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Como interagir com milennials

por Helena Lizo, Head de Finanças & People da Revelo

Hábitos e costumes da geração Millennials (nascidos de 1980 a meados de 1990) têm um grande impacto no mundo corporativo. De acordo com um estudo da Bazaar, nos Estados Unidos, eles gastarão mais dinheiro do que qualquer outra geração no país em 2018. Já uma pesquisa da Oracle revela um número impressionante: estima-se que esse valor supere os 3 trilhões de dólares no ano.

Junte isso com a alta adesão às tecnologias e temos a incontestável conclusão de que esse é um nicho valioso para o mercado. Os canais de informação e compra são totalmente diferentes daqueles utilizados em outras épocas. De modo similar, seus padrões de consumo também apresentam mudanças drásticas.

Segundo um levantamento da Trendsity, 64% dos próprios millennials reconhecem que é a geração mais difícil de satisfazer. Pensando em ajudá-los a interagir melhor com os millennials, listo abaixo seis dicas que irão ajudar nesta reflexão.

1. Invista na imagem da marca

Segundo um estudo da Forbes, 60% dos millennials afirmam lealdade às marcas.

A grande diferença para os integrantes dessa geração está nas atitudes, valores e como a marca se relaciona com a sociedade. Nesse sentido, as impressões deixadas pela marca na mente dos consumidores é um grande diferencial. Questões éticas são consideradas no momento da compra, e não apenas o produto ou o serviço em si. A preocupação com a comunidade, os deveres com o ambiente e como a empresa trata seus funcionários são fatores que têm impacto direto na forma de atingir em cheio aos jovens.

2. Foque na qualidade do que você vende

A qualidade do que você vende deve sempre ser prioridade. Isso porque millennials são ativos na internet e certamente divulgarão opiniões acerca do que foi adquirido.

Por isso é muito importante oferecer um bom atendimento ao cliente e suporte. De preferência pelos canais digitais, onde eles se concentram durante a maior parte do tempo. Além disso, 93% geralmente consomem “reviews” sobre os produtos. Acessam o YouTube, o Reclame Aqui! ou outras redes sociais para verificar a qualidade do produto antes de clicar no botão. E 89% acreditam mais nessas recomendações do que nas mensagens de marca. Ou seja, a opinião de outros usuários é muito mais valiosa do que as informações divulgadas por meio de canais próprios, como website, e-mail marketing ou links patrocinados.

3. Crie conteúdo

Uma alternativa encontrada no marketing digital é a criação de conteúdo, estratégia nomeada como marketing de conteúdo. Nela, a empresa cria artigos, ebooks, vídeos e outros materiais para alcançar e engajar os usuários. O conteúdo é responsável por mais de 90% do tráfego na internet, uma tendência que acompanha o crescimento das informações disponíveis no ambiente da web. É necessário planejamento, estudando as principais formas de consumo e as maneiras para dialogar com a audiência segmentada.

4. Interaja

Uma tendência muito valiosa quando o objetivo é atingir os millennials é a humanização das marcas. Pois é, a sua empresa não é apenas uma logomarca bonita sem uma identidade por trás. Esse é o grande motivo pelo qual elas precisam estar nas redes sociais. A presença nestas plataformas permite a interação contínua, não apenas por meio do conteúdo valioso, mas trazendo personalidade à marca. Millennials querem fazer parte da construção da empresa, importam-se com a mensagem transmitida pela marca e sentem necessidade de enxergar uma pessoa do outro lado da tela. Isso gera relacionamento e, consequentemente, confiança e autoridade à empresa.

5. Adote a mobilidade

Essa geração usa o smartphone em casa, no trabalho ou durante os períodos de lazer. Ou seja, há a possibilidade de entrar em contato a qualquer hora do dia.

Nesse sentido, muitas empresas pecam ao não investir em design responsivo ou na utilização dos aplicativos como ferramentas de divulgação. Basicamente todas as suas estratégias digitais devem ser otimizadas para dispositivos móveis. Isso inclui páginas de conversão, conteúdo e website. Millennials têm pressa. Não são eles que precisam se adaptar ao formato fornecido, mas o contrário.

6. Utilize o Big Data

A análise de métricas é um dos mais relevantes meios para atingir a geração da mudança. Talvez a maior vantagem em utilizar a internet para negócios seja o recolhimento de dados. A partir de plataformas de mensuração, é possível ter acesso a informações geográficas, demográficas e comportamentais dos usuários.

Ao compreender como funciona o seu público, é possível personalizar as mensagens e entregar o conteúdo correto no momento mais propício.

A batalha dos preços nos marketplaces

Por Ricardo Ramos

Na hora de montar uma estratégia de vendas no ambiente digital, o empreendedor não pode mais ignorar a força dos marketplaces. Conhecido como shopping center virtual, o conceito compreende a disponibilidade de vários vendedores em uma mesma página, competindo entre si pela atenção do consumidor.

Tendência há poucos anos atrás, o marketplace já é uma realidade incontestável para o comércio eletrônico brasileiro, tornando-se uma importante ferramenta de vendas. Segundo dados da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), esse tipo de negócio já corresponde a quase um terço das vendas realizadas por lojistas virtuais no país (31,5%). Em muitos casos, consiste na porta de entrada de empresários que desejam vender seus produtos online.

Contudo, o crescimento das vendas por meio desse modelo negócios contribuiu para a consolidação de uma nova dinâmica de preços em produtos vendidos no e-commerce. A disputa é ainda maior pelo Buybox, posição de destaque na página e. Se para o consumidor é um atrativo poder visualizar diferentes opções de aquisição para o item desejado, para o vendedor é um desafio a mais deixar sua oferta mais atrativa.

Quanto maior o número de lojistas concorrendo pelo mesmo produto, maior será a quantidade de alterações no preço. Isso porque os empreendedores monitoram os valores praticados pelos concorrentes e reagem rapidamente. Uma pesquisa realizada com base nos dados de monitoramento da Precifica, com 2864 brinquedos, entre setembro e outubro de 2018, indica que os vendedores presentes nas últimas posições brigam de forma mais acirrada pelo preço. Eles chegam a modificar o valor quase duas vezes ao dia (1,7), enquanto que os líderes da lista fazem uma alteração a cada dois dias (0,6).

Realizar essas alterações de forma manual toma tempo e, pior, é um processo arriscado que pode comprometer a rentabilidade do negócio e levar a loja virtual à falência. A boa notícia é que existem softwares específicos que realizam o monitoramento e a precificação dinâmica também nos marketplaces, fazendo com que suas ofertas sejam sempre competitivas e, principalmente, lucrativas. Ter uma ferramenta deste tipo é imprescindível em um cenário de intensa competitividade entre as empresas.

Hoje, posicionar sua loja nestes centros de compras virtuais é uma decisão estratégica importante para quem deseja aumentar as vendas. Contudo, não basta apenas inscrever seu e-commerce e começar a vender: é preciso ter um planejamento para enfrentar a concorrência e garantir que suas ofertas sejam notadas pelos consumidores. A melhor forma para isso é justamente a precificação adequada de seus produtos, com o acompanhamento constante e a identificação de oportunidades para aumentar ou abaixar o valor de acordo com a demanda e o estoque. Com preços vantajosos, sua marca sempre estará na lembrança de seu público-alvo.

Ricardo Ramos, CEO da Precifica

Com o boom de robôs e da Inteligência Artificial, como se preparar para o novo mercado de trabalho?

Por Cassiano Maschio

Desde que estreitamos o relacionamento com a tecnologia, as dúvidas em relação ao quanto ela irá impactar no mercado de trabalho permeiam em rodas de conversa e na mente de muitas pessoas. O que acaba, o que se renova, quais oportunidades surgirão?

Ao mesmo tempo que algumas profissões ficam obsoletas e outras precisam ser adaptadas, é certo que muitas outras serão criadas – isso já está acontecendo! Pensando nesse cenário, é preciso que os profissionais estejam atentos e preparados para uma nova era. Compartilho, então, algumas dicas para se prepararem para esse novo momento:

1) Planejamento pessoal:

Você pode estar em alguns momentos de sua carreira:

Estudantes e jovens que estão no início da vida profissional, e em busca de uma carreira, devem analisar bem a escolha do curso e especialização, entendendo o momento de cada profissão. Segundo estudos, algumas delas – antes tradicionais e com boas oportunidades – estão em xeque e se não irão desaparecer, tendem a demandar uma completa adaptação do formato de trabalho. São alguns exemplos: assistente jurídico, analista de riscos, analista de investimento, headhunter, piloto de avião, anestesistas, engenheiro de software, contadores e auditores.

