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Cuidados na relação startup-mentor (e vice-versa)

Por João Gabriel Chebante

O ano é 1977. Steve Jobs e Steve Wozniack estavam numa garagem do que hoje chamamos Vale do Sílcio numa noite de discursos sobre tecnologia aonde todos os presentes mostravam suas idéias e projetos para desenvolver o computador pessoa.

Depois da sua vez (e, segundo a lenda) uma aparição apática de Woz, Jobs sai do recinto e encontra uma pessoa que ficou previamente interessada no seu projeto. Mike Markulla era um profissional de longa data do mercado de tecnologia naquela região, se interessou pelos perfis dos fundadores da empresa e foi seu primeiro mentor.

Tempos depois, realizou o primeiro cheque (como investidor-anjo) e trouxe consigo o icônico fundo Sequoia momentos depois para rodadas seguintes. E foi conselheiro por toda a primeira etapa de Jobs na Apple, antes de ser demitido por John Sculley.

Para uma startup, a presença de um mentor pode ser um forte diferencial entre a vida e a morte do projeto, por tudo que uma pessoa mais experiente pode trazer: conhecimento do mercado de atuação, contatos, canal de atuação, conselhos técnicos, de gestão e de liderança. Não à toa boas startups logo constroem um conselho, com regras básicas de governança, a partir dos seus primeiros investidores ou mentores.

Mas cuidado: a startup deve estruturar estrategicamente sua rede de mentores. Quais as competências que faltam ou que precisamos buscar? Alguma pessoa experiente no nosso segmento pode agregar abrindo portas e reflexões? Como pretendo compor um grupo de pessoas que traga os pontos citados acima e catapultar o projeto somado a capacidade de execução da equipe?

A não reflexão sobre este prisma traz conseqüências diversas: pessoas que não conhecem o mercado e “palpiltam” sobre temas fora das suas competências, o que pode minar a gestão de expectativa da equipe sobre o projeto como um todo.

Acreditem: tem muito projeto bom, com equipe consistente, que desiste do projeto a partir de uma soma de feedbacks negativos vindos de gente que não são explorados dentro das suas devidas competências. E isso pode acontecer em qualquer momento: dos primeiros clientes a investidores-anjo, fundos e aceleradores.

No entanto nunca se demandou tanta a atividade de mentoria quanto nos últimos meses: se há insegurança quanto o cenário de macro e microambiente de mercado para as maiores empresas do mundo, que possuem liquidez e todos os recursos possíveis, imagina para negócios enxutos que nasceram para confrontar um momento de incerteza?

Fala-se muito das startups a partir de agora também terem um olho sobre o caixa e sua geração a partir de novos projetos e rodadas de investimento, mas também teremos como fator crítico a construção de uma consistente cultura organizacional (o branding será fundamental para sobreviver a ambientes de forte instabilidade), bem como as práticas de governança formatarão a rede de contatos estratégicos para pavimentar uma história de crescimento mais lento, porém consistente.

Geralmente o caos traz a criação de uma nova ordem. Ainda que tenhamos um mundo líquido, com taxas de juros reais negativas em boa parte do mundo (até no Brasil) e um apetite maior ao risco – o que deve gerar um forte crescimento mundial em 2021 – os fundamentos que constroem uma startups de sucesso são outros a partir de agora.

A começar de quem será a rede que vai te auxiliar a explorar este novo normal d oportunidades.

João Gabriel Chebante, fundador da Sucellos, responsável por levar inteligência aos processos de investimento, fusão e aquisição de empresas

Guia de sobrevivência para trabalhadores remotos

Por Glenn Le Santo, da Orange Business Services

O trabalho remoto é um assunto que divide opiniões. Para alguns, é altamente produtivo, libertador e ideal para alcançar um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Para outros, o fato de trabalhar da sala de casa ou da cozinha traz incerteza e preocupação com os aspectos práticos e sociais. Enquanto uma pessoa torna-se mais produtiva, a outra pode cair em procrastinação.

Todos somos diferentes. Se você é novo no teletrabalho, deve receber muitos conselhos sobre o que funciona melhor. Desde o tipo de teclado a ser usado até qual máquina de café que você precisará na sua casa.

Trabalhar remotamente não é o mesmo que “não trabalhar”. Você tem a mesma carga de trabalho e as mesmas pessoas continuam dependendo de você. E você continua sendo avaliado sobre os resultados do seu desempenho. O trabalho remoto significa apenas que é mais provável que você precise fazer alguma tarefa doméstica quando estiver escrevendo uma apresentação.

Para algumas pessoas, isso é fácil. Eles apenas abaixam a cabeça e continuam em qualquer lugar, até mesmo em uma mesa de padaria. Para outros, a falta de um escritório real é uma desvantagem. Esses profissionais precisam de uma estratégia e hábitos que os façam sentir que estão trabalhando, para que possam se manter focados.

Se de repente você se encontra trabalhando remotamente, como pode ter certeza de que está dando conta de tudo? A seguir, trago algumas dicas técnicas e de bem-estar para se manter feliz e produtivo trabalhando de casa.

Madrugador vs. Coruja

Se você conversar com uma dúzia de pessoas acostumadas a trabalhar remotamente sobre suas rotinas, provavelmente apenas uma dirá que trabalha todos os dias estritamente no horário comercial. Ou seja, a maioria dos funcionários remotos buscam uma flexibilidade extra em suas rotinas de trabalho, de acordo com seus estilos de vida e personalidades.

Alguns desfrutam de um início mais cedo, sentam-se em suas mesas ao nascer do sol e trabalham duas ou talvez três horas antes do café da manhã. Outros podem chegar em suas mesas mais tarde, mas continuarão a trabalhar quando a noite cair. Essa é uma das grandes vantagens do teletrabalho. Sua programação profissional pode corresponder melhor não apenas ao seu estilo de vida, mas também ao seu relógio biológico, permitindo que você trabalhe quando se sentir melhor.

Mantenha-se organizado, mantenha-se disciplinado

Não importa que tipo de pessoa você seja – madrugador ou noturno – as rotinas são importantes. Mantenha um cronograma, trabalhe em listas de tarefas e mantenha-se organizado. Não permita que amigos e familiares pensem que trabalhar em casa significa não trabalhar. Essa pode ser uma das partes mais desafiadoras do teletrabalho – explicar às pessoas ao seu redor que, enquanto estiver em casa, não estará disponível para conversar e tomar um café.

A procrastinação não é um problema apenas para trabalhadores remotos. Mas não há como negar que trabalhar em casa pode oferecer muitas oportunidades para a “estratégia” de evitar o trabalho. Sempre há uma geladeira que precisa de limpeza profunda ou a busca online sem fim de uma lâmpada de mesa perfeita.

Uma boa estratégia para lidar com a procrastinação é uma lista de tarefas, principalmente se for cronometrada. Seja claro sobre o que você precisa fazer e quando. Seja realista e não exagere no otimismo para evitar o estresse causado por não corresponder às expectativas.

Evite distrações desconectando-se das redes sociais e desativando as notificações no seu telefone. Mantenha a TV desligada, sintonize o rádio ou um aplicativo de música. Mas não se esqueça de desativá-los para videochamadas.

Você está sentado confortavelmente?

Se o trabalho remoto significa que você trabalha regularmente em sua própria casa, é uma boa ideia configurar uma estação de trabalho permanente – se o espaço permitir. Por exemplo, é improvável que você tenha uma sala que possa dedicar exclusivamente ao trabalho. Se o espaço é um privilégio para você, tente pelo menos estabelecer-se onde não há distrações.

Qualquer que seja a opção de assento escolhida, vale a pena prestar atenção à sua postura. Ajuste a tela para a altura correta e use uma boa cadeira de escritório com suporte lombar adequado e uma boa faixa de ajuste.

Lembre-se de conexões pessoais

A conexão à rede é uma parte intrínseca do seu trabalho, mas a conexão com as pessoas também é vital. Os trabalhadores remotos devem colaborar com suas equipes para garantir que o trabalho seja realizado, mas também para manter viva a conexão humana.

Hoje, existem vários aplicativos de colaboração que nos ajudam a trabalhar juntos, como bate-papo na web, videoconferência e compartilhamento de documentos. Existem até soluções que reúnem essas ferramentas e aplicativos para fornecer conectividade contínua e uma experiência colaborativa dentro das equipes. No entanto, mesmo com essas sofisticadas ferramentas de colaboração, atender o telefone para uma chamada de voz ainda tem um grande valor. Às vezes, um problema que não pode ser resolvido com um grande número de e-mails é resolvido em alguns minutos em uma ligação telefônica de pessoa para pessoa.

Descanse

É fácil ser sedentário ao trabalhar em casa, já que você pode ficar sentado em um lugar por horas. Por isso, pausas regulares precisam fazer parte da sua rotina. Faça uma caminhada pela casa e alongamentos tanto quanto possível.

Manter o foco na tela por longos períodos sem descanso ou deslocamento pode causar fadiga ocular e até dores de cabeça. É uma boa prática alterar regularmente seu foco, olhando além da tela. Talvez olhar pela janela durante o dia não seja um mau hábito.

Sua rotina diária também deve incluir um tempo de desconexão. Estabeleça a sua, desligando as ferramentas sempre que possível, para evitar a perda de controle da linha entre o tempo profissional e o privado. Caso contrário, você ainda poderá responder e-mails e trabalhar até tarde da noite.

Relaxe e aproveite seu trabalho

Independentemente do tipo de trabalhador remoto que você seja, é importante encontrar o que melhor lhe convier e permitir que você entre na rotina de trabalho fora do escritório.

O ambiente em que você trabalha, a tecnologia que utiliza, as pessoas com quem interage, as horas que mantém – todas elas impactam sua produtividade e bem-estar. Se você obtiver todos os elementos certos, poderá relaxar e aproveitar sua experiência de trabalho remoto.

À espera do 5G: o momento de investir em infraestrutura é agora

Por Cristiano dos Anjos

Já vemos no horizonte a chegada do 5G e a transformação digital que ele traz na bagagem. Muito em breve, mudaremos completamente nossa maneira de agir, de interagir, de trabalhar.

O 5G potencializará nossas vidas – velocidade, produtividade, eficiência, otimização. A digitização estará presente em tudo, no âmbito pessoal e profissional.

