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Disrupção exige transformação

Por Zhilei Ma

Mais que uma tendência, os processos de transformação digital estão se transformando em necessidade para que empresas dos mais diversos setores se tornem, de fato, competitivas. Do lado dos fornecedores, o desafio é ajudar seus clientes neste processo, e para que isso aconteça de forma eficiente, é preciso ter clareza dos conceitos envolvidos aqui. Por exemplo, existe uma tremenda diferença entre dois termos que, quando traduzidos para o português, têm o mesmo significado: digitization e digitalization. Na verdade, digitization é, simplesmente, converter para o digital, enquanto digitalization é utilizar ferramentas digitais.

O Uber, por exemplo, faz parte deste segundo processo, pois serve de instrumento para facilitar a locomoção dos usuários – aqui, o uso da tecnologia (Big Data) é imprescindível para reunir dados de motoristas e passageiros e, consequentemente, operacionalizar o serviço. Se o Uber é um exemplo de serviço muito bem-sucedido em várias cidades e países, há diversas outras ideias estagnadas e/ou rejeitadas por aí. Atualmente, 70% dos projetos de digitalização fracassam no mundo todo devido à falta de investimento, valorização e/ou apoio por parte dos tomadores de decisão. O incentivo à transformação digital se dá com pessoas e empresas que sabem ouvir, valorizar e implementar boas ideias.

Além das tecnologias já citadas, estas empresas devem trabalhar também com Data Analytics, Mobility, Cloud, Blockchain, Inteligência Artificial e muitas outras que auxiliam empresas a avançarem rumo à digitalização. E, melhor do que dominá-las, é preciso saber integrá-las para criar produtos realmente inovadores. Quer um exemplo? O Head Mounted Display, desenvolvido pela T-Systems para a Fujitsu, uma das maiores companhias japonesas de TI. Também chamada de headset de realidade mista, a solução é uma espécie de capacete com monitor, óculos e comandos de voz altamente capazes de automatizar o trabalho manual de picking, servindo como guia para o funcionário da empresa tomar as decisões certas e aumentar sua produtividade. Neste caso, há uma integração de Realidade Aumentada, Realidade Virtual, IoT e Cloud, o que comprova a perfeita harmonia entre diferentes tecnologias em uma única solução.

A Realidade Aumentada também é aplicada na fábrica da alemã Schwan Cosmetics. Em casos de manutenção e reparo de máquinas, os operários podem fazer uma chamada de vídeo com técnicos e especialistas para pedir instruções e resolver o problema em tempo real, sem que alguém precise ir fisicamente até a fábrica. Basta utilizar os óculos de AR e receber os comandos da central de suporte, que envia áudios, textos e informações em 3D para o campo de visão do operário, possibilitando uma orientação remota e igualmente eficaz. Antes da solução, era preciso resolver o problema via e-mail ou telefone e, em algumas situações, esperar a visita de um especialista, o que exigia um tempo muito maior.

Outro projeto bastante inovador foi o San Diego Innovation Lab, cujas soluções melhoram a experiência do passageiro, aumentam a eficiência dos aeroportos, diminuem custos e identificam possíveis fontes de receita. Cada uma destas soluções mencionadas acima reforça um compromisso que deve ser assumido por todos que pretendem garantir o melhor suporte aos seus clientes na jornada digital: “Se não nos transformarmos, não seremos disruptivos”.

Zhilei Ma, vice-presidente regional (Américas) de soluções digitais da T-Systems International

Afinal, empresas com salários sob demanda retém mais os colaboradores?

Por Nicholas Reise

Reter talentos e principalmente atrair bons profissionais são os maiores desafios das empresas no mercado atual. Devido a grande concorrência, cativar os colaboradores passou a ser algo necessário. Toda empresa precisa oferecer um algo a mais: o clima, flexibilidade horário, home office ou até o salário sob demanda.

Uma pesquisa da Insper mostrou que 90% dos profissionais acreditam que os benefícios trabalhistas são o que realmente os mantém em uma empresa. Por isso, muitas vêm apostando em benesses corporativas, que de alguma forma, sejam um complemento ao salário que vem apenas uma vez por mês.

No mercado existem inúmeras tendências, como o salário sob demanda. A ideia é que o profissional não precise esperar a data protocolar para receber o seu salário. Trabalhando um dia que seja, ele já tem o direito de receber uma parte proporcional. Segundo a startup britânica Wagestream, esse tipo de benefício reduz em 41% o turnover das empresas. A mesma pesquisa apontou que 73% dos colaboradores ouvidos afirmaram estar mais motivados com a flexibilidade de salário.

Dessa forma, o trabalhador pode se sentir mais valorizado, pois a empresa demonstra sua preocupação com o lado humano dos colaboradores, resolvendo problemas financeiros emergenciais, que poderiam resultar na utilização do cheque especial e empréstimos em casos de emergência, já que segundo o Serasa Consumidor, mais de 41 milhões de brasileiros aceitariam fazer algum tipo de empréstimo para cobrir algum custo inesperado. Com essa liberdade a empresa demonstra sua preocupação não só com a vida profissional do colaborador, mas também pessoal.

Entender relação entre oferecer benefícios e o impacto disso para os funcionários pode ajudar o RH a desenvolver estratégias que irão motivar mais os colaboradores e evitarão saídas em curto prazo. Dentro de uma organização existem benefícios obrigatórios, previstos nas leis trabalhistas, como FGTS, vale transporte e vale refeição. Agora, se a empresa pensa além e na valorização dos seus colaboradores, os opcionais se destacam.

Vale lembrar que, de acordo com um estudo feito pela Universidade da Califórnia, funcionários felizes são, em média, 31% mais produtivos, três vezes mais criativos e vendem 37% mais, especialmente quando não há pressão financeira. Em resumo, pensar nos benefícios opcionais para seus colaboradores pode agregar aspectos valiosos para a sua marca, como retenção de talentos, aumento de atração de candidaturas às novas vagas, mais fidelidade e gratidão dos colaboradores.

Nicholas Reise, CEO da Xerpa.

A estratégia de vendas ainda é uma das maiores dores das marcas

Por Fernando Farias

Quem nunca perdeu algumas boas horas indo de loja em loja atrás de um produto sem sucesso ou até mesmo aguardou meses para o item estar disponível novamente? Essa dor é também um grande problema para os varejistas, principalmente no lançamento de novos artigos no mercado. Segundo estudos de consultorias especializadas, os fabricantes perdem 35% das vendas devido a indisponibilidade de produtos no ponto de venda. O resultado? Perda de fidelidade da marca e compra de produtos concorrentes. Cenário bastante prejudicial para a indústria e o distribuidor.

Estima-se que, anualmente, são lançados mais de 18 mil produtos no Brasil, mas cerca de 70% não têm o resultado esperado. Na maioria das vezes, as companhias priorizam a velocidade da entrada de campanhas de lançamento, sem um estudo inicial da disponibilidade dos produtos em cada região. Análise esta que é essencial para evitar a ruptura (momento que o cliente chega ao ponto de venda e não encontra determinado item) e que atinge diretamente a indústria e o distribuidor.

As campanhas seriam mais eficientes se as marcas mostrassem para os seus consumidores onde podem efetivamente encontrar os produtos que desejam. O tradicional “encontre nas melhores redes”, por exemplo, já não é melhor resposta para o cliente cada vez mais conectado e exigente. Dados divulgados em 2018, pelo Think With Google, apontam uma nova tendência: as buscas por “perto de mim”.

O consumidor brasileiro está cada vez menos disposto a esperar e, principalmente, a perder tempo. Se ele já exigia relevância e imediatismo nas buscas, a geolocalização está se tornando um ingrediente essencial na receita de um resultado satisfatório. Em outras palavras, não bastam as sugestões serem “para já” e “a minha cara”: elas também têm que ser “perto de mim”.

Segundo dados do Google, nos últimos anos houve um aumento significativo nas buscas pelo termo “perto de mim” – algo em torno de 70%. Outro dado da plataforma, aponta que entre 2015 e 2017, que as buscas mobile por “aberto” + “agora” + “perto de mim”, cresceram mais de 200%. Está mais do que claro que entender a jornada do consumidor é de extrema importância para o sucesso do negócio. Quando a mensagem da marca é pessoal, fica mais fácil impactar as pessoas. Analisar e compreender seu comportamento online é essencial para desenhar uma estratégia assertiva, principalmente porque ele está em constante evolução.

