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Como a tecnologia está ajudando a revolucionar o agronegócio do Brasil

Por Romulo Cioffi, Vice-Presidente de Operações do Grupo Squadra 

Veículos autônomos, redes complexas com dispositivos interagindo de forma automática e sistemas inteligentes ajudando a predizer cada passo das operações. Se você acha que estamos falando de uma fábrica ou cidade do futuro, saiba que não é nada disso. Essas são apenas algumas das inovações que estão levando o agronegócio a uma verdadeira revolução digital nos últimos anos, transformando completamente a produção. 

A inovação no campo, portanto, é uma grande notícia. Ainda mais quando destacamos a importância do setor agro para a economia de nosso País. Hoje, o segmento é responsável por movimentar cerca de R$ 1 trilhão por ano, o que representa mais de 20% de todo o Produto Interno Bruto nacional. Além disso, quase 40% dos empregos criados no Brasil têm relação direta ou indireta com a indústria do campo. 

Isso significa que a utilização cada vez mais efetiva da tecnologia é um caminho prático para impulsionar os resultados do segmento e, consequentemente, da indústria brasileira como um todo. Mais do que isso: em tempos como os atuais, diante da crise aberta pela pandemia do coronavírus, a modernização e globalização da economia agropecuária pode representar uma chance prática para sustentar a retomada real da atividade interna. 

Para isso, no entanto, é preciso que as soluções mais inovadoras – como as aplicações de Internet das Coisas (IoT – de Internet of Things, em inglês) – cheguem de forma efetiva aos mais diversos elos da cadeia de produção agroindustrial. Simplificar o acesso às novidades e permitir que elas sejam, de fato, otimizadas para atender a rotina dos produtores são dois passos essenciais para gerar valor real a partir da inovação. 

Não por acaso, segundo dados do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), as aplicações de Internet das Coisas deverão gerar até US$ 132 bilhões à economia do Brasil, sendo o campo um dos maiores focos desse investimento – ao lado de verticais como saúde, cidades e fábricas. 

Mas o que, afinal, esse conceito tecnológico agrega para o campo? A resposta é simples: o uso de recursos de IoT no campo permitirá cada vez mais a automação de diversas etapas cotidianas do trabalho – como por exemplo, a colheita, o plantio, o manejo do gado e o comércio de carne – reduzindo desperdícios e maximizando os resultados. Com essa tecnologia será possível, entre outras medidas, conectar várias soluções utilizadas para monitoramento do campo, ampliar o uso de sensores de georreferenciamento que permitam, por meio de Inteligência Artificial, sugerir decis& otil de; es es pecíficas para o produtor e muito mais.  

Como resultado, a real expansão das ferramentas de Internet das Coisas nas fazendas e pastos irá abrir caminho para que os gestores sejam capazes de analisar e aprimorar rapidamente as condições de solo e estágios da produção, entre outros fatores, e implementar um novo modelo de rastreabilidade dos produtos. Desse modo, podem reduzir os custos, antecipar a tomada de decisões, otimizar os investimentos e, ainda, garantir mais segurança aos compradores. 

Para os clientes, por sua vez, a implementação de tecnologia inteligente nas lavouras significará uma nova era de confiança em relação aos produtos – será mais fácil saber que tipo de defensivo agrícola foi usado, de onde veio o produto, qual o caminho logístico percorrido até o mercado. Além disso, o uso de informações precisas e em tempo real resulta em um imenso benefício sustentável, pois possibilita o uso mais racional e eficiente de insumos, água e até mesmo de áreas para plantio. 

Em um momento marcado pelas oscilações e mudanças, garantir maior acesso e conhecimento dos produtos à tecnologia é um fator chave para impulsionar o que chamamos, hoje, de agricultura 4.0 – elevando a inteligência das operações como um todo. É preciso usar a TI como ferramenta para mitigar ameaças e agilizar a conquista de novas oportunidades para que toda a cadeia do agronegócio seja cada vez mais produtiva. 

