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Ecossistema de inovação: é preciso abrir a mente para esta jornada

Por Marcus Granadeiro

Abril de 2019 – Com a crise, há uma motivação extra das empresas para se movimentarem e se reinventarem. Inovar deixa de ser uma opção para ser uma necessidade. Este é um desafio normalmente complexo para qualquer área, mas ele se torna muito maior quando essa demanda ocorre num setor tradicionalmente conservador, como é o caso da construção civil.

Notadamente, um dos caminhos preferidos para acelerar a inovação é a busca por parcerias com startups. Trata-se de um universo que envolve incubadoras, desafios, coworking e fundos de investimentos. Este modelo atrai mentes, empreendedores, ideias e busca a inovação por meio de estruturas que conseguem encontrar novos processos, pivotar e validar de forma mais competente e ágil que as empresas constituídas.

Olhando no retrovisor para entender essa estrutura, vale lembrar que este caminho nasceu do conceito de inovação aberta, desenvolvida no início dos anos 2000 pelo professor Henry Chesbrough, da Universidade da Califórnia. O fio condutor desta abordagem se baseia no fato de que nem todos os profissionais inteligentes trabalham para a mesma empresa, assim como desenvolver um bom modelo de negócio é melhor que ser pioneiro no mercado, ou seja, não é preciso ser o dono da ideia para poder se beneficiar dela.

Não há dúvida de que este é um caminho interessante, porém há outros que estão sendo esquecidos ou subutilizados. A inovação pode acontecer através do canal de fornecedores estabelecido por meio de alianças, de licenciamentos ou até mesmo através de acordos de OEM (Original Equipment Manufacturer), ou seja, quando um parceiro agrega alguma inovação como parte de um sistema.

As startups são, por definição, organizações temporárias projetadas para pesquisar modelos de negócio replicáveis e escaláveis. Uma vez tendo sucesso, elas deixam de ser startups e, se contratadas, passam a ser fornecedores e, a partir daí, precisam ter processos e passam a se preocupar com entregas e com a qualidade. Isso significa que, nos atuais projetos de inovação, elas deixariam de estar no radar para outras inovações. Sendo assim, o framework de inovação deve abranger as operações no modelo scale-ups, ou seja, aquelas que crescem o negócio de forma escalável, sem aumentar os custos na mesma proporção, e as demais empresas do ecossistema de fornecimento.

Esta necessidade fica ainda mais premente quando pensamos que o objetivo não é apenas buscar por inovar nos produtos e nas ofertas, mas também aplicá-la nos processos, seguindo o conceito da transformação digital. O ecossistema aberto de inovação não deve ficar restrito a grandes empresas e startups, mas a todo o ecossistema que gira em torno dela, envolvendo fornecedores, startups ligadas a eles ou diretamente à empresa, assim como os próprios concorrentes e até mesmo empresas de outro setor. O lema é manter a mente aberta. E você, já arquitetou o seu ecossistema de inovação?

Marcus Granadeiro , engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP, presidente do Construtivo, empresa de tecnologia com DNA de engenharia e membro da ADN (Autodesk Development Network) e ​ do RICS (Royal Institution of Chartered Surveyours).

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Como implementar uma cultura de transformação digital

Por Fernando Nunes, Arquiteto de Soluções da Claranet Brasil

Aplicar novos recursos tecnológicos no seu negócio não é mais uma opção, mas uma questão de tempo e um caminho sem volta em direção à transformação digital. Hoje, esta nova realidade tem feito CEO’s, CIO’s e CTO’s pensarem de forma mais assertiva sobre quais serão seus próximos passos nesta jornada de mudanças.

Nesse sentido, vale se ater aos seguintes pontos sobre como a sua empresa pode iniciar seu próprio processo de transformação digital:

*Instrua seus times a entenderem o que implica a presença digital da sua empresa;

*Estude e entenda os novos recursos digitais disponíveis no mercado;

*Identifique como algumas dessas oportunidades no mercado podem beneficiar seu negócio;

*Busque trocar experiências e criar um networking com outras pessoas do segmento em que você atua. Comece pequeno e identifique as áreas que irão beneficiá-lo imediatamente;

*Aprenda sobre novas tecnologias disponíveis para ver como elas poderiam potencialmente criar oportunidades;

Um exemplo importante de um tipo de negócio em plena jornada de transformação digital são as lojas e supermercados online que oferecem facilidades de compra (além de descontos) para cada cliente a depender de seus hábitos de consumo. Além de eliminar o tempo em filas, esta iniciativa fideliza o cliente, que tem sugestões mais assertivas sobre os produtos disponíveis “na prateleira”, e pode gerar novos negócios.

A fim de conduzir esta transformação, companhias de todo e qualquer setor precisam derrubar limites entre tecnologia, marketing, vendas e operações. Reunir funcionários de diferentes áreas e responsabilidades pode ser uma excelente fonte de ideias pertinentes ao contexto do negócio. As já antigas iniciativas “pensadas em isolamento”, que são geralmente resultado de insights de um departamento único, normalmente não atendem às expectativas das empresas, sendo um real desperdício de investimentos.

Ao avaliar – com os times integrados – todas as iniciativas relevantes, um executivo precisa priorizar aquelas que podem mais facilmente auxiliar a empresa na sua transformação digital, com base em critérios como o valor trazido à companhia, tempo de impacto e esforço necessário para alcançar os resultados. Projetos que representam um alto impacto, mas exigem mais tempo de implementação, não podem sair do radar de resoluções, mas precisam ser consideradas em um segundo plano.

De fato, a transformação digital precisa ser uma atitude coletiva, e não apenas da TI ou do marketing, por exemplo. Por isso mesmo, é importante definir com o time inteiro um roteiro que oriente todo o processo de mudanças – e, mais do que isso, estar preparado para recriá-lo a todo instante, uma vez que as coisas podem mudar e nem todas as iniciativas podem ir conforme o planejado. Naturalmente, surgirão novas ideias e oportunidades que podem ultrapassar em valor o planejamento original!

Vamos pensar na técnica de UX (User Experience), que tem ajudado e-commerces a gerar mais engajamento e conversões a partir de suas audiências em comparação com o tradicional e-mail marketing. Em função do retorno dos clientes por mensagens em redes sociais, e-mails ou pela central de atendimento, é possível ter um entendimento mais fácil sobre as maiores demandas do e-commerce e detalhes que podem fidelizar o público, como facilidades na finalização da compra.

A transformação digital geralmente funciona quando grandes insights e uma boa visão de mercado são complementados por pequenos passos, com o reconhecimento e a coragem de mudar de rumo quando necessário. Nem sempre será possível acertar logo de cara, mas fundamental no processo será a necessidade de arriscar, que é natural de toda e qualquer mudança substancial.

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Os desbancarizados se tornam os trendsetters

Por Ralf Germer

Se antes ter uma conta em banco era essencial para o início de uma vida financeira, hoje o cenário mudou de configuração. Com a grande gama de serviços digitais, oferecidos majoritariamente pelas fintechs, existem soluções para transferências, pagamentos, câmbio, investimentos, créditos e muitas outras operações que antes ficavam concentradas nos gigantes financeiros. Segundo dados do Finnovation, instituição especialista em fintechs, o Brasil registra cerca de 377 empresas desta natureza nos mais diferentes setores, com destaque para as empresas de pagamentos e remessas, que representam 25% do total.

Isso é curioso pois, apesar de que o número de pessoas sem contas em banco não cresce, há uma demanda cada vez maior por esses serviços mais independentes. Desta forma, as fintechs têm um papel crucial na inclusão financeira, principalmente em países em desenvolvimento, onde o acesso às instituições tradicionais ainda não é algo universal. A tendência apontada por dados do Banco Mundial é que o acesso a serviços financeiros aumenta globalmente, motivado por iniciativas privadas e governamentais de redução da desbancarização.

Nos países com altos índices de pessoas sem acesso a serviços bancários, pesquisas sobre o tema apontam diversos motivos para que isso ocorra. Estão entre eles: a distância até uma agência, as altas taxas cobradas, falta de confiança nas instituições, falta de dinheiro, o fato de que algum familiar já tenha conta e, até mesmo, motivos religiosos. Além disso, também cabe destacar que pessoas endividadas e inclusive aquelas que não têm como comprovar um endereço fixo, também ficam excluídas do sistema bancário tradicional.

