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Os riscos da falta de segurança na nuvem

Por Alexis Aguirre, Diretor de Segurança da Informação da Unisys para a América Latina

A adoção de nuvem por empresas Latino-americanas segue crescendo e, em meio ao momento delicado que estamos vivendo, não há tecnologia mais útil que essa para garantir a continuidade de operações com agilidade e produtividade. Para além disso, quem já utilizava recursos de nuvem sabe que eles geram inovação e, ao mesmo tempo, redução de custos, já que é possível prever os gastos envolvidos em cada projeto.
Certo, Cloud agora é uma premissa, um caminho sem volta. O próprio Gartner já chama a nuvem de “o novo normal da TI corporativa” (the new normal for enterprise IT). Nesse cenário, a discussão urgente que estamos perdendo não deveria ser sobre adoção da nuvem e sim sobre um melhor entendimento das mudanças fundamentais de paradigma que chegam com o uso da nuvem. As companhias estão atrasadas para perceber que, com a nuvem, a superfície de ataques hackers muda de lugar.
Então, vamos a pontos práticos e críticos sobre como criar uma consciência corporativa para evitar ameaças de segurança da informação na nuvem.

Tenha clareza sobre os responsáveis de cada parte do projeto
Um desafio que vem com a nuvem é a falta de clareza sobre quem é responsável pelo quê. A dica é se organizar e aderir a operações do DevSecOps para obter integração,implementação e melhorias contínuas após a migração inicial para a nuvem.

Não subestime a complexidade dos ambientes em nuvem
As organizações tendem a subestimar as complexidades dos ambientes em nuvem — e sua proteção. A maior flexibilidade e poder dos serviços em nuvem resultam em maior complexidade de governança e operações, aumentando a possibilidade de vulnerabilidades devido a configurações incorretas.
A flexibilidade e o poder inigualáveis dos microsserviços em contêiner e do Kubernetes também resultam em complexidade adicional, aumentando o número de interfaces que podem ficar expostas. Não compreender ou investir nas ferramentas e nos conhecimentos necessários para gerenciar essa complexidade resulta em configurações abaixo do ideal, levando a explorações e vazamentos de dados.

Um novo DNA pede um novo processo de monitoramento
Algumas organizações acreditam que podem usar tecnologias de segurança locais em ambientes dinâmicos de nuvem. As abordagens tradicionais simplesmente não funcionam porque estamos falando de um novo DNA. Na nuvem, você precisa ter um processo automatizado para proteção da carga de trabalho remoto. Você não tem o tempo ou o luxo de alguém monitorar isso diariamente.

Crie novas políticas, práticas e procedimentos de segurança
A nuvem consolidou infraestruturas, sistemas e recursos de computação. Agora, as organizações precisam preparar suas políticas de proteção de dados para funcionar quando não têm controle da infraestrutura na qual seus dados residem.

Como lidar com microsserviços
Fornecedores de software oferecem microsserviços em contêineres, que podem ser aproveitados como componentes por aplicativos. Eles vêm com uma variedade de opções de licenciamento comercial e de código aberto, com diferentes níveis de suporte ou nenhum outro suporte que não seja uma comunidade online. Algumas licenças de código aberto, como a GPL, podem tornar o software inadequado para alguns usos de produção. As implicações legais e de custo do licenciamento de microsserviço são um aspecto importante desse novo cenário de aplicativos. É recomendável considerá-las durante o desenvolvimento do aplicativo antes da transição para a produção.

A importância do acesso seguro
O acesso seguro pressupõe que aplicativos, rotas ou sistemas de comunicação sejam utilizados apenas por quem possui credenciais apropriadas para tal. Os relacionamentos e limites de confiança precisam ser gerenciados de acordo com os objetivos de negócios e as restrições legais. Além da autenticação robusta que usa rotação de credenciais e autenticação multifator, os acessos precisam ser definidos em termos de funções baseadas do menor ao maior privilégio.

Limite e proteja sua superfície de ataque
A eficácia em minimizar a superfície de ataque implica em limitar o acesso externo e interno (por exemplo, portas abertas) ao que é absolutamente necessário. Implica também em desabilitar funções e infraestrutura desnecessárias de software. Isso reduz o número de itens que podem ser comprometidos.
A superfície de ataque não só deve ser limitada, mas também precisa ser protegida por meio de uma estrutura automatizada e que detecte inteligentemente o tráfego anormal ou o comportamento do software. Isso deve resultar nas ações de quarentena e notificação orientadas por políticas apropriadas, limitando assim o impacto de violações.

A jornada na nuvem tem nos guiado ao futuro. Se feita corretamente, pode trazer muitos benefícios para as empresas. Só não podemos nos esquecer de que nuvem e segurança devem caminhar juntas. Não é improvável que companhias corram riscos de violações de dados, mas aquelas que estiverem preparadas para corrigir e isolar ataques em segundos ou minutos serão mais bem-sucedidas.

A rastreabilidade como uma poderosa ferramenta de gestão

Por Edison Kubo

A partir de Março deste ano, a nossa vida mudou completamente e algo novo que pouco discutíamos passou a ser normal nos noticiários: a busca pelo “paciente zero”. O que significa isto? “Paciente zero” é primeira pessoa infectada por uma doença viral ou bacteriana, pois a identificação dela nos ajuda a entender como o vírus ou bactéria se propagou no mundo ou em um país.

Para ilustrar a importância da rastreabilidade e como nesta pandemia o tempo não passa, Março já parece um tempo bem distante na nossa memória, e agora no mês de Junho já temos um app lançado pela SAP, na Alemanha, chamado Corona-Warn-App. Ele foi criado em parceria com a Google e Apple e emite avisos caso uma das pessoas que tenha feito o donwload esteja contaminada e próxima a você. Sabe quantos downloads foram feitos? Cerca de 6,5 milhões em 24 horas.

Estes exemplos mostram que, com o coronavírus, o tema rastreabilidade passou a ocupar um papel de destaque. Para o cidadão comum, ficou clara a importância de compreender a origem de determinados problemas para que então seja possível desenhar estratégias de combate e planos de ação. Assim como a rastreabilidade é bem-vinda no enfrentamento de crises sanitárias, ela também exerce um papel preponderante na indústria alimentícia.

A segurança do alimento é uma prioridade para qualquer fabricante atuando nessa indústria. Ao longo do seu ciclo de produção, um alimento pode passar por algumas dezenas de etapas entre processamento e envase, algumas 100% automatizadas e outras que contam com a participação de operadores. No caso de falhas, ferramentas de rastreamento servem de aliadas dos fabricantes, auxiliando na resolução do problema de forma rápida e assertiva tão logo ele seja identificado.

Como um impacto colateral positivo, a rastreabilidade também contribui para elevar a segurança dos alimentos produzidos. Ao rastrear um problema até a sua origem, fabricantes desenvolvem um olhar ampliado sobre a sua cadeia de produção, sendo capazes de criar protocolos e mecanismos que evitem que o mesmo problema se repita no futuro.

Atualmente, as máquinas de processamento e envase instaladas na indústria podem ser conectadas em um único ambiente virtual, facilitando a elaboração de análises e relatórios de desempenho da produção, bem como a rastreabilidade de lotes específicos. Da chegada da matéria-prima até o envio dos produtos fabricados para centros de distribuição, todos os processos realizados na indústria podem ser monitorados e armazenados em servidores, criando um histórico completo da produção.

O uso da rastreabilidade na indústria de alimentos é especialmente interessante para identificar falhas ainda em estágio inicial, de forma que seja possível tomar ações proativas e corretivas que evitem a continuidade do problema. Ao identificar falhas no processo e tomar ações de forma antecipada, a indústria mitiga impactos financeiros ocasionados pela perda da produção e evita crises de reputação, caso produtos inadequados cheguem ao mercado – cabe salientar que, neste caso, a crise de imagem pode levar a perdas financeiras simplesmente incalculáveis.