Atualmente, esse movimento já existe e deve ser ressaltado. Por isso, é fundamental trabalhar para aproximar quem desenvolve novas soluções tecnológicas de quem gerencia as atividades agroindustriais. Incentivar a conexão entre empresas e produtores é o próximo passo para elevar a qualidade do negócio agropecuário brasileiro. Acho que ninguém duvida que o agronegócio brasileiro já é uma potência mundial e com a tecnologia pode ir muito além.  

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Bayer é a nova parceira do AgTech Garage, um hub de inovação em agronegócios

Oferecer soluções tecnológicas para atender às necessidades específicas de cada cliente é sempre um desafio para o agronegócio. O mundo precisa de mais inovação no campo, e o investimento em empresas que oferecem soluções avançadas, ferramentas digitais e análise de dados é fundamental. A transformação digital já é realidade na fazenda, e por isso há uma grande aposta nas startups, que também chegam para impulsionar o setor agrícola nacional.

Diante deste cenário, será inaugurada em 23 de abril o AgTech Garage – Campus Vale do Piracicaba, principal hub de inovação do setor, localizada na cidade de Piracicaba (SP), região considerada o Vale do Silício da agricultura. O principal objetivo é estabelecer relacionamentos colaborativos entre todos os atores que beneficiam a cadeia produtiva.

As startups chegam ao campo gerando novas oportunidades, inovações disruptivas e acelerando os processos das grandes empresas. A dinâmica da informação ajuda o produtor rural na tomada de decisão com o uso das mais recentes tecnologias, como algoritmos, robótica e inteligência artificial, elevando o nível das operações e técnicas agrícolas. Entre os benefícios estão o aumento de soluções de portfólio, baixo custo, foco no cliente e novas alternativas para gerar oportunidades dos mais variados segmentos de negócios.

Atenta às tendências do mercado e à transformação digital, a Bayer encabeça este hub como “Innovation Partner”, sendo a única representante do segmento de sementes e defensivos. Sob a liderança do Centro de Expertise em Agricultura Tropical (CEAT), a empresa quer incentivar o engajamento do setor fomentando novas startups. “A tecnologia já está no campo e contribui para alavancar resultados positivos na produção. Com uma população mundial crescendo exponencialmente e cada vez mais urbana, a agricultura não tem outra saída senão utilizá-la a seu favor para aumentar a produtividade”, ressalta Dirceu Ferreira Júnior, diretor do CEAT da Bayer.

O AgTech Garage – Campus Vale do Piracicaba abrange uma área de 2,5 mil metros quadrados dentro do Parque Tecnológico de Piracicaba e funciona como ponto de encontro para incubação de startups ligadas ao agronegócio, abrigando 400 cadastros na plataforma virtual e doze residentes no espaço físico do pólo. “A união de pessoas pensando em soluções para a agricultura é inspiradora e motivacional. Nesse novo espaço de trabalho e colaboração, o maior beneficiado é o consumidor final. A transformação no modo de operacionalizar esse pensar, possibilita com que agricultores aproveitem os dados que estão ao seu alcance para tornar seus negócios bem-sucedidos e sustentáveis”, explica o executivo.

De acordo com José Tomé, diretor do AgTech Garage – Campus Vale do Piracicaba, “no cenário de mudanças que vivemos hoje, com desafios cada vez mais complexos, que exigem multidisciplinaridade e velocidade, a nossa capacidade de inovar está ligada diretamente à capacidade de conexão e colaboração. O hub cultiva a diversidade de conhecimentos e intensifica as conexões. Ter startups lado a lado de grandes empresas e produtores é fundamental e, sem dúvida, marca uma nova dinâmica da inovação no agro”.

A Bayer se conecta ao ecossistema do AgTech Garage – Campus Vale do Piracicaba por meio de networking e, de acordo com os desafios propostos pela multinacional, captura e auxilia no desenvolvimento de projetos em colaboração. “É de nossa responsabilidade, como empresa protagonista de iniciativas inovadoras, promover a conexão entre pessoas brilhantes para proporcionar um oceano de oportunidades tecnológicas dentro do campo”, pondera Dirceu Ferreira Junior.

