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Aplicativo mobile de consulta a benefícios previdenciários vence a primeira Hackathon Dataprev

Um aplicativo inovador para dispositivos móveis (smartphones, tablets etc.), que permitirá ao trabalhador verificar os benefícios previdenciários a que tem direito (inclusive aposentadoria), foi o grande vencedor da primeira Hackathon Dataprev, maratona de desenvolvimento de software que aconteceu de 13 a 15 de setembro no Rio de Janeiro. Intitulado “Expectativa de Direito aos Benefícios Previdenciários”, o aplicativo será agora desenvolvido pela Dataprev como um novo produto a ser oferecido à Previdência.

O autor do projeto vencedor foi o analista de TI Fabrício Vicente, da Unidade de Desenvolvimento de Software da Dataprev na Paraíba. “Hoje não existe nenhum sistema online aonde o trabalhador possa verificar se tem direito ao auxílio-doença, ou saber quantas contribuições ele precisa para poder se aposentar, ou ainda se algum vínculo dele está com pendência no INSS e o que ele precisa fazer para receber esse benefício”, conta Fabricio. “Minha ideia foi justamente criar um sistema aonde o trabalhador veja a Previdência como se fosse uma conta-corrente, verificando, por exemplo, quantas contribuições faltam para obter a aposentadoria”.

Para o INSS, acrescenta o vencedor da Hackathon, o aplicativo também deverá ser muito vantajoso: “Atualmente, uma parte grande dos atendimentos é apenas para informar se o trabalhador tem algum direito previdenciário”. O uso do aplicativo, prevê, deverá reduzir as idas de beneficiários às Agências da Previdência Social e as ligações para o telefone 135 (Central de Atendimento da Previdência).

Além do aplicativo de Fabricio, outros quatro projetos disputaram a final da Hackathon Dataprev, cujo desafio era o desenvolvimento de sistemas para plataformas móveis que atendessem a necessidades da Dataprev e de seus clientes. Os demais finalistas foram:

• “Atendimento Cognitivo na Dataprev”, de Luciano da Silva Figueiredo, do Departamento de Gestão do Planejamento e Suporte do Atendimento – Aplicativo multiuso que utiliza o reconhecimento de voz, para ser usado no atendimento de serviços públicos em geral.

• “e-CTPS – Carteira de Trabalho e Previdência Social Digital”, de Wallace Roque de Figueiredo, da Divisão de Arquitetura de Software (RJ) – Permite ao trabalhador a consulta a todo o seu histórico trabalhista e outras informações do Ministério do Trabalho.

• “Emprego Aqui”, de Carlos David Ribeiro Pasco, da Divisão de Arquitetura de Software (RJ) – Permite a busca por vagas de emprego de acordo com a região (usando a localização do usuário através do GPS do celular) e acesso a várias outras informações sobre o mercado de trabalho, como, por exemplo, a remuneração média regional de determinada ocupação.

• “Perícia Fácil”, de José Felipe Ribeiro Araújo, da Unidade de Desenvolvimento de Software Ceará – Aplicativo para orientar o segurado do INSS sobre elegibilidade e como proceder para obter a perícia médica, além de permitir o agendamento de consulta e a visualização de todo o histórico do processo pericial.

A maratona durou 43 horas em sistema de imersão, onde os cinco finalistas ficaram fechados em uma casa no Rio de Janeiro, cada um contando com uma equipe de 3 analistas de TI da Dataprev para ajudar a desenvolver seu projeto.

No último dia, cada finalista apresentou o aplicativo desenvolvido para uma Comissão Julgadora de cinco membros: o secretário de Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Marcelo Daniel Pagotti; executivos das empresas de TI Gartner Research (Luis Claudio Mangi, vice-presidente) e Accenture Digital (Vinicius Fontes, senior manager); a doutoranda em Ciência Política pela UFRGS Nazareth Lopes Bretas; e o superintendente de Desenvolvimento de Software da Dataprev, Diogo Costa Martins Pizaneschi. Os critérios de avaliação foram: Ideia inédita; Inovação; Relevância da solução; Viabilidade comercial; e Público-alvo.

Rogério Mascarenhas, diretor de Relacionamento, Desenvolvimento e Informações da Dataprev, fez a entrega do prêmio, que inclui a participação de um integrante da equipe no Mobile World Congress 2017, que será realizado em Barcelona, entre 7 de fevereiro e 2 de março, e participações para os demais integrantes da equipe no Congresso Agile Brazil 2016, que ocorrerá em Curitiba, entre 7 e 9 de novembro.