Ainda que os benefícios da rastreabilidade se traduzam com mais facilidade para gestores atuando na indústria, é fato que o consumidor também tem muito a ganhar a partir do momento em que ele sabe os processos pelos quais um produto passou antes de chegar às suas mãos. Uma mudança que já ganhava corpo e que foi acelerada pela pandemia foi justamente a transparência sobre o caminho percorrido por um produto em seu processo de fabricação.

Por exemplo, ao escanear um código impresso em uma das laterais da embalagem, o consumidor pode receber em seu celular informações como nome e local de fornecedores de matérias-primas, detalhamento de todos os ingredientes utilizados em sua composição, modelo de processamento aplicado à sua produção. Ao fazer isso, o fabricante adiciona uma camada de transparência que o consumidor tem demandado e valorizado, colocando em melhor posição as marcas que caminham nesta direção.

Em linhas gerais, a rastreabilidade não deve ser vista unicamente como uma ferramenta de controle de qualidade e da produção, mas como uma poderosa ferramenta de confiança em gestão para a indústria – com o benefício de também trazer ganhos para o modelo de comunicação entre marcas e consumidores. Assim como a rastreabilidade tem se mostrado importante para o enfrentado da crise sanitária causada pelo novo coronavírus, ela também é fundamental para a operação de fabricantes de alimentos e bebidas.


Edison Kubo, Diretor de Portfólio de Serviços da Tetra Pak para as Américas

O que é o “novo normal”?

Por Willian Kahler

Muito se ouve falar que após a pandemia existirá um “novo normal”. Mas, afinal de contas, o que seria isso?

Fazendo uma rápida reflexão, é possível evidenciar uma série de eventos recentes que mudaram nossos hábitos, tanto na vida pessoal, quanto profissional. Muitos deles foram acontecendo aos poucos. Iniciaram-se de maneira tímida, entrando em nossas vidas pelas beiradas e depois se expandindo rapidamente. Smartphones, internet, acesso à informação e, inclusive, transformações no mundo financeiro.

Com a globalização, tornou-se muito mais rápido obter dados e conhecimento: hoje, uma criança de 12 anos tem mais acesso a informações do que um presidente norte-americano tinha há 20 anos. Isso tornou e continua tornando as pessoas mais preparadas para as inovações.

Acontece que, quando falamos de evoluções gradativas no nosso cotidiano, muitas vezes não percebemos as grandes mudanças de comportamento que ocorrem conosco. Agora, pare e reflita: o que era o seu normal, dois anos atrás? Você enxerga que sua realidade atual é exatamente igual a como era antes?

O conceito de mudança é o ato de mudar, trocar ou alterar. É, basicamente, qualquer alteração em relação a uma situação anterior, sendo imposta ou não.

Diante do cenário que estamos vivendo, muitos acreditam que seremos “forçados” a alterar antigos padrões. Mas, será que isso já não vem acontecendo ao longo do tempo, com a tecnologia, as startups e seus conceitos disruptivos?
Pense!

Seria esse “novo normal” apenas uma hipérbole de algo a que já estamos sendo expostos há um bom tempo, sem nem mesmo percebermos?
Olhando para o mundo de investimentos, minha especialidade, vejo que, nos últimos anos, diversos investidores adaptaram-se a novas realidades – visto que os juros baixos agora praticados no Brasil acabaram com o conceito de sermos um país de rentistas.

Isso fez com que as pessoas abrissem a cabeça para formas sofisticadas de investimentos, aceitando mais riscos em busca de melhores retornos e procurando empresas e profissionais de assessoria financeira para auxiliá-las nessa mudança.

O impacto disso? Hoje, a XP Investimentos (empresa da qual somos o maior representante da rede no Brasil) já possui um valor de mercado superior ao de grandes instituições financeiras, como Banco do Brasil e Santander (fonte: Nord Research). Algo inimaginável poucos anos atrás, quando nosso país era dominado por cinco grandes bancos.

Logo, acredito que as fantasias sobre o período pós-pandemia, de certa forma, possam ser um pouco exageradas. Ocorrerão grandes transformações, sim! Porém, já estamos acostumados com essas situações. É fundamental ter mente aberta, adaptabilidade e otimismo. A história mostra que não existe outro caminho. Como disse o filósofo Heráclito, “nada é permanente, exceto a mudança”.

Para que tudo que está por vir sirva para melhorar nossas vidas, basta acionarmos aquele velho hábito dos seres humanos prósperos: a adaptação.

Willian Kahler, sócio-diretor da Messem Investimentos

Contabilidade e pandemia: como as empresas estão sobrevivendo

Por Adriana Manni Peres, Especialista em Impostos da IOB

O mundo mudou e, com a crise da Covid-19, muitas empresas precisaram reinventar seus negócios. Em tempos de pandemia mundial, como elas estão sobrevivendo? O comércio viu no e-commerce uma saída para seguir operando. E além de aprender essa nova forma de comercialização, os varejistas se viram obrigados a contratar empresas para realizar todo o processo de vendas online e de serviços de entrega. E o novo normal trouxe também um desafio para fazer a gestão contábil.

Sua empresa está vendendo online e precisa de uma transportadora? Fique atento à forma de tributação dessa atividade, porque a prestação ora terá a tributação do ISS ora do ICMS, o que envolve órgãos diferentes de arrecadação. O primeiro cabe aos municípios, quando se tratar de serviços realizados dentro da própria cidade. Já o segundo é de responsabilidade do estado e aplicado no transporte de cargas realizado entre municípios ou estados.

Já a indústria que está investindo na diversificação, inúmeras empresas apostaram na produção de álcool em gel 70%, para doar ou comercializar, devido à alta demanda. E em termos tributários e fiscais, quem está lançando um novo produto deve se atentar em classificá-los corretamente, já que alguns estados diminuíram a alíquota de ICMS de produtos utilizados no combate ao Covid-19 e os que são vendidos para hospitais públicos.

Os governos federais, estaduais e municipais estão empenhados na sobrevivência das empresas e oferecem vários benefícios como prorrogação de parcelamento de impostos, suspensão de processos administrativos e tributários, prorrogação de certidões entre outros. Porém, mesmo com os incentivos, existem as dificuldades. Por exemplo, se as vendas online aumentaram, em contrapartida cresceu também o número de devoluções, cancelamento de operações compra de mercadorias antes adquiridas para entrega futura, além da alteração de preços de mercadorias que já foram vendidas e estão pendentes de entrega.

Tudo isso reflete no dia a dia dos profissionais da área fiscal e o contador desponta como profissional habilitado para dizer qual o melhor caminho a seguir, as providências fiscais, os benefícios fiscais que sua empresa tem direito, além de ajudar a organizar as despesas com tributos e checar oportunidades de parcelamento e adoção de regimes especiais, quando necessário.

O fato é que, mesmo na crise, as empresas estão buscando meios para manter o negócio funcionando, criando atividades, diversificando operações e aprimorando a forma de vender. Nesse caso, o contador é peça-chave para o esforço coletivo de fazer a economia continuar funcionando e manter o emprego de muitos brasileiros.

A indústria precisa ser priorizada

Por João Carlos Marchesan

A pandemia da Covid-19 impactou fortemente a indústria brasileira; em um momento onde começava a apresentar sinais de recuperação. Analisando o resultado da pesquisa “Indicadores Conjunturais da Indústria Brasileira de Máquinas e Equipamentos” referente ao mês de abril de 2020, juntamente com os dados da sondagem realizada no nosso setor sobre os impactos da Covid-19, os números deste mês vieram fortemente influenciados pelas restrições impostas pela pandemia.

Em abril/2020 a indústria de máquinas e equipamentos registrou queda de 27% no seu faturamento. Isto anulou todo o crescimento acumulado pelo setor no primeiro trimestre de 2020 que passou a acumular queda de 6,5%, em relação ao mesmo período de 2019.

O recuo ocorreu tanto nas vendas realizadas no mercado interno (-28,5%) quanto no mercado externo (-41,6%) na análise interanual.