A internet das coisas deverá se aflorar em diversos setores da economia. Residências e prédios atingirão outro nível de inteligência. Distribuidoras elétricas, empresas de saneamento, data centers – os processos e os negócios não serão mais os mesmos. Empresas e fornecedores ficarão 100% conectados.

Veremos a nova revolução industrial 4.0, manufatura avançada e smart sendo utilizadas e potencializadas ao máximo

Mas a pergunta que fica é: estamos preparados para essa tecnologia? Temos condições de desfrutar todas as vantagens que ela poderá nos proporcionar?

Infraestrutura. Essa é a palavra-chave. Para que as “coisas” de fato se conectem à internet, investir em infraestrutura é condição sine qua non. E isso precisa ser feito agora.

As organizações devem apostar nas tecnologias digitais – nas suas telecomunicações, na sua logística, nas suas operações, no seu dia a dia.

Sem drama, mas também sem rodeios: quem não conectar suas infraestruturas já (já!), não terá como se ligar à cadeia de fornecimento global quando o 5G chegar. Ou seja, para esses, game over.

O que fazer para chegar lá

Você sabe o que a transformação digital pode fazer por uma companhia? Em última instância, será possível extrair e analisar dados, e decisões serão tomadas sem a interferência humana.

Em linhas gerais, isso significa: sugestões de melhorias em eficiência operacional, reduções de custos e consumos energéticos, até informações para manutenção preventiva e preditiva, tornando o ambiente realmente inteligente e completamente inserido na IoT.

Antes dessa fase, entretanto, é preciso investir no que chamamos de edge control: softwares para supervisão e controle dos produtos conectados.

E, assim, fazendo o caminho regressivo, chegamos ao primeiro passo dessa jornada obrigatória: tornar os produtos (ou as coisas) conectáveis. Ou seja, transformar o analógico em digital. Infraestrutura, meu caro. Infraestrutura.

Como o 5G impulsiona a transformação digital

Fato é que o 5G permitirá conectar “coisas” em níveis nunca antes possíveis.

Pensemos na indústria. Uma fábrica possui vários maquinários e precisa pagar um contrato de manutenção com uma empresa. Como está tudo conectado, é possível saber quais são os equipamentos que precisam de manutenção preventiva ou preditiva. Usando algoritmos de inteligência artificial, dá para evitar a quebra do ativo, realizando a troca de um componente antes da falha. E se falhar, o distribuidor pode adequar o estoque que está lá na ponta e colocar a equipe do parceiro para atender ao cliente de maneira muito mais rápida e mais efetiva em termos de custos.

Se olharmos para o chão de fábrica, teremos uma gestão muito mais eficiente. A gestão de energia da planta poderá ser realizada em tempo real, sem mais a necessidade de uma reunião para saber quantos quilowatts foram gastos. Esse dado já estará disponível, e os administradores poderão se comunicar com todos os setores da empresa de forma on-line para, juntos, tomarem as melhores decisões de negócios na mesma hora.

Só que nada disso será possível se não houver um preparo prévio. Nada disso será possível se não houver investimento na base.

O capital necessário

O que os executivos precisam fazer hoje é: adquirir equipamentos possíveis de conexão. Temos que pensar em infraestrutura conectável – não precisa estar conectada, mas, sim, deve ser conectável.

E ser conectável não significará trocar o ativo. Em muitos casos, já existem soluções que possibilitam tornar um equipamento inteligente. Isso vale para residências, prédios, hospitais, indústrias…

Moral da história: melhor investir em infraestrutura agora, antes que seja tarde demais. Até porque, se você não fizer isso, seu concorrente o fará.

Cristiano dos Anjos, Vice-Presidente para América do Sul da Schneider Electric.

Bancos: pensar e atuar Digital First para não ser ignorado pelo cliente

Por Maristela Martins, Country Manager Brasil da Backbase

A nova geração de consumidores já não quer mais ter a obrigação de ter de comprar uma casa para morar ou para veraneio, ou um carro, como aconteceu com as gerações de nossos pais. Serviços de aplicativos de motorista e de hospedagem estão conquistando a preferências das novas gerações e muitos de nós já nos tornamos adeptos desta nova modalidades de acesso a serviços, por demanda. Muitos outros serviços por demanda estão em alta: vídeo, filmes, música e é cada vez maior o número de usuários que acederem ao novo formato.

Os aplicativos de motoristas e de hospedagem líderes são ótimos exemplos dessa mudança, e estas empresas criaram seus negócios baseados em uma plataforma tecnológica de alto impacto, de fácil utilização e com elevada experiência do usuário, conectando todas as partes interessadas em um único ambiente de contato. Essa já é a realidade em muitos setores da economia e agora estamos vendo o mesmo movimento no setor bancário.

No cenário criado pela pandemia COVID-19 muitos outros serviços se apresentaram na modalidade online para garantir o distanciamento social, como as plataformas de telemedicina e ensino, entre outras. Os serviços de entrega de produtos (principalmente comida) que já eram fortes, quase que triplicaram sua clientela.

Temos vários bons exemplos de bancos digitais no Brasil, mas gostaria de comentar dois exemplos dos quais eu posso citar nominalmente, como é o caso do alemão N26 The Mobile Bank e do britânico Revolut -que inclui a oferta de cartão de pré-pago, câmbio, troca de criptomoedas Bitcoin – e que estão revolucionando a maneira como os bancos podem ser, com seus modelos de negócios atuando como distribuidores e agregadores para permitir aos clientes paguem somente pelo que usam, nem mais, nem menos. Nada de tarifa fixa mandatória.

Para os bancos que desejam prosperar e se adaptar rapidamente ao novo mundo, o único caminho a seguir é alinhar sua estratégia, modelo de negócios e arquitetura de TI com a mentalidade Digital First e incorporar novas tecnologias e ambientes (nuvem, IA, Machine Learning etc.) com rapidez e flexibilidade (metodologia ágil) e novos modelos de negócios (combinando valor + identificação de oportunidades de monetização). Isso poderá resultar em um aumento contínuo nas vendas digitais, maior engajamento, retenção e fidelidade, o que significa ir além do simples acompanhamento das demandas em constante mudança.

A era digital é agora e os bancos têm a necessidade de avançarem rumo à sua transformação digital, não apenas em seus processo, mas principalmente como entregam serviços aos cliente. O Digital First não é algo especulativo, um termo da moda. O banco, que fez uma revolução ao se tornar 24 horas, agora precisa ir além, e se ajustar à nova forma de consumo de produtos bancários, saindo do contexto onde um produto serve para todos, para um novo modelo de ofertas hiper-personalizadas, disponíveis quando o cliente quer e através do canal que ele escolher e vivenciar uma jornada simples, fácil, rápida e altamente conectada com o cliente.

Entendendo a mente do cliente bancário digital

Ao analisar a movimentação do mercado digital, é correto afirmar que os clientes terão suas necessidades de serviços financeiros atendidos por meio de uma nova geração de plataformas cada vez mais aderentes às suas expectativas e as empresas que não responderem rapidamente a qualquer mudança brusca do desejo do cliente ficará pelo caminho. Pode parecer assustador, mas isso é altamente desafiador.

As plataformas caminham para atuar como hubs de serviços bancários digitais, assim como N26 e Revolut, que construíram um ecossistema de parcerias estratégicas com fintechs que tinham negócios complementares aos seus. Os bancos que atuam apenas no fornecimento dos seus produtos e serviços sem atualizar o seu modelo de negócios podem ficar para trás e aqueles com visão de futuro e que realmente desejam se posicionar como o hub digital para seus clientes devem, então, alinhar a plataforma tecnológica, estratégia e modelo de negócio para entregar jornadas mais encantadoras. Entender o seu cliente e entregar o que ele precisa, na hora que ele precisa e da maneira que ele quer é o grande desafio.

Atender à cultura digital

Os principais componentes de um hub digital devem atender à cultura Digital First, onde as experiências são tão impactantes como as oferecidas pela Apple, envolventes quanto as do Instagram, convenientes quanto Uber ou até tão maravilhoso como o 1-Click da Amazon. A transformação de modelos de negócios, cultura, ritmo e tecnologia fazem parte do processo de transformação focada nos anseios e experiência do cliente. O banco que desejar deixar de ser analógico ou semi digital tem que levam isso em consideração.

Ao pensar no Digital First, devemos levamos em conta o Hub Digital, que é uma porta de entrada para a vida financeira de um cliente. Assim como plataformas revolucionárias, tais como Siri, Alexa ou Google Assistant, o banco digital tem que pensar em como a sua plataforma pode ser interativa, ao mesmo tempo que ajuda a vida do seu cliente. A verdadeira Inteligência Artificial, combinada com Machine Learning e Experiência do Usuário devem estar no centro das atenções para que as necessidades do cliente sejam antecipadas e atendidas. Não espere que o cliente procure, entregue antes e o cliente verá o valor dos seus serviços.

Pensar um passo à frente. Antecipe-se

Ao pensar no Digital First, desafios se apresentam e devem ser encarados de frente e levar em consideração em quem será o provedor desse de hub digital financeiro para os clientes da nova geração. Em termos de infraestrutura em nuvem, temos girantes como AWS, Google, Microsoft. Este cenário deixa os bancos em condições de atuarem potencialmente um ou mais de três papéis diferentes:

1. Como provedor de Hub Digital;
2. Como provedor de infraestrutura, Platform-as-a-Service;
3. Como fornecedor de produtos / serviços para outros Hubs Digital, Banking-as-a-Service, fornecendo acesso à API’s Premium.

Os bancos com visão de futuro deverão ter o hub digital como o centro da sua estratégia e desenvolver um conjunto de APIs para ajudar a facilitar a vida financeira do cliente. Atuar na vanguarda digital é, então, pensar e ser digital tendo o cliente em primeiro lugar em seu radar.

Pensar digital para não ser ignorado pelo cliente

Muitas empresas do amplo espectro da inovação tendem a achar que elas estão, de fato, intimamente conectadas com os anseios do cliente. No entanto, esta pode não ser uma realidade; aliás este é o verdadeiro desafio a ser superado por muitas empresas.
O banco que deseja ser o preferido do cliente tem que pensar como o seu cliente pensa. Se apresentar como um Hub Digital financeiro completo e integrado, pode ser muito desafiador, mas esta é a nova demanda e nova forma de consumir produtos e serviços, inclusive os financeiros. Para o cliente, não basta ser digital. Tem que pensar e agir como tal.