Por isso, acredito que há uma falha dos bancos em assumir uma posição de liderança em termos de inovações para o setor, que sejam mais inclusivas. De modo geral, as instituições financeiras tradicionais começam a trazer mudanças devido ao movimento criado pelas fintechs, que chegaram com tudo para atender a um novo perfil de consumidor.

Numa análise deste cenário, podemos perceber que ficar à margem do sistema bancário tradicional é mais do que uma tendência, e sim uma opção que se torna progressivamente mais viável. Por isso, acredito que as pessoas sem contas em bancos entrarão no radar definitivo dos provedores de serviços financeiros. E eles têm tudo para conquistar cada vez mais adeptos, já que os novos serviços digitais chegaram para atacar duas das principais barreiras para a participação no sistema financeiro: distância e taxas.

Outros serviços oferecidos por fintechs, como pagamento em dinheiro ou cartões pré-pagos, também contribuem para que os “sem banco” possam participar ativamente da economia em qualquer setor, inclusive no e-commerce. É sempre bom lembrar que o Brasil é uma potência no varejo digital, registrando 10 milhões de novos consumidores em 2018, segundo relatório da E-Bit|Nilsen.

O Banco Mundial aponta que a inclusão financeira tem um papel essencial na redução da pobreza ao redor do globo, o que automaticamente melhora as economias locais. Do outro lado do “balcão”, os bancos também precisam se atualizar constantemente para manter sua relevância. Além de democratizar o acesso aos serviços financeiros, as fintechs estão muito focadas na experiência do usuário. Há uma relação mais próxima, com uma linguagem mais acessível do que a de instituições tradicionais. As grandes empresas que se aliam às fintechs automaticamente passam a desfrutar desta “repaginada” e são vistas como modernas, inclusivas e focadas no cliente.

No resto do mundo, há países que são referência no desenvolvimento de produtos para desbancarizados. Atualmente, os pagamentos móveis são a grande tendência para este público. Dados do Banco Mundial mostram que dos 1.7 bilhões de pessoas sem banco ao redor do mundo, 1.1 bilhões possuem celular. Neste sentido, dois países se destacam com modelos completamente distintos: Quênia e China.

Na China, provedores de serviços de pagamentos, como Alipay e WeChat Pay, oferecem apps que podem ser vinculados a uma conta bancária ou instituição financeira. Os consumidores podem pagar compras ou transferir dinheiro para outra pessoa simplesmente usando o aplicativo. No Quênia, por outro lado, os serviços financeiros são oferecidos diretamente pelo provedor de telefonia e não precisam estar ligados a uma instituição bancária tradicional.

Em termos de Brasil, o país registra hoje, segundo IBGE, 60 milhões de desbancarizados. Ou seja, milhões de pessoas para atingir e atender. Meios de pagamentos alternativos, como o PEC Flash, que permite o pagamento de compras em dinheiro no e-commerce, foram criados com foco na inclusão de todos os brasileiros na economia digital. É preciso que haja uma sintonia entre as instituições tradicionais e as fintechs, além da participação do setor público, para democratizar o acesso a estes serviços. Por exemplo, um grande responsável pela inclusão financeira é o Governo Federal. Cerca de 80% das pessoas que recebem pagamentos governamentais, como o Bolsa Família, recebem em uma conta bancária.

Concluo que sem bancos, mas com acesso à internet e smartphones, o público pede por novas alternativas. É nosso dever compreender suas necessidades e criar produtos assertivos para um universo financeiro cada vez mais democrático e que leve agilidade e segurança para todos.

Ralf Germer, co-CEO e co-fundador da PagBrasil, fintech brasileira líder no processamento de pagamentos para e-commerce ao redor do mundo

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Por que o maior exame de avaliação dos estudantes brasileiros não pode ser on-line?

Estudantes de todo o Brasil, além do Governo, estão apreensivos com a notícia recente de que a gráfica que imprimiria as folhas de prova do Exame Nacional do Ensino Médio de 2019, o Enem, decretou falência — na mesma data em que a empresa teve o contrato renovado para a prestação do serviço. Estrategicamente, autoridades confirmam que a prova não será postergada (se mantendo em 3 e 10 de novembro) e, ainda que sob um véu de informações, explicam aos alunos que estão buscando “alternativas seguras”para lidar com o transtorno.

Fato é que a insegurança gerada pelo incidente na impressão das provas põe em jogo o futuro educacional de milhões de estudantes (em 2018, foram 5,5 milhões de inscritos confirmados), o que poderia ser resolvido com a avaliação feita por meios digitais.

Não é segredo nenhum que a Educação no século 21 perpassa pela oferta de conteúdos on-line. Pesquisa da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, organismo autônomo e intergovernamental, de 2015, levantou que 70% dos alunos brasileiros usam internet como auxiliar nos estudos. É razoável, então, que passamos a explorar a possibilidade de os exames que cobram esses conhecimentos também possam ser realizados na web.

Prova on-line

Usar a tecnologia para a aplicação do Enem equilibra pratos que há tempos estão deixando a Educação “cambaleando”: sem a impressão das provas, o Governo reduz custos de contrato com gráfica (o mais recente foi de mais de R$ 120 milhões), de treinamento de aplicadores e coordenadores, além de deixar para trás todo o aparato que se monta para a execução das provas como é feita hoje, em dois finais de semana, em todo o País.

Um formato interessante na concepção do Enem on-line seria o de um extenso banco de perguntas elaborado por uma junta de professores elencados pela pasta da Educação. Esse é o sistema usado no teste de aptidão escolar norte-americano, o SAT, para o ingresso de alunos nas universidades.

Apesar de o acesso digital no Brasil ainda ser um desafio, penso que a definição de locais credenciados para a realização da prova, com computadores e rede de internet disponíveis, não só garantiria que qualquer aluno tivesse as mesmas chances de fazer o Enem, como seria um importante aliado nas regulações técnicas para que fraudes sejam evitadas.

Cabe aqui, ainda, destacar algumas reclamações comuns dos estudantes, ano a ano. O fato de o Enem contar como critério para a graduação desperta ansiedade e sentimentos de preocupação entre eles. Esse peso poderia ser eliminado caso o banco de perguntas fosse algo público (com muitas questões referentes a cada área do conhecimento), e que seria a base para diferentes provas entregues a cada aluno. A Redação, grande vilã para boa parte dos alunos, continuaria tendo o mesmo valor na somatória da prova, com a diferença de que seria digital.

Já existem diversas tecnologias disponíveis e eficazes para exames on-line, os setores de tecnologia e de proficiência em idiomas já aplicam testes on-line em centros monitorados por câmeras e monitores com grande segurança. Isso sem contar com os benefícios logísticos de impressão, correção, armazenamento de milhões de provas. Os ganhos do sistema de avaliação on-line são inúmeros, mas seguimos na idade da pedra, ou do papel.

Temos que pensar em estratégias inteligentes que explorem as tecnologias no ensino e nos testes, considerando os percalços que o formato impresso pode trazer para nós, especialmente em larga escala, como acontece em um exame nacional desta proporção.

Por Luiz Alexandre Castanha, diretor geral da Telefônica Educação Digital – Brasil e especialista em Gestão de Conhecimento e Tecnologias Educacionais

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Empregabilidade e os profissionais acima de 50 anos

Por Gutemberg Leite

Quando o termo “concorrência” é pauta em uma reunião empresarial, antecipa-se mentalmente que o assunto irá versar sobre os esforços que a empresa deverá investir no alcance de metas precedentes, em comparativo às demais do ramo em que se encontra, sendo ,então, comum que entre tais esforços, haja a necessidade de realizar novas contratações, ainda que em tempos de crise ou, porque não dizer também, por conta da mesma.

Seja qual for o cenário, a empregabilidade, ou seja, o conjunto definidor das capacidades que uma pessoa dispõe – ou não – para executar as tarefas que, mais especificamente, farão com que uma empresa supere a concorrência vencendo assim suas dificuldades, é diretamente proporcional à conquista – ou não – da vaga que supostamente possa estar sendo oferecida.

Em minha entrevista fornecida ao jornal da Record no dia primeiro de abril deste ano, ocasião em que participei na reportagem sobre a recolocação no mercado de trabalho para pessoas acima dos cinquenta anos, não me foi possível dentro do pouco tempo disponível para a transmissão, discorrer em grande parte do que falei nos bastidores. Resumidamente, era sobre como a informação, a atualização, a criatividade e o dinamismo são hoje consideradas, no mercado de trabalho, como capacidades individuais que teoricamente, conseguem definir o sucesso profissional de uma pessoa e, como tal, são as mesmas que também se enquadram para os candidatos que pertencem a essa faixa etária.

