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Fomentar a inovação para o Brasil voltar a crescer

Por Jamile Sabatini Marques, diretora de Inovação e Fomento da Associação Brasileira das Empresas de Software – ABES

A inovação gera competitividade no mercado nacional e internacional, cria novos mercados e gera novas formas de consumo. O fomento à inovação é um dos caminhos fundamentais para o Brasil voltar a crescer.

O austríaco Joseph Schumpeter, (1911), economista e cientista político, já demonstrava a importância de se fomentar o empreendedor inovador – aquele que cria novos mercados e oportunidades de trabalho e propicia o desenvolvimento econômico.

Bancos e agências de desenvolvimento podem fomentar a inovação com financiamentos e taxas mais atrativas, melhorando as formas de garantias e sendo mais flexíveis e compatíveis com a era do conhecimento. Ainda hoje, os bancos continuam com a mentalidade da era industrial no que diz respeito a garantias, o que impede o acesso de empresas de menor porte ao financiamento. Hoje, existem poucas linhas de fomento para MPME (micro, pequenas e médias empresas), sendo que elas já representam mais de 90% das companhias brasileiras.

O País necessita estar em alerta para a transformação que estamos vivendo quanto a forma de consumo, as quais estão mudando de forma muito rápida e o mercado brasileiro precisa estar atento a este movimento. Quando se percebe que hoje assistimos um filme, escutamos uma música, pegamos um táxi, nos comunicamos de forma diferente do que fazíamos há 10 anos, temos que parar para refletir sobre estas mudanças e oportunizar aos empresários brasileiros que também criem e se tornem competitivos. Hoje, somos usuários de muitas tecnologias estrangeiras como Netflix, Spotify, Uber e WhatsAp) os quais são casos de disrupção.

Dentro dessa ideia, faz-se necessário fomentar mão de obra qualificada a fim de criar novos empreendedores e suprir as demandas das empresas que já estão no mercado. Também é essencial para o desenvolvimento do país, aproximar a academia das MPME para que especialistas possam contribuir com a geração de novos produtos.

Países que estão atentos a este tema investem de 2,3% a 4,2% do seu PIB como forma de serem cada vez mais competitivos e ganharem espaço mundial.

Hoje, o Brasil investe menos de 1% do seu PIB em pesquisa e desenvolvimento. Quando aumentar estes investimentos, teremos um país mais próspero e mais competitivo na esfera mundial.

*Por Jamile Sabatini Marques, diretora de Inovação e Fomento da Associação Brasileira das Empresas de Software – ABES

Imagem: Fonte: Marques, 2016. Este framework quer dizer que a partir do conhecimento as pessoas criam seus produtos e serviços. Os empreendedores necessitam de fomento para desenvolverem e levarem sua criatividade ao mercado. Ao chegar ao mercado estes passam da criatividade para a inovação e consequentemente se tornam mais competitivos, pois geram novos mercados e novas formas de consumo e como resultado geram desenvolvimento econômico baseado no conhecimento (DEBC).

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Cartão BNDES como uma alternativa de fomento à inovação

Por Jamile Sabatini Marques, Diretora de Inovação e Fomento da ABES

Fomentar a inovação é essencial para o desenvolvimento econômico de um país. As nações desenvolvidas têm alocado cada vez mais recursos à busca de soluções inovadoras, por perceberem que essa é uma forma de criar novos mercados, tornar suas empresas mais competitivas e gerar desenvolvimento econômico.

O Brasil investe menos de 1% do seu PIB em pesquisa e desenvolvimento, mas, atualmente, tem-se trabalhado fortemente em várias frentes, para que as empresas do setor tecnológico, as quais são inovadoras pela sua natureza, tenham cada vez mais acesso ao crédito. As agências e bancos de desenvolvimento têm buscado novas formas de financiamento para fomentar as companhias inovadoras nacionais.

Fomentar uma ideia/projeto com taxas atrativas, para que as empresas possam ir ao mercado e se tornar uma inovação, gerando competitividade e desenvolvimento econômico, é de extrema relevância para um país que deseja estar no mercado global e possuir mão de obra qualificada.