Os 3 estágios para reabertura do comércio

Por Reinaldo Monma, consultor de varejo da Logicalis Brasil

Não é novidade que a pandemia exigiu grandes mudanças, não só por parte das corporações, mas de toda a sociedade. Agora, o que está ganhando cada vez mais força nas discussões é: como será o retorno do comércio quando tudo isso passar? E como retomar as atividades depois de tantas adaptações? Os temas ainda não têm uma resposta certa, mas já é possível desenhar alguns cenários com o que está sendo feito em alguns lugares pelo mundo.

Os Estados Unidos, por exemplo, vêm se preparando para reabertura do varejo físico. Ainda que as regulamentações não sejam exatamente as mesmas, boa parte dos protocolos e práticas recomendadas, recentemente publicadas pela NRF (National Federation Retail), podem ser aplicadas no Brasil, ou pelo menos adaptadas, ajudando os varejistas brasileiros a se prepararem para este momento. Considerando o protocolo da NRF, o plano para reabertura está estruturado em três estágios:

1 – Quarentena

Já bem conhecido por todos, neste primeiro estágio o isolamento social é necessário, e, por isso, foi determinada a interrupção dos serviços considerados não essenciais, o que impactou, em maior ou menor escala, no varejo físico. Com isso, soluções de e-commerce e delivery são, em muitos casos, as únicas formas de manter a continuidade das vendas e o vital fluxo de caixa, ainda que em níveis inferiores.

Mas, mesmo os serviços essenciais, como o varejo alimentar, que pôde manter o funcionamento de suas lojas físicas respeitando algumas regras, tem testemunhado um expressivo aumento de demanda nas vendas online, decorrente da preferência dos consumidores por opções mais seguras durante o período de quarentena.

Além do delivery, as compras online com opções de retirada na loja também ganharam adeptos, pois este modelo reduz o tempo do consumidor no estabelecimento, podendo, inclusive, ser combinado com o uso de lockers, com senhas transmitidas diretamente para o celular do cliente, reduzindo substancialmente o contato entre as pessoas. E, para capturar todas as oportunidades de venda, bem como otimizar a gestão do estoque e operação de entregas, o conceito ‘omnicanalidade’ deve ser pauta obrigatória no processo de retomada.

2 – Reabertura das lojas físicas

Na reabertura das lojas, o principal desafio será coordenar a distância segura entre as pessoas, controlar o índice de ocupação dos estabelecimentos e aplicar rigorosas práticas de higiene, sanitização e autoexame orientado por sintomas básicos. Para isso, será fundamental uma comunicação massiva nos estabelecimentos, por meio de quadros e sinalizações, disseminando as melhores práticas e incentivando a adoção delas pelos consumidores. Além disso, a definição de horários específicos para grupos de risco, quando possível, tem sido altamente recomendada.

Para apoiar no controle do índice de ocupação e na distância entre as pessoas, algumas tecnologias podem ser aplicadas, como por exemplo câmeras inteligentes com vídeo analytics, especialmente nas áreas de checkout. Essas soluções podem ainda ser usadas para melhorar o atendimento.

Ainda, visando reduzir as filas de pagamento e a concentração de pessoas, tecnologias como ‘self-checkout’, em que o cliente paga sua própria compra, são bastante convenientes. Pagamentos sem contato físico também devem estar na lista de adoção dos varejistas e Pin Pads modernos, com pagamento por NFC (near field communication), devem ser bem vistos pelos clientes. Para completar as ações do segundo estágio, um cuidado adicional, e não trivial, deve ser colocado em prática: sanitização de todas as trocas e devoluções.

3 – O novo normal

Finalmente, no último estágio, quando os riscos de contaminação fizerem parte do passado, espera-se poder remover todos os protocolos operacionais relativos ao Covid-19, com exceção das práticas de sanitização e autoexame. Quando atingirmos o “novo normal”, as transformações digitais ocorridas em todos os estágios devem se manter e devem continuar sendo utilizadas para conquistar mais clientes, conhecê-los melhor e atendê-los de forma mais segura, prática e conveniente.

O Covid-19 intensificou a necessidade de digitalização de todos os setores, mas não espere o “novo normal” chegar para iniciar esse processo. O ideal é que o varejo físico aproveite esse momento, em que as lojas estão fechadas, para acelerar sua transformação digital de forma a atender cada vez mais as necessidades dos clientes, pois depois de todo esse período, a experiência física, mais do que nunca, precisa ser igual ou melhor do que a digital.

Como fomentar a cultura da inovação todos os dias

Por Gustavo Almeida

No dia 21 de abril celebramos o Dia Mundial da Criatividade e Inovação, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data nos recorda como é importante para as empresas estimular uma cultura de inovação que envolva a todos. Essa necessidade é ainda maior em um ambiente de incertezas como o que estamos vivendo.

Nesse cenário, é crucial capacitar nossos colaboradores e promover o espírito empreendedor. É o caso da Alstom. Embora ainda produza material rodante, a companhia evoluiu e se tornou uma promotora de mobilidade inteligente. Nossas soluções de mobilidade digital seguem as tendências mundiais. Buscam fluidez e eficiência para atender passageiros e operadores. E isso se deve, e muito, às inovações de nossos funcionários.

Desde 2018, as unidades da América Latina visam encontrar e promover ideias que possam ser replicadas em toda a região. Essa iniciativa vem de um programa que surgiu para dar mais visibilidade às sugestões dos colaboradores.

As etapas desse programa são a captação de projetos, a avaliação por uma comissão julgadora, um evento de apresentação e a divulgação das melhores propostas, que serão implementadas. Os critérios de avaliação são seis: o impacto da ideia, sua capacidade inovadora, o retorno esperado do investimento, a viabilidade da implementação, a multidisciplinaridade na equipe e o custo. Na 2ª temporada foram submetidos e avaliados 92 projetos. Os vendedores dos projetos mais criativos ganham prêmios de 1.500 euros e as equipes têm oportunidades de desenvolvimento de carreira.

A abertura à inovação permitiu à Alstom desenvolver soluções inovadoras em sinalização e em multimodalidade. A Alstom Digital Mobility apresentou inovações como a Optimet, solução de ocupação de trens em tempo real, projetada pela Metrolab, que ajuda a redistribuir os passageiros pela plataforma graças a um auxílio visual intuitivo e universal. Testes mostram que o sistema influencia 30% de passageiros em espera e reduz em 10% seu tempo de permanência nas plataformas.

Outra solução é o Iconis, sistema de segurança e controle que monitora a segurança das redes de transporte e, em caso de problema, permite a reação imediata tanto no solo quanto nos sistemas de informações aos passageiros. Com mais de 150 trens sem condutor gerenciados simultaneamente, a solução é oferecida há mais de 10 anos em 10 países, e proporciona até 20% de economia de energia. Há também o Aptis, ônibus elétrico revolucionário que transporta até 95 passageiros e possui autonomia de 200 quilômetros, oferecendo transporte limpo, suave e econômico. A inovação já foi testada em 2019, na América Latina, em Santiago, no Chile.

Em termos globais há o programa “I Nove You”, realizado todos os anos e projetado para liberar o poder inovador de todas as pessoas da Alstom. O “I Nove You” deu origem a várias soluções inovadoras. Entre elas estão o Coradia iLint, o primeiro trem de hidrogênio do mundo, o StationOne, plataforma on-line de peças de reposição, bem como o conjunto de manutenção digital HealthHub e o sistema de freios regenerativos Hesop, que permite que até 99% da energia gerada na frenagem seja usada para abastecer as redes inteligentes de energia. Na 12ª edição do “I Nove You”, em dezembro passado, na França, foram enviados 620 projetos de 23 países, envolvendo mais de 2.000 participantes. Entre os finalistas, funcionários da América Latina, de países como Brasil e México.

Essa abordagem confirma a importância da inovação para o Grupo. A inovação está no coração do plano estratégico “Alstom In Motion”, para construir e reinventar a mobilidade de amanhã. E assim reforçamos nosso compromisso de fazer mais e melhor, com metodologia ágil e que favoreça a criatividade e inovação das pessoas.

Gustavo Almeida, Vice-presidente de Recursos Humanos da Alstom para a América Latina

O que fazer com os contratos não cumpridos quando a pandemia acabar?

Por Ronaldo Gallo 

A humanidade vive um momento de muitas incertezas, enfrentando a pior de suas crises e com todas as energias voltadas para a preservação das vidas humanas. Para esse fim, inúmeras estratégias vêm sendo desenvolvidas com certa unidade de atuação mundial, a principal delas, no momento, é o isolamento social, que pode quebrar o ciclo de propagação rápida da Covid-19.

Mas o isolamento social também tem seus efeitos colaterais e o principal deles pode ser sentido na economia. O fluxo de transações, de todas as espécies, vem diminuindo drasticamente, quando não simplesmente deixando de acontecer. Os governos de todo o mundo já anunciam um período de economia recessiva, pós coronavírus, e já se iniciam avaliações que tentam mensurar se o remédio não pode ser mais amargo que a doença.

Independentemente de qual o posicionamento pessoal de cada um com relação à situação posta, e este artigo não se presta a desenvolver análise técnica sobre as medidas que são (ou serão) necessárias para conter a crise global, fato é que em mais dia ou em menos dia iremos superar a pandemia, e é neste momento que vamos encarar a questão que intitula esse artigo: o que fazer com os contratos rompidos e não cumpridos?

Vamos listar algumas opções que poderão auxiliar na estratégia que irá proporcionar a retomada das relações empresariais da forma mais eficiente e saudável possível.

PODER JUDICIÁRIO 

Ponto positivos: Os juízes são profissionais altamente capacitados e qualificados.

Ponto negativos: O processo desenvolvido no âmbito do Poder Judiciário tem forte conteúdo adversarial e é comum as partes partirem para o enfrentamento, posicionadas no que entendem correto e apenas enxergando os lados negativos da outra parte. A resistência dá o tom do processo. A tendência, pós crise é de uma inundação de processos no Judiciário, o que tende a colapsar o sistema, gerando uma demora ainda maior do que a estatisticamente constatada.