Apesar do problema frente ao desemprego – praticamente crônico, como demonstrada pela estimativa fechada no ano passado, com 12,1 milhões de pessoas inativas – é importante salientar que nos últimos dez anos, houve um aumento nas admissões de profissionais maturados (experientes), por conta da busca por maior experiência (capacidade intrínseca na prática informativa) comumente apresentada por pessoas de mais alta faixa etária.

Existem atualmente, outros facilitadores que contribuem para que essa empregabilidade indique vetores contrários aos ainda presentes estereótipos culturais, como por exemplo, a expectativa de longevidade estar aumentando – desde meados dos anos quarenta, quando os riscos de uma criança não passar dos quatro anos de idade chegavam a ser trinta e um por cento maiores do que na atualidade – graças aos avanços da medicina e ênfases publicitárias que incentivam pessoas às práticas alimentares mais saudáveis, lazer e esporte.

Uma outra colocação importante, é que as pessoas com cinquenta anos ou mais, sentem um natural desejo por estabilidade, fator esse do agrado da maioria das empresas, bem como, algumas priorizaram a fidelidade, o comprometimento e os adequados índices de relacionamentos interpessoais de seus colaboradores.

Quando uma porta de trabalho é aberta para profissionais jovens ou maduros, não lhes é difícil saber o mais correto a ser feito, mas, enquanto ela lhes permanecer fechada, o que poderão fazer? Esse e outros assuntos correlatos, estarão presentes em um livro que pretendo lançar em breve, a título de comemoração dos meus cinquenta anos de Recursos Humanos.

Certa vez, Henry Ford propôs uma ótima dica: “Se tudo parecer ir contra seus projetos, lembre-se que o avião decola contra o vento, e não a favor dele”.

Mas, e quanto a você? Alguma sugestão?

Gutemberg Leite, Mestre em Ciências da Comunicação e Gestor de RH

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Na era digital, liderar pelo exemplo ainda é o modelo mais efetivo de engajamento

Por João Lúcio de Azevedo Filho

Muito se fala das novas tecnologias digitais e de como elas vão impactar a sociedade e o mercado de trabalho. Aumento do uso da inteligência artificial, robotização para automatização de processos, chatbots que conversam com clientes como se fossem atendentes humanos, drones que entregam produtos diretamente em sua casa, o avanço tecnológico parece não ter limite. No livro What To Do When Machines Do Everything, lançado em janeiro de 2017 pelo Centro do Futuro do Trabalho da Cognizant, é possível destacar que, apesar dos avanços tecnológicos da 4.ª revolução industrial, o grande pivô de todas essas evoluções sempre será o ser humano. Grande parte do sucesso das empresas é e continuará sendo resultado do comportamento humano, reflexo dos perfis de liderança e de como as pessoas reagem às mudanças.

A hierarquia presente no modelo de gestão vertical perde cada vez mais espaço nas organizações mais modernas. No mundo digital, considerando a velocidade com que evolui, essa abordagem se mostra até obsoleta. Modelos colaborativos de gestão, com ambientes que permitem autonomia de decisão, mas com um objetivo claro e comum, fazem muito mais sentido. O manifesto “Ágil” publicado em 2001 já antecipava essa importante mudança cultural no que tangia ao desenvolvimento de software. Lá se pregava:

– Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas

– Software em funcionamento mais que documentação abrangente

– Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos

– Responder a mudanças mais que seguir um plano

O que talvez não se antecipava naquela época é que tecnologia e negócios um dia estariam tão amarrados que os modelos organizacionais das empresas também poderiam se beneficiar das abordagens “ágeis”.

Vejo claramente que perfis de liderança distintos influenciam diretamente no resultados dos negócios. Um líder de sucesso não é apenas um profissional com grande conhecimento técnico, mas aquele capaz de liderar pessoas, organizar projetos e, acima de tudo, inspirar seus colaboradores. O chefe não motiva e ainda não se entende com as novas gerações. O líder inspira confiança da geração X aos millenials.

Líderes conciliadores, colaborativos e que lideram pelo exemplo tendem a ser muito mais efetivos no longo prazo. Se você quer fazer com que uma equipe atinja algo, e as pessoas atuem de forma espontânea em direção a um objetivo comum, elas precisam estar tranquilas de que seguem alguém em quem confiam. Durante minha carreira, tive a oportunidade de trabalhar com gestores que atuavam de forma autoritária, e outros que agiam de forma conciliadora e ensinavam por meio das ações. Os únicos que me inspiraram, e dos quais lembro ainda hoje, foram os que lideravam pelo exemplo.

Conheci também profissionais brilhantes intelectualmente, mas que nunca despontaram como líderes ou gestores. Trabalhei com pessoas que eram dedicadas, responsáveis, com características pessoais marcantes, mas de alguma forma não tinham o apetite para o risco e se esquivavam de assumir novas responsabilidades ou áreas e atividades em que não tinham pleno conforto para trabalhar. São excelentes pessoas e profissionais, mas não tinham perfil para liderar naquele momento. Devo destacar que alguns líderes são natos, mas faz parte também de um movimento inteligente, que as empresas sejam capazes de identificar pessoas com perfil de liderança e as treinem para exercer esse papel.

Para atingir um cargo estratégico em qualquer grande corporação, é preciso sim entender do seu negócio, mas é preciso muito mais entender de pessoas e de liderança.

João Lúcio de Azevedo Filho, presidente da Cognizant no Brasil.

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Consequências e desafios da nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para as empresas

Por Sergio Maia

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) altera significativamente as obrigações das empresas quanto ao manuseio e tratamento de informações pessoais de seus colaboradores, funcionários de empresas terceirizadas, clientes e fornecedores. E tem a finalidade de aumentar a proteção à privacidade dos indivíduos e o controle sobre seus próprios dados.

Hoje as empresas utilizam big data e analytics para extrair dados de clientes e assim oferecer produtos e serviços de forma mais assertiva, de acordo com gostos e preferências dos consumidores. Um dos principais dispositivos da lei referente a esse ponto é a obrigatoriedade da obtenção do consentimento expresso do titular do dado pessoal nas situações em que ocorrer seu tratamento, como no caso citado. A forma de obtenção desse consentimento pode variar, mas a anuência deve ocorrer.

Caberá à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a responsabilidade de acompanhar e fiscalizar se as empresas estão cumprindo com a nova lei. Neste sentido, uma das ferramentas à disposição da Autoridade é um dispositivo que prevê a apresentação de um “Relatório de Impacto à Proteção de Dados Pessoais”, que poderá ser solicitado a qualquer momento pela ANPD e deverá conter, minimamente, a descrição dos processos de tratamento de informações pessoais, bem como medidas, salvaguardas e mecanismos de mitigação de risco. Essa é mais uma forma da ANPD ter visibilidade de como as empresas utilizam dados pessoais para fins de “big data e analytics”.

Assim, a nova lei impactará diretamente todos os setores produtivos da economia, que de alguma forma, faz uso ou mesmo simplesmente coleta dados pessoais, , afetando-os em menor ou maior grau. Empresas de serviços ao consumidor possivelmente terão mais trabalho na adequação à lei, por conta do alto nível de interação com estes e com a vasta cadeia de valor associada à prestação desses serviços. Mas como as empresas podem se adaptar à nova lei? O primeiro passo é sem dúvida um mapeamento criterioso das atividades de cada departamento interno da empresa no tocante à coleta e ao tratamento de dados pessoais. A partir daí a empresa terá uma lista de ações específicas para cada departamento de forma a atender aos requisitos da lei. Depois do mapeamento vem a implementação propriamente dita, que também traz suas complexidades e vai depender das características de cada departamento.

Em uma visão macro a promulgação da lei põe o Brasil no rol de mais de 100 países que poderiam ser considerados adequados para proteger a privacidade e o uso de dados. Essa é uma sinalização positiva e mostra a preocupação do governo em lidar de forma responsável na prevenção de eventos de vazamento de dados em massa noticiados na mídia internacional.

A LGPD terá entre seus principais desafios a missão de conscientizar a sociedade de que “dado pessoal” é um bem de valor que deve ser protegido, sob pena de trazer prejuízos ao indivíduo se for utilizado indevidamente e para fins diferentes do que foi consentido pelo titular, ou seja uma mudança de “mind set”.

