Page

Category artigo

A retomada do consumo de energia elétrica e a importância da atualização dos sistemas de conexão no setor elétrico

Por Roberto Karam

Passados quatro meses do início da pandemia, no setor elétrico a avaliação é de que o pior da crise já passou, o consumo de eletricidade registra quedas cada vez menores, já retorna a patamares do mesmo período de 2019, enquanto a inadimplência dos consumidores retornou a níveis próximos dos normais. Para agentes do setor, o balanço da crise se mostrou menos aterrorizante que o prenunciado em meados de março, muito em função dos esforços empreendidos pelo governo e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para amenizar os impactos ao setor. É de suma importância acompanhar a realização desta expectativa e continuar a incentivar a modernização do setor, na medida em que o aumento do consumo de energia trará o retorno dos investimentos.

Devemos ter em mente que a distribuição elétrica demanda atualização constante, porque se trata de um setor estratégico para o desenvolvimento e para o próprio bem-estar da população, sem citar que também virou um item relevante na pauta da segurança urbana. Lugares mais iluminados tendem a serem mais seguros. Portanto, a distribuição de energia é um dos setores mais relevantes para a população brasileira, tendo em vista que são mais de 80 milhões de Unidades Consumidoras (UC) com ponto de entrega e medição do gasto individual. Além disso, a indústria nacional representa um importantíssimo ator nesta composição já que consome cerca de 35% da energia gerada.

A eletricidade seja nas cidades ou no campo é muito aparente, e fica ainda mais ‘visível’ quando se sente sua falta na escuridão ou na inoperância dos eletrodomésticos ou eletroeletrônicos. Nas ruas as lâmpadas registram sua presença, a fiação demarca sua extensão, os transformadores se impõem imponentes como os donos da tensão e da corrente elétrica. Mas, um dispositivo com apenas alguns centímetros de cumprimento, pouco percebido pela população, os conectores elétricos, que são relegados ao papel de atores coadjuvantes na rede, são de extrema importância, pois se houver uma falha em um destes importantes componentes todo o investimento realizado é perdido e se transforma em custos adicionais e prejuízos.

Os conectores para a rede elétrica são desenvolvidos com tecnologia agregada, desde o conceito de conexão por “efeito mola”, que trouxe há alguns anos uma inovação para o setor até o recente conceito de conexão por perfuração do isolante, sendo que, no caso do portfólio da KRJ que se preocupa em fornecer não só um produto mais um sistema de conexão, seus conectores agregam os dois conceitos juntos, o que significa um menor tempo de atuação e exposição dos profissionais à rede e, obviamente, melhor desempenho, aumento da confiabilidade e da proteção dos sistemas elétricos, que é uma preocupação contínua por parte de empresas sérias, que têm o compromisso com a qualidade da energia fornecida e responsabilidade com os seus operadores.

Temos uma grande expectativa de retomada da economia neste segundo semestre de 2020 e temos como foco estratégico, incentivar a adoção de novas tecnologias que são indispensáveis para atualização e modernização do setor, para que a retomada do crescimento econômico se traduza também e desenvolvimento tecnológico e, com isso, se eleve a qualidade do serviço prestado à população.

Roberto Karam Jr. é engenheiro elétrico e diretor presidente da KRJ

Tags,

O gigante Marco Legal das Startups despertou!

Por Sergio Risola

O Marco Legal das Startups (MLS) acabou de despertar de um breve sono. Seu anteprojeto de Lei estava adormecido há alguns meses, apesar de sua extrema importância para o país, e espera-se que a sua regulamentação seja aprovada ainda nesse semestre. A proposta do MLS é estruturar um ambiente legislativo para o ecossistema de inovação, com um modelo inovador comercial e de leis que apoiem e sejam adequadas para as startups.

Uma pesquisa do Panorama Legal das Startups, realizada em julho deste ano, mostrou que 70,49% dos empresários entrevistados defendem a criação de leis de incentivo que tragam benefícios fiscais para startups e empresas com inovações, indicando que essa iniciativa contribuiria para alavancar o empreendedorismo inovador no Brasil.