Os consumidores estão cada vez mais imediatistas, fazendo suas buscas no exato momento em que necessitam de determinado produto ou serviço e querem encontrá-los com rapidez e na loja mais próxima. As empresas que se atentarem a esta tendência, terão muito mais chances de conquistá-los. E na sua empresa, qual tem sido a estratégia de lançamento adotada?

Fernando Farias, CEO da Gofind, localizador de produtos que utiliza algoritmos de Inteligência Artificial

Clubes de assinatura, o mercado de R$1 bilhão

Por Tiago Girelli, diretor da divisão corporativa Tray Corp

Em conjunto com a disseminação do modelo de e-commerce no Brasil no final da primeira década de 2000, os clubes de assinatura com base na recorrência de compra e pagamento começaram a se popularizar no mercado. No entanto, muitas operações de assinatura fecharam as portas logo após o boom inicial por não conseguirem manter a sustentabilidade do negócio em um meio tão competitivo. Mas, há quem tenha aproveitado a oportunidade para construir uma estratégia compatível com os anseios do seu público e, consequentemente, obteve grandes resultados — o que contribuiu para que esse modelo de serviço voltasse com força total.

Atualmente, estima-se que o mercado de clubes de assinatura movimente R$1 bilhão ao ano no país. Em um momento no qual o comércio eletrônico segue em ascendência, esse índice mostra-se uma excelente chance de alcançar novos públicos a partir de uma experiência personalizada e diferenciada. Já para aqueles com uma operação ativa de e-commerce, a notícia transforma-se em uma chance de ouro. Ou seja, as possibilidades são inúmeras. Basta saber explorá-las.

Quando se trata de clubes de assinaturas, o primeiro passo a ser feito é negociar com fornecedores e parceiros logísticos. Afinal, é fundamental garantir que haverá estoque disponível não só para atender à rotina atual do negócio, como dos produtos selecionados para os pacotes de subscrição. Uma dica é buscar itens diferenciados para surpreender seus clientes mês a mês — o que pode exigir a procura por fornecedores adicionais. Além disso, a entrega dentro do prazo esperado é um fator determinante para a satisfação dos inscritos. Dessa maneira, pode ser necessário firmar parcerias com novas transportadoras e até mesmo planejar uma estratégia logística diferente para esse tipo de pedido.

Em segundo lugar, é necessário refletir sobre uma comunicação personalizada com o cliente para tornar a opção de um clube de assinatura mais atrativa e formar a primeira base de inscritos. Uma dica é oferecer benefícios como descontos especiais para assinantes, redução no valor do frete, entregas mais rápidas e brindes exclusivos.

Por fim, um dos diferenciais de um e-commerce que trabalha com esse modelo de negócio é a tecnologia especializada. Nesse caso, é importante verificar se sua plataforma virtual atual disponibiliza a alternativa de recorrência de compras. O ideal é que essa seja uma opção nativa ao sistema utilizado, possibilitando que você teste o modelo de negócios sem precisar fazer grandes investimentos adicionais na contratação de novos serviços e pacotes adicionais. Esse é, inclusive, um fator que deve ser levado em consideração já na escolha de qual plataforma usar em sua loja virtual, mesmo que você não tenha pretensão inicial de trabalhar com assinaturas. As chances são inúmeras, que tal arriscar?

Como a transformação digital influenciará a comunicação e a imprensa?

Por Thais Antoniolli, Presidente da PR Newswire/Cision Latam

O título deste meu artigo é uma provocação. Afinal, é indiscutível: a transformação digital é o novo normal. Não é algo para o futuro. Já está acontecendo e a empresa que não se adaptar a essa nova realidade poderá ficar apenas na memória das pessoas. Hoje, toda companhia quer ser uma ‘tech company’, e os negócios de comunicação também fazem parte da lista.

Mas como exatamente a transformação digital está impactando e influenciando a atuação da imprensa em uma ponta e a da comunicação na outra? É o que vou detalhar a seguir. Acompanhe!

Adeus imprensa velha

Nos últimos anos, as mídias se modernizaram, migrando seus modelos de negócios para o digital. O papel, tão adorado pelas fontes, deu lugar gradativamente a sites e a presenças nas mais variadas mídias sociais. Com o tempo, um aliado surgiu nesse cenário, o analytics, que chegou para mudar a imprensa de patamar e fisgar a audiência. E isso não só na mídia on-line, mas também nas emissoras de rádio e de TV. Elas também estão na esteira da transformação. Nesse novo universo, os leitores e os telespectadores estão no comando e ignorá-los pode ser fatal.

Nesse contexto, um dos maiores desafios é entender melhor o público. Do que se alimentam? Onde vivem? Que tipo de conteúdo consomem e como? É quase filosófico e a resposta nem sempre é a soma de 1 + 1.

As empresas descobriram, no entanto, que os dados são chave nesse contexto, mas nem sempre eles estão nas mãos de quem oferece o conteúdo – se você quer saber mais sobre esse tema, eu escrevi recentemente um artigo sobre o poder das métricas. É por isso que HBO e Disney, por exemplo, que amargavam até então a soberania da Netflix, estão criando suas próprias ofertas de streaming.

Outras estão apostando forte no pay wall, sistema de assinatura que permite ao internauta o acesso a conteúdos restritos, para entender com mais profundidade sua audiência. Outras ainda estão quase que virando uma Edtech, usando conteúdo para mexer com os medos da audiência e fazê-las comprar assinaturas para saber como mergulhar e saber tudo sobre o tema X ou Y.

E a comunicação?

Normalmente, quando pensamos em transformação digital, tiramos da manga tecnologias da moda, como inteligência artificial (AI), machine learning e big data, que certamente ajudam negócios a rodar mais rápido. Mas essas tecnologias fazem muito mais do que aumentar a produtividade. Elas também mudam a forma como nos comunicamos. É por isso que a comunicação é altamente impactada.

Não faz muito tempo, a comunicação interna era praticamente um braço da área de recursos humanos ou de marketing. Ok, não tem nenhum problema nisso. Mas com o digital ela voou, passando por uma verdadeira metamorfose. Como a borboleta, que antes era apenas uma larva. O digital, então, permitiu uma comunicação mais fluída, clara e multicanal. É difícil encontrar uma empresa que não use a comunicação digital, que vai muito além do e-mail, para se conectar de forma mais efetiva com seus colaboradores.

O resultado? Fluxos de trabalho mais eficientes, quebra de silos e aumento da satisfação dos funcionários, acostumados em suas vidas pessoais com o digital. E o cenário ganhará ainda mais contornos nos próximos anos. Com estimativas de mercado indicando que nativos digitais representarão 75% da força de trabalho até 2025, as comunicações provavelmente serão mais rápidas e mais digitais.

A comunicação externa também ganhou novas fases. Afinal, as pessoas estão mais conectadas do que nunca. É a era da hiperconexão. A pesquisa Estado de Serviços Móveis, elaborada pela consultoria especializada em dados sobre aplicativos para dispositivos móveis App Annie, mostra que os brasileiros passaram mais de três horas por dia usando o celular em 2018. Essa média colocou o País em 5º lugar no ranking global de tempo dispendido com esse aparelho.

Para as empresas, isso significa que o ponto de contato inicial precisa ser essencialmente o digital e, de preferência, o smartphone. Trata-se de uma comunicação imediatista, conveniente e altamente personalizada, por meio de chatbots e outros recursos tecnológicos presentes no dispositivo móvel.

Assim como todo e qualquer negócio que está se transformando, para a comunicação e a imprensa ter ou não um legado é fator crucial na velocidade da mudança. Nenhuma companhia, no entanto, deve encarar esse fator como impeditivo para sua evolução. A jornada digital, apoiada em um propósito, é sempre a melhor forma de superar os desafios. Basta escolher a sua cereja do bolo.

E você já escolheu a sua? Se está do lado da comunicação ou da imprensa, agora é hora de mudar. Como você está lidando com essa provocante e invasiva transformação digital?