Profissionais que já estão no mercado ou buscam reposicionamento devem se reciclar para atender às novas exigências e não perder espaço. A melhor forma para isso é por meio de cursos, que permitem trocar conhecimentos e se atualizar sobre as tendências da área.

2) Dicas para uma carreira de sucesso:

Quando pensamos em cursos, é importante buscar aquele que fuja do óbvio e do tradicional, e que agregue valor à atuação no mercado de trabalho, capacitando-o e ajudando-o a desenvolver novas habilidades. As empresas querem profissionais preparados e antenados com o que está acontecendo à sua volta. Uma dica: cursos de música, artes e design ajudam no lado criativo das pessoas e proporcionam uma visão “fora da caixinha” para determinada função.

Pesquise profissões com melhores perspectivas e menos riscos de desaparecerem. Busque funções que usem criatividade e inovação.

Tenha uma visão sistêmica de mercado, negócio e operação – o que é importante para qualquer função. Mesmo o especialista tem que entender que faz parte de uma engrenagem e precisa estar atento ao todo, ao resultado global.

3) A tecnologia é feita por pessoas para pessoas. Algumas áreas em alta:

Chatbots e Inteligência Artificial – há uma gama de profissões que podem aproveitar o boom dessas tecnologias. Os robôs de atendimento estão cada vez mais precisos em suas respostas. Isso se dá por meio de tecnologias de processamento de linguagem natural e de machine learning. Por isso, profissionais de comunicação e letras têm uma nova possibilidade para explorar.

Direito Digital – O compartilhamento e uso de dados é uma realidade para que empresas se aproximem cada vez mais de seus consumidores. As novas leis para o controle dessa prática têm mostrado a necessidade de pessoas especializadas. Tudo é muito novo nesse segmento! Com isso, advogados e estudantes de direito têm um caminho de muitas oportunidades e desenvolvimento nesse setor.

Designer – Especialista em UI e UX: Aqui, temos o especialista em User Interface (interface do usuário) e em User Experience (experiência do usuário). Em um mercado competitivo, as marcas buscam diferentes formas de se destacar, e o site da empresa faz parte disso. Logo, especialistas no desenho e desenvolvimento de canais digitais inovadores são muito procurados. Profissionais de Design Gráfico, Design de Games, Publicidade e Propaganda e Comunicação e Multimeios ganham força e espaço.

É preciso compreender que a necessidade de mudança não está somente em cima dos negócios – os indivíduos também precisam se adaptar à uma disrupção muito rápida do mercado de trabalho. A reciclagem profissional se tornará cada vez mais importante, assim como o mix de habilidades necessárias para uma mudança de carreira bem-sucedida.

Cassiano Maschio, Diretor Comercial da Inbenta, empresa que auxilia o relacionamento online das marcas com seus clientes.

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O jurídico das empresas tem espaço para a inovação?

Por Luiz Felipe Tassitani

Em um momento onde falamos muito sobre inovação, pensamento disruptivo, mudança de mindset, questiono se os departamentos jurídicos das empresas estão preparados para absorver todas as possibilidades geradas pela tecnologia no mercado jurídico.

A inovação no departamento jurídico é medida que se impõe e a expansão no mercado de LAWTECHS, especialmente após a implantação do processo eletrônico no Brasil, vem demonstrando que estamos caminhando para o uso da tecnologia no mundo jurídico.

Para quem não sabe, as lawtechs ou legaltechs são abreviação de Legal Technology – law (advocacia) e technology (tecnologia), são empresas que desenvolvem soluções para facilitar a rotina dos advogados, conectar cidadãos ao direito e mudar a forma de atuação do Poder Judiciário.

Assim como as fintechs – financial (finanças) e technology (tecnologia) – fizeram com o setor financeiro e bancário no Brasil, as lawtechs já revolucionam o mercado jurídico.

No Brasil, em 2017, foi criada uma entidade congregando as empresas que desenvolvem tecnologia e inovação na área jurídica, a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L).

O objetivo desta entidade é apoiar a inovação integrando profissionais da área tecnológica e jurídica, além de produzir estudos e pesquisas que forneçam informação relevante ao mercado e atuar junto à administração pública para estimular a adoção de novas ferramentas e tecnologias.

Pesquisa recente produzida pela AB2L mostrou que 95% dos escritórios de advocacia estão abertos às inovações que solucionem seus problemas e 62% já procuram serviços customizados de tecnologia.

Recentemente, em São Paulo, foi inaugurada a Future Law Innovation Center, com foco nas lawtechs, startups de tecnologia com atuação no campo do direito. O centro é o primeiro a ser patrocinado pela Thomson Reuters na América do Sul, mas existem outros seis centros de inovação apoiados pela empresa e espalhados pela Ásia, Europa e Estados Unidos.

Ainda teremos muitos desafios pela frente, visto o tradicionalismo da nossa profissão, ou mesmo a cultura da empresa, mas é fundamental que os gestores já estejam alinhados com as novas possibilidades.

A tecnologia a serviço do direito

Problemas que antes era difíceis de serem solucionados, ficaram no passado, ultrapassados pelos avanços da tecnologia. Um bom exemplo disso são as revelias causadas pelo recebimento de citações em filiais ou lojas das grandes empresas.

Hoje, já é possível contratar um sistema que monitora, 24 horas por dia, a distribuição de ações nos Tribunais brasileiros. Com é possível ter ciência da demanda antes mesmo do recebimento da citação, permitindo uma análise mais detalhada para realizar uma boa defesa ou acordo, além de extinguir as revelias, uma imensa fonte de problemas para departamentos jurídicos e escritórios de advocacia.

Para a maioria das empresas localizadas nos grandes centros, o caso acima não é novidade, mas a oferta de produtos e serviços é muito ampla. Veja:

· Resolução de conflitos online: serviços que oferecem mediação, negociação e arbitragem de acordos online;

· Analytics e jurimetria: plataformas que oferecem estatísticas e análise de dados no setor jurídico;

· Automação e gestão de documentos e informações: softwares que automatizam documentos jurídicos e fazem a gestão do ciclo de vida de contratos e processos.

Tenho claro que o trabalho na área do direito será fortemente impactado pela tecnologia nos próximos anos e os advogados terão que se adaptar à nova realidade para encontrar novas oportunidades.

Parodiando o naturalista britânico Charles Darwin:

Sobreviverão os mais adaptáveis!

E você? Já está preparado para a nova realidade?

Luiz Felipe Tassitani, advogado sênior na Sompo Seguros S/A.

Como a busca personalizada influencia a decisão de compra no e-commerce

Por Alan Prando

Aumentar o mix de produtos no e-commerce não garante que o consumidor comprará mais. Pelo contrário, diante de tantas alternativas, ele pode se sentir perdido, paralisado e, assim, não efetivar a compra.

A explicação é psicológica. O nome que se dá ao processo ocasionado por uma grande quantidade de opções é choice overload (ou sobrecarga de escolha). Isso significa que, a partir de um determinado número de itens, a pessoa pode ficar impaciente e se sentir incapacitada para tomar uma decisão.

Oferecer um portfólio amplo é essencial para atender clientes com gostos e necessidades diferentes. Porém, quando eles se deparam com milhares de itens, a satisfação pode ficar comprometida. O consumidor online é exigente. Ele quer agilidade para encontrar o que procura. Imagine, por exemplo, uma pessoa que está procurando um notebook. Com vários modelos, de diversas marcas e com funções semelhantes no mercado, a decisão ficará ainda mais complexa.

Por isso, é fundamental investir na experiência do cliente, fazendo com que ele se sinta único, exclusivo. A solução é diminuir estrategicamente as alternativas, por meio da busca personalizada. Esse recurso traz benefícios, como:

-Reduz o esforço para encontrar os produtos e tomar a decisão de compra;

– Apresenta apenas o que é relevante para o consumidor;

– Proporciona uma experiência positiva;

– Atinge clientes mais maduros.

Com esse tipo de ferramenta, ao fazer uma pesquisa no site, o usuário não recebe apenas resultados relacionados aos termos digitados. O e-commerce também faz a recomendação de produtos, com base no perfil, histórico de navegação e interesses do usuários – dados que o sistema já rastreou e armazenou anteriormente.

Desta forma, os resultados da busca são totalmente personalizados para cada usuário e as opções se limitam aos produtos que ele está mais propenso a adquirir. Tudo isso facilita a escolha e aumenta as chances de conversão.