Em 2013, a ABES fez uma pesquisa com os seus associados para entender quais eram as principais linhas de fomento utilizadas. Chamou a atenção que o Cartão BNDES foi considerada a linha de fomento mais popular, por sua facilidade de uso, menor burocracia e por estar há mais tempo no mercado.

Agora, em 2018, o BNDES, como banco de desenvolvimento, trouxe uma novidade ao mercado: a ampliação do uso do Cartão pelo setor, trazendo a possibilidade de financiar, não só os softwares prontos desenvolvidos nacionalmente, mas também a prestação do serviço de desenvolvimento de softwares sob encomenda, de websites corporativos e de lojas virtuais, dentre outros.

Esse passo é muito importante para a indústria como um todo, pois empresas com problemas de competividade e ausentes do mundo virtual poderão, por meio do Cartão, incrementar seus produtos e serviços com facilidade ao crédito.

É importante destacar que as empresas do setor de softwares podem ser não somente portadoras do Cartão BNDES, para adquirir novos produtos e serviços para seus negócios, mas também podem se tornar fornecedoras credenciadas de softwares e serviços de desenvolvimento sob encomenda.

A resposta das empresas, com relação ao anúncio da expansão dos benefícios do Cartão, foi imediata, com um grande volume de cadastros no site oficial do banco – uma amostra clara do tamanho da demanda existente e das oportunidades no horizonte.

Desde o seu lançamento, em 2003, o Cartão BNDES (espécie de cartão de crédito que apoia investimentos de micro, pequenas e médias empresas) beneficia o setor de tecnologia da informação, como uma das principais linhas de crédito para financiar softwares prontos. Aproximadamente R$ 985 milhões já foram utilizados pelas micro, pequenas e médias empresas por meio desse produto, uma medida fundamental para que o País tenha se consolidado como o principal mercado de TIC da América Latina e um dos maiores do mundo. Segundo estudo anual da ABES, realizado em conjunto com a consultoria IDC, o ano de 2017 registrou um aumento de 4,5% no mercado nacional de hardware, software e serviços de tecnologia.

Tanto a solicitação do Cartão BNDES quanto a do credenciamento como Fornecedor são realizadas diretamente no site www.cartaobndes.gov.br, sendo seguidas por análise do perfil das companhias interessadas e uma assistência completa da equipe do BNDES. Em poucas semanas, a empresa desenvolvedora de softwares estará credenciada e apta a oferecer mais essa alternativa de pagamento para seus clientes. Não há limite de valor pré-estabelecido para o financiamento do serviço de desenvolvimento de software (até 100% da prestação de serviços podem ser subsidiada), enquanto as áreas de websites e lojas corporativas possibilitam movimentar até R$ 30 mil por ano, por comprador.

Mais do que utilizar os recursos para financiar a produção, o Cartão permite transações que envolvam também os serviços correlatos – ou seja, existe a possibilidade de financiar, juntamente com um software pronto, os serviços de implantação, customização e treinamento, por exemplo. Todo o regulamento (incluindo, ainda, a possibilidade de contemplar serviços de fornecedores) pode ser consultado na área de dúvidas do Portal do Cartão BNDES.

Diversos empresários do setor já estão habituados a aproveitar essas múltiplas oportunidades para suas linhas de softwares prontos. Atualmente, existem cerca de 2.400 desenvolvedoras de software já credenciadas para realizar vendas no Portal do Cartão BNDES, que disponibilizam aproximadamente 8 mil softwares no Portal, voltados para variados setores, tais como Administração, Gestão e Automação, Agronegócios, Saúde, Segurança, Têxtil, Educação, Telecomunicações, dentre outros. Caso também se encaixem nas novas categorias de serviços aceitas, as empresas já credenciadas não precisarão de um novo cadastro – bastará incluir os novos serviços em seu catálogo de produtos.

Aos novos interessados em se credenciar como Fornecedores no site do Cartão BNDES, alguns critérios devem ser observados: a empresa desenvolvedora deverá ter sede e administração no Brasil com, no mínimo, dois anos de constituição do CNPJ, possuir pelo menos um código de classificação de atividade econômica (CNAE) específico de desenvolvimento de softwares e comprovar experiência anterior na prestação dos serviços que quiser credenciar. Deverá ainda possuir site próprio ativo na Internet, em português, com informações sobre a empresa e seus serviços.

