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Indústria é decisiva para a recuperação do Brasil

Por Rafael Cervone, vice-presidente da Fiesp/Ciesp

A Covid-19 atingiu o Brasil quando estávamos começando a emergir de quase uma década de retração, agravando um quadro que já era difícil. O fato comprova não ser prudente postergar soluções para os problemas que travam o desenvolvimento, pois, além do baixo crescimento econômico e suas consequências sociais, o País fica muito fragilizado ante os incidentes e percalços do mundo, como a atual pandemia.

Em maior ou menor proporção, outros episódios da história recente nos abalaram muito, como o crash do subprime desencadeado nos Estados Unidos em 2007 e, à mesma época, o abismo fiscal escancarado em algumas nações da União Europeia, abalando o Euro. Sofremos por situações deflagradas no Hemisfério Norte, sobre as quais não tínhamos qualquer controle. A verdade é que a baixa competitividade nacional, o anacronismo do marco legal, insegurança jurídica, burocracia, impostos exagerados e fluxos desconexos de câmbio, juros e baixa disponibilidade de crédito são comorbidades agudas de nossa economia ante qualquer crise global.

É o que ocorre agora, em dimensões mais contundentes, em meio à pandemia. Por isso, teremos de realizar em plena crise o que negligenciamos por décadas, a começar pelas reformas estruturais, principalmente a tributária e administrativa, na sequência da trabalhista e previdenciária, já efetivadas. Também é uma prioridade resgatar a competitividade da indústria, pois seu fortalecimento é um dos fatores decisivos para a recuperação nacional e o ingresso num ciclo duradouro de crescimento do PIB acima de quatro por cento ao ano, mínimo necessário para se promover amplo fluxo de inclusão e ascender a um patamar mais elevado de renda per capita.

Os números são incontestáveis quanto ao significado da manufatura: apesar de representar 21,4% do PIB, o setor responde por mais da metade das exportações de bens, 69,2% do investimento empresarial em P&D, 33% da arrecadação de tributos federais e 31,2% da arrecadação previdenciária patronal; emprega 20,4% dos trabalhadores brasileiros e paga, na média, os melhores salários; é a atividade que mais recolhe impostos e promove a difusão de tecnologia e produtividade, segundo dados do IBGE.

Porém, a indústria nacional enfrenta grave perda de competitividade. Estudo do Movimento Brasil Competitivo (MBC) revelou que produzir no Brasil custa anualmente R$ 1,5 trilhão a mais, cerca de 22% de nosso PIB, do que na média dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Não é sem razão que, nos últimos seis anos, 36,6 mil fábricas, de distintos setores, tenham encerrado atividades no Brasil. Em 2020, foram 17 por dia. Precisamos reagir de imediato, num mundo onde o novo coronavírus está fazendo recrudescer o protecionismo e aumentando os riscos da dependência, como evidencia neste momento, por exemplo, a carência no Brasil de vacinas contra a Covid-19, um produto da indústria farmacêutica.

É premente uma política industrial eficaz. Para isso, todas as representações do ramo precisam unir forças e se mobilizar com foco na competitividade, melhoria do ambiente de negócios, desoneração da produção e redução do “Custo Brasil”. São Paulo tem papel relevante nesse processo, pois representa 29,8% do PIB manufatureiro nacional (fonte: CNI). As empresas do setor, somando forças no âmbito de suas entidades de classe, que precisam estar mais unidas e sinérgicas do que nunca, ganham musculatura e densidade para enfrentar esse desafio tão relevante para o País e o seu povo.

O impacto da pandemia nas tendências tecnológicas de 2021

Por Nedyr Pimenta Filho

A pandemia do novo Coronavírus afetou, de muitas maneiras, a maioria das empresas em diferentes setores da economia. No entanto, em meio a muitos desafios, o cenário também ofereceu inúmeras oportunidades. Desta forma, tudo indica que as mudanças promovidas pela pandemia devam moldar as principais tendências tecnológicas a serem incorporadas em 2021.

Estamos caminhando para uma era de XaaS (Everything as a Service), no qual as organizações vão desempenhar suas missões por meio de ambientes tecnológicos cada vez mais descentralizados e baseados em serviços sob demanda. O trabalho remoto com a colaboração virtual, por exemplo, deve continuar sendo um modelo desejado em muitos segmentos, mesmo após o fim desse período de incertezas decorrentes da pandemia.

Nesta mesma linha, é possível identificar tecnologias que devem se destacar como tendências para o ano de 2021, como internet de comportamentos (IoB ou Internet of Behaviors); interações cada vez mais móveis, virtuais e distribuídas; computação que melhora a privacidade, por meio de tecnologias que protegem os dados; distribuição de serviços de nuvem pública para diferentes locais físicos; operações de qualquer lugar, com experiências virtuais e físicas aprimoradas; processos de negócios e construções inteligentes e adaptáveis; engenharia de inteligência artificial e a hiperautomação.

De certa forma, o impacto dessas tendências não deve ser generalizado, uma vez que depende de um amplo conjunto de aspectos estruturais, operacionais, financeiros e culturais dentro de cada empresa. Os casos melhor sucedidos serão daquelas organizações que acolherem os benefícios da agilidade, flexibilidade e escalabilidade desses modelos como uma jornada e não apenas como um destino.

Como estas tendências tecnológicas contribuem para os negócios?

As iniciativas para melhorar as jornadas dos clientes estão intimamente relacionadas à adoção de novas tecnologias digitais. Uma gestão eficiente do Customer Experience (CX) promove não apenas a automação dos processos, mas também a redução dos custos de atendimento e melhoria na satisfação.

Mais do que nunca, a área de TI assume um papel estratégico na construção de futuros possíveis. Entretanto, a transformação digital é uma jornada de todos dentro da organização. Por isso, as funções da TI cada vez menos serão exercidas de forma isolada por uma única área ou departamento, o que reforça como as equipes multidisciplinares são imperativas para enfrentar a disrupção digital. Os projetos demandam diferentes conhecimentos, competências e experiências e, neste contexto, profissionais generalistas serão tão valorizados quanto os especialistas.

Quais áreas tendem a investir nessas tecnologias?

Todas as áreas devem seguir essa linha de implantação tecnológica. O mundo está se digitalizando, mas no setor de serviços, hoje, esse processo é uma obrigação. Os bancos tradicionais possuem legados e processos que foram consolidados ao longo dos últimos vinte anos. A mudança nessas instituições tradicionais não se concretizará facilmente, mas, no início deste ano, já temos grandes bancos , por exemplo, divulgando planos de redução de agências, símbolo maior de um modelo não digital. Operar 100% digitalmente ainda é um desafio, mas com adaptações na legislação, por exemplo, os bancos com portfólios mais abrangentes poderão atingir esse objetivo.

Com a adoção do Open Banking e a chegada dos Pagamentos Instantâneos – PIX, esse cenário de bancos 100% digitais, no qual os clientes cada vez mais resolvem tudo pelo celular, faz com que as instituições procurem investir menos em agências físicas e mais em ambientes, tecnologias e facilidades que valorizem a experiência dos usuários.

A importância de cibersegurança

De acordo com recente estudo da Forrester Research, as violações de dados provocadas por incidentes internos aumentaram de 25% para 33%, em 2020. O Brasil é um dos locais mais suscetíveis a ataques desta natureza e, hoje, já é o segundo maior país em perdas financeiras por ataques cibernéticos. Muitos ocorrem por ingenuidade dos usuários, levados a criar as oportunidades para os invasores, por isso, um plano de comunicação e conscientização é importantíssimo. Atrelado a isso, existe uma série de medidas tecnológicas para evitar os ataques. A mais comum é a adoção de antivírus. Além disso, adotar biometria facial para que os usuários acessem as aplicações e o ambiente corporativo também proporciona mais segurança.

A tendência é que as empresas adotem padrões mais rígidos de segurança, com adoção de transações criptografadas de ponta a ponta, firewalls, políticas de segurança e outros artefatos. Assim, se estabelecem várias proteções, padrões de serviços de privacidade e elementos de segurança na concepção do produto.

O fato é que a tecnologia impactou a maneira como interagimos e nos conectamos com o mundo e, no cenário corporativo, o avanço da transformação digital tem tido um papel fundamental na competitividade das empresas. Se com a pandemia, foi necessário que as empresas se reinventassem em 2020, agora, só sobreviverá aqueles que mantiverem os investimentos e seguirem apostando em inovação.

