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Etapas a serem percorridas rumo ao mundo pós-pandêmico

Por William Boulding

Uma das questões mais discutidas em vários países, inclusive no Brasil, nesta situação sem precedentes criada pela Covid-19, é o timing do isolamento social e da retomada de todas as atividades econômicas. Nesse contexto, porém, não há dúvida de que os líderes de negócios precisam colocar a saúde e a segurança de seus stakeholders e colaboradores em primeiro lugar.

Além da indiscutível prioridade de preservar a vida, é preciso considerar algo decisivo para cada empresa e a economia em geral: quanto mais tempo demorar a contenção do contágio em escala do novo coronavírus, mais se prolongarão os problemas de funcionamento dos mercados, cadeias produtivas, comércio e indústria. De nada adiantará termos empresas abertas e autorizadas a operar, se numerosas pessoas continuarem sendo infectadas, internadas ou morrendo. Não haverá normalidade possível se não tivermos consumidores seguros de que podem ir às ruas e trabalhadores confiantes de que não ficarão doentes.

Assim, se a segurança da saúde não for colocada em primeiro lugar, simplesmente se prolongarão as dificuldades causadas pela pandemia e os problemas econômicos serão contínuos. Os líderes empresariais precisam ser muito sensíveis quanto a essa situação. Saber proteger a saúde e segurança de suas equipes é parte importante da estratégia para minimizar as interrupções nos negócios.

Essa é uma etapa importante na caminhada em direção ao mundo pós-pandemia. Outra atitude significativa, na medida do possível, é manter os membros da sua equipe neste momento. Isso dará a eles um sentimento de pertencimento e os estimulará a enfrentar os grandes desafios presentes. Atuando em home office ou em atividades essenciais que exigem sua presença física, as pessoas precisam mostrar criatividade real e trabalhar com empenho para manter as empresas viáveis.

Também é importante demonstrar às pessoas que a empresa se importa com elas e que está sendo transparente e correta. Tal postura das lideranças contribuirá para desbloquear e estimular o potencial dos colaboradores e seu interesse em somar forças na busca das soluções adequadas para os problemas.
É preciso considerar que, em meio a uma pandemia tão grave, todos estão muito sensíveis e pensando nos parentes e amigos que perderam, nos prejuízos que já tiveram e no que ainda podem enfrentar. E já perdemos muito, principalmente a conectividade humana.

Por outro lado, também ganhamos bastante em aprendizado. Precisamos tirar lições deste triste momento vivido pela humanidade e pensar que há oportunidades de inovação e criatividade. Afinal, muitas atividades que estão se desenvolvendo e soluções criadas para enfrentar a crise poderão tornar-se permanentes quando o mundo voltar à normalidade. É fundamental um grande empenho para superar a crise atual e manter as empresas em condição sustentável para agregar valor à sociedade, à medida que avançamos para um mundo pós-covid-19.

Wiliam Boulding é reitor da Fuqua School of Business, escola de negócios da Duke University

Como o RH pode aumentar a eficiência da gestão de documentos

Por Juliana Ferreira, diretora de RH da Access

O RH é um departamento que, pela natureza de sua função, acumula um grande volume de documentos com variados ciclos de vida e níveis de criticidade e de confidencialidade. Por isso, manter esses documentos em pastas, gavetas e armários é um cenário que não pode existir em qualquer empresa, independentemente do seu porte. Sem um sistema de gestão de documentos, problemas de segurança e ineficiências nos fluxos de trabalho serão inevitáveis.

E qual será o primeiro passo para aumentar a eficiência da gestão de documentos? Implantar um sistema de gestão, claro. O melhor seria perguntar quais são as etapas, nossa experiência mostra que a primeira etapa é identificar como os registros em papel estão sendo gerados e armazenados e como serão transferidos para um formato digital e integrados a uma plataforma centralizada de gestão.

É necessário identificar quais documentos são os mais sensíveis para os processos internos, com maior necessidade de acesso e também os que devem ser armazenados por mais tempo. Digitalizar, por exemplo, um documento que pode ser descartado dentro de um ano certamente não vale o esforço.

Antes de digitalizar os documentos, para garantir uma maior eficiência da gestão de documentos é preciso estabelecer uma estrutura única de indexação e classificação, para que o upload dos arquivos para a plataforma seja realizado de forma consistente, em conformidade com as políticas de governança da informação em vigor na empresa.

Sem uma eficiente gestão de documentos, certamente o RH estará “imerso” em papéis, burocracia e tarefas repetitivas, e certamente não sobrará tempo para atrair, reter, integrar e propiciar formas criativas e inteligentes de desenvolvimento humano, tarefas que realmente devem ser o principal foco de atuação.

Por isso, a melhor estratégia a ser adotada para aumentar a eficiência da gestão de documentos no RH é a implantação, junto com um parceiro com expertise comprovada, de uma solução de gestão de documentos capaz de fornecer controles rigorosos de confidencialidade, recuperações precisas, tempo de resposta rápida e gerenciamento de todo o ciclo de vida dos documentos, desde a sua digitalização, armazenamento, guarda até a destruição segura. E liberar os líderes de RH para assumirem tarefas mais estratégicas e construírem uma nova força de trabalho, mais produtiva e engajada.

Lifelong learning: a habilidade de aprender vai formar os profissionais do futuro

Por Bárbara Camargo, Gerente de Talent Experience do Grupo Movile

A sabedoria popular de “ser um eterno aprendiz” está refletida no termo em inglês lifelong learning, muito citado em discussões sobre carreira e recursos humanos. Lifelong learning pode ser definido como a habilidade de aprender a aprender e continuar pela vida toda. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, a Educação é e permanecerá sendo um ponto crítico para o crescimento da economia e para promover a inclusão de oportunidades futuras para todos. Por isso, é importante pensarmos nela no contexto atual e no seu impacto no mercado de trabalho.

Os avanços na tecnologia vêm modificando as relações profissionais, que vão exigir inovações na educação e no perfil das pessoas. Nesse cenário, lifelong learning e iniciativas de reskilling (requalificação) serão chaves para garantir oportunidades para os trabalhadores e também para as empresas, que precisarão ter acesso a talentos qualificados para atuar nos novos campos.

Indo por esse caminho, um estudo feito pelo Institute For The Future (IFTF) mostra que 85% dos trabalhos/funções profissionais que existirão em 2030 ainda não foram criados. Para dar conta desse cenário, é preciso que a educação formal não seja considerada única fonte de conhecimento, pois ela não atende sozinha toda a necessidade atual. É preciso ter consciência de que, no mundo em que vivemos, a aprendizagem é infinita, cenários mudam o tempo todo, e devemos acompanhar as evoluções. De acordo com uma pesquisa da Korn&Ferry, pessoas com capacidade de aprender rápido têm duas vezes mais chance de serem promovidas, por acompanhar melhor as transformações que ocorrem com frequência.

Por falar em mudanças, vivemos um momento inédito de quarentena, mas que pode ajudar quem deseja colocar em prática o aprendizado constante. Uma grande parcela da população está em casa e com isso pode conseguir um pouco mais de tempo para se dedicar aos estudos. O que não faltam são lives, eventos e conteúdos para estudar e se atualizar.

Nesse cenário, empresas também podem – e devem – contribuir, incentivando o aprendizado dos funcionários e fornecendo ferramentas e materiais de qualidade que os ajudem nessa jornada. Um exemplo disso é compartilhar conteúdo em diversos formatos, elaborado para esse fim, como podcasts, cursos online ou e mails informativos com a base de colaboradores. Promover trocas de conteúdo entre as equipes, com indicações de links, vídeos e livros é outra forma simples de ajudar no desenvolvimento de todos.

Entram também ações como promover a participação dos colaboradores em eventos (online neste momento, mas também os presenciais em outros períodos) e incentivar líderes a criarem planos de desenvolvimento mais robustos com todos os tipos de aprendizagem, não focando somente nos métodos formais.

Para quem quer começar essa jornada, minhas dicas são: escolher bem as fontes de estudo, ter claras as habilidades que são necessárias para seu desenvolvimento e, por fim, optar por temas que poderão ser colocados em prática no curto prazo. O estudo teórico é apenas 10% do aprendizado. O que vai fazer com que você realmente aprenda um assunto é aplicá-lo.

Uma dica final é: sempre que possível, una tudo isso a seus gostos e interesses pessoais, com temas que te despertem a vontade de saber mais, que gerem curiosidade. Assim, a tarefa que parece assustadora, de aprender constantemente, se torna um hábito prazeroso e recompensador.

Como lidar com investigações corporativas sem expor a empresa

Por Eloiza Oliveira

No processo de investigação de fraudes corporativas, em sua maioria, é comum que haja suspeita sobre o indivíduo que cometeu o ato irregular, seja através de uma denúncia ou da análise inicial dos fatos, até que se comprove com evidências aquilo que era uma hipótese. Diferente disso, mas tão complexo quanto, temos casos em que o fraudador é identificado. Como conduzir a investigação diante desta situação? Quais são os cuidados que precisam ser tomados e o que deve ser considerado?