Em 2018, a Bayer se conectou com cerca de 50 startups, identificando oportunidades de novas transações em 20 delas. Efetivamente, a empresa começou a trabalhar com 15, despertando frentes de negócio inovadoras e trabalhando mais perto do cliente, o que ajuda a identificar rapidamente suas reais necessidades e proporciona um processo mais ágil com grande potencial disruptivo.

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Carência de habilidades no setor de agritech está atrasando a inovação em IoT, segundo pesquisa da Inmarsat

Mais de 60% das empresas respondentes alegam precisar de mais funcionários qualificados para aproveitarem ao máximo as oportunidades oferecidas pela tecnologia

O potencial da tecnologia da Internet das Coisas (IoT) para impulsionar a inovação, a eficiência e o aumento da produtividade no setor agrícola corre risco, uma vez que as empresas de agritech estão necessitando requalificar com urgência seus atuais funcionários e embarcar em campanhas de recrutamento para garantir que possam contar com as capacidades específicas para continuarem a se desenvolverem. De acordo com uma pesquisa independente encomendada pela Inmarsat, enquanto a grande maioria das empresas de agritech se movem em direção à adoção da IoT, uma parte significativa delas não possui o pessoal ou as habilidades necessárias para aproveitar a tecnologia.

A Vanson Bourne, especialista em pesquisa de mercado, entrevistou profissionais de 100 grandes empresas de agritech em todo o mundo e mostrou que, enquanto mais de 46% das empresas desse setor relataram uma implantação total de soluções IoT e 16% outras iniciaram uma implantação parcial, muitas não possuem hoje as habilidades necessárias para fazer isso de forma eficaz. Além disso, as empresas precisam elevar suas habilidades no nível estratégico, no qual 65% dos entrevistados identificaram uma insuficiência, bem como na administração e entrega da implantação da IoT, para o qual mais de 50% dos entrevistados disseram que faltava pessoal.

A pesquisa também elenca os conhecimentos específicos de IoT que faltam para as empresas de agritech. Cerca de 55% destas relataram uma falta de pessoal de segurança cibernética; já para 53%, necessidade de habilidades de ciência analítica e de dados é um fator preocupante.

Chris Harry-Thomas, diretor de Desenvolvimento Setorial de Agricultura da Inmarsat, comentou a respeito dos resultados: “A IoT é a linha de frente da Quarta Revolução Agrícola, e fornece um sistema nervoso digital com uma rede de dispositivos e sensores conectados e automatizados. Os agricultores estão utilizando essas tecnologias para melhorar drasticamente a eficiência e a precisão de suas operações, automatizando os sistemas de irrigação de modo que a água só seja entregue onde for necessária, e otimizando a fertilização para melhorar os rendimentos”.

“Enquanto a automação desses processos reduz a necessidade de intervenção manual no campo, ela está criando novas necessidades de funcionários qualificados em áreas como análise de dados e segurança cibernética que, como já vimos em nossas pesquisas, faltam hoje no setor”.

“Com a transformação digital em pleno andamento, muitos setores tradicionalmente mecânico-físicos como a agricultura estão correndo para recrutar especialistas digitais para apoiar suas ambições de IoT. Competir com as empresas de tecnologia do Vale do Silício na busca de pessoal qualificado será um desafio para o setor de agro tecnologia, mas à medida que essas empresas decidam assumir o ônus da segurança de dados para aumentar sua participação de mercado no setor, torna-se fundamental que recrutem pessoal com a capacidade de fazê-lo”.

Chris conclui afirmando que o estabelecimento de parcerias estratégicas com terceiros pode ajudar as empresas de agro tecnologia a fecharem as lacunas em suas carteiras de habilidades de IoT: “As empresas precisam aprimorar o seu pessoal existente e atrair novos talentos, se quiserem desenvolver soluções IoT bem-sucedidas. No entanto, no prazo mais longo, o foco deverá ser no estabelecimento de parcerias estratégicas com especialistas de IoT. Com maiores economias de escala, parceiros especializados podem projetar soluções complexas de IoT em múltiplas redes de comunicação, incluindo dados de satélite e celulares, para implantar redes IoT sofisticadas e automatizadas em todo o setor agrícola”.