Clientes que utilizam a pesquisa interna do e-commerce geralmente estão mais maduros para comprar, pois já sabem o que estão buscando. Eles apenas precisam comparar e avaliar as alternativas que a loja oferece. Por isso, a experiência da busca personalizada é tão determinante para garantir a satisfação e gerar a conversão.

Alan Prando, CTO e cofundador da Biggy, plataforma especializada em Big Data e Inteligência Artificial, com foco em personalização e recomendação de e-commerce.

Transformação mental é a próxima fronteira da análise de dados

Por Ricardo Santana

Especialistas de diversos países tentam explicar a importância da informação digital para impulsionar os negócios. Atualmente, os dados estão disponíveis para todos, mas a aplicação depende da confiança na qualidade da fonte, na compreensão de como eles fluem e quem tem acesso ao conteúdo.

Estimativas da KPMG revelam que 90% dos dados atuais foram produzidos nos últimos dois anos, com expectativa de que esse volume dobre anualmente nos próximos cinco anos. Isso faz com que o sucesso das empresas do futuro dependa cada vez mais da compreensão correta do negócio e da seleção da tecnologia correta para processar e dar significado às informações. Ainda assim, diante da quantidade de dados disponíveis, não faz sentido processar tudo, sendo necessário definir, primeiramente, como o gerenciamento de dados suporta os objetivos e a estratégia geral da organização.

Apesar disso, 67% dos executivos globais ainda confiam em seus próprios instintos em relação aos dados que recebem, segundo o estudo CEO Survey, da KPMG, o que se contrapõe às empresas com estratégias claras de gerenciamento de dados que os utilizam para alcançar benefícios mensuráveis pouco tempo.

No Brasil, 91% dos 53 CEOs que participaram da pesquisa CEO Outlook dizem que suas organizações têm compreensão geral sobre transformação digital e 84% disseram que a maior parte dos investimentos em tecnologia é estratégico. A pesquisa também destacou que 91% estão cientes sobre a responsabilidade de proteger informações dos clientes e 87% disseram não haver dificuldades para acompanhar o ritmo de inovação tecnológica.

Dito isso, cabe destacar que há no mercado uma série de exemplos de fracassos decorrentes da falta de conhecimento operacional. Mas há também casos de empresas com equipes de vendas questionando a qualidade dos dados recebidas dos clientes. Na opinião dessas pessoas, os dados não suficientemente claros ou estavam sendo protegidos.

Para ajudar a melhorar a confiança deles, a solução é aplicar uma abordagem de análise avançada com centralização e enriquecimento dos dados. Isso ocorre com uma escala ampla de métodos e fontes, correções na qualidade de dados padrão, inteligência artificial, alavancagem de fontes de dados internas e integração de dados externos.

Desse modo, é possível aumentar a qualidade geral e aperfeiçoar a confiabilidade das informações específicas disponíveis. Ainda assim, a execução de um trabalho eficiente não pode parar aí, mas deve envolver a compreensão do processo, o aproveitamento dos benefícios e a mudança da cultura corporativa com a incorporação da estratégia de dados digitais orientada para o sucesso do negócio.

Essa transformação, que não pode se restringir aos dados, também deve ser incorporada à mentalidade dos profissionais do futuro para que tenham uma percepção diferente aplicável à cultura corporativa. Os principais líderes do futuro estão investindo na democratização conectada pois já perceberam que a grande quantidade de dados produzidos e coletados exigirão essa nova mentalidade para se manterem competitivos e melhorarem o impacto dos negócios.

Os dados que impulsionam o planejamento estratégico e a operação proativa são a filosofia central da organização conectada com elevado nível de maturidade na transformação digital que derrubará as barreiras que separam recursos humanos, finanças, compras e outras funções. É com base nos dados e na aplicação de análises que essas organizações poderão reduzir funções verticais isoladas para chegarem a novos modelos de negócios mais focados nos clientes com uma tomada de decisão mais rápida, gerando menos custos e melhores experiências do consumidor.

Ricardo Santana, sócio-líder da área de Análise de Dados da KPMG no Brasil.

Vantagens do marketplace para prestação de serviços

Por Mario Rolim de Almeida, da Allianz Partners Brasil

Com o aumento da competitividade e a ampla oferta de produtos e serviços, o investimento em plataformas marketplace tem se tornado uma prática cada vez mais popular e eficiente para empresas, parceiros e consumidores. O modelo de negócio reúne diferentes opções de produtos ou serviços em apenas um ambiente digital, onde o cliente encontra variedade e competitividade para adquirir o que desejar. Este modelo é um grande aliado para o consumidor, já que facilita a sua busca por serviços, diminuindo o tempo de pesquisa e auxiliando ele a encontrar o que melhor se encaixa para a necessidade e bolso naquele momento.

Para quem pensa em investir nessa vitrine online, a grande questão é “como se destacar nesse mercado?” A resposta pode parecer complicada em um primeiro momento, mas é um pouco mais simples do que parece. Estudar e conhecer seu público e entender suas reais necessidades. Um bom exemplo é a plataforma Repair4U. O site, administrado pela Allianz Assistance, marca comercial da Allianz Partners, reúne especialistas em serviços residenciais, como pintores, pedreiros, eletricistas, entre outros, com possíveis clientes. Os profissionais, após avaliação e aprovação de uma equipe interna dedicada, garantem maior visibilidade, sem precisar investir na divulgação individual do seu trabalho. Assim, é possível ampliar a carteira de clientes interessados no serviço oferecido.

Quem acessa a plataforma em busca de um serviço sob demanda, além de encontrar diversidade de profissionais, encontra também informações importantes como: dados do profissional, formas de pagamento, fotos de serviços anteriores, além de avaliações e comentários de outros clientes.

Em linhas gerais, tanto para prestação de serviços ou lojas, o marketplace garante que novos clientes conheçam um trabalho ou uma marca, possibilitando serviços rápidos e personalizados, garantindo visibilidade e aumento no faturamento. O modelo, além de auxiliar no crescimento profissional e gerar novas oportunidades, otimiza o crescimento do negócio para atingir metas cada vez mais ousadas.

Jovens talentos enxergam nas startups uma boa oportunidade de trabalho

Por Eduardo Küpper

Em todo o Brasil, estima-se que existam quase 6 mil startups. O número é mais do que o dobro registrado há seis anos, quando o país ainda começava a discutir o modelo e a perceber o nascimento do novo mercado. Em 2012, haviam 2.519 startups cadastradas na Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Em 2017, o número saltou para 5.147.

A crescente presença das startups no país tem atraído jovens profissionais recém-saídos da faculdade, que com frequência enxergam nelas uma alternativa bastante interessante de desenvolvimento profissional. Se há 10 anos os jovens talentos preferiam os programas de trainee de companhias consolidadas, as grandes consultorias e multinacionais, hoje o panorama já não é o mesmo. As empresas tradicionais disputam os melhores talentos com startups que, mesmo com pouco tempo de atuação, já têm grande porte e são conhecidas no mercado.

E quais são os diferenciais que permitem às maiores startups saírem ganhando na briga pelos profissionais mais promissores? Em primeiro lugar, elas também contam com os fatores de atratividade existentes nas empresas convencionais: boa remuneração, visibilidade e excelente marca no currículo. Mas a questão principal, talvez, seja a progressão na carreira. Se nas empresas tradicionais os jovens levam alguns anos para avançar no organograma, nas startups esse processo é mais acelerado, e eles podem tornar-se referência em seu setor de atuação mais rapidamente.

A trajetória do Mateus Pinho é um exemplo disso. Ele foi estagiário em uma empresa do portfólio e virou analista rapidamente, antes mesmo de se formar. Optou por se juntar a outra empresa quando terminou a faculdade e, dado a experiência que havia adquirido, tornou-se gerente da área rapidamente e hoje exerce o cargo de CMO (Chief Marketing Officer). Tudo isso apenas dois anos após a formatura. Caso tivesse optado por estagiar em uma empresa convencional, ele, nesse mesmo período, possivelmente não teria tido a oportunidade de crescer nessa velocidade. Não é a primeira vez que vejo isso, poderia escrever sobre outros casos similares. Mas, obviamente, essa não é a trajetória de todos; apenas os melhores veem isso acontecer.