O Marco Legal das Startups (MLS) acabou de despertar de um breve sono. Seu anteprojeto de Lei estava adormecido há alguns meses, apesar de sua extrema importância para o país, e espera-se que a sua regulamentação seja aprovada ainda nesse semestre. A proposta do MLS é estruturar um ambiente legislativo para o ecossistema de inovação, com um modelo inovador comercial e de leis que apoiem e sejam adequadas para as startups.

Uma pesquisa do Panorama Legal das Startups, realizada em julho deste ano, mostrou que 70,49% dos empresários entrevistados defendem a criação de leis de incentivo que tragam benefícios fiscais para startups e empresas com inovações, indicando que essa iniciativa contribuiria para alavancar o empreendedorismo inovador no Brasil.

Sergio Risola, diretor-executivo do Cietec

Tags, ,

Desafios do home office: aplicação do compliance individual na jornada digital

Por Cláudia Avilar

As medidas atuais de isolamento social surgiram repentinamente com a pandemia da Covid-19 e trouxeram preocupações com a saúde pública, além de apreensões em relação à administração da vida pessoal e familiar. E nesta esteira de mudanças, passamos pela necessidade de aderir ao formato de trabalho remoto abrupta e continuamente, o que representou um impacto significativo para a maioria das pessoas.

É importante destacar que não apenas a pandemia, mas o avanço da era digital como um todo trouxe diversos questionamentos e revisões sobre o nosso modo de trabalho. Muitas atividades que antes exigiam a presença física para sua execução precisaram se reinventar e se flexibilizar para não serem abandonadas frente à tamanha inovação.

Certamente não foi diferente com o modelo do Compliance Individual, que trata de um processo que aborda dilemas corporativos, promovendo a compreensão e a análise da percepção ética e do posicionamento de profissionais de diferentes posições. A metodologia de avaliação, que ocorria num formato presencial por meio de uma entrevista, precisou ser alterada.

Antes mesmo da pandemia, já havia sido notada a necessidade de acompanhar a era digital e tecnológica. Não era aceitável e nem mesmo viável termos somente a modalidade presencial para nossos processos se considerarmos que as pessoas possuem suas próprias agendas, vidas, rotinas e compromissos. Era preciso atualizar o modelo para que fosse realizado à distância.

A busca por ferramentas para condução de um processo on-line e pensar em novas formas que, mesmo à distância, são aderentes para o suporte e o esclarecimento de dúvidas, sem esquecer de preservar a qualidade da análise e da metodologia, foi imprescindível para lidar com as rotinas das empresas nesta pandemia.

Com as contratações ocorrendo à distância em função do isolamento social, a aplicação do Compliance Individual realizado de forma on-line garantiu às empresas um processo seletivo mais aprofundado e uma integração efetiva do novo talento da companhia, uma vez que é uma solução que pode ajudar as empresas a entenderem o quanto o profissional está preparado para atuar remotamente sob a perspectiva ética.

Há uma genuína preocupação em contratar pessoas que tenham um alinhamento com a cultura ética da organização. E conhecer de forma aprofundada a percepção moral de um colaborador pode auxiliar na definição de nível de autonomia e de independência que ele terá.

Certamente este período nos propiciou muitas reflexões, pessoais e profissionais, além de diferentes mudanças sobre nosso modo de atuação e nossas entregas. Muito se comenta hoje sobre o novo normal e o quanto diversas coisas vieram para ficar. Esperamos que as boas práticas adquiridas a partir desta revisão de métodos e de conceitos permaneçam e sejam fonte de inspiração para sempre revisitarmos a forma como atuamos e nos relacionamos com este olhar de evolução.

Cláudia Avilar, consultora pleno de Compliance da ICTS Protiviti

Tags, ,

Como evoluir do multicanal para a multiexperiência

Por Herbert J. Preuss, Senior Solutions Architect na Equinix

Em muitos aspectos, a evolução do multicanal para a multiexperiência ocorre paralelamente à digitalização do mundo moderno. Antes da década de 1990, o multicanal, de uma perspectiva de varejo, significava vender produtos por meio de um número limitado de canais – na loja, por meio de um catálogo ou de vendedores porta a porta. Hoje há uma variedade vertiginosa de pontos de contato do varejista com o cliente, da loja a aplicativos móveis, redes sociais e muito mais. E não é só no varejo. A pandemia de Covid-19 obrigou todos os setores a reavaliar sua interação com os clientes. Garantir uma experiência perfeita e sem falhas requer infraestruturas de TI que possam suportar interações em tempo real entre pessoas, aplicações, dados e clouds na edge.