Para ver o hotsite da pesquisa e baixar o relatório ‘The Future of IoT in Enterprise’ completo (em inglês) acesse: http://research.inmarsat.com/.

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Vencedores do Hackathon John Deere realizam tour de tecnologia e inovação nos EUA

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A equipe Plant Right, vencedora do 1º Hackathon John Deere, visitou as instalações do centro de desenvolvimento tecnológico da empresa em Urbandale, nos Estados Unidos. Durante uma semana repleta de atividades com profissionais do Intelligent Solutions Group (ISG), Felipe Fregulhia (Desenvolvedor), Glenn William Barbosa (professor de informática aplicada à agronomia), Luis Moreno (Desenvolvedor Frontend) e Ramon Pereira (Desenvolvedor Backend) tiveram a oportunidade de interagir com o que há de mais moderno em agricultura de precisão e conhecer de perto o futuro das tecnologias agrícolas.

O propósito do tour foi compartilhar conhecimento ao apresentar a importância da alta tecnologia, engenharia e ciência aplicadas na produção de alimentos – um dos maiores desafios da humanidade hoje e daqui em diante. A viagem teve início em Moline, Illinois, no John Deere Pavillion, centro turístico que conta toda a história da companhia, do primeiro arado auto-limpante ao trator autônomo, e depois na sede mundial da empresa, cuja arquitetura é uma das mais premiadas nos Estados Unidos. “Nós falamos tanto em inovação, e foi isso o que John Deere conseguiu lá atrás, há 180 anos: inovar, mudar o rumo das coisas. Brincamos na viagem que o ferreiro John Deere abriu uma startup já no século 19”, conta Ramon Pereira.

O grupo teve também a oportunidade de visitar o campo de provas da empresa. E literalmente colocar as mãos na máquina. “Foi uma experiência incrível de andar dentro de uma colheitadeira e ter uma pequena aula técnica do funcionamento dos displays, sensores etc. Tivemos a oportunidade de participar de uma mesa de discussão com engenheiros, técnicos e desenvolvedores. Para completar, no centro de desenvolvimento tecnológico, foi sensacional conhecer mais sobre linguagens de programação, recursos de hardwares e softwares, procedimentos de testes, entre outras coisas”, diz Ramon.

Inovação que vem do campo

Já em Urbandale, sede do ISG, o time Plant Right participou de workshops, visitou o Lab Tech, testou simuladores e aprendeu detalhes das carreiras em tecnologias agrícolas diretamente com os profissionais da área. Para Felipe Fregulhia, o destaque foi conferir como desenvolver um ambiente propício à inovação em setores nos quais boa parte das pessoas dos centros urbanos nem imaginam. “A cultura de uma companhia ajuda a tecnologia a brotar. Vimos pessoas com vontade de se atualizarem, para suprir as necessidades, os desafios. É preciso vivenciar o campo para entender”, diz.

Para Jerry Roell, diretor do ISG, os investimentos e estrutura que os visitantes puderam conferir são uma demonstração de como a John Deere já atua dentro das revoluções tecnológicas. Conforme explica o diretor, agricultura de precisão e gestão avançada de dados em equipamentos, bem como a utilização do big data na tomada de decisão, são realidades que fazem com que os agricultores venham atingindo safras recordes de produção ano a ano. “A tecnologia faz parte da vida das pessoas e, em breve, teremos uma explosão da mobilidade e conexão remota em tempo real. Vamos da internet das coisas para a internet em todas as coisas”, completa.

O campo high tech

Seja nos EUA ou no Brasil, o campo se torna cada vez mais high tech. Para o produtor, não basta mais ter máquinas eficientes e fáceis de utilizar, mas sim contar com equipamentos inteligentes, capazes de executar análise de dados e tomadas de decisões em questão de segundos, com alta capacidade de conectividade e interação.