Assim, as startups podem ser uma opção de carreira rentável e compensadora. Caso tenha uma atuação destacada, o jovem pode, em pouco tempo, progredir para posições de liderança e, possivelmente, adquirir os subsídios (e a visibilidade) necessários para abrir seu próprio negócio. Além disso, é importante lembrar que, ao trabalhar em uma startup, o profissional adquire habilidades que também serão necessárias nas companhias tradicionais. E, embora a posição de liderança numa startup seja diferente de uma empresa maior, se ela crescer rapidamente, em dois ou três anos a pessoa estará numa posição de liderança. Assim, caso queira migrar para uma empresa mais tradicional, ele estará devidamente qualificado e poderá inclusive ocupar um cargo de maior senioridade.

Iniciar a carreira em uma startup de sucesso abre inúmeras possibilidades. O profissional se adaptará desde cedo a uma nova maneira de se fazer negócios, baseada na tecnologia. Com certeza, sua carreira será bem diferente da do colega que optar pelo programa de trainees de uma multinacional…

Eduardo Küpper, MBA pela Wharton Business School e MA em Estudos Internacionais pelo The Lauder Institute, na Universidade da Pensilvânia e Co-fundador da Wharton Alumni Angels Brasil- whartonangels@nbpress.com

União para impactar positivamente a economia

Por Maria Teresa Fornea, Co-fundadora e CEO da Bcredi

Há algum tempo a cidade de Curitiba tem se destacado nacionalmente como polo de inovação e empreendedorismo. Não só pelo surgimento de startups – já são 200, segundo o mapeamento mais recente da ParanáTech –, mas também pelo número cada vez maior de eventos na cidade que reúnem diversos setores da sociedade para discutir e promover esses temas.

O Festival de Impacto, cuja primeira edição foi em novembro, provou novamente o pioneirismo curitibano ao dar um passo além e mostrar que inovar também envolve transformar negócios e investimentos para promover impactos sociais e econômicos positivos. O evento reuniu mais de 2 mil pessoas, entre investidores, empreendedores, consultores e o poder público. A união de tantos representantes com o mesmo propósito prova que há cada vez mais consciência e vontade de pessoas e empresas de fazer a diferença no mundo.

Um dos momentos mais marcantes do evento foi a palestra do espanhol Joan Melé, economista, empresário, palestrante internacional e ex-sub-diretor geral da filial espanhola do Tríodos Bank. O banco holandês, considerado pioneiro como banco ético, atua na Europa com a missão de financiar empresas, instituições e projetos que promovam valores culturais e beneficiem a sociedade e o meio ambiente.

Melé falou sobre a relação entre dinheiro e consciência, usando o banco como exemplo. A palestra marcou o início da discussão sobre a implementação de um banco ético no Brasil, com a apresentação de empresas com cunho social que estão abertas para receber investimentos com esse propósito. Esse pode ser o início de um divisor de águas na forma com que o brasileiro pensa o próprio negócio e seus impactos. Essa consciência ainda está se despertando por aqui, mas o Festival de Impacto mostrou o potencial que esse movimento pode ter.

Também discutimos o papel das fintechs na inclusão financeira e a importância da democratização do acesso por meio da inovação. Como uma das palestrantes, tive a oportunidade de apresentar o papel que a Bcredi desempenha para promover impacto positivo nas finanças de empresas e pessoas com uma solução de crédito mais saudável.

Queremos ampliar no Brasil o acesso ao crédito com garantia de imóvel, já muito conhecido nos Estados Unidos e na Europa. Essa é uma opção rápida e descomplicada que possibilita ao cliente contratar até 50% do valor do seu imóvel em crédito para utilizar como quiser com prazo de até 15 anos.

Tendo o imóvel como garantia de pagamento, as taxas são mais baixas e vantajosas se comparadas a outras alternativas (variam de 1,14% a 1,80% ao mês). Com as fintechs que oferecem um processo 100% online, há a possibilidade de obter a aprovação em até dez dias úteis, prazo bem abaixo da média de dois a três meses praticada pelo mercado.

O impacto desse tipo crédito na economia é imenso, por fazer com que as parcelas mensais diminuam, em média, 80%. Conseguimos, assim, fomentar a atividade econômica e o crescimento dos pequenos e médios empresários, que representam a maior parte dos clientes da Bcredi e dos que procuram o crédito com garantia de imóvel. A finalidade do empréstimo contratado é, em sua maioria, a consolidação de dívidas caras em uma mais barata, reforma ou construção e capital de giro.

Entender o impacto que os negócios têm na sociedade faz parte de um processo importante para todos e a Bcredi já nasceu com essa percepção. Por isso participamos do Festival de Impacto: nós acreditamos que o nosso trabalho não envolve apenas crédito, e sim inúmeras possibilidades de impacto positivo na sociedade e na economia.

Como a inovação pode contribuir com as organizações

Por Guilherme Rodrigues, Gerente de Contas Estratégicas da ASG Technologies Group, Inc

Nos últimos anos, você deve ter visto dezenas de casos de empresas que mudaram suas histórias a partir de grandes processos de inovação. No passado, as mudanças exigiam investimentos financeiros significativos que estavam fora do alcance de muitas organizações. No entanto, com o avanço da Era Digital, a inovação hoje é possível e está ao alcance de qualquer orçamento.

As organizações podem inovar e aprimorar os processos de maneira pragmática ao adotar uma estratégia bem definida. Neste caso, os CIOs (Chiefs Information Officer) podem melhorar suas organizações, valorizando seus investimentos e ações diárias, sem abrir mão da economia e dos objetivos estratégicos a curto prazo de suas operações. Nesse contexto, a inovação pragmática é uma opção fundamental para as organizações, ao permitir a adoção de processos orientados à aplicação de tecnologias e recursos que agreguem real valor aos negócios.

Em linhas gerais, a inovação pragmática é uma estratégia que busca identificar e propor oportunidades de transformação tecnológica de forma assertiva. Essa abordagem tem como objetivo garantir que as empresas apliquem seus maiores esforços na adoção de ferramentas, serviços e recursos mais alinhados aos objetivos de negócios, gerando valor aos usuários, e em condições financeiras e operacionais mais adequadas à realidade das operações.

Para essa proposta ser eficiente, no entanto, os CIOs precisam entender que a inovação não vem apenas por meio da aplicação de conceitos disruptivos e altamente transformadores. Os líderes de TI podem começar avaliando suas estruturas de tecnologia, mapeando de que forma contribuem para o negócio da companhia e investigando se a organização está otimizando seus investimentos em soluções que realmente otimiza os processos.

Um ponto essencial para o sucesso das estratégias de inovação pragmática é a aplicação de serviços e ferramentas que permitam o uso de dados gerados pelas operações. Os dados chamam atenção. De acordo com uma pesquisa da W.P. Carey School of Business da Arizona State University, o volume global de dados de negócios duplica a cada 14 meses. Além disso, um relatório recente da Interana mostra que 70% das empresas ainda não extraem qualquer tipo de ideia dessas informações, perdendo oportunidades para operarem de forma ainda mais estratégica. Nesse cenário, as organizações que mudarem seus processos e aproveitarem os dados como insights para a inovação de seus processos certamente sairão na frente para economizar dinheiro e tempo, aumentando as chances de sucesso no futuro.

Esse processo depende de soluções que apresentem uma visão abrangente e completa das organizações, mostrando quais áreas precisam de inovação e quais são os ganhos necessários para gerar resultados realmente positivos. Com o uso de ferramentas modernas para gerenciamento de dados, as companhias podem localizar, gerenciar e entender informações de qualquer tipo. A capacidade analítica trazida pela tecnologia é imprescindível para que as empresas respondam questões importantes sobre os reais resultados das inovações implantadas.

Além disso, ao propor uma abordagem moderna de gestão de dados, as companhias estarão mais preparadas para suportar as demandas para o futuro e para o crescimento das demandas digitais. Na prática, o monitoramento inteligente de informações permite que os líderes de TI definam com antecedência quais tecnologias e serviços serão essenciais para os próximos passos de suas equipes e iniciativas, bem como para avaliar a performance da concorrência e as demandas do público, entre outros. Em suma, essas aplicações permitem uma visão assertiva, baseada em dados, com indicadores claros e em sintonia com a estratégia de negócios das companhias.

Ao adotar o pensamento pragmático e ferramentas de análise de informações modernas, os gestores ganham a chance de modernizar suas abordagens de inovação, endereçando seus esforços para iniciativas que permitam o aperfeiçoamento dos sistemas, melhorando a performance dos times de TI e gerando ganhos efetivos em resultados para suas companhias.