A sondagem que fizemos no início do mês de maio, no entanto, revelou que as empresas têm observado restrições de abastecimento, mas que este não é o fator preponderante para a redução da atividade durante este período de quarentena.

O que tem levado alguns fabricantes de máquinas e equipamentos a paralisarem ou reduzirem suas atividades são outros fatores: cancelamento ou adiamento de projetos de investimento unilateralmente por parte dos seus clientes em razão da incertezas de ordem política e econômicas e a restrição da mão de obra em razão das políticas de afastamento adotadas pela própria empresa.

Diante deste cenário de crise, acreditamos que além das medidas internas adotadas pelas empresas, a indústria necessita de políticas públicas de curto prazo para minimizar os impactos sobre a demanda e a oferta mencionados, ou seja, ações que envolvem crédito, carga tributária, infraestrutura, governança da cadeia produtiva, gestão de custos e questões trabalhistas.

Com relação às políticas de longo prazo destacamos os seguintes desafios estruturais pelo lado da demanda: estabelecer dinâmica de crescimento sustentável, manter e criar empregos, políticas fiscais e tributárias harmonizadas com políticas monetárias, regime macroeconômico coerente com desenvolvimento. Do lado da oferta, para além de reduzir o Custo Brasil necessitamos de descentralizar o sistema financeiro, melhorar o suporte às pequenas e médias empresas, desonerar o investimento produtivo, financiar a modernização do maquinário nacional, reduzir burocracia, financiar as exportações e fortalecer o sistema nacional de inovação tecnológica.

Em contrapartida, a pandemia também revelou um lado positivo da indústria, a capacidade de responder rapidamente às dificuldades enfrentadas, o que poderá levar a uma transformação digital sem precedentes e sem volta. Uma tratativa inteligente da crise requer soluções ágeis e embasadas que prezem pelo entendimento entre funcionários, clientes, fornecedores e demais agentes da cadeia produtiva. Junto a sociedade, uma cooperação em torno de um objetivo comum de superação das dificuldades sanitárias, econômicas, políticas e sociais. Que estes aprendizados se multipliquem e orientem a nossa retomada pós pandemia.

Porque será necessário, findada a crise, estimular a demanda. Dificilmente este papel será exercido pelo setor privado após longo período de descapitalização.

O Governo precisará urgentemente retomar os investimentos públicos nas obras de infraestrutura, que estão paradas deste o início da crise da “Operação Lava Jato”, priorizando aquelas que já não dependem mais de projetos ou de licenciamentos. Também precisará priorizar a aprovação do Marco do Saneamento e do novo Marco Legal das PPP e concessões públicas para abrir espaço a iniciativa privada investir.

São medidas que, se bem coordenadas, poderão garantir a sustentabilidade das empresas e famílias durante a crise e alavancar os investimentos intensamente, tão logo a crise chegue ao fim.

João Carlos Marchesan, administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ

Quais são os próximos passos para a vigência da LGPD

Por William Faria

Foi aprovado no fim de maio o Projeto de Lei nº 1.179/2020, no Senado Federal, que altera a data de vigência da Lei Geral de Proteção de Dados. O PL determinou que os artigos 52 a 54 da LGPD, que tratam das sanções aplicáveis em caso de violação da Lei, terão efetividade somente no dia 1º de agosto de 2021. Os demais dispositivos da Lei seguem com vigência no dia 3 de maio de 2021, conforme determinado pela Medida Provisória nº 959/2020.

No dia 12 de junho, o presidente Jair Bolsonaro aprovou parcialmente o Projeto de Lei 1.179,e manteve artigo 25 do PL – que trata o adiamento das sanções decorrentes do descumprimento da LGPD para 1º de agosto de 2021.

O Congresso Nacional, porém, ainda precisa apreciar a Medida Provisória nº 959/2020. Caso a MP seja rejeitada – ou venha a caducar, que é quando a lei não é votada em 120 dias, contados a partir de 29 de abril de 2020 -, a LGPD passa a vigorar em 14 de agosto deste ano. Mas, se a Medida Provisória for aprovada, então entrará em vigor em maio de 2021 , conforme determina a Lei nº 1.179/2020.

É sabido de todos os embates entre o Executivo e Legislativo e da existência de um acerto entre os parlamentares para que a MP 959/2020 venha a caducar. Com isso, a LGPD entraria em vigor em 14 de Agosto de 2020 e as suas sanções via ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) somente em 1º de agosto de 2021.

As empresas podem postergar sua implementação para 2021?

De maneira nenhuma, sobre o forte risco de expor a companhia a inúmeros processos jurídicos. Explico aqui os motivos para o não adiamento da implantação da LGPD nas empresas:

• Embora a ANPD não possa fiscalizar as empresas, nada impede que outros órgãos façam tais como Procon ou Ministério Público Estadual e Federal Um titular de dados que entenda que seu direito esteja sendo agredido pode entrar com um processo na esfera cível.

• O STF já considera em seus julgamentos a existência e realidade da LGPD- no dia 7/05 o Plenário do Supremo Tribunal Federal referendou a decisão liminar para suspender a Medida Provisória 954, que libera o compartilhamento de dados pessoais por empresas de telefonia com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A relatora, ministra Rosa Weber utilizou em seu voto a LGPD como base de sua decisão e foi acompanhada por seus pares.

Resumidamente, a partir de agosto de 2020 as empresas poderão sofrer vários processos e fiscalizações por não cumprirem com as normas da LGPD, o que em termos financeiros e de imagem são muito mais gravosos que as sanções da ANPD, que ficarão para agosto de 2021.

O que fazer então:

Às empresas que não iniciaram seus preparativos e têm agora pouco mais de 3 meses para adequação, a sugestão é de que trabalhem com se adequarem nós sugerimos que sejam feitas 2 etapas:

• Emergenciais para atendimento da LGPD para agosto de 2020

• Necessárias para atendimento completo a LGPD até suas sanções em 2021

Nas emergenciais somente identifico:

– Assessment + Implementação de processos manuais para atender os direitos do Titular e atendimento de solicitações do Regulador

Atendimento completo

– Assessment + Proposta para atender de modo incremental a implementação das jornadas para atender os direitos do Titular e atendimento de solicitações do Regulador, de acordo ao cenário identificado no Assessment e com a maior eficiência possível e implementar entre outros:

1.Criação de Política de Privacidade

2. Nomeação e publicitação do DPO

3. Realização de um Assessment para entender quais processos tratam dados pessoais e quais estão mais expostos para eventuais demandas judiciais.

4. Criar o mapeamento de dados e inventários para que se possa identificar onde estão os dados pessoais em sua empresa e como podem, mediante a solicitação do titular de dados, prestarem acessos aos seus direitos.

5. Implantar um portal de direitos dos titulares, tais como:

• Confirmação da existência dos dados da pessoa física na instituição

• Relatório detalhado dos dados da pessoa física na instituição

• Coleta e gestão das autorizações para uso dos dados (Consentimento)

• Eliminação dos dados identificáveis

• Não autorização para tratamentos de legítimo interesse

• Portabilidade completa de dados

• Atualização dos dados

• Pedido de revisão das decisões tomadas por processos automatizados

6. Treinamento

7. Políticas de Privacidade detalhadas

8. Mapeamento dos Processos e linhagem de dados

9. Análise de impacto de Privacidade ( DPIA)

10. Tratamento de Dados para segurança e privacidade

§ Controles da ISO 27001

§ Segurança de Rede, acesso, aplicação, dados

§ PET de Privacidade

§ Engenharia de Privacidade

§ Revisão de Decisões Automatizadas

§ Mascaramento

§ Criptografia

§ Monitoramento

§ Anonimização

§ Portabilidade

11. Processo de Gestão de Privacidade

§ Manter Estrutura DPO

§ Manter Políticas de Privacidade

§ Manter Catálogos de Dados

§ Realizar descoberta de Impactos ( DPIA)

§ Operar Privacy by Design

§ Gerenciar riscos de Terceiros

§ Certificar Privacy by Design

§ Gerenciar Violações de Privacidade

§ Análise e Respostas as Solicitações

§ Monitorar Privacidade

§ Manter Treinamentos

§ Manter Comunicação

§ Manter Suporte aos Processos

12. Avaliação de Impacto de Proteção de Dados com o DPIA

§ Desenvolvimento com Proteção de Dados por Design e por Padrão

§ Etapas da Engenharia de Privacidade

§ Certificação do Produto para Privacidade

§ Auditoria de Privacidade nos Processos

Compreendo que entender todos os trâmites da LGPD neste momento podem ser complicados, mas ter informações precisas são extremamente necessárias para acelerar as transformações digitais das companhias e a a adequação às demandas regulatórias da lei.

