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Tecnologia disruptiva a favor do consumidor

Por Paulo Ferezin

Novas tecnologias, mudanças constantes no comportamento do consumidor, crises econômicas, novos canais de comunicação e vendas… O setor de varejo e bens de consumo sofreu inúmeras transformações ao longo dos anos, com impactos significativos que que afetaram empresas em todos os segmentos. E tem mais: não há nenhum sinal de desaceleração! Na verdade, o ritmo das mudanças provavelmente aumentará.

Entretanto, isso não é uma má notícia para aqueles que se preparam para as oportunidades. As novas tecnologias, as reformas regulatórias e um ambiente econômico transformado, combinado com a mudança das necessidades, expectativas e dados demográficos dos consumidores, criaram oportunidades incomparáveis para os varejistas com modelos de negócios disruptivos que irão mudar fundamentalmente a maneira de vender e comprar.

Diante desse cenário, os CEOs (Chief Executive Office) do setor de varejo e bens de consumo estão enxergando a necessidade de inovar. De acordo com a pesquisa CEO Outlook 2017, realizada pela KPMG, os presidentes de companhias do setor priorizam as novas tecnologias (16% em comparação com 10% do resultado dos outros setores que fazem parte do estudo) e novos concorrentes/ disruptores (11%) como principais fatores para o impacto do crescimento nos próximos três anos.

Além disso, os participantes concordam que são efetivos na detecção de sinais de mercado (80% em comparação com 64% da amostra geral), entretanto, eles estão preocupados com o fato de a organização não possuir competências e processos inovadores para responder a uma rápida disrupção (80% em comparação com 50%). Outro item de preocupação para o segmento é que apenas 46% dos participantes do setor de varejo e bens de consumo da pesquisa realizada pela KPMG afirmam que a organização que preside está buscando acompanhar a taxa de inovação tecnológica na área.

Quando falamos sobre consumidores, 31% dos CEOs do varejo e bens de consumo indicam a incapacidade de identificar os millenials como o principal desafio para relacionamentos com os clientes, seguido da incapacidade de segmentar setores de crescimento/ grupos demográficos nos mercados domésticos (18%). Esses dados se tornam mais expressivos quando comparados com a Top of Mind, outra pesquisa realizada pela KPMG, essa com o apoio da Consumer Goods Forum. De acordo com esse levantamento, que ouviu cerca de 550 executivos do setor de varejo e bens de consumo, 36% dos participantes disseram que a confiança e a fidelidade do cliente são as principais prioridades para próximos dois anos. Além disso, 74% disseram que a confiança e a fidelidade do cliente são de importância “grande a decisiva” para o sucesso a curto prazo. Por outro lado, 39% deles admitem que, com relação à personalização da experiência do cliente, os recursos de suas empresas variam de insatisfatórios a razoáveis.

Esses dados se apresentam como um sinal de alerta para o setor, já que os consumidores de hoje estão exigindo maior conveniência, valor e uma experiência incrível. Essas três tendências-chave estão causando disrupções em uma escala sem precedentes nos mercados e modelos de negócios existentes.

As empresas que respondem a essa nova realidade estão sendo recompensadas – muitas vezes generosamente. Já quem ainda não se adaptou está ficando para trás e correndo sérios riscos.

Paulo Ferezin é sócio da KPMG no Brasil

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Transformação Digital precisa de APIs – Por Lucas Tempestini

Você é um grande consumidor dos relatórios das principais consultorias do mudndo ?

Nós aqui da Sensedia somos, especialmente das duas maiores do mundo: Forrester e Gartner.

Eles têm materiais sensacionais sobre diversos temas, e um dos principais temas abordados por essas consultorias nos últimos anos tem sido Transformação Digital.

E não só isso: tudo indica que a Transformação Digital precisa de APIs. Talvez pareça uma afirmação estranha, ou exagerada. Para nós, ela só reflete o momento da Economia mundial que vivemos!

Seu negócio é Digital?

Se você respondeu “não” para essa pergunta, meu objetivo é fazê-lo pensar com esse artigo.

Eu acredito de verdade que todo negócio é Digital, independente do segmento em que se insere. Seja conservador ou não, você precisa urgentemente considerar que seu negócio está em uma jornada de transformação.

Podemos dividir os recursos que você possui em sua empresa em dois:

– Aqueles que já nascem Digitais, como por exemplo seus dados, suas aplicações, dispositivos conectados e etc.

