Tag negócios

Geopolítica em evidência – Por Augusto Sales, da KPMG

Faltando poucos meses para as eleições no Brasil, a indefinição com relação aos nomes dos candidatos, o fenômeno da polarização e o ânimo exaltado dos brasileiros com relação ao tema indicam que será uma das disputas mais curiosas das últimas décadas. Se um candidato de direita, de esquerda ou de centro-direita for eleito, qual será o cenário? Se fulano de tal se tornar presidente, qual será o direcionamento dele em relação à abertura de mercado? Questões essas eram analisadas superficialmente por investidores que têm a intenção de entrar ou expandir seus negócios no país, mas que agora têm um lugar de destaque no rol de preocupações, numa escala quase que prioritária. É o desafio em fazer negócios em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo em termos geopolíticos.

Nesse aspecto, questões tradicionais como identificação de concorrência, do público alvo e taxa de retorno agora passam a dividir as atenções com a geopolítica que passou a ser fator que requer cautela nas estratégias empresariais do investidor estrangeiro que quer entrar no Brasil, daquele que está aqui e quer fazer expansão pelo país e do empresário brasileiro que pensa em internacionalizar seus negócios.

Não só no Brasil, mas ao redor do mundo, organizações bem-sucedidas estão colocando as questões sociodemográficas e geopolíticas no centro de uma ampla estratégia empresarial. O ambiente político e social é hoje uma das maiores preocupações dos investidores, e esclarecê-las permite que respondam melhor às ameaças e também para a identificação de oportunidades. Como sabemos, pilares de uma estratégia e dos planos de negócios que apoiam as decisões de investimento – tamanho da oportunidade, mercado, ambiente competitivo, regulação, taxas de juros, alíquotas de impostos, tarifas etc. – podem sofrer alterações significativas dependendo do viés político de quem administra um país ou ente federativo. Trump, Brexit, Impeachment? Elevação de taxas de importação, tratados bilaterais, guerra-fria? O investidor informado tem aprendido que economia, mercado e política estão cada vez mais interdependentes.

Os líderes empresariais globais estão mais atentos aos resultados, positivos, neutros ou negativos, advindos de um ambiente geopolítico global relativamente volátil, de baixa previsibilidade e cujos impactos podem atravessar as fronteiras de vários países. Impactos podem ser difíceis de prever sem um monitoramento cuidadoso e com uso de cenários. O tempo de reação é limitado. Os riscos negativos podem muitas vezes ser obscuros demais para se proteger deles de forma adequada. Além disso, as oportunidades oriundas de mudanças políticas podem ser exploradas pelos concorrentes antes que se compreenda o que está ocorrendo.

Passa pelos questionamentos dos investidores uma abordagem que envolva os modelos tanto de negócio como o operacional. Dessa forma, busca-se saber, entre outras coisas, se os atuais pressupostos de planejamento empresarial poderiam ser prejudicados pela geopolítica; e de que forma a ordem política global em constante mudança influenciará suas operações em particular. Eles questionam ainda o que precisam fazer se as previsões de seus planos de negócio forem submetidas a testes de stress com relação às rupturas geopolíticas e o que significa uma maior incerteza em termos de acesso e custo de capital e recursos.

Embora a abordagem “espere para ver” possa ser vista como o caminho mais fácil, os sinais podem ser previstos se você procurar nos lugares certos, se souber como aproveitar as oportunidades identificadas e se conseguir transformar este exercício em ação. Mundo afora, a experiência mostra que organizações e executivos bem preparados estão aprendendo a tirar vantagem do ambiente social e político, compreendendo melhor as regras do jogo e reduzindo o risco de serem surpreendidos por mudanças no ambiente.

Em um mundo complexo comandado por grandes e controversos líderes, gestores e investidores precisam estar bem equipados e confiantes ao fazer escolhas estratégicas em meio à incerteza e à constante ruptura, e os ganhadores aprenderão a integrar estratégias de mercado e geopolíticas em busca de vantagem competitiva. Ao final do dia, de forma geral, o investidor profissional não precisa ter partido político.

Augusto Sales, sócio de estratégia da KPMG

Tags, , , , , ,

A importância da gestão financeira para a sustentabilidade dos negócios

Por Dennis Herszkowicz

Em tempos de retração econômica, a máxima de que empresas de todos os tamanhos devem olhar para suas finanças com toda atenção soa mais verdadeira do que nunca. A organização das finanças empresariais, incluindo gestão financeira, o planejamento tributário e o controle de fluxo de caixa, são processos que devem ser encarados não apenas como essenciais para que o negócio traga rentabilidade, mas fundamentais para que o empreendimento seja sustentável. E a diferença entre trazer lucro e ser sustentável é abissal: um negócio pode ser rentável no curto prazo, mas, sem reinvestimentos e uma boa estratégia de crescimento, sua existência no futuro pode estar comprometida.