Com a inovação, os líderes ganham mais tempo e recursos para pensarem em projetos maiores, com maior fôlego para aplicar novidades mais visionárias e disruptivas. Assim, os CIOs podem equilibrar a balança entre a inovação de efeito imediato e as aplicações que visam o futuro em longo prazo.

O olhar estratégico dos dados tem tudo para ajudar as companhias a inovarem de uma maneira mais objetiva, consciente e rentável. Para isso, é importante que os gestores e líderes entendam melhor necessidades, agregando mais inteligência e assertividade à análise de informações que são geradas a cada minuto por suas organizações. Afinal de contas, a verdadeira inovação é aquela que transforma as empresas, aproveitando e ampliando o potencial das operações para o atingimento dos objetivos de negócios. O momento para a mudança é agora.

Como uma boa metodologia de desenvolvimento pode mudar o resultado das empresas

Por Felipe Cotecchia, Diretor de TI da Braspag

Na corrida desenfreada da evolução tecnológica, poucos se perguntam como funcionam os bastidores do desenvolvimento das soluções. Objetivos, custos, segurança, interface amigável e usabilidade são alguns dos itens que precisam ser estudados com bastante atenção antes de iniciar qualquer projeto, pois eles impactam diretamente no prazo de entrega e no resultado.

Quando se trabalha numa empresa de meios de pagamento, a responsabilidade é ainda maior, pois estamos lidando com algo que move o mundo: o dinheiro. E não é só o dinheiro da empresa que cria a solução, mas principalmente de quem a utiliza, ou seja, o seu dinheiro.

Por isso o trabalho de desenvolvimento requer uma metodologia, que nada mais é do que avaliar o projeto como um todo e organizar as etapas para que ele seja realizado. Parece simples, mas grande parte das empresas têm seus projetos emperrados por erros de processo: desde a avaliação incorreta das necessidades ou custos e, principalmente, dos prazos para entrega, criando problemas entre equipes, comprometendo a qualidade e gerando frustração dos clientes. Além disso, cada projeto possui suas particularidades e nem sempre é possível estabelecer a mesma metodologia usada nos projetos anteriores.

Desde os primórdios das metodologias ágeis reconhecidas no mercado como XP, Scrum, Kanban, Lean etc, já utilizávamos estas ferramentas para auxiliar no desenvolvimento dos nossos processos. Todas elas promovem a agilidade e permitem certa flexibilidade no andamento dos projetos, caso necessitem de ajustes durante o desenvolvimento. Entretanto, ainda tínhamos processos manuais, irregularidade nos indicadores e performance.

Para sanar isso, decidimos reestruturar os processos, criando uma cultura de testes com mais treinamento e muita prática, além de criar logs para a base de dados e interfaces para consulta em tempo real. Estas modificações, aliadas à estratégia de branches com redução de riscos nos projetos, sincronicidade nos códigos, a garantia de continuidade com a eliminação de retrabalhos, a automatização de processos e substituição de ferramentas clássicas por tecnologias mais “amigáveis” nos garantiram melhores resultados em todas as etapas dos projetos. Ou seja, criamos a nossa própria metodologia unindo as melhores características das já existentes.

De modo geral, reduzimos em 93% o nosso tempo máximo de indisponibilidade e em 85% o tempo de resposta. Além disso, elevamos a produtividade e a previsibilidade dos processos, atingindo nível 500 de maturidade em metodologia, qualidade de testes e build e deployment. Passamos de 1 para 5 deploys mensais e a disponibilidade dos serviços foi de 98% para 99,999%, com capacidade de processar um volume três vezes maior. Outro ponto favorável é a melhora efetiva de relacionamento entre áreas, facilitando a comunicação interna.

Criar a própria metodologia de desenvolvimento não garante apenas a eficácia dos projetos, mas também o engajamento e melhor aproveitamento dos talentos na equipe. A transformação digital não está somente no uso de tecnologias avançadas e na criação de soluções inovadoras, pois inicia na cultura da organização de times e processos, na implementação de etapas que promovem flexibilidade, agilidade e melhores resultados para os envolvidos de ponta a ponta e a metodologia de desenvolvimento é a raiz disso.

Inteligência Artificial e Big Data, os novos aliados dos profissionais de Direito

Por Ralff Tozatti, Diretor de Marketing da Thomson Reuters da América Latina

Você já parou para pensar nas mudanças que o ensino superior brasileiro vem passando nos últimos anos? Diariamente somos impactados por anúncios de universidades em nossa vida cotidiana, seja nos outdoors pelos quais passamos em nossos deslocamentos, na mídia ou nas redes sociais. Se você pensar a respeito, certamente vai se lembrar de alguma propaganda que viu recentemente. Por trás disso está o crescimento de novos cursos nas faculdades e universidades no país nas últimas décadas.

Apenas entre 2006 e 2016, o número de cursos de graduação presencial no Brasil cresceu 53%, passando de 22.450 para 34.336, segundo o Censo da Educação Superior, do Inep. Isso se refletiu na alta do número de alunos matriculados no ensino superior, de 65%, e também no número de profissionais que ingressaram no mercado de trabalho, que em apenas uma década aumentou 53%.

Uma das áreas mais fortemente impactadas por esse crescimento acelerado foi o Direito, que desde 2014 é o curso de graduação no país com o maior número de estudantes. O número de cursos de Direito no Brasil subiu de 165, em 1995, para 1308, em 2016 – impressionantes 793%. Apenas para efeito de comparação, nos Estados Unidos há 280 cursos de Direito. Não por acaso, um levantamento da Ordem dos Advogados do Brasil contabilizou mais de um milhão de advogados no Brasil, em 2016, o que significa um advogado para cada 207 brasileiros, em média.

Como se não bastasse, ao mesmo tempo em que aumenta a disponibilidade dos serviços oferecidos por advogados liberais e pequenos escritórios, os processos diminuem de forma agressiva. Um exemplo disso é o levantamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que identificou que, um mês após as mudanças das leis trabalhistas, em dezembro de 2017, as ações protocoladas em primeira instância nos tribunais do Brasil caíram de 200 mil para 84,2 mil processos. É assustador saber que, em apenas 30 dias, o número de processos caiu 58%. Contudo, em maio de 2018, segundo o Kurier, empresa que pesquisa e analisa o mercado jurídico, a queda destes processos diminuíram para 36%. E com todos estes dados é fato perceber que a mínima estabilidade deste mercado está longe de acontecer.

E, em meio a este cenário, de crescimento de advogados e queda na demanda, gera vantagem o profissional que souber usar a tecnologia para multiplicar o seu tempo, e assim aumentar os seus ganhos e a fidelidade de seu público. Atentos às transformações do mercado do Direito, marcas têm desenvolvido soluções para que os profissionais liberais, escritórios e departamentos jurídicos gerenciem de forma eficaz e segura todas as suas atividades, sem que precisem investir em serviços terceirizados ou aumentar o número de colaboradores. Outra vantagem destas inovações é a praticidade de acompanhar, ao mesmo tempo, demandas simples ou complexas, que são adequadas às atuais normas fiscais e legislativas do país.

E, como o conhecimento técnico tem de fazer parte da formação de um advogado eficiente, estas soluções também permitem o acesso às publicações digitais de livros e recortes de textos, considerados de importância aos assuntos pesquisados pelos usuários. E, o melhor de tudo, estas tecnologias podem ser acessadas em qualquer lugar e momento, sejam via desktop, tablets ou smartphones, o que permite a real liberdade de trabalho e a busca por novos conhecimentos. Com a ajuda de soluções baseadas em Inteligência Artificial, Big Data, entre outras tecnologias, hoje, os advogados podem se dedicar aos assuntos que exijam maior dedicação intelectual, transferindo as atividades operacionais e repetitivas para esses novos aliados dos profissionais: as tecnologias.

É certo que, em pouco tempo, outras soluções ainda mais eficazes surgirão para economizar o tempo, otimizar o processo de trabalho e o conhecimento destes profissionais. Sairá na frente o advogado que souber usar a tecnologia a seu favor!

O “open banking” está chegando para mudar o mundo financeiro para sempre

Por Marco Bravo, da ACI Worldwide

O mundo financeiro está mudando e o ambiente bancário do Brasil não é uma exceção. Em 2019, o Banco Central do Brasil regulamentará efetivamente “open banking” no país. A Europa já o adotou e muitos bancos nos EUA, na Austrália e na Ásia estão dispostos a fazer o mesmo. Embora os bancos tradicionais, as “fintechs” e outras instituições financeiras talvez tenham que correr para cumprir com as novas regras, a situação é cada vez mais benéfica para os clientes e empresas que usam os prestadores de serviços de pagamento.