É de suma importância que a investigação seja conduzida de maneira discreta e sigilosa para evitar o vazamento de informações, a exposição dos envolvidos e para preservar a imagem da empresa no mercado e dos seus colaboradores. Além de evitar a exibição negativa e proteger os interesses de sócios e acionistas, uma investigação efetiva mantém a credibilidade e evita os prejuízos financeiros por conta da denúncia de fraudes. É comum um cenário em que as empresas de capital aberto, que tiveram seus casos divulgados na mídia, tenham uma queda considerável em suas ações, entre outros danos, além do que já pode ter sido perdido por conta da fraude.

Neste contexto, em muitos casos, deve ser considerada a contratação de uma empresa especializada no segmento. E, assim, obter confiabilidade nas análises, garantir que todos os dados apurados sejam tratados de forma independente e, principalmente, que os envolvidos sejam identificados para que a empresa tome as medidas necessárias. Ademais do conhecimento técnico especializado, a investigação requer procedimentos mais robustos na obtenção de evidências, custódia, análises e reporte dos resultados.

Diferente do processo de investigação em órgãos públicos, no qual o funcionário é afastado durante as sindicâncias, nas empresas privadas, mesmo quando o fraudador é identificado, a sua presença permite que o monitoramento das atividades seja realizado em tempo real e possibilita a captura do ato ilícito no momento da execução da fraude.

Durante a apuração, algumas precauções precisam ser adotadas, de forma que as evidências não sejam anuladas. Um exemplo é a coleta dos dados eletrônicos, que deve ser feita através de ferramentas forenses, com cadeia de custódia e levada em ata notarial para assegurar a autenticidade das provas, caso o relatório venha a ser utilizado numa ação judicial, seja na esfera criminal, cível ou trabalhista. Os dados também devem ser processados e analisados em ferramentas forenses para que não haja o risco de manipulação do material coletado.

Nas situações em que há um fraudador aparente, o trabalho deve ser bem planejado e executado para que, além de solucionar o problema em questão, a integridade da empresa seja mantida perante os demais funcionários, uma vez que, ao suspeitar de um comportamento fraudulento, houve o compromisso em esclarecer os eventos.

Portanto, tão importante quanto conduzir a investigação com discrição e acuracidade, é compreender o ocorrido para cessar a conduta ilícita e aprimorar os programas de controle interno e compliance da empresa para evitar a recorrência dos fatos. Tudo, sem causar danos à imagem da empresa.

Eloiza Oliveira, gerente de investigações empresarial da ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

A importância da educação para as Micro e Pequenas Empresas

Por Ana Beatriz Cesa, Presidente da Brasil Júnior 2020

Nossa geração nunca presenciou um cenário tão fragilizado como este que estamos atravessando em decorrência da pandemia. As empresas, mais do que nunca, são conduzidas a enfrentar desafios sobre desemprego, fluxo de trabalho e produtividade da equipe, além de graves dificuldades financeiras e permanência no mercado. Compreendemos que, no país, esse cenário ganha um agravante ainda maior diante do contexto dos pequenos negócios.

Mesmo que correspondam a mais de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do nosso País – de acordo com dados do SEBRAE, esse é o perfil de empresa que mais enfrenta dificuldades, seja em gestão, adaptação no mercado, conhecimento sobre o setor e estratégias de crescimento, situação que tende a se agravar cada vez mais diante da crise atual.

Ainda assim, as MPEs são a principal fonte de emprego no país. No Brasil, existem 6,4 milhões de estabelecimentos, desse total, 99% são Micro e Pequenas Empresas, o que torna ainda mais essencial o desenvolvimento dos pequenos negócios e o aumento na sua competitividade, de modo a aumentar sua chance de sobrevivência no mercado.

Frente à tudo isso, nos encontramos diante de um fator essencial para o fortalecimento dos pequenos negócios: a educação, sobretudo, empreendedora. A educação em si é o fator mais determinante para o desenvolvimento de um país e do indivíduo. É por meio dela que se garante o desenvolvimento social, econômico e cultural, e que mudanças e inovações da sociedade são construídas.

A educação empreendedora, inclusive, é a principal bandeira do Movimento Empresa Júnior. E, pensando em como contribuir com o país diante do contexto de crise, criamos o “Unidos pelo Brasil”, projeto que conecta os valores agregados da educação empreendedora às PMEs. A plataforma conduzirá as Empresas Juniores – empresas formadas por universitários de todo país, a realizar consultorias gratuitas para pequenos negócios. Somente em 2019, foram atendidas pelas empresas juniores, mais de cinco mil MPEs e foram oferecidas mais de 20 mil soluções para o mercado.

No final das contas, o entendimento da importância da educação é capaz de guiar a transformação nas universidades, formando lideranças por meio da educação empreendedora. Acredito que com a união do empreendedorismo, da educação e da força da juventude, é possível alcançar o equilíbrio entre os pilares mais importantes da sociedade, auxiliando Micro e Pequenas Empresas a se fortalecerem no mercado e assim, fazer do Brasil um país cada vez mais empreendedor.

Você seria capaz de proteger e armazenar 360 bilhões de horas de conferências web de negócios?

Por Juan Carlos Gutiérrez, diretor IBM Storage LA

Estamos em um dos momentos decisivos da história. Nosso mundo cada vez mais digital está passando por uma mudança acelerada por causa da situação atual. Todos os dias, vemos mais empresas apostando na criação de plataformas de negócios (páginas, aplicativos, serviços online) para reforçar sua vantagem competitiva e diferenciação.

Mas o que isso produz? A explosão de dados.

De fato, de acordo com o IDC no estudo “Worldwide Global DataSphere Forecast, 2020-2024”, até 2024 os dados globais crescerão para aproximadamente 143 zettabytes de dados criados, capturados, copiados e consumidos, hospedados na nuvem e nos datacenters. Para entender melhor esses dados, um zettabyte corresponde a 1 bilhão de terabytes ou 1 trilhão de gigabytes. Então, 143 zettabytes de dados equivalem a 360 bilhões de horas de conferências web de negócios.

Se voltarmos 10 anos atrás, as empresas com mais capital eram as empresas de petróleo. No entanto, as empresas com mais capital nesta era atual são os grandes geradores de dados, como varejistas virtuais, bancos, empresas de transporte ou imobiliárias on-line e fornecedores de streaming.

E esse avanço tecnológico, com o consequente aumento de dispositivos interconectados, traz consigo um aumento nos dados gerados, analisados ​​e armazenados em todo o mundo. Esses dados são gerados por consumidores e empresas. Estima-se que o número de interações pessoais por dia envolvendo a troca de algum tipo de dados se multiplique por 20 nos próximos anos. E isso acontecerá cada vez mais à medida que nossas casas, locais de trabalho, veículos, dispositivos portáteis, etc. se interconectam e começam a produzir mais dados.

Os dois paradigmas da explosão de dados: armazenamento e proteção

Em um mundo acelerado, as empresas capazes de tomar decisões em tempo real terão maior capacidade de se adaptar a novos contextos de mercado, ficar mais inteligentes e responder melhor às necessidades de seus clientes. Isso só acontecerá se elas tiverem uma estratégia de armazenamento que permita análise imediata e acesso aos dados.

Mas esse novo contexto também pode expor as empresas a maiores ameaças e custos relacionados ao roubo de dados e ao cibercrime. Todas as empresas, independentemente do tamanho, estão expostas a ataques cibernéticos. De fato, um estudo da IBM prevê que até 2021 as empresas serão vítimas de ransomware a cada 11 segundos; portanto, a estratégia de segurança cibernética e resiliência é fundamental.

Não se trata apenas de “se” você sofrerá um ataque de segurança, mas de “quando”. Atualmente, a maioria das estratégias de segurança concentra-se na capacidade de impedir violações de segurança e, quando ocorrer, resolver esse ataque. Ataques que podem levar horas, dias ou até semanas para remediar.

Essa realidade torna essencial a infraestrutura de armazenamento para evitar o impacto de ataques cibernéticos nas empresas e em seus dados. A infraestrutura de armazenamento deve oferecer as tecnologias certas para criar uma estratégia holística de segurança cibernética para dados corporativos armazenados e trocados.

No final, todos nós nos beneficiaremos dos dados que geramos. As empresas verão esses dados refletidos em melhores produtos e serviços e em uma maior vantagem competitiva; e o consumidor desfrutará de uma experiência mais personalizada.

Porém, com os dados como base da nova economia, a capacidade de armazenamento seguro será essencial para a confiança na era digital.