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O que podemos aprender com o modelo de sucesso de Inovação de Florianópolis?

Jamile Sabatini Marques, Diretora de Inovação e Fomento da ABES

Florianópolis foi eleita, pelo 3º ano consecutivo, a segunda cidade mais empreendedora do País, segundo o Índice de Cidades Empreendedoras – ICE 2017, publicado pela Endeavor Brasil. Essa classificação é resultado de um histórico de mais de 30 anos de investimento em tecnologia, focado no conhecimento e na colaboração. A cidade se consolidou como um modelo de sucesso de inovação, com iniciativas públicas e privadas de fomento, que podem ser replicadas em outras regiões do Brasil.

O ponto de partida para o desenvolvimento de um ecossistema de inovação no setor tecnológico na cidade foi a implantação da Universidade Federal de Santa Catarina, em 1960, voltada para os cursos de engenharia e, posteriormente, a criação da Fundação Certi – que foi responsável pela Incubadora Celta, a primeira e do Brasil. Houve também um movimento interessante de organização do setor privado, como a criação da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), da Incubadora Midi Tecnológico. Mais recentemente, em 2015, foi criado Programa Excelência SC, desenvolvido pelo Sebrae/SC, Fiesc e Fecomércio/SC, que reúne boas práticas de companhias com foco na inovação.

Da perspectiva das políticas públicas de incentivo, a prefeitura de Florianópolis contribui criando um conselho de inovação, composto por várias entidades do setor e também com várias ações e legislação para incentivar a competitividade das empresas. Nessa linha, neste último mês, o Governo do Estado criou o “Pacto pela Inovação” para integrar a academia, governos, empresas e a sociedade civil.

O programa Geração Tec, uma iniciativa também do governo estadual, foi criado para o desenvolvimento de jovens talentos, bem como o Sinapse da Inovação, ação da Fapesc e Fundação Certi, para fomentar o empreendedorismo. Além disso, o governo apoia o Parque Tecnológico Sapiens, resultado de um trabalho em parceria com a Fundação Certi.

Entre outras iniciativas, a cidade também possui condomínios empresarias com o foco no setor tecnológico – como o Corporate Park, localizado na SC 401, denominada como a rota da inovação.

Em um passado recente, Florianópolis dependia de cargos públicos, comércio e turismo. Hoje, a cidade, além de reter os seus jovens, consegue atrair mentes brilhantes para o desenvolvimento baseado no conhecimento, que se tornou um ativo para a cidade. Este processo ficará ainda melhor quando o governo começar a proporcionar dados abertos, pois, com isto, o empreendedorismo será ainda maior e o ecossistema de inovação poderá ser fomentado de forma natural e orgânica.

Para 2018, a expectativa é que os investimentos em inovação aumentem bastante, uma vez que tem sido perceptivo o aumento dos espaços de coworking, de profissionais capacitados e do volume de oportunidades de emprego no setor. Além disso, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Finep e o BNDES têm incrementado suas iniciativas de financiamento para inovação.

Por outro lado, ainda que Florianópolis seja um exemplo de inovação, como um living lab, há espaço para melhorar e tornar suas empresas ainda mais competitivas. Com a evolução do mercado, na era do conhecimento, este deve passar a ser um grande ativo das empresas, cujo valor deve ser percebido pelos agentes de fomento e pela sociedade. Por isso, é muito importante construir um ecossistema de inovação que atenda a esses novos modelos de negócios, baseados no conhecimento.

Historicamente, muitas foram as iniciativas modelo da cidade – desde a criação da Universidade Federal de Santa de Catarina, focada na engenharia, até a implementação de políticas de incentivo da prefeitura e do governo do Estado.

No entanto, as maiores lições que podemos aproveitar desse case de sucesso é a importância da integração entre os atores e a organização da classe empresarial buscando o bem comum.

Florianópolis se desenvolveu com empresas que nasceram e se fortaleceram na região, dando um grande destaque aos processos de incubação e do fomento às companhias nascentes. Nesse contexto, a exemplo da cidade, um dos esforços da ABES têm sido criar canais de diálogo entre os diferentes atores do mercado em esfera nacional (governo, educação, empresas) para desenvolver uma agenda coletiva, com o objetivo de aprimorar a competitividade global do Brasil.

