Tag comprometimento

Empresas abrem mão de avaliar “comprometimento” e o substituem por “engajamento”

Gestores que ainda avaliam “comprometimento” entre os funcionários podem estar falhando em criar um ambiente em que os seus colaboradores acreditam no que estão fazendo. Essa repetição de comportamento nas avaliações internas teve como consequência um dos maiores problemas nas organizações brasileiras: a crise de propósito. A situação chegou a tal ponto que o “gap” neste mercado foi percebido e já há, inclusive, empresas que se dedicam integralmente para resolver esse problema interno. Este pode comprometer não apenas a motivação da equipe mas também a produtividade e as finanças corporativas. É o caso da Verte.

Multidisciplinaridade – Em 1996 a empresária Sandra Rossi fundou a Traveland que tinha como foco o turismo corporativo. No ano passado, oficializou não apenas a mudança de nome para Verte como anunciou uma ampliação do seu leque de serviços assim que sua equipe percebeu que estava desenvolvendo trabalhos que impactavam diretamente na motivação, produtividade e resultados de outras empresas. “Tudo começou pelo fato de eu não contratar apenas turismólogos quando o foco ainda era turismo. Eu acredito que é fundamental uma equipe multidisciplinar. Foi feita uma construção de um novo propósito aqui dentro, principalmente depois de adotarmos o sistema de gestão compartilhada. E hoje aplicamos esse know-how de como lidar com questões internas nas organizações para gerar maior engajamento entre os funcionários”, relata Sandra.

Comprometimento – Quem trabalha ou é gestor de equipe tem ouvido muito falar em frases como “eu preciso da minha equipe mais motivada” ou “nossa meta está longe de ser batida, precisamos engajar mais meus vendedores para chegarmos lá”. Cobrar o chamado comprometimento, como ainda é usual nos dias de hoje, talvez seja um dos maiores erros. Segundo Alex Born, considerado o “pai do neuromarketing” no Brasil, palavras como “comprometimento” deveriam cair em desuso por não refletir mais com precisão os tempos atuais. “Se um chefe pergunta pra um colaborador ‘posso contar com o seu comprometimento?’, ele não tem outra alternativa que não seja responder ‘sim’, senão a sobrevivência da pessoa fica a perigo e o trabalho é executado como obrigação e não por crença de que se está executando a coisa certa”, explica o neurocientista.

Engajamento – Estudos comprovam que a maneira mais poderosa de se estabelecer relacionamento, ou melhor, engajamento entre nós e outras pessoas, ocorre quando passamos por experiências juntos, inclusive dificuldades. Quando vivemos momentos intensos, registramos tudo de maneira singular e o porquê de tudo se torna muito mais claro. “Lembre-se da sua melhores memórias, por exemplo. Normalmente, as primeiras coisas que surgem são com quem, quando e onde você estava”, explica a CEO da Verte. O que ela explica tem embasamento científico. Segundo o Journal of Personality and Social Psychology, as lembranças daquilo que foi vivido em viagens, eventos e instituições de ensino renomadas tornam-se conhecimento adquirido e vivenciado, portanto, são imbatíveis e ficam melhores com o passar do tempo. Quando essas vivências são compartilhadas, seu envolvimento com essas pessoas é potencializado. Aplicar isso dentro de uma empresa é uma alternativa (veja dicas abaixo).

Com toda crise, há aprendizados. Na chamada “crise de propósito” percebe-se que é impossível se engajar, se motivar ou se envolver com algo pela qual você não se sente inspirado. De acordo com profissionais da Verte, existe uma crença de que a maneira mais simples, empolgante e honesta de se fazer isso é esclarecendo o porquê daquela atividade, seu propósito, seguindo um passo a passo abaixo.

Dicas da Verte sobre como construir engajamento no seu negócio:

Investigue – procure entender a realidade do empreendimento procurando saber qual o seu objetivo, qual impacto que a ação terá e qual o propósito a ser esclarecido.

Mapeie – conclua que tipo de ação motivará mais os seus colaboradores: campanhas de incentivo (recompensas para quem atingir alta performance), capacitação (cursos) ou geração de conhecimento.