A tecnologia a favor do RH

Por Tomás Ferrari, sócio fundador da GeekHunter

Diferente dos outros setores, a área de Recursos Humanos relutou (e muito!) para investir em tecnologia. No começo, as páginas amarelas eram utilizadas por empresas que buscavam profissionais técnicos. Posteriormente surgiram sites de emprego, conhecidos como job boards, que tinham como objetivo alocar vagas no ambiente digital. Atualmente, já existem ferramentas voltadas para o engajamento, seleção e entrevistas de candidatos, que usam algoritmos, Inteligência Artificial e dados para identificar bons perfis técnicos e características comportamentais dos candidatos.

Uma das tendências atuais é a utilização do People Analytics, que através de Big data consegue melhorar a qualidade das contratações e a performance dos times. Com uma análise bem avançada dos dados, ainda é possível eliminar decisões subjetivas, antecipar tendências e identificar caminhos para aumentar a produtividade da empresa.

Além disso, existem soluções para executar testes e avaliar profissionais em tempo real, como é o caso da HackerRank e da Codility. Outras servem ainda para gestão e automação de processos seletivos, como a Kenoby, Gupy e Recrutee. Também existem opções que traçam o mapeamento comportamental, como é o caso da Solides.

Nesse cenário, há ainda os marketplaces, mais conhecidos por reunirem empresas e candidatos em um só espaço e que, diferente dos job boards, utilizam dessas ferramentas, acelerando a contratação e filtrando candidatos de acordo com o perfil que a empresa espera entrevistar, por exemplo.

Embora, essas soluções estejam à disposição para auxiliar as empresas a selecionarem os melhores talentos, ainda existe certa resistência por parte de alguns profissionais de RH, que acreditam que essas tecnologias irão eliminar os empregos dos seres humanos. Por isso, a importância de se mudar o mindset do setor como um todo.

Sabemos que o processo de contratação muitas vezes pode ser longo e árduo, levando meses até que o profissional mais adequado seja encontrado. Quanto mais tempo leva para ser finalizado, maior é o custo, fazendo com que muitas organizações ultrapassem o orçamento, percam projetos ou ainda acabem contratando uma pessoa que não condiz 100% com a função.

A utilização dessas tecnologias permite agregar maior assertividade e rapidez no dia a dia de trabalho, conduzindo a tomadas de decisões mais estratégicas, acelerando as etapas e, consequentemente, selecionando candidatos mais alinhados aos valores da marca que irá representar.

Além disso, por meio de muito benchmarking, o responsável pela área de RH pode aprender melhores práticas aplicadas a processos seletivos, novas metodologias e, ao mesmo tempo, ser criativo para customizá-las frente às peculiaridades de cada negócio.

É essencial, ainda, manter uma cultura de sempre testar muitas alternativas que possam ajudar neste contexto. Nem sempre o que funciona muito bem para uma empresa, vai funcionar para a outra. A velocidade com que a tecnologia evolui é muito alta e não podemos ficar reféns de uma única forma de selecionar profissionais.

O acordo de nivel de serviço e sua importância nos contratos

Por Eliana Bellucco

O Acordo de Nível de Serviço ou Service Level Agreement passou a ser adotado nos contratos de Tecnologia da Informação ( T.I.), sendo inclusive objeto de uma norma da ABNT (ISO/IEC 20000-1:2011) , mas sua importância não se restringe a esta categoria de contratos, uma vez que é uma forma de medir a prestação de serviços e acompanhá-la, propiciando ao contratante mecanismos mais eficazes do que apenas rescindir um contrato muitas vezes de grande importância para a sua empresa; e, ao fornecedor de serviços, a oportunidade de monitorar seus serviços e garantir um diferencial no seu mercado de atuação.

Mas, afinal, o que é o Acordo de Nível de Serviços( ANS ou SLA)?

Esse documento é um complemento do contrato de prestação de serviços firmado entre as partes, normalmente constando como um anexo ou um capítulo a parte. Define ítens importantes da prestação de serviços que podem ser medidos e estabelece multas quando não cumpridos.

Em contratos de T.I., normalmente os SLA estabelecem o prazo para correção de instabilidades ou queda de serviço, muitas vezes com gradação entre níveis críticos e os de menor potencial lesivo, disponibilidade e outros.

Muitos contratos de prestação de serviços continuada podem se beneficiar de Acordos de Nível de Serviço, mesmo não sendo da área de tecnologia, porque no dia a dia há uma série de questões que podem comprometer a execução do contrato e os mecanismos legais disponíveis muitas vezes não oferecem uma solução adequada.

Em tese, um contratante insatisfeito pode notificar o prestador de serviços e apontar itens que não correspondem às expectativas do contrato, mas se não estiverem bem detalhados e medidos, é possível que suas alegações acabem sem um suporte fático suficiente. Já um Acordo de Nível de Serviço bem elaborado pode lhe conferir maneiras eficientes de controlar e monitorar os serviços antes que ocorram situações onde somente a rescisão é possível, o que por vezes causa prejuízos a ambas as partes.

O Acordo, portanto, deve ser elaborado em conjunto entre a área contratante da empresa, que detém o conhecimento técnico e as necessidades para aquele determinado contrato e o Jurídico, que cuidará de evitar qualquer redação dúbia, que não ofereça a proteção contratual que se espera.

Assim, o contratante tem bem especificadas as questões que podem prejudicar a sua empresa e o contratado que tenha um bom desempenho nas medições oferece uma prestação de serviços confiável, garantindo sua imagem no mercado e junto aos seus contratantes.

Os itens de serviço ficam especificados, as medições e multas bem delimitadas, com mecanismos para rescisão em caso de determinados descumprimentos ou reincidências.

Dessa forma, é um importante ponto de atenção para as empresas contratantes e contratadas de modo a deixar a relação regulada e diminuir ou, ao menos, facilitar a resolução de eventuais discussões que possam surgir ao longo da prestação de serviços.

Eliana Bellucco, especializada em Lato Sensu em Direito Constitucional e membro do escritório Almeida Prado & Hoffmann Advogados Associados

Quatro mudanças e tendências que veremos nas instituições financeiras ao longo dos próximos cinco anos

Por Martín Frascaroli, CEO da Aivo

Foi-se o tempo em que os serviços bancários eram padronizados e restritivos. As tecnologias digitais emergentes, que têm mudado as preferências do consumidor e aumentado a concorrência, estão impondo novos desafios aos bancos.

Nós, consumidores, acabamos nos acostumando a ter ferramentas digitais práticas e eficazes em todas as áreas de nossas vidas. Hoje, usamos uma série de canais para nos comunicarmos com as marcas. Usamos aplicativos, plataformas e sites de todos os tipos – e quando quisermos – para meditar, fazer exercícios, garantir o entretenimento, e até mesmo para monitorar nosso sono no dia a dia. Obviamente, exigimos a mesma flexibilidade e facilidade de uso para operações bancárias e pagamentos.

Como resultado, a maioria dos bancos adotou a digitalização como estratégia para fazer frente aos bancos concorrentes e fintechs revolucionárias, visando garantir a lealdade de seus clientes. Ainda assim, muitas das atuais soluções digitais são frustrantes quanto à forma como traduzem experiências e tarefas bancárias. De acordo com um estudo da Bain & Company, “os sites e aplicativos de bancos estão longe de ser práticos, multifuncionais e fáceis de usar. Menos da metade dos entrevistados do Reino Unido disseram que o site de seus bancos permite que façam tudo aquilo que precisam ou que são fáceis de usar. Esse número é ainda menor no caso dos aplicativos móveis.”

A verdade é uma só: ao fornecer uma experiência abrangente, há muito mais aspectos a considerar do que apenas uma abordagem digital. Hoje, o sucesso depende do foco consistente no consumidor e do real valor agregado a cada interação. É preciso equilibrar as necessidades tradicionais dos clientes e o valor agregado que novas tendências e inovações tecnológicas podem gerar ao aprimorar processos e experiências.

E então, como será o banco do futuro? Quais tendências e mudanças estão moldando a forma como gerenciaremos nossas finanças no futuro?

Serviços bancários com nossas vozes

Até o momento, os bancos mal chegaram perto de algumas tecnologias que já se tornaram muito fortes nos mercados de consumo, como os assistentes de voz. Hoje, muitos consumidores (25% dos clientes americanos, segundo a Bain & Company) estão usando ferramentas como a Siri, a Alexa ou o Google Assistente em seus smartphones ou como a Alexa e o Google Home em suas casas (quase um quinto).