A capital catarinense é um exemplo importante, uma cidade que pode ser considerada um parque tecnológico urbano a céu aberto e hoje possui um dos melhores IDHs do Brasil – resultado de muito trabalho conjunto, por mérito de diferentes atores que se doam para formar um ecossistema de inovação.

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Fomento, Inovação e Competitividade – Por Jamile Sabatini Marques

Que o brasileiro é um povo criativo, todos sabem. Mas se beneficiar dessa criatividade para gerar um país mais competitivo é o que precisamos aprimorar. Empresas que se destacaram quanto a sua criatividade foram fomentadas por um ambiente de negócios propício para sua atividade, gerando produtos inovadores e se tornando referências mundiais, como o Facebook e Instagram, ambos com brasileiros na concepção de seus projetos.

Para termos um país mais competitivo, precisamos dar mais voz aos empreendedores criativos, que acreditam em um projeto e correm atrás para serem os primeiros em mercados globais. Para que isso ocorra, precisamos fomentar serviços e produtos pioneiros para que estejam no mercado e sejam competitivos.

O fomento por meio de recursos financeiros, relacionamento e gestão faz com que as empresas acelerem a sua curva de crescimento, ganhando tempo precioso em um mercado competitivo, onde estar à frente fará a diferença para nos tornarmos referência.

O Brasil precisa criar condições para que existam mais fundos de investimentos em venture capital (Venture Funds), que façam as apostas em ideias, serviços e produtos inovadores, desde a fase inicial.

Isso pode ser feito com poucos ajustes na Lei do Bem para que as empresas beneficiadas possam aplicar seus recursos em Venture Funds fomentando empresas brasileiras nascentes, com a aquisição de quotas, ações ou notas de débito conversíveis.

A ABES tem trabalhado nestes aspectos, demonstrando a importância de se fomentar a inovação para termos um Brasil mais competitivo. As agências de fomento, como BNDES, FINEP, CNPq e FAPs estão buscando um caminho, conhecem a importância desse tema, mas ainda precisamos aperfeiçoar, ter mais recursos e correr mais riscos. Hoje, as garantias exigidas das mentes criativas são incompatíveis com o mercado do conhecimento, com empresas nascentes e muito boas ideias morrem pela falta de fundos, quando já estão quase lá.

A legislação brasileira com foco em inovação está sendo aperfeiçoada para que estejamos atualizados e competitivos, com o Governo recuperando seu papel de indutor da inovação. Sabe-se que países que investem em inovação estão entre as principais potências mundiais. O retorno do investimento feito em empresas inovadoras se dá na forma de impostos, empregabilidade, desenvolvimento regional e principalmente na formação de quadros gerenciais voltados para a inovação e criatividade.

Países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) têm buscado investir em inovação por meio do incentivo fiscal, sendo esta uma tendência mundial. O Brasil precisa fomentar para sair da crise, crescer e gerar competitividade. Por meio de pequenos aperfeiçoamentos, a Lei do Bem e a Lei de Informática podem e devem contribuir para a geração de novos produtos e serviços, com novas ou antigas empresas, fomentando o empreendedorismo e intra-empreendedorismo.

Jamile Sabatini Marques é diretora de Inovação e Fomento da ABES -.Associação Brasileira das Empresas de Software.

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Diretora da ABES fala sobre Fomento à Inovação em Recife

No dia 10 de fevereiro, a diretora de Inovação da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), Jamile Sabatini Marques, realizará a palestra “Financiamento para a Inovação”, em Recife (PE), como parte da programação da 9ª edição do Recife Summer School – RSS, promovida pelo Parque Tecnológico Porto Digital.

Jamile aproveitará a oportunidade para compartilhar com o público o resultado da Pesquisa ABES de Acesso ao Financiamento, realizada entre os meses de setembro e outubro de 2016, que teve por objetivo entender como as empresas do setor tecnológico têm buscado seus financiamentos e quais os fatores críticos que têm impactado o fomento à inovação no setor de software. Além disso, falará sobre as atuais fontes de fomento públicas disponíveis, ajudando a derrubar alguns mitos sobre o assunto. “Esse estudo traz uma percepção do perfil das empresas de tecnologia do Brasil e seus resultados podem nortear políticas públicas de fomento à inovação”, comenta Jamile.