Aja – depois de uma análise cuidadosa e mapeamento, é hora de colocar em prática e partir para ação nos seus planos. Pensou em viagens em equipe? Seminários internos? Cada empresa tem sua particularidade a ser respeitada.

Meça – seja com dados numéricos ou por maneiras indireta, sempre é bom mensurar antes e depois dessas ações para saber o que funcionou e o que não é relevante para engajar a equipe e, por consequência, melhorar todos os indicadores.

Tags, , , , , , , ,

Seja “dono” da empresa – Por Carlos Titton

Por muitos anos, o modelo de funcionário ideal era exercido por pessoas que se dedicavam com unhas e dentes ao seu trabalho. Dentro das funções pré-designadas pelo cargo, esse autêntico exemplo de profissional não media esforços para desempenhar da melhor maneira as suas funções.

O tempo passou e algumas coisas mudaram. É claro que qualquer líder deseja um colaborador-exemplo de dedicação na sua equipe, mas hoje em dia as exigências vão um pouco além. A competitividade das empresas vem demandando dos profissionais um senso mais abrangente de responsabilidade, que não se limite às atribuições formais do cargo. Estou falando de gente que pensa na empresa como se fosse sua. A essa mentalidade chamamos de “senso de dono”.

Explico. Imagine uma grande indústria onde alguém do departamento de vendas é considerado craque em sua área de atuação, mas que costuma ficar uma arara com o departamento de logística quando descobre que determinado produto não foi entregue dentro do prazo. Dois andares acima, na logística, chovem reclamações contra o setor de vendas, dizendo que os prazos acordados com os clientes são inviáveis.

Esse tipo de imbróglio é péssimo para os atores envolvidos e, é claro, para a empresa como um todo. Ninguém sai ganhando, muito pelo contrário.

Agora voltemos ao exemplo do ás das vendas. Se ele tivesse um senso de dono, ou seja, se pensasse como alguém que deseja que o negócio flua, em vez de apenas ficar bravo, se aproximaria dos times de logística para entender seu funcionamento. Assim, ao invés de ficar bravo com tudo, poderia propor prazos mais factíveis junto aos clientes ou talvez esclarecer melhor ao time as necessidades dos clientes buscando um consenso. Não precisa se tornar expert em uma área que não é sua. Basta abrir o diálogo, entender situações básicas para que possa buscar soluções que permitam o bom desenrolar dos andamentos do trabalho.

Como visto, é preciso ter a dor do dono, a dor de ver que o negócio não está fluindo, que a empresa está sendo prejudicada e de que é necessário buscar entendimentos para que o problema seja corrigido.

Eu gosto de usar o seguinte exemplo: imagine que acionistas estão assistindo de camarote o festival de reclamações de ambos os departamentos envolvidos em conflitos. O que essas pessoas diriam diante das brigas ao notar que ninguém está tentando resolver a questão?

Então, faça o seguinte exercício: em casos como esse, feche os olhos e imagine que o dono, ou um acionista, está ao seu lado. O que você acha que ele sugeriria. Melhor ainda: se você estivesse no lugar do dono, que ação você tomaria para resolver os conflitos em prol do bem da empresa?

Viu só? Você acabou de dar um passo para desenvolver o senso de dono.

É preciso ter claro que essa habilidade não é algo inato, podendo muito bem ser desenvolvida por meio de treinamentos. Nas minhas palestras, costumo trabalhar os participantes colocando-os em situações fora de sua zona de conforto, trazendo visões de diversos ângulos dos conflitos corporativos. Tratam-se de reflexões sobre o que está ocorrendo, de modo que o participante possa buscar soluções e se tornar um profissional mais completo.

O mercado agradece.

Carlos Titton é professor nos cursos de MBA e Pós-Graduação da FAAP, Saint Paul e FIA/SP. Em sua trajetória profissional foi executivo de empresas como Mercedes-Benz, DuPont, Rhodia, entre outras, e teve atuação internacional em países como EUA, Canadá, Alemanha, Suíça, Áustria, África do Sul e países da América Latina.

Tags, , ,