Muitos bancos incluíram a tecnologia em seus canais de inovações, mas apenas alguns deles, como Santander UK, Capital One e USAA, estão usando-a no mercado. Isso é algo surpreendente, já que quase 25% dos consumidores na Austrália, no Reino Unido e nos EUA disseram que estão abertos a experimentar a tecnologia em seus serviços bancários no futuro. Daqui a alguns anos, essa tendência certamente será explorada.

Chatbots se tornam verdadeiros consultores financeiros e as experiências são cada vez mais personalizadas

Com os avanços da aprendizagem de máquina e da inteligência artificial (IA), cada vez mais organizações bancárias estão lançando soluções de chatbot com IA, cortando gastos e atendendo cada vez mais consumidores intelectuais. Essa tecnologia facilitou uma comunicação bidirecional e, em muitos casos, até substituiu canais como telefone, e-mail e mensagens de texto, permitindo que os clientes façam perguntas ou solicitem serviços usando linguagem natural.

Como resultado, o número de bancos que adotaram agentes conversacionais automatizados nos últimos anos aumentou significativamente. “3 a cada 4 instituições financeiras veem os chatbots como uma oportunidade de investimento lucrativa”, revelou uma pesquisa do ramo.

Hoje, essa tecnologia é usada principalmente para fornecer aos clientes rápido atendimento e suporte a transações, lidando com tarefas como consultas de saldos, detalhes de contas, simulações de empréstimos e afins, deixando que os representantes humanos de atendimento ao cliente fiquem livres para resolver questões mais complexas. Mas tais recursos ainda podem melhorar muito.

Como a IA segue evoluindo, os chatbots estão deixando de ser ferramentas de base de dados e suporte ao atendimento ao cliente e se estão transformando em verdadeiros consultores financeiros. Se integrados aos dados históricos corretos, a um software de comportamento preditivo e a outras plataformas de análise inteligente, os chatbots poderão entender hábitos de despesa, criar dicas financeiras personalizadas para cada cliente e ajudá-los a administrar e economizar seu dinheiro. Na Aivo, já estamos criando e desenvolvendo esses aplicativos para alguns de nossos clientes do setor financeiro que, além de aprimorar a experiência de seus clientes, querem capacitá-los para que tomem decisões de gastos mais inteligentes.

As agências assumirão uma nova função, combinando serviços físicos e digitais

Provavelmente, as agências bancárias não serão extintas. Os clientes ainda não estão prontos para abrir mão delas. Na verdade, segundo um estudo da Accenture, o fácil acesso a agências é o terceiro fator mais importante para garantir a lealdade dos clientes bancários. Mas, à medida que mais serviços bancários são oferecidos on-line, os clientes desejam que as agências ofereçam uma experiência que combine os mundos físico e digital de forma uniforme, principalmente ao atender diferentes faixas etárias.

Como dito anteriormente, a assistência automatizada dos serviços bancários está se tornando cada vez mais difundida, mas não substituiu, nem substituirá, a assistência humana. Transações e operações bancárias cotidianas, como transferências, depósitos e abertura de contas, serão cada vez mais realizadas de forma digital. As agências se tornarão um local exclusivo para resolver problemas e tratar de questões complexas.

Apesar do interesse em suporte automatizado manifestado pelos clientes, poder fazer uma reclamação (67%) ou pedir ajuda sobre produtos complexos como hipotecas (61%) diretamente a um agente humano são dois pontos vistos como os mais importantes para uma agência no futuro.

Muitos bancos já desenvolveram diferentes tipos de agências: alguns só com caixas eletrônicos, outros altamente tecnológicos e com incríveis integrações digitais, ou até mesmo aqueles com poucos ou nenhum funcionário presente. Veremos as agências passando por uma grande transformação, o que mudará a função que desempenham hoje.

Os consumidores definirão a experiência

Realizamos uma série de transações e tarefas bancárias, desde o pagamento rotineiro de contas até o cancelamento de um cartão roubado, e esses diferentes tipos de situação exigem diferentes estratégias de gerenciamento. Ao mesmo tempo, cada cliente é único e deve ser tratado como tal.

Durante os próximos anos, veremos os bancos avançando pela jornada digital, tornando as interações rotineiras fáceis e práticas, e melhorando a experiência de serviço nos casos mais complexos e importantes.

Quando for possível optar pela automação e pelo autoatendimento, os bancos assim o farão. Afinal, nós também não queremos perder tempo. Os bancos tentarão nos encaminhar para os meios digitais, para o autoatendimento, mas também melhorarão as integrações com outros canais de atendimento ao cliente, como telefone, mensagens, presencial, além de desenvolver uma abordagem mais omnicanal a fim de nos dar mais opções.

No final das contas, a adoção de um sistema flexível e ágil é fundamental para criar valor para os clientes. Aceitar e adotar as inovações que a tecnologia nos proporciona é a única forma de ser o banco inteligente e competitivo do futuro.

Você encontra mais informações sobre como a Aivo está usando a IA para ajudar a revolucionar o setor financeiro clicando aqui.

Como inovar o modelo de negócios

Por Luis Frade

A forma como fazemos negócios está se transformando a cada dia e os modelos são reinventados por alguma empresa, a toda hora. No jargão das startups, as “dores” que as empresas precisam resolver mudam de abordagem a cada momento.

Quando falamos em inovação em modelo de negócios, sempre alguém cita que o Airbnb não possui nenhum quarto, que a Amazon não possui estoque, que a Uber não possui carros e que o Nubank não tem agências. Esses são alguns dos modelos de negócios mais emblemáticos dos últimos anos, mas não os únicos.

Pouco antes de começar a escrever este texto, estava lendo uma entrevista com Jay Samit sobre seu livro Disrupt You! (Seja Disruptivo!), onde, entre outras coisas, ele cita uma startup que loca um apartamento do Airbnb e o subloca para o cliente final. Sua função é entregar as chaves, cuidar da faxina e dos outros serviços que, normalmente, o dono do imóvel não quer se preocupar. No final das contas, todos saem ganhando. Isso nada mais é do que inovar a inovação.

No final de 2018, a convite do LinkedIn, escrevi um artigo (O que esperar para 2019) sobre as previsões para 2019. Como em todas as previsões, algumas errei e outras acertei, como o declínio do Facebook, por questões de credibilidade em relação ao uso de dados dos usuários. Como o leitor certamente se lembra, houve um vazamento de 82 milhões de dados, em 2018. O próprio Mark Zuckerberg comentou que “Quando penso no futuro da internet, acho que uma plataforma de comunicação focada na privacidade se tornará ainda mais importante do que as plataformas abertas de hoje. Acredito que o futuro da comunicação se tornará cada vez mais privado, com serviços de criptografia que garantam a liberdade e a segurança das conversas dos usuários”. Em outras palavras, o modelo de negócios do Facebook vai mudar. Do contrário, minha previsão se concretizará. Quem aí se recorda do Orkut?

É importante lembrar que muitas reformulações de modelo de negócios são baseadas em tecnologia, porém, é claro que existem outros catalisadores. Lembro que, no início da década de 1990, quando o telefone celular foi popularizado aqui no Brasil pela Motorola (o famoso “tijolão”), ele era utilizado apenas para ligações sem fio, o que já era o máximo. Quando apareceu o primeiro celular que enviava mensagens, foi o maior sucesso. Depois vieram os smartphones e suas novidades. A partir disso, surgiram novos negócios – milhões de brasileiros ganham dinheiro com aplicativos para celular, por exemplo.

Temos 220 milhões de smartphones no Brasil e cerca de 45 milhões de pessoas já utilizaram aplicativos para obter renda. Se pensarmos que o desemprego está patinando na casa de 13 milhões, é razoável concluir que muitos desses ditos “desempregados” estão ganhando alguma renda por meio de um aplicativo. O interessante é que essa tendência veio para ficar, ou seja, as pessoas que até recentemente estavam fora do mercado formal hoje podem fazer parte de uma nova geração de empreendedores.