Mão de obra qualificada é necessária para o desenvolvimento econômico e social do Brasil

Por Jamile Sabatini Marques

Estamos vivendo um momento polarizado quando se trata de empregos no Brasil e no mundo: enquanto as empresas do setor tecnológico carecem de mão de obra qualificada, há um grande número de pessoas buscando empregos – 12,3 milhões somente no Brasil, de acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, como consequência, vemos pessoas capacitadas, que poderiam ser englobadas pelo setor, e hoje estão se arriscando como empreendedores pela necessidade de prestar serviços por meio das plataformas digitais como uma forma de sustento.

Ao mesmo tempo que milhares de vagas do setor tecnológico no Brasil não estão sendo preenchidas por falta de qualificação, as empresas que não conseguem completar os seus quadros de funcionários estão perdendo competitividade, pois enfrentam dificuldades para fecharem novos projetos e contratos por falta de equipe técnica. O resultado, com isso, é claro: o Brasil deixa de gerar desenvolvimento econômico baseado no conhecimento e perde competitividade para os outros países

Nestes novos tempos que estamos enfrentando uma pandemia mundial e com a aceleração da transformação digital que veio com ela, o país ganhará espaço nas capacitações on-line para fazer com que este abismo entre a oferta de empregos e o número de desempregados diminua.

Uma alternativa que reduziria o abismo existente para as empresas atraírem profissionais formados em outras áreas e capacitá-los de acordo com as suas necessidades é o benefício fiscal. Existe hoje uma lista imensa e diversa de carreiras que as empresas de tecnologia apontam como as mais escassas: Cientista de Dados; Programador Python; Analista de Segurança cibernética; Arquiteto de Infraestrutura Cloud; Arquiteto de Soluções; Cientista de Inteligência Artificial e Cognição; Cientista Quântico; e Arquiteto de Aplicação, sendo este último apontado como uma “mosca branca” por alguns empresários, ou seja, aquele profissional raro no mercado e muito difícil de ser encontrado.

Outro ponto de atenção que muitas empresas acabam deixando de lado por falta de conhecimento é a forma em que buscam tais profissionais. Muitas optam por robôs que fazem uma pré-seleção do enorme volume de currículos recebidos para preencher uma vaga específica. Porém, se o candidato não está atento à descrição do cargo, pode deixar de lado as palavras-chave necessárias para que o robô o considere no processo seletivo ou para a próxima etapa de seleção. É importante que, por trás destes robôs, existam profissionais de recrutamento abertos e incentivados a fazer contratações que necessitam de treinamento e capacitações específicas.

Ainda é cedo para sabermos o impacto que o COVID-19 deixará, mas é inegável que a transformação digital foi acelerada em alguns anos. A cada dia teremos novos desafios e, com eles, oportunidades para novas tecnologias se inserirem em uma nova forma de trabalho e de qualidade de vida.

Políticas públicas para o fortalecimento dos setores de tecnologia e digital é um dos principais caminhos para a recuperação econômica do Brasil e, para tanto, se faz necessário a utilização das federações e das instituições de ensino e institutos na formação de profissionais para este novo mundo. Esses serão os principais eixos sobre os quais a demanda por emprego girará nos próximos anos.

Jamile Sabatini Marques, diretora de inovação e fomento da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software

Importância do crédito rural para o Brasil

Por Rafael Sant’Anna

Apesar da perspectiva de queda do PIB brasileiro em torno de 6% este ano, em decorrência da pandemia da Covid-19, o agronegócio continua sendo o principal motor da economia nacional, mantendo suas exportações e o abastecimento interno. Assim, é fundamental que os produtores rurais continuem encontrando condições para investir e cresce.

Nesse contexto, é importante a chamada MP do Agro, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada como Lei Nº 13.986/20 pelo presidente da República, em 7 de abril último. Esta norma foi concebida para modernizar a legislação que regula o financiamento rural no Brasil e atrair recursos do setor privado, especialmente por meio da criação de fundos e garantias em benefício do produtor rural. Trata-se de algo importante para os produtores, pois o texto prevê mudanças relacionadas ao sistema de crédito rural, como aval solidário e o chamado patrimônio de afetação, que interfere na concessão de garantias para a obtenção dos financiamentos.

É fato que existem diversos sistemas de crédito. O Plano Safra 2019/2020, em vigor desde julho do ano, apresentou boas perspectivas para os produtores, com recursos de R$ 225,59 bilhões, sendo R$ 169,33 bilhões para crédito rural (custeio, comercialização e industrialização) e R$ 53,41 bilhões para investimentos. Também importante é o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, com R$ 1 bilhão. Para 2020, haverá R$ 1,85 bilhão para apoio à comercialização nas modalidades de aquisição direta do produtor, contratos de opção de venda e subvenção de preços. O programa vale até 30 de junho.

Mas, não bastam todas essas modalidades de crédito disponíveis. É preciso facilitar o acesso aos empréstimos pelos produtores, especialmente os pequenos e médios. É necessário reduzir a burocracia, apresentação de garantias e mais agilidade. O governo anunciou R$ 31,22 bilhões para o Pronaf e R$ 26,49 bilhões para o Pronamp, R$ 6,46 bilhões a mais do que na safra 2018/2019, o que representa aumento de 32%.

Os juros são interessantes em algumas modalidades, mas é preciso ver, em cada caso, o que é melhor. Para empréstimos relativos a custeio, comercialização e industrialização, as taxas são de 3% ao ano, ou seja, abaixo da Selic, que está em 5%. Também continuam vantajosos os empréstimos por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com taxas de 4,6%. Com 6% ao ano, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) já tem juros maiores. Porém, é importante verificar os prazos de carência e pagamento e opções de amortização, para se concluir pela opção mais adequada.

Só que esse dinheiro precisa chegar ao campo. É preciso, também, rever erros do passado, inclusive recente. O crédito rural com juros mais baixos é um dos trunfos da agropecuária e da economia nos países desenvolvidos. No Brasil, embora o agronegócio venha sendo a grande base de sustentação econômica, tem sido complicado acesso do setor a financiamentos, problema agravado pela longa crise econômica nacional.

A tecnologia pode ser um ponto positivo nessa questão, com as fintechs, principalmente as voltadas para o Agronegócio, empenhando-se para trazer opções de transação e até de financiamento, sendo mais uma opção para o produtor.

Assim como diversos setores têm se beneficiado dos bancos digitais e serviços tecnológicos, para ganhar em agilidade, produtividade e conectividade, ligando todos os elos da cadeia, pode ser o momento para que o financiamento no agronegócio também migre para esse universo 4.0.

E isso não deve demorar. Já estamos vendo uma mudança de comportamento no produtor rural, que está recorrendo à tecnologia para encontrar soluções. Em nossa plataforma, por exemplo, identificamos um aumento de 1.400% no número de acesso, entre janeiro e dezembro de 2019, tanto que hoje temos cerca de dois milhões de acessos mensais.

Nesse fluxo, vemos que a busca por serviços, financiamento e crédito ainda é uma porcentagem pequena no número de acessos, mas que está crescendo gradativamente.

Portanto, a grande mudança, além da disponibilização do dinheiro, é fazer com que ele chegue de maneira mais rápida e descomplicada aos produtores, seja por meio dos bancos oficiais, mercado financeiro ou plataformas digitais, que podem ser facilmente acessadas pelo celular.

Somente assim o crédito vai virar alimentos, bioenergia e commodities, produtos da terra com os quais o Brasil tem garantido superávit na balança comercial e que serão, cada vez mais, a nossa grande vantagem competitiva na economia global. Além disso, deve-se considerar que, em curto prazo, o agronegócio é decisivo para a retomada do crescimento mais acelerado e maior do PIB e recuperação nacional no contexto da pandemia da Covid-19.

Rafael Sant’Anna, Country Manager da Agrofy

O futuro da inteligência artificial

Por Michal Pechoucek, CTO da Avast

 

A inteligência artificial (IA) dominou as manchetes em 2019, tanto para o bem quanto para o mal. Enquanto a tecnologia trouxe muitos benefícios, também mudou o cenário da segurança cibernética, criando novas ameaças e trazendo novas mudanças sociais que precisam ser abordadas.

Neste artigo, Michal Pechoucek, CTO da Avast, discute algumas das maiores previsões e desafios que a inteligência artificial trará na próxima década.

A corrida armamentista da IA: A corrida armamentista da inteligência artificial está iniciada. É um jogo de gato e rato, que vemos todos os dias em nosso trabalho de inteligência de ameaças. À medida que a nova tecnologia evolui, nossas vidas se tornam mais convenientes, mas os cibercriminosos veem novas oportunidades para atacar os usuários. Seja abusando dos dispositivos invadidos para criar uma botnet ou derrubando sites e importantes infraestruturas de servidores, ficar à frente dos bandidos é a prioridade para os provedores de segurança. A IA aumentou a sofisticação dos ataques, tornando-se cada vez mais imprevisíveis e difíceis de mitigar.