William Faria, DPO (Data Protection Officer) e especialista em segurança da informação da GFT Brasil.

A melhor maneira de vencer uma crise, é aprender a se adaptar

Por Felipe Paoletti, diretor de vendas na Hitachi Vantara

Após muitas conversas, leituras e reflexões, notei que os impactos da adaptação tecnológica foram sentidos em diversos setores, mas cada um precisou lidar de formas diferentes a essas mudanças. O agronegócio provavelmente sentiu menos as consequências do que os bancos e serviços de telecomunicações. E todos os setores que a tecnologia já faz parte do negócio, tiveram que se reinventar completamente.

E para atender essas demandas, as empresas precisaram investir em uma boa Infraestrutura de facilities. Dessa forma, com um ou mais data centers, foi possível manter o negócio em funcionamento ininterrupto. Entendo que se um serviço essencial ficar parado por horas, devido a uma falha no sistema, isso pode significar perdas de faturamento na casa dos milhões. Um backup de armazenamento de dados resolveria isso em poucos segundos, evitando que as operações ficassem fora do ar, ou, inclusive, que ocorressem sequestros de dados.

Uma pesquisa produzida pela Trend Micro, revelou que o Brasil é o segundo país que mais sofre com sequestro de dados, com 10,64% dos casos globais e mais de 694 milhões de ameaças de e-mail. É uma preocupação diária, afinal, o banco de dados é o cofre de informações de uma empresa.

Com tantos ataques, as companhias entenderam que a infraestrutura de tecnologia é indispensável, mas enfrentam muitos desafios para conseguir chegar a um equilíbrio, já que muitas vezes as empresas possuem diversos periféricos para fazer a intercomunicação das operações. Lidar com as diversas opções de infraestrutura de storage gera uma certa complexidade. Neste caso, é necessário ter uma equipe qualificada e treinada com todos os requisitos de governança para apontar e corrigir falhas.

Esse equilíbrio deve permear entre a cloud e o data center. Lembro que anos atrás, quando a cloud foi vista com mais atenção, as empresas quiseram migrar 100% para a nuvem, e ao longo do tempo viram que essa não era exatamente uma boa ideia. A latência, por exemplo, faz toda a diferença quando a empresa depende de um link robusto para atender a grandes distâncias. É necessário repensar a infraestrutura, porque não se trata somente de ter tudo dentro de casa, ou tudo na nuvem.

Outro estudo interessante que li foi do Gartner, apontando que até 2025, 90% das empresas terão um arquiteto de soluções totalmente dedicado à automatização avançada da gestão, contra menos de 20% hoje. Percebo que a grande chave para extrair a melhor informação desses ativos corporativos que são os dados, está no equilíbrio entre a exploração dessas informações com as ferramentas adequadas, a disponibilidade, o armazenamento correto com garantia de segurança e governança, e finalmente, o acesso a esses dados a qualquer momento.

Alguns setores dependem o tempo todo da disponibilidade dos dados, como o setor aéreo e de aluguel de carros, por exemplo. Empresas desse nicho estudam dia e noite o comportamento do mercado para saber qual é o melhor momento para lançar um novo serviço ou fazer uma promoção. Para eles, a infraestrutura precisa ser adequada para responder a essa enorme demanda por dados.

A área da saúde é outro exemplo de setor que trabalha permanentemente com o recebimento, manuseamento e armazenamento de dados. Atualmente possuem todos os dados online e digitalizados, e os KPIs são analisados constantemente para que sejam adotadas estratégias mais eficazes.

Além de toda essa preocupação com a disponibilidade dos dados, outro ponto de atenção é a LGPD, que entrará em vigor somente em 2021, mas já precisa ter efetividade a partir de agora. O Comitê Central de Governança de Dados do Governo lançou o Guia de Boas Práticas (LGPD), a fim de promover a transformação cultural para adequação à lei. Essa transformação visa considerar e promover o respeito à privacidade de dados pessoais desde a concepção do serviço ou produto até a execução, por meio de ações de conscientização.

É necessário ter atenção e preparo quando o assunto envolve dados pessoais. O mundo digital precisa de mais transparência. Por isso, as empresas devem mapear e identificar onde todos esses dados estão, para poder garantir ao usuário que eles estão bem guardados. O primeiro passo está em repensar os processos, começando por quais são os canais de comunicação usados e como a empresa se relaciona com o cliente. Com essas informações é possível montar um diagrama com todos os passos, e mapear as brechas de segurança que possam existir dentro do processo ou da empresa, seja ela pública ou privada.

Nossa cultura tradicionalista atrapalha seus investimentos

Em tudo na vida, somos direcionados a agir conforme a nossa cultura. Com o passar do tempo, a evolução tecnológica e conhecimento de outros modos de vida, até nos adaptamos e remodelamos nosso modelo mental. Porém, parte das coisas com as quais deixamos de ter contato – por falta de afinidade ou por não fazer parte do cotidiano de nossas vidas profissionais – tendem a se perder. E acabamos por manter o modelo mental desenvolvido durante a nossa formação de caráter. Tudo aquilo que ouvimos na infância e até mesmo as crenças pregadas por nossos ancestrais.

Esse tradicionalismo se mantém nas escolhas dos investimentos e relacionamentos bancários. Até mesmo por encarar o mercado de investimentos como uma Caixa de Pandora, repleta de males ocultos, muitos investidores preferem seguir atrelados àquilo que seus pais e avós faziam na hora de guardar dinheiro.

E as opções que eles tinham eram sempre tijolo e poupança, basicamente. Ou se investia em imóveis ou guardavam as economias nos principais bancos do mercado.

Em defesa dessa cultura deixada por nossos pais, vale ressaltar que o mercado de investimentos, como conhecemos hoje, é relativamente novo. Pode-se dizer que os fundos de investimentos e as alternativas no mercado de capitais são posteriores à década de 1960. Por essa razão é muito fácil entender o motivo dos nossos pais e avós serem tão pouco familiarizadas com o modelo e sempre direcionarem nossa educação para o sempre conheceram, para o que dava mais segurança.

No entanto, os tempos são outros. E um dos vários pontos ilusórios que esse tradicionalismo insiste em nos empurrar é o de acreditar que a centralização bancária pode ser benéfica ao investidor.

Os bancos, inclusive, foram obrigados a melhorar suas taxas de remuneração em CDBs para tentar reter seus clientes, em uma consequência clara do que as plataformas abertas de investimentos trouxeram ao mercado. Os clientes, aos poucos, passam a perceber que investir via plataformas de corretoras trazem mais segurança (pela possibilidade de diversificação e pulverização) e maior possibilidade de retorno em suas aplicações.

Em uma economia com taxa básica de juros na casa de 2,25% ao ano, fica clara a necessidade de uma gestão ativa e profissional nas carteiras de investimentos. Por isso, busque sempre informações confiáveis e faça utilização de profissionais especializados para te auxiliar na hora de investir seu dinheiro. O mercado de investimentos é repleto de oportunidades. Liberte-se do tradicionalismo e amplie suas possibilidades.