Nedyr Pimenta Filho, Diretor de Inovação da Provider IT

Para ajudar na inovação, por que não usar o desenvolvimento ágil de produtos?

Por Dale Tutt, vice-presidente do setor aeroespacial e de defesa da Siemens Digital Industries Software

Modelo cortesia da Bye Aerospace Inc.

Fizemos alguns avanços impressionantes tanto da perspectiva da sociedade quanto da indústria em meio a esta pandemia implacável. E, embora o setor aeroespacial e de defesa (A&D) tenha sido atingido de maneira excepcional, voltaremos ainda mais fortes, melhores e mais rápidos.

A boa notícia é que estamos vendo muitas inovações atualmente. A propulsão elétrica, por exemplo, está emergindo rapidamente como uma nova alternativa de fonte de energia. Não apenas porque é mais segura e fácil de manter, mas também porque é uma solução de energia verde, o que nos dá esperança de um planeta mais verde. Não importa se falamos de decolagem e pouso vertical elétrico (eVTOLs), táxis aéreos ou aeronaves comerciais, a propulsão elétrica logo estará presente nesses sistemas. E você viu que os aviões supersônicos ressurgiram? Word é um OEM que descobriu como lidar com o estrondo sônico. E as coisas que a SpaceX está fazendo para viagens espaciais? O espaço não é mais domínio exclusivo de grandes corporações e grandes governos. De repente, é a nova fronteira para empresas menores, mais inteligentes e mais ágeis.

Com toda essa inovação, cabe às empresas encontrar novas maneiras de reduzir os riscos e custos de programas e colocar seu produto no mercado com mais rapidez. Quando você pensa na abordagem tradicional em cascata usada há décadas, fica claro que esses ciclos de vida de desenvolvimento de produtos de dez ou quinze anos não se aplicam mais ao nosso ambiente atual. Um novo processo é necessário, que aproveite as tecnologias atuais e promessas para o futuro. Hoje, tudo deve ser feito certo já na primeira vez, em uma fração do tempo. Por exemplo, veja o segmento emergente eVTOL, existem literalmente centenas de startups competindo ferozmente no mesmo espaço; todas querem ser as primeiras!

Introdução do desenvolvimento ágil de produtos em sua organização

Como o nosso setor incorpora a inovação e a complexidade e, ao mesmo tempo, se mantém ágil? A resposta é a introdução do desenvolvimento ágil de produtos. No passado, “ágil” para muitos significava “apressado”, mas isso mudou. Hoje, o desenvolvimento ágil de produtos é uma abordagem moderna para o gerenciamento do ciclo de vida do produto (PLM), fornecendo um processo e programa extremamente bem planejados e executados, com uma série de vantagens para o projeto, teste e manufatura. Imagine o seguinte:

• E se as equipes pudessem construir e testar seus produtos antes de concluir o projeto completo e de fato começar a aprender algo sobre eles?

• E se a integração não fosse apenas gerenciar interfaces com os fornecedores, mas também gerenciar riscos técnicos para que as equipes pudessem gerenciar os cronogramas com mais eficiência?

• E se os silos atuais entre as equipes e os parceiros fossem eliminados para que todos pudessem de fato colaborar e acelerar a inovação?

O desenvolvimento ágil de software legado já existe há algum tempo, mas o setor precisa abordar o desenvolvimento ágil de produtos de uma maneira totalmente diferente. Isso envolve mais do que pessoas, ferramentas e processos; é como uma base central digital que une tudo isso. O verdadeiro desenvolvimento ágil de produtos tem como base um gêmeo digital abrangente para modelos de simulação, CAD 3D e manufatura aditiva, para citar apenas algumas possibilidades (Figura 1). A abordagem ágil é contínua e iterativa e integra teste, validação e verificação do produto e manufatura em todo o processo de desenvolvimento de produto. Com a ajuda do gêmeo digital, os usuários têm acesso a todos os tipos de software e recursos em cada fase do desenvolvimento de produto. A abordagem ágil consiste em dividir um programa em sprints (algo como “corridas”), e dentro de cada sprint, as equipes testam, verificam e validam até que os objetivos de cada sprint predeterminado sejam atendidos.

Figura 1: O desenvolvimento ágil de produtos usa as tecnologias abrangentes de gêmeo digital e thread digital da Siemens para adicionar virtualização, colaboração e automação a cada etapa do processo de desenvolvimento de produto. Modelo cortesia da Zipline International Inc.

Construção e incorporação de sprints

Um sprint divide um programa em partes menores gerenciáveis para que as equipes se concentrem em concluir um aspecto do programa antes de passar para o próximo. O primeiro sprint normalmente estabelece a base do programa e define o próximo sprint. Os sprints podem assumir várias formas, dependendo do produto. Para um novo avião, pode haver o sprint das asas, depois o sprint da cauda e depois o sprint da cabine. Com uma equipe pequena e ágil, é mais rápido dividir o projeto em partes gerenciáveis e focar em cada seção para acelerar a maturidade do projeto. Por exemplo, no caso de uma startup de eVTOL, uma das principais preocupações do sprint inicial provavelmente seria: “Vamos garantir que o avião consegue voar!”

Cada sprint consecutivo adiciona mais funcionalidades ou recursos e também pode introduzir um nível diferente ou um novo tipo de teste. A melhor coisa dos sprints é que as equipes podem se concentrar em metas de curto prazo que atendam às metas de longo prazo do programa. Voltando ao exemplo da empresa de eVTOL, em um sprint intermediário, a equipe provavelmente trabalha no projeto e aperfeiçoamento da integridade estrutural, aerodinâmica e propulsão. Enquanto avança por cada sprint, a equipe faz um projeto mais baseado em simulação. Em seguida, como a empresa eVTOL vai construir o que é testado no túnel de vento? Mas espere, e se depois de todos esses testes, um investidor de última hora pede à empresa que mude de um avião de dois para cinco assentos? É fácil fazer as mudanças necessárias porque a equipe pode voltar aos sprints anteriores. E depois, existem os desafios relacionados à certificação. As empresas enfrentam hoje maior complexidade na hora de obter a certificação de produtos, pois devem levar em conta todas as regulamentações federais, estaduais e locais que devem ser respeitadas. Um sprint com loops de feedback ativo que inclui tanto a verificação virtual do produto quanto a manufatura pode servir como uma ferramenta inestimável nesta fase – e lembre-se, fazer parte do thread digital significa que todos os tipos de dados estão disponíveis para a equipe responsável pela certificação, com rastreabilidade total para acelerar o processo.

Por fim, há a manufatura. Como uma empresa passa do protótipo à manufatura? O poder da transformação digital é percebido aqui na velocidade com a qual as equipes podem se mover na hora de aumentar a taxa de produção. Se elas estiverem construindo aviões, não se trata apenas de lançar o primeiro avião, mas de fabricar 10, 20 ou 50 por mês. Com as ferramentas virtuais e o gêmeo digital de produção, um sprint pode garantir às equipes a compreensão de seus processos de manufatura. Esse processo, também chamado de comissionamento virtual, é a capacidade de usar simulação para validar se a fábrica vai atender a todos os requisitos necessários.

Na minha experiência, é seguro dizer que um sprint elimina o risco do processo e permite que as empresas de A&D atinjam seus objetivos de uma forma muito mais flexível (Figura 2).

Figura 2: Ao incorporar o software Siemens NX em um sprint, as equipes podem otimizar e acelerar os processos de projeto, simulação e manufatura com o apoio total do gêmeo digital. Modelo cortesia da Bye Aerospace Inc.

A abordagem ágil permite incorporar várias disciplinas no processo, como eletrônica, mecânica, simulação e software

Eventualmente, um sprint pode ter elementos de projeto generativo, o que adiciona um novo nível de otimização de vários domínios. O thread de engenharia de sistemas baseada em modelo (MBSE) desempenha um papel importante aqui, pois é uma grande parte do projeto composto e do processo de manufatura. A MBSE também pode ter projetos de sistemas elétricos e mecânicos integrados no processo. Os sistemas elétricos são parte integrante de muitos programas de A&D hoje. A junção desses sistemas elétricos e mecânicos integrados por meio da MBSE pode ajudar a acelerar todo o processo de projeto e garantir a transferência mais rápida do sistema eletrônico para as equipes de conexões de fios e projeto do software.