Aumento dos ataques sistemáticos: A IA reduziu o volume de trabalho necessário para realizar um ataque cibernético. Ao contrário do desenvolvimento manual de códigos de malware, esse processo tornou-se automático reduzindo o tempo, esforços e custos relacionados com esses ataques. O resultado: os ataques estão cada vez mais sistemáticos e podem ser realizados em uma escala cada vez maior.

Mudança social e novas normas: O crescimento da inteligência artificial trouxe muitos avanços tecnológicos, mas, a menos que seja cuidadosamente regulamentada, corre o risco de mudar certos aspectos da sociedade. Um excelente exemplo disso é o uso da tecnologia de reconhecimento facial pela polícia e pelas autoridades. São Francisco ganhou as manchetes, quando se tornou a primeira cidade dos EUA a proibir a tecnologia.

Isso foi visto como uma grande vitória – a tecnologia carregava muito mais riscos do que benefícios e questões sobre imprecisão e viés racial. A tecnologia de inteligência artificial não é perfeita. É apenas tão confiável e precisa quanto os dados que a alimenta. À medida que entramos em uma nova década, as empresas de tecnologia e os legisladores precisam trabalhar juntos para garantir que esses desenvolvimentos sejam adequadamente regulamentados e usados com responsabilidade.

Mudando a maneira como olhamos para as informações: Agora estamos na era das notícias falsas e da desinformação. A IA tornou ainda mais fácil criar e espalhar informações enganosas e fraudulentas. Esse problema é exacerbado pelo fato de consumirmos cada vez mais informações nas “Echo-chamber” (que significa “câmara de eco digital”), dificultando o acesso às informações imparciais.

Embora a responsabilidade recaia sobre as empresas de tecnologia que hospedam e compartilham esse conteúdo, a educação em alfabetização de dados se tornará mais importante em 2020, e além. Um foco crescente em ensinar ao público como examinar informações e dados será vital.

Mais parcerias para combater a IA adversária: Para combater a ameaça da IA adversária, esperamos ver mais parcerias entre empresas de tecnologia e instituições acadêmicas. É exatamente por isso que a Avast fez parceria com a Universidade Técnica Tcheca (The Czech Technical University, CTU) em Praga, para avançar com pesquisas na área de inteligência artificial.

Os riscos de ameaças a dados de mais de 400 milhões de dispositivos em todo o mundo foram combinados com o estudo da Universidade Técnica Tcheca sobre ameaças complexas e evasivas, a fim de prevenir e inibir os ataques de cibercriminosos. Os objetivos do laboratório incluem publicar pesquisas avançadas neste campo e aprimorar o mecanismo de detecção de malware da Avast, incluindo os seus algoritmos de detecção baseados em inteligência artificial.

A IA continuará impactando, mudando a tecnologia e a sociedade ao nosso redor. No entanto, apesar das associações negativas, há muito mais ganhos em inteligência artificial do que perdas.

As ferramentas são tão úteis, quanto aqueles que as manejam. A maior prioridade nos próximos anos será a colaboração entre setores e o governo, para usar a inteligência artificial para o bem e proibir aqueles que tentarem abusar dela.

Na crise, escolha o intraempreendedorismo e faça uma transformação cultural profunda

Por Marina Mendonça

Desde que foi declarada a pandemia, poucos assuntos têm conseguido chamar mais nossa atenção do que os números relacionados às contaminações pela covid-19 e as previsões depois que tudo isso “passar”. Dentro das empresas, vários gestores estão sofrendo todo tipo de pressão e com isso buscam a melhor resposta para lidar com as consequências da pandemia. Notamos uma centena de pesquisas e tentativas de entender do que as empresas precisarão ou o que elas já têm feito nesse momento. Fato é que, sejamos nós pesquisadores, colaboradores, gestores ou empreendedores, todos os dias somos inundados por perguntas, análises e muitas especulações.

Há um bom tempo já se discutem os desafios para a gestão de pessoas, que se tornam cada vez maiores. Contudo, acreditamos que esses desafios ficaram gigantes nesse cenário de isolamento social, considerando: (i) a necessidade imediata de uma liderança remota e que já é realidade em algumas empresas; (ii) a necessidade de um rigoroso processo de segurança comportamental e seus desafios de engajamento; (iii) o ambiente organizacional que se torna um lugar de incertezas profundas e constante mudança; (iv) os impactos da pandemia na saúde mental das pessoas.

Não é difícil pensar que diversas empresas estão ou estarão enfrentando situações muito similares, visto que essa é uma situação global. E fato é que o momento vem deixando mais urgente e mais evidente algo que já defendemos há algum tempo: a necessidade de transformação cultural das empresas. As empresas não encontrarão mais formas para driblar a situação e não poderão adiar iniciativas mais estratégicas que buscam essa mudança de cultura. Precisam desenvolver logo uma cultura que possa acolher as novas demandas das pessoas e, também, desenvolver habilidades que auxiliam no enfrentamento de tantas dificuldades.

E você pode estar se perguntando: Mas por onde devemos começar? Talvez começar pelo óbvio não seja uma má ideia. Numa visão macro, isso poderia ser pensar em formas de redução de custos, aumento de receitas e, especialmente, em desenvolvimento humano. Nessa linha, programas de intraempreendedorismo para inovação passam a gerar valor para os gestores e podemos explicar muito bem o porquê desse fato. Mas por onde devemos começar?

Intraempreendedorismo: uma boa estratégia para enfrentar a crise

Antes mesmo de se instalar o pânico gerado pelo novo coronavírus, antes mesmo de enfrentarmos essa recessão global, várias organizações já tiveram suas crises particulares ou se viram numa situação em que desejaram mudar as estratégias e inovar. Schumpeter, um dos maiores economistas de todos os tempos, foi pioneiro em defender a ideia de que o desenvolvimento econômico mantém relações estreitas com a inovação. Interessante é que ele defendia também que a inovação, por sua vez, mantém relações estreitas com o empreendedorismo e com o empreendedor.

E, sim, as empresas vão precisar de inovação de todos os tipos e poderão chegar a esse resultado criando condições para que seus colaboradores construam e realizem ideias empreendedoras. Ideias que possam atender às necessidades da empresa, mas que também possam explorar oportunidades nem identificadas. Logo, fica mais fácil concluir que o intraempreendedorismo poderia se apresentar mais do que nunca como uma alternativa bastante promissora para esse momento, certo? Então, veja abaixo alguns dos resultados que são comuns nesses projetos e que ajudam a explicar a relação com a inovação:

(i) desenvolvimento de competências empreendedoras: para realizar as ideias empreendedoras, as pessoas desenvolvem algumas habilidades específicas de quem está empreendendo. Além disso, aprendem muito sobre metodologias ágeis para modelagem de negócios e acessam ferramentas para identificar, realizar e gerir a inovação.

(ii) melhorias de processos: mais do que solucionar problemas já identificados pelas empresas, é muito comum que nos projetos de intraempreendedorismo surjam oportunidades ainda nem identificadas e que podem gerar muito valor. Isso acontece porque as metodologias não são focadas apenas em desenvolver a melhor solução, mas também em conhecer a fundo os problemas.

(iii) identificação de novas oportunidades: outro ponto importante é que as empresas aprendem mais sobre como encontrar e explorar novos mercados para soluções desenvolvidas. Boa parte do objetivo desses projetos é conhecer melhor o cliente e o que tem valor para ele.

Todos esses resultados vão acontecer nos programas de intraempreendedorismo e, certamente, vão gerar impactos interessantes para que o negócio enfrente seus desafios na crise – ou fora dela. Entretanto, existe um ponto que é muito importante sobre esses programas e que, talvez, nem todas as empresas conseguem perceber, que é: uma coisa é a empresa executar um programa de intraempreendedorismo, outra coisa, é ela realizar um processo de transformação para ter uma cultura mais empreendedora. E se a empresa não se atentar para isso podem acontecer efeitos colaterais, tais como: (i) após o fim do programa, acabam as iniciativas de inovação; (ii) haverá resultado, mas não alcançará a expectativa e as necessidades da empresa.

Ou seja, o melhor do intraempreendedorismo é quando ele muda sua cultura e prepara a empresa para momentos de crise. Um programa de intraempreendedorismo mais estratégico, além de buscar iniciativas inovadoras, será aquele desenhado com o foco no desenvolvimento empreendedor de todos seus colaboradores. É assim que as organizações podem se aproximar cada vez mais do que elas realmente precisam: ter uma cultura mais empreendedora.

O intraempreendedorismo não deve ser encarado como um programa específico, mas sim como uma prática cultural, como processos integrados que são perenes e transversais. Ele deve mudar a forma das pessoas pensarem, sentirem e agirem, e, a partir disso, alcançarem resultados mais eficientes, mais sólidos e de maior impacto.