Outro ponto é o tempo de adequação das empresas à lei, em princípio fixado para fevereiro/2020, o que é um prazo bem curto, considerando todos os ajustes que as empresas terão de fazer em seus sistemas internos e procedimentos.

A lei oferece múltiplos benefícios, e entre os beneficiários está o titular do dado pessoal, que é ponto focal da Lei. A LGPD traz especial relevância no que se refere à transparência para o uso de dados pessoais, à compatibilização do uso destes com as finalidades informadas e a respectiva responsabilização do agente que os coleta. De forma resumida, significa limitar o uso das informações ao mínimo necessário para que se possa atingir a finalidade pretendida, além de garantir a eliminação dos dados depois de atingida tal finalidade.

Caso a empresa descumpra a lei, ela sofrerá penalidades que incluem: (i) advertência, (ii) publicitação da infração e (iii) multa que pode chegar até 2% do faturamento bruto da empresa, limitada no total de R$ 50 milhões, por infração.

Sergio Maia, gerente de assuntos regulatórios da Hughes

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Por que as empresas devem fazer uma análise do impacto tributário a cada ano?

Por Beatriz Dainese

O Brasil possui a maior carga tributária da América Latina e uma das maiores do mundo, superando os países mais ricos. Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), o brasileiro gasta uma média de cinco meses por ano trabalhando só para pagar impostos; um mês apenas para o ICMS, um dos tributos mais complexos e complicados do Brasil. De 2005 a 2015, o Brasil arrecadou a cifra de R$ 13 trilhões, mas infelizmente não sentimos efetivamente o retorno desse valor em bons serviços públicos.

Como se não bastasse a altíssima carga tributária a qual estamos expostos, muitas empresas ainda deixam de avaliar se estão recolhendo os tributos da melhor forma possível. Não verificando a opção pelo melhor Regime Tributário a cada ano, acabam por recolher valores indevidos, sem possibilidade de recuperação futura. Uma análise do impacto tributário a cada ano é muito importante, pois a cada exercício fiscal o cenário empresarial muda e os tributos incidentes sobre as atividades são influenciados por essa mudança, ainda mais neste momento de recessão econômica que estamos enfrentando.

Em época de mercado competitivo e recessivo, de aumento da concorrência entre as empresas, o planejamento tributário assume um papel de extrema importância na estratégia e finanças das empresas, pois os encargos relativos a impostos, taxas e contribuições são, na maioria dos casos, mais representativos do que os custos de produção. Analisar os impactos tributários através do planejamento tributário é uma ferramenta de gestão que permite avaliar a carga tributária suportada e tomar medidas que possam reduzir esse impacto de forma clara e objetiva no âmbito Empresarial.

Apenas a título de conhecimento, no Brasil existem três opções para a escolha do Regime Tributário: Lucro Real, Lucro Presumido e Simples. A variação dos tributos entre esses regimes é muito grande, merecendo séria avaliação, sob pena de incorrer em tributação maior que a realmente devida durante todo o exercício fiscal, pois uma vez eleito o Regime Tributário (até abril de cada ano) essa opção valerá para todo o ano, não podendo ser mudada.

Apesar de já estarmos em abril, engana-se quem diz que não dá mais tempo de pensar no seu planejamento estratégico de 2019. Por exemplo, a opção pelo Lucro Real ou Presumido para o ano-exercício de 2019 deve ser feita até o dia 30 de abril, ou seja, ainda dá tempo. E para tornar as diferenças de cargas tributárias mais simples, basta analisar a economia gerada.

Após analisar toda a documentação de uma empresa cliente, era possível fazer uma comparação entre os regimes de tributação que estavam disponíveis para ela e verificar que, nos últimos anos, ela não fez a opção pelo melhor regime de tributação. Por melhor regime de tributação, entenda-se aquele que traz a possibilidade de recolher menos tributos para a sua atividade. Diante disso, era preciso fazer um estudo levando em conta faturamento, despesas da operação, volume de estoque, volume de prestação de serviço, patrimônio da empresa, projeção de faturamento para o próximo exercício, e verificar que o enquadramento no regime de tributação deveria ser modificado.

Assim, foi possível indicar e optar por um melhor regime de tributação. Essa mudança de regime de tributação fez com que a empresa reduzisse a sua carga tributária em quase 75%. Isso porque, deixou de recolher R$ 1.325.000,00 de tributos e recolheu apenas R$ 319.000,00. Por isso é essencial correr atrás do melhor planejamento tributário para sua empresa, e isso não deve ser deixado para depois.

Beatriz Dainese, especialista em Direito Tributário da Giugliani Advogados

Future-proof: um novo conceito da transformação digital

Por Bruno Beneduzzi diretor comercial do Mercado Eletrônico

Apesar de serem dois conceitos diferentes, a transformação e a maturidade digital andam em paralelo nas empresas e são complementares para impulsionar e aprimorar a performance dos colaboradores e da companhia. Com foco em incorporar a tecnologia como centro da estratégia, a Transformação Digital aproxima e integra as operações de trabalho e o capital humano em processos digitais (e vice-versa). O objetivo é obter mais economia, compliance, governança e colaboração dentro das empresas.

Hoje, já vemos a transformação também na sociedade, onde companhias com maturidade para lidar com as tecnologias e novas tendências tendem a se destacar e estão um passo à frente da concorrência. Essa maturidade traduz o nível de preparo da organização e sua capacidade estratégica. Isto também se aplica à força de trabalho, à cultura e aos recursos utilizados para atender às expectativas digitais dos clientes, funcionários e parceiros. Junto com essas mudanças, novos conceitos surgem para atender as diferentes demandas da sociedade e um deles é o Future-proof.

Future-proof aplicado aos negócios

Qualquer empresa que esteja vivenciando a Transformação Digital deve possuir uma solução que faça parte do core do negócio, pois ela possibilita que as companhias se preparem para o futuro. O Future-proof é um planejamento digital capaz de envolver a avaliação dos processos atuais, mas repensados com a aplicação de novas tecnologias. Sempre levando em conta o entendimento e o nível de interação dos colaboradores para utilizá-las.

É uma maneira de se precaver para o que está por vir. Não tem como prever quais tecnologias ou ferramentas inovadoras estão para surgir e impactar nosso trabalho, entretanto, saber como lidar quando elas aparecerem faz toda a diferença. Pensar a longo prazo é importante para preparar o terreno e saber aproveitar o melhor que as novas tecnologias têm a oferecer.

Uma equipe preparada e visionária

Ter foco na exploração dos mercados e estudar extensões de negócio pode ser um diferencial sobre a concorrência. Contudo, para que isso aconteça da melhor forma, é necessário criar times multidisciplinares. Diferentes perfis podem ajudar com ideias variadas e maior performance para a tomada de decisão. Profissionais visionários são capazes de estabelecer as condições necessárias para cultivar a cultura da experimentação e promover o pensamento futurista.

Saber identificar e deixar de lado ideias que não estão trazendo o retorno esperado também é muito importante. Os dados podem trazer parâmetros interessantes para situar o potencial de cada iniciativa e saber investir de maneira gradativa pode assegurar o negócio. À medida que as ideias forem dando certo, os valores podem aumentar.

Manter uma cultura de inovação é uma ótima alternativa para estimular o planejamento e moldar o olhar dos colaboradores para o futuro. Explorar e validar novas tecnologias, produtos, mercados e modelos de negócios ajuda a atingir a missão que a empresa tem a longo prazo. A ideia é que estas iniciativas aconteçam de forma integrada, pois a inovação não é algo direcionado apenas aos líderes ou a algum departamento específico: ela precisa ser vivenciada por toda a companhia.

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Telemedicina no Brasil e proteção de dados do paciente: estamos preparados para este passo?

Por Luciana Soldá

A discussão em torno das atualizações das normativas para a telemedicina é uma das novidades que impactaram o universo da saúde e que ainda muito se tem debatido. Muito se tem discutido sobre a eficiência deste recurso, mas o fato é que, assim como a tecnologia muito tem agregado em outras áreas de nossas vidas, mesmo na própria medicina, ela com certeza pode preencher lacunas que, dependendo apenas de atendimentos físicos, impactam a vida do paciente.