Daniella Rolim, CFP®, é graduada em Administração de Empresas, pós-graduada em Banking e tem MBA em Gestão de Negócios e Finanças. Educadora financeira formada pela DSOP, é planejadora financeira com certificação internacional CFP e diretora comercial da Flap Capital

Qual o caminho das empresas B2B ao novo normal?

Por Ricardo Recchi

É fato, o mundo nunca mais será o mesmo depois do Coronavírus. Neste cenário, muito se fala sobre as adaptações das prestadoras de serviços aos hábitos que foram desenvolvidos pelos consumidores nesta pandemia. Mas, neste famigerado novo normal que nos aguarda, como ficam as empresas que atuam no segmento B2B (Business to Business)? Quais mudanças serão necessárias em seus modelos de negócio?

De um lado, a Organização da Nações Unidas (ONU) estima que o PIB mundial terá um prejuízo de cerca de US$ 2 trilhões, elevando a taxa de desemprego após esta crise. Como consequência, o quadro de funcionários certamente irá reduzir em alguns setores e, com equipes mais enxutas, vem a importância da digitalização dos processos para que o cliente final não seja impactado com morosidade. Por outro lado, teremos a necessidade de tecnologias que facilitem o desempenho das funções dos colaboradores não apenas pela escassez de profissionais, mas também pela exigência de agilidade em todo ecossistema.

Um exemplo são as entregas e a disponibilidade de produtos. Se antes do início da pandemia as pessoas eram imediatistas, agora suas demandas são para ontem, ou seja, se tornaram mais rígidas com as empresas e, consequentemente, se sentem insatisfeitas facilmente. Com este perfil de consumidor, que é atendido por uma empresa com pessoas que também passaram a ser exigentes e imediatistas, a equação passa a considerar a agilidade como premissa. E, para isso, é importante que haja um alinhamento de toda a cadeia: produção, distribuição e logística.

A começar pelo processo de venda, o B2B será exigido de novas formas de interação, ampliando, por exemplo, o modelo remoto de demonstração de produtos, com demos que atraia o comprador, além de criar um arsenal de conteúdo online que seja útil para a dinâmica de uma venda diferenciada, ou seja, será preciso ter novas formas de interagir com seu público. E da comercialização, passamos para a logística, que precisará ser programada por meio de softwares que sigam a mesma agilidade das vendas, com entregas programadas e com curto prazo.

Pensando que o consumidor final demanda ‘para ontem’, a disponibilização e o mínimo de ruptura são ordens para as novas relações B2B e as palavras-chaves para este momento são: agilidade e desburocratização. E, nesta cadeia, os serviços financeiros vêm na esteira da demanda por simplicidade e rapidez. No final das contas, toda essa mudança garantirá redução de custo no processo e, pensando no argumento inicial deste artigo, que é o colapso do PIB mundial, quem tiver melhores preços e atendimento, ganhará mercado.

Essas são algumas linhas para as empresas do segmento B2B repensarem seus modelos de negócios com foco na otimização de processos e de uso dos seus recursos, operando com equipes mais enxutas e novas rotinas embarcadas em tecnologias que antes eram complementares e passam a ser essenciais.

Cabe ao mercado acessar plataformas que apoiam a criação desses modelos de negócios mais disruptivos, como o low code, que é dotado de uma infraestrutura que permite o desenvolvimento de aplicações de forma rápida e sem complexidade. A demanda é para ontem! A ordem agora às empresas é embarcarem neste universo para explorar o que já está disponível para ajudar na sua operação.

Ricardo Recchi, country manager da Genexus Brasil, desenvolvedora global de produtos para software baseados em Inteligência Artificial

 A tecnologia no desafio de manter o controle do fluxo de caixa durante a crise

Por Eduardo Neubern, diretor executivo da TOTVS Techfin

A atual crise socioeconômica causada pela pandemia da COVID-19 vai desencadear um impacto comum para a maior parte das empresas: a perda de controle do fluxo de caixa, em decorrência da interrupção da entrada de receitas e manutenção de seus compromissos recorrentes. No entanto, um cenário é certo: as empresas mais digitalizadas se mostram mais preparadas para gerenciar suas operações em meio à crise.

Ainda assim, temos a oportunidade de sair dessa história com um novo patamar de produtividade e aprender com os processos que serão reinventados no momento de crise. O senso de urgência somado ao cenário de incerteza tem muito a ensinar. A necessidade é a mãe da invenção

O acesso ao crédito, por exemplo, que sempre foi importante, passa a ser a questão vital neste momento, o oxigênio das empresas. E a solução para essa questão pode ir além dos caminhos tradicionais: estamos falando de inovação.

Neste cenário, a tecnologia e os dados podem fazer toda a diferença para manter o fluxo de caixa da empresa saudável. A tecnologia permite operar remotamente, melhora a experiência de uso e amplia significativamente a capacidade de distribuição ao mesmo tempo em que reduz seu custo.

Os dados têm um papel ainda mais importante: jogam luz na análise de crédito. A riqueza das informações que trafegam nos sistemas de gestão habilita uma análise baseada em uma vasto histórico de transações recorrentes e complementares de contas a pagar, receber, níveis de estoque, folha de pagamento que vão muito além da fotografia de um simples balanço, traz o filme ao invés da foto, o check-up ao invés do raio-x. Resultado: maior aprovação, maiores limites, menores taxas e menor inadimplência. Um ganha-ganha na concessão do crédito que as empresas e o país tanto precisam.

No geral, podemos afirmar seguramente que a crise não está sendo pior justamente graças à tecnologia. No momento mais agudo da crise, a tecnologia passou a ser uma espécie de rede de proteção para o negócio, que permite manter a roda girando. Seja quando estamos falando em manter o core business do negócio, ou quando consideramos no uso de dados para a tomada de decisões financeiras mais seguras.

Passada a pior fase, a tecnologia também é o que vai permitir o crescimento – ou a retomada dele. Bons exemplos são o ensino à distância, a telemedicina, o trabalho remoto e o e-commerce que estão tendo uma adesão acelerada agora, e vieram para ficar. A tecnologia é o único consenso da crise como fator determinante de sobrevivência e passos futuros. O segredo será aplicarmos intensamente a tecnologia para aumentar a produtividade e acreditarmos mais do que nunca no poder dos dados. É um momento de reflexão, mas sairemos da crise muito mais fortes. Aproveitemos a oportunidade que emerge da crise.

5 recomendações para as empresas sobre o retorno ao local de trabalho com segurança

Por Thais Marca, General Manager de IBM Services para a América Latina

Ainda não sabemos muito sobre como será o futuro ambiente de trabalho após a pandemia, mas há uma coisa que sabemos com certeza: teremos um novo normal em nossas vidas pessoais e profissionais.

Organizações no mundo todo experimentaram diferentes lados da pandemia – algumas têm equipes que conseguiram trabalhar em casa com relativa facilidade; outras tiveram que fechar as operações totalmente ou em parte. Mas, em diferentes momentos e condições, a força de trabalho começará a retornar ao local de trabalho, e isso não será uma simples mudança.

Acredito que isso exigirá uma reformulação na maneira como pensamos sobre como e onde trabalhamos. Por isso, desenvolvemos um guia com base em 5 recomendações para os planos de retorno das empresas.

1. Regulamentação local: avaliar as diretrizes de organizações internacionais e locais

· Que orientação ou critério o governo local forneceu?

· O que indicam os dados clínicos e de saúde da população local?

Por exemplo, houve uma desaceleração significativa e sustentada em novos casos medidos pela taxa de duplicação (como por exemplo casos confirmados dobrando em 15 dias ou com mais ou menos frequência)?

· O que outras empresas locais estão fazendo, especialmente aquelas com quem podemos fazer negócios?

· Qual a disponibilidade de serviços de transporte público, escolas, acampamentos, creches e outros serviços essenciais para sua força de trabalho?

2. Autoavaliação: avaliar o estado dos nossos escritórios de trabalho

· Temos um local de trabalho preparado e seguro? Foram aplicadas as diretrizes das autoridades de saúde pública, como as dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, Organização Mundial da Saúde, do governo e as próprias políticas e padrões da empresa?