Compreender e mudar o comportamento das pessoas é muito desafiador, em especial, quando tratamos de processos de mudanças em que os novos padrões de comportamento precisam ganhar força suficiente para substituir os padrões antigos. Ao longo do tempo, tivemos a oportunidade de desenhar vários desses programas e testamos várias abordagens. Nesse sentido, definitivamente, podemos afirmar que os métodos mais eficientes foram aqueles em que:

(i) cuidamos das pessoas: entendemos quem elas eram, suas histórias e suas experiências, seu momento psicológico e emocional, e também como elas percebiam a transformação para inovação; projetos que levam em consideração a experiência das pessoas, promovem mais engajamento e mais motivação.

(ii) envolvemos maior diversidade de pessoas: assim como a inovação o intraempreendedorismo se beneficia de diversidade, seja hierárquica, seja de experiências, seja de características individuais.

(iii) focamos em processos de desenvolvimento: é preciso criar metodologias focadas em desenvolver as pessoas e não somente nos resultados. Quando focamos no resultado não garantimos que as pessoas estão aprendendo e que elas poderão reproduzir isso. Mas quando focamos na aprendizagem, as pessoas passam a estar mais preparadas para qualquer desafio e o resultado é contingente e contínuo.

Isso tudo é para provocar a reflexão de que intraempreendedorismo não deveria ser entendido apenas como uma estratégia de negócio ou como mais uma alternativa para sua empresa sobreviver à crise, essa é uma visão míope. Um programa de intraempreendedorismo, se for realizado considerando todos os pontos discutidos anteriormente, pode promover soluções inovadoras para os negócios, uma mudança na cultura das empresas e, ainda, desenvolver nas pessoas habilidades importantes para situações de grandes dificuldades. E isso só acontece, aos poucos, degrau por degrau, dentro de um conjunto de ações muito bem geridas e entrelaçadas. Por isso, antes de realizar o seu programa de intraempreendedorismo, fique atento e reflita bastante se o que sua empresa quer é um projeto pontual ou uma empresa mais empreendedora.

Marina Mendonça, sócia e Diretora de times e cultura na Troposlab

Os desafios das tecnologias para tratar os riscos das compras online

Para Gastão Mattos, Líder da IDid

É notório que a cada passo na evolução das compras online, lojistas e consumidores também sofrem com o crescimento de armadilhas que tentam roubar informações para a realização de fraudes. O Mapa da Fraude da ClearSale aponta que, só em 2019, o comércio eletrônico brasileiro sofreu aproximadamente 3 mil tentativas de fraudes por minuto. Ou seja, a cada R$ 100 de compras realizadas, R$ 3,47 foram de origem fraudulenta.

Os principais alvos dos fraudadores em vendas online (sem o cartão físico) são as lojas de eletrônicos, de desconto e varejistas que vendem computadores, periféricos e software.

As fraudes, além de resultar em problemas nos cofres dos lojistas, também mantém a desconfiança dos consumidores de realizar esse modelo de compra. Muitos ainda não se sentem seguros com o e-commerce, com a tradicional dúvida se a compra pela Internet é confiável. Já as lojas sofrem com a operação de chargeback, porque, ao assumir a venda, deverão cobrir o gasto que o proprietário teve com seu cartão roubado.

Em contrapartida, o e-commerce em 2019 no Brasil conseguiu evitar perdas de R$ 1,9 bilhão causados por fraudes, o que caracteriza um crescimento de 36% em relação ao ano anterior de segurança. Esse resultado se deve, principalmente, ao número de soluções antifraudes que vem sido desenvolvidas por empresas de tecnologia no mundo.

Mas, o motivo da discussão é que, ao realizar uma análise mais detalhada sobre o assunto, algumas tecnologias antifraudes não oferecem a eficácia total, porque apenas reduzem, mas não eliminam por completo as tentativas de fraudes. Pelo lado dos lojistas, um ponto importante a considerar é o custo de implementação dessas soluções e o quanto elas podem garantir a segurança no momento das negociações.

Existem dois modelos de sistemas antifraudes: rede neural artificial e inteligência artificial (IA). A neural surgiu para criar um sistema computacional que resolvesse os problemas, como um cérebro humano, por meio do machine learning. As identificações de fraudes são baseadas nos padrões de compras de cada consumidor e/ou no padrão de vendas da loja.

Com aumento dos volumes e utilização de dados, a inteligência artificial surge para auxiliar a rede neural na resolução de tarefas específicas, como reconhecimento avaliações de dados financeiros, históricos de compras e atividades em rede.

Conceitualmente, as bases de análises e respostas desses sistemas ocorrem por meio de probabilidades e não pelo grau determinístico (exato), estabelecendo se é ou não uma fraude na hora da compra.

E o que isso significa para os lojistas? A constante dúvida na hora de tomar a decisão de impedir se a determinada compra pode ser feita ou não. O que quero dizer é que se a probabilidade fornecida pela tecnologia apontar que o consumidor é um criminoso, mas ele não é, a loja perde a venda e, principalmente, a fidelização do cliente.

Também vale ressaltar que o mercado digital é uma importante porta de negócios para micros e pequenas empresas, que buscam na Internet melhores possibilidades de lucrar. Como mostra o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 54% dos empregos formais do país são gerados desses negócios, sendo o comércio concentrar a maior parte das empresas: 41%.

Com esse cenário de infinitas possibilidades para lojas e clientes, destaco abaixo alguns modelos antifraudes existentes – com prós e contras – para que negociantes e consumidores possam se aprofundar sobre o que existe e o que essas tecnologias promovem.

Antifraude

A solução é a mais utilizada pelos lojistas na busca de mais segurança nas compras online. Normalmente contratada em parceria com os sistemas de pagamento, a tecnologia pode ser configurada pelo lojista de acordo com seu perfil de vendas, bloqueando transações que estiverem fora do padrão para futura análise manual. Embora seja eficiente em muitos casos, a parametrização do sistema pode autorizar as compras fraudulentas e gerar futuros para o estabelecimento.

Aprovação manual

O sistema realiza a análise de possíveis fraudes, por meio do trabalho automatizado ou manual, em que o funcionário ou empresa terceirizada faz a verificação dos dados recolhidos do consumidor em contatos telefônicos ou análise sistêmica da transação negada pelo sistema antifraude. Esse modelo traz como ônus tempo e custos para a conclusão do procedimento. Ou seja, paga-se cerca de R$ 0,40 por cada avaliação automatizada e até R$ 12 manualmente, sendo que a segunda análise pode demorar até 48 horas para ser finalizada.

A fraude nesse caso pode ocorrer de maneira simples, já que o possível comprador do produto utiliza cúmplices que confirmam como verdadeiras as informações erradas que foram passadas ao lojista. O problema da dúvida é que essa avaliação pode autorizar transações fraudulentas ou barrar compras legítimas, prejudicando os lojistas em todos os sentidos.

Tokenização

Antes, era o conhecido chaveiro de segurança que disponibilizava o acesso às contas em transações bancárias. Hoje, no e-commerce, a tecnologia é um cofre virtual que protege as informações do cartão do consumidor, evitando que se trafegue o número real de cartão, utilizando assim um código único (token) – que representa o cartão em questão para a finalização da compra. No entanto, existe também a possibilidade de o cartão ter sido fraudado antes do armazenamento, o que torna a identificação da fraude mais lenta e complexa.

Velocity

É uma solução que opera em real time e realiza avaliações especificamente de uma tentativa de ataque, que é a validação em massa de cartões roubados, feitas por repetições realizadas por robôs, que testam os dados dos cartões dos consumidores para determinadas ações. Embora seja eficiente neste processo, a solução não traz outras camadas de proteção.

3DS 2.0

O protocolo 3DS2.0 é uma nova versão tecnológica, criada pelas principais bandeiras de pagamentos, que realiza, em tempo real, a análise e autenticação forte em tempo real das compras online. Trata-se de uma evolução ao protocolo anterior, 3 DS, implementado há mais de 20 anos no mercado. Na versão atual, a autenticação do comprador é opcional do banco, que toma a decisão com base nas mais de 100 informações disponibilizadas sobre a transação e, com isso, solicita ou não a autenticação do consumidor. Se o perfil da compra for considerado de baixo risco, a transação é aprovada, sem a necessidade de autenticação. O mais importante é que o risco de fraude passa para o emissor do cartão, isentando o lojista, neste caso.

A versão atualizada traz funções como aplicação de protocolo para as transações mobile e a autenticação seletiva, baseada em regras de riscos. O conceito é garantir uma integração mais fluida, sempre com a maior segurança.

O que está por vir

Como novidade, foi lançada recentemente pela IDid, uma plataforma desenvolvida no Brasil e que traz como conceito de compra o “consumidor presente” no e-commerce na hora de fazer o pagamento. Durante a aquisição do produto, o comprador recebe uma notificação do aplicativo mobile do banco emissor no celular, que utiliza o processo de autenticação da própria instituição financeira para o aceite ou não da compra. Essa tecnologia visa eliminar por completo as tentativas de fraudes.