Desde 2016, a ABES tem um convênio com o Porto Digital com o objetivo de fomentar o empreendedorismo e a inovação no setor de TIC. Essa parceria faz parte do programa de apoio às incubadoras e startups da ABES, que procura se aproximar dessas novas empresas e oferecer suporte para o desenvolvimento e aceleração dos negócios.

O Recife Summer School, realizado em parceria com empresas e instituições do ecossistema do Parque Tecnológico Porto Digital, tem contribuído para fornecer conhecimento, promover a troca de ideias e fomentar o networking. As atividades que integram a programação vão até o dia 24 de fevereiro de 2017 e incluem temas como economia criativa, empreendedorismo, tecnologia da informação e sustentabilidade. Mais informações no site: http://rss.portodigital.org/

A palestra “Financiamento para a Inovação” ocorrerá no dia 10 de fevereiro e começará às 9 horas. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail: clara.arruda@portodigital.org

Recife Summer School

Palestra “Financiamento para a Inovação” – Jamile Sabatini Marques, diretora de Inovação da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software)
Data: 10 de fevereiro de 2017
Horário: 9:00 – 10:00
Local: Porto Digital 235
Rua do Apolo, 235, Recife Antigo – Recife, PE

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Pesquisa ABES aponta que juros bancários são incompatíveis com projetos inovadores

A ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) realizou pesquisa sobre o acesso a financiamento bancário entre empresas do setor de tecnologia com o objetivo de entender como essas companhias têm se refinanciado no mercado brasileiro, quais taxas de juros estão pagando e qual o perfil dessas empresas em relação ao seu porte, tipo de serviço prestado, maturidade, faturamento e localização. Além dos financiamentos, o estudo também buscou entender qual é a percepção das empresas quanto a fundos de investimentos, outra forma de captação de recursos.

Resultado pode ajudar na criação de linhas de investimentos mais adequadas

Aplicada entre setembro e outubro de 2016, a pesquisa ouviu empresas de todas as regiões do país, com o apoio de entidades do setor que divulgaram o questionário entre seus associados. Entre elas estão: Softsul e TecnoPuc do Rio Grande do Sul; Acate de Santa Catarina; CITs e PTI do Paraná; Brasscom, Cietec, RPI e Softex Campinas de São Paulo; Tec Vitória do Espírito Santo e Porto Digital de Pernambuco.

De acordo com a Diretora de Inovação e Fomento da ABES, Jamile Sabatini Marques, no total, 184 empresas responderam ao questionário. “Esta amostra traz uma percepção do perfil das empresas de tecnologia do Brasil e pode ajudar aos bancos criarem linhas de investimentos adequadas à realidade desses negócios”, explica.

“Entre os principais resultados do estudo, podemos destacar o perfil das empresas de tecnologia e as indicações em relação às dificuldades de acesso ao crédito. A maioria, 58,7%, tem atuação no desenvolvimento de software, afirmando a característica inovadora do setor. As respostas em relação aos bancos comerciais e os recursos públicos demonstram um descompasso entre as necessidades das empresas e as ofertas de linhas de fomento para atender o setor”, comenta Jamile.

Perfil das empresas

Desse total de empresas questionadas, 22,8% têm entre 5 e 9 anos de atuação no mercado. A maioria, 54% têm sua sede localizada na região Sul do país; 39% na região Sudeste, sendo 27% somente no Estado de São Paulo. 7% das entrevistadas são do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Sobre o desempenho das empresas nos últimos quatro anos, 52% afirmaram que sua empresa se tornou mais competitiva nacionalmente. ¼ da amostra cresceu ou pelo menos dobrou o faturamento em quatro anos. Em relação à atuação internacional, 20,65% exportam seus produtos. Não mais de 4% das empresas nacionais tem colaboradores contratados no exterior. A pesquisa constatou que apenas 1,09% tem com controle acionário estrangeiro.

