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Fundo do Vale do Silicio lança plataforma para democratizar acesso a investimentos

O fundo de venture capital Social Capital, do Vale do Silício, abre hoje, dia 1º de agosto, sua plataforma de Capital-as-a-Service (CaaS) para startups brasileiras do tipo early stage que buscam investimento e insights para seus negócios.

Fundado em 2011, o Social Capital lançou em 2017 a versão beta e fechada da primeira estratégia de investimentos baseada no uso de software do mundo – inaugurando assim uma categoria de serviços até então inexistente, a de investimentos de venture capital baseados em dados, com sua plataforma de CaaS. O fundo escolheu o Brasil para inaugurar a versão aberta ao público pela primeira vez desde que o produto foi criado e chega para selecionar empresas de forma escalável, transparente e baseada em dados. Os investimentos ficam entre US$ 50.000 e US$ 250.000 (que equivalem a uma faixa de aproximadamente R$ 186.000 a R$ 930.000). A empresa americana busca oportunidades para co-investir, mas também pode liderar rodadas de investimentos.

A inovação chegou para transformar o setor de venture capital que, apesar de se debruçar sobre empresas altamente tecnológicas e disruptivas, muitas vezes ainda segue práticas tradicionais e ultrapassadas para escolher onde alocar seus investimentos. Assim, iniciativas interessantes podem ser deixadas de lado já que muitos fundos escolhem empresas com base em indicadores superficiais como contatos pessoais ou o status de seus executivos. Além disso, são raros os fundos que explicam para os fundadores os motivos das rejeições.

A plataforma do Social Capital, por sua vez, utiliza análise de dados e machine learning para avaliar as startups e identificar, de forma semi-automatizada, aquelas com o melhor desempenho, as melhores soluções e mais potencial de crescimento. O Capital-as-a-Service foi projetado por profissionais vindos de empresas de tecnologia como Facebook, Dropbox e Survey Monkey, entre outros, que se inspiraram em suas experiências para descobrir como o uso de software poderia democratizar o acesso a investimentos.

Funciona assim: a inscrição pode ser feita no caas.socialcapital.com, onde deve ser preenchido um formulário com as principais informações sobre a empresa, seguido pelo upload de dados transacionais, que será a chave para a análise das métricas do negócio. Além disso, o candidato é convidado a escrever um texto com elementos qualitativos como a missão e os valores da empresa.

A resposta chega dentro de poucos dias e, mesmo no caso de a startup não ser selecionada, o Social Capital oferece recomendações e benchmarks para apoiar a empresa em seu processo de evolução e, se a startup quiser tentar novamente, o fundo volta a avaliar as métricas e continua oferecendo análises de seus negócios. Tanto as selecionadas quanto as não selecionadas recebem a análise quantitativa completa aplicada pelo fundo na hora de avaliar os negócios, mostrando o desempenho da empresa com relação a métricas fundamentais do setor. Além disso, o Social Capital pretende implementar serviços como uma comunidade online e webinars e conteúdos sobre retenção, aquisição, precificação e outros meios de suporte escaláveis.

Em sua atuação como um fundo de venture capital, o Social Capital leva em conta a contribuição social das iniciativas, como startups dos setores de saúde, educação, serviços financeiros, tecnologias B2B e tecnologias emergentes, mas sua modalidade CaaS abrange qualquer empresa que utilize tecnologia para resolver problemas reais em mercados onde o acesso a investimentos é mais restrito.

Por que o Brasil?

De acordo com Ashley Carroll, uma das sócias do Social Capital, o Brasil é o primeiro país do mundo a ter acesso à versão aberta ao público do produto de CaaS devido à quantidade de fundadores com boas ideias para solucionar problemas reais tanto local quanto globalmente e às lacunas identificadas pelo fundo quando se trata de startups early stage e na primeira rodada de investimentos.

O que é CaaS?

Capital-as-a-Service é a primeira abordagem de venture capital verdadeiramente baseada no uso de software do mundo, que vem democratizar o acesso a investimentos por meio de um produto escalável e transparente. A estratégia utiliza análise de dados e machine learning para alocar investimentos e foi criada pelo fundo californiano Social Capital em 2017. A abordagem realiza a diligência quantitativa semi-automatizada de negócios. eu nome é derivado do termo SaaS (Software-as-a-Service), que se refere a produtos que utilizam nuvens de armazenamento para oferecer serviços online que antes só eram realizados por softwares instalados no próprio computador.

O Social Capital lançou um modelo piloto de CaaS há um ano e, há nove meses, lançou sua versão beta e privada. Mais de 5.000 empresas provenientes de 25 países e 6 continentes foram avaliadas na versão beta e 70 delas receberam investimento. A empresa pretende continuar expandindo o CaaS globalmente depois que abrir seu produto para o público pela primeira vez no Brasil.

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Empreendedor que levantou R$ 50 milhões de investimentos lista 5 dicas para startups que buscam capital

Por Federico Vega, CEO da CargoX

A procura de capital para um negócio é como vender uma oportunidade de investimento que se espera traduzir em um retorno financeiro no futuro. É importante mostrar para os investidores porque o negócio vai gerar dinheiro e como pode ser melhor do que os concorrentes e fornecer mais lucros. Em outras palavras, ao empreendedor que procura vender o seu modelo de empresa para conseguir apoio financeiro, é importante se atentar a cinco dicas:

1. Equipe de pessoas fortes: Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, o conceito do negócio é “menos” importante do que a equipe que vai executá-la. Uma boa ideia não vai se reverter em uma empresa grande sem uma equipe de pessoas comprometidas e com talento suficiente para a realização. O background dos fundadores e do time é um ponto significativo na análise do investidor.