Tanto para lojistas como consumidores, existe o constante desafio de manter a integridade em todo o processo de compras online. Por isso que novas tecnologias surgem para melhorar as condições da autenticação de segurança entre vendedores e compradores. Podemos considerar que estamos próximos de uma solução tecnológica não preditiva ou probabilística, que propicie total exatidão e certeza para a realização das compras online chamadas de não presenciais. A tecnologia vai garantir a segurança e usabilidade permitindo grande evolução nos negócios online. Tudo com o objetivo de eliminar decisões probabilísticas e, portanto, passíveis de erros, colocando o próprio consumidor como a única fonte de aprovação das compras online.

Planejamento tributário: uma alternativa para pagar menos imposto e manter o compliance fiscal

Por Adriana Manni Peres, especialista em impostos da IOB

Zelar pela gestão é essencial para todas as empresas, independente do porte ou setor. Em períodos mais desafiadores, como o que estamos vivenciando agora com a crise da Covid-19, investir em medidas para reduzir custos é assegurar a sobrevivência dos negócios e o emprego de muitas pessoas. Nesse sentido, o planejamento tributário é uma saída muito eficaz para adotar procedimentos previstos na legislação e ter uma economia na hora de pagar os tributos. Tudo isso de maneira legal e mantendo o compliance fiscal. E neste contexto de ajustes de orçamentos, a atuação do contador é fundamental para, além de orientar o cliente de acordo com a lei, analisar a operação, bem como trazer novas oportunidades, uma vez que a pandemia trouxe muitos desafios para a sobrevivência dos negócios.

Muitas vezes, uma simples mudança de processo pode significar uma redução expressiva no pagamento de impostos e custos operacionais. Por exemplo, a empresa A vende uma mercadoria para a empresa da B que já vendeu para a empresa C. Se optar por deixar que A entregue o item diretamente para C, economizará com a logística do transporte, economizando tempo com preços mais atrativos no mercado. Existem ainda casos, como o regime de substituição tributária, em que as empresas acumulam créditos nas suas escritas fiscais, sem ter o conhecimento de como resgatá-los. Para que isso aconteça, o contador precisa apresentar as condições necessárias para essa utilização e estar atento ao que diz a legislação.

Outra medida que poupa recursos são os chamados regimes especiais. No caso das empresas que importam insumos para industrialização, é possível mediante regimes especiais concedidos pelo Fisco Estadual, pagar o ICMS apenas na saída do produto acabado. No Estado de São Paulo, por exemplo, foi instituído o Programa de Estímulo à Conformidade Tributária, conhecido como “Nos Conformes” para estimular as empresas a estarem em dia com os tributos e obterem mais facilidades perante o Fisco e os regimes especiais.

No momento em que a empresa estiver em expansão e chegar a hora de abrir outra unidade, a localização do novo estabelecimento deve ser discutida com bastante atenção. O Brasil tem a legislação complexa e as alíquotas de ICMS mudam de estado para estado, assim como o ISS é diferente em cada cidade. O contador e empresa podem analisar juntos, do ponto de vista da tributação, onde vai ser mais econômico atuar.

O planejamento tributário é um aliado das companhias, não só nos momentos de crise, mas na rotina diária. Ele é uma forma de assegurar que elas paguem corretamente os seus impostos e se beneficiem de medidas previstas na lei, reduzindo a sua carga de tributos. E neste cenário, a figura do contador torna-se cada vez mais estratégica e essencial para a saúde financeira das empresas.

O legado do Trabalho Temporário

Por Marcos de Abreu

Há mais de três décadas, a ideia de transformar os desafios do agenciamento de trabalho temporário como garantia de mais produtividade para as empresas e melhores oportunidades para os trabalhadores foi meu norte e o principal motivador para começar esta jornada que hoje coloca a Employer como uma referência do setor no Brasil.

Nesses mais de 30 anos nosso objetivo principal sempre foi levar soluções às empresas de segmentos diversos, da indústria até os serviços, oferecendo a oportunidade real de aproximação de empregadores e trabalhadores.

E o que seriam das histórias sem grandes conquistas? Em todos esses anos foram muitas conquistas jurídicas junto ao governo, ao Ministério do Trabalho e ao Superior Tribunal de Justiça. Conquistas que aprimoraram leis vigentes e ficaram marcadas como capítulos importantes não somente na trajetória da Employer e de milhares de empresas, mas também na história do País.

Entre as mais recentes, está o decreto do trabalho temporário, publicado em outubro do ano passado (Decreto n° 10.060 que regulamenta a Lei 6.019/74), que devido a simplicidade do seu texto, impulsionou a utilização do trabalho temporário por empresas que não o conheciam ou tinham dúvidas sobre a modalidade.

Hoje o Brasil e o mundo experimentam uma transformação profunda. A crise gerada pelo Covid-19 afetou de forma contundente e repentina empresas e empregos. O Brasil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), tem mais de 12,3 milhões de desempregados e, ainda segundo o Instituto, esse número deve crescer até o final da pandemia. Com isso, empresas se viram diante da necessidade de criar novas e rápidas alternativas de sobrevivência como reduções de jornadas de trabalho, afastamentos de colaboradores enquadrados no grupo de risco e também demissões. E é neste cenário que vejo, mais uma vez, que podemos contribuir, e muito, para superar este problema sem precedentes.

Pesquisa recente da Asserttem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário) mostra que o movimento de contratações temporárias em meio à pandemia está crescendo nas áreas da saúde, indústria de suprimentos, alimentos, supermercados e serviços essenciais. É prova real que o trabalho temporário toma seu legado nessa crise e pode assumir o papel de protagonista como uma solução importante para a sobrevivência das empresas e manutenção dos empregos.

Muitas coisas já evoluíram de forma irreversível e não voltarão a ser como antes do Covid -19. As empresas não podem parar, precisam de novos caminhos que flexibilizem e tragam garantias para empregadores, trabalhadores.

O mapa está à mão e as escolhas devem ser assertivas e de curto prazo. O modelo apresentado na atual legislação dos contratos temporários deve servir de guia a um caminho seguro e mais rápido para recuperação do emprego e renda. E ainda um aditivo eficiente para a formalização de um grande contingente de trabalhadores que vivem à margem, na informalidade.

Marcos de Abreu, presidente da Asserttem e presidente do Grupo Employer.

A importância do rastreamento em momento de instabilidade

Por Frederico Menegatti

No último dia 11, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o novo coronavírus (Covid -19) como uma pandemia mundial. A doença, que já atingiu mais de 110 países e mais de 350 mil casos de contágio, vem deixando o mundo em estado de alerta. Como tem provocado diversas formas de paralisação, a economia mundial, em diversos setores, já sente os efeitos da quarentena.

Em uma entrevista concedida pelo Angel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, ou clube dos países ricos), à BBC, o choque econômico já é maior do que a crise financeira de 2008 ou a de 2001, após os ataques de 11 de setembro daquele ano. A previsão dele é que tenhamos apenas um crescimento global de 1,5%, – o que para mim já soa otimista demais.

Aqui no Brasil, já podemos ver sinais de alertas. Na última semana o varejo teve uma queda de 25,2% das vendas em relação à semana anterior ea Via Varejo, marca dona da rede de lojas Casas Bahia e Ponto Frio, teve que fechar mais de mil lojas. Se ela, um dos maiores players varejistas do país, já sentiu esse baque, imagina os pequenos e médios empreendedores que mais do que nunca precisam continuar em operação?

Acredito que nesse momento, mesmo que tenebroso, não se pode deixar a peteca cair e devemos buscar alternativas para perder o menos possível. Além disso, é preciso buscar alternativas cabíveis que permitam um gerenciamento de atividades à distância, já que toda a população está proibida de sair de casa, até a segunda ordem. Para quem precisa continuar na atividade e acompanhar a chegada e saída das mercadorias, as tecnologias de rastreio têm muito a agregar e ajudar a sanar esses e outros possíveis gargalos no mercado atual.

Graças à interne e a conectividade, já existem disponíveis ferramentas de rastreamento que oferecem a melhor comodidade para o gerenciamento dos automóveis e das frotas. Por meio de tais soluções, empresários de quaisquer segmentos podem acompanhar o veículo de forma remota, sem a necessidade de contato físico, algo que precisamos evitar nesse momento.

A busca de serviços de rastreamento era, até então, algo ainda incipiente e pouco procurado, mesmo diante de um vasto mercado que temos no Brasil. Mas aos poucos esse cenário tem mudado e esse momento de incertezas e onde os serviços de entregas se tornaram essenciais para ajudar a roda da economia a girar, pode ser algo benéfico para os players de rastreamento. Felizmente já é possível encontrar soluções completas e pouco complexas que oferecem uma gama rica de informações e processos que irão, não apenas sanar as dúvidas de quem começou a tatear o serviço de frotas recentemente, mas também a sanar possíveis gargalos em diferentes verticais.