– Aqueles recursos que não nasceram Digitais mas invariavelmente possuem seus correspondentes Digitais, por exemplo Códigos Postais, Localização via GPS, Códigos de Barras.

Algumas empresas ainda não encararam essa realidade, e segundo o Forrester, até 2020 você pode se tornar um predador ou uma presa Digital.

No Report “Digital Predator or Digital Prey”, vemos que essa caracterização das empresas depende do tamanho da disrupção que seu segmento pode sofrer nos próximos anos, sendo que alguns mercados já se transformaram e outros ainda estão engatinhando nessa direção.

O Forrester ainda diz, no artigo “How APIs Reframe Business Strategy”, que um mundo em plena disrupção digital demanda a criação novos modelos de negócio que precisam de novas formas para agregar valor a sua oferta.

Ao falar nisso, sempre lembro do Uber, que conseguiu criar praticamente um novo segmento ao trazer parceiros digitais e incorporar outros serviços ao seu, complementando a sua solução e criando uma visão de valor diferente ao consumidor final.

Mas mais do que isso, cria um ecossistema de parceiros digitais integrados.

Quer um ótimo exemplo de Ecossistema Digital? Marketplaces.

Os grandes varejistas online descobriram que conseguiriam reduzir custos e agregar novos produtos à sua oferta simplesmente permitindo que lojistas menores se integrassem à plataforma e vendessem seus produtos através dela.

Parece um shopping, só que totalmente inserido no meio Digital.

E assim nasceu um novo modelo de negócio, em que no final das contas, o principal ativo é o Tráfego ao invés de produtos.

A maioria das empresas tem dificuldade em realizar a quebra desses paradigmas porque é comum que o Departamento de TI seja visto como aquele que mantém sistemas funcionando, com um papel exclusivamente operacional.

Porém, é necessário que a TI tenha um papel fundamental nas decisões do negócio e consigam criar novos “ativos” que possam agregar valor ao consumidor final e criar novas formas de enxergar a oferta da empresa.

Se alguém te disser que SOA está morto, desconfie.

SOA não morreu, e nem as APIs são substitutas para ele.

Inúmeros artigos pela internet já contam SOA como velho e desatualizado, mas algo que todos esses artigos tem em comum é uma definição bastante pobre de SOA.

De acordo com o artigo do Forrester “Selecting Tools that Enable Agility” muito do que ainda se vê sendo feito, está debaixo da bandeira de SOA.

Estratégias baseadas em serviços não são exatamente APIs ou SOA, mas sim ambos. Afinal, APIs e SOA ainda compartilham diversas práticas.

O Forrester recomenda ainda que as conversas sobre Arquitetura Orientada a Serviços sirvam para construir estratégias que garantam agilidade nos serviços críticos ao negócio da empresa enquanto as APIs podem ser responsáveis por levar um modelo de negócio ágil a novos contextos, de forma a estender seu negócio a mares ainda não navegados.

Uma estratégia de sucesso para APIs é fundamental para garantir a agilidade nos seus processos, mas ela deve ser orientada pelo core business da sua empresa.

Seus ativos digitais de maior valor são aqueles relacionados ao núcleo da sua oferta, sua principal competência. Obviamente que você pode desenhar APIs para a sua operação cotidiana, para integrações internas, mas não se esqueça do poder de inovação das APIs: elas terão maior impacto se estiverem relacionadas ao seu negócio.

Ganhar agilidade significa economizar tempo, especialmente daqueles que executam atividades repetitivas diariamente e que podem ser facilmente automatizadas ou serem delegadas às APIs.

Traçando um paralelo entre a Revolução Industrial e a Transformação Digital, o fim de atividades básicas e repetitivas muda o papel desempenhado pelas pessoas. As máquinas passaram a substituir o homem em atividades básicas nas linhas de produção, a partir do século XVIII.

E em pleno século XXI, estamos criando novos mecanismos que nos permitem focar nossos esforços em atividades mais complexas, criando recursos que terão impacto direto em modelos de negócios inovadores.

Percebeu o poder disruptivo?

Mas repito: automatizar e melhorar processos simples e corriqueiros podem te ajudar a economizar dinheiro, mas não é onde sua estratégia de negócios será grandemente impactada

Se você quer que sua estratégia de Arquitetura e APIs tenha sucesso, ela PRECISA ser guiada pelos objetivos do seu negócio. O CIO deve ter essa orientação ao negócio da empresa, mas mais do que isso, essa jornada precisa fazer parte do dia a dia do CEO da companhia.