Principais fontes de recursos financeiros públicos

Entre as principais fontes de apoio público adotadas nos últimos quatro anos, o cartão BNDES foi o mais citado, com 16%; as IFDs (Instituições Financeiras de Desenvolvimento) regionais (acesso indireto com cartão BNDES) em segundo lugar, com 12%. 40% da amostra afirmaram que já tiveram algum apoio público. 27% acessaram algum produto do BNDES, sendo que 7 das empresas respondentes utilizaram o Prosoft e 11 a Linha MPME Inovadora.

Principais restrições para o acesso ao crédito em bancos comerciais

Quando perguntadas sobre quais restrições relevantes são enfrentadas para ter acesso ao crédito nos bancos comerciais, 61,33% afirmaram o “Alto custo dos Juros bancários” como a principal restrição. A “Exigência de Garantias Reais” foi apontada em segundo lugar com 46,67%, seguida pelo termo genérico “Burocracia”, com 33,15%, que normalmente é a forma dos bancos recusarem o crédito para as empresas.

Sobre a taxa de juros total ao ano, 47% disseram pagar entre 0 a 20% ao ano e 53% de 20 a mais de 50% ao ano. 30% da amostra afirmaram nunca ter utilizado empréstimo de banco comercial. Entre as garantias de pagamento apontadas pelas empresas estão: Aval pessoal (sócios), 50%; Caução de Recebíveis de Clientes, 47,83%; Fiança Bancária, 26,63% e Garantia Real (geralmente hipoteca), 23,37%.

Fundos de Investimento

Sobre fundos de investimento, 44,02% afirmaram ter interesse, mas que nunca tiveram oportunidade de dialogar com um fundo. 21,74% não conhecem suficientemente sobre o assunto. Somente 3,8% já receberam investimento de um fundo de participações. Entre os benefícios que a empresa receberia a partir do investimento de um fundo, 78,26% indicaram o “Aporte Financeiro”; 64,13% indicaram “a adoção de Planejamento Estratégico voltado para significativo crescimento”.

“Além da necessidade de se ofertar linhas de crédito mais adequadas em termos de taxas e garantias, esse resultado demonstra que ainda há um longo caminho a ser percorrido quanto à disseminação das linhas de financiamento. Também demonstra que há espaço para ajudar as empresas a internacionalizar seus produtos e o interesse desse setor em se aproximar de fundos de investimento”, finaliza Jamile.

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ABES promove evento sobre Startups

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No Dia da Inovação, 19 de outubro, a ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) promoverá o evento “ABES e o Mundo das Startups” para discutir o ecossistema brasileiro de startups e as tendências mundiais. Aberto ao público, o evento será realizado no Hotel Bourbon Ibirapuera, em São Paulo, com inscrições gratuitas, que podem ser realizadas pelo telefone (11) 3266 2450 ou e-mail abesvespertino@comarteventos.com.br.

“O encontro trará insights para startups, aceleradoras, investidores, empreendedores e associados. O incentivo à inovação e ao desenvolvimento de novas empresas é extremamente importante neste momento desafiador de nossa economia”, comenta Francisco Camargo, presidente da ABES.

Estão programadas apresentações com: Alan Leite, CEO da Startup Farm, aceleradora privada líder na América Latina; Felipe Ninni – Gerente de Negócios da INSEED Investimentos; Jamile Sabatini Marques, Diretora da Inovação e Fomento da ABES; Andriei Gutierrez, Coordenador na ABES da iniciativa “Brasil, País Digital” e Gerente de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios da IBM Brasil; Vanda Scartezini, diretora da Polo Consultores Associados e Renato Intakli, que falará sobre o case de sucesso da Startup Parallaxis.

“Esse evento é uma oportunidade de integração entre nossos associados, startups, aceleradoras, investidores e novos empreendedores. Queremos mostrar como as startups podem se integrar às estratégias de inovação das pequenas, médias e grandes empresas, acelerando o processo de desenvolvimento de soluções inovadoras e o crescimento dos negócios”, explica Jamile Sabatini Marques, Diretora da Inovação e Fomento da ABES.