· O uso de máscaras é exigido atualmente no país para funcionários e visitantes. Devemos fornecer as máscaras? Se sim, temos o suficiente? Como elas serão distribuídas? E as máscaras para os visitantes do local? Como criaremos uma experiência segura para visitantes e funcionários?

· Deve ser feita uma reestruturação nos móveis, provisão de recursos, serviço de limpeza, aumento da ventilação do ar e entrega modificada de serviços de alimentação, entre outros, para atender aos requisitos de distanciamento social e proteger funcionários, clientes e associados?

· As unidades exigirão exames de saúde no local para clientes e parceiros que entram no campus ou nos edifícios? Temos como fornecer esses serviços?

3. Ouvir os funcionários: abrir canais de comunicação

· Temos uma comunicação clara com nossos funcionários sobre as ações e riscos?

· Qual é a opinião predominante da sua força de trabalho sobre o retorno ao local de trabalho?

· Seus funcionários estão preocupados com os riscos de retornar?

· Existem considerações profissionais e pessoais que podemos avaliar para atrasar / antecipar o retorno dos funcionários?

4. Retorno: em fases ou gradual

· Os retornos dos funcionários devem ser feitos em fases predefinidas, usando práticas e políticas baseadas em evidências e dados.

· Na IBM, estabelecemos três possíveis fases, o que permitirá um retorno gradual e progressivo.

· Durante a Fase 1, a grande maioria dos funcionários deve planejar continuar trabalhando em casa.

· Considere cuidadosamente os critérios para o retorno da fase inicial de funcionários, determinando se eles terão benefícios substanciais em produtividade ou inovação enquanto estiverem no local, mesmo usando máscaras e distanciamento social.

· Permita que os funcionários de grupos de risco ou aqueles que exigem flexibilidade continuem trabalhando em casa.

5. Organização: novas formas de trabalhar e colaborar

· Tentar limitar a frequência de reuniões presenciais, incluindo novos requisitos para o número de participantes no local.

· Manter os centros de informações, auditórios, salas de treinamento e grandes salas de conferência de clientes fechados por um período de tempo, à medida que encontramos novas maneiras de atingir nossos objetivos de negócios.

· Continuar fornecendo suporte, do ponto de vista tecnológico e cultural, para a maioria dos funcionários, que continuarão trabalhando em casa.

Como uma empresa com uma força de trabalho considerável e amplamente distribuída em todo o mundo, em países que estão em diferentes estágios da pandemia, a IBM experimentou em primeira mão que não existe uma abordagem única para todos. No entanto, acreditamos que o que aprendemos ao planejar nosso retorno a uma normalidade diferente pode ser útil para outras empresas. O recém-anunciado Watson Works é um exemplo de como a IA também pode ajudar as empresas nesse planejamento.

Cliente primeiro: transforme a experiência em loja e conduza a performance

Por Arnaldo Mello

Com o amadurecimento do setor varejista, o termo engajamento ganha cada vez mais importância e relevância no mercado. Os executivos perceberam que a nova geração de consumidores se preocupa mais com um atendimento diferenciado e personalizado, que agregue valor no ato da compra, ao invés do valor do produto.

Esta mudança no comportamento dos consumidores, fez com que o varejo se reinventasse. Criou-se uma nova forma de realizar a venda. Se olhar para o passado, o cliente ia atrás do varejista, hoje em dia o cenário está se alterando. As empresas varejistas lutam por um espaço na vida de seu cliente. Uma das ferramentas para se aproximar do consumidor é o engajamento com a marca.

As ações para proporcionar boas experiências ao consumidor estão em constante evolução, pois as empresas estão focadas em construir um laço com seu cliente e, simultaneamente, atender as mudanças do consumidor. Grandes varejistas já começaram a usufruir das novas ferramentas para aumentar a experiência do cliente.

Um exemplo é a Tiffany & Co. e a Kate Spade, ambas varejistas de luxo. O setor aprendeu a encantar seu cliente, percebeu a importância e a diferença que um atendimento personalizado traz a marca. E para continuar impressionado seu consumidor, ambas as lojas estão investindo em tecnologia para agregar valor a experiência do cliente na loja.

Um método muito adotado no varejo é o uso de tablets pelos vendedores. Essa prática auxilia no atendimento ao consumidor, tornando-o mais rápido e prático. A ferramenta possibilita que o atendente consulte informações em tempo real do consumidor e do estoque, por exemplo.

Arnaldo Mello, Colaborador do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR)

A indústria em tempos de COVID-19

Por Paulo Leal da Costa e Rene Wolf

Neste período em que temos navegado pelas diversas facetas de crise, a experiência está mudando a mentalidade coletiva. Tal fato terá uma repercussão duradoura em todas as indústrias, resultando provavelmente em mais quadros de colaboração e maior flexibilidade.No setor de manufatura, tendências colaborativas transformarão a forma como construímos, como projetamos e como geramos ideias especializadas, atenuando limites funcionais. Embora catalisados neste ambiente desafiador, estes são resultados positivos que irão acelerar a inovação no futuro.

No geral, e nas próprias fábricas, vemos uma redução perceptível na demanda. Na Alemanha, por exemplo, onde a indústria automotiva é um dos principais atores, fabricantes têm fechado suas portas. Em contrapartida, a produção aumentou na indústria de dispositivos médicos, em que fabricantes tem se esforçado para acompanhar não só o aumento do volume, mas também as variações nas demandas de produtos a serem entregues. Mesmo onde há sistemas de fabricação em uso, com alta visibilidade e processos digitalizados, a troca da produção para um produto diferente é altamente complexa. Leva tempo – não só para produzi-lo, mas também para o fazer de forma eficiente e com os padrões de qualidade adequados.

E como isso afetará o futuro do setor? Bem, ninguém estava preparado para essa realidade. A brusquidão e a onipresença da atual pandemia criaram uma tempestade perfeita. À medida que nos reestabelecemos, os fabricantes vão repensar a forma como organizaram seus processos, suas cadeias de abastecimento, as lacunas críticas que têm na sua infraestrutura digital. Haverá uma urgência duradoura em torno da pressão dos custos e das margens. Os esforços de transformação digital acelerarão drasticamente para criar uma empresa de manufatura mais ágil e capaz de responder às mudanças do mercado com mais rapidez e flexibilidade.

Dedicar tempo à preparação não só para a fase de arranque, mas também para o futuro das empresas, é tempo bem gasto. A realidade é – agora ainda mais óbvia do que antes – que os fabricantes precisam digitalizar seus processos. Evidenciada pela situação atual, a transformação digital não é apenas um imperativo competitivo, mas, por vezes, um imperativo existencial.

Desta forma, ainda que as coisas sejam difíceis, faz-se necessária a busca por oportunidades ocultas, dons inesperados. É preciso tirar o melhor proveito da situação, abraçar o que ela tem a oferecer e analisar de maneira criativa como extrair seu valor máximo para que possamos sair desta situação mais rápido e mais fortes do que antes.

Paulo Leal da Costa é CEO e diretor geral da Siemens Digital Industries Software no Brasil e Rene Wolf é vice-presidente sênior de gerenciamento de operações de manufatura da mesma empresa.

Comércio exterior: incertezas atuais e futuro pós-pandemia

Por Marcia Hashimoto

Começamos 2020 cheios de expectativas positivas, principalmente quanto ao futuro do comércio exterior. Mas, fomos surpreendidos por uma pandemia devastadora que, rapidamente, resultou em uma crise econômica mundial, impactando diretamente na redução da oferta de mão de obra e rupturas de cadeias globais de valor.

Mesmo que incertezas cerquem as atividades econômicas, tornando cenários futuros difíceis de serem avaliados, é possível listar alguns aspectos que podem reduzir ou ampliar os efeitos do novo coronavírus no setor. Não é a primeira crise que vivemos, mas sem dúvida é uma das piores, e não será a única.