O magistrado é um generalista e não necessariamente entende do seu negócio. Isso pode redundar em ainda mais demora ou em decisões que, não obstante tecnicamente adequadas, estão descoladas do cotidiano do mundo empresarial, desagradando todos os envolvidos no conflito.

MEDIAÇÃO 

Pontos positivos. É um ótimo procedimento para enfrentamento dos conflitos após o fim da crise, quando da retomada das relações empresariais, e mesmo durante a crise. Soluções criativas que atendam o interesse das partes também podem emergir deste processo, diminuindo a espiral do conflito e gerando novas oportunidades. As partes não são obrigadas a permanecer no processo de mediação, elas prosseguem enquanto lhes parecer adequado e interessante. O acordo também não é o principal objetivo deste método, mas sim a recomposição da lesão proporcionada pelo conflito no relacionamento empresarial, familiar etc. Retomar o relacionamento sadio é o que importa!

Pontos negativos. A escolha do mediador é essencial para o processo; a aplicação de técnicas não apropriadas pode elevar a espiral do conflito a níveis que podem redundar ainda mais danos.

ARBITRAGEM 

Pontos positivos. Diferentemente da mediação e, neste aspecto, mais assemelhado ao processo judicial, na arbitragem o conflito também será resolvido por um terceiro, o árbitro. A diferença é que o julgador na arbitragem é escolhido pelas próprias partes envolvidas no conflito, que podem escolher um profissional que tenha conhecimento prático e teórico quanto ao tema, o que importará na agilidade em resolver a questão e aumentará a possibilidade de acerto da decisão final.

O processo arbitral pode ser confidencial, caso queiram as partes, e a rapidez é uma qualidade do processo arbitral, e você precisará dessa rapidez para resolver seus problemas pós Covid-19.

Pontos negativos. O custo do processo arbitral normalmente é caro, e isso pode ser um problema em um momento de crise, e algumas Câmaras trabalham com “lista fechada” de árbitros, o que significa dizer que você não poderá escolher um árbitro de fora desta “lista”. Além disso, as Câmaras de Arbitragem em sua esmagadora maioria adotam regulamentos próprios. Esses regulamentos são as regras procedimentais que irão reger o processo arbitral.

NEGOCIAÇÃO 

Pontos positivos. Todos os procedimentos até agora apresentados partem da premissa da imparcialidade, os terceiros que auxiliam na resolução do conflito necessariamente são imparciais. A negociação não parte desta premissa, o negociador é parcial e desenvolve seu trabalho tentando resolver os conflitos com base na estratégia desenvolvida por uma das partes. O negociador também pode detectar eventuais equívocos que estão sendo praticados no processo de resolução dos problemas e sugerir alternativas para que os conflitos não se multipliquem em cadeia.

Pontos negativos. A visão parcial e a comunicação das partes por terceiro (o negociador) podem minimizar as possibilidades de compreensão das dificuldades enfrentadas pelo outro, o que também diminui as alternativas de resolução do conflito. Um negociador desprovido de técnica pode aumentar consideravelmente a espiral do conflito, ou fechar entendimentos que podem não espelhar a melhor opção para as partes, gerando grande insatisfação.

ON LINE DISPUTE RESOLUTION – ODR 

Pontos positivos. Ferramenta voltada para a resolução das chamadas demandas de massa. É uma plataforma virtual que funciona sem intervenção humana, tem como base demandas repetitivas que são solucionadas por meio de caminhos pré-desenhados e que contam com alto grau de resolutividade.

A rapidez na resolução do conflito, o custo baixo e a preservação da imagem da empresa são as melhores qualidades dessas ferramentas.

Pontos negativos. Quando não há informações prévias sobre o conflito a plataforma pode requerer um tempo maior para demonstrar sua efetividade, até que contenha dados suficientes para a geração de caminhos viáveis de resolução de conflitos que atenda às necessidades das partes.

Estas são apenas algumas das possibilidades que se tem atualmente para a resolução de conflitos, sem prejuízo de outras que podem ser criadas (design de sistema de disputas) acoplando peças de um procedimento em outro, gerando a construção de um sistema de resolução eficaz para um problema específico.

Em um momento de crise, e especialmente após a superação desta fase, inúmeros serão os contratos rescindidos e as relações ameaçadas pelo não cumprimento do acordado.

Utilizar o procedimento adequado para a resolução desses conflitos pode ser o diferencial necessário para a sobrevida do negócio, como também um marco gerador de confiança nos parceiros empresariais, o que sem dúvida também pode ser a origem das tão aguardadas novas oportunidades.

Ronaldo Gallo, sócio fundador da CAMES. Mestre em Direito pela PUC-SP e autor do livro “Previdência Privada e Arbitragem”

Covid-19 e os efeitos jurídicos sobre obrigações assumidas em operações de M&A

 

Por Enrique Tello Hadad e Daniel Domenech Varga

Diante do cenário de expansão da Covid-19 pelo Brasil, do prolongamento das medidas restritivas impostas pelo poder público e dos efeitos que estas têm causado sobre a economia e as atividades das empresas -muitas das quais já se encontram em situação de caixa deficitária -, são inúmeras as discussões que têm surgido envolvendo a impossibilidade de cumprimento de obrigações resultantes de contratos já celebrados.

E não poderia ser diferente em obrigações decorrentes de contratos envolvendo operações de fusões e aquisições (“M&A”), sejam elas de compra e venda de participações societárias, de investimento através de aporte de capital, de “joint-ventures” ou qualquer outra, em que são comuns as disposições prevendo a injeção de recursos em data determinada ou, conforme o caso, o pagamento parcelado do preço correspondente ao vendedor, muitas vezes, neste último caso, vinculado ao atingimento de metas de performance financeira da empresa adquirida (com base no “LAJIDA” ou, no jargão em inglês, “EBITDA”, ou outros critérios como faturamento etc.).

Pois bem, e neste momento de pandemia em que há uma abrupta desaceleração da economia com reflexosdiretos na performance financeira de algumas empresas, levando-as, em muitos casos, a um cenário de impossibilidade de cumprimento de obrigações de M&A já contratadas – o que lhes resta fazer?

Cada situação deve ser analisada levando em consideração os termos e condições pactuados pelas partes na operação de M&A – como estas disposições contratuais tratam eventos inesperados como este causado pela pandemia e as possíveis consequências pelo descumprimento de qualquer obrigação assumida – além do momento em que a contratação se deu e se o evento que levou ao inadimplemento do contrato era previsível na ocasião da assunção da obrigação. Contudo, as condições estabelecidas pelas partes em contrato podemmuitas vezes não considerar efeitos financeiros adversos como estes causados pela Covid-19, que podem afetar drasticamente a posição das partes – de um lado o vendedor, por exemplo, que pode ver o seu direito ao pagamento de uma parcela do preço frustrado, seja porque a empresa vendida não pôde performar dentro do curso ordinário dos seus negócios em razão da pandemia e, portanto, não ter atingido as metas financeiras estabelecidas pelas partes para o pagamento; e de outro o comprador, que está enfrentando uma grave crise financeira e de deficit de caixa, sem condições para efetuar o pagamento.

Em situações como esta, as partes prejudicadas ou que se encontrem impossibilitadas de cumprir com as suas obrigações diante de um cenário inesperado, que não poderia ser previsto ou antecipado no momento do fechamento da transação, podem sempre considerar a possibilidade de recorrer – sopesando todos os aspectos casuísticos que levaram ao descumprimento destas obrigações e os termos estabelecidos pelas partes em contrato – aos institutos da teoria da imprevisão e da onerosidade excessiva previstos nos artigos 317 e 478 do Código Civil.

Nesta linha, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), em recente decisão proferida neste mês de abril concedeu medida liminar autorizando o diferimento do pagamento de valor do preço previsto em contrato de compra e venda de participação societária de empresa. No caso analisado pelo TJSP, autora e ré constituíram sociedade empresária para a comercialização de produto alimentício. Contudo, em razão do desinteresse da ré, bem como da ocorrência de desavenças, as partes celebraram contrato de cessão de quotas, por meio do qual a autora adquiriu a participação societária da ré.

Em razão da pandemia de Covid-19, associada às restrições à circulação de pessoas adotadas pelo poder público, a autora alegou que não teria como continuar o pagamento das parcelas acordadas, sem prejudicar a empresa e seus funcionários, tendo pleiteado em caráter liminar o diferimento das parcelas de abril, maio e junho.

Na primeira instância, o juízo da 3ª Vara Cível de Botucatu/SP indeferiu a liminar, sob o argumento de que asuspensão das atividades da empresa não autoriza o descumprimento contratual, não havendo, portanto,fundamento legal que ampare o não pagamento das parcelas do preço de compra. Contudo, o TJSP reverteu a decisão de primeira instância, autorizando que o valor das parcelas do preço devido de abril, maio e junho de 2020 fosse pago em dez prestações mensais.

Na sua decisão, o TJSP aplicou a teoria da imprevisão, baseando-se nas disposições dos arts. 478, 479 e 480 do Código Civil, que estabelecem a possibilidade de rescisão ou de revisão contratual em hipóteses de ocorrência de situações extraordinárias e imprevisíveis, que não poderiam ser previstas ou reguladas pelas partes. Na visão do Desembargador Cesar Ciampolini, a pandemia do coronavírus, equiparada à uma situação de guerra, pode ser enquadrada como “acontecimento extraordinário e imprevisível”, na dicção do art. 478 do Código Civil. Também segundo a argumentação do Desembargador, parece verossímil que a restrição de funcionamento da empresa, em razão da pandemia, tenha acarretado queda de faturamento e, consequentemente, a impossibilidade momentânea do pagamento das parcelas ajustadas no contrato de cessão de quotas. Assim, tendo em vista que o contrato em questão é de execução continuada, somado ao fato de que as novas circunstâncias ultrapassam em muito o que razoavelmente se podia prever ao tempo de sua celebração, entendeu o Desembargador que o direito deve amparar o pleito da autora no que diz respeito ao diferimento das prestações.