O principal valor da telemedicina não é substituir a interação presencial, mas preencher todo aquele intervalo de tempo entre as consultas e garantir que o paciente irá sempre retornar. A partir dela, podemos agilizar processos urgentes, encurtar distâncias, otimizar o tempo, além de conseguir atender regiões precárias e de pouco acesso à medicina avançada. Em um país com 210 milhões de habitantes e apenas 500 mil médicos, não há dinheiro que resolva a dificuldade de acesso à saúde.

Porém, há uma dúvida que precisa ser solucionada antes de qualquer outra: temos uma base sólida para atender remotamente os pacientes da melhor maneira possível?

Pensando em atendimento remoto, precisamos analisar principalmente a questão da proteção de dados do paciente. No último ano, entrou em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para estabelecer regras sobre a privacidade de todos os cidadãos, além de ter reorganizado a maneira como empresas lidam com dados privados. Esse é o principal ponto de atenção. A partir do momento em que uma consulta é realizada remotamente, na casa de um médico ou qualquer outro lugar fora de um hospital ou clínica, como os dados do paciente seriam protegidos? Como garantir a transmissão segura de informações, sem que haja vazamento de dados ou até mesmo a perda deles?

Hoje, já existem empresas especializadas em telemedicina que possuem fortes programas de proteção de dados para um melhor atendimento ao paciente. A normativa estabelece que os dados e imagens dos pacientes devem trafegar na internet com infraestrutura que assegure guarda, manuseio, integridade, veracidade, confidencialidade, privacidade e garantia do sigilo profissional das informações. Esse é um dos principais pontos de atenção que precisam ser estudados antes de a telemedicina começar a funcionar de fato em nosso país.

A regularização da telemedicina tem tudo para ser um grande avanço para o nosso país – a medicina precisa ser escalável, precisa estar disponível para todos. A aplicação correta desta nova prática – com a segurança e a proteção de dados dos pacientes garantidas – é o que definirá o sucesso. Afinal, muitas complicações da saúde humana e mesmo de vidas podem estar diretamente relacionadas ao nível de exposição indevida de informações.

Luciana Soldá, Head da Proxismed, empresa referência em jornada de relacionamento em saúde por meio de produtos que compõem um Medical Call Center Omnichannel.

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Edge Computing para acelerar os negócios das empresas brasileiras

Por Henrique Cecci, chairman da Conferência Gartner Infraestrutura de TI, Operações & Estratégia de Cloud 2019

Em um mundo cada vez mais conectado e inteligente, encontrar maneiras de se obter respostas ágeis e precisas tem se tornado uma das principais demandas para o sucesso das empresas. Por esse motivo, as iniciativas de negócios digitais têm exigido novas soluções “em tempo real”, que permitam facilitar as ações locais de suas operações. Nesse cenário, Edge Computing surge com amplo destaque, atendendo diretamente as necessidades corporativas por alto poder de computação localizado.

Mas o que é, afinal, Edge Computing? Trata-se da aplicação de soluções que facilitam o processamento de dados diretamente na fonte de geração de dados. No contexto da Internet das Coisas (IoT), por exemplo, as fontes de geração de dados geralmente são “coisas” com sensores ou dispositivos incorporados. Edge Computing, nesse caso, serve como extensão descentralizada para a gestão dos dados gerados, possibilitando a análise local das informações coletadas, conferindo mais agilidade e eficiência à avaliação dos insights.

Com essas oportunidades, é esperado que Edge Computing cresça até mais rápido que as soluções em Nuvem, mudando as estratégias e definições da área de TI. A escalada desse tipo de oferta, aliás, deve ser bastante visível em pouco tempo. Segundo estudos do Gartner, a expectativa é que até 2025, 75% do total de dados criados pelas empresas serão gerenciados por sistemas de Edge Computing – atualmente, apenas 10% das informações são processadas ​​em Data Centers ou sistemas descentralizados.

Diante dessa realidade em ampla transformação é fundamental que os líderes de Infraestrutura e Operações de TI (I&O) procurem entender o mais rápido possível qual é o valor e quais são os riscos associados à adoção de soluções de Edge Computing aos seus negócios.

Afinal de contas, as atuais pesquisas de mercado indicam que as companhias que já embarcaram em uma jornada de negócios digital mais complexa estão rapidamente percebendo que, para atender aos requisitos de infraestrutura de negócios digitais, será necessário adotar uma abordagem mais descentralizada de processamento dos dados. À medida que o volume e a velocidade das informações aumentem, as companhias estão vendo que transmitir todas essas informações para um sistema em Nuvem ou Data Center também está se tornando mais difícil.

Nessas situações, há benefícios em descentralizar o poder de computação, aproximando-o do ponto em que os dados são gerados – em outras palavras, buscando Edge Computing. A implantação rápida de projetos de IoT para os mais diferentes tipos de negócios, consumidores e governo (como cidades inteligentes) está impulsionando o desenvolvimento dessas soluções e acelerando a exigência pelo processamento de ponta, na borda das redes.

Vale salientar que as soluções de Edge Computing podem assumir muitas formas e atender diversas questões. Essas soluções podem ser utilizadas para monitoramento de dispositivos móveis, como um veículo ou smartphone, por exemplo. Ou, ainda, podem ser aplicados em ambientes estáticos – como parte de uma solução de gerenciamento de edifícios, fábricas ou plataformas de petróleo offshore.

Os recursos das soluções de Edge Computing variam de acordo com o tipo de informação a ser gerenciada para a filtragem básica de eventos, indo do processamento de eventos complexos e ao processamento de dados em lote. Um exemplo de sistema de Edge Computing pode ser visto nos dispositivos de vestir (wearables). Esses aparelhos são capazes de analisar localmente informações como frequência cardíaca ou padrões de sono, sem a necessidade frequente de se conectar a um data center ou servidor em Nuvem para emitir suas recomendações. É essa capacidade, de agira rapidamente e com maior precisão, que norteará a adoção de Edge Computing.

Afinal, essas opções podem servir como clusters – ou micro Data Centers – preparados para gerar mais poder de computação local às organizações, acelerando ao processamento e a geração de valor a partir dos dados. Em um veículo, por exemplo, uma solução Edge pode agregar insights locais sobre sinais de trânsito, dispositivos GPS, outros carros, sensores de proximidade e assim por diante, melhorando a experiência dos usuários por processar essas informações localmente para a segurança ou para uma navegação mais ágil.

Mais complexos ainda são os servidores Edge que estão sendo utilizados atualmente nas redes de comunicação móvel de próxima geração (5G). É esperado que os servidores instalados em estações de base de celular 5G consigam hospedar aplicativos e armazenar conteúdo em cache para assinantes locais, sem precisar enviar tráfego por meio de uma rede de backbone congestionada. Em aplicações especialmente complexas, Edge Computing tem o potencial de diminuir o tempo e acelerar a inteligência dos dados.

Por outro lado, tal como acontece com todas as tecnologias em rápida evolução, a avaliação, a implementação e as soluções operacionais de Edge Computing também têm seus riscos – e eles vêm em muitas formas, sobretudo quando o assunto é segurança. Sendo assim, é importante que os líderes de I&O tenham consciência de que a utilização de soluções Edge acaba por aumentar exponencialmente a área de superfície para possíveis ataques.

Outra preocupação é que o custo de implantação e gerenciamento de um ambiente de Edge Computing pode facilmente exceder os benefícios financeiros do projeto. Além disso, os projetos podem se tornar vítimas de seu próprio sucesso – a escalabilidade pode se tornar uma questão séria à medida que novos endpoints de IoT proliferam, tornando a evolução das aplicações de processamento mais caras e complexas.

A computação de ponta tem um enorme potencial para permitir iniciativas digitais apoiadas por IoT, mas os líderes de infraestrutura e operações precisam agir com cuidado. As ofertas devem crescer nos próximos anos, com a expansão da Internet das Coisas e o surgimento de novas ferramentas para análise de dados. O caminho está sendo construído e o que resta para as empresas é entender os limites práticos para avançar ao máximo as suas fronteiras de computação digital.

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Como as fintechs podem ajudar no desenvolvimento das PMEs?

Por Dan Cohen

A demanda por crédito das micro, pequenas e médias empresas se mantém aquecida. Dados do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) revelam que no ano passado essas organizações receberam R$ 30,1 bilhões, o mesmo que 44,7% do total desembolsado pelo banco, sendo esse o maior percentual já registrado na série histórica e um aumento de 4% na comparação com 2017. O ano de 2018, no entanto, foi o de pior desembolso de recursos do BNDES desde 2009, com R$ 69,3 bilhões liberados, indicando uma forte prevalência da demanda por crédito pelas menores empresas brasileiras.