Sobre o Hackaton

O Hackathon é uma maratona de programação que reúne programadores, analistas de sistemas e outros profissionais de TI para desenvolver, num trabalho intensivo em curto espaço de tempo, uma ideia ou projeto de software inovador e que tenha viabilidade e utilidade comprovadas. O termo Hackathon resulta da combinação das palavras em inglês “hack” (que significa programar de forma excepcional) e “marathon” (maratona).

Todos os empregados da Dataprev foram convidados a concorrer e o resultado foi expressivo: 35 projetos apresentados, oriundos de técnicos de vários estados, especialmente das cidades aonde a empresa mantém Unidades de Desenvolvimento de Software (Rio de Janeiro/RJ, Florianópolis/SC, João Pessoa/PB, Natal/RN e Fortaleza/CE).

Em seguida, foram feitas apresentações de cada projeto para que todos os empregados da Dataprev pudessem escolher, em votação, os 20 melhores. Na etapa seguinte, uma comissão de técnicos da empresa selecionou os cinco finalistas.

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Não vai ter aposentadoria – Por Leide Albergoni*

A reforma da previdência tem sido tema recorrente na mídia e nos bastidores políticos: os trabalhadores querem assegurar seu direito à aposentadoria e, para isso, querem que as regras para se obter o benefício fiquem mais flexíveis. Na verdade, nós trabalhadores ativos e, principalmente, os estudantes, deveríamos lutar pelo aumento da idade mínima da aposentadoria se quisermos receber o benefício um dia.

O motivo é bem simples: se as regras continuarem como estão, daqui a 20 anos pode ser que seja necessário extinguir o benefício. Mesmo se tivéssemos a idade mínima de 60 anos para se aposentar, as perspectivas não são boas. A expectativa de vida do brasileiro tem aumentado continuamente. Em 2000 era de 70 anos, em média (66 para os homens e 74 para as mulheres). Isso significava que, se uma trabalhadora se aposentasse aos 55 anos, como ocorre frequentemente, receberia o benefício por aproximadamente 19 anos ou, se fosse um homem, por mais 11 anos.

Em 2013, a expectativa de vida ao nascer aumentou para 74,8 anos em média. Para 2040, as projeções indicam que a expectativa de vida ao nascer será de 77 anos em média (80 para mulheres e 74 para homens). Ou seja, uma mulher aposentada aos 55 anos receberá o benefício por 25 anos e um homem por 19 anos. Como é uma média e quem tem condições de vida melhor tende a viver mais, para as pessoas com renda mais elevada significaria passar mais tempo recebendo benefício do que contribuindo. E quem sustentará esses benefícios?

Não existe almoço grátis: alguém paga a conta. No modelo atual, os trabalhadores ativos contribuem para pagar o benefício dos aposentados. Porém, a tendência é que a proporção entre ativos e aposentados seja cada vez menor, já que a taxa de fecundidade tem diminuído: em 2000 nasciam 2,4 filhos por mulher, ou seja, o suficiente para repor a população e gerar um crescimento. Atualmente, a taxa de fecundidade está estimada em 1,8 filhos por mulher, o que significa que ao longo do tempo teremos redução da população.

Assim, em 2040, a população com mais de 60 anos será de 23%, enquanto que a população em idade ativa (15 a 59 anos) será de 59%. Isso significa que para cada pessoa com mais de 60 anos, teremos 2,55 em idade ativa. Para comparar, em 2000 tínhamos 8,1% de pessoas com mais de 60 anos e 64% entre 15 e 59 anos, ou seja, quase 8 trabalhadores em idade ativa para cada aposentado com mais de 60 anos. Para 2060, a perspectiva será pior: com um terço da população com mais de 60 anos, teremos 1,55 trabalhador ativo para cada aposentado.

Ora, se teremos menos de 3 pessoas contribuindo para cada aposentado, ou o benefício dos aposentados será muito pequeno, ou a contribuição dos trabalhadores ativos precisará ser muito grande para proporcionar um benefício adequado. Para que os aposentados tenham o mesmo salário dos ativos, seria necessário que o trabalhador contribuísse um terço de seu salário para o INSS. Como isso não faz muito sentido, a previdência conviverá com déficits crescentes. Mas quem paga os déficits? Os próprios trabalhadores e aposentados, por meio dos impostos. Mas nem só de aposentadoria vive um país: é necessário educação, segurança, transportes, entre outros, que são pagos com os mesmos impostos.
Então, jovens ingressantes no mercado de trabalho, se preparem para não ter aposentadoria.

* Leide Albergoni é economista, professora da Universidade Positivo e autora do livro Introdução à Economia – Aplicações no Cotidiano.

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