Recentemente, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou um estudo que prevê a desaceleração do comércio internacional, causando uma retração nas exportações brasileiras de 11% a 20% em 2020. Mas, o relatório prevê, também, cenários otimistas obtidos por meio de um documento, produzido pela Organização Mundial do Comércio (OMC), que elabora simulações de impacto da Covid-19 sobre o comércio mundial a partir de um modelo de equilíbrio geral computável. No cenário otimista da OMC, as exportações sofreriam queda de 17,7% em 2020, recuando para US$ 185,4 bilhões. A perda acumulada no biênio (2020-2021) seria da ordem de US$ 9 bilhões, e o montante exportado ficaria em um nível próximo do registrado em 2017.

Sabemos que o mercado, de forma geral, tem seus altos e baixos – uma hora favorável para importação, outra para exportação. Por isso, é necessário que o empresário esteja disponível e atento para os dois mercados, seja para buscar novos produtos, soluções, inovação em outros países ou para adaptar e disponibilizar sua mercadoria. Os negócios do Brasil com o exterior não pararam durante a pandemia. E isso se deve ao fato do nosso país, inclusive a alfândega, ter investido muito em tecnologia e sistemas nos últimos anos, o que permite que hoje muitas atividades sejam realizadas remotamente.

Ainda segundo o IPEA, para 2021, o crescimento das exportações deve ficar em uma faixa de 10% a 15%. Em valores, isso significaria algo entre US$ 200 bilhões e US$ 230 bilhões, a depender do valor efetivamente registrado em 2020. Nas importações, uma avaliação dos diferentes métodos e cenários permite prever crescimento em 2021 entre 10% e 20%, o que significaria, em valores, algo entre US$ 154 bilhões e US$ 168 bilhões.

Quando superarmos a crise sanitária causada pelo novo coronavírus, é possível prever que, a economia mundial se depare com um ambiente de negócios internacionais mais propenso à imposição de restrições de vários tipos aos fluxos de comércio e, também, aos fluxos de investimento direto estrangeiro. Apesar disso, as oportunidades irão surgir, e é preciso estar preparado.

Por isso, o conselho que dou a você, que importa, exporta ou quer entrar nesse mercado, é: esteja atento! Não deixe de acompanhar as movimentações. Aproveite o tempo para aprender, passar pelos processos necessários para que seus negócios estejam aptos para a retomada. E uma última orientação, estar perto de seus clientes é muito importante, mas não se esqueça de seus fornecedores, pois ter uma boa carteira de fornecedores vai ajudá-lo a estar pronto para o recomeço.

Por isso, o conselho que dou a você, que importa, exporta ou quer entrar nesse mercado, é: esteja atento! Não deixe de acompanhar as movimentações. Aproveite o tempo para aprender, passar pelos processos necessários para que seus negócios estejam aptos para a retomada. E uma última orientação, estar perto de seus clientes é muito importante, mas não se esqueça de seus fornecedores, pois ter uma boa carteira de fornecedores vai ajudá-lo a estar pronto para o recomeço.

Marcia Hashimoto, Diretora Executiva da Infolabor Consultoria

Home office: sonho ou pesadelo?

Renato Alves, Diretor de expansão da Bicalho Consultoria Legal

Antes da pandemia do novo coronavírus eclodir no Brasil e no mundo afora, milhares de pessoas tinham o sonho de poder trabalhar de casa, usando o seu computador, internet e telefone. Conciliar o serviço com as outras atividades do dia, ter mais tempo com os familiares e amigos e conseguir atuar dentro do horário comercial, sem precisar enfrentar o trânsito nem encarar transportes públicos lotados, parecia a solução de grande parte dos problemas. No entanto, depois de semanas sendo obrigados a trabalhar em esquema home office para evitar a proliferação da doença, pergunto: será que o sonho virou pesadelo?

É óbvio que as condições atuais não faziam parte do cenário que em outro tempo imaginávamos. Se por um lado, de repente, muitos indivíduos se viram trabalhando em casa, junto com a presença integral das pessoas com quem divide o lar e em ambiente improvisado, por outro, empresas que nunca tinham adotado o home office, encontraram enormes dificuldades para gerenciar o negócio à distância, garantir que não sofresse os impactos da pandemia e que a qualidade da entrega dos seus colaboradores não iria declinar, uma vez que as cobranças e os direcionamentos passaram a ser feitos por e-mail e videoconferências.

Estamos tendo tempo o suficiente para nos adaptar a essa nova realidade e acredito que essa mudança no mercado de trabalho veio para ficar em definitivo. E não é apenas a minha opinião que aqui exponho. Uma pesquisa realizada pela consultoria Cushman & Wakefield, especializada em serviços imobiliários comerciais, aponta que quase 74% das companhias pretendem instituir o trabalho remoto depois que a crise passar. A organização entrevistou 122 executivos de multinacionais que atuam no Brasil.

Para comparação, na Bicalho Consultoria, rede onde sou diretor de expansão, 70% da equipe manifesta interesse em continuar trabalhando de suas casas.

Trabalhar sozinho exige muito foco e disciplina para que a rotina seja satisfatória e é difícil, ainda mais no meio de uma pandemia, encontrar a performance ideal para fugir das armadilhas que estar em casa proporciona, como acordar mais tarde, passar o dia de pijama e fazer pausas para descansos no meio do expediente. Estabelecer regras, horários e pontuar as prioridades como se estivesse no escritório é fundamental para que você seja produtivo.

E lembre-se: estar em casa não significa se esforçar mais que o necessário. A mente precisa descansar e temos que dedicar tempo para ficar com os filhos, ler, estudar, praticar exercícios e fazer o que quisermos, dentro dos nossos limites atuais.

Sou apaixonado pelas pessoas, por dividir o meu dia com os outros e espero que em breve toda a situação em que nos encontramos hoje melhore. Ainda que tenhamos que trabalhar de dentro das nossas casas para sempre, que o ir e vir seja livre para podermos encontrar nossos parentes, amigos e quem tanto nos fez falta durante a quarentena e o isolamento social. Enquanto isso, não se sinta solitário.

Use as ferramentas digitais a seu favor e mantenha uma boa comunicação com a sua equipe. Se tudo der certo, logo estaremos juntos!

Rumo a um Contact Center cada vez mais cognitivo

Por Pablo Sánchez Pérez, Diretor de Marketing Corporativo da Atento

De acordo com estudos realizados pelo IDC Research Spain, o mercado de RPA dobrará nos próximos anos, crescendo a taxas de 50,1% de CARG (2019-2021). Outro aspecto que se destaca é a coexistência entre humano e máquina, estimando-se que em 2024, 20% dos trabalhadores especializados terão um assistente digital, enquanto 50% das tarefas repetitivas serão automatizadas em 4 anos.

Com o objetivo de fornecer as melhores ferramentas para os agentes dos centros de experiência do cliente, as empresas estão introduzindo diferentes tecnologias, como RPA, Inteligência Artificial, Speech Analytics, NLP (Natural Language Processing), Machine Learning, Assistentes Virtuais, Analytics… Todas essas tecnologias estão disponibilizando ao usuário um ecossistema de autoatendimento sem precedentes, o que o permite resolver autonomamente a maioria das etapas necessárias ao entrar em contato com as marcas. Esse seria um nível de sofisticação de Front que, em pouco tempo, adquirirá um nível de autogerenciamento incrivelmente eficiente, o que resultará na melhoria da Experiência do Cliente.