Até agora, falamos em startups, porém, a necessidade de inovar afeta a todos. Como coordenador do Comitê de Fomento da ANPEI, visitei a Bosch, em 2018, em Campinas. Algo me chamou muito a atenção na apresentação institucional da empresa: o CEO global da Bosch, avaliando os cenários derivados da Inovação 4.0, composto por Internet das Coisas (ioT), mobilidade autônoma, impressão 3D, comunicação 5G, computação na nuvem e outras inovações, decidiu que era hora de reinventar a empresa.

O gerente de inovação comentou que, durante muito tempo, a companhia foi conservadora, desenvolvendo internamente ferramentas, componentes e soluções para os clientes. Agora, promove a inovação inside e outside ao mesmo tempo. Estimula empreendedores internos a desenvolver soluções que possam ser comercializadas e, paralelamente, estimula empreendedores externos a criarem produtos e serviços a partir de demandas (ou dores) dos clientes da companhia.

Em suma, a empresa ajustou o seu modelo de negócios, adequando-se aos novos tempos e às atuais demandas dos consumidores. Independentemente do porte, o que se espera dos negócios hoje é que eles sejam capazes de reconhecer quando é preciso mudar – antes que seja tarde.

Luís Cláudio Silva Frade, Assistente do Diretor de Gestão Corporativa da Eletronorte, Coordenador do Comitê de Fomento à Inovação da ANPEI e membro do Comitê Técnico da Conferência ANPEI 2019

A MP da Liberdade Econômica e os fundos de venture capital

Por Marcelo Godke

Os fundos de investimento ocupam lugar importante na economia. Congregam capital de investidores de várias espécies.

Conseguem atrair grande quantidade de dinheiro e redirecioná-lo a empresas que dele necessitam, financiando e fomentando a atividade produtiva, a criação de riquezas e a geração e manutenção de empregos.

Mesmo os fundos meramente especulativos são importantes para o sistema econômico do País, pois ajudam a criar e aumentar a liquidez nos mercados.

No que diz respeito ao empreendedorismo e à inovação, os fundos de investimento possuem especial destaque.

Os fundos de venture capital são constantemente procurados para financiar novos negócios e empresas inovadoras. Podem investir em empresas recém-nascidas ou em outras que já tenham um pouco mais de tempo de vida. O mercado é variado e existe financiamento para as mais variadas startups.

Via de regra, os investidores gostam de saber o tamanho do risco que assumem ao investir. Isso se aplica também aos investidores de fundos de venture capital.

Em países em que se dá maior proteção aos investidores, notadamente naqueles em que se adota o common law como sistema jurídico, há formas societárias que cumprem tal função. Por exemplo, podem ser utilizadas as limited partnerships, em que coexistem os limited partners (com responsabilidade limitada) e os general partners (com responsabilidade ilimitada).

No Brasil, em tese, poderíamos utilizar as sociedades em comandita (simples ou por ações) para tal função, pois têm características similares às limited partnerships. Mas o problema que surge é de outra natureza, a saber, tributária.

Com efeito, a legislação brasileira determina a tributação de todas as pessoas jurídicas de maneira similar.

Se uma for estruturada para ter função econômica de fundo de investimento (seja ou não de venture capital), será tributariamente ineficiente a ponto de tornar proibitiva a utilização deste tipo de veículo de investimento em território nacional.

A solução encontrada, então, foi de não se utilizar pessoas jurídicas para tanto. A Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) baixou normativos que determinam serem os fundos de investimento verdadeiros condomínios, que não são tributados como as pessoas jurídicas normalmente o são. Assim, seriam “tributariamente neutros”.

Uma solução bastante engenhosa, que resolveu de maneira aparentemente brilhante a inadequação de nossa legislação tributária. É uma solução societária para um problema tributário.

Contudo, é verdadeiro remendo que criou outro problema: condomínios, nos termos da legislação brasileira, não têm como característica intrínseca a limitação da responsabilidade dos investidores.

Em outras palavras, não servem para delimitar os riscos que os investidores enfrentam ao investir nos fundos. Então, por serem condomínios, fazem que seus condôminos (os cotistas) carreguem consigo o risco de terem de assumir para si todo o passivo do fundo.

Agora entra em cena a MP 881, que institui a chamada “Declaração de Direitos de Liberdade Econômica” para estabelecer “normas de proteção à livre iniciativa e ao livre exercício de atividade econômica”.

Apesar de estar longe de ser perfeita, traz dispositivo importantíssimo para lidar com o problema da ilimitação da responsabilidade dos investidores em fundos de investimento.

A medida é bastante importante no que diz respeito ao fundos de venture capital, pois o índice de mortalidade das startups que recebem investimentos de tais fundos é altíssimo, sendo extremamente importante impor-se limite às possibilidades de perdas, para que os riscos sejam adequadamente mensurados.

A MP 881 insere novo artigo no Código Civil, de número 1.368-C. Tal dispositivo cria legalmente a categoria de fundos de investimento na forma de “condomínio de natureza especial” (já que os normativos editados pela CVM não possuem força de lei), de acordo com a redação dada pelo Congresso Nacional nos termos do Projeto de Lei de Conversão nº 17/2019.

Mas, tão importante quanto isso, o referido dispositivo também permitirá que os regulamentos dos fundos de investimento na forma de “condomínio de natureza especial” tenham como característica “a limitação da responsabilidade de cada investidor ao valor de suas cotas”.

Tal medida é essencial para o desenvolvimento do mercado de fundos de venture capital e permitirá que sejam feitos mais investimentos com muito mais segurança. É verdadeiro incentivo bem-vindo em nosso mercado e mais iniciativas deste estilo devem ser implementadas.

Marcelo Godke, sócio da Godke Advogados e mestre pela Universiteit Leiden (Holanda) e Columbia University. É professor da FAAP, Insper e do CEU Law School.

Cientista de dados: a profissão do futuro

Por George Paiva, diretor de Recursos Humanos da Orange Business Services

Dados e pessoas: essas são as bases da segunda onda de transformação digital. Para as empresas, cuidar desses dois elementos será vital não só para o crescimento do negócio e das receitas, mas também para sobreviver. Diante disso, o profissional que consegue aliar o conhecimento técnico de TI com a inteligência no gerenciamento dos dados tem um futuro promissor.

O cientista de dados pode ter formação em ciência da computação, matemática, estatística, engenharia ou em áreas correlatas. O mais importante é a visão estratégica, o olhar para tendências, o “pensar fora da caixa”, a curiosidade e a vontade de solucionar problemas.

As estatísticas ajudam a entender a importância do assunto. Em 2017, tive acesso a um estudo da consultoria Constellation Research que trazia números significativos: 75% das 105 companhias entrevistadas estavam imersas em atividades de análise de dados, e 1/3 delas afirmava que seus investimentos em dados estavam aumentando significativamente. Se há dois anos esse assunto já era relevante para o mundo corporativo, hoje ele se tornou essencial.

A importância dessa cultura de dados leva mais e mais empresas a buscarem soluções tecnológicas como a Inteligência Artificial, a Internet das Coisas (IoT), e o sistema Blockchain. A IDC (International Data Corporation) prevê que os investimentos na transformação digital chegarão a US$ 1,2 trilhão ainda neste ano.

Estamos diante de uma nova moeda no mundo digital, e o grande desafio das empresas é saber o que fazer com essa quantidade enorme de dados para melhorar processos e serviços.

A habilidade de cruzar informações para criar insights diferenciados dentro das organizações é o que torna o cientista de dados o profissional mais requisitado da segunda era de transformação digital. Nesse cenário, a TI deixa de ser um gasto e passa a ser um ativo das companhias.

O primeiro passo dessa transformação é criar uma cultura de dados na empresa, levando em conta a importância deles para a otimização dos serviços e a capacidade que eles têm de melhorar a experiência e o engajamento do consumidor. Isso vai exigir do profissional de TI uma proximidade cada vez maior com o cliente, a fim de entender suas demandas e trazer soluções.

Se você é profissional de TI e deseja seguir por esse caminho, recomendo atualizar-se com cursos, workshops e paineis. Faça também networking e, o mais importante, tenha uma visão mercadológica do seu trabalho. Reconheça a tecnologia da informação como um ativo importante e estratégico dentro de qualquer negócio, pois o futuro bate à sua porta trazendo com ele oportunidades infindáveis.

Inovação Disruptiva e Gêmeo Digital, qual o ponto de encontro?

