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Transformação digital: o varejo do futuro

Por Danilo Nascimento

A transformação digital no varejo não é mais uma tendência, e sim uma necessidade do mercado. A mudança de comportamento dos consumidores, que cada vez mais encontram no smartphone um parceiro fiel para seus relacionamentos com marcas, produtos e serviços, o que muda, totalmente, a regra do jogo.

Empresas de todos os portes precisam integrar processos e soluções tecnológicas para aumentar sua eficiência operacional, trazer inovações e entregar experiências de consumo realmente relevantes. O fato é que o ambiente de varejo precisa evoluir, e tornar-se muito mais do que um lugar para comprar produtos. Os clientes passaram a demandar mais conveniência, opções de escolha, acesso facilitado, simplificação dos pontos de contato e, principalmente, personalização.

No momento em que o consumidor começa a esperar que as lojas entreguem o mesmo tipo de experiência que recebem em seu celular, isso passa a ser um desafio para o varejo. Além disso, a equipe de vendas que conhece de forma superficial os produtos não tem chance quando comparada ao Google, e a publicidade soa ainda mais artificial quando colocada a frente das opiniões pessoas.

É por isso que a transformação nesse setor significa repensar processos e criar um ambiente conectado que, ao utilizar a tecnologia de forma eficiente, faz com que o consumidor esteja realmente no centro dos negócios. Acompanhar seus movimentos (e, de preferência, antecipá-los) exige que as empresas sejam inovadoras, ágeis e inteligentes no uso de dados. Tentar fazer isso com base na cultura tradicional, analógica, é impossível. E, se as regras do varejo mudaram, é preciso se reinventar.

É importante entender que a transformação digital do varejo é, em primeiro lugar, uma transformação cultural. Mas isso só começa a acontecer a partir do momento que pessoas entendem os processos internos da corporação e a maneira de usar essas tecnologias. Para que isso aconteça, o varejo precisa mudar os seguintes pontos:

. Cultura interna: Os modelos de gestão, remuneração e engajamento dos colaboradores precisam ser repensados para essa nova era, e como isso vai refletir nos consumidores. Diante desse cenário, é preciso desenvolver as competências (conjunto de habilidades e tecnologias) necessárias para oferecer benefícios aos seus clientes e se diferenciar do mercado.

. Estruturas das empresas: Elas precisam ser mais leves, colaborativas, ágeis, flexíveis e com menos hierarquia e burocracia. Assim, o varejo vem evoluindo aos poucos, incorporando aspectos culturais da transformação digital, criando áreas que estimulam a inovação e, fazendo as alterações necessárias para a nova realidade do mercado.

. Modelo de negócios: O grande diferencial do varejo é sua proximidade com os clientes. A partir disso, é possível entender o comportamento do público e desenvolver soluções que façam sentido para eles. As empresas precisam colocar o cliente no centro do negócio.

. Invista em dados: Os dados ajudam nas tomadas de decisões e análises. O tempo da intuição ficou para trás, mas fazer essa mudança demanda novas habilidades e competências. O mercado é complexo demais para que o varejo determine preços, promoções, sortimento, volume de compras e expansão com base naquilo que uma ou algumas pessoas acreditam ser o ideal. Com frequência, decisões melhores poderiam ter sido adotadas caso houvessem mais dados disponíveis. Importante ter em mente que dados ganham de opiniões.

Diante desses pontos, podemos concluir que a transformação digital já é uma realidade no varejo, pois as marcas já entenderam essa necessidade. Mas, ainda há muitas lacunas a preencher. Portanto, continuemos sendo otimistas que em pouco tempo o setor vai ser totalmente baseado na análise de dados e serão entregue insights e análises ainda mais detalhadas.

Danilo Nascimento, sócio-diretor da Propz

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Encontre, influencie e aprenda com seus melhores clientes

Por Israel Nacaxe

A ideia pode parecer estranha à primeira vista: para crescer, tenha como foco seus melhores e mais valiosos clientes. Normalmente aquele grupo menor de clientes da sua base. Muitas vezes despriorizado por ações para adquirir ainda mais clientes ou tentar recuperar aqueles clientes inativos, seja mais relevante para quem realmente importa. Essa forma de atuar, que aparentemente limita suas ativações, é, na realidade, a maneira mais poderosa de ampliar seus resultados, com mais vendas e maior rentabilidade.

Na base do conceito de focar os melhores clientes está o conhecido Princípio de Pareto, que atribui causas em uma amostra de resultados de forma não-linear e apresenta sua famosa proporção 80/20: ou seja, 80% das suas vendas se concentram em 20% dos clientes, por exemplo. Dessa forma, existe um desequilíbrio entre causas e efeitos, esforços e resultados. O esforço em aumentar sua presença e preferência de consumo nos 20% de clientes mais importantes é muito diferente do esforço de fazer crescer a rentabilidade dos 20% menos importantes.

Curiosamente, reconhecer a existência do princípio não faz com que as empresas o utilizem a seu favor: em 2006, a Bain & Company já mostrava que um aumento de 5% na taxa de retenção de clientes aumentava os lucros das empresas entre 25% e 95%. Manter clientes é mais lucrativo do que conquistar novos consumidores, mas, ainda assim, a maior parte das empresas está mais focada em ampliar sua base de clientes e recuperar clientes inativos do que em manter e aprofundar seu relacionamento com quem já consome seus produtos e serviços.

Em grande parte, isso acontece por um mindset que valoriza a amplitude em detrimento da profundidade, como se valesse mais a pena ter milhões de clientes ocasionais e incertos do que ser realmente relevante para milhares de clientes fiéis. Há algumas décadas, quando a comunicação de massa era o paradigma e as opções de produtos e serviços eram limitadas, esse raciocínio fazia sentido. Hoje, porém, o consumidor tem muitas opções à sua disposição e muito, mas muito, acesso à informação. Como ouvimos várias vezes durante a NRF Big Show deste ano, no passado os clientes estavam em busca de produtos, mas hoje os produtos estão em busca de clientes. O investimento na aquisição de novos consumidores é elevado e muito menos eficiente que a manutenção dos atuais clientes.

O jogo virou e, para vencer e destacar-se da concorrência, as empresas precisam mudar sua abordagem e se tornar relevantes para seu público. O lado bom é que a tecnologia viabiliza essa mudança de paradigma. A análise das informações transacionais disponíveis nos sistemas CRM, aliada à Inteligência Artificial, torna possível não apenas identificar quem são os melhores clientes, mas também predizer seu comportamento e em quais categorias de produtos existem as melhores oportunidades de aumento de relevância e ganho de share of wallet. Isso permite otimizar investimentos e identificar mais rapidamente categorias que estão se tornando importantes para os consumidores, ativando-os nos canais de maior relevância.

A análise avançada dos dados sobre o comportamento dos clientes abre às empresas um imenso potencial para ampliação de sua relevância junto ao público, fazendo com que se tornem mais valiosas para os consumidores. E, ao ganhar valor para os clientes, as empresas ampliam suas vendas. O uso de Inteligência Analítica dá às empresas a oportunidade de aprofundar seu relacionamento e investir para influenciar o comportamento de quem realmente importa: seus melhores e mais lucrativos clientes.

Israel Nacaxe é COO e co-fundador da Propz – empresa de tecnologia que oferece soluções de inteligência analítica e Big Data para o varejo físico e serviços financeiros.

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