Não obstante, vale ressaltar que no caso analisado pelo TJSP, a compra e venda de participação societária já havia sido consumada. Por outro lado, em operações de maior vulto e sujeitas à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), em que normalmente existem certas condições precedentes que devem ser cumpridas pelas partes antes do fechamento do negócio, há um hiato de tempo entre a assinatura dos contratos definitivos e a conclusão da operação. Nestas situações, também é importante analisar a extensão da aplicação de cláusulas de Efeito Material Adverso (Material Adverse Change, MAC, ou Material Adverse Effect, MAE, no jargão anglo-saxônico), muito comuns neste tipo de transação, que podem propiciar às partes uma “saída” que as desobrigue de concluir a operação, caso (a título ilustrativo) a situação da empresa a ser adquirida no momento do fechamento da transação seja substancialmente diferente daquela em que se encontrava na ocasião da assinatura dos contratos, isto em razão dos efeitos causados pela Covid-19 ou outros eventos externos inesperados naquele momento.

Qualquer que seja a situação, vê-se, com base na decisão proferida pelo TJSP, que se confirma um importante precedente que também pode ser invocado em disputas de M&A diante do inadimplemento de certas obrigações contratadas, a exemplo de outras várias relações contratuais que venham a ser descumpridas, tendo como sustentação a teoria da imprevisão e da onerosidade excessiva.

Enrique Tello Hadad, sócio do escritório Loeser, Blanchet e Hadad Advogados.

Daniel Domenech Varga, gerente no escritório Loeser, Blanchet e Hadad Advogados.

Três tendências de RH para o mundo pós-coronavírus

Por Paulo Oliveira, coordenador de marketing da Apdata

Empresas do mundo todo foram impactadas de maneiras distintas pela pandemia do novo coronavírus. No entanto, embora os desafios variem a depender do segmento de atuação e mesmo do lugar onde se opera, elas precisaram adquirir maturidade em tempo recorde para implementar abordagens assertivas de gerenciamento do trabalho remoto de seus funcionários.

Algumas organizações americanas e asiáticas, que já funcionavam quase totalmente por meio de práticas digitais foram menos afetadas, enquanto muitos RHs de negócios em países como o Brasil estão enfrentando desafios maiores – do monitoramento de atividades ao engajamento dos funcionários.

Um estudo publicado em março pelo instituto americano Gartner mostrou que, ao invés de demitir, a maioria das empresas estão focando em encontrar medidas alternativas de sobreviver à crise. Entre elas, o congelamento de contratações, mas também o uso mais efetivo de tecnologias.

O cenário, porém, também já está repleto de indicações de especialistas de Recursos Humanos sobre o que será das empresas quando a pandemia acabar. E, entre as previsões mais otimistas e outras extremamente negativas, é possível visualizar alguns horizontes.

Home office como prática 

Uma das principais tendências de RH para o futuro pós-pandêmico são arranjos de trabalho mais flexíveis. Em meio à crise, as empresas americanas não tiveram dúvida em colocar seus funcionários em modo remoto, por exemplo: isso aconteceu em 67% das organizações do país, segundo a Society for Human Resource Management.

Ainda há dados disponíveis sobre o Brasil, mas algumas estatísticas (como a do Estado de São Paulo, que aponta uma média de 60% das pessoas em quarentena nas últimas semanas) dão uma dimensão de como as empresas se organizaram.

Quando a crise passar, muitas serão as motivações para que os regimes de trabalho sejam mistos – intercalando dias de trabalho no escritório com outros em casa.

Em primeiro lugar, os funcionários já terão as ferramentas para trabalhar e se manter produtivos nas mãos. São os casos de plataformas como o Zoom ou Teams, além de organizações cujas operações estão na nuvem.

Em segundo lugar, toda uma rotina de interação e de produtividade à distância já foi estabelecida durante a quarentena. Ela pode ser utilizada para preencher o tempo de trabalho depois que tudo voltar ao normal.

Além disso, os RHs que já passaram por alguma transformação digital conseguem controlar a jornada, a produtividade e mesmo aspectos burocráticos do departamento por meio de ferramentas digitais – como gerar relatórios e programar a folha de pagamento.

Comunicação mais próxima com funcionários 

Se trabalhar de casa pode contribuir para o aumento de sentimentos negativos, os funcionários aprenderam em meio à pandemia que podem contar com o apoio de suas empresas para questões emocionais.

Tem sido comum que lideranças, gestores e mesmo empresas inteiras criem planos para atuar com seus times em aspectos além-trabalho. Alguns exemplos que estão sendo compartilhados mostram líderes conversando com seus funcionários em reuniões virtuais também sobre assuntos que não pertencem ao escritório, como as percepções da crise, as relações com a família ou os impactos na vida cotidiana deles.

É importante que as organizações mantenham um discurso firme de que as pessoas devem se cuidar durante a pandemia: tentarem manter-se mentalmente saudáveis, fazerem exercícios físicos quando puderem, trocarem de roupa, assistirem algum filme ou mesmo usarem o tempo livre do deslocamento para estudar algo. Quando todo mundo voltar ao escritório, essa interação estará diferente – e para melhor.

Novas métricas de produtividade 

Operando remotamente, muitas empresas precisaram criar formas de comunicar suas metas e expectativas de maneira mais clara. Isso significou delegar tarefas coletivas ao invés de projetos individuais. Essa pode ser uma tendência de futuro – em que as organizações consigam mesclar a produtividade mensurada por atividades particulares, mas também por mensurações de todo o time.

Ainda como uma tendência nas empresas, métricas como as OKRs, em que os próprios funcionários estipulam suas metas e interagem sobre elas com suas lideranças, também podem funcionar neste mundo pós-coronavírus em que as pessoas não estarão todos os dias no escritório. Departamentos de Recursos Humanos que tiverem gestões em plataformas digitais terão muito mais facilidade em fazer essa ideia se tornar realidade – e colocarão suas organizações na dianteira do mercado.

Uma terceira mudança vai ser a possibilidade de ter dashboards em tempo real mensurando os avanços das tarefas. Essa já é uma prática comum em alguns serviços, mas que apenas engatinhava nas empresas brasileiras até o início da quarentena.

Estruturando delegação de responsabilidades, comunicando objetivos de forma clara e ajudando os diferentes times a se complementarem, o RH estará ajudando suas empresas a se colocarem na frente deste horizonte pós-pandêmico.

Adiar a LGPD é o melhor caminho para o Brasil?

Por André Fernandes, diretor de Engenharia de Soluções da NICE

No final de abril, a Medida Provisória 959, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, adiou oficialmente o início da vigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para maio de 2021. Esta é a segunda prorrogação da vigência da legislação, que entraria em vigor em janeiro de 2020 e, posteriormente, em agosto. No início de abril, o Senado já havia aprovado um projeto que adiava a LGPD para 2021 e que estava em discussão na Câmara.

Embora os trâmites para prorrogar a LGPD não sejam novos, o motivo alegado no momento é a pandemia do coronavírus, que teria alterado a prioridade das empresas. Várias delas ainda não estariam preparadas para se adaptarem às novas regras de privacidade impostas pela nova lei. É justamente nesse ponto que faço um questionamento: Se a lei 13.709, conhecida como LGPD, foi sancionada em agosto de 2018 e estava prevista para ser colocada em prática este ano, por que muitas instituições deixaram as alterações para a última hora? Neste momento em que as atividades on-line cresceram de maneira significativa e, consequentemente o volume de fraudes, não seria um grande risco adiar a implementação da nova lei?

Apenas para lembrarmos, a LGPD trata da proteção de dados dos usuários e que, no atual momento, é ainda mais relevante. Dadas as exigências de isolamento, muitos de nossos clientes estão migrando seus colaboradores para o home office, o que aumenta o risco de vazamento de dados de usuários – situação que precisa ser tratada com a criticidade que ela representa.

Antes mesmo do coronavírus, havia um movimento no sentido de se prorrogar a entrada em vigor da LGPD ou adiar a aplicação de penalidades. Agora, dado o cenário da pandemia e de todas as incertezas para os próximos meses, o adiamento tornou-se inevitável. Além da crise na saúde em função do aumento do número de casos de COVID-19, há uma insegurança muito grande em relação ao efeito colateral da crise econômica desta pandemia. Neste momento, muitas companhias estão ajustando prioridades e direcionando seus investimentos para o absolutamente necessário, pelo menos até que tenham uma visão mais clara da profundidade da crise.

Entretanto, vale lembrar que as empresas já deveriam estar em fase final de implementação de soluções que fossem aderentes à LGPD, aprovada em 2018 e com prazo de 24 meses para o início de sua vigência. O fato de muitas companhias utilizarem a pandemia como justificativa demonstra que poucas estariam de fato prontas para a entrada em vigor da lei.

Vale ressaltar ainda que Autoridade Nacional de Proteção de Dados, responsável por reger a nova lei, ainda não foi constituida pelo Governo Federal, mesmo faltando apenas seis meses para a vigência. E mesmo se fosse definida agora, pouco poderia fazer com o adiamento do início da legislação.

Tratar dados de usuários com o devido cuidado e respeito é um fator que deve ser observado independente da entrada em vigor da LGPD. Leis neste sentido já existem e estão em vigência em outros países, a exemplo da General Protection Regulation (GDPR), da União Europeia, que impõe medidas para garantir maior segurança sobre informações sensíveis.

. Adiamentos por prazos muito longos apenas deixam o Brasil mais atrasado em relação ao resto do mundo. Além de colocar País em descrédito internacional, diminui sua competitividade. Neste momento em que medidas de monitoramento ostensivo estão sendo adotadas em todo o mundo para acompanhar o desenvolvimento do vírus, ter uma legislação de proteção de dados em vigor seria fundamental para garantir o equilíbrio entre o interesse público e a privacidade dos cidadãos.

Quando o assunto é agronegócio e TI, os investimentos continuam porque o setor não para de crescer

Por Luciano Steinbruch

Não há pandemia ou crise que abale o agronegócio no Brasil. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação pública federal vinculada ao Ministério da Economia, as principais commodities brasileiras deverão sofrer pouco impacto com a crise instaurada pelo Coronavírus. O PIB de 2020 deve fechar com alta de 3,8%. Em outros momentos de retração, nos quais vários setores econômicos seguiam instáveis, vimos este mesmo cenário. O que isso significa? O setor agro não para de crescer. 

E quando falamos em investimentos, a área de tecnologia é a que mais desponta neste mercado. Não é de hoje que a automação entrou no campo por meio de suas máquinas e equipamentos. Internet das Coisas, tratores autônomos, robótica, drones e dados para uma melhor tomada de decisão. Mas inovar apenas o campo não é o suficiente. O ecossistema agrícola precisa acompanhar essa inovação para que faça sentido esse salto tecnológico. Ora, se o setor investe em equipamentos de alto valor agregado, a rede de serviços e suprimentos precisam andar no mesmo passo.