Por Fernando Munhoz Motta

Popularizada entre os empreendedores do Vale do Silício, a teoria da Inovação Disruptiva foi criada por um professor de Harvard, Clayton M. Christensen, e se baseia no conceito de mudar o estado atual de uma tecnologia, produto ou serviço por meio de características inovadoras em vez de evolutivas, que consistem somente em melhorias nos produtos existentes, ou seja, não desenvolvem novidades.

Já o termo Gêmeo Digital, do inglês “Digital Twin (DTO) “, define uma cópia digital da realidade, que permite simular todos os processos de uma empresa e obter respostas em um ambiente seguro e sem riscos, fidedigno ao modelo real. Com isso, torna-se possível validar a aplicabilidade das ideias e analisar cenários simulando os resultados esperados. Por exemplo, pode verificar se o processo será capaz de suportar uma demanda projetada, o que significa tempo hábil para a tomada de decisão. Ou seja, chega de apagar incêndios!

A execução do Gêmeo Digital se dá por meio de tecnologias como a Internet das Coisas, Inteligência Artificial e técnicas que permitem uma rede inteligente, conectada e autônoma de pessoas, objetos e serviços. O termo nasceu a partir da demanda de consumidores cada vez mais exigentes e voláteis, que não permitem erros.

Na última grande conferência do Gartner, a consultoria apontou dez tendências tecnológicas estratégicas para 2019. Uma delas, os Gêmeos Digitais. Por que? Com essa cópia da realidade, os empresários possuem mais controle e gerenciamento da sua companhia e, assim, ganham mais qualidade, flexibilidade e produtividade em todos os processos.

Mas qual o ponto de encontro entre as tendências da Inovação Disruptiva e dos Gêmeos Digitais? Em soluções que permitem, a partir de dados coletados em diversas fontes, realizar um mapeamento dos processos da empresa, com base em fatos e não apenas suposições. Desta forma, os tomadores de decisões conseguem inovar com disrupção e sem se preocupar com os possíveis impactos em suas operações. É aqui que essas duas tendências se convergem.

Para chegar a esse patamar é preciso aplicar os conceitos de Process Intelligence, Data Analytics e Machine Learning para espelhar as empresas e, assim, gerar o seu Gêmeo Digital. Com isso, cada passo pode ser monitorado, em tempo real, possibilitando a análise, a simulação e a validação das ideias antes da sua aplicação. Por meio dessas tecnologias também são identificadas as variáveis do processo, e não apenas o “caminho feliz” ou a “única saída”, além dos gargalos, das atividades desnecessárias, dos retrabalhos, dos problemas de compliance, das pessoas envolvidas, entre outros.

Outro trunfo é a possibilidade de comparar processos, sobrepondo-os para evidenciar as semelhanças e diferenças, aplicando também filtros sobre as dimensões do processo e os analisando sob diversas óticas. O intuito é possibilitar a identificação das diferenças de desempenho, do custo e do tempo. E o melhor, essa análise permite que o executivo controle a sua empresa em tempo real! Parece um sonho, não é mesmo? Mas são os conceitos de disrupção e cópia digital aplicados em tecnologias!

O Gêmeo Digital permite que as empresas suportem a sua jornada por meio de uma ferramenta que mapeia processos olhando para os dados do passado e identificando os reais problemas nos processos e as oportunidades de melhoria para, assim, caminhar em direção ao futuro rumo à Transformação Digital! Vamos navegar nessa jornada?

Fernando Munhoz Motta, Process Intelligence Leader na gA, companhia global de tecnologia que utiliza plataformas digitais e serviços de transformação para capacitar grandes empresas nas Américas e na Europa.

Startups são aliadas dos expats

Por Claudio Scheuer

Já pensou em trabalhar a partir de qualquer lugar do mundo? Ok. Você precisa somente de um bom e confiável acesso à internet. Em um mundo onde os nômades digitais crescem a cada dia, trabalhar remotamente da sua casa no Morumbi ou à beira da praia na Tailândia, já não é surreal, muito menos distante. Brasileiros sendo contratados por empresas americanas, indianos indo trabalhar em Londres, isto já virou rotina. Apelidados de expats, termo em inglês para expatriados, estes nômades enfrentam desafios e muitos, muitos problemas.

Cobertura de seguro de saúde, envio de remessas de dinheiro, emissão de documentos, a lista não tem fim! A parte boa é que a tecnologia vem se tornando uma aliada e várias soluções foram e estão sendo criadas para facilitar o processo de quem decide mudar e viver em outro país.

A mundialmente conhecida Transferwise, por exemplo, começou pela insatisfação de um expat, que quando morava na Inglaterra enviou seu dinheiro para seu país de origem, a Estônia, pela primeira vez. A finalidade era somente pagar o financiamento da sua casa no seu país natal. Para seu desespero, no dia seguinte, ele descobriu que o banco cobrou uma taxa altíssima para a transferência internacional que beirava 5% do montante.

Inconformado, ele decidiu falar com um amigo que estava morando na Estônia para que pagasse seu financiamento. Ficou decidido que eles pagariam as contas um do outro, um na Inglaterra e outro na Estônia, desta forma o dinheiro não precisava circular internacionalmente e eles conseguiam evitar as altas taxas dos bancos. Desta ideia simples, a partir de um problema recorrente aos expats, surgiu a Transferwise já avaliada em mais de U$1 BI.

E quando você é um expat e precisa de atendimento médico em outro país? O que você faz? Como paga pelo serviço? SafetyWing, guarde este nome. Esta startup norueguesa está propondo aliviar as dores de cabeça geradas por despesas médicas no exterior. Sim, eu sei que você já conhece seguros de viagem, mas a proposta é outra. O plano inicial custa US$37 a cada 4 semanas, renovável automaticamente. A solução facilita a imigração de quem tem medo dos gastos ao precisar de atendimento médico em países como Estados Unidos.

Até mesmo a verificação de identidade pode ser um incômodo. Imagine você ter que achar um cartório, ou notary (em inglês), para reconhecer documentos ou atestar veracidade de assinaturas? Já existem vários projetos de startups mundo a fora que prometem acabar com este processo complicado por meio de tecnologias ligadas à blockchain.

A Yoti, como exemplo, é uma startup de Londres que já está aplicando tecnologia de reconhecimento facial para atestar a idade de usuários de aplicativos. Desta forma sites para adolescentes e crianças se tornam mais seguros por terem seus usuários realmente com idades compatíveis. A startup também conta com um aplicativo de identidade digital, que permite que usuários se identifiquem através do celular, ao invés de carregar um documento de identidade.

Grandes formas de disrupção já derrubaram paredes, muros e atravessaram oceanos. A era digital já é realidade há muito tempo. Oportunidades camufladas de problemas não param de surgir. Simples, pode ser o novo modo de pensar. Habilidades únicas são cada vez mais requisitadas e valorizadas. Não podemos afirmar como o mundo será em 20 anos. Só o que podemos assegurar é que problemas ainda serão resolvidos por pessoas criativas com mentes disruptivas, de qualquer idade, etnia e credo. Por um motivo simples, os problemas sempre existirão.

Claudio Scheuer, head internacional da Spin, primeira e maior rede de aceleradoras starup + indústria do Brasil.

O que vale mais: número de pessoas ou conversão?

Por Beatriz Oliveira, Head de Marketing da Eventbrite Brasil

Não são poucas as vezes em que ouvimos, de organizadores, participantes e até mesmo do público em geral, que um evento, para ser considerado um sucesso, deve ter o maior número de pessoas possível, seja ele do que for: workshop, festival, festa corporativa ou outros.

Se esse é seu caso e sua métrica de sucesso, melhor parar e repensar! Já tive muitas experiências, no Brasil e em outros países com culturas totalmente diferentes, em que tivemos eventos com cinco e outros com 50 pessoas. Minha pergunta, portanto, é: qual desses eventos você consideraria um sucesso?

Antes de responder, vou te contextualizar melhor. O objetivo era conversão de vendas com stakeholders específicos e, no primeiro evento, tivemos a venda efetivada para três dos cinco presentes. No segundo caso, não tivemos nenhuma venda convertida. E agora, qual evento obteve melhor resultado?