AGENDA

14h00 às 14h30 – Abertura do evento
Francisco Camargo – Presidente ABES
Jamile Sabatini Marques – Diretora de Inovação e Fomento ABES

14h30 às 15h00 – Ecossistema de StartUps: Um panorama Brasil
Alan Leite

15h00 às 15h30 – Brasil País Digital
Andriei Gutierrez

15h30 às 16h00- Capital Empreendedor como uma opção de crescimento
Felipe Ninni

16h00 às 16h15 – Coffee Break

16h15 às 16h45 – Investimento Colaborativo: Uma nova experiência
Vanda Scartezini e Renato Intakli

16h45 às 17h00 – Perguntas e Respostas

17h00 às 17h05 – Encerramento do evento

Evento: ABES e o Mundo das Startups

Data: 19 de outubro de 2016
Horário: das 14 às 17 horas
Hotel Bourbon Ibirapuera
Av. Ibirapuera, 2927 – Sala Macuco
Aberto ao público, com inscrições gratuitas pelo telefone (11) 3266 2450 ou e-mail abesvespertino@comarteventos.com.br
Vagas limitadas
Estacionamento pago no local

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ABES desenvolve Pesquisa sobre Financiamento para o setor de TIC

Com o intuito de conhecer melhor como as empresas do setor de TIC buscam financiamento para seu negócio, a diretoria de Inovação e Fomento da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) está realizando uma pesquisa online. Os empresários do setor poderão responder a esse rápido questionário até o dia 10 de outubro.

O levantamento tem como objetivo, além de conhecer a forma como esse processo é realizado hoje em dia, de criar um panorama do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação, o que dará base para a entidade buscar linhas de fomento que se enquadrem no perfil das empresas.

Segundo a diretora de Inovação e Fomento da entidade, Jamile Sabatini Marques, “quanto mais participantes tivermos, mais próximo estaremos de mostrar as reais necessidades aos bancos de investimentos”. Além disso, para incentivar a participação, será realizado o sorteio de dois leitores de livros digitais da marca Kindle.

A pesquisa é direcionada apenas aos empresários do setor de TIC. Os interessados em participar devem acessar o link: pt.surveymonkey.com/r/ABESFinanciamento2016

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Fomento à inovação – uma visão do Brasil e da Austrália – Por Jamile Sabatini Marques

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O impacto da inovação em um país pode ser demonstrado de diversas maneiras, desde sua capacidade de movimentar a economia com a geração de novos empregos ou até pela sua habilidade de estimular o mercado a criar negócios inéditos. Mas como o apoio financeiro concedido às empresas de tecnologia pode contribuir para o desenvolvimento econômico baseado no conhecimento?
Foi com essa dúvida que, em 2015, embarquei em um voo para o outro lado do mundo, mais precisamente, em Brisbane, Austrália, para ter o privilégio de ser orientada pelo acadêmico Dr. Tan Yigitcanlar, autor do conceito KBUD (Knowledge-Based Urban Development – Desenvolvimento Urbano Baseado no Conhecimento), em minha tese de doutorado na Queensland University of Technology (QUT), por meio de uma cooperação com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Como pode observar, o foco da viagem estava no especialista e não somente no país em que ele está baseado. Estar em outro país me permitiu realizar comparativos com as duas economias sobre as visões das empresas de tecnologia brasileiras e australianas em relação ao fomento à inovação.

Mas antes de chegar aos resultados do estudo, quero voltar a 2013, no meu primeiro ano na diretoria de Inovação e Fomento da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), quando formulamos uma pesquisa para medir o quanto as empresas de tecnologia conheciam sobre os recursos para fomento direcionados à inovação existentes no mercado. Para espanto de investidores como governo e bancos, quase a metade, cerca de 44% das empresas associadas à entidade não conhecem o suficiente as fontes para Inovação e Fomento disponíveis para o setor no país.

Em minha pesquisa desenvolvida na Austrália, parti do ponto de que, dentro do framework de KBUD criado pelo Dr. Tan Yigitcanlar, no segmento econômico, ele considerava quatro importantes pilares: Conhecimento, Criatividade, Inovação e Competitividade, mas ainda não incluía o Fomento/Incentivo como base para que haja desenvolvimento econômico baseado no conhecimento. Para contextualizar a importância de inserir o Fomento neste framework e propor um modelo de fomento às empresas de base tecnológica como estratégia para a promoção do desenvolvimento urbano baseado no conhecimento, submeti algumas empresas australianas – associadas a uma entidade que tem um papel similar ao da ABES no Brasil, a AIIA (Australian Information Industry Association) – ao mesmo questionário feito em 2013 no Brasil.