A indústria que supre as necessidades do setor agro com serviços, por exemplo, tem que estar no mesmo passo de inovação. Veja, por exemplo, como se comporta o campo durante a safra. Os equipamentos agrícolas não podem ter paradas. Isso significa que tratores cada vez mais autônomos e digitais não podem contar com uma assistência analógica. Manutenção preventiva, parada programada, peças disponíveis just in time… tudo precisa operar como uma orquestra regida pela tecnologia. Isso significa oferecer o mínimo de intervenção possível. E como se atinge esse patamar? Com todo o ecossistema operando de forma digital.

Então, de fato, transformar os negócios digitalmente é o caminho da inovação? Para uma parcela significativa do alto escalão executivo, ela é um impulsionador. Numa pesquisa realizada neste último ano pela E-Consulting para saber como a Transformação Digital é aplicada nos negócios, 52% dos 203 CEOs ouvidos consideram que a inovação não depende da Transformação Digital, mas esta é um grande facilitador. Então, olhando para o cenário do agronegócio, o caminho é cada agente desse ecossistema buscar soluções para, cada vez mais, atender à demanda desta economia digital. O resultado são ganhos cada vez mais elevados e uma melhor sustentação econômica num setor que praticamente irá sustentar o PIB Nacional este ano.

Luciano Steinbruch, CEO da Focus IT, consultoria especializada em serviços SAP, suporte, sustentação e fornecimento de soluções complementares.

Revolução 4.0: O trabalho deixou de ser o lugar para onde vamos

Por Daniel Schwebel, Country Manager da Workana no Brasil

A transformação do mercado de trabalho se intensifica e se molda a cada revolução industrial. Basta observar que, entre a Primeira e a Segunda – na metade do século XVIII -, os campos e a atividade agrícola deram lugar às fábricas tornando-as os principais espaços produtivos do capital humano. Mais adiante, a Terceira Revolução Industrial – pós II Guerra, apresentou ao mundo as grandes multinacionais que conhecemos atualmente e os seres humanos passaram por profundas transformações tecnológicas desde então.

Atualmente, a revolução é outra, as relações físicas no âmbito do mercado de trabalho são intangíveis perto do conhecimento agregado do profissional. A partir do momento em que máquinas substituem homens, inteligência artificial e big data são protagonistas, a variável “distância” deixou de ter valor e é neste timing que vivemos: a Revolução 4.0 no mercado de trabalho. As habilidades humanas não deixarão de existir, muito pelo contrário, as “Soft Skills” serão ainda mais evidenciadas e valorizadas. Competências socioemocionais, criatividade, autogestão e perfil empreendedor são características do profissional capaz de compreender o que o mercado de trabalho espera no futuro.

A construção da carreira e conceito de ter um emprego deixou de ser o local para onde vamos. Explico: acordar todos os dias, passar 2 horas no trânsito para se deslocar até o escritório, inserir a impressão digital com tolerância máxima de 5 minutos e trabalhar 8 horas consecutivas com 1 hora de almoço deixou de fazer sentido para muitas pessoas, mesmo que essa descrição de rotina seja o verdadeiro significado de “ir ao trabalho” para muitos.

O senso comum é que todas as empresas devem reter os melhores talentos para si. Mas fixam o entrave e limitante de que o funcionário deve morar até 15 km do seu escritório. Já em empresas híbridas – que entendem o trabalho remoto como uma porta aberta a uma infinidade de profissionais excelentes em qualquer lugar do mundo – possuem essa fronteira regional de mil ou dez mil quilômetros, porque não importa onde você está, mas sim o que você agrega e produz. Por esse motivo, daqui em diante, as empresas que não entenderem isso estarão competindo a nível internacional por talentos locais.

Um efeito contingencial imediato da pandemia de coronavírus foi o grande aumento no número de brasileiros trabalhando em suas casas. Quantos deles conseguirão descontinuar esse hábito quando a crise da COVID-19 não existir mais? Ainda que ninguém tenha essa resposta, pesquisas apontam que profissionais que podem trabalhar onde quiserem tendem a produzir mais, e a produtividade é apenas uma das vantagens que o trabalho remoto proporciona.

O fato é que, antes mesmo da pandemia global surgir, o trabalho remoto já era uma tendência pela flexibilidade e liberdade que proporcionam, muito associadas ao lifestyle e propósitos de futuro dos millennials, principalmente. O coronavírus foi um catalisador desse movimento por impulsionar obrigatoriamente as empresas a fazerem algo que elas já estavam ensaiando há muito tempo, mas não concretizavam porque muitos gestores ainda não desconstruíram a ideia de que é possível liderar uma equipe à distância com ferramentas e comunicação assertivas. Ou melhor, algumas startups brasileiras já permitiam “home office” uma vez na semana como um benefício e, claro, chamava atenção de muitos. Mas a pandemia está forçando investimentos por parte das empresas em setores onde o teletrabalho é possível, com mais pessoas aprendendo a usar a tecnologia remota. Como desdobramento, é possível sentir uma mudança mais permanente em direção ao trabalho remoto porque as pessoas estão mudando seus hábitos. Muitos experimentaram o que nunca tinham tido a oportunidade e, portanto, podem passar a gostar mais.

Decidir em qual empresa trabalhar não é resultado somente do avanço tecnológico ou do capricho dos millennials, e sim uma esfera que vem responder perguntas mais profundas sobre nós mesmos: Você já parou pra pensar o que seu trabalho significa para você? O trabalho precisa ter um alto grau de liberdade. Porque se não tivermos liberdade e autonomia, como seremos o melhor de nós mesmos? Ainda que seja impossível prever numericamente quantas empresas e pessoas vão aderir ao trabalho remoto futuramente, entendemos que as relações de trabalho foram altamente impactadas com a pandemia e que o resultado disso será o avanço do teletrabalho nas esferas globais, que aproximará grandes talentos e corporações.

As fintechs são um sucesso no B2C. Mas e no B2B?

Por Eduardo Neubern, diretor executivo da TOTVS Techfin

Já é sabido que as fintechs ganharam força e popularidade no mercado nos últimos tempos. O acesso a serviços financeiros atrelados a tecnologia tem sido democratizado em ritmo impressionante. A popularização das fintechs fez com que os bancos se mobilizassem, mas também mexeu com empresas de outros segmentos, como entregas, transporte e e-commerce, por exemplo, que buscaram alternativas para pleitear o mesmo espaço.

Hoje, já não se sabe mais com exatidão quem concorre diretamente com quem. Os bancos passaram a concorrer com empresas de tecnologia e vice versa. O que abre um caminho bastante interessante, com diversificação de ofertas para os clientes, que agora podem contar com uma variedade enorme de soluções inovadoras para serviços como transações comerciais, crédito consignado, antecipação de recebíveis, pagamentos online, cartões virtuais, entre outros. Com as fronteiras entre setores cada vez mais cinzentas quem sai ganhando é o cliente, que passa a ter mais opções e experiências de uso muito mais fluidas e relevantes.

Diante desse cenário, é nítido que as fintechs já são um sucesso de público e renda no mercado B2C. Mas e no B2B? Hoje, soluções que facilitam o acesso de empresas a serviços financeiros personalizados estão ganhando cada vez mais espaço. Segundo dados de uma pesquisa do Sebrae, em parceria com a ABFintechs, as PMEs já são 30% da base de clientes de 45% das fintechs entrevistadas. Ou seja, o mercado B2B está cada vez mais relevante para as fintechs. Um fenômeno natural uma vez que a tecnologia pode e deve ser usada para melhorar, simplificar e baratear o acesso das empresas a serviços financeiros.

As novas tecnologias que desafiam os modelos tradicionais trazem, certamente, uma enorme vantagem competitiva às fintechs e techfins. Usufruindo de recursos como computação em nuvem, inteligência artificial, internet das coisas, distribuição e atendimento digital, entre outros, as soluções dessas empresas passam a brigar de igual para igual com os grandes bancos, que, por sua vez, passam a repensar seus modelos de negócios a partir do momento em que as taxas e prazos das fintechs tornam-se vantajosos aos clientes.

É também muito importante ressaltar que essa competição transversal não deve ser maléfica para ninguém. É quase unânime o discurso por parte dos grandes bancos de que as fintechs não são uma ameaça, mas sim um incentivo para se moldarem a essa transformação do setor financeiro. E os clientes são os grandes beneficiados disso tudo, podendo desfrutar dessa evolução mercadológica no mercado B2C e também no B2B!

O engajamento online em tempos de crise

Por Carlos Busch, vice-presidente de vendas em varejo e bens de consumo da Salesforce Brasil

O isolamento social tem sido adotado em diversos estados e países como medida preventiva para combater a contaminação do COVID-19, seguindo a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o isolamento, os canais digitais tornaram-se ainda mais fundamentais, o que levou a um aumento o volume de dados da internet no país. Segundo dados do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), em 23 de março o volume de dados chegou a 11 terabits por segundo (Tb/s). Além disso, o NIC observou uma distribuição uniforme do pico de tráfego, que antes era atingido após às 21h e passou a ser mais constante ao longo de todo o dia.

Desde o dia 12 de março alguns e-commerce registraram uma alta de até 180% nas vendas nas categorias alimentos e bebidas e beleza e saúde, segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). As compras online têm sido uma alternativa ao isolamento, já que diminuem os riscos de contágio devido à redução de contato. E isso vale para qualquer tipo de compras.

Neste cenário, diversos questionamentos e incertezas surgem, principalmente em relação aos negócios. Para os varejistas, interagir com o cliente, que não está mais indo às lojas físicas e se encontra exclusivamente no online, é um desafio que precisa ser encarado. Mas como engajar o consumidor que está online em meio a uma crise desconfortável para todos? Como suportar o alto volume sem perder a qualidade, mantendo o ecommerce funcionando mesmo em tempos de crise ? E mais, como se destacar entre as milhares de lojas online e marketplaces?

Acredito que a flexibilidade e confiança são a chave para o atual momento. Flexibilidade na operação, no atendimento, na entrega e nas formas de pagamento. E confiança na comunicação com os clientes e na relação com os colaboradores.