Mas essa tecnologia é disponibilizada não apenas ao Front, mas também ao Back. Esse é o conceito que chamamos de Cognitive Contact Center e que consiste, basicamente, em colocar todas essas ferramentas avançadas a serviço dos agentes, para que operem com mais eficiência e qualidade, concentrando-se apenas em gestões de alto valor, pois os demais terão resposta automática. Indo um passo adiante, esses esforços serão resolvidos pelos agentes, aproveitando a tecnologia em um nível muito mais alto do que o atual, fazendo com que essa tecnologia seja capaz de uma autoaprendizagem contínua, para que gradualmente assuma tarefas cada vez mais complexas. Agora, se há uma mudança tecnológica que o setor de relacionamento com o cliente experimentará nos próximos anos, será a chegada do Cognitive Contact Center. Uma nova era que trará o salto mais disruptivo dos últimos anos.

Focando-nos em uma dessas peças da engrenagem do Cognitive Contact Center, temos a tecnologia RPA e vemos que ela pode agregar valor em três níveis. Atualmente, estamos na primeira etapa, na qual usamos RPA em processos específicos para melhorar a eficiência e torná-los mais produtivos. O próximo passo seria criar o próprio processo a partir da RPA para obter resultados rápidos, ou seja, não apenas adaptar, mas já pensar nos processos a partir de uma mentalidade RPA. A etapa final desejada para o Contact Center, que tem sua natureza no gerenciamento dos processos, é conseguir uma transformação dos negócios por meio da implementação do RPA; isso seria alcançado se aproveitarmos essa tecnologia para desenhar um projeto mais robusto, que consiga agir como base para todas as operações.

Ainda estamos dando pequenos passos, aproveitando as chamadas “quick wins”, para convencer uma organização dos benefícios do RPA. No momento em que houver uma abordagem prévia que assuma o RPA como parte da estratégia, e não como um patch tático, o resultado será surpreendente.

A Colaboração Virtual como apoio às políticas de isolamento

Por Robert Braga, gerente comercial de Metal & Mining da Engineering

A Realidade Aumentada é um dos pilares mais inovadores da Indústria 4.0 e consiste no uso de uma ferramenta que possibilita a projeção de textos e imagens sob a visão do mundo real. Para tal, o usuário necessita de dispositivos que possuam no mínimo três funcionalidades: aquisição de imagens (câmera), projetor (tela, projetores de luz ou de laser) e sistema de processamento.

Outras funcionalidades adicionais, como a aquisição de áudio, a geolocalização e a conexão wireless, tais como RFID, Bluetooth, Wi-Fi, GPRS, GPS, são geralmente encontradas nos dispositivos de Realidade Aumentada.

O sistema processa as imagens capturadas pelo dispositivo e projeta uma resposta visual sobre a imagem do mundo real. Este processamento ocorre no dispositivo ou num sistema externo (on premise, cloud ou híbrido) e pode contemplar a identificação de imagens com visão computacional, a leitura de códigos e comandos do usuário a partir da movimentação das mãos, cliques na tela e comandos de voz às integrações entre sistemas e o banco de dados, entre outras.

Outra funcionalidade poderosa cada vez mais utilizada neste universo digital é a Colaboração Virtual, que agrega todo o potencial de uso da Realidade Aumentada a uma ferramenta que possibilita a interação entre duas ou mais pessoas, estando uma na linha de frente e as demais remotas.

Neste caso, uma pessoa acompanha, por meio da tela de um computador, smartphone ou tablet, o vídeo e áudio que são captados em tempo real pelo dispositivo de Realidade Aumentada, que podem ser wearables, como os relógios e óculos inteligentes, que estão sendo usados por alguém em campo, possibilitando inclusive uma conversa de voz entre ambos usuários.

Já há indicadores no mercado mostrando que o uso de Realidade Aumentada com a Colaboração Virtual aumenta a taxa de sucesso de manutenção na primeira tentativa em 40%, a dos processos de manutenção em 60%, a produtividade dos técnicos assistidos no chão de fábrica em 50% e ainda diminuem erros de procedimentos em 70% e, principalmente, os acidentes e os incidentes de segurança em 20%.

Em períodos de contingência, como tivemos nas últimas semanas em decorrência do vírus Covid-19, podemos constatar a necessidade do uso de recursos que mitigam a alocação desnecessária de pessoas em ambientes de risco, sejam eles físicos, químicos, ergonômicos ou biológicos. Além de, por meio do uso da tecnologia, evitar que várias atividades sejam impactadas, como a manutenção de equipamentos, o levantamento de dados em campo para a elaboração de projetos e a aquisição de informações.

Neste contexto, a aplicação de soluções de Realidade Aumentada que incluem a Colaboração Virtual minimiza o contingente de colaboradores expostos a riscos. A segurança deles é ainda mais potencializada com o uso integrado às soluções de robótica.

Juntas, as tecnologias de Colaboração Virtual e Realidade Aumentada capacitam as empresas para otimizarem seus processos produtivos, assim como ampliam o engajamento e a motivação das equipes. Ou seja, os negócios são preservados, assim como o bem mais valioso das empresas, que são as pessoas!

People-centric, soft skills e os benefícios para a carreira profissional

Por Fernanda Pauletti, gerente de RH da KingHost

Quando buscamos por profissionais de tecnologia para trabalhar com a gente, sempre tentamos equilibrar avaliando tanto o perfil técnico quanto o humano de cada um dos candidatos. Prezamos pelo cuidado, qualidade de trabalho e relações interpessoais, focando em colaboradores que tenham os valores pessoais alinhados com os valores da empresa. Isso é fundamental para construirmos um ambiente saudável, com boa comunicação e engajamento.

Um dos segredos para isso é entender a importância das chamadas soft skills.

A expressão em inglês nada mais é do que o conjunto de competências da personalidade e comportamento do profissional. Por exemplo: inteligência emocional; habilidade de se relacionar com os outros e com suas próprias emoções; saber como lidar com situações que nem sempre saem como o esperado, entre outras. Nesse contexto, aqueles profissionais que conseguem desenvolver tanto o lado profissional quanto o pessoal, possuem um diferencial na sua carreira.

Valorizamos essas habilidades no momento da seleção de novos talentos e incentivamos os colaboradores a potencializá-las durante sua trajetória profissional. Principalmente por que temos um direcionamento focado em pessoas, o que chamamos de people-centric, ou seja, estamos nos adaptando às mudanças que a sociedade vem realizando. Mas como esse direcionamento bateu à nossa porta?

Se pararmos para pensar, inicialmente, lá no final da Revolução Industrial, o foco das empresas era diretamente nos produtos, o chamado “product-centric”. Elas estavam preocupadas em serem eficiente, exclusivamente, em produzir um produto bom e distribuí-lo. Até porque naquela época não tinha tanta concorrência entre elas.

Depois, com o avanço da globalização, as empresas focaram no cliente e veio a era do “customer-centric”, na qual o poder de escolha era algo que estava em evolução, ganhando bastante força.

Finalmente, com a internet e a tecnologia, abriu-se um espaço para que se trabalhasse o lado humano nas empresas, então as organizações people-centric ganharam força, já que entenderam que a construção de relacionamentos humanos gera muito mais frutos para quem investe nisso. E, se pararmos para pensar, faz bastante sentido empresas de tecnologia serem organizações voltadas também para o desenvolvimento do lado humano dos profissionais, ou seja, atentas às soft skills de seus colaboradores e candidatos.

Existem diversas pesquisas que reforçam que as soft skills trazem mais foco, engajamento, motivação e produtividade em times e temos o privilégio de poder observar isso na prática. Isso por meio de, por exemplo, de treinamentos que realizamos para o desenvolvimento de lideranças; análise transacional; comunicação não-violenta; foco na gestão agile e a transparência na comunicação interna. Tudo priorizando em uma gestão horizontal que certamente nos ajuda a construir um ambiente receptivo à valorização das soft skills.

Claro que, além disso, é fundamental reforçar que, cada vez mais, trabalhamos com pessoas e muitos times, portanto entendemos a importância de saber lidar com diferentes perfis, backgrounds e histórias diversas, assim como necessidades ímpares de cada colaborador faz parte da sua empresa. Além de uma grande variedade de processos, que estão em constante atualização e evolução, é preciso também desenvolver habilidades a mais para acompanhar e liderar todas as pessoas.