O “open banking” está abalando o setor de serviços financeiros e abrindo novos caminhos e oportunidades para os bancos e provedores de serviços de pagamento (PSPs). O levantamento “2018 Global Payments Insight Survey: Cross-Vertical,” feito pela ACI Worldwide (NASDAQ: ACIW) e pela Ovum, conduzido com 1.032 bancos globais, 51 do Brasil, revela que 87% de todos os bancos têm uma estratégia clara para o desenvolvimento de APIs abertas, um aumento em relação aos 59% de um ano atrás. O estudo afirma também que 76% dos comerciantes e 74% do faturamento de organizações têm uma estratégia clara de aproveitamento de dados dos clientes e outros serviços que têm sido disponibilizados pela da iniciativa “open banking”.

Para os detentores de conta, o “open banking” é uma maneira segura de compartilhamento de informações bancárias por meio de ecossistemas digitais que integram as informações de muitas instituições bancárias. Para os bancos e provedores de pagamento, o “open banking” permite mais criatividade com os serviços que oferecem aos consumidores. Isso também ajuda a criar um ambiente bancário mais competitivo, em que os bancos e PSPs têm novas maneiras de acessar clientes, expandir seu público-alvo e, finalmente, melhorar sua receita.

Com o “open banking”, as instituições financeiras devem melhorar a experiência do usuário. Na Hungria, por exemplo, um banco está usando uma solução de pagamentos universal para garantir que os clientes possam acessar dados de saldo em tempo real em todos os canais de serviços bancários 24 horas por dia, 7 dias na semana. Além de oferecer uma experiência mais conveniente ao cliente, o banco também está reforçando a proteção do cliente, usando um programa de gestão proativa de riscos que realiza monitoramento em tempo real para garantir a máxima segurança em contas de clientes.

Com isso em mente, é seguro dizer que o processo de implementação do “open banking” não pode ser interrompido, uma vez que representa o futuro das operações bancárias e infinitas possibilidades de negócios. O panorama de serviços financeiros está se tornando um ambiente firmemente centrado no consumidor. De 2019 em diante, veremos no Brasil a implantação de tecnologias que colocam o controle nas mãos dos consumidores. A proliferação de sistemas de pagamento em tempo real continuará a cultivar um ambiente em que as novas tecnologias podem ser desenvolvidas, e veremos isso mais amplamente com a adoção de tecnologias de “solicitação de pagamento” e a contínua modernização dos métodos de pagamento já estabelecidos.

O Mobile First e seu impacto no e-commerce

Por Thiago Mazeto

Talvez você já tenha ouvido falar em Mobile First, mas não sabe exatamente como funciona. O termo vem ganhando destaque nos principais portais sobre tecnologia e e-commerce nas últimas semanas e tem deixado muita gente preocupada por conta das mudanças que deve trazer. Para entender melhor tudo isso, vou contextualizar a história.

Ele está só seguindo a onda

O Google e seus algoritmos de SEO são os responsáveis pelo Mobile First Index, seu nome completo. A verdade é que essa história só está seguindo a onda dos smartphones. O número de aparelhos ativos já é maior do que o de pessoas no mundo, o que o faz o principal meio para pesquisas na internet.

Para ter ideia, segundo a FGV – Faculdade Getúlio Vargas – só no Brasil são 220 milhões de smartphones com acesso à web. No primeiro semestre de 2018, 32% das vendas online foram transacionadas através de um desses aparelhos de acordo com o 38º Webshoppers, do Ebit/Nielsen.

Dá para acreditar nisso?

A migração do desktop para o mobile é uma tendência anunciada. Há tempos o comportamento do usuário de internet vem migrando para os dispositivos móveis e o consumo acompanhou essa direção. O Google, obviamente, percebeu isso.

Primeiro, passou a posicionar melhor nos resultados de busca os sites que possuíam uma versão responsiva, favorecendo o acesso por meio de celulares. Agora, essa vantagem vai para quem é Mobile First.

Mas, afinal, o que é Mobile First?

Hoje, na hora de desenvolver um site é comum criá-lo pensando na sua visualização para desktop e, posteriormente, adaptá-lo para o mobile. Com essa mudança do Google, o desenvolvimento terá que fazer o caminho contrário.

Essa alteração na forma como o Google encara a construção dos sites atinge todo mundo. Independentemente do segmento, seja consumo ou conteúdo, o posicionamento nas buscas será prejudicado para quem não atender essa diretriz, impactando em diferentes métricas.

O Google utiliza mais de 200 regras diferentes para avaliar o SEO de um site e ranqueá-lo nas primeiras páginas organicamente. Na última atualização anunciada pela grandiosa do Vale do Silício, o Mobile First foi um dos itens que expôs o “calcanhar de Aquiles” da internet.

Não se desespere! Tudo tem solução

Todo o trabalho de SEO da loja virtual não será lançado ao limbo de uma hora para outra, não é preciso se preocupar com isso. A virada para o Mobile First é uma mudança gradativa e o Google não vai penalizar os milhões de sites que não se adequarem a nova regra de forma imediata.

Buscar um desenvolvedor para ajudar na adaptação do site ou mesmo entrar em contato com a plataforma de e-commerce, que certamente já possui uma versão de template compatível, são alternativas que podem ajudar. O importante é entrar em ação e não ficar para trás. Sair na frente com um site que se enquadre nesse novo formato pode garantir um melhor posicionamento para a loja virtual.

Thiago Mazeto, head de varejo da Tray, unidade de e-commerce da Locaweb

Transformação Digital e as Organizações de Aprendizagem Adaptativas

Por Ricardo Abdalla, Head de Transformação Digital da Braspag

A Transformação Digital é um assunto estratégico para as organizações. Elaborar e implementar uma estratégia digital adequada para o negócio não é tarefa fácil, e vai muito além da incorporação de novos recursos tecnológicos aos fluxos de trabalho. Enquanto as organizações bem-sucedidas terão seu caminho pavimentado para o sucesso, aquelas que falharem estarão mais expostas aos riscos da ruptura digital, trazidas por um ambiente com o ritmo das transformações tecnológicas em aceleração contínua.

As organizações se deparam com a ruptura digital

A tecnologia tem sido o principal fator de transformação na maneira como as empresas produzem, interagem com seu ecossistema de parceiros, e comunicam-se com seus clientes. A rapidez com que a tecnologia da informação (PC, Internet, Mobile, Plataformas Digitais) é incorporada ao ambiente de negócios, digitalizando processos e indústrias e desmaterializando produtos e serviços, encanta e assusta. A história da tecnologia nos mostra que as mudanças tecnológicas ocorrem segundo uma curva exponencial, contrária à visão intuitiva linear do senso comum. Para uma parte significativa das organizações estabelecidas, acompanhar o ritmo das mudanças é difícil, custoso e gera enorme sobrecarga. Mas não há outra saída.

Em um mercado aberto e global, a todo momento novos entrantes exploram tecnologias emergentes e criam produtos inovadores. Com custos menores, melhores experiências de usuário e a agilidade de quem ainda não possui processos e sistemas legados, ganham mercado à medida em que as empresas incumbentes recuam para proteger suas margens, caindo na armadilha de oferecer ainda mais território aos seus novos competidores.

Embora varie de acordo com cada indústria, a ruptura digital é um fenômeno que previne as organizações de continuarem atuando da maneira em que estão habituadas, o que acontece, na perspectiva da organização que sofre a ruptura, de modo geralmente inesperado e com viés negativo. Mas há outra perspectiva possível, em que a ruptura pode ser vista como uma reciclagem que aposenta velhas formas de trabalho enquanto abre caminho para o novo.

A organização como uma máquina

Um paradigma é, basicamente, uma visão de mundo. Paradigmas persistem até que não sejam mais capazes de explicar novos fatos e evidências da realidade, quando então, são desafiados por uma nova visão capaz de incluir, em sua explicação do mundo, a nova informação. O século XX viu surgir e prosperar o taylorismo (desenvolvido pelo engenheiro Frederick Taylor, o pai da administração científica), no qual o modelo ideal de organização é análogo ao funcionamento de uma máquina, com departamentos especializados atuando como peças de uma engrenagem mecânica e estrutura hierarquizada, baseada em comando e controle. Por décadas, organizações que adotaram este modelo otimizaram custos, obtiveram aumento de eficiência operacional e dominaram seus mercados. O sucesso do taylorismo foi inquestionável.