Qualquer iniciativa que não tenha o suporte e o comprometimento executivo pode ser vista como superficial, e não ser comprada pelos envolvidos. No fim, até mesmo o cliente não verá valor.

Chega de assunto genérico: e o SEU negócio?

Se você já chegou até aqui, agora é a hora de olhar para seu negócio e escolher o caminho que sua estratégia de SOA e APIs vai seguir.

Existem alguns caminhos para estratégias de APIs, dependendo dos objetivos buscados pelo cliente. Dividimos em 5 casos de uso:

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– Agile Architecture;

– Digital Experiences;

– Partners & channels;

– Open Innovation;

– Platform.

Como o Forrester apontou no report “Selecting Tools that Enable Agility”, é necessário uma arquitetura que permita integrações e interações ágeis.

Isso é onde tudo começa: nós chamamos esse conceito de Agile Architecture.

Uma arquitetura ágil permite visualizar estratégias de APIs de forma mais clara, e facilita o trabalho de desenho dessas APIs, mas mais do que isso, ela permite mudanças rápidas, MVPs que irão ter impacto no seu negócio e que rapidamente podem ter seus resultados medidos.

Em seguida, você deve tomar a decisão sobre qual desses casos abordar.

Algumas empresas buscam criar novas experiências digitais, muitas delas estão ligadas a iniciativas de Mobile ou Social (ou outro dos pilares do SMAC), mas obviamente essa estratégia de Digital Experience não está ligada somente a isso.

Mais do que Mobile, estratégias de Digital Experience visam criar experiências únicas para os usuários independentes de canais ou telas, o que tem muito a ver com uma tendência do mercado que tem sido muito aplicada em eCommerces, o famoso Omnichannel.

Se você ainda não leu nosso artigo sobre como ser Omnichannel de verdade, está aqui!.

Outro use case muito utilizado no mundo do e-commerce é o de Partners & Channels.

Muitas empresas adotam as APIs como braços comerciais para alcançar e engajar novos públicos que ainda não haviam conseguido impactar através de Parcerias ou até mesmo para integrar soluções com Fornecedores.

Isso garante a agilidade em toda a cadeia produtiva, melhorando e simplificando a jornada de compra do consumidor final.

Novamente, os Marketplaces servem como um ótimo exemplo, pois são um case excelente de utilização de APIs para criação de Parcerias e Novos Canais.

A essa altura do campeonato você já deve ter percebido que essa divisão não é rígida e exata, mas sim que existem áreas cinzas entre elas. O último caso de uso é o mais abrangente de todos, no ponto em que algumas estratégias de APIs acabam se tornando alavanca para que outras novas estratégias surjam.

É o conceito denominado Plataformização ou simplesmente, Platform.

Alguns podem visualizar uma estratégia de Marketplace também para casos de Platform, de modo que os lojistas acabem se sustentando dentro daquele ambiente.

Entretanto alguns casos são mais específicos e focam na criação de novos produtos a partir da API de produtos existentes, vide a API do Google Maps, que está disponível para que você possa criar novos produtos a partir dos seus mapas.

Além disso, é possível gerar receita a partir da sua Plataforma (na verdade, a partir de vários desses casos, mas nesse caso, isso fica bem claro). O próprio Google Maps faz isso, iniciando com uma faixa free e cobrando a partir de um certo número de chamadas à API.

Essa estratégia nada mais é do que se posicionar como uma plataforma de lançamento de novos negócios (mesmo que não sejam seus de fato).

Algumas iniciativas de Inovação Aberta são impulsionadas por meio de APIs abertas, como as iniciativas de Open Banking e Hackathons ao redor de APIs abertas.

Inúmeras empresas já enxergam Hackathons como uma ferramenta de fomento à Inovação, e muitos deles têm como tema central as APIs da empresa.

OK, já entendi o impacto que APIs podem ter no meu negócio, e agora?

É hora de botar suas engrenagens para girar!

O Forrester tem uma abordagem muito interessante sobre projetos de Arquitetura Orientada a Serviços, que como vimos no decorrer do texto, está intrinsecamente ligada às suas APIs.

No report “Build SOA Success with a Business-Focused approach to SOA Design and Governance” existe um paralelo entre negócios ágeis e sua arquitetura, destacando 3 etapas para que você tenha sucesso. Qualquer semelhança com Métodos Ágeis NÃO é mera coincidência.