De maneira geral, uma boa gestão financeira deve garantir os três pontos de sustentação de qualquer empresa: rentabilidade, geração de caixa e sustentabilidade. Garantindo rentabilidade, o que é definido pela obtenção de lucro maior que o investimento, o negócio vai gerar caixa e a possibilidade da distribuição desse lucro além do empreendedor, também para os investidores do negócio. Esses dois primeiros pontos, somados a uma profissionalização da gestão, levam à sustentabilidade do negócio, ou, em outras palavras, a garantia de que a empresa irá prosperar. Quem decide onde a empresa vai alocar seus recursos é um profissional que tem muita responsabilidade sobre o sucesso de empreendimentos de todos os tamanhos: o gestor. É por meio de suas análises e, principalmente, da sua estratégia, que ele garante a sobrevivência do negócio e, mais que isso, propicia que o negócio seja reconhecido como sustentável e ainda mais valorizado.

Acredito que, cada vez mais, a sobrevivência de negócios de todos os setores só será possível pelo caminho da formalização. Uma gestão financeira cuidadosa e uma governança do negócio geram, sim, um valor. Não no curto prazo, visto apenas nas tabelas de controles orçamentários, mas sim um valor traduzido pela perenidade da companhia, reconhecido por investidores e que tem o poder de colocar o negócio à frente da concorrência.

Dennis Herszkowicz é vice-presidente da Linx

Tags, , , , , ,

Alexandria: Inteligência e Big Data para atender um mundo exclusivo

De olho no crescimento do mercado consumidor e na retomada da economia brasileira, a Arkad Finance adquiriu a plataforma tecnológica Alexandria, ferramenta com mais de 172 milhões de consumidores mapeados e um painel de crowdsourcing com cerca de 600 mil pessoas para em tempo real transformar dados e experiências em informações para a indústria.

Esse exército de pessoas que analisam experiências, produtos e atividades possibilita à Alexandria responder às mais diversas perguntas do segmento, combinando Inteligência Artificial e Big Data. O objetivo é justamente garantir que os consumidores, cada vez mais exigentes e rigorosos, tenham experiências únicas fugindo da padronização diante de um mundo cada vez mais abundante em opções.

“Acreditamos que a Inteligência Artificial e o Big Data combinados serão as bases para entender o comportamento social e de consumo. Neste novo ambiente, passaremos a reduzir a quantidade perguntas feitas hoje em dia por análise comportamental dos dados residuais que deixamos principalmente no ambiente Digital”, afirmou o CEO da Alexandria, Federico Sader, que liderou o investimento da Arkad Finance para comprar a tecnologia, produtos e carteira de clientes do seguimento privado da Ideia e da Pinion.

“Com a tecnologia de ponta, é factível entender melhor o apetite por novidade, eliminan-do o ruído entre o que quer o consumidor e o que a indústria tem a oferecer”, afirmou Sader.

A Alexandria terá foco no seguimento de B2B, ajudando seus clientes do setor privado em melhorar o entendimento sobre seus consumidores e audiência, através de pesquisas em tempo real e ações de marketing direto. A missão da nova plataforma é transformar em tempo real dados e experiências em inteligência, proporcionando intervenções rápidas e seguras.

Sader explica que decidiu investir na plataforma por sua escalabilidade e por estar bem posicionada para capitalizar a retomada do crescimento do mercado consumidor brasileiro, que deve ter neste ano o melhor desempenho em três anos, na projeção de analistas do setor.

“Neste cenário, identificamos que a plataforma Alexandria estava muito bem posicionada para crescer neste ambiente de rápida evolução tecnologia. Além de já ter sido testada fora do Brasil. Uma das prioridades para 2018 será a expansão internacional. O mercado da Índia é nosso próximo objetivo”, afirmou. “Não somos uma empresa de pesquisa que usa tecnologia, mas sim uma empresa de tecnologia que também faz pesquisa”, acrescentou.

O CEO da Alexandria tem no currículo mais de uma década trabalhando na indústria de pesquisa de marketing e media Digital liderando relacionando de companhias de bens de consumo, como Ambev, UL, PepsiCo, J&J, P&G.

Tags, , , , , , , , , ,