Entretanto, as tecnologias emergentes e os consequentes processos de ruptura trouxeram instabilidade e risco para as empresas que enxergam o mundo pela ótica taylorista. Novas tendências desafiam o antigo paradigma, que se altera em face das mudanças trazidas pela era digital. Algumas destas tendências são ambientes de negócio em rápida evolução, com impacto direto nos padrões de demandas dos stakeholders (clientes, parceiros, órgãos reguladores), constante introdução de tecnologias disruptivas (IA, IOT, Blockchain), e o acelerado processo de digitalização e democratização da informação, com grande aumento no volume, distribuição e variedade dos dados.

A organização como um organismo vivo

O paradigma emergente precisa comportar a complexidade do cenário atual e estabelecer um novo balanço entre estabilidade e dinamismo. Os elementos de estabilidade são necessários para fornecer a direção apropriada ao negócio e prover suporte eficiente para a escalabilidade. Já os elementos dinâmicos são capazes de se ajustar continuamente às variações do ambiente em constante transformação. A estrutura estável se desenvolve mais lentamente e suporta as capacidades dinâmicas da organização, que se adaptam rapidamente aos novos desafios e oportunidades.

Quando organizada sobre estas premissas, a organização mantém uma estrutura executiva de alto nível estável, mas substitui grande parte da hierarquia tradicional por uma rede flexível e escalonável de pequenos times orientados por propósito. Redes são uma forma bastante natural e eficiente de organizá-los, pois balanceiam autonomia e liberdade com os esforços de coordenação coletivos. Como células em um organismo, os times precisam assumir de ponta a ponta a responsabilidade pela execução do seu trabalho e, para isso, necessitam ter capacitação e autonomia para a ação local rápida e eficaz. A rede dinâmica então é capaz de aumentar substancialmente a velocidade e a flexibilidade das entregas, além de alimentarem o sentimento de propriedade dos colaboradores. Os elementos estáveis e dinâmicos reforçam uns aos outros, exercendo influência positiva também sobre a resiliência e o engajamento da organização.

A Lei de Conway

Em 1968, uma empresa com 8 colaboradores foi contratada para produzir compiladores para as linguagens COBOL e ALGOL. Após as estimativas iniciais de dificuldade e tempo, 5 deles foram alocados no projeto COBOL, enquanto os outros 3 foram alocados no ALGOL. Quando o projeto foi concluído, verificou-se que o compilador COBOL funcionava em 5 fases, e o ALGOL em 3. Melvin Conway, programador envolvido no projeto, fez a seguinte observação, que ficou conhecida como a Lei de Conway:

“Organizações que desenvolvem sistemas inevitavelmente produzem projetos que são cópias de suas estruturas de comunicação.”

Posteriormente, a observação de Conway acabou validada por pesquisadores do MIT, mas, o que ela realmente ensina é que a forma como uma organização é projetada dita como o trabalho é executado, o que influencia significativamente os resultados alcançados. Portanto, ao compreendermos esta ligação entre a estrutura organizacional e o resultado do trabalho produzido, podemos utilizá-la em nosso favor.

Gigantes como a Amazon, Netflix e o Spotify estão organizados em times que funcionam como pequenas startups dentro da companhia: independentes, multidisciplinares e guiados por uma missão de longo prazo. Cada time é responsável por um serviço da plataforma – uma parte da experiência do usuário. Estes serviços são projetados para serem desacoplados uns dos outros, de modo que possam evoluir de maneira independente, e sem excessivo esforço de coordenação. Como não há dependência de outras áreas, o tempo economizado permite aos times focar no que de fato gera valor para o negócio: atender as demandas dos clientes em interações rápidas, guiadas por experimentação e aprendizagem contínua.

Times orientados para o mercado

Vimos que o paradigma de máquinas estabelece a especialização funcional como base do seu modelo organizacional, agrupando profissionais por expertise com o propósito de otimizar custos, mas gerando em contrapartida considerável hierarquia, suportada pelos sistemas e processos que compõem o aparato burocrático. Como as organizações hierárquicas separam planejamento de implantação, a realização efetiva do trabalho tende a depender do consentimento das instâncias superiores da hierarquia, o que eleva o tempo de resposta da organização aos desafios do mercado.

Também vimos que o paradigma do organismo vivo propõe uma rede de times independentes, multidisciplinares e responsáveis pelo ciclo de vida completo de um produto (ou de parte dele). Estas características permitem à organização responder mais rapidamente as necessidades dos clientes e, por isso, os times são otimizados para velocidade e orientados para o mercado.

Quando comparados aos modelos de máquina, os times de mercado possuem maior autonomia, responsabilidade, são mais facilmente criados e dissolvidos, e a avaliação de seus resultados são mais diretas. No entanto, em seu estado “puro”, possuem a desvantagem de diluir profissionais com determinada expertise funcional entre os diversos times da rede, causando perdas na economia de escala.

Para mitigar esse efeito, é possível estimular a formação de comunidades de conhecimento e prática que agrupem os profissionais com a mesma função dentro da organização. Estas comunidades têm a responsabilidade de atrair e desenvolver talentos, compartilhar conhecimento e experiência, além de proporcionar um sentimento de continuidade à medida que os profissionais alternem entre os diferentes times. Um exemplo são as guildas no Spotify. Na Europa medieval, as guildas agrupavam indivíduos com interesses comuns e proporcionavam assistência e proteção aos seus membros. No Spotify, há guildas para desenvolvedores, testadores, POs etc. Funcionam, portanto, como uma “cola” que mantém a organização unida e oferece alguma economia de escala, sem muito sacrifício para a autonomia dos times.

Transformação Digital é um esforço de longo prazo

Muito mais do que “transformar a experiência do cliente” ou incorporar as novas tecnologias digitais, transformar digitalmente uma organização envolve um esforço contínuo e de longo prazo para mudar não apenas a forma como a mesma faz negócios e interage com um ambiente complexo de rupturas e inovações, mas também a maneira como a empresa se organiza e opera em torno de valores-chave da cultura digital, como foco no cliente, colaboração e tolerância ao risco.

Em muitas organizações, o processo envolverá mudanças profundas, com impacto na proposta de valor, estrutura, estratégia, processos e modelos de negócio da organização, sem os quais qualquer iniciativa digital executada será provavelmente uma correção de curto prazo. Não importa quão bom seja o planejamento do projeto de transformação, ainda haverá surpresas e imprevistos, e as correções de curso serão inevitáveis. São nestas condições, inclusive, que os sistemas adaptativos sobrevivem e prosperam.

Inteligência artificial: nova experiência em fast food

Por Gustavo Pipa

Imagine-se chegando ao seu fast food preferido depois de um longo dia de trabalho. Dessa vez, porém, você é chamado pelo nome e nem precisa detalhar seu pedido de sempre para logo recebê-lo sem erros. Isso sem que você tenha sequer falado com um atendente. Imaginou? Acha impossível? Não é mais. A inteligência artificial de conversação já é uma realidade e, aliada aos meios digitais de pagamento, está revolucionando a experiência do consumidor também nas redes de fast food.

Além dos já consolidados assistentes digitais, como a Alexa e a Siri, essa nova tecnologia tem ajudado clientes a alcançar um nível elevado de experiência ao consumidor. As soluções podem ser implantadas em canais como sites, aplicativos, dispositivos móveis e uma lista crescente de outros aparelhos inteligentes capazes de unir texto e voz. Ou seja, a inteligência artificial de conversação é um serviço para o qual não há fronteiras.

Aplicada ao fast food, ela funciona da seguinte forma: o cliente é reconhecido pela câmera ou pela biometria. O menu então carrega automaticamente seus pedidos frequentes e sugere opções com base em suas preferências em visitas anteriores. O cliente faz seu pedido, recebe o agradecimento do atendente virtual e pronto: pedido na cozinha. O pagamento pode ser autorizado pela biometria ou qualquer personalização escolhida pelo cliente. Pedido exato em mãos, hora de saborear a comida.

Outro ponto relevante: a produtividade. Funcionários que deixam as plataformas de atendimento e pagamento podem se dedicar amplamente ao preparo dos alimentos, core do negócio, trazendo uma eficiência maior ainda a esse mercado. Além disso, as barreiras de idioma e o treinamento para os clientes podem ser amplamente melhorados usando a solução, com redução de custos e desenvolvimento pessoal.