Crie experiências online atreladas à sua marca 

Com os consumidores online, as marcas não podem mais depender apenas de estratégias de lojas físicas. Mais do que nunca é preciso pensar digital, ter os clientes no centro da estratégia e ter uma força de trabalho engajada em elaborar novas formas de se conectar com os clientes.

Se possível, diversifique as formas de pagamento aceitas, deixe o cliente mais à vontade para escolher como pagar. Se a flexibilidade de pagamento não for possível, ofereça cortesias ou descontos nas compras online. Outra solução criativa é promover “gincanas” em seus canais como desconto ou brindes para os primeiros clientes que assinarem ou comprarem um serviço da sua marca, por exemplo.

Aumente a proatividade em relação as necessidades dos consumidores. Os canais de relacionamento são muito importantes, se precisar, disponibilize novos canais, por exemplo. É preciso entender o momento e as necessidades dos consumidores, mostre que sua marca está ali para atender as solicitações deles. Neste quesito, a sua equipe de atendimento é a linha de frente da empresa, eles precisam estar motivados e engajados em prover o sucesso dos clientes. Faça reuniões e esteja aberto para ouvi-los, com certeza eles terão as melhores ideias sobre o que os clientes buscam.

Algumas empresas têm apostado em soluções voltadas diretamente para o cliente final. Por exemplo, lojas de cosméticos estão fazendo “lives”, em canais como o Instagram, com maquiadoras fazendo tutoriais e dando dicas gratuitas para os clientes. Esta é uma forma divertida e inteligente de compartilhar conhecimento sobre seus produtos e se aproximar dos consumidores.

O perfil do consumidor após o COVID-19 será diferente do que estávamos trabalhando. Antes existia, para alguns varejistas ou ainda empresas de bens de consumo, a resistência de investir frontalmente em canais mais ágeis de atendimento, canais de compras/vendas online e uma comunicação mais digital. O que vimos nas últimas semanas nomundo todo, é que estas iniciativas, antes oportunidades, agora passaram a ser o modus operandi do mercado.Provavelmente após o COVID-19 elas serão mais intensas ainda, se comparadas aos períodos anteriores.

Vale ressaltar ainda que os desafios das empresas daqui para frente serão mais amplos. Não bastará estarem com vendas pela internet, atendimento com bots etc, mas sim oferecer a melhor oferta personalizada para cada consumidor. Para isto, recursos como inteligência artificial , dinamismo de personalização de conteúdos de forma consistente na visão única dos clientes.

Revise os fluxos e adote melhores práticas para suportar os altos volumes de tráfego 

1 – Reavalie fluxos críticos para a operação do seu e-commerce, faça reuniões recorrentes com as áreas chave da operação como a liderança, área técnica, produto, suporte e atendimento. Avalie os riscos em conjunto e faça os ajustes necessários para não ter surpresas desagradáveis.

2 – Com o trabalho remoto ampliado durante a quarentena, a sua VPN está sob um grande teste, por isso, converse com os fornecedores e solicite um suporte adicional. Além disso, restrinja o login a funcionários que têm papel crítico na operação, para poder resolver problemas rapidamente.

3 – Se você tem equipes trabalhando em diferentes fusos horários, desenvolva uma estratégia para garantir o maior suporte possível ao website, com o time que você tem atualmente. Ou adote horários flexíveis, para que a cobertura do suporte ultrapasse o horário comercial. Isso garante uma maior cobertura operacional durante qualquer disrupção – independente da hora em que ela ocorra.

4 – Desenvolva protocolos para guiá-los no caso de acontecimentos de impacto, como a atual crise. Inicie com diversos cenários de possíveis crises e crie, junto de sua equipe técnica, de planejamento e de comunicação (RP), maneiras de responder a eles. As ações de respostas precisam contemplar tanto o cenário interno, através de ajustes no fluxo do trabalho, quanto o externo, na comunicação com os clientes. Antes, verifique como seus serviços funcionam com 100% de visibilidade. A Salesforce disponibiliza uma plataforma online e gratuita, o trust.salesforce.com, para obter informações em tempo real sobre desempenho e segurança do sistema.

Estamos vivendo um momento em que as coisas mudam muito rapidamente e as incertezas têm sido maiores que as certezas. Por isso, mais do que nunca é preciso união, cooperação e compartilhamento de conhecimento, só assim conseguiremos sair desta crise fortalecidos.

Tecnologia e criatividade: como empresas precisam se reinventar para manterem-se relevantes em momentos de crise?

Por Gastão Mattos, Líder da IDid

A pandemia do novo coronavírus afetou diretamente o nosso comportamento. Para seguir as instruções da Organização Mundial da Saúde, as pessoas, por exemplo, mudaram a maneira de consumir e ampliaram suas compras pela internet, com o objetivo de manterem suas vidas intactas diante de tantas incertezas sobre a crise na saúde mundial.

 O novo comportamento da sociedade é visto no levantamento da NZN Intelligence, plataforma de pesquisa de mercado de uma empresa de mídia digital, que 69% dos brasileiros entrevistados acreditam que a chegada do vírus mudará seus hábitos em relação à rotina de trabalho e estudo. No entanto, vale reforçar que, infelizmente, essas mudanças não ocorreram devido às inovações tecnológicas, mas por fatores de proteção dos indivíduos contra o vírus.

Com a pandemia, o e-commerce tornou-se um setor vital para a compra de produtos para necessidades básicas. De acordo com o Statista, portal alemão de estatísticas, a Itália, um dos epicentros da pandemia, teve, entre fevereiro e março, um aumento de 90% das vendas online, comparado ao mesmo período de 2019. Já no mercado online brasileiro ocorreu um aumento médio de 30%, em março de 2020, sendo que algumas lojas obtiveram um crescimento de até 180% em vendas de produtos de saúde e alimentação.

A crise da pandemia gerou perspectivas para um crescimento mais expressivo do e-commerce, já que as pessoas precisam ficar em casa para se protegerem do novo coronavírus. O momento também proporcionou uma mudança dos tradicionais consumidores de lojas físicas, que reduziram seus medos e deram uma chance para a utilização do comércio digital.

Diante dessa mudança abrupta na relação do consumidor com as lojas, será que as empresas estavam ou estão preparadas para a adaptação de suas operações comerciais, principalmente se avaliarmos as micro, pequenas e médias empresas?

O setor supermercadista, que tinha baixa participação no mercado eletrônico antes da pandemia (4%), algumas grandes redes mostraram fragilidade na absorção do alto impacto de demanda pela Internet. Houve casos como a interrupção dos serviços de delivery em um determinado período ou a ampliação no prazo da entrega dos produtos. A mudança para o mercado digital trouxe um impacto negativo inicial, revelando certa fragilidade em todo o processo e plataformas de serviço utilizadas no e-commerce.

Em contrapartida, porém, empresas de menor porte têm demonstrado boas maneiras na adaptação na maneira de vender. Ao invés de simplesmente fecharem suas portas e aguardarem o fim da pandemia, muitas lojas, principalmente as de bairro, têm usado da criatividade e ferramentas tecnológicas simples para manterem-se ativas nos negócios.

Para o processo de mudança das micro, pequenas e médias empresas para o e-commerce, o uso de ferramentas básicas, que não são integradas com alta tecnologia e exigem investimentos altos para sua implementação, tem sido a principal atitude.

Como exemplos estratégicos de adaptação e seguindo a teoria do movimento cultural Do It Yourself (Faça você mesmo), algumas lojas de bairro se uniram e criaram suas redes de comunicação para atender os clientes por meio das redes sociais. Com a criação de um grupo no WhatsApp, por exemplo, mercados, farmácias, padarias e até empresas de entrega locais utilizam essa ferramenta para se integrarem e realizarem o atendimento, passarem as informações e concluírem as entregas. Tudo como se fosse uma grande empresa de diversos segmentos de atuação, e que trabalham para que o cliente compre suas encomendas sem sair de casa.

Um supermercado de bairro, situado na Zona Oeste de São Paulo, é uma prova positiva de adaptação à nova demanda de consumo. O dono utilizou o cadastro de seus clientes frequentes e avisou via WhatsApp que os pedidos poderiam ser feitos pelo aplicativo, com o envio da lista de produtos pela mesma ferramenta. Ao receber a solicitação, o funcionário da loja coloca o produto no carrinho do cliente e informa se está pronto para a retirada ou em falta no estoque. No final do processo, a loja envia o horário disponível para a retirada da compra pelo mesmo app de comunicação digital.

Com uma estratégia simples e sem custos de implementação no supermercado de bairro paulista, a criação de um “pick-up store” facilitou que o cliente se desloque até a loja e o pedido seja entregue, com pagamento via cartão no POS remoto do funcionário encarregado. Tudo feito sem que o cliente precise sair do carro. A implementação desse processo de compras no estabelecimento local, além de conseguir atender com rapidez, ampliou a fidelidade de seus clientes, proporcionada pela nova necessidade de interação.

Para quem nunca utilizou o comércio eletrônico, uma dica é que as lojas podem utilizar as empresas de marketplace como um canal confiável de vendas. Junto a isso, e sem custo algum, as redes sociais são ótimas ferramentas de interação de contato com os clientes e divulgação de promoções.

Em tempos de crise, é preciso improvisar e identificar quais são as demandas essenciais a serem tratadas com as ferramentas disponíveis para atender os clientes. A tecnologia existe e é fundamental para manter as atividades do mercadinho, peixaria, padaria, farmácias e tantos outros estabelecimentos. O que fica de lição e aprendizado para todos nós é que, com tudo isso que está ocorrendo, podemos alinhar o uso tecnológico à criatividade que os empreendedores brasileiros possuem em seu DNA, especialmente nos momentos de tempestade.