A abordagem ágil está presente no seu futuro?

Uma das maiores vantagens do desenvolvimento ágil de produtos é que as empresas podem amadurecer seus produtos com mais rapidez, obtendo mais capacidades do produto. Já tivemos clientes que relataram isso. Eles usam ferramentas de projeto conectadas para simulação e testes virtuais que economizaram um tempo significativo do desenvolvimento de produto. Ao unir ferramentas de projeto, engenharia e manufatura em um gêmeo digital abrangente, eles estão acelerando e otimizando o processo geral de projeto, que muitas vezes também envolve reduções consideráveis de custos.

Com os sprints, as equipes tornam-se mais ágeis na execução e tomada de decisões. Além disso, mais pessoas estão capacitadas para tomar decisões melhores com base em informações melhores, pois compartilham o thread digital, que fornece rastreabilidade e conectividade.

Com isso, nossos clientes estão reduzindo o tempo de desenvolvimento de produto por meio do desenvolvimento ágil de produtos. Alguns já reduziram 50% do tempo de desenvolvimento e estão melhorando a qualidade do processo. Na verdade, alguns clientes estão melhorando 90% do rendimento inicial de seus processos de projeto e manufatura, pois têm menos retrabalho quando chegam à manufatura. E assim, com o projeto ágil de produto, você terá benefícios no mundo do projeto e, o mais importante, terá vantagens importantes também no mundo da manufatura.

No final das contas, embora o desenvolvimento ágil de produto ajude as equipes em todo o ciclo de vida do produto a ir mais rápido e com menos risco, o valor real por trás do desenvolvimento ágil de produto está no momento de construir, pois as equipes têm a capacidade e flexibilidade para desenvolver seus produtos.

Mulheres, ainda temos um longo caminho pela frente

Por Ana Paula Kagueyama, Head Global de Soluções para Clientes do PayPal

É claro que muita coisa mudou para melhor no decorrer dos últimos 50 anos quando pensamos nas oportunidades abertas no mercado de trabalho para nós, mulheres. E também é verdade que temos visto, em todos os veículos de comunicação (impressos, televisivos, radiofônicos, online etc.), mais e mais executivas de sucesso sendo perfiladas. É orgulho que chama, né? Sem dúvida. Mas, ao mesmo tempo, é preciso mantermos um pé na realidade que nos cerca.

Digo isto porque, estes dias, pensando na chegada de mais um mês de março – e do Dia Internacional da Mulher –, deparei com uma nova pesquisa sobre equidade de gênero no mercado de trabalho brasileiro. E os resultados não são animadores como gostaríamos. Realizado pelo LinkedIn, o estudo revela, entre outras coisas, que o principal obstáculo enfrentado pelas mulheres é o “condicionamento social” que faz com que elas se sintam menos merecedoras do que os homens, “criando uma lacuna de direitos que afeta diretamente suas vidas profissionais”.

Não é fácil lidar com isso, sabemos. Ainda há muito preconceito. Mas a porcentagem de brasileiras entrevistadas que acreditam ter menos direitos do que os homens no ambiente de trabalho é de inacreditáveis 82%. E atenção: quase metade (47%) dessas profissionais nunca pediu um aumento ou promoção fora da sua avaliação de desempenho anual, mesmo sentindo que sua performance é acima do esperado para o atual cargo. É a tal Síndrome da Impostora em modo full. 

Síndrome que, diga-se, nos assombra em qualquer momento de nossas vidas. Haja visto que a pesquisa, feita em parceria com a ONG inglesa The Female Lead, entrevistou mais de 2.000 profissionais entre 25 e 55 anos, durante o mês de fevereiro.

Diferentemente dos homens, que “aplicam” para cargos de maior responsabilidade mesmo sem estarem 100% prontos para a missão, as mulheres, a partir do momento em que sentem que merecem uma promoção, costumam esperar, em média, 1 ano e 3 meses para conversar com seus/suas superiores. A pergunta que fica é simples: por quê? No caso de mulheres negras, então, a questão se torna ainda mais séria. Cerca de 25% das entrevistadas admitiram esperar até 2 anos para tentar uma negociação.  

Mulheres na tecnologia: uma quebra de paradigmas para estar à frente da inovação em plena pandemia

Por Natália Cunha

Sabemos que o espaço da mulher no mercado de trabalho é algo que vem sendo conquistado há décadas. No ramo tecnológico, por exemplo, os desafios sempre foram maiores, já que pelo menos 20 anos atrás, a liderança feminina neste setor era ainda mais rara – e até considerada sorte – como um trevo de quatro folhas. E agora, duas décadas depois, comemoramos o Dia Internacional da Mulher enfatizando que ainda seguimos rompendo paradigmas.

Neste lado da história, pequenas conquistas devem ser comemoradas, como quando ocupei a cadeira de COO (Chief Operating Officer) de uma empresa que oferece serviços e soluções inovadoras para o mercado de seguros, em 2018. Eu escolhi ser líder e trabalhei pra isso. Percorri uma extensa trajetória até entrar para as estatísticas daquele ano no qual apenas 20% dos cargos no mercado brasileiro de TI eram ocupados por mulheres, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Tecnologia e Estatísticas).

Acredito que as transformações deste cenário são reflexos de passos curtos, porém importantes, e alguns fatores contribuem para isso. Primeiro, o posicionamento feminino e a igualdade no desempenho no trabalho. Foi no mercado de seguros onde atuei em boa parte da minha carreira profissional. Quando comecei a grande maioria eram homens, mas enfrentei todas as adversidades e conquistei meu espaço: uma mulher que é respeitada pela sua expertise. Ser mulher no ramo da tecnologia não é diferente. É preciso deixar bem claro que o meu foco é o processo e, por ser mulher, não preciso conhecer todo o universo de soluções e tecnologia. O automobilístico, por exemplo, foi só um dos temas com que trabalhei e que era de interesse e proximidade para a ala masculina. Mas temos que entender que garantir a qualidade de cada etapa no desenvolvimento dos produtos é o que vai trazer o resultado esperado e não a familiaridade com o assunto desde os primeiros passos.

Em segundo, está a competência de se sobressair aos desafios, como pensar em cada passo para garantir a segurança e bem-estar dos funcionários em meio a uma pandemia mundial. Coordenar o time de RH, responsável por estudar condições estruturais e liderar ações que permitiram a realocação de parte dos colaboradores para trabalhar em home office, apenas uma semana antes da quarentena, e garantir que o restante se adaptasse às mudanças de maneira gradual, é um exemplo disso.

Por fim, a conscientização das pautas de diversidade de gênero e inclusão na governança de grandes corporações. Esses programas são grandes propulsores para que os processos de seleção das empresas potencializam a presença feminina nas cadeiras de diretorias. Para mim, estar à frente da inovação, em todas as áreas, é implementar a cultura da diversidade e acreditar na capacidade dos colaboradores trabalhando e entregando importantes resultados à distância. E a Planetun leva isso muito a sério desde a sua criação. Hoje, 46% do quadro de colaboradores são mulheres, sendo 63% líderes exemplares.

Atualmente, alguns dados trazem sinais de mudanças em curso. A representatividade de mulheres em cargos seniores em tech na América Latina é de 16%, um número bem mais expressivo comparado ao resto do mundo, segundo pesquisa da consultoria KPMG em parceria com Harvey Nash. A mudança é bem-vinda, mas ainda há muito que avançar e entender que “lugar de mulher é onde ela quiser”.

Natália Cunha, sócia e COO do Grupo Planetun, insurtech que desenvolve soluções disruptivas para o mercado de seguros.

Dia da Mulher: troque a flor e o chocolate por inclusão e diversidade

Por Ana Alice Limongi, Diretora de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Neo

É notório o espaço que nós, mulheres, conquistamos no mundo corporativo, e cada vez mais a liderança feminina ganha destaque em pequenas, médias e grandes empresas. Mas, infelizmente, ainda não são todas as organizações que perceberam as vantagens da diversidade de gênero nos negócios.