As ferramentas de inteligência artificial de conversação levam benefícios também aos restaurantes: dão maior agilidade ao serviço e ainda permitem oferecer de forma precisa ofertas que se adequem àquele perfil de cliente, aumentando as chances de vendas. As interações fornecem ainda dados valiosos sobre os clientes, tornando possível atendê-los cada vez melhor. Esse banco de dados ajuda a aperfeiçoar o que ainda pode ser melhor.

A mesma experiência de pedidos por voz pode funcionar em diversos tipos de transações online, como a integração com o KDS (sistema de exibição de cozinha), sistemas de ponto de venda (PDV) e de fidelidade. E à medida que a tecnologia evolui, a identificação biométrica ou autenticada e o processamento de pagamentos farão parte do dia a dia dos clientes, estendendo-se a dispositivos como relógio, celular e até carros inteligentes. Cada vez mais a era digital está em nossas vidas, e essa transformação afeta diretamente a experiência final do cliente, trazendo mais conforto e um olhar diferenciado. Isso traz possibilidades infinitas, e muitos consideram essa uma oportunidade para crescer e ganhar espaço em um mercado tão agressivo.

A inteligência artificial em conversação tem casos de uso semelhantes que podem ser aplicados em outras indústrias, como por exemplo o mercado de varejo. As organizações estão cada vez mais olhando e iniciando POC’s nessa abordagem, adotando visão e estratégia diferentes, desenvolvendo estruturas de governança e construindo aplicações de forma responsável com a IA.

Gustavo Pipa, executivo de contas de Retail & Consumer Goods na Cognizant.

Escrow de software: saiba como essa solução reduz os riscos no licenciamento de tecnologias

Por Inon Neves, vice-presidente da Access para a América Latina

A compra de um software, mesmo que com funcionalidades customizadas para atender às demandas de uma determinada empresa, não inclui o direito de acesso ao seu código-fonte ou a outros instrumentos relacionados com o seu desenvolvimento. Com isso, o suporte e as atualizações ao longo do ciclo de vida do software acabam sendo dados pelo desenvolvedor.

Neste contexto, o que acontece se uma empresa fornecedora ficar impedida de prestar esse suporte? Qual é o impacto para o negócio se, de uma hora para outra, o desenvolvedor não puder mais atualizar esse sistema? Para evitar esse problema, entra em cena o Escrow de software, que garante ao cliente acesso ao código-fonte caso o fornecedor ou autor fiquem impossibilitados de cumprirem sua parte no contrato.

O Escrow de software é um documento escrito e confidencial que comprova a existência de obrigações entre duas ou mais pessoas, em que o código-fonte é confiado em garantia a um terceiro, que se compromete a restituí-lo ao depositante ou a entregá-lo ao beneficiário, em função da verificação ou não de condição pré-determinada.

Diante de um cenário em que analistas do Gartner destacam que poucos compradores de software estão preparados para manter a continuidade dos negócios caso seu provedor pare de licenciar, desenvolver ou suportar o software, e também com a crescente adoção do modelo de serviço SaaS (Software as a Service), o Escrow de software tem se tornado um importante aliado dos responsáveis pelas aquisições de novas tecnologias para gerenciar essa dependência e garantir a proteção de propriedade intelectual.

Proteção e continuidade dos negócios

O contrato de Escrow permite que os licenciados tenham acesso ao código-fonte e às informações necessárias para fazer a manutenção e garantir a continuidade de aplicações críticas. Um dos principais benefícios dessa solução é garantir a segurança dos ativos em cenários negativos na posse dos códigos-fonte e na contratação de um novo fornecedor para substituir o anterior.

Por meio do controle total de ações envolvendo a decisão de modificar aplicações críticas, o Escrow permite que as empresas possam analisar e negociar termos de licenças mais favoráveis com novos fornecedores, por exemplo, reduzindo consideravelmente os riscos no licenciamento de tecnologias e evitando perdas em valores e produtividade nos casos de falência do fornecedor ou descontinuidade do suporte à aplicação licenciada.

Com isso, as empresas também podem acelerar o retorno da produção e das operações caso o desenvolvedor não consiga mais suportar o software ou simplesmente queira encerrar o negócio, garantindo que você tenha acesso aos recursos fundamentais para manter softwares de missão crítica em funcionamento.

Quando o Escrow é a melhor solução?

Um Escrow de software é indicado nos casos em que o software em questão é crítico para a empresa ou parte das operações, e tem efeito direto na receita. Além disso, fatores como customização, alto custo de licenciamento, dificuldade de troca, e impactos de uma possível parada em operações da empresa e de clientes são também fatores importantes para determinar os benefícios do Escrow.

Para isso, no entanto, é fundamental que as organizações envolvidas contem com um Escrow holder que seja de confiança de ambas as partes para garantir a proteção do código-fonte – não apenas da sua integridade, mas também do seu acesso, impedindo que pessoas de má-fé se apropriem do ativo para reproduzi-lo livremente.

Depois de entregar o código-fonte e todo o material relacionado, além de um inventário desse material, o Escrow holder deve confirmar o recebimento e armazená-lo em salas cofre. Posteriormente, o depositante vai poder atualizar periodicamente o material depositado, e o depositário vai ter de confirmar as atualizações tanto ao desenvolvedor de software quanto ao cliente.

É claro que nem sempre o Escrow de software tem de ser acionado, mas, se for necessário, pode ser a grande tábua de salvação da empresa, evitando paralisações no negócio e gastos com substituições de urgência.

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As vantagens do cloud connect

Por Marcos Siqueira

O data center proprietário foi a base da arquitetura de tecnologia das empresas. Com o passar dos anos e com o avanço do mercado de cloud computing, as operações das companhias se expandiram para além do perímetro físico e a estratégia de manter um data center próprio se tornou econômica e estrategicamente inviável para as operações.

Uma infraestrutura de armazenamento de dados adequada acarreta altos custos e muita dedicação para o gerenciamento. Para se ter uma ideia, cada data center de alto padrão, com todas as certificações de mercado, custa cerca de US$ 60 milhões e demanda uma equipe de suporte 24/7.

Dessa forma, a necessidade de ter um ambiente com alta performance, custos competitivos e disponibilidade fez com que muitas empresas buscassem mesclar a terceirização de data centers com ambientes em cloud, pela facilidade de expansão em momentos específicos, o que gera naturalmente a adoção de uma estratégia de nuvem híbrida e um sistema de nuvens múltiplas (multicloud). Segundo a consultoria Gartner, a multicloud será comum para 70% das empresas até 2019, e em 2020, 90% das organizações vão adotar a opção da nuvem híbrida.

Nesse cenário, a interconexão entre os ambientes de nuvem, conhecida como cloud connect, é um fator crítico para o bom desempenho dos negócios, pois garante a funcionalidade das operações.

O Gartner aponta que, hoje, 95% das conexões entre ambientes de nuvem ocorre via internet. Apesar de bastante comum, esse formato fica sujeito a diversas interferências externas – ameaças físicas e virtuais – prejudicando sua viabilidade.

A alternativa mais segura e eficiente de conectar diversas nuvens é por meio de fibras de conexão direta, que garantem agilidade e segurança no acesso aos dados. Entre os benefícios dessa estratégia, podemos destacar o aumento da capacidade e diferentes opções de conectividade: a rede de fibra óptica permite conectar cloud providers, data centers de terceiros e operadoras de telecomunicação e, até mesmo, o escritório do cliente. Além disso, a conexão direta oferece alta disponibilidade entre o ambiente físico e a nuvem, baixa latência, segurança e resiliência de acessos.

Esse é um movimento que ainda está no início no Brasil e na América Latina, porém, observamos que a migração das empresas para a nuvem está em ritmo de crescimento contínuo e progressivo, o que nos dá segurança em afirmar que os próximos anos ainda serão de grandes oportunidades no mercado de tecnologia e telecomunicações.

Quando falamos em América Latina, por exemplo, a consultoria IDC aponta que o mercado de cloud computing na região crescerá a taxas superiores às verificadas nas demais localidades do mundo. Quanto às estratégias de cloud connect, a previsão é que, em 2019, 70% das conexões com cloud pública serão por meio de redes de fibras por conexão direta (Gartner).

Nesse contexto, o Brasil está em um ponto estratégico, sendo sede das operações de diversas empresas multinacionais que demandam pelos serviços gerenciados de nuvem. Por isso, pensar na interconexão entre clouds é fator essencial para os próximos anos. Conectar de forma segura e rápida os ambientes físicos e os ambientes da nuvem é uma estratégia que dever ser considerada para atender o rápido movimento e expansão das empresas.

Marcos Siqueira, diretor de Serviços da Ascenty