Definição da ascensão de diversos canais


Tecnologias digitais como cloud, mobilidade, redes sociais, inteligência artificial (IA) e a internet das coisas (IoT) abriram caminho para que as organizações alcancem seus clientes de várias maneiras. E, à medida que essas tecnologias evoluem, o foco está mudando do canal (de dentro para fora) para a experiência (de fora para dentro). Nas palavras do empresário e jornalista de tecnologia Taylor Davidson, “a melhor tecnologia fica em segundo plano, porque as pessoas não se importam com tecnologia, elas se preocupam com o que ela faz”. Ao mesmo tempo, elas esperam uma experiência rápida e sem dificuldades. Uma resposta lenta da aplicação pode levá-las a procurar em outro lugar porque “lentidão é a nova frustração”. De fato, de acordo com uma pesquisa da Microsoft, o tempo médio de atenção humana caiu de 12 segundos para cerca de oito segundos.

Com isso em mente, vamos dar uma olhada na progressão do multicanal para a multiexperiência:

Multicanal: concentra-se em vários canais para alcançar os clientes, como localização física, site, compra por catálogo, redes sociais etc., que são normalmente agrupados e gerenciados de forma independente. Por exemplo, as lojas têm seu próprio inventário separado do site e, ocasionalmente, itens comprados online não podem ser devolvidos na loja. Ou cliques nas redes sociais não são rastreados para vendas no site.

Omnicanal: concentra-se não apenas em ter vários canais, mas também em conectá-los para trabalhar juntos para uma melhor percepção e experiência do cliente. Isso significa que, se o cliente mudar de canal, suas informações vão com ele para proporcionar uma experiência mais personalizada. O omnicanal também amplia a ideia de canal além de destinos físicos e digitais para incluir formatos de experiência emergentes, como realidade aumentada e virtual (RA/RV). Para que o omnicanal funcione, as organizações devem integrar informações de clientes e inventários para trabalhar em todos os canais.

Multiexperiência: foi citada pelo Gartner no “Top 10 Strategic Technology Trends for 2020” e é definida como a substituição de pessoas instruídas pela tecnologia por tecnologia instruída por pessoas. Nessa tendência, a ideia tradicional de um computador evolui de um único ponto de interação para incluir interfaces multisensoriais e multitoque, como wearables e sensores de computador avançados.

Como projetar para um mundo multiexperiência


Passar do multicanal para a multiexperiência não é tarefa fácil. Vai além de integrar dados de diversos canais para garantir que a experiência do usuário seja excelente e consistente, independentemente de quando, onde e como a interação ocorre. O OutSystems descreve a multiexperiência como uma mudança de foco de canais (de dentro para fora) para a experiência do cliente (de fora para dentro) e observa três características que devem ser consideradas ao se projetar para um mundo multiexperiência:

Ser natural para o dispositivo e modalidade de interação – a experiência precisa atender a cada dispositivo e ponto de contato de uma forma que pareça natural.

Habilitar uma troca perfeita entre pontos de contato – por exemplo, você está assistindo a um filme da Netflix em sua Smart TV e interrompe o filme para ir a uma consulta médica. Você pode então continuar de onde parou no seu smartphone na sala de espera.

Ser consistente, não importa o ponto de contato – os pontos de contato digitais da marca devem ser percebidos e se comportar de maneira consistente, independentemente do dispositivo ou método de interação.

Essa abordagem de design é como usar peças de LEGO independentes de ponto de contato ou “micro-tarefas” que podem ser reutilizadas e combinadas para compor uma jornada do cliente multiexperiência. Cada peça pode ser reutilizada em diferentes pontos de contato, em diferentes modalidades, carregando sua própria interface, comportamento, lógica e/ou dados do usuário. Uma “micro-tarefa” de pagar com um cartão de crédito em um site poderia então ser combinada em uma tarefa maior, como pedir o jantar e dividir a conta em uma aplicação móvel.