Segundo a 16ª edição da pesquisa International Business Report – Women in Business, da Grant Thornton, em 2020 a proporção de mulheres em cargos de liderança foi a mesma do ano anterior. Como em 2019 o aumento foi de cinco pontos percentuais em relação a 2018, o resultado representa uma estagnação do progresso anterior. Contudo, em 2019, foi observada a maior proporção de mulheres em cargos de liderança já registrada no IBR, cerca de 29%. Em mais de 15 anos, a proporção de mulheres em cargos de liderança aumentou dez pontos percentuais e, positivamente, a proporção de empresas de médio porte com pelo menos uma mulher em cargo de liderança globalmente foi mantida em 87%, o que representa um aumento acumulado de quase 20% nos últimos cinco anos.

Apesar dos números positivos sinalizados pelo IBR, as empresas precisam saber onde estão antes de implementarem iniciativas de gênero apropriadas. E cabe às organizações criarem ambientes seguros para a promoção da diversidade. Construir um ambiente inclusivo é essencial para atrair e reter os melhores talentos, sobretudo os talentos femininos. Um componente essencial para a criação de uma cultura efetiva é fazer as mulheres sentirem que são capazes de expressar livremente diferentes opiniões, cometer erros sem censura, e que seus superiores estarão abertos a suas ideias. Um cenário no qual todos esses elementos existam no ambiente de trabalho é de segurança psicológica para todos os colaboradores – e colaboradoras.

Isso, particularmente, é o que acontece na Neo, empresa da qual me orgulho em fazer parte há 13 anos, e onde atuo como Diretora de Desenvolvimento Humano e Organizacional. A companhia sempre dá oportunidade para que mulheres exerçam cargos de liderança, desde a operação, até o board diretivo – tanto que, além de mim, mais duas colegas exercem posições de comando em diretorias estratégicas. Nossa participação com igualdade, reconhecimento, respeito e desenvolvimento profissional trouxe resultados concretos.

Essa evolução que leva as mulheres à liderança, em meu entendimento, é o que traz benefícios para os dois lados: para as mulheres, que ganham oportunidades profissionais justas, e para as empresas, que conseguem melhorar resultados, colocar em prática valores organizacionais, atrair e reter colaboradores.

Companhias que possuem liderança feminina observam melhorias na performance, maior motivação e engajamento das equipes, bem como relacionamentos interpessoais favoráveis, maior propensão ao trabalho em equipe, incremento da visão sistêmica e atenção mais apurada a detalhes que podem fazer a diferença.

Isso não significa, de forma alguma, que devemos retirar os homens dos postos de comando. Pelo contrário, já que homens e mulheres possuem habilidades e características distintas, porém complementares. Sendo assim, quanto mais equilibrado for um time, maior a chance da performance atingir patamares elevados.

Tenha em mente que os profissionais, independentemente do sexo, precisam ser avaliados e aperfeiçoados pelos resultados e empenho que apresentam. Rotular colaboradores, dar margem para a discriminação ou tomar decisões pautadas em comodismo são ações que não contribuirão para o amadurecimento do negócio. Sendo assim, deixo uma reflexão para este Dia Internacional da Mulher: quanto mais abrangente forem as políticas internas de desenvolvimento profissional, mais qualificada será o quadro de colaboradores. Colocar a competência, o potencial e a performance em primeiro lugar é o primeiro degrau da escada do sucesso. Por isso, troque a flor e o chocolate por inclusão e diversidade. Suas colaboradoras agradecem.

Representatividade feminina em empresas de tecnologia

Por Anna Karina, diretora de marketing da Linx

Ano após anos, vemos temáticas femininas importantes ganharem destaque no Dia Internacional da Mulher. Felizmente, o cenário está mudando, mas não sem dificuldades. Acompanhamos mudanças significativas sobre o conteúdo dos diálogos, que cada vez mais deixam de ser sobre celebrar uma única data e passam a discutir sobre a luta e a equidade de gênero.

Ainda há muito o que mudar para consolidarmos a igualdade nas empresas, principalmente no ramo de tecnologia, uma das áreas mais promissoras para o futuro. Segundo dados do IBGE, a remuneração das mulheres é, em média, 25% menor que a dos homens para as mesmas atividades. Mas já é possível acompanharmos movimentações importantes de companhias assumindo o compromisso de padronização salarial para que uma das principais raízes da diferença de gêneros no ambiente corporativo seja resolvida.

Na outra ponta, para as posições não relacionadas à liderança, iniciativas surgem para capacitar e estimular a contratação de mulheres no setor: projetos como PrograMaria, MariaLab, Laboratória e Reprograma mostram que lugar de mulher também é nas empresas de tecnologia, programando ou não.

A ideia é crescer ainda mais o índice de participação feminina ocupando cargos techs: um estudo da KPMG com a Harvey Nash mostrou que 16% das posições sêniores em tecnologia são ocupadas por mulheres na América Latina, acima da média global de 11% e muito adiante de países de primeiro mundo, como o Reino Unido (4%). São avanços, principalmente quando entendemos que estamos à frente de economias desenvolvidas.

Outro ponto importante é que times que fogem do estereótipo do homem branco, hetero, de classe média/alta, aumentam a confiança e a colaboração entre os profissionais e ampliam o leque de conhecimentos e o repertório da empresa para lidar com as transformações do mercado. Com o atual foco, de “colocar o cliente no centro do negócio”, a tendência é que essa eficiência seja ainda mais evidenciada. Afinal, a melhor forma de entender o cliente é com multiplicidade de visões, proporcionando pensamentos complementares e experiências de vida distintas.

Empatia, flexibilidade, colaboração e visão ampla serão, cada vez mais, fatores essenciais para o sucesso no mundo dos negócios. As empresas que conseguirem trazer esses fatores para dentro de suas estruturas (e de suas culturas) estarão em vantagem. Mas não há caminho possível para isso sem, antes, equilibrar a presença de mulheres nos times de tecnologia.

Onde o Sucesso da Transformação Digital Começa

Por Denis Kennelly, Gerente Geral, IBM Storage

O caos causado na economia e na sociedade por causa da pandemia gerou o aumento das transformações digitais e colocou um destaque sobre as capacidades avançadas que as tornam possíveis, ou seja, a nuvem híbrida e inteligência artificial (IA).

De acordo com o recente relatório da empresa de pesquisa Twilio, 97% dos tomadores de decisão das empresas disseram que a pandemia os conduziu a acelerar as transformações digitais. De forma similar, o IBM Institute for Business Value liberou um estudo de C-Suite que apontou que 62% dos executivos planejam acelerar seus esforços digitais nos próximos dois anos devido a pandemia.

Mas conforme as empresas embarcam em suas jornadas de nuvem híbrida e IA, muitas estão descobrindo que alguns dos desafios mais críticos que existem em torno da mobilidade de aplicativos, acesso a dados globais e resiliência de dados, são superados de forma mais eficiente por meio de armazenamento de dados “pronto para a nuvem” (cloud-ready), a camada fundamental de dados da nuvem híbrida.

Sistemas de armazenamento avançados e softwares que integram perfeitamente dentro de ambientes de nuvem híbrida desbloqueiam uma série de recursos, não menos importantes do que alimentar a IA. Nós criamos uma estrutura de três estágios que considero útil para a indústria, já que estamos com foco no desenvolvimento de aplicativos, dataops e serviços, além da resiliência de dados em crescimento.

• Desenvolvimento de Apps. O primeiro passo na jornada para a transformação digital é adotar o desenvolvimento e modernização de aplicativos nativos da nuvem. Usando contêiner, as organizações podem criar aplicativos portáveis e elasticamente escaláveis que são capazes de se mover rapidamente através de nuvens locais, públicas e privada de empresas complexas, bem como em edge. Aplicativos nativos da nuvem implementados na nuvem híbrida podem reagir as necessidades de negócios em tempo real (por exemplo escalar, se mover, etc.). Inovações em torno do armazenamento cloud-ready fornece alta performance no acesso aos dados, igualando demandas de aplicações independentemente de sua locação e escala.

Na perspectiva dos negócios, quanto melhor for o acesso a os dados transversalmente na empresa, mais precisos serão os resultados e previsões.

