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Tecnologia e disrupção: os desafios para o varejo

7º Fórum LIDE do Varejo debate as tendências para o futuro do mercado na ótica de varejistas e consumidores

As transformações na estrutura global do consumo, novo ciclo do varejo, tecnologias e ferramentas digitais nos pontos de venda, experiência da omnicanalidade e revolução dos meios de pagamento foram os temas em pauta do 7º Fórum LIDE do Varejo, um dos mais importantes eventos do segmento no país. Promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais com curadoria do LIDE Comércio, o encontro contou com a presença de presidentes e executivos das maiores redes varejistas do Brasil.

Para Marcos Gouvêa de Souza, presidente do LIDE Comércio, o Brasil tem pressa e o setor, um compromisso com o futuro em nome das novas gerações. “Um balanço realista das duas últimas décadas mostra que evoluímos em alguns temas importantes, mas ‘involuímos’ em muitos outros, especialmente no que diz respeito a aspectos sociais, políticos, tributários, na modernização do Estado e da gestão pública”, lembra o executivo na carta legado do evento.

O impacto da tecnologia no jeito de fazer varejo e como atender um consumidor presente em vários canais foram os assuntos que dominaram os debates das plenárias de sábado. Marcelo Bazzali, CEO do Extra, no painel “Transformações na Estrutura Global do Consumo”, ressaltou que o ponto principal para as mudanças é o cliente. “É fundamental entender quem é ele e o que ele precisa. Ao mesmo tempo, temos que atender a necessidade de compra dele, seja de itens básicos na internet ou mesmo de alimentos perecíveis em lojas físicas”.

Fernando Matias, COO da Payly, concorda com a opinião de Bazzali. “Devemos lembrar que a tecnologia não é linear. Ela segue as necessidades de cada indivíduo. Precisamos pensar como o ecossistema de consumo deve ser direcionado focando nas pessoas e em suas necessidades, gerando experiências positivas”, diz.

Para Rodrigo Diago, diretor-executivo da Accenture e líder da Indústria de Varejo para a América Latina, essa personalização é um objetivo cada vez mais convergente entre varejistas e consumidores. “O que rege a transformação são as expectativas do consumidor e a mudança de perfil de consumo. 80% dos consumidores estão mais propensos a comprar se atendidos de forma pessoal, enquanto 72% dos varejistas entendem que a personalização é uma top priority”.

Como mudar?

Os executivos apontaram também alguns caminhos que os players varejistas devem seguir em meio à transformação digital. Walter Faria, presidente da J.Macêdo, ressaltou que é preciso estar atento a outros elementos, como as novas formações familiares e ainda o aumento da expectativa de vida. “Millennials e pessoas acima de 65 anos tornam-se mais exigentes do que suas gerações anteriores. Dados mostram que o poder de compra da população, que compõe a Terceira Idade, triplicará até 2060.”

Os desafios para atingir um consumidor mais tecnológico e presente em diversos canais atingem lojas centenárias, como a Pernambucanas. “Transformar uma empresa de 110 anos é mais desafiador que criar uma nova. O segredo da nossa transformação digital não foi só a tecnologia, foi gente”, explicou Sergio Borriello, CEO das Pernambucanas. “Empoderamos o colaborador. O digital está a serviço do cliente e do próprio funcionário”.

Alexandre Costa, presidente da Cacau Show, trouxe um debate interessante no LIDE TALKS “Tecnologias Digitais x Experiências Sensoriais”. No bate-papo, o chef lembrou que, diante de um mundo cada vez mais digital, cresce a importância de promover experiências personalizadas. “O objetivo do comércio deve ser o de construir um storytelling para oferecer o storyselling. A experiência do PDV e os valores por trás da marca vão cativar o coração do consumidor”, comentou, destacando que o novo consumidor quer saber de onde vem os produtos e quais são os valores da empresa.

Sinais do futuro

Para fechar o evento, Marcelo Pegoraro, CEO da LianLian Pay Brasil, empresa chinesa de meios de pagamento fundada em 2003, que possui cerca de R$ 181 milhões em capital registrado e está entre as quatro maiores fintechs do país asiático, apresentou a empresa ao mercado brasileiro. “Muitas empresas brasileiras se espelham em soluções americanas, mas poucos sabem que elas retiram ideias das chinesas”.

Pegoraro demonstrou dados sobre Mobile Payment e o mercado chinês em comparação com o norte-americano. “Em 2018, no ‘single’s day’ da China, tivemos um total de US$ 60 bilhões em venda no e-commerce, enquanto a Black Friday americana vendeu apenas US$ 6,2 bi nos meios digitais. Somos parte de uma revolução: dados apontam que, em 2013, o pagamento via mobile na China representava um total de 8,6%. Em 2018, esse número estava em 61,9%”, pontua.

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