Primeiro você precisa desenhar seu plano de SOA e APIs de forma genérica, como eles mesmo dizem “Mile wide, inch-deep”. Você precisa dar uma noção ampla dos milestones que precisam ser alcançados, considerações em torno de investimentos necessários, identificar os processos mais importantes para a sua jornada e projetos que deverão ser considerados para a segunda etapa.

O segundo passo consiste em executar projetos. Mas como nem tudo são rosas nesse mundo, esses projetos serão responsáveis por amadurecer e implementar os aspectos do seu plano de SOA e APIs. É nesse momento que você terá oportunidade de executar seu planejamento, se preparando para aprender com os erros e validar hipóteses. É altamente indicado que você use práticas ligadas às Metodologias Ágeis para determinar quais são os aspectos mais importantes desse projeto e priorize-os.

O terceiro e último passo talvez seja o mais simples de descrever, mas com certeza é o maior responsável pelo seu sucesso, APRENDA. Os projetos que você executar devem te ensinar muito sobre o plano que você desenhou no começo, e aí, volte para a prancheta, faça ajustes, melhore e se permita ver que na verdade algumas das premissas iniciais estavam erradas e que ainda há tempo para ajustar as velas conforme o vento sopra.

Por fim, aprofunde um pouco mais o seu plano inicial e volte à etapa 1!

Cuide do seu novo ativo

Chegamos ao fim do texto falando sobre APIs, e não mais transformação digital. E por que isso aconteceu?

Porque Transformação Digital precisa de APIs. É uma relação de causa e consequência, são os meios com que você atingirá seus objetivos de posicionamento Digital.

E no final, é bom lembrar que por mais que tenhamos APIs abertas ou restritas ou ambas, TODAS precisam de governança.

Umas precisam de um pouco mais, e outras menos, mas a ausência de governança significa que você terá um conjunto de APIs criadas a esmo, que podem ser duplicadas, criam falhas de segurança ou simplesmente não têm mais utilidade.

No final de contas, tudo isso gera um custo de desenvolvimento e manutenção desnecessário e que impactarão negativamente os resultados das suas iniciativas.

E se você quer gerenciar suas APIs, procure uma solução de API Management que cubra todas as etapas do Ciclo de Vida da sua API, assim você conseguirá visualizar coisas como:

os resultados específicos que você planejou no início do seu projeto;
aumentar a segurança no acesso às suas APIs;
acelerar o engajamento dos desenvolvedores;
testar suas APIs;
governar e versionar suas APIs através de toda a sua vida e muito mais!

Lucas Tempestini, analista de marketing na Sensedia

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Banco Original é o grande vencedor em um dos Prêmios mais importantes do mundo, o Innovation Awards, da EFMA

Lançado em março deste ano, o Banco Original bateu concorrentes mundiais e venceu um dos mais importantes prêmios de Inovação do mercado. Com o projeto Open Banking, o banco conquistou o Innovation Awards na categoria que destacou os projetos de inovação mais disruptiva (“Most Disruptive Innovation”). Promovida pela EFMA (organização global sem fins lucrativos que reúne mais de 3 mil instituições financeiras), a premiação anunciou os vencedores em cerimônia realizada em Barcelona, nesta quarta-feira (26).

O Open Banking funciona como uma plataforma que permite a integração de diversos aplicativos com os serviços do banco por meio da abertura de APIs (Interface de Programação de Aplicativos, em inglês).

Com a iniciativa, o Original é um dos primeiros bancos a abrir APIs no mundo, para que desenvolvedores e empresas de qualquer setor da economia possam criar soluções que proporcionam experiências inéditas ao cliente, como acessar o banco aonde ele estiver, sem necessariamente o uso do celular. A previsão é que, futuramente, sejam elaboradas soluções para acesso ao serviços bancários do Original por uma TV ou até mesmo pelo painel de um carro.

“O Open Banking nos permitirá acelerar o desenvolvimento de inovações, que sempre são criadas tendo como objetivo proporcionar facilidades e boas experiências para o cliente”, afirma Guga Stocco, head de inovação e estratégia do Banco Original.

De acordo com Stocco, diferentemente da maneira como ocorreu em outros setores da economia, as inovações desenvolvidas para o setor financeiro não ganharam tanta visibilidade até iniciativas como esta da EFMA. Portanto, o Innovation Awards vem se consolidando como uma das principais premiações de inovação para o setor, não somente pelo ineditismo dos projetos apresentados, mas pela relevância da organização no sistema bancário mundial.