 

O futuro da educação: colaboração entre instituições de ensino e empresas será primordial

Por André Gatti 
Empresas e instituições de ensino têm um objetivo em comum: ambas sabem que precisam preparar pessoas para trabalhos muito diferentes no futuro. Abordagens preditivas e ágeis para identificação de habilidades, alterações de currículos e modelos de ensino baseados em soluções digitais serão essenciais. Mas será que elas já estão preparadas para isso?
Estudo recente realizado com empresas e instituições de ensino superior identificou que muitas empresas globais têm sido lentas para adaptar seus programas e abordagens de ensino, e muitas delas ainda estão em estágio inicial de identificação das habilidades mais relevantes no futuro.
Enquanto acima de 70% das empresas e instituições de ensino concordam que é extremamente importante a preparação de colaboradores e estudantes para atuar com as tecnologias digitais emergentes, elas estimam que apenas 25% dessas pessoas estejam preparadas atualmente.
A previsão é que esse porcentual mais do que dobre, subindo de 25% para cerca de 60%. Isso significa que um grande investimento em capacitação será necessário para preparação das pessoas para os empregos do futuro. Atualmente, grande parte do investimento das instituições de ensino superior é focado em infraestrutura e formas digitais de entrega de conteúdo. Embora isso seja, importante, essas empresas também indicam que precisam focar urgentemente no ensino das habilidades que serão mais importantes no futuro, identificando gaps existentes e adequando seus programas.
Um ponto comum entre as empresas e as instituições de ensino é a preocupação com as habilidades de seus líderes e educadores para que possam preparar os profissionais do futuro. Para endereçar esses pontos, as companhias precisam eleger a capacitação de seus colaboradores como prioridade estratégica, assegurando que os objetivos do negócio estejam alinhados com a estratégia da força de trabalho. Já no caso das instituições de ensino, os educadores devem mudar sua forma de atuação, deixando de ser controladores dos sistemas de ensino e passando a atuar como facilitadores de educação. O foco não deverá mais ser em definir o que estudantes devem aprender, mas sim oferecer liberdade para que eles decidam o que querem aprender, guiando-os nessa jornada.
Com relação às habilidades e aos conhecimentos que deveriam ser priorizados, existe senso comum de que áreas como robótica, inteligência artificial (IA), ética, e habilidades técnicas como desenvolvimento de apps e design de interfaces com usuários serão essenciais. Mas quando o assunto é o conjunto de habilidades humanas que nos diferenciam das máquinas – comunicação, flexibilidade, capacidade de resolução de problemas -, existe uma grande discrepância entre o que pensam as empresas, das quais 80% consideram importantes esse tipo de habilidade, e as instituições de ensino, das quais somente 46% acham que isso deveria ser prioridade para elas.
Outro grande desafio é como criar currículos de ensino dinâmicos. Atualmente, cerca de 70% das instituições deensino superior atualizam seus currículos apenas a cada dois até seis anos. Nesse ponto, as empresas estão mais adiantadas, e cerca de 43% delas atualizam os currículos a cada um até dois anos, e 75% pretendem atualizar seus currículos com frequência muito maior, algumas até planejando modelos de atualização contínua. Uma forma de acelerar a atualização dos currículos é mover de um modelo de criação de conteúdos para outro de curadoria de conteúdos disponíveis.
O futuro da educação passa não somente pelo conteúdo, mas como ele é entregue às pessoas. Tanto as empresas como as instituições de ensino superior entendem que tecnologias como realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR) serão essenciais no futuro. Também existe um certo consenso de que o uso de inteligência artificial para criação de treinamentos totalmente personalizados e a identificação em tempo real da performance de colaboradores e estudantes são uma tendência. No entanto, quando se trata da importância de aulas e treinamentos presenciais no futuro da educação, mais de 70% das instituições de ensino acreditam que elas continuarão sendo relevantes, enquanto somente 44% apostam nessa abordagem.
Uma consequência de todos os desafios que foram descritos é que as organizações estão percebendo a importância de tornar as pessoas mais responsáveis por seu desenvolvimento, para que continuem relevantes. Para isso, é necessário que seja criada uma cultura de aprendizado, em que os indivíduos se sintam motivados a aprender cada vez mais.

Resumindo, são três as principais áreas de foco para que as organizações se preparem para o futuro da educação:

• Velocidade para monetização dos dados: como a coleta e análise de informações são utilizadas paracriação e curadoria de conteúdo, além de alimentarem sistemas para criação de currículos personalizados.
• Simplificação da infraestrutura tecnológica: soluções baseadas em inteligência artificial, AR/VR e outras terão de se integrar com os sistemas atuais. Caso sistemas antigos sejam uma barreira para essa integração, talvez seja o momento para modernizá-los.
• Inovação: muito em breve, os tempos dos ciclos atuais para desenvolvimento de cursos e treinamentos não serão mais aceitáveis, e é nesse ponto que entra a possibilidade de se juntar a ecossistemas externos, por meio de plataformas ou parcerias.
Mas de quem seria a responsabilidade da preparação da força de trabalho atual e futura? A maioria das empresas e instituições de ensino superior acredita que a outra parte é quem deveria ter a responsabilidade maior no desenvolvimento de um amplo conjunto de habilidades humanas. Além disso, ambos se preocupam com a capacidade da outra parte na preparação das pessoas para os empregos do futuro. O lado positivo é que tanto empresas como instituições de ensino já enxergaram que a colaboração entre elas será fundamental na preparação das pessoas para o futuro.
André Gatti, diretor de Telecomunicações, Media & Tecnologia da Cognizant no Brasil.

Data Center ou Cloud? O que muda para a minha empresa em meio à pandemia de Covid-19

Por Daniel Reck

Um dos principais ativos que uma empresa possui são os dados e informações relevantes dos clientes. Sem um gerenciamento abrangente da nuvem, qualquer empresa fica suscetível a ameaças de segurança, perda de dados e tempo de inatividade oneroso. E, em tempos de pandemia da Covid-19, as empresas precisam estar atentas à segurança destas informações na nuvem de uma maneira ainda mais minuciosa, enxergando a opção de gerenciar os seus dados em nuvem, o que pode ser feito de forma remota e segura.

Mas afinal, o que muda para a minha empresa? A resposta vem de bate pronto: muita coisa! Quando estamos falando de data center, a parte financeira parece ser o primeiro fator que vem a mente. O investimento, que muitas vezes fica na casa dos milhões, que foi feito para adquirir equipamentos de rede, servidores, storage ou licenciamento, pode ser que se torne desnecessário, caso a economia de um determinado setor esfrie. Ou pode ser pouco, caso seu segmento esteja em alta. Mas, vamos considerar que é um momento de pouco crédito nos bancos e as fábricas estão fechadas para entregar esses equipamentos.

Já para quem é usuário de Cloud, o cenário é outro: o ambiente é elástico, preparado para crescer ou diminuir de acordo com as demandas. Também não é preciso preocupação com os colaboradores se deslocando para desligar fisicamente um servidor que travou, por exemplo, ou até mesmo correr para realizar um backup, quando um servidor resolve “morrer”.

Essas situações que descrevi acima são apenas exemplos entre muitas outras que podem acontecer. É certo que há diferenças básicas entre os dois modelos. Investir em Cloud é ter a certeza de mais flexibilidade. Já os Data Centers são modelos tradicionais que nos obrigam a sustentar quase um ecossistema vivo.

Em um cenário prático, vamos imaginar as implicações logísticas de ter um Data Center in house. Primeiro ponto que é preciso se preocupar com: manutenções preventivas, corretivas e emergenciais. Além disso, existe todo um processo cotidiano: tirar e colocar fitas de backup, trocar HD, desligar servidores quando travarem, contato com técnicos. Enfim, em meio a um cenário de pandemia, no qual muitas empresas estão sendo diretamente afetadas, quanto menos dor de cabeça, melhor.

Enquanto isso, observando o outro lado da moeda, os gigantes provedores de Cloud Pública também possuem todas essas preocupações, mas quem usa os serviços, não! Quem usa, paga pelo uso. Quem não precisa, pode desligar. As necessidades são atendidas com aumento ou diminuição da capacidade. E um ponto importante: nunca é preciso ir fisicamente até os workloads e banco de dados, além de ter acesso ao backup online e sem fitas.

O fato é que estamos passando por um momento muito delicado quanto a economia do país e ao cenário das empresas no geral. Grande parte das companhias precisarão se adequar ao modelo de trabalho home office e começaram a perceber o valor do Cloud. E a sua empresa, já entendeu a diferença entre Cloud e Data Center?

Daniel Reck, Business Account Manager na Claranet Brasil

Link de pagamento é alternativa para as vendas no varejo

Por Ralf Germer ,CEO e cofundador da PagBrasil

Com o avanço da pandemia da Covid-19, comércios locais restringiram suas operações para resguardar a população e tentar controlar o avanço da doença. No Brasil, o coronavírus impactou o segmento de doces e chocolates em sua data mais lucrativa do ano: a Páscoa. Para se ter uma ideia, as vendas no período recuaram 33% esse ano, em comparação com o mesmo período de 2019, segundo dados divulgados pela Boa Vista, empresa de inteligência analítica. O número, no entanto, reflete apenas as pesquisas feitas pela instituição e não considera as vendas online.

De qualquer maneira, o cenário vem obrigando os consumidores a mudarem seus hábitos de compras e faz com que lojistas se reinventem e utilizem novas técnicas para garantir as vendas, afinal, comemorações como Dia das Mães e Dia dos Namorados ainda devem acontecer no primeiro semestre do ano. Além de apostar em preços mais atrativos, promoções e reforçar as divulgações pelas redes sociais, uma alternativa para quem trabalha com varejo é oferecer novas opções de cobrança aos clientes.

Disponibilizar um link de pagamento para os compradores é uma escolha inteligente para ter sucesso nos negócios. Esse link – criado junto com uma processadora de pagamentos de confiança – permite que as vendas sejam realizadas por meio do WhatsApp, E-mail, Instagram, SMS ou qualquer outro canal online, sem exigir que o empreendedor tenha uma loja virtual.

Se você nunca ouviu falar do link de pagamento, pode estar se perguntando se esse método é seguro. Te garanto que sim! Quando o consumidor vai realizar o pagamento, ele é enviado para uma página de pagamentos segura e só consegue finalizar a compra com as opções que você pré-definiu, como cartões de crédito ou boleto. De forma simplista, o processo funciona exatamente igual a uma maquininha, mas com comerciantes e consumidores à distância.

Estar atualizado e conectado com as inovações do mercado é um caminho para continuar vendendo em meio ao atual cenário. Levando em consideração que os smartphones estão revolucionando a forma como os brasileiros lidam com o comércio eletrônico, enviar links de pagamento por um ambiente virtual traz mais praticidade, agilidade e simplicidade. Ainda é possível garantir números melhores para o comércio como um todo nesse período de quarentena. Não deixe de vender!