A CargoX, por exemplo, foi criada por um grupo profissional com experiências complementares em todas as áreas chaves. É importante que os primeiros membros do grupo consigam executar a visão do negócio e tenham capacidade profissional e humana para conseguir ocupar as posições executivas mais sêniores quando o tamanho do negócio estiver grande.

2. Focar em indústrias tradicionais: É mais fácil conseguir capital se a startup focar em eficiência tecnológica e atuar em setores tradicionais. Inventar novas indústrias, como, por exemplo, o Facebook criou o social media, é muito mais complexo e arriscado. A diferença dos EUA em relação ao Brasil é que os investidores preferem empresas que inovam em indústrias existentes e não que criam novas.

A CargoX optou por apostar em modernidade e tecnologia em um mercado tradicional, como o transporte de cargas. Para isso, reuniu uma equipe de pessoas das áreas de transporte e de TI.

3. Tamanho de mercado: As startups representam um investimento de retorno incerto e, por este motivo, os investidores esperam receber recompensas muito altas para compensar o risco. É importante visar em negócios com mercado consolidados.

Em nosso caso, por exemplo, o setor de transporte de cargas é uma das maiores indústrias do Brasil, com uma receita de mais de R$100 bilhões. Quando os investidores avaliaram um investimento na CargoX, sabiam que se a empresa conseguisse atingir pelo menos 5% do mercado, o negócio já seria bilionário.

4. Tecnologia e inovação: Os empreendimentos com componentes de tecnologia e inovação são os mais propensos a receber aportes financeiros. Isto acontece porque essas características conseguem gerar modelos de negócio de alto crescimento, que exigem um investimento de capital humano inicial relativamente baixo. A tecnologia e inovação também conseguem diferenciar a startups dos concorrentes tradicionais que geralmente carecem de capacidade de renovação e conhecimento tecnológico.

5. Mentores e investidores pessoa física: Antes de focar as energias em pegar grandes somas de dinheiro, é importante se rodear de pessoas experientes que podem trazer conhecimento e relacionamento ao negócio.

A CargoX começou com um investimento de R$ 30 mil reais aportados pelos fundadores. Esse valor foi suficiente para desenvolver o site e conseguir os primeiros clientes. Já com o negócio rodando, a empresa focou-se em conseguir fundadores e parceiros experientes na área de logística e criação. Nos meses que seguiram, a empresa somou profissionais como o fundador da Uber, o fundador da Coyote Logistics e o CEO da DHL como diretores e investidores. Estas pessoas trouxeram dinheiro, experiência e relacionamentos para crescer o negócio e posteriormente a conquistar R$ 50 milhões de investidores de primeiro nível, como o banco de investimentos Goldman Sachs e a Valor Capital Group, do COO da Google. O processo desde os primeiros investimentos até a rodada de R$ 50 milhões durou 2 anos.

Por último, a dica mais importante é: nunca desista e esteja preparado para ser rejeitado. Como falava o Babe Ruth: “É difícil de bater uma pessoa que nunca desiste”.

Federico Vega, formado em Ciências Econômicas e pós-graduado em Engenharia Financeira na Universidade de Southampton (Inglaterra). Atualmente é CEO da CargoX,(http://www.cargox.com.br) – primeira transportadora do Brasil impulsionada por tecnologia e inovação, que opera conectada a uma rede de mais de 100 mil caminhoneiros autônomos.

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Três segredos do movimento do Vale do Silício para o Brasil

No Brasil, o cenário de crise impulsionou iniciativas envolvendo novos negócios, sejam apenas ideias, criação de novas startups, aceleradoras ou, ainda, investidores de olho nas pequenas pelo potencial de criarem projetos inovadores e se tornarem grandes conglomerados, impulsionando o chamado Corporate Venture.

Segundo Allan Pires, CEO da consultoria PA Latinoamericana e da multinacional dinamarquesa Targit, os Estados de Goiás, São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais são exemplos de que o Brasil está próximo de algo semelhante ao movimento do Vale do Silício por conta de três fatores decisivos:

1. Conhecimento acadêmico – A região do Vale do Silício possui diversas excelentes Universidades, como é o caso da Stanford University, uma das instituições de pesquisa de ensino mais prestigiadas globalmente. O local é cercado por alunos e docentes, que impulsionam a troca de conhecimento constante, gerando grandes ideias. A busca por apoio de uma base forte acadêmica/ conhecimento é tão importante para uma empresa tradicional quanto para as que estão começando agora. Exemplo clássico desse movimento foi a aproximação entre a comunidade de TI e o governo estadual de Goiânia, auxiliando no desenvolvimento de startups, principalmente em termos de financiamento e pesquisa. Outros exemplos de regiões: Santa Rita do Sapucaí e Santa Catarina;

2. Investidores dispostos a correr o risco – As empresas compradoras de tecnologia estão cada vez mais próximas das startups. Exemplo disso é o movimento do Corporate Venture, que traz a proposta de investimento das grandes corporações em negócios nascentes e isolados e que, futuramente, podem ser incorporados aos próprios negócios do grupo empresarial, visando o lucro futuro. No Brasil, já é possível identificar a criação de novas unidades de negócio em empresas já existentes;

3. Alianças corporativas – Apesar de a cultura ser recente em relação à criação de uma rede de alianças, é essencial possuir uma base apoiadora, seja ela da área acadêmica ou mercadológica. Saber identificar potenciais investidores e ofertar a estas pessoas participação societária como forma de inventivo é uma forma de crescer. Atualmente, startups bem-sucedidas ou em crescente expansão possuem aliados.

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