• DataOps e Serviços. Serviços inovativos de dataops e de dados podem dar às empresas capacidades cada vez mais críticas, como catalogação e marcação de dados para uma maior organização e eficiência. Eles também podem fornecer novos níveis de automação e autosserviço para desenvolvedores para melhorar drasticamente a produtividade e os insights. Por exemplo, nós fornecemos acesso a dados, descoberta e insights nativamente em todo o portfólio de armazenamento. Como resultado, não deve ser surpresa que mais negócios estejam mudando para armazenamentos híbridos cloud-ready para gerenciar e entregar melhor os dados através de seus ambientes de nuvem híbrida em expansão de forma eficiente e econômica.

• Resiliência de Dados. Resiliência, a habilidade de se recuperar rapidamente com pouco ou nenhum dano residual, assumiu um novo significado durante a pandemia. Embora crítico nos negócios, é de mesma importância proteger e prevenir disrupções de ocorrências em primeiro lugar. A habilidade de prevenir, proteger e se recuperar rapidamente de interrupções e disrupções inspira confiança na empresa e em seus resultados. Por exemplo, nossos engenheiros da IBM Storage encontraram uma forma de garantir que a qualidade sustentável dos dados seja atendida através de capacidades de detecção de ameaças avançadas e a recuperação rápida de dados em eventos de brecha. Isso é feito mantendo cópias protegidas de dados de clientes em tempo real que só podem ser acessadas por meio de uma autenticação dupla de IDs “separadas por tarefas”.

Essa estrutura de armazenamento centrada em contêiner cria uma camada de dados fundamentais para nuvem híbrida que está preparada para superar os desafios de hoje e abrir novos recursos e oportunidades para amanhã.

2021: Quando o Armazenamento de Dados Ocupa o Centro do Palco

Os desafios que as empresas enfrentam em 2021 – desde disrupções contínuas da pandemia, ao universo digital em constante expansão, até o fluxo constante de ameaças cibernéticas sofisticadas – são consideráveis.

A própria pandemia pode ter paralisado economias, mas os ventos técnicos permaneceram fortes, ajudando aos negócios a navegar por uma atuação e sucesso de longo prazo. Considere por um momento como a pandemia aumentou a necessidade de conscientização dos dados em todo o mundo e de seu acesso para apoiar colaborações maiores, entre outras funções e processos. Nesse novo mundo, onde a maioria ainda está trabalhando de casa, precisamos da habilidade para acessar e compartilhar dados de qualquer lugar.

A IBM está trabalhando com dezenas de clientes que estão adotando totalmente o modelo de nuvem híbrida centrada em contêiner para armazenamento de dados. Estamos vendo a estrutura que descrevi servindo como uma pegada para qualquer organização no meio, ou ainda considerando sua transformação digital. Uma jornada em que armazenamento de dados, acesso e gerenciamento são fundamentais para um resultado bem-sucedido.

Soluções Multi-tenant fomentam a transformação digital nos negócios

Por Waldir Bertolino, Country Manager da Infor no Brasil,

A transformação digital nas empresas foi acelerada devido à pandemia do novo coronavírus. Adaptar-se ao novo nunca foi uma tarefa fácil, ainda mais em um cenário de tantas incertezas e dificuldades econômicas. Para lidar com os desafios que surgiram com a Covid-19 e manter a própria sobrevivência, as companhias tiveram que reinventar os seus negócios. Inovações e tecnologias (nuvem, AI e outras) que já estavam no radar de perspectivas das organizações, mas figuravam entre prioridades futuras, passaram a ser mandatórias.

Em uma pesquisa recente conduzida pelo JPMorgan, 79% dos CIOs dizem que a pandemia os forçou a uma transformação digital mais rápida do que o planejado. Na verdade, alguns setores, como o comércio eletrônico, viram dois anos de crescimento comprimidos em apenas seis meses. Com isso, as organizações estão se voltando para a nuvem e a transformação digital está ajudando as empresas a inovarem suas estratégias de go-to-market. 

Esse levantamento comprova que o apetite do mercado por tecnologias em nuvem aumentou muito nesse período. Antes dessa crise sanitária, nossos negócios eram voltados para 30% na nuvem e 70% no local. Agora, esse percentual foi invertido sendo 70% na nuvem. Por isso, estamos cada vez mais focados em auxiliar as organizações líderes a fazer essa transição para a nuvem e a solução Multi-tenant Cloud faz parte dessa estratégia, já que é um modelo arquitetônico contido em cenários de cloud computing, onde se emprega uma estratégia de compartilhamento de recursos computacionais. A proposta deste modelo é ter um banco de dados central suportando múltiplos bancos de dados secundários. Vale ressaltar que na corrida pela jornada digital, essas arquiteturas oferecem vários benefícios e ajudam a minimizar os gastos e manter a acessibilidade de dados.

Um bom exemplo disso é a empresa Midwest Wheel, uma das maiores distribuidoras de peças de caminhão nos Estados Unidos, que utiliza o Infor CloudSuite Distribution e o Infor Birst analytics para gerenciar o estoque de seus seis depósitos, permitindo fluxos de trabalho complexos e maior capacidade de fazer negócios online. Com as soluções multi-tenant da Infor na nuvem, incluindo o Infor OS (Serviço Operacional), a empresa melhorou o atendimento ao cliente por ter estoque adequado, alcançando melhorias de até 15% na taxa de preenchimento. “Se as empresas não estiverem inovando em mais formas de aumentar a produtividade, elas ficarão ultrapassadas”, diz Steve McEnany, vice-presidente de marketing e tecnologia da Midwest Wheel. 

Diante desse contexto, o ano de 2020 trouxe muitos desafios, mas o impacto foi muito menor do que o esperado, pois por meio das soluções multi-tenant percebemos que muitas estratégias digitais que estavam no papel foram aceleradas e, dessa forma, conseguimos auxiliar os clientes na redução de custo, otimização operacional e recuperação em um cenário de pós-pandemia.

Vantagens para os negócios

Cada vez mais as organizações implementam  soluções modernas  para transformar esse período de ruptura em reinvenção e as soluções Multi-talent estão no topo da lista de prioridades. Confira as principais vantagens:

Reduz custos: os recursos computacionais são mais baratos em escala e, com a multi-tenant, é possível consolidá-los e alocá-los de maneira eficiente. Para um usuário individual, pagar pelo acesso a um serviço em nuvem ou uma aplicação de SaaS geralmente representa um custo-benefício melhor do que usar um software e hardware que atendam a apenas um locatário.

Flexibilidade: se você investir tudo em seu próprio hardware e software, chegará ao ponto em que ambos atingirão a capacidade máxima em momentos de grande demanda ou ficarão ociosos quando a demanda estiver muito baixa. Por outro lado, em uma nuvem multi-tenant, é possível alocar recursos para os usuários que precisam deles, conforme essa necessidade aumenta ou diminui. Sendo cliente de um provedor de nuvem pública, você pode ter acesso a uma capacidade extra quando precisar e não pagar por ela quando não houver necessidade.

Aumenta a eficiência: com a abordagem de multi-tenant, há menos necessidade de que usuários individuais gerenciem a infraestrutura e cuidem de atualizações e manutenções. Todos os locatários contam com um provedor de nuvem central, em vez de depender das próprias equipes para lidar com essas tarefas rotineiras.

Anunciando as atualizações do Dynamics 365 no Microsoft Ignite 2021

Por Muhammad Alam, Vice-Presidente Corporativo, Dynamics 365

2020 foi um alerta para todas as empresas. À medida que todos avançamos, nossa visão é ajudar a capacitar as empresas com tecnologia digital para desbloquear o potencial de serem resilientes e sustentáveis durante a próxima década e além. 