Este conceito de produção rural tecnológica a equipe Plant Right pode vivenciar na fazenda Cinnamon Ridge, em Donohue, Iowa. O local dispõe de tecnologia inserida em diversas atividades agropecuárias, como gado leiteiro, de corte, suínos e aves, além dos cultivos de soja e milho.

O campuseiro Luis Moreno afirma que a imersão no mundo agro foi fundamental para conhecer melhor o tamanho das possibilidades aos profissionais de tecnologia. “Ainda há muito que melhorar. Tecnologia não é o problema, e sim a solução. Precisamos conhecer os verdadeiros problemas das fazendas, em especial as brasileiras, para que possamos propor soluções tecnológicas cada vez mais eficientes. A maioria dos eventos que participo falam de smart cities e eu nunca vi o tema smart farms em eventos de tecnologia. A John Deere introduziu isso muito bem na Campus Party, e existem mais oportunidades de mais eventos com esta temática”, avalia.

O campo na Campus Party

Com uma proposta ousada – discutir o papel das tecnologias para atender a crescente demanda global por alimentos –, a John Deere foi a primeira empresa do setor agrícola a participar da Campus Party, uma das maiores feiras do mundo em ciência, inovação, tecnologia e entretenimento. O evento aconteceu de 31 de janeiro a 5 de fevereiro, no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo.

De acordo com Alfredo Miguel Neto, diretor de Assuntos Corporativos para América Latina da John Deere, “não podemos mais ter divisões entre campo e cidade. O que temos que fazer é promover oportunidades de unir o potencial agrícola do Brasil com as tecnologias digitais e com a criatividade dos brasileiros. Ao instigarmos as mentes criativas dos participantes do Hackathon, certamente estamos abrindo novos caminhos e contribuindo para fortalecer o País como fornecedor global de alimentos”, explica.

Principal ação da empresa na Campus, o Hackathon John Deere tinha o desafio de conectar o homem do campo com a tecnologia da empresa. Ao todo, foram mais de 450 participantes pré-inscritos e 121 efetivos. No fim, foram apresentados 19 projetos. O time Plant Right propôs e desenvolveu um aplicativo para auxiliar o agricultor na correta de tomada de decisões na etapa crucial do desenvolvimento de uma produção agrícola: o plantio.

Além do tour oferecido para o grupo Plant Right, as outras quatro equipes finalistas do Hackathon conheceram, em junho, o Centro de Agricultura de Precisão e Inovação, em Campinas (SP) e visitaram uma fazenda em Cesário Lange (SP).

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Finalistas de Hackathon visitam John Deere e realizam imersão completa em tecnologia

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Com uma população mundial em crescimento, a ciência e a alta tecnologia são elementos imprescindíveis para que a produção de alimentos seja oferecida em larga escala. No trajeto do campo à mesa, os alimentos passam por uma cadeia tecnológica e de inovação que surpreende até mesmo aqueles que estão acostumados com o universo high-tech. No caso das máquinas e serviços agrícolas, inovação é palavra de ordem em todas as etapas, desde a concepção de novas máquinas e serviços até a atuação dos clientes efetivamente no campo, que possuem os equipamentos coletando dados e disponibilizando-os em nuvens.

E foi para conhecer a inovação agrícola completa, dos desenvolvimentos dos produtos e serviços até a atuação efetiva no campo, que os finalistas do primeiro Hackathon John Deere realizaram, na última semana (22 e 23/6), uma imersão na experiência tecnológica John Deere. Com uma agenda ampla e diversificada, os 14 jovens trocaram experiências com colaboradores de diferentes áreas da companhia e ainda foram ver de perto as máquinas atuando em uma fazenda.

O primeiro dia do encontro foi marcado por visitas e palestras com o time de tecnologia da John Deere, no recém-inaugurado Centro de Agricultura de Precisão e Inovação, em Campinas (SP). Já na sexta-feira, o grupo seguiu até Cesário Lange (SP) para ver uma operação agrícola ao vivo, na fazenda Nova Esperança.

