vai aderir a esse tipo de proporção em seus novos lançamentos.

Se ela confirmar essa alteração, o padrão de exibição ganha uma relevância ainda mais efetiva e tem tudo para revolucionar o formato de apps pelo mundo. Também é preciso considerar a resposta do público e as interações de usabilidade, já que é preciso ter um feedback positivo para conseguir emplacar o modelo e tornar o 16:9 tão obsoleto quanto o formato das saudosas TVs de tubo nas décadas passadas.

Enquanto isso, as empresas fabricantes de apps se modernizam para atender às novas expectativas do mercado, possibilitando as funções multitasks, com melhor qualidade de imagem.

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