Durante o Microsoft Ignite 2021, anunciamos alguns dos novos recursos de inovação que ajudarão as empresas a se adaptarem e evoluírem, incluindo: 

  • A versão preliminar pública de abril (para a América do Norte e EMEA) dos recursos de orquestração de jornada em tempo real orientados pelo cliente no Dynamics 365 Marketing, mais insights de dados de todo o ecossistema no Dynamics 365 Customer Insights e recursos de pesquisa em tempo real no Dynamics 365 Customer Voice, para ajudar as organizações a impulsionarem interações personalizadas com os clientes. 
  • A pré-visualização pública de abril do Microsoft Dynamics 365 IntelligentOrder Management, um novo aplicativo que permite que as organizações gerenciem e orquestrem pedidos de forma inteligente através de muitos canais de pedidos diferentes e opções de atendimento ou micro atendimento, com regras e políticas facilmente configuráveis e poderosa automação e otimização em escala. 
  • Uma integração poderosa e perfeita entre o Microsoft Teams e o Dynamics 365 que inclui experiência de colaboração integrada do Teams no Dynamics 365 SalesField Service e Customer Service; ferramentas de venda digital aprimoradas no Dynamics 365 Sales; e a capacidade dos profissionais de marketing configurarem, promoverem e relatarem em eventos hospedados no Microsoft Teams diretamente do Dynamics 365 Marketing

Certifique-se de assistir à sessão do Ignite – Elevando a experiência do cliente do início ao fim com  o Dynamics 365 – para um aprofundamento nesses novos recursos. Além disso, não deixe de acompanhar as novidades e o que vem a seguir para Microsoft Power Platform e assista à sessão em destaque no Ignite para saber como as soluções do Power Platform de low-code podem trabalhar em conjunto com o Dynamics 365 para impulsionar a inovação e a excelência do cliente em toda a organização. 

Impulsionar interações personalizadas por toda a jornada do cliente 

O mundo de todos os nossos clientes mudou significativamente. O marketing precisa expandir de campanhas baseadas em segmentos para o marketing baseado em momentos, de mensagens de megafone para personalizar uma jornada do cliente holística para cada indivíduo. As atualizações do Dynamics 365 Marketing, Customer Insights e Customer Voice ajudam as empresas a atingir esse objetivo. 

Estamos anunciando recursos de orquestração de jornada do cliente em tempo real no Dynamics 365 Marketing,programado para lançamento da versão preliminar pública como parte das atualizações da Onda 1 de abril de 2021 na EMEA e América do Norte. Qualquer equipe que impulsione as experiências do cliente pode engajar os clientes em tempo real com base em interações entre marketing, vendas, comércio e serviço para conquistar clientes e ganhar fidelidade mais rapidamente. A solução permite que as equipes personalizem experiências com IA em todos os pontos de contato digitais e físicos e criem confiança do cliente com uma plataforma unificada e adaptável. 

No Ignite, anunciamos atualizações para o Dynamics 365 Customer Insights que fornecem insights ainda maiores a partir de dados em todo o ecossistema e ativação direta em novos destinos, incluindo Microsoft Advertising e serviços de terceiros. A integração profunda com o Microsoft Azure Synapse Analytics capacita que as organizações criem modelos de IA personalizados e melhorem a relevância com segmentação e direcionamento avançados. 

O feedback direto é fundamental para o crescimento, seja coletando feedback dos funcionários para melhorar a cultura da empresa ou rastreando continuamente a percepção dos clientes sobre seus serviços e produtos. No Ignite, também anunciamos recursos de pesquisa em tempo real no Dynamics 365 Customer Voice, permitindo que as organizações sejam ágeis em sua coleta e análise de feedback direto do cliente. Além disso, no Dynamics 365 Marketing, as pessoas agora podem usar as jornadas dos clientes para criar campanhas automatizadas com fluxos de trabalho acionados por respostas a pesquisas. Por exemplo, se um cliente estiver descontente com um recurso ou serviço específico do produto, a resposta pode notificar um gerente de conta para acompanhamento ou enviar um cupom por e-mail. 

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha incansavelmente em mais de 190 países/regiões para salvar vidas, defender os direitos e ajudar a realizar o potencial de milhões de crianças, desde a primeira infância até a adolescência. Doadores privados e voluntários que contribuem com seus recursos, esforço e influência para apoiar a UNICEF são essenciais para o sucesso da missão. As contribuições são recolhidas por comitês locais da UNICEF em 35 países, como o UNICEF Holanda. Com o Microsoft Dynamics 365 Customer Insights e a orquestração da jornada do cliente no Dynamics 365 Marketing, o UNICEF Holanda pode envolver melhor os doadores e criar fidelidade vitalícia, entregando mensagens personalizadas e significativas em tempo real nos pontos de contato certos no momento certo. 

Juntos, esses aplicativos conectados ajudam as empresas a elevar as experiências dos clientes em todos os pontos de contato na jornada de um cliente e construir relacionamentos mais profundos com o cliente, com engajamento mais significativo por ambos os canais digitais e físicos. 

Leia a nossa história de recursos de aprofundamento para saber como começar a conduzir interações personalizadas ao longo da jornada do cliente. 

Construindo resiliência da cadeia de suprimentos, liderando através da mudança 

Consumidores e clientes esperam uma experiência perfeita de compra omnicanal e pós-compra com várias opções de entrega rápida. 

 As empresas precisam gerenciar de forma centralizada todo o ciclo de vida de um pedido, desde a admissão até a execução do pedido, para que respondam rapidamente a restrições e interrupções e ainda cumpram a promessa do pedido. 

No Ignite, anunciamos o Microsoft Dynamics 365 Intelligent Order Management, um novo aplicativo que permite que as empresas orquestrem a execução do pedido de forma inteligente e automatizem-no com um sistema baseado em regras amigável e facilmente configurável usando dados de inventário omnicanal em tempo real, IA e aprendizado de máquina. Eles podem medir a eficácia do atendimento do pedido e modelar a jornada de atendimento do pedido usando ferramentas de designer fáceis de usar. Já se foram os dias de regras estáticas codificadas em sistemas. 

Organizações, incluindo o fabricante de eletrodomésticos de cozinha Breville, usarão o Dynamics 365 Intelligent Order Management, que permite a captura e a execução de pedidos omnicanal. O aplicativo ajuda as organizações a escalar facilmente para suportar um novo cenário de negócios em constante mudança de admissão de pedidos, sua execução e parceiros de entrega com conectores pré-construídos – e facilmente se estender a novos modelos de negócios. As empresas podem começar a funcionar rapidamente, uma vez que se integram perfeitamente com qualquer pedido ou canal de atendimento: canais de encomenda digitais (tais como comércio eletrônico ou marketplaces ou aplicativos), canais de encomenda tradicionais (tais como EDI) e várias opções de atendimento e micro-atendimento. 

O Dynamics 365 Intelligent Order Management estará disponível em versão prévia em 30 de abril de 2021 e estará disponível no geral em 30 de julho de 2021. Assista à sessão Orquestração de atendimento inteligente para entrega otimizada no Microsoft Ignite e leia nossa história de recursos de aprofundamento para saber mais. 

Colaboração unificada para aprimorar a experiência do cliente com o Microsoft Teams + Dynamics 365 

Não é por acaso que as empresas com uma cultura construída em torno do trabalho em equipe e colaboração também são muitas vezes incrivelmente ágeis, inovadoras e em sintonia com os clientes. Diversas vezes, identificamos esse traço em organizações que usam o Dynamics 365 e o Microsoft Teams juntos para acessar, compartilhar e colaborar em informações. 

Em uma sessão em destaque no Ignite, bem como em uma história de recursos de aprofundamento neste blog, estamos destacando novas capacidades para colaborar e se conectar de forma mais perfeita às prioridades dos negócios. 

Uma experiência mais conectada e envolvente entre o Microsoft Teams e o Dynamics 365 torna simples o reunir,  conversar, ligar e colaborar diretamente do espaço de trabalho do seu Dynamics 365. Da mesma forma, ao trabalhar no Teams, você pode acessar e compartilhar processos de negócios, registros e informações do Dynamics 365 sem problemas – portanto, tudo o que você precisa para se manter focado e produtivo está no contexto da tarefa em questão. 

Além disso, as atualizações para aplicativos específicos do Dynamics 365 aprimoram as experiências de colaboração adaptadas à maneira como as pessoas de todos os departamentos e equipes trabalham juntos e envolvem os clientes. 