Uma pesquisa da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) de julho do ano passado ajuda a entender as principais dificuldades que assolam as PMEs quando o assunto é crédito. Entre 500 empresas paulistas entrevistadas, 44,4% afirmaram ter dificuldades para pagar as parcelas de seus empréstimos, 6,9% tiveram uma redução do limite de crédito após atrasar o financiamento e 70,7% têm alguma dificuldade de relacionamento com o seu banco.

Por outro lado, é importante lembrar que as PMEs são responsáveis por 27% do PIB e pela geração de renda de 70% dos brasileiros no setor privado, de acordo com o Sebrae. Logo, os impactos do endividamento dessa classe de empresas e a falta de crédito para inovação são sentidos pelas indústrias, pelas famílias e no desenvolvimento econômico do País.

Impulsionar a oferta, facilitar o acesso e desburocratizar o crédito para os pequenos e médios empresários têm sido tarefas que as fintechs abraçaram. Na Finpass, por exemplo, em menos de três anos reformulamos nossa marca e escopo de negócio diante do desejo de apoiar os menores empreendedores brasileiros, eliminando maratonas improdutivas aos bancos e ainda contribuindo para o crescimento do Brasil.

Ao promoverem inclusão financeira, as fintechs entregam diversos benefícios para o mercado, entre eles a redistribuição do poder aquisitivo. Essas startups oferecem serviços mais segmentados, logo, conseguem ter mais foco e direcionar sua expertise para uma determinada solução demandada. Suas estruturas mais enxutas também diminuem a burocracia, facilitando adaptações às necessidades dos clientes, assim como, por serem digitais, têm um custo menor. Esse conjunto de fatores ajudou as fintechs a crescerem e, como consequência, o poder financeiro que antes era restrito a algumas instituições foi distribuído para uma nova cadeia de inovação em finanças, chegando mais fácil a quem precisa desses serviços.

Outra transformação que as fintechs estão proporcionando é a inclusão financeira. O acesso a linhas de crédito oferecidas apenas para clientes com um longo histórico de relacionamento com os bancos é uma das restrições do mercado que essas startups agora buscam solucionar, democratizando as oportunidades e incluindo ao sistema financeiro pequenas empresas desbancarizadas.

Novidade no País até pouco tempo atrás, o empréstimo entre pares, ou peer-to-peer lending (em inglês), é uma modalidade de empréstimo coletivo que também foi introduzido pelas fintechs. Esse serviço conecta empresas em busca de recursos financeiros a investidores pessoas físicas que desejam ter mais rentabilidade. Com uma análise de crédito 100% online, as fintechs conseguem viabilizar recursos financeiros com melhores taxas de juros para os tomadores e retornos maiores para os investidores em processos sem burocracia e mais rápidos.

As oportunidades para as PMEs com as fintechs são inúmeras. Cada vez mais os empreendedores poderão obter recursos para capital de giro e para investimentos em inovação e em infraestrutura sem passar pelos bancos tradicionais, mantendo a capacidade de trabalho de suas organizações, gerando empregos e produzindo um mundo mais inclusivo hoje e para o futuro.

Dan Cohen, fundador e CEO da Finpass, marketplace de crédito para PMEs.

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Inteligência Artificial: Brasil pode ser palco de grandes mudanças no setor

Por Bruno Henriques, VP de Inteligência Artificial da Movile

A Inteligência Artificial é um tema que está cada vez mais em evidência, já que este avanço da tecnologia traz sistemas que tomam decisões cada vez mais precisas, similares e às vezes melhores que humanos. Ou seja, os avanços tecnológicos agora permitem trabalharmos com uma quantidade imensa de dados que, por consequência, nos levam a um ganho de eficiência nas nossas atividades do cotidiano. A evolução é tão grande que muitos consideram estarmos vivendo uma nova “revolução industrial”, em que a nova fonte de energia são os dados.

Para 77% dos brasileiros, a Inteligência Artificial se tornará parte do cotidiano, de acordo com o levantamento Trends 2.0″ da Crowd DNA de setembro de 2018. Sendo assim, muitas empresas já começaram a investir no ramo e o Grupo Movile é uma delas.

Acreditamos que a Inteligência Artificial será a força motriz para as principais mudanças em todas as indústrias no mundo, seja para trazer mais produtividade e eficiência para os negócios, ou para tornar a relação das empresas com os consumidores super-personalizadas. Por isso, nosso objetivo como Grupo é liderar esse movimento na América Latina, sempre com o foco voltado para a inovação e pessoas. Seguiremos no caminho de revolucionar nossos negócios com o uso de aprendizado de máquina cada vez mais humanizado para um completo atendimento aos clientes, além de aplicar novos aspectos tecnológicos e criar oportunidades para empresas e seus consumidores.

Com a Inteligência Artificial, queremos ser referência nacional e internacional, avançando principalmente nas áreas de food tech, logística urbana, personalização e melhorias do serviço ao cliente e pagamentos. Tudo isso porque queremos revolucionar o universo da comida com tecnologia e gerar um impacto positivo.

Sabemos que há muito o que explorar quando se fala de Inteligência Artificial, principalmente no lado da eficiência com algoritmos e gerenciamento de dados – como nas previsões de tempo de entrega e recomendações personalizadas. Por isso, buscamos inspirações de todo o mundo e elevamos nossas expectativas para avançar mais rápido e oferecer melhores experiências aos nossos clientes usando a tecnologia. Estamos dispostos a trabalhar para realizar o nosso sonho de impactar a vida de 1 bilhão de pessoas.

Bruno Henriques, VP de Inteligência Artificial de Grupo Movile.

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Antes de ser uma competição, o mercado empreendedor pode ser uma corrida de revezamento

Por Marcus Rossi

Hoje, nós vivemos em uma era em que todos os mercados são capazes de dialogar de diversas formas, desenvolvendo e consolidando parcerias. Nesta lógica, é muito comum vermos os grandes empreendedores do mercado tradicional em um mesmo grupo, os de tecnologia em um outro grupo e assim por diante. No entanto, é preciso dar mais força para um movimento que já se vê crescendo aos poucos: as comunidades.

O surgimento dessa iniciativa proporciona o crescimento e o desenvolvimento de toda a economia, além de permitir a troca de experiências entre empresários que vivem diferentes realidades. A formação de comunidades é essencial para favorecer o surgimento de novas ideias e até mesmo parcerias, como tem ocorrido entre grandes empresas e startups, por exemplo.

Em uma comunidade, é essencial que estejam públicos de todas as pontas, que vão desde empreendedores, incubadoras, aceleradoras, acadêmicos, associações e representantes do governo, para que haja realmente uma troca de experiências e atribuições. Tudo em prol de um objetivo em comum, a inovação e o crescimento de todos.

Interagir com fontes de conhecimento é outro fator importante dentro desses grupos. No Brasil ainda é muito forte a ideia de medo da concorrência, afinal, se eu estiver compartilhando um contato que é meu com outro empreendedor, posso perder dinheiro ou oportunidades de negócios, certo? Errado! Quanto mais as pontas das minhas redes de contato estiverem interligadas, maiores são as chances de se obter benefícios.

É claro que temos um potencial imenso e o caminho é um só: confiarmos mais no nosso trabalho e nas empresas que levantam a bandeira do empreendedorismo brasileiro. Unir forças é o que pode fazer as organizações irem longe. Antes de ser uma competição, o mercado empreendedor pode ser uma corrida de revezamento: diversas marcas correm juntas em um mesmo sentido e defendendo um mesmo ideal. Pense nisso!

Marcus Rossi, CEO da Summit Hub, empresa que busca revolucionar e impulsionar o ecossistema de startups no Brasil.

Como melhorar as vendas e a gestão do e-commerce: 5 dicas práticas

Ter uma loja virtual pode parecer mais simples que abrir uma loja física, mas quem vende produtos e serviços em plataformas digitais sabe que tanto o planejamento inicial quanto a operação diária requerem os mesmos esforços para garantir uma boa experiência de compra ao consumidor.

A concorrência, a preocupação em reter o cliente e as responsabilidades inerentes ao mercado, como a logística de envio da mercadoria e de emissão de documentos fiscais, são algumas das questões que o empresário de e-commerce precisa levar em conta. Afinal, o consumidor digital precisa ter atendimento de excelência de ponta a ponta para que não se frustre, seja cativado e se torne até um propagador de boas avaliações de sua loja.