Visualizando um futuro multiexperiência


Embora algumas empresas tenham feito incursões em direção a uma estratégia de multiexperiência, as preocupações generalizadas sobre a privacidade dos dados retardaram o progresso. Mas a pandemia está começando a derrubar essas barreiras à medida que governos, empresas e organizações são cada vez mais obrigados a fornecer seus produtos e serviços por meio de experiências digitais socialmente distantes.

Por exemplo, já que estamos presos em casa hoje em dia, decidi realizar um projeto de reforma da casa que queria fazer há algum tempo. Como parte desse projeto, planejamos comprar alguns móveis novos de uma loja que tem experiências incríveis na loja física. Pensamos que pedir no site deles seria tão interessante quanto, mas não foi. Foi difícil encomendar pelo site, os produtos demoraram muito para chegar e estavam mal identificados quando os recebemos, o que diminuiu nossa percepção sobre essa empresa.

Em contraste com nossa experiência de compra de móveis, estamos vendo muitos restaurantes locais e outros varejistas terem grande sucesso em se adaptar rapidamente ao pedido móvel com retirada, entrega ou drive-thru, bem como a integração com aplicativos de entrega.

Por que a interconexão é um bloco de montar fundamental


Todas essas tendências ressaltam o fato de que os clientes esperam uma experiência de qualidade, conveniente e agradável, independentemente de como, onde ou quando precisam de um produto ou serviço. Eles não se importam com o canal. Fornecer esse tipo de experiência depende da troca rápida e segura de dados entre empresas, usuários, ecossistemas digitais e provedores de TI. Ao utilizar uma abordagem baseada em interconexão, as organizações podem integrar e trocar dados com parceiros com segurança e aproveitar percepções mais detalhadas para fornecer multiexperiências mais rápidas, confiáveis e personalizadas. A interconexão melhora a performance e o tempo de resposta, ajudando a criar o tipo de multiexperiência que manterá a atenção do usuário no mundo de déficit de atenção digital de hoje.

Tags, ,

Não existe “depois” na adequação à LGPD. É agora ou multa!

Por Washington Fray

Passado o susto inicial da pandemia do Coronavírus e as adaptações que foram necessárias para as empresas, outro assunto passa a ocupar o destaque na agenda executiva: a Lei Geral de Proteção de Dados, que entra em vigor no mês de agosto, segundo o Senado Federal, e deve ser sancionada nas próximas três semanas pelo presidente. Isso significa que as empresas precisam correr com seus projetos, visto a complexidade do processo de adequação à LGPD.

Até por uma questão cultural, os brasileiros costumam deixar seus afazeres para última hora ou, em casos mais extremos, apostar com a sorte ao não fazê-los. Mas, neste caso, o descumprimento das normativas da LGPD pode resultar numa multa de 2% do faturamento do Grupo como um todo, no caso de pertencer a algum.

Para quem não começou a se preparar, o ponto de partida é o mapeamento de todos os dados armazenados pela organização. O processo pode ocorrer por meio de planilhas, entre outros. Neste momento, é necessário a realização de uma categorização, separando os dados pessoais daqueles que são sensíveis para analisar qual informação é preciso manter e qual deverá ser descartada – aquelas que não fazem sentido manter – e onde armazená-la, do ponto de vista da segurança da informação.

Nesta linha, o segundo passo é mapear as pessoas que têm acesso a essas informações. Isso porque, além de blindar a empresa, é necessário assegurar aqueles que precisarão manipular essas informações, criando uma barreira. Aqui, se torna necessário o uso de tecnologia, tanto para detecção quanto para a prevenção e combate das vulnerabilidades.

No terceiro passo, caímos na segurança da informação. E essa é a chave do processo de adaptação das empresas à LGPD. É preciso criar uma sequência de projetos para adequação, criptografia de dados e acesso seguro ao sistema, que envolve a complexidade das senhas de acordo com o perfil do usuário, além da limitação de informações armazenadas em banco de dados e a segurança de servidores. Este quesito merece uma atenção especial, pois além do acesso, temos a questão do vazamento de informações, ou seja, a infraestrutura precisa estar controlada.