Impulsione a venda digital e o engajamento 

As equipes de vendas estão mudando rapidamente para a venda digital, onde os vendedores orientam e colaboram com os clientes remotamente. Uma nova experiência integrada do Teams ajuda os vendedores a aproveitarem o bate-papo do Teams diretamente no Dynamics 365 Sales para colaboração em tempo real com a equipe de vendas. Os vendedores podem ver chats, canais e pessoas relacionadas a um registro de cliente, iniciar uma conversa sem sair do Dynamics 365 e ver ações sugeridas para ajudar a fechar negócios. Também estamos apresentando uma experiência de discagem integrada do Teams para o Dynamics 365, bem como uma experiência de reunião extensível do Teams – vídeo ou áudio – que se conecta perfeitamente ao Dynamics 365 Sales. O Conversation Intelligence no Dynamics 365 Sales transcreve automaticamente chamadas e analisa conteúdo, sentimento e estilo comportamental. Nesta versão, apresentaremos a capacidade de gerar chamadas no Teams diretamente dos fluxos de trabalho dos vendedores, dentro de seu CRM, com KPIs da conversa e insights de negócios avançados que surgiram com base nessas chamadas. Essas experiências colaborativas ajudam a melhorar a forma como os vendedores se conectam com outros vendedores, clientes potenciais e clientes já estabelecidos. 

Hoje, as equipes de vendas podem acompanhar os movimentos de carreira dos contatos usando o LinkedIn Sales Navigator e podem conectar os registros de vendas ao Teams sem sair do Dynamics 365 Sales. Agora há uma nova maneira dos vendedores obterem mais valor do LinkedIn. O LinkedIn Sales Insights para o Dynamics 365 Sales permite automaticamente a importação dos dados mais recentes do perfil da empresa – como personas, número de funcionários e URL da empresa – do LinkedIn Sales Insights para uma conta correspondente no Dynamics 365, para ajudar a manter seus dados atualizados. Essa combinação ajuda as equipes de operações de vendas a reunir dados de clientes em escala, com profundidade e precisão dos registros de compradores do LinkedIn para estrategicamente engajar, desenvolver conexões e transformar relacionamentos em receita. 

Transforme os participantes do evento em clientes fiéis 

Com o Teams e o Microsoft Dynamics 365 Marketing, planejar eventos online e cultivar os seus participantes é rápido e fácil. Estamos anunciando hoje que os clientes podem configurar, promover e relatar eventos hospedados no Microsoft Teams a partir do Dynamics 365 Marketing. Em algumas etapas simples, eles podem exportar dados de participantes e visualizar segmentos de clientes criados no Dynamics 365 Marketing com base na presença de público. As jornadas dos clientes, incluindo e-mails iniciais, também são criadas automaticamente para cultivar os participantes. Os usuários podem então personalizar ainda mais o conteúdo e as experiências para os participantes baseados em como eles se envolvem e orquestram jornadas personalizadas do cliente 

Também foi anunciado que os clientes comerciais do Microsoft 365 E3 e E5 em breve receberão 6 meses de Dynamics 365 Marketing sem custo adicional. Teremos mais detalhes para compartilhar sobre esta oferta em breve e estamos entusiasmados para ver vocês colherem os benefícios destas soluções juntos. 

Resolva problemas de atendimento ao cliente de forma mais rápida e colaborativa 

À medida que as organizações aproveitam recursos como Power Virtual Agents para permitir que os clientes tenham um auto atendimento mais rápido, os problemas que chegam aos agentes são mais complexos. Novos recursos de roteamento e atribuição inteligentes aproveitam a classificação baseada em regras e aprendizado de máquina para garantir que os itens de trabalho recebidos sejam encaminhados para o agente ou fila mais adequada. No entanto, às vezes, os agentes do atendimento ao cliente precisam de conhecimento mais específico de toda a organização. Com os recursos do Teams incorporados ao Dynamics 365 Customer Service, eles podem facilmente encontrar e colaborar com o especialista no assunto certo e disponível diretamente do fluxo de seu trabalho para resolver rapidamente os problemas do cliente. Enquanto trabalham em um caso, os agentes podem acessar membros da fila e supervisores, ou descobrir agentes que resolveram casos semelhantes ou especialistas no assunto com habilidades relevantes. Os chats iniciados pelo atendimento ao cliente são visualmente diferenciados de outros chats do Teams para uma detecção mais rápida. Além disso, os agentes podem vincular chats relevantes aos registros subjacentes para que o contexto nunca seja perdido. Esses recursos, juntamente com a nova experiência de administração, simplificam a instalação e a configuração do sistema, permitindo que a organização comece a funcionar rapidamente. Estamos entusiasmados com a forma como esses recursos capacitarão os agentes a oferecer experiências mais oportunas e empáticas ao cliente. 

Melhore a colaboração por todo o serviço de campo 

O Dynamics 365 Field Service, o Dynamics 365 Remote Assist e o Microsoft Teams permitem que os técnicos de campo permaneçam conectados a ordens de serviço, informações e especialistas em tempo real. Por exemplo, o Dynamics 365 Remote Assist e o Teams permitem que os cirurgiões em hospitais dentro do Mount Sinai Health System, em Nova York, aconselhem seus homólogos a 7.000 milhas de distância em Kyabirwa Surgical Centre, no leste de Uganda. 

Estamos anunciando hoje novos recursos de engajamento do cliente para o Dynamics 365 Field Service (geralmente disponível em 1º de abril) que permitem que os clientes finais encontrem seu técnico e avaliem sua visita. Paralelamente, também estamos habilitando a versão prévia do agendamento de autoatendimento em 1º de abril, que estará disponível no geral mais para o final do ano. 

Os clientes podem agendar no seu próprio tempo diretamente a partir dos seus dispositivos, proporcionando uma experiência mais personalizada, reduzindo erros de agendamento e reagendando eventos. Isso pode ajudar a reduzir os custos de back-office da sua organização, reduzindo o volume de chamadas agendadas, liberando recursos para se concentrar em outras tarefas. 

Lembretes automáticos de visitas de serviço garantirão que os clientes estejam prontos e disponíveis quando o técnico chegar, eliminando viagens desperdiçadas devido à indisponibilidade do cliente. O rastreamento de localização em tempo real, enquanto o técnico está em rota, ajuda seus clientes a planejar melhor o dia em torno de uma visita de serviço. Após uma visita de serviço, os clientes podem enviar feedback direto, ajudando a impulsionar melhorias dentro da força de trabalho de técnicos de serviço de campo. 

Além disso, introduziremos experiências de integração simplificadas, como adicionar novas contas de usuários e trabalhadores. Isso melhorará consideravelmente a capacidade dos administradores de fornecer um menor time-to-value para suas organizações de serviços. 

Conecte experiências por toda a organização 

Saiba mais sobre os recursos de colaboração e engajamento rumo ao Dynamics 365, inclusive como estamos permitindo que as equipes de varejo demonstrem as melhores práticas, destaquem tarefas urgentes e construam uma comunidade mais forte entre as lojas; bem como os profissionais de RH podem permitir que os funcionários visualizem saldos de tempo e enviem solicitações de licença do trabalho pelo Microsoft Teams. 

Continuaremos nosso investimento em inovação para transformar de como costumava ser o trabalho, em como queremos que ele seja: Mais eficiente, mais colaborativo, mais perspicaz – e, em última análise, mais produtivo. O Microsoft Cloud foi criado desde o início para permitir exatamente isso, e estamos ansiosos para ver o que você fará com ele. 

A importância da representatividade feminina no universo corporativo

Por Claudia Gimenez

A frente de uma companhia que emprega mais de 10 mil colaboradores no País e diante de um cenário em constante mudança, no qual o apelo por mais vozes femininas em locais de destaque se faz cada vez mais presente, acredito na extrema importância de falarmos sobre representatividade. Ainda hoje, por exemplo, sou a única mulher na alta liderança entre as 10 maiores empresas do setor de customer experience brasileiro.

A representatividade é definida no dicionário como a qualidade de alguém ou de alguma entidade, cujo embasamento na população faz que ele possa exprimir-se verdadeiramente em seu nome. Em outras palavras, uma pessoa representativa é a voz e a imagem de um setor ou grupo social.

No universo corporativo, a falta de representatividade fez, ao longo dos anos, com que grupos minoritários ou com menos voz, como é o caso das mulheres, não se sentissem pertencentes a determinadas posições. Criou-se um estereótipo de que o sexo feminino só poderia assumir funções pré-estabelecidas pela cultura masculina, como a tradicional “cuidar da casa e dos filhos”.

No entanto, a partir do século XIX, as mulheres finalmente começaram a ingressar no mercado de trabalho, no qual hoje são maioria. Segundo dados do censo demográfico do IBGE, em 1950 apenas 13,6% das mulheres eram ativas profissionalmente, porém, 60 anos depois, esse número mais do que triplicou, passando para 49,9%.