A venda pela internet deixou de ser uma aposta do futuro, para se tornar uma realidade de mercado no Brasil. De acordo com o 38º Relatório Webshoppers, produzido pela Ebit/Nielsen, apenas no primeiro semestre de 2018, aproximadamente 27,4 milhões de consumidores fizeram pelo menos uma compra pela internet no País.

É fundamental que a loja virtual tenha estratégias e ações que ajudem a melhorar a atividade do consumidor enquanto ele enche o carrinho virtual quanto a incrementar as vendas e a gestão da empresa e, nesse sentido, conhecer as tecnologias disponíveis para o setor facilita ainda mais o trabalho. Para aumentar vendas na loja virtual, penso que o empresário deve estar atento a estas 5 dicas:

1. Layout atrativo e simplificado

Conhecer bem o target do seu produto é peça-chave da criação de um layout atrativo.

Apesar de ser só 10% de todo planejamento de um e-commerce, definir a forma e o conteúdo da página tem efeito direto nas vendas. Sites com boa usabilidade e simplificados, em que o usuário não precisa ficar procurando o botão “comprar” e nem se sente intimidado com uma avalanche de informações de venda garantem mais satisfação do consumidor.

2. Marketing Digital

Investir em marketing digital para a marca é outra prática de sucesso no aumento de captação de clientes. Redes sociais, Google Ads, estratégias de SEO no conteúdo do site são algumas das estratégias compartilhadas por quem está no mercado virtual e, cada vez mais, são uma forma diferenciada de se destacar na concorrência.

3.Sistema de gestão integrado

Além de escolher uma plataforma em que o site será montado, o empresário deve ter um ERP. É com um sistema de gestão que o empreendedor terá o controle de todos os setores da empresa, como estoque, ordem de serviços, logística, compras, contabilidade, emissão de Nota Fiscal. O acesso dessas informações por um software integrado permite a centralização dos processos e agiliza a rotina do gestor.

Há opções gratuitas e de baixo custo, com diferentes módulos de acordo com a necessidade do varejista, como integração com marketplaces, e-commerces e plataformas de frete. Com isso, o empreendedor consegue planejar ações e monitorar resultados para gerar oportunidades de crescimento do negócio.

4.Blog integrado e informações para o cliente

Alimentar um blog com conteúdo relevante e associado aos produtos que você vende é uma estratégia de divulgação que dá credibilidade ao varejista. Ofereça informações adicionais ao cliente sobre a mercadoria e ele o verá não só como um vendedor, mas como uma fonte confiável sobre o assunto que ele procura.

A tecnologia pode ser uma ótima aliada nesse sentido: a escrita SEO, que melhora a colocação dos termos na busca do Google, deve ser um guia na hora de produzir textos e mídias. Faça com que as informações do mercado em que você atua também sejam compartilhadas por seus clientes no off-line e que o blog do seu e-commerce se torne referência na área.

5. Preço do produto e frete justo

Com buscadores de preços cada vez mais refinados, o valor da mercadoria quase sempre é um fator preponderante na decisão de compra de um consumidor de loja virtual. Clicar para finalizar a compra e ver que o frete deixa o valor total muito maior do que o previsto é o principal fator de abandono de compra nas plataformas digitais: 8 em cada dez clientes largam o carrinho virtual por conta disso, segundo a pesquisa E-commerce Trends 2018.

Por essa razão, o vendedor virtual deve estar atento a oportunidades em que seja possível oferecer frete grátis, retirada na loja física, diminuição do valor do produto para que tenha equilíbrio na hora de incluir o valor de entrega. Tudo isso, é claro, deve ser feito de modo que não comprometa o lucro. É nesta hora que o controle da saúde financeira da empresa, por meio de um sistema de gestão on-line, também se faz indispensável.

Por Robinson Idalgo, criador do sistema de gestão on-line.

Blockchain e as diversas áreas de aplicação

Por Paulo Asterio, CTO e co-founder da Rebel

O blockchain, uma das tendências do momento, ainda gera dúvidas com relação ao seu uso. Uma parte das pessoas ainda acha que a tecnologia é usada apenas para meios de pagamentos, mas, embora uma rede blockchain sempre tenha uma criptomoeda ou um token envolvido, ela pode ser utilizada em diversas áreas.

Atualmente, existem redes blockchain sendo utilizadas para as mais diversas finalidades, tais como contratos inteligentes, comercialização de ativos, votos eletrônicos, previsões descentralizadas, segurança computacional e muito mais. Uma das principais vantagens da utilização dessas redes é a possibilidade de prescindir de uma entidade centralizadora para validar transações e a imutabilidade dos registros confirmados através de processos de mineração.

Dessa forma, apresenta uma série de benefícios para as empresas, como por exemplo a redução de custos das transações, sejam elas quais forem. Além disso, é uma eliminação de fronteiras, afinal, toda a comunicação é feita por meio da internet e qualquer indivíduo pode ser tanto um validador de transações, quanto transacionar de fato.

Outro ponto que merece atenção é a segurança oferecida pela imutabilidade do passado, ou seja, uma vez que determinada informação é inserida na cadeia de registros, a chance de que um indivíduo consiga alterá-la é mínima.

Como toda novidade tecnológica, o assunto gera muita curiosidade e grandes expectativas. Acredito que como tecnologia ainda existem alguns desafios a serem superados, mas sem dúvidas teremos cada vez mais processos utilizando e se beneficiando de redes blockchain. A reflexão de quais segmentos poderão utilizar essas redes no futuro é similar ao questionamento na década de 1980 sobre quais setores utilizariam mensagens eletrônicas, ou seja, não é trivial dizermos se determinada rede blockchain, seja ela bitcoin, ethereum, monero, tron, cardano, neo etc, vai prosperar ou não, mas a tecnologia em si estará presente nos mais diversos segmentos.

*Paulo Astério é desenvolvedor de software desde os 14 anos, tem mais de 20 anos de experiência profissional na área e, atualmente, é CTO e co-fundador da Rebel, plataforma online de empréstimos pessoais

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Como e por que migrar para a nuvem?

Por Fernando Nunes, arquiteto de soluções da Claranet Brasil

Uma migração para a nuvem não precisa acontecer do dia para a noite. É preciso pensar cada detalhe do seu ambiente físico e aplicações, e como eles irão se comportar depois de migrados. Muitas empresas se deparam com a necessidade de expandir seu parque de TI e esbarram na limitação do data center que só é escalonável até certo ponto, exigindo maior tempo de trabalho extra, interrupção de serviços e falhas que deixam o ambiente inoperante. É aí que entra a nuvem!

Para um time de projetos, a decisão sobre um provedor de nuvem envolve questões sobre onde haverá maior escala, serviços disponíveis por região e recursos que se tornam infinitos. Mas o que isso gera além da redução de custo se comparado com o ambiente on-premise? Mais segurança, infraestrutura durável, gerenciamento de dados, crescimento do seu negócio e lucros a partir de novos clientes que verão que sua plataforma/sistema é confiável e está sempre disponível independentemente do tamanho de sua corporação.

Falhas são inevitáveis em qualquer sistema, tanto on-premise ou na nuvem, mas neste último ambiente, ao criar os serviços com redundância, realizar testes de falhas em conjunto de servidores/aplicações, torna-se possível mapear se a sua migração foi bem-sucedida. É importante lembrar que a redução de custos nem sempre é o principal fator para migrar para nuvem, mas sim a forma que se pode usar a elasticidade de servidores ou substituir um conjunto de servidores que rodam rotinas pontuais por serviços que têm uma performance muito mais rápida.

Neste processo de migração, apenas “jogar” tudo o que você tem na nuvem com o intuito de solucionar todos os problemas não é exatamente uma opção correta. É necessário estabelecer passos de evolução do seu ambiente para que ele se torne independente, a fim de que somente o seu time de DevOps tenha atividades diárias para atuar nos deploys e também para que os testes ponham em prática a correção de problemas sem parar o ambiente produtivo – o que também é chamado de entrega contínua “CI/CD”.