“O Brasil já é uma força no agronegócio, mas ainda há espaço para fazer mais, principalmente via adoção de tecnologia. Ao colocarmos nosso potencial produtivo com equipamentos e serviços que otimizam todas as etapas agrícolas, nos fortalecemos como fornecedores globais de alimentos”, explica Alex Foessel, diretor do LATIC – Centro Latino-Americano de Tecnologia e Inovação da John Deere. Por isso, diz ele, “a visita dos campuseiros para conhecer as tecnologias que compõem os equipamentos e serviços, bem como os processos e os profissionais que fazem com que uma companhia de 180 anos seja considerada inovadora é algo renovador, tanto para nós quanto para eles”.

Os participantes faziam parte dos times JD Connect, Time Abdub e Parceria JD, que ficaram em 2°, 3° e 4° colocados no Hackathon, respectivamente. O desafio da John Deere na Campus Party propôs aos desenvolvedores a criação de um aplicativo que conectasse o homem do campo com a tecnologia da empresa.

Inovação

A visita teve início com palestras e bate-papos sobre tecnologia. Primeiro, o time de Sistemas de Informações da John Deere apresentou os sistemas de infraestrutura tanto na John Deere Brasil quanto nas demais regiões. O grupo explicou como faz para trabalhar com eficiência tendo como foco criar soluções integradas para o cliente final, seja resolvendo quaisquer ocorrências ou desenvolvendo novos produtos.

Já Santiago Larroux, diretor da Auteq, empresa brasileira de softwares de bordos, comprada há dois anos pela John Deere, falou sobre as oportunidades da agricultura de precisão.

“A agricultura tropical tem uma característica complexa, com o tamanho das fazendas e principalmente, a possibilidade de fazer duas a três safras em um mesmo ano. Isso significa que as ações das máquinas devem ser precisas, fáceis e de alto rendimento, realizando o trabalho no local certo, da maneira correta e no momento correto. Isso rende produtividade e gera lucro aos clientes”, explica.

De acordo com o diretor, o desafio é tornar as tecnologias cada vez mais acessíveis e, ao mesmo tempo, criar soluções para questões como conectividade na zona rural, transferência e análise de dados e até mesmo correções de sinal GPS.

O diretor realizou ainda um tour pelo mezanino, onde está localizado o Centro de Agricultura de Precisão e Inovação. Inaugurado em março deste ano e terceiro centro de inovação da John Deere no mundo (os outros estão nos EUA e Alemanha), o local desenvolve inovações e adaptações nos equipamentos (tanto equipamentos físicos quanto tecnologia embarcada), para serem compatíveis com as características do mercado latino-americano. Guiados por Larroux, os participantes conheceram o LATIC – Centro Latino-Americano de Tecnologia e Inovação, o ISG (Intelligent Solutions Group) e também as instalações da Auteq.

Troca de experiências

Pela tarde, a visita teve como mote a troca de experiências entre participantes e diversas equipes da companhia. Segundo explica Guilherme Sierra, gerente de Comunicação Corporativa para a América Latina da John Deere, o objetivo era criar um ambiente de diálogo entre os colaboradores de âmbitos diversos, como Treinamentos, Desenvolvimento de Softwares e Hardwares, Relacionamento com Parceiros (Concessionários e Distribuidores), Marketing e Recursos Humanos.

“A nossa intenção era que os membros da equipe compartilhassem suas carreiras, permitissem que os visitantes fizessem perguntas sobre trabalho, experiências e até mesmo tivessem orientações sobre como prosseguir”, conta.

Primeiro, o grupo conheceu as instalações do Centro de Treinamento e viu como é a integração entre hardwares, softwares e mecânica dos equipamentos. Logo após, a John Deere proporcionou uma conversa descontraída de job rotation com três possibilidades de carreiras distintas: desenvolvimento de hardware e firmware de sistemas embarcados; engenharia de sistemas; e pelo marketing.