No total, 75 empresas australianas responderam ao questionário. Dentre essas, 36,5% afirmaram não ter conhecimento dos recursos de fomento para inovação disponíveis no mercado. A maioria, 54,4%, disse nunca ter se beneficiado desse tipo de recurso. Entre as empresas que tentaram pedir o recurso, mas não conseguiram, a maioria entre as australianas e brasileiras aponta o mesmo motivo: processo complexo/burocracia, 47,1% e 40,45%, respectivamente.

Preferencialmente, as empresas no Brasil e Austrália buscam incentivos à inovação para aplicação em Pesquisa e Desenvolvimento 77% e 62,7%, respectivamente. Em segundo lugar, para utilização na força do Marketing/Vendas/Feiras: 46,4 (BR) e 46,3% (AU).

Entre as linhas de fomento que as australianas gostariam de ter mais informações e se manter atualizadas encontram-se as voltadas a Incentivos Fiscais para Pesquisa e Desenvolvimento (56,5%); Programas para Empreendedores (54,8%) e Fundos de Capacitação (25,8%). Entre as empresas brasileiras de tecnologia, o interesse maior ficou no BNDES (72%); FINEP (66,8%) e Fundos para Pesquisa (44,9%).

Dentro desta pesquisa também tive a oportunidade de entrevistar representantes do governo e de entidades representativas do setor de tecnologia nos dois países. No caso da Austrália, a principal questão está na necessidade de promover uma cultura de incentivo à inovação. O país voltou a desenvolver programas de fomento à inovação em 2009, depois de 15 anos sem uma política específica voltada ao tema. A transparência também foi uma necessidade apresentada, pois não estão claros os critérios para participar de certos programas.

Das 400 melhores universidades do mundo, 20 estão na Austrália. O compartilhamento dos espaços físicos e laboratórios das universidades com as empresas foi apontado como um fator relevante para incentivar a inovação no país. Também citaram a necessidade de criação de mais parques tecnológicos e incubadoras, apontando este problema como a razão pela qual o país vem perdendo empreendedores para outros países como EUA, Canadá e Inglaterra.

No Brasil, pouco se mede sobre o impacto do fomento à inovação, porém em pesquisas anteriores realizadas junto às empresas que receberam recurso público para inovar, o governo obteve o retorno deste incentivo no primeiro ano de programa. As empresas cresceram e algumas passaram a exportar, geraram empregos e melhoraram os benefícios oferecidos para os seus funcionários, tendo como resultado o desenvolvimento econômico baseado no conhecimento.

A falta de conhecimento das empresas sobre os benefícios disponíveis demonstra, claramente, a necessidade de divulgação das gestoras de recursos financeiros para estimular e atrair as empresas para adoção desses instrumentos de apoio que poderão ajudar o Brasil a se tornar mais competitivo e deslumbrar novos mercados por meio da inovação e, consequentemente, gerar desenvolvimento econômico.

Respondendo à pergunta acima, há uma tendência de países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de fomentar a inovação por meio de incentivos fiscais, o qual acaba sendo mais rápido, menos burocrático e mais democrático. Essa seria uma aposta bem acertada do governo brasileiro para elevar os resultados quando tratamos de apoio à inovação, mas o Brasil ainda precisa melhorar neste quesito, trazendo uma legislação mais clara e simples para que as empresas se beneficiem destes instrumentos.

Por Jamile Sabatini Marques, Diretora de Inovação e Fomento da ABES: PhD em Engenharia e Gestão do Conhecimento UFSC – Doutorado sanduíche (QUT / Austrália) e Doutora em Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina, Jamile Sabatini Marques é mestre em Gestão de Inovação pela École de Mines de St-Étienne, França, especialista em gestão de empresas. A diretora de Inovação da ABES construiu sua carreira atuando, principalmente, na área de gestão, inovação, fomento, fundos de investimento e representação institucional. Atualmente, também exerce a função de Presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação da FECOMÉRCIO – Federação do Comércio de Bens, de Serviços e de Turismo de Santa Catarina, Membro do Conselho International Journal of Knowledge-Based Development (IJKBD).

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