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A importância de uma conexão direta do Brasil com a Europa – Por João Pedro Flecha de Lima

Na última sexta-feira (21/10) uma onda de ataques cibernéticos contra a empresa norte-americana Dyn Inc., um dos maiores provedores de hospedagem DNS, afetou a disponibilidade de sites e serviços como Twitter, Netflix, PlayStation Network, Spotify, Amazon, The New York Times, CNN, Pinterest, HBO Now, Xbox Live, Reddit, Airbnb e outros. A Dyn fornece serivços para 6% das empresas da Lista Fortune 500. Mais de 1 bilhão de pessoas foram prejudicadas devido a esse ataque DDoS (Distribute Denial of Service), uma investida hacker que consiste em sobrecarregar os servidores alvo com tráfego falso. Segundo Jason Read, fundador da CloudHarmony (empresa de monitoramento de desempenho de internet), este foi “de longe o pior caso de interrupção na Dyn observado até hoje”. O ataque, executado em várias fases, durou cerca de 11 horas.

Não são comuns ataques a grandes serviços que tenham como alvos a infraestrutura da Internet como a Dyn, por se tratarem de milhares de servidores, muito difíceis de serem atingidos. Porém, com bom planejamento e solicitações vindas de dezenas de milhões de IPs ao mesmo tempo, esta ação foi possível.

Neste tipo de ataque, hackers enviam para um determinado site uma quantidade gigantesca de solicitações de acesso ou de dados, que pode ser realizada por diversos usuários, ou por um único computador, que esteja “controlando” outros que estejam infectados por vírus. Esta modalidade inviabiliza a resposta do servidor, por exceder sua capacidade e disponibilidade.

Este ciberataque se junta a uma lista de ações nos últimos meses contra grandes empresas de tecnologia: Yahoo teve 500 milhões de dados das contas “roubados” em Setembro, Dropbox reconheceu o roubo de 60 milhões de informações de contas em Agosto, e outras milhões de contas tiveram dados “roubados” do Twitter (32M), MySpace (36M) e Linkedin (100M).

Nos últimos anos os Estados Unidos sofreram outros ciberataques relevantes, como o ataque à Sony Pictures atribuído à Coréia do Norte. Em 2012, um ataque DDos derrubou os sites do Bank of America, Citigroup Inc, JPMorgan Chase, Wells Fargo, US Bancorp e outros. De acordo com a Organização das Nações Unidas, a estimativa do prejuízo anual gerado a partir do cibercrime no planeta se aproxima de US$ 1 trilhão, mais que o dobro dos US$ 400 bilhões movimentados pelo tráfico de drogas em todo o mundo, anualmente. Um relatório divulgado pelo Gartner aponta que em 2020, cerca de 30% das 2.000 maiores empresas globais serão comprometidas por grupos de ciberativistas ou cibercriminosos. A ampla maioria dos ciberataques tem como alvo os EUA, por este ser o núcleo da internet mundial, e também por causa de seu poderio econômico-militar e ativismo geo-político, o que desperta iras e fanatismos de muitos grupos.

Como a conexão física do Brasil com o resto do mundo é praticamente toda feita de via Estados Unidos, quando ataques desta natureza ocorrem, usuários e empresas brasileiras são afetados em maior ou menor grau, podendo ficar um bom tempo sem acessar e-mails, sites, serviços de música, jogos, entre muitos outros, trazendo inúmeros prejuízos e nos fazendo refletir sobre a topologia de insfraestrutura de transmissão global de dados atualmente existente.

Antigamente (antes de 2000), as pessoas “falavam” ao telefone, e as redes eram distribuídas pelos continentes e países, que conectavam suas centrais telefônicas. Com o fenômeno da internet e pelo fato da grande maioria das OTTs ser norte-americana (Google, Facebook, Netflix, Skype, etc.), a topologia da rede mundial ficou muito “US-Centric”, o que não é interessante.

Os usuários de internet já representam mais de 80% da conectividade global. As ligações via cabos submarinos são essenciais para a conexão de internet física entre os países e continentes. Ao contrário do que muitos pensam, praticamente todo (>99%) o tráfego global de voz, dados e imagens é feito conduzido através das fibras óticas contidas nos cabos submarinos. Na mesma proporção, quase todo (>99%) tráfego que entra e sai do Brasil, é feita via cabos submarinos que passam pelos EUA.