Sileide Santana Campos, de Salvador (BA), foi uma das participantes. Ela atualmente cursa duas faculdades: engenharia de controle e automação e engenharia de computação. Antes da Campus Party, Sileide nunca havia tido contato com a John Deere.

“A única ligação com o campo que tinha era um projeto de irrigação pequeno que fiz. Aqui achei muito maravilhoso, principalmente na área de sensores, controladores, como é feita toda a lógica, ter o foco no cliente. Tem muitas novidades de inovação e automação aqui que a gente nem imagina, ainda mais no campo, que tem muita tecnologia. Fiquei mais feliz ainda porque eu trabalho com Delphi e aqui tem essa linguagem de programação”, contou.

Edmundo Beinecke, Engenheiro de Sistemas da companhia, participou da conversa e contou como é o dia a dia de um profissional de tecnologia na John Deere. Em resumo, é preciso ouvir as demandas do cliente e avaliar as possibilidades técnicas e econômicas de desenvolver ou evoluir uma tecnologia, considerando o modelo de negócios e a viabilidade. “Então, não é somente olhar as demandas, mas também trazer soluções. Estamos trabalhando com tecnologias que ainda não existem. Somos nós que estamos desenvolvendo”, disse Beinecke.

Já Juliano Severo, gerente de Marketing de Produto de Agricultura de Precisão na companhia, explicou aos participantes como a área de Marketing auxilia no desenvolvimento de um produto ou serviço. “Nós atuamos desde o estudo da demanda e a descrição do que se quer desenvolver até o acompanhamento do desenvolvimento, fazendo com que os projetos se tornem viáveis como um todo, da parte interna até a ponta final”, afirmou Severo.

O primeiro dia de evento terminou com conversas sobre como os Concessionários e Distribuidores ouvem as demandas de tecnologia dos clientes e também sobre os requisitos e benefícios que os Recursos Humanos da exigem para quem deseja atuar com a John Deere, principalmente se adaptando às características exigidas pelas novas gerações, como possibilidade de crescimento na carreira e realizar experiências em diferentes áreas.

A tecnologia na prática

No segundo dia de visita, os campuseiros seguiram até a fazenda Nova Esperança, em Cesário Lange, no interior paulista. Na propriedade, a família Ribeiro planta soja, milho e feijão em cerca de 1300 hectares. Apaixonados pela tecnologia, Sérgio Ribeiro e o filho Felipe mostraram aos participantes as diversas etapas agrícolas: a pesagem, controle de produção, planejamento logístico e de insumos, controle, tratamento e armazenamento das sementes, uso de combustíveis, recursos humanos, secagem, carregamento e descarregamento e ainda as operações de apoio, como transbordo e oficinas de manutenção.

Mas foi no campo que a tecnologia pôde ser efetivamente encontrada: primeiro conferiram a distância uma operação de campo com o Pulverizador Autopropelido 4730. Com uma frota que tem colheitadeiras da Série S e tratores das Séries 6 e 7 da John Deere, Sérgio Ribeiro organizou um teste prático com as máquinas. Foi a vez de ir à campo e subir nas máquinas. Com os operadores, os campuseiros se revezaram em conhecer todas as etapas produtivas e como é possível integrar os sistemas.

Para o mineiro de Barbacena, Maurício José da Silva Júnior, que atua com sistemas para internet, a experiência foi marcante. “A gente achava que não tinha muita coisa, mas na realidade o campo está muito conectado. Aqui na fazenda vimos que não é algo na teoria, realmente utilizam o sistema de piloto automático, que estava alinhado, que funciona de verdade”, contou.

Sérgio Ribeiro, diretor da propriedade, explicou que na fazenda Nova Esperança a agilidade é uma norma. “A tecnologia tem nos ajudado muito em termos de produtividade, aqui é totalmente diferente de anos atrás, não dá nem para comparar”, contou.