Por isso, se você não quer se ver na situação da grande Via Varejo e quer melhorar sua produtividade e processos, ganhar eficiência na sua gestão de produtos e frotas, retendo lucratividade, precisa contactar uma empresa que oferece serviço de rastreamento já. Caso contrário, irá continuar vivendo na incerteza atual que a pandemia está “impondo” para todos. Pense nisso!

Frederico Menegatti, CEO e fundador da Getrak, maior provedora de tecnologia para rastreamento da América Latina

As cadeias de suprimentos do futuro

Até 2022, é esperado que mais de 176 milhões de pessoas na América Latina comprem bens e serviços on-line, e que as vendas do varejo na região cheguem a USS$ 2,35 trilhões *. E essa necessidade está aumentando com a COVID-19. Seria esse um pedido para transformarmos as cadeias de suprimentos? Se olharmos para o futuro, é cada vez mais evidente que as empresas precisam trabalhar para fortalecer as cadeias de suprimentos, tornando-as cada vez mais resilientes e ajudando no abastecimento de produtos.

Globalmente, as cadeias de suprimentos estão sendo submetidas a novas condições voláteis e estão sendo desafiadas além de seus limites. Embora o foco atual esteja em manter o suprimento e atender às necessidades dos clientes, as organizações devem considerar como reagir a essas situações, preparando-se para a próxima interrupção, enquanto continuam agregando valor aos clientes finais. E é aí que a tecnologia se torna a aliada fundamental para ajudar as empresas a percorrer esse caminho, fortalecendo as cadeias com informações em tempo real e ação decisiva e permitindo uma melhor capacidade de resposta em três frentes:

1. Visibilidade e orientação preditiva dos acontecimentos. Imagine uma “torre de controle” que ajude os profissionais da cadeia de suprimentos com dados e recomendações preditivas. Isso permite que eles tomem decisões mais rápidas e inteligentes no gerenciamento das cadeias de suprimentos.

A inteligência artificial atuaria como essa “torre de controle”. Por um lado, daria visibilidade a possíveis interrupções em toda a cadeia, incluindo o inventário, a fase de armazenamento e tudo relacionado ao equipamento e sua manutenção. E, por outro lado, permitiria incidir com antecedência sobre essas possíveis falhas, o que, em última análise, afetaria a experiência e a satisfação do cliente.

2. Digitalização de cadeias de suprimentos. O funcionamento do comércio mundial, como outras indústrias, depende de trocas eficientes de informações, especialmente documentos.

Enquanto os ecossistemas empresariais e governamentais de todo o mundo agora estão digitalizando processos e automatizando os gargalos da garrafa; o comércio internacional, devido à sua formalidade e burocracia associada, teve um processo mais lento na digitalização.

Como a tecnologia está facilitando esse processo? A verdade é que o desenvolvimento da tecnologia blockchain está liberando a indústria de processos manuais e sistemas legados que dificultam a transparência, acessibilidade e visibilidade dos documentos. Uma liderança que busca a hiperconexão, para alcançar aprendizado exponencial, gera eficiências no sistema.

Por exemplo, mais de 50 portos e terminais na América Latina fazem parte da rede TradeLens, contribuindo com dados para a rede e podendo fazer previsões com base nessas informações.

3. Rastreabilidade. Associado a essa digitalização e a uma maior cooperação entre as partes, o blockchain também permite a rastreabilidade. Ou seja, todos os participantes do sistema podem conhecer a origem, a localização em tempo real e o status de seus produtos em toda a cadeia.

Dessa forma, as empresas podem desenvolver modelos mais precisos de previsão de oferta e demanda, localizar o fornecimento de matérias-primas e reestruturar contratos.

Um exemplo é a rede Food Trust, baseada no blockchain da IBM, que monitora alimentos e produtos desde o momento em que são produzidos até a escolha do consumidor no supermercado. Atualmente, vários varejistas em todo o mundo, como Carrefour e Nestlé, além de produtores em nossa região, fazem parte da rede para reduzir o desperdício e ajudar as cadeias de alimentos e distribuição não irem à falência.

Embora ninguém possa prever o que o amanhã tem reservado, podemos trabalhar hoje para construir uma cadeia de suprimentos global mais inteligente e eficiente, preparando as empresas para emergirem mais fortes. As organizações podem tirar proveito da inteligência artificial e do blockchain, entre outras tecnologias, para ajudarem a transformar o imprevisto no antecipado e estar mais preparadas para o amanhã.

*Fonte: Statista

Direito digital garante a integridade das empresas em tempos de transformação

Por Ana Rita Petraroli, sócia-fundadora do Petraroli Advogados

Internet das coisas, inteligência artificial e e-commerce são algumas das expressões que se tornaram parte do dia a dia de empresas e consumidores nessa era de transformação digital. Em tempos de pandemia, o processo para uso de tecnologias e inovações, como soluções para melhorar os resultados e se manter no mercado, está ainda mais acelerado.

A adaptação de produtos e serviços às novas exigências do consumidor resultou em uma mudança nos modelos de negócio e em suas estratégias, onde a principal ferramenta são os recursos digitais multifuncionais. À medida em que cresce a praticidade e a proximidade com os clientes, aumenta também a prática de cibercrimes, vazamento de dados, fraudes em e-commerce e invasão de privacidade, demandando a criação de regulamentações específicas no setor jurídico – o chamado direito digital.

Para manter a integridade da empresa, é preciso estar em conformidade com as leis, respeitando as normas e regras que regem as relações, evitando, assim, ações que possam lesar a sociedade e, consequentemente, processos na justiça. Apesar de ainda haver poucas regulamentações que tratam exclusivamente do direito digital, a principal referência é o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014), primeira lei a determinar a responsabilidade civil de provedores e usuários da rede, trazendo mais segurança aos negócios digitais.

Devido a essa insuficiência de normas específicas, o direito digital ainda depende de regulamentações de outras áreas do direito, como criminal, contratos e compliance, tornando necessária a atuação de profissionais do setor jurídico, tanto no contencioso como no consultivo.

No caso dos cibercrimes, embora muitas condutas praticadas no ambiente digital sejam facilmente identificadas como ilegais, o fato de se utilizar a tecnologia como ferramenta muda a aplicação da norma e exige de advogados e juízes um conhecimento mais abrangente para aplicação das leis. Para os contratos, por exemplo, com as diversas operações realizadas no meio digital entre empresas e clientes, esses documentos devem ser adaptados à nova realidade, contemplando todas as questões que envolvem as relações online.

O processo de transformação digital, com seus recursos tecnológicos e soluções inovadoras, é essencial para a sustentabilidade e desenvolvimento de qualquer empresa, mas é preciso estar sempre atento às obrigações legais.

Cinco dicas para manter uma operação de excelência em meio à crise

Por Adriana Oliveira

Os benefícios dos investimentos em digitalização de métodos e sistemas tornaram-se mais evidentes com a crise provocada pela pandemia do coronavírus. Fatores como autonomia dos colaboradores, uso inteligente da tecnologia, definição de metas claras e aproximação com os clientes foram decisivos para que algumas empresas saíssem a frente nesse cenário, com 100% das equipes trabalhando remotamente.

Para que a organização siga ativa e com produtividade durante esse período, separei algumas dicas que podem fazer a diferença na sua empresa:

Metodologia ágil

A adoção de um método ágil de trabalho promove uma hierarquia horizontal e garante mais autonomia às equipes. Quando o trabalho remoto virou realidade para muitos de um dia para outro, essa mudança causou pouco impacto àquelas empresas que já operavam utilizando metodologias ágeis, sem consequências na operação e produtividade.

Usar a tecnologia a seu favor

Quanto mais domínio da tecnologia sua empresa tiver, mais ilesa ela vai conseguir passar por este momento. Plataformas de gerenciamento, por exemplo, que organizam demandas internas e externas, auxiliam no controle das solicitações e atividades, e oferecem mais produtividade ao gerir tarefas individuais. Desta forma, os funcionários conseguem se planejar com mais facilidade. O RH ganha agilidade e efetividade na gestão dos colaboradores, como em avaliações de desempenho, planos de desenvolvimento individual, planos de carreira, entre outros aspectos.

Definição de OKRs (Objective Key Results)

Os OKRs são, resumidamente, os objetivos da empresa e os meios escolhidos para alcançá-los. Ou seja, é uma definição do caminho que a companhia quer seguir e os pequenos passos que devem ser trilhados para que, juntos, todos possam atingir esse grande objetivo. Como colaboradores e gestores não estão próximos, é necessário que essas metas estejam claras para toda a equipe.