Portanto, como eu sempre costumo falar para meus colegas de trabalho, em palestras ou em bate-papo com amigos, antes de levar em consideração o número de presentes ou a casa cheia, analise o propósito de seu evento e os resultados que quer alcançar. Analise também, com mais cuidado, os propósitos das ações que deseja promover e, só então, passe a levar em consideração o número de pessoas que estão dentro de uma sala.

Se o objetivo é gerar awareness para a marca e a métrica for esgotar os ingressos ou inscrições, tudo bem focar no número de pessoas. Mas se for fechar negócios, foque sua energia no que realmente importa para os objetivos do seu evento e não somente em métricas de “vaidade”.

Ter a sala lotada é sim gratificante e nos enche de orgulho. Mas no fim do dia, o que te ajudará a bater as metas?

O decreto do Plano Nacional IoT foi assinado. E agora?

Por Werter Padilha

Estava na fase de definição do tema deste artigo, quando foi assinado o decreto nº 9.854. de 25 de junho de 2019, que instituiu o “Plano Nacional de Internet das Coisas e dispõe sobre a Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas de Comunicação Máquina a Máquina e Internet das Coisas”, conforme descrito na abertura do documento. A comemoração no ecossistema foi grande, pois era grande a expectativa em torno de sua oficialização, assim como analisei no texto Plano Nacional de Internet das Coisas Precisa sair da retranca. Afinal, desde 2017, o mercado e a sociedade brasileira aguardavam esse decreto. Por isso, o assunto do artigo não poderia ser outro.

O Plano Nacional de IoT (IoT.br) é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), do Ministério da Economia (ME) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em conjunto com a sociedade civil – empresas, academia, agências de fomento e outros órgãos -, e participei ativamente da sua elaboração como representante da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software no conselho consultivo, após muitas reuniões, consultas públicas, pesquisas e relatórios, que estão disponíveis para download. E, como tendemos a ser ansiosos, novas perguntas surgiram: o decreto do IoT.br foi assinado. E agora? Quais são os próximos passos?

Primeiramente, o decreto traz uma definição do que é IoT e seus devices (“sistemas de comunicação máquina a máquina”, com exceção de máquinas de cartão de crédito e débito); explica como funcionará a Câmara IoT; reitera quais são as quatro verticais prioritárias (agronegócios, saúde, cidades inteligentes e indústria) e explica, em seu segundo artigo, que Internet das Coisas diz respeito à “infraestrutura que integra a prestação de serviços de valor adicionado com capacidades de conexão física ou virtual de coisas com dispositivos baseados em tecnologias da informação e comunicação existentes e nas suas evoluções, com interoperabilidade”. Resumindo, temos bases para conferir mais segurança jurídica aos projetos e iniciativas baseados em IoT.

E, falando das iniciativas em IoT, agora temos a base oficial que dá direcionamento e estímulo à continuidade das ações em andamento, como o BNDES Projetos Piloto de IOT e suas linhas de crédito, assim como as atividades conduzidas pela Finep, Embrapii, Senai, Sebrae, ABDI e os institutos de ciência e tecnologia. Antes disso, tanto as iniciativas governamentais quanto as privadas, estavam trabalhando projetos relacionados à IoT sem uma base regulamentar, especialmente quanto às questões tributárias. Lembro ainda que temos no Congresso o Projeto de Lei 7.656/2017, de autoria do deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP) que propõe zerar taxas para incentivar o IoT, que já está aguardando parecer do Relator na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC).

Quanto à Anatel e suas certificadoras, em meu ponto de vista, terão o desafio de agilizar seus processos de homologação e certificação para os devices de IoT, a fim de evitar que a burocracia postergue os lançamentos e, consequentemente, afete os negócios em um segmento no qual a possibilidade de obsolescência de um equipamento tende a ser mais rápida, em alguns casos.

Importante ainda lembrar que o IoT.br está alinhado aos objetivos e ações definidas na Estratégia Brasileira para a Transformação Digital, oficializada pelo Decreto nº 9.319, de 21 de março de 2018. A Câmara Nacional IoT retoma suas atividades e em decorrência das verticais priorizadas, já temos a Câmara Nacional da Indústria 4.0, criada em abril de 2019, em uma ação interministerial do MCTIC e Ministério da Economia (ME), da qual tenho participado e garanto que muitas ações boas e estruturadas virão brevemente. E neste mês de julho, o governo instituirá a Câmara Nacional do Agro 4.0, uma ação conjunta do Ministério da Agricultura e MCTIC e, muito em breve, virão as Câmara Saúde 4.0 e Cidades 4.0. E, se considerarmos a recente assinatura do acordo histórico de livre comércio, fechado entre o Mercosul e a União Europeia, ouso dizer que não me recordo de termos, nos últimos anos, condições tão propícias para “fazermos acontecer” de forma tão consistente.

Por isso, tenho dito que vejo o decreto não como um fim, mas como a retomada do “jogo” para que o Brasil se posicione na vanguarda do ecossistema mundial de IoT. A tendência é que muitas inovações comecem a aparecer rapidamente no mercado B2B e B2C, com novas soluções para todas as verticais citadas e introduzindo mais tecnologias IoT no cotidiano dos consumidores.

Werter Padilha, Coordenador do Comitê de IoT da ABES

Boa empresa, mau investimento

Por Tiago Reis, da casa de análise financeira Suno Research

Recentemente, um de meus investidores favoritos, Mohnish Pabrai, palestrou na Califórnia para alunos da Guanghua School of Management, da Peking University, sobre sua filosofia de vida. Dentre vários ensinamentos que ele transmitiu, um me chamou a atenção: uma empresa excelente pode sim se mostrar um investimento ruim. Mas por quê?

Empresas excelentes geralmente apresentam vantagens competitivas, receitas e lucros crescentes e estáveis, margens elevadas e uma série de fatores que as colocam nesta posição. Com tantas qualidades, essas acabam por atrair grande atenção dos investidores. Com analistas constantemente “de olho”, frequentemente, elas são precificadas de acordo com sua qualidade e por consequência, negociadas com múltiplos elevadíssimos, muito superiores à média do mercado.

Há quem defenda que o preço não importa, mas grande parte dos que batem nessa tecla pouco sabem sobre investimentos. Na última reunião anual dos acionistas da Berkshire Hathaway, Buffett disse que “você sempre pode transformar um bom investimento em um mau negócio ao pagar caro demais”.

Para explicar esse ponto, Pabrai lança o exemplo da Coca-Cola, empresa mundialmente conhecida por sua excelência. Apesar de muito bem gerida, próximo ao ano 2000, ela chegou a ser negociada a mais de 40 vezes o lucro. Por mais que fosse uma companhia excelente, o preço não justificava o investimento. Caso você tivesse comprado as ações naquele ano e segurasse a posição até hoje, seus retornos anuais não superariam a marca de 3%. Caso tivesse comprado a ação em meados de 1998, em 2016, seu retorno seria nulo.

Isso não significa que a empresa não cresceu. Pelo contrário, a empresa mais do que dobrou suas receitas e quase triplicou seus lucros. Entretanto, como disse Pabrai, uma boa empresa, que constantemente melhora seus resultados, nem sempre é um bom investimento. E isso acontece quando o investidor paga caro demais.

Esse é o principal motivo porque reforço a necessidade de uma margem de segurança adequada para a realização de um investimento. Mesmo que você invista em uma companhia que não possua as características de uma companhia extraordinária, caso consiga pagar o preço correto, com grande desconto em relação ao valor intrínseco, este pode se mostrar um investimento extraordinário.

Não estou dizendo que empresas excelentes não podem ser boas apostas. Só reitero que investidor deve estar sempre atento ao preço inicial, pois, caso pague caro demais, como defende Warren Buffett, seu bom investimento se transformará em um mau negócio.

Oito dicas para proteger a privacidade de dados on-line

Por Marcel Mathias, Diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da BLOCKBIT

Quem acompanha o noticiário certamente já percebeu que os casos de vazamento de dados estão cada vez mais constantes e perigosos. São milhares de ataques todos os dias, provocando perdas de bilhões de dólares anualmente às economias de todo o planeta. Com isso, a proteção de dados tem se transformado em uma questão essencial para as organizações, com inúmeras soluções surgindo diariamente. Mas como nós, os usuários, podemos proteger nossa privacidade e evitar o roubo de fotos, vídeos e arquivos pessoais?