A partir dessa mudança, o cenário nas corporações também começou a se transformar e deu força à luta pela igualdade entre os gêneros, que, hoje, é uma forte bandeira em diversas sociedades. Contudo, mesmo diante dessa evolução vejo que a representatividade ainda é um assunto evitado por alguns e não reconhecido por outros. Por isso, passar a desconstruir culturas patriarcais enraizadas em uma sociedade que ainda perpetua pensamentos antiquados se faz tão necessário.

Nós precisamos ter exemplos de inspiração para termos força e sabermos que não estamos nesta luta sozinhas. Você já parou para pensar em quais mulheres admira, não só em posições de liderança, mas também na vida? Minha mãe foi uma mulher batalhadora e me ensinou a sempre ter confiança em mim mesma. Esta crença me fez acreditar que eu, em uma sala repleta de homens, não poderia ser intimidada, que nós estávamos ali cumprindo o mesmo papel: o de liderar negócios com excelência.

Ter alguém que nos represente e empresas que acreditam e lutam ao nosso lado por esta causa é extremamente importante, e não só porque isso é lucrativo, mas porque é necessário para evoluirmos como pessoas e como sociedade. É papel das corporações e de seus líderes contribuir para um mundo mais igualitário que aproveite o melhor das habilidades femininas e masculinas em novos modelos de negócio. A técnica é sim relevante, mas o olhar diferente é que faz com que criemos cada vez mais soluções inovadoras.

Uma liderança engajada em construir um novo cenário dissemina com muito mais força a necessidade de mudança cultural, além de ser um espelho para as novas gerações. Este ainda pode ser um caminho longo e tortuoso, mas, para o futuro, espero ser uma entre as muitas outras mulheres que chegaram ao topo.

Claudia Gimenez, vice-presidente e gerente geral da Concentrix Brasil, multinacional de soluções de customer experience.

Os 50 são os novos 25? Quando o assunto é diversidade, o ageísmo potencializa o desafio às lideranças

Por Marcelo Trevisani

A diversidade tem cada vez mais se tornado um conceito presente na vida de todos. O respeito às pessoas, independentemente de raças, etnias, crenças, orientações sexuais, idades, gêneros, regiões e culturas é fundamental tanto na vida pessoal quanto profissional.  Nas empresas, tem colaborado para torná-las mais responsáveis, além de equilibrar a representatividade de grupos minorizados. Por isso, é notável como crescer o número de empresas com políticas e estratégias que primam por esse quesito.

As ações variadas, com certeza, estabelecem um equilíbrio de equipes, departamentos, metas, para que uma companhia funcione regularmente. Porém, é impossível não deixar de ressaltar um ponto importante nesse cenário: existe um certo tabu quando se trata de profissionais acima dos 50 anos de idade.

É nítido ver players no mercado, seja do tamanho que for, tendo opiniões declaradas de que um jovem na faixa dos 25-30 anos é muito mais capacitado e atualizado do que um adulto de 50-60 anos, principalmente em termos de tecnologia. Por isso, eu te convido a fazer uma simples reflexão: se um médico tem muitos anos de experiência significa que ele deve ser muito bom em sua área de atendimento. Então, por que não pensar isso também de um profissional, principalmente aqueles acima de 50 anos de idade, independentemente da área de atuação?

Um exemplo é Charles Flint, fundador da IBM que criou o grupo de tecnologia aos 61 anos. Foi somente depois de participar da formação de diversos conglomerados americanos, que o empresário formou a holding Computing-Tabulating-Recording Company em 1911, que daria origem à IBM nos anos seguintes. Flint permaneceu no conselho de administração da empresa até 1930, quando se aposentou, aos 80 anos.

E essa realidade não mudou. De acordo com a pesquisa Idade e Empreendedorismo de Alto Crescimento do professor do MIT Sloan, Pierre Azoulay, e do estudante de doutorado Daniel Kim, a idade média dos empreendedores que iniciaram empresas e contrataram pelo menos um funcionário, nos EUA, é de 42 anos.

Posso dar aqui vários outros breves exemplos, como de Henri Nestlé que inventou a farinha láctea aos 52 anos, ou Joseph A. Campbell das Sopas Campbell’s que abriu a primeira fábrica também aos 52 anos e Harland Sanders do KFC, que vendeu a primeira franquia aos 62 anos.

Mas, quando falamos em diversidade e, neste caso, referindo-se a estes profissionais mais “experientes”, existe um termo que descreve bem essa perspectiva: o ageísmo, que de acordo com o dicionário de português online, significa “aversão, visão negativa e preconceito direcionado a pessoas mais velhas”. Ou seja, tal expressão explica exatamente essa visão, ocasionada pelo século XXI, de que os mais jovens são sempre os mais “capacitados”.

Discordo dessa visão de forma generalizada. Ser um líder leva tempo. Pessoas seniores fazem toda a diferença, ajudando a criar uma nova visão sobre longevidade nos tempos atuais. E vejam só, de acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro, atualmente, gira em torno de 76,3 anos. Porém, segundo pesquisa do mesmo órgão, existe uma projeção de que em 2043, um quarto da população brasileira deverá ter mais de 60 anos, enquanto a proporção de jovens até 14 anos será de apenas 16,3%.

Segundo um artigo da BBC, o número de desaposentados nos Estados Unidos duplicou de 1985 até hoje e cerca de 40% dos trabalhadores aposentados em algum momento decidem retornar ao trabalho e procurar novos postos.  Então, é mais do que hora mudar a visão e combater o ageísmo, pois a realidade brasileira mostra que, nos últimos anos, muitos daqueles que já têm direito a se aposentar preferem continuar trabalhando.  E embora muitas empresas já estejam combatendo o ageísmo diante de um caminho tortuoso, são os líderes que estão começando a agir para mudar esse ciclo vicioso e mostrar que a experiência e habilidades são aliadas. 

É preciso incentivar os mais experientes a compartilharem seus conhecimentos, pois com toda certeza, têm muito a contribuir. É vital incentivar o diálogo entre gerações. Incentivar a troca de conhecimento entre departamentos e oferecer, inclusive, cursos e treinamentos para que todos os colaboradores estejam com seus conhecimentos equilibrados e não se sintam menos capacitados que os mais jovens.

Um filme que retrata muito bem o valor dos profissionais mais experientes se chama Um Senhor Estagiário, que conta a história de Ben Whittaker (Robert De Niro), um senhor de 70 anos que, ao perceber sua vida se tornar mais triste e pacata após sua aposentadoria e morte de sua esposa se candidata a uma vaga de um programa de estágio para idosos. Ao ser aprovado, passa a trabalhar num e-commerce e o desenrolar mostra como a relação entre jovens e maduros pode ser promissora e trazer reconhecimento e crescimento para ambos os lados.

Se toda essa perspectiva que foi retratada em um filme, considerado sucesso de bilheteria, teve um grande reconhecimento e tal prática já tem sido aplicada em algumas empresas espalhadas pelo nosso mercado de trabalho, por que não refletirmos ainda mais sobre isso e aplicarmos em nosso dia a dia?

As áreas de comunicação e marketing, mais propriamente dita, podem ser cruéis sobre o ageísmo, mas como já disse em outros artigos, ser líder, na atualidade, é influência. Afinal, para gerar conexão com as pessoas, é preciso ser autêntico, inteiro, verdadeiro e, assim, aprender a integrar gerações e suas diversidades. Por isso, a experiência e o conhecimento são peças-chaves que não devem ser descartadas. Quando falo de conhecimento, vejam bem, não estou falando apenas de bagagem acadêmica; aprendi isso tarde, mas aprendi. Ser líder hoje dá muito mais trabalho.

Portanto, acredito piamente na união da prática da liderança com a diversidade, para encontrar um caminho de muito sucesso e excelência profissional que agregue pessoas. Se uma empresa não promove a inclusão, estará naturalmente promovendo a exclusão e consequentemente apoiando a segregação. Portanto, as empresas precisam estar preparadas para receber e manter colaboradores de nível sênior em seus quadros com ações que gerem o equilíbrio entre todos.

Marcelo Trevisani – com mais de 18 anos de experiência como profissional nas áreas de Digital Marketing, Transformação Digital, Inovação, Chief Marketing Officer, é considerado um dos nomes mais relevantes da área.