Com os olhos nos dados do computador, a família Ribeiro acompanha de perto todas as operações. “Por isso que a tecnologia é muito importante e tem que funcionar, bem como a logística é muito importante. Isso nos ajuda a diminuir os gastos”, disse Sérgio Ribeiro. De acordo com ele, a Internet das Coisas (IoT) veio para facilitar a vida no campo e que a agricultura com os aplicativos têm um potencial infinito de gerenciamento, com a possibilidade de prevenir problemas agrícolas, auxiliar na consultoria para decidir e também na atuação logística da fazenda. “Queremos monitorar todos os dados em tempo real”, disse.

Digital Farming

No fim da visita, os jovens se reuniram com Jerry Roell, diretor do Intelligent Solutions Group (ISG) e Alex Foessel, diretor do LATIC, para falar sobre tendências agrícolas para o futuro, especialmente em relação às possibilidades tecnológicas.

Eles explicaram que a John Deere possui um mapa de inovação baseado em alguns preceitos, como aumentar a produtividade por sistemas eletrificados, ter sistemas cada vez mais automatizados, auxiliar os produtores a tomar as decisões agronômicas e oferecer soluções que sejam integradas e fáceis de entender e usar.

De acordo com os especialistas, a Internet das Coisas já está na vida das pessoas e a agricultura tem acompanhado este movimento. Hoje, explica Jerry Roell, a John Deere se prepara para atuar com as máquinas em redes conectadas e dentro do conceito de mobilidade.

“Qualquer coisa pode ser disruptiva pela IoT. Isso vai transformar tanto os dispositivos quanto os modelos de negócios. Por isso, a tarefa da John Deere é ser líder neste processo de desenvolvimento, e não uma mera follower”, citou Roell.

Já Alex Foessel trouxe aos participantes que, em um mundo em que as máquinas serão cada vez mais eficientes, ainda existem gargalos para serem trabalhados. “Temos dados que mostram que parte do tempo de uma máquina parada é por questões climáticas, limpezas e manutenções, além de esperas por instruções. A adoção tecnológica vai suprir cada vez mais estes problemas. Agora, existe outra questão fundamental: analisar os dados nas nuvens, de forma que a tecnologia seja primordial para ajudar os agricultores a tomarem decisões agronômicas e econômicas, que é o que ele entende”, disse o executivo.

A imersão tecnológica na John Deere foi surpreendente até para os jovens empreendedores mais experientes, como é o caso de Thiago Butignon Claramunt. Com 25 anos, Thiago é empreendedor e sócio da Beta Quark, uma empresa venture builder (um modelo de negócio que constrói startups através de processos sustentáveis de desenvolvimento favorecendo a longevidade do empreendimento, diferente das tradicionais aceleradoras).

“A comunicação sobre inovação na John Deere é muito mais singular. Já fui em empresas como Facebook, Google, visitei o Vale do Silício, até mais as mais tradicionais, como Ambev… e a mais inovadora até agora foi a John Deere. Todos conversaram conosco sobre tecnologia na agricultura e inovação de uma forma muita descomplicada”, disse Thiago.

Já para o empreendedor de Goiânia, Pedro Renan Ferreira de Santana, a participação da John Deere na Campus Party 2017 e a participação no Hackathon foi o start para ele criar seu próprio projeto open source em agricultura de precisão. Hoje o chamado Projeto Hermes estimula a conexão das tecnologias com os desafios do campo, transformando os dados em informações úteis.

“Após o Hackathon comecei a me interessar pelo assunto de agricultura tecnológica e agora tem este projeto. Na John Deere vi um time que respeita os valores e para mim é importante participar de questões como alimentar a população e fornecer vestuário”, disse o profissional em Ciências da Computação.

A Campus no Campo

Com uma história marcada por produtos e atitudes inovadoras, a John Deere investe cerca de 4 milhões de dólares por dia em pesquisa e desenvolvimento.

Desde o primeiro arado autolimpante, inventado pelo próprio John Deere, até as poderosas tecnologias atuais, a empresa é reconhecida pela busca e apresentação de inovações nos segmentos em que atua. Por exemplo, atualmente, a companhia investe fortemente na utilização da telemetria e gestão avançada de dados em seus equipamentos, bem como na utilização do big data.

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