Essa é uma tarefa que requer atenção contínua. A boa notícia é tornar nossa rotina digital mais segura é possível com passos simples. Para mostrar como, selecionamos oito dicas para melhorar a segurança on-line de forma efetiva e prática. Confira:

1. Aplique as opções de autenticação de identidade com duplo fator de controle – A maior parte das aplicações e serviços, hoje, oferecem opções de autenticação e identificação com várias etapas e processos. Essa dupla verificação para o acesso às contas permite que o consumidor combine diferentes formas de checagem (com senha e padrão visual, por exemplo), o que pode elevar o nível de controle de acesso às informações.

2. Adote uma senha diferente para cada conta – Buscando mais praticidade, muitas pessoas acabam adotando a mesma senha para várias contas. Mas o que esses usuários não sabem é que esse pode ser um dos maiores perigos a se correr no ambiente on-line. Afinal de contas, se alguém roubar seu acesso a uma conta, todas as outras estarão vulneráveis a vazamentos e roubos. Para evitar esse risco e não deixar de lado a praticidade das senhas, uma dica é criar senhas únicas. Uma forma simples de fazer isso é adotar um bom gerenciador de senhas, capaz de criar sequências de senhas aleatórias, com dados baseados em padrões de segurança.

3. Sempre utilize uma VPN, principalmente em conexões públicas – Bastante populares nas empresas, as VPNs (Redes Privadas Virtuais) permitem o acesso seguro a dados armazenados em servidores, mesmo para quem está fora do escritório. Não são apenas as companhias, no entanto, que podem ganhar com essas soluções: as VPNs são uma das melhores maneiras de garantir a privacidade digital em nossos tempos, sobretudo quando utilizamos redes públicas ou compartilhamos acessos. É preciso destacar, contudo, que as soluções gratuitas não são recomendadas. Quando o assunto é segurança, o melhor é buscar serviços mais consolidados e com melhor custo-benefício.

4. Veja se o site é confiável – Ao acessar um site, verifique a procedência e o nível de segurança da conexão. Para isso, confira se a página foi assinada por uma autoridade conhecida e está com um certificado válido. O lado positivo dessa questão é que está cada vez mais fácil de encontrar essa informação: atualmente, os principais navegadores e soluções de segurança do mercado oferecem essa informação de forma automática, junto ao endereço digitado e com alta confiabilidade. Evite sempre endereços com falhas de segurança e certificados inválidos.

5. Cuidado com promoções (não existe nada grátis na Internet) – Você já ouviu falar que, quando a esmola é muita, o santo desconfia? É exatamente assim que você deve enxergar a Internet. Seja cético e desconfie de ofertas “gratuitas”. Pesquise sempre antes de fechar uma compra e cheque as condições. Além disso, algumas dicas interessantes para fugir de riscos são: sempre configure uma conta de e-mail específica para compras e assinaturas de ofertas gratuitas; invista em um antivírus de alta qualidade e o mantenha atualizado.

6. Confira se seus dados estão comprometidos – Assim como verificamos nossa conta bancária e faturas do cartão de crédito, é importante que você também analise regularmente se os seus dados foram comprometidos ou roubados por terceiros. Hoje, é possível encontrar vários sites capazes de verificar rapidamente se o seu e-mail, contas e senhas foram vazados ou sofreram algum tipo de invasão. Entre os mais utilizados atualmente estão Haveibeenpwned e BreachAlarm.

7. Seja cauteloso ao interagir com e-mails não solicitados – No mundo atual, o phishing é a principal ameaça para suas informações. Basta uma simples examinada em sua caixa de entrada, por exemplo, para encontrar inúmeras tentativas de fraude que podem ser fontes de ataques para o roubo de dados. Por isso, tenha sempre atenção aos contatos e e-mails – especialmente às mensagens que você não solicitou. Antes de acessar um link, cheque a procedência e a legitimidade da mensagem. Em caso de dúvidas, nunca clique.

8. Cubra ou desconecte a webcam e o microfone – Sabe a sensação de estar sendo vigiado? Se um hacker conseguir invadir seu computador, ele poderá acessar todos os seus dados e, também, sua webcam e seu microfone. Para evitar que algum hacker assista ou escute suas conversas, é importante desabilitar a câmera e a gravação de áudio quando não estiverem em uso. Se não puderem ser desconectados, cubra-os com fitas. Ainda assim, é essencial que os usuários controlem o acesso real das aplicações dentro do sistema. Hoje, soluções inteligentes podem ajudar a coibir o monitoramento indesejado, protegendo as informações contra roubos e espionagens.

Investir tempo e cuidados na proteção de seus dados é algo que apenas você pode fazer e que certamente evitará muitos problemas no futuro. Vivemos uma era de conectividade e disputa acirrada de empresas por dados de possíveis clientes e, nesse cenário, suas informações pessoais são ativos muito valiosos. O que você está esperando para proteger esse patrimônio?

Líderes de Recursos Humanos precisam redefinir estratégias e utilizar análise de dados

Por Patricia Molino

Apenas 40% dos líderes de Recursos Humanos têm um plano de trabalho de transformação digital implementado. Além disso, apesar de 70% reconhecerem a necessidade de uma transformação da força de trabalho, apenas 37% estão muito seguros sobre a capacidade de modificar a área de RH. Essas são algumas das conclusões da pesquisa “O futuro do RH” (The future of HR, em inglês), conduzida pela KPMG recentemente com 1.201 executivos líderes da área de 64 países, representando 31 setores da Ásia-Pacífico, Europa, América do Norte, Oriente Médio, África e América Latina.

A pesquisa revelou que os líderes de Recursos Humanos estão divididos sobre a necessidade urgente de redefinir a área. Enquanto parte destes líderes estão sabendo utilizar, de forma segura, os recursos que irão transformar a área e alavancar seu valor para a empresa, uma parcela significativa de executivos está assistindo passivamente ou aguardando que a área de tecnologia da informação mostre o caminho. Esta postura pode conflitar com a expectativa dos CEOs: as pesquisas da KPMG têm revelado que a maioria desses executivos preferem iniciar a disrupção em suas empresas e não esperarem que a mudança ocorra no mercado para depois reagir, pois acreditam que este processo é mais uma oportunidade que uma ameaça.

Com essas conclusões, a pesquisa revelou que os líderes de Recursos Humanos mais arrojados estão agindo de forma consistente e sem hesitação, apostando na transformação da área como fator determinante para o sucesso dos negócios. Um modelo mais moderno, ágil e focado na experiência dos empregados está alinhado com a aplicação de novas habilidades de gestão, inteligência artificial e robótica para integrar talentos humanos e estratégias digitais.

A cultura do local de trabalho mereceu destaque na pesquisa, sendo considerada uma barreira à transformação digital para 41% dos respondentes. Aproximadamente um em cada três respondentes (35%) disse que a cultura atual das organizações é mais orientada para tarefas em vez de ser inovadora ou experimental.

Outra conclusão importante é que as áreas de Recursos Humanos em processos de transformação digital avaliam que as deficiências de habilidades (51%) e a falta de recursos capacitados (43%) são as principais barreiras para alcançar mudanças mais profundas. 42% dos entrevistados concordam que preparar a força de trabalho para o futuro utilizando inteligência artificial é um dos maiores desafios a ser enfrentado nos próximos cinco anos. Mais de metade dos executivos (60%) acreditam que a inteligência artificial criará menos postos de trabalho do que serão eliminados e exigirá maior qualificação dos colaboradores.

A análise de dados é outra tendência que deve veio para ficar na gestão de Recursos Humanos e sua aplicação se amplia rapidamente. De contratações mais alinhadas a resultados concretos a análise preditiva, a análise de dados apoia decisões estratégicas com dados estruturados embasando decisões fundamentadas nas necessidades mais relevantes do negócio. Com a informação logicamente organizada, há mais segurança na tomada de decisões, redução de custos operacionais e proteção da atividade empresarial de ações amadoras, intuitivas, focadas em processos ou mal executadas.

Aproximadamente metade da amostra da pesquisa da KPMG é de empresas com número de funcionários com número igual ou superior a 5 mil e 42% dos respondentes são de organizações com receita anual superior a US$ 1 bilhão.

Patricia Molino, sócia-líder de People & Change e líder do Comitê de Inclusão e Diversidade da KPMG no Brasil.