Para migrar de forma segura, é necessário buscar um parceiro de nuvem com know-how a fim de incorporar recursos no projeto de migração e assim usar todos os benefícios que tem a disposição. E o desafio pode ser orquestrado nas cinco etapas, descritas abaixo.

avaliação: antes de migrar qualquer servidor, seja ele produtivo ou de homologação, você precisa fazer um levantamento ou inventário de toda a sua tecnologia atual;

piloto: nesta fase, podemos eleger alguns ambientes que podem ser do mais crítico ou menos impactante e migrá-lo para nuvem a fim de analisar como se comportam, realizando uma rodada de testes com usuários que não impactem a produção;

migração de dados: durante um planejamento, muito se questiona sobre o que levar primeiro para a nuvem. O mais assertivo é levar, em primeiro lugar, todos os dados, por se tratar de um volume alto de informações. Levando os dados primeiro, nós podemos medir a performance real e toda e qualquer aplicação estará já conectada com o provedor de nuvem;

migração de aplicações: esta é a fase mais delicada do projeto, pois é neste ponto que começam a ser tomadas as decisões sobre o que levar, o que pode parar nesse primeiro momento, janela de manutenção e etc. A melhor forma de fazer esta movimentação é usar o método “lift and shift”, que consiste em mover um aplicativo ou operação de um ambiente para outro – sem recriar o aplicativo;

otimização: depois de migrado o ambiente e com tudo funcionando na nuvem, vem o trabalho onde todos os ajustes podem ser iniciados, como os de infraestrutura baseado no consumo, de conversão de servidores em serviços providos pela nuvem, entre outros., arquiteto de soluções da Claranet Brasil

Uma migração para a nuvem não precisa acontecer do dia para a noite. É preciso pensar cada detalhe do seu ambiente físico e aplicações, e como eles irão se comportar depois de migrados. Muitas empresas se deparam com a necessidade de expandir seu parque de TI e esbarram na limitação do data center que só é escalonável até certo ponto, exigindo maior tempo de trabalho extra, interrupção de serviços e falhas que deixam o ambiente inoperante. É aí que entra a nuvem!

Para um time de projetos, a decisão sobre um provedor de nuvem envolve questões sobre onde haverá maior escala, serviços disponíveis por região e recursos que se tornam infinitos. Mas o que isso gera além da redução de custo se comparado com o ambiente on-premise? Mais segurança, infraestrutura durável, gerenciamento de dados, crescimento do seu negócio e lucros a partir de novos clientes que verão que sua plataforma/sistema é confiável e está sempre disponível independentemente do tamanho de sua corporação.

Falhas são inevitáveis em qualquer sistema, tanto on-premise ou na nuvem, mas neste último ambiente, ao criar os serviços com redundância, realizar testes de falhas em conjunto de servidores/aplicações, torna-se possível mapear se a sua migração foi bem-sucedida. É importante lembrar que a redução de custos nem sempre é o principal fator para migrar para nuvem, mas sim a forma que se pode usar a elasticidade de servidores ou substituir um conjunto de servidores que rodam rotinas pontuais por serviços que têm uma performance muito mais rápida.

Neste processo de migração, apenas “jogar” tudo o que você tem na nuvem com o intuito de solucionar todos os problemas não é exatamente uma opção correta. É necessário estabelecer passos de evolução do seu ambiente para que ele se torne independente, a fim de que somente o seu time de DevOps tenha atividades diárias para atuar nos deploys e também para que os testes ponham em prática a correção de problemas sem parar o ambiente produtivo – o que também é chamado de entrega contínua “CI/CD”.

Para migrar de forma segura, é necessário buscar um parceiro de nuvem com know-how a fim de incorporar recursos no projeto de migração e assim usar todos os benefícios que tem a disposição. E o desafio pode ser orquestrado nas cinco etapas, descritas abaixo.

– avaliação: antes de migrar qualquer servidor, seja ele produtivo ou de homologação, você precisa fazer um levantamento ou inventário de toda a sua tecnologia atual;

– piloto: nesta fase, podemos eleger alguns ambientes que podem ser do mais crítico ou menos impactante e migrá-lo para nuvem a fim de analisar como se comportam, realizando uma rodada de testes com usuários que não impactem a produção;

– migração de dados: durante um planejamento, muito se questiona sobre o que levar primeiro para a nuvem. O mais assertivo é levar, em primeiro lugar, todos os dados, por se tratar de um volume alto de informações. Levando os dados primeiro, nós podemos medir a performance real e toda e qualquer aplicação estará já conectada com o provedor de nuvem;

– migração de aplicações: esta é a fase mais delicada do projeto, pois é neste ponto que começam a ser tomadas as decisões sobre o que levar, o que pode parar nesse primeiro momento, janela de manutenção e etc. A melhor forma de fazer esta movimentação é usar o método “lift and shift”, que consiste em mover um aplicativo ou operação de um ambiente para outro – sem recriar o aplicativo;

– otimização: depois de migrado o ambiente e com tudo funcionando na nuvem, vem o trabalho onde todos os ajustes podem ser iniciados, como os de infraestrutura baseado no consumo, de conversão de servidores em serviços providos pela nuvem, entre outros.

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Transformação digital: o varejo do futuro

Por Danilo Nascimento

A transformação digital no varejo não é mais uma tendência, e sim uma necessidade do mercado. A mudança de comportamento dos consumidores, que cada vez mais encontram no smartphone um parceiro fiel para seus relacionamentos com marcas, produtos e serviços, o que muda, totalmente, a regra do jogo.

Empresas de todos os portes precisam integrar processos e soluções tecnológicas para aumentar sua eficiência operacional, trazer inovações e entregar experiências de consumo realmente relevantes. O fato é que o ambiente de varejo precisa evoluir, e tornar-se muito mais do que um lugar para comprar produtos. Os clientes passaram a demandar mais conveniência, opções de escolha, acesso facilitado, simplificação dos pontos de contato e, principalmente, personalização.

No momento em que o consumidor começa a esperar que as lojas entreguem o mesmo tipo de experiência que recebem em seu celular, isso passa a ser um desafio para o varejo. Além disso, a equipe de vendas que conhece de forma superficial os produtos não tem chance quando comparada ao Google, e a publicidade soa ainda mais artificial quando colocada a frente das opiniões pessoas.

É por isso que a transformação nesse setor significa repensar processos e criar um ambiente conectado que, ao utilizar a tecnologia de forma eficiente, faz com que o consumidor esteja realmente no centro dos negócios. Acompanhar seus movimentos (e, de preferência, antecipá-los) exige que as empresas sejam inovadoras, ágeis e inteligentes no uso de dados. Tentar fazer isso com base na cultura tradicional, analógica, é impossível. E, se as regras do varejo mudaram, é preciso se reinventar.

É importante entender que a transformação digital do varejo é, em primeiro lugar, uma transformação cultural. Mas isso só começa a acontecer a partir do momento que pessoas entendem os processos internos da corporação e a maneira de usar essas tecnologias. Para que isso aconteça, o varejo precisa mudar os seguintes pontos:

. Cultura interna: Os modelos de gestão, remuneração e engajamento dos colaboradores precisam ser repensados para essa nova era, e como isso vai refletir nos consumidores. Diante desse cenário, é preciso desenvolver as competências (conjunto de habilidades e tecnologias) necessárias para oferecer benefícios aos seus clientes e se diferenciar do mercado.

. Estruturas das empresas: Elas precisam ser mais leves, colaborativas, ágeis, flexíveis e com menos hierarquia e burocracia. Assim, o varejo vem evoluindo aos poucos, incorporando aspectos culturais da transformação digital, criando áreas que estimulam a inovação e, fazendo as alterações necessárias para a nova realidade do mercado.

. Modelo de negócios: O grande diferencial do varejo é sua proximidade com os clientes. A partir disso, é possível entender o comportamento do público e desenvolver soluções que façam sentido para eles. As empresas precisam colocar o cliente no centro do negócio.

. Invista em dados: Os dados ajudam nas tomadas de decisões e análises. O tempo da intuição ficou para trás, mas fazer essa mudança demanda novas habilidades e competências. O mercado é complexo demais para que o varejo determine preços, promoções, sortimento, volume de compras e expansão com base naquilo que uma ou algumas pessoas acreditam ser o ideal. Com frequência, decisões melhores poderiam ter sido adotadas caso houvessem mais dados disponíveis. Importante ter em mente que dados ganham de opiniões.

Diante desses pontos, podemos concluir que a transformação digital já é uma realidade no varejo, pois as marcas já entenderam essa necessidade. Mas, ainda há muitas lacunas a preencher. Portanto, continuemos sendo otimistas que em pouco tempo o setor vai ser totalmente baseado na análise de dados e serão entregue insights e análises ainda mais detalhadas.

Danilo Nascimento, sócio-diretor da Propz

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