Sediada em Paris, a EFMA possui mais de 3 mil instituições de serviços financeiros de 130 países como filiadas, entre elas, os maiores bancos do mundo. Além de reunir e fornecer a seus membros dados e informações que contribuem com este setor, promove desde 2013 o Innovation Awards, que em 2016 chegou a sua 4ª edição.

Neste ano, o prêmio avaliou cases inovadores de 200 instituições de 61 países, com os critérios originalidade, impacto no mercado e universalidade. Além da comissão julgadora selecionada pela própria EFMA, também puderam votar 200 executivos do setor bancário de todo o mundo e espectadores que acompanharam ao vivo a transmissão do evento pela internet.

O Original foi o único banco latino-americano indicado como finalista da premiação. Ao seu lado, concorreram Santander (Espanha), SolarisBank (Alemanha), Alior Bank (Polônia), Standard Bank (África do Sul) e First National Bank (EUA).

Para entender um pouco mais sobre as APIs disponíveis, os cases de integrações e as novidades do projeto acesse: developers.original.com.br

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Apertem os cintos, o piloto do Uber sumiu – Por Arie Halpern

Depois de sacudir o sistema de transporte urbano e tirar o sono dos taxistas em mais de 70 países com o aplicativo que permite contratar corridas de carros particulares, o Uber está apontando seu chifre de unicórnio para negócios mais ousados. Explique-se que “unicórnio”, no jargão da nova economia, não é um ser imaginário, mas uma empresa que se lançou no mercado como embrião de um grande negócio, cresceu e viu seu valor ultrapassar a barreira do bilhão de dólares. O Uber, avaliado em 63 bilhões de dólares, encabeça o ranking de unicórnios da revista Fortune. Pois bem, esse animal econômico adquiriu, em agosto, a Ottomotto, uma startup dedicada à tecnologia de veículos ditos autônomos, porque dispensam motoristas.

Desde o ano passado, no polo robótico de Pittsburgh, a empresa mantém uma equipe de pesquisadores – mais de quarenta foram “roubados” da Carnegie Mellon University, com quem a empresa tinha um acordo de cooperação – trabalhando sobre o mesmo objeto: carros autônomos. E a empresa já faz testes com a intenção de colocar, em breve, esses veículos acéfalos à disposição de clientes que se disponham a utilizá-los no transporte. Antes disso, ainda, o Uber havia comprado a deCarta, uma empresa de softwares de mapeamento. O que o seu fundador e comandante, Travis Kalanick, está mirando? Bem, ele realmente não economiza nos sonhos e na ambição: ele está de olho num mercado estimado em dez trilhões de dólares.

Dez trilhões?! Como assim?! Kalanick é uma versão excepcionalmente bem-sucedida do “homem da cobra”. Este era um tipo popular, misto de vendedor e artista de rua. Ele atraia a atenção do público com um saco vazio em que dizia haver uma cobra. Entretinha as pessoas com histórias e vendia remédios para picada de cobra e outros bichos. Kalanick, com seu aplicativo, realiza viagens para mais de 30 milhões de clientes por mês, em quase 500 cidades, sem que para isso tenha sido necessário imobilizar um único centavo em uma frota própria de carros e sem empregar nenhum motorista. Com essa prestidigitação, que recebeu o nome de UberX, ofereceu um solução prática e mais barata que o serviço de táxi. Depois disso, lançou o UberPool que permite ao usuário compartilhar o transporte com outros passageiros e reduz ainda mais os preços. Com esse passo, começou a competir não mais com os táxis, mas com o transporte público. Agora, com os carros autônomos, o objetivo é livrar-se também do motorista, para tornar o transporte ainda mais barato.

Aqui chegamos ao tal mercado de dez trilhões de dólares. Com o serviço atual, o Uber come uma fatia do mercado de táxis cuja receita global é estimada em cem bilhões de dólares. Com o veículo autônomo, segundo Kalanick confessou à The Economist, sua intenção é tornar o Uber tão barato e conveniente que ele se transforme em uma alternativa ao carro particular. Outras grandes corporações do mundo da tecnologia também estão nessa estrada, investindo em projetos de carros autônomos, e são competidores de peso como Google, Apple, Facebook, Tesla. O caminho para realizar esse sonho também é acidentado e bastante policiado pelo Estado regulador, pois o transporte autônomo envolve a segurança das pessoas. A primeira onda de disrupturas provocada pelo Uber mal começou e já estão assistindo à próxima onda se formar. Apertemos os cintos.

Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em tecnologias disruptivas e diretor da empresa israelense Gauzy Technologies

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