Investimentos em TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) são reconhecidamente os grandes propulsores do desenvolvimento econômico e social das nações. Os verdadeiros “Drivers” da Era da Informação são os Data Centers e os Cabos Submarinos. Um Cabo Submarino moderno e de grande capacidade, ligando diretamente o Brasil com a Europa, é de fundamental importância para nosso país, já que o continente europeu reúne 7 dos 10 maiores Pontos de Troca de Tráfego do mundo (PTT – interconexão física entre dois ou mais provedores de Internet para troca de tráfego entre suas redes). Em situações críticas, como a que ocorreu na semana passada como o ataque hacker aos provedores norte-americanos, esta ligação seria crucial para assegurar a disponibilidade do acesso aos dados e serviços a partir do Brasil, pois mais de 70% de todo conteúdo que os brasileiros acessam da internet está também disponível na Europa.

João Pedro Flecha de Lima, CEO da Cabos Brasil-Europa (EllaLink), empresa constituída para construir um cabo submarino entre o Brasil e a Europa.

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Smartphone Congress confirma forte impacto do smartphone nos negócios

O Smartphone Congress, evento que integrou a programação especial da 10ª Eletrolar Show – maior feira da América Latina de bens de consumo duráveis – foi palco para um rico debate sobre o impacto desse gadget que tem um mercado promissor: é um dos poucos que cresce em ano de crise.

Realizada entre os dias 20 e 22 de julho no Transamerica Expo Center, em São Paulo, a primeira edição do evento debateu os negócios ligados a smartphones, aplicativos, m-commerce, publicidade móvel, formas de pagamentos, redes sociais, Big Data, vestíveis e a conexão de todos os eletrodomésticos do lar.

Segundo dados de um estudo setorial sobre o desempenho dos mercados nacional e global de smartphones, apresentados por Oliver Romerscheidt, diretor de Tecnologia da GFK, os smartphones estão ganhando importância entre as categorias de produtos eletrônicos. De acordo com o estudo, o mercado global de eletrônicos movimentará US$ 830 bilhões neste ano. Deste total, a indústria de smartphones responderá por 52%. No Brasil, a participação dos smartphones no setor de eletrônicos será de 56%.

Quanto ao volume de vendas, foram comercializados 1,2 bilhão de smartphones no mundo no ano passado e, para 2015, a previsão é que este número suba para 1,4 bilhões de unidades.

Ainda de acordo com Romercheidt, o crescimento global deste mercado está sendo impulsionado pelos países emergentes. “A Índia é o mercado que mais cresce no mundo, cuja previsão para este ano é de um salto de 43% nas vendas. No Brasil, o avanço também será satisfatório. Até o fim deste ano, um em cada 10 smartphones será vendido no mercado sul-americano”, disse o executivo.

Em 2014, dentre o total de celulares vendidos no Brasil, 81% foram smartphones. Neste ano, os aparelhos inteligentes já responderam por 89% das vendas. A média global é de 76%. Para Carlos Clur, presidente do Grupo Eletrolar, “o smartphone aumentou – e muito – a produtividade das pessoas e pode fazer o mesmo pelas empresas e pelo desempenho da economia”, afirma o executivo.

Destaques do Congresso

O evento de abertura do Smartphone Congress, realizado nessa segunda-feira, 20, contou com a participação de Randi Zuckerberg, diretora do Facebook entre 2005 e 2001 e CEO da Zuckerberger Media. Randi falou sobre o tema: Dez Tendências Intrigantes para Impactar o seu Negócio e destacou a importância dos novos recursos digitais — de dispositivos móveis e games às redes sociais – para reinventar a forma de administrar e motivar funcionários e clientes dos mais diversos segmentos.

Mediado pelo curador João Pedro Flecha de Lima, o primeiro dos quatro painéis do evento contou com a participação de André Machado Fonseca, conselheiro da Anbritel, organização que reúne as cinco maiores empresas que atuam no setor de instalação e locação de torres transmissoras no país; Eduardo Levy Moreira, presidente executivo do SindiTelebrasil; Eduardo Moreno, consultor de Telecom; e Kleber Antunes da Silva, da Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações. Em comum, os participantes ressaltaram a necessidade dos diferentes segmentos atuarem em conjunto para enfrentar desafios do setor e ressaltaram que a maior dificuldade é a implantação de infraestrutura adequada que permita o crescente tráfego de dados e acompanhe o ritmo das vendas de dispositivos móveis inteligentes.

Big Data foi o tema da palestra do diretor de Tecnologia da Nokia, Wilson Cardoso, no segundo dia do Smartphone Congress. Segundo Cardoso, equipamentos como smartphones passaram a ser fonte confiável de informação sobre o usuário.

Finbarr Moynihan, vice-presidente de vendas corporativas internacionais da MediaTek falou sobre o futuro dos smartphones. O executivo apontou três questões principais: eficiência, evolução das câmeras e internet das coisas.

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