Comunicação constante

É verdade que nem todos têm tempo disponível para reuniões diárias. Neste caso, manter a frequência de comunicados pode ser um diferencial. Newsletters, por exemplo, são excelentes meios para cumprir esse papel. Um layout chamativo e informações relevantes garantem que todas as novidades internas cheguem aos colaboradores com facilidade.

Reuniões e lives com os clientes

Manter a proximidade com os clientes garante rápida identificação de problemas que possam surgir nesse período e a empresa ganha agilidade para ajudar aqueles que estão com dificuldade em áreas específicas. Uma iniciativa que pode facilitar isso é a criação de lives com temas que sejam interessantes para os seus contratantes. Essa é uma forma de continuar com “eventos” de relacionamento e também de se comunicar com o público geral.

Enfim, há diversos cuidados que as empresas devem tomar nesse período. Nada vai além de atenções que todos devem ter mesmo quando a rotina é normal, o que precisamos fazer agora é encontrar maneiras de manter esse cuidado à distância.

Adriana Oliveira, diretora de Recursos Humanos do Mercado Eletrônico

Plano de Gerenciamento de Mudanças – Você realmente precisa de um?

Por Sabine Riedel

Gerenciamento de mudanças parece ser a palavra mágica do gerenciamento empresarial moderno, e não apenas no que diz respeito à transformação digital. As organizações geralmente são capazes de lidar com mudanças, porque o “sistema” de organização em si é um sistema em constante mudança. Porém, a capacidade de controlar a organização é limitada e, especialmente quando se trata de mudanças radicais, há algumas coisas a considerar.

Em teoria, a estratégia e os processos de gerenciamento de mudanças geralmente parecem fáceis de gerenciar; seus conceitos parecem coerentes. No entanto, à medida que a mudança progride, um momento próprio às vezes se desenvolve. Quanto mais profunda a mudança, mais perturbador o processo de mudança pode ser para o ambiente. O efeito positivo de pequenas alterações, por outro lado, pode passar despercebido, assim como o aumento de eficiência desejado.

Dizem que planos abrangentes de gerenciamento de mudanças em uma empresa têm um impacto negativo nos negócios, funcionários e clientes antes que o objetivo desejado seja alcançado. Portanto, é útil considerar se algum deve ser implementado e, em caso afirmativo, com qual modelo deve ser trabalhado. Existem muitos modelos: alguns se provaram, outros nem tanto. O que todos eles têm em comum é o seguinte: é uma tarefa a ser atribuída aos gerentes. Da mesma forma, não há dúvida na literatura especializada de que certos fatores são indispensáveis ​​para que as mudanças sejam implementadas com sucesso:

• Comunicação orientada a objetivos com todos os envolvidos.

• O desenvolvimento de objetivos compreensíveis e uma visão.

• A integração precoce e abrangente de todos os funcionários afetados pela mudança.

• Motivação, vontade, habilidade e qualificação para a mudança. (E isso não apenas para os funcionários, mas principalmente para os gerentes.)

Para realizar mudanças de uma maneira promissora, um plano de gerenciamento de mudanças é útil. Ele mantém as irritações que podem resultar de alterações no mínimo. Permite adaptar-se aos desafios de forma rápida e dinâmica. Ao mesmo tempo, é um importante instrumento de monitoramento para acompanhar os principais índices e marcos.

Um plano de gerenciamento de mudanças também garante que o processo de mudança seja registrado e mantido sob vários aspectos. Afinal, não temos apenas fatos numéricos cuja mudança pode ser observada, mas, acima de tudo, haverá mudanças nas pessoas que estão implementando essa mudança. Um plano de gerenciamento de mudanças significa ter certeza sobre o orçamento a ser usado, o processo, o grau de alcance das metas e os recursos utilizados, mantendo-se ao mesmo tempo ágil.

“O plano pelo menos nos ajuda a registrar desvios desde o início e reconhecer se devemos corrigir nossa direção original.”

O que contém um plano de gerenciamento de mudanças?

Muito já foi escrito sobre isso. Existem inúmeros consultores que se empenham em criar planos com as empresas e trabalhar com eles com cuidado. Isso sempre me lembra um pouco a balada de Bertold Brecht à incapacidade dos planos humanos:

(…) Sim, apenas faça um plano.

Basta torná-lo um grande problema!

E então faça um segundo plano

Nenhum deles está funcionando.

No entanto, o plano pelo menos nos ajuda a registrar desvios desde o início e reconhecer se devemos corrigir nossa direção original. E devemos e levamos muito tempo para planejar! Um plano de gerenciamento de mudanças deve abordar:

1. Por que algo deve mudar?

As razões para uma mudança desejada são geralmente múltiplas: adaptação a novas tecnologias, marca do empregador, déficits de desempenho ou talvez porque a orientação e / ou estratégia da empresa mudou.

Uma maneira de configurar o plano de gerenciamento de mudanças é, portanto, descrever a situação atual com todos os seus déficits em forma granular e, em seguida, apresentar como deve ser a situação futura que será alcançada pela mudança.

2. O que exatamente deve mudar?

O objetivo é descrever os aspectos afetados da organização. Quem e o que faz parte da mudança? Trata-se de posições, processos ou política da empresa? Quais departamentos, sistemas ou outros aspectos da empresa estarão sujeitos às alterações?

3. Quem apoiará as mudanças?

Na minha opinião, este é um dos pontos mais importantes do plano de gerenciamento de mudanças! Trata-se de identificar as partes interessadas certas e, acima de tudo, garantir que essas pessoas possam tomar decisões e colocá-las em prática. Em primeiro lugar, esses são os gerentes ou funcionários que são diretamente afetados pelas mudanças.

Gostei de uma proposta que recomendou listar e avaliar todos os principais representantes em termos de consciência da necessidade de mudança, nível de apoio e influência, simplesmente com base em uma escala de baixa, média e alta; depois, comunicando esse diagrama abertamente.

4. Reunir uma equipe de gerenciamento de mudanças

Essa equipe deve ter um membro da gerência sênior que atue como promotor e, quando apropriado, iniciador de mudanças na organização, porque essa equipe é responsável por garantir que a comunicação sobre os processos de mudança seja correta. Não são apenas boas habilidades de comunicação essenciais para isso, mas é importante desenvolver um bom senso de preocupações e resistência, além de poder ouvir. Portanto, a equipe deve consistir em uma equipe de membros credíveis e confiáveis.

Uma atitude proativa é particularmente benéfica aqui, porque também trata de prevenção, não apenas de intervenção. Trata-se de cooperação ativa, especialmente da administração. Não se trata apenas de assinar um plano.

Alguns podem complementar isso com um plano para cada representante do processo de mudança e também podem envolver a gerência sênior para receber feedback regular. Na minha experiência, isso é realmente benéfico, mas também pode se tornar um projeto por si só, porque esse comportamento não está estabelecido na cultura corporativa.

5. Desenvolvimento de um plano de comunicação

Esse é um dos passos mais importantes e sua criação é independente da cultura corporativa vivida até agora. O tipo, frequência, canais de comunicação e escopo, por outro lado, dependem do tipo de organização. Como um dos componentes mais importantes de uma mudança bem-sucedida, ele deve sempre se concentrar nos motivos da mudança e quais são os benefícios. Públicos-alvo diferentes devem receber comunicações diferentes, mas as mensagens não devem ser contraditórias. Especialmente com as partes interessadas, a comunicação bidirecional pessoal também pode ser melhor dentro da estrutura de reuniões presenciais.

6. Analisar e neutralizar a resistência

Toda mudança cria resistência. Isso requer uma investigação completa das causas. Às vezes, são mal-entendidos ou uma oportunidade limitada de participação que leva à rejeição da mudança.

É importante, uma vez identificada, observar cuidadosamente a resistência e / ou sua eliminação. A resistência é o maior inimigo dos projetos de gerenciamento de mudanças e a principal causa de seu fracasso.

7. Dissolver bloqueios e resistência

Na maioria dos casos, a adaptação da estratégia de comunicação ajuda a quebrar a resistência e alcançar a participação ativa ou até uma atitude positiva. Às vezes, porém, é necessário um pouco mais de esforço. Estes podem ser úteis:

• Forneça treinamento apropriado para mudanças de papéis ou processos.

• Considere um sistema de bônus para participação extraordinária ou até mesmo um evento da empresa.

• Suspenda uma reunião de feedback para remover as exclusões das partes interessadas.

Existem muitas outras maneiras de criar um plano de gerenciamento de mudanças. E, no entanto, para mim sempre parece que o aspecto mais importante é manter um foco especial nos funcionários afetados e em todas as outras partes interessadas, para que você possa mantê-los motivados da mesma maneira. Transparência e comunicação apropriada são os catalisadores que tornam um processo de mudança bem-sucedido.

Sabine Riedel, membro do Conselho de Gerenciamento da OTRS AG