Isso porque sua rede pode estar exposta para todos. Tome o momento que estamos como exemplo, o qual, com a adoção do home office às pressas, tornou vulnerável os ambientes corporativos, que estão sendo acessados remotamente, tornando-o cada vez mais exposto e explorado pelos hackers. Portanto, as empresas que já estavam mais preocupadas com a segurança, estão, consequentemente, mais preparadas às normativas da Lei.

Por último, e tão importante quanto aos demais passos, está a nomeação do profissional que assumirá o papel de DPO (Data Protection Officer), cargo criado pela LGPD. Ele deverá acompanhar as etapas do processo de adequação do ponto de vista tecnológico e jurídico, pois será o representante da empresa perante à Lei.

Somado aos dois aspectos que cabem o acompanhamento do DPO, temos uma terceira vertente, que são as questões culturais. Neste aspecto, serão necessárias mudanças na mentalidade dos colaboradores sobre a seriedade e a gravidade no compartilhamento de informações de cadastros e controles de acesso. Por isso, é de extrema importância orientar as pessoas sobre como lidar com o tratamento de dados a partir da Lei, pois de nada adianta realizar todo um investimento de infraestrutura se os funcionários compartilham entre si suas senhas.

Além dos colaboradores, há os fornecedores e parceiros, agentes que também precisam estar em compliance com a LGPD. Para isso, cabe adicionar uma cláusula no contrato sobre os cumprimentos da Lei. Ademais às etapas, ainda é preciso criar um relatório de adequação de riscos, o que demandará um plano de ação em caso de vazamento de informações.

O importante é ter em mente que, pelas numerosas etapas, há urgência. O tempo é curto para adequar seus processos à LGPD do ponto de vista jurídico, tecnológico e cultural. As empresas têm poucos meses para conquistarem sua maturidade neste processo e evitarem a exposição à Lei e suas consequências. Então, mãos à obra!

Washington Fray, diretor de marketing e vendas da Viceri, holding de Tecnologia da Informação especializada em desenvolvimento de software customizado, consultoria e produtos digitais

Tags,

Aprovação da reforma tributária e crescimento da economia necessitam de pacto pelo desenvolvimento do Brasil

Por João Marchesan

Vivemos um momento único na história recente do País. Momento que requer uma união muito grande de todos os setores da sociedade. É hora de unir o executivo, o legislativo e o Judiciário para olhar para o País e fazê-lo crescer. Essa união deve favorecer um raciocínio em torno de questões básicas: O que pode ser feito para que o Brasil volte a crescer? O que pode ser feito para que a indústria passe a gerar emprego, contribuindo para a diminuição do número de pessoas desempregadas.

Precisamos de novos investimentos, precisamos de uma reforma tributária e precisamos atuar  tornando  o sistema tributário mais simples para aumentar a produtividade, competitividade e inovação de quem empreende e quer crescer no Brasil.

Então é hora de deixarmos de pensar em nossos próprios umbigos e unirmos esforços para que o Brasil volte a crescer. Não interessa se temos uma indústria, um comércio, ou uma empresa prestadora de serviços. Não importa se somos trabalhadores ou empresários, temos que defender o Brasil, o crescimento e o desemprego que é perverso e tira a dignidade dos brasileiros.

No ranking mundial, o Brasil está em último lugar  em tempo gasto por empresas para pagamento dos impostos. Essa complexidade tributária afeta o crescimento das empresas e do País. E esse não é o nosso único problema. Precisamos ainda da reforma administrativa. Diminuir o peso do Estado. Em um sistema mais simples, as empresas podem produzir mais e melhor com menos custos, gerando desenvolvimento para o país.

Talvez aqui estejamos sugerindo um pacto pelo Brasil não nos termos políticos propostos, onde muitas vezes a complexidade ideológica afeta os reais interesses do País. Mas propomos um pacto que foque nas questões essenciais, gerando emprego e renda, sem o que não iremos para lugar algum.

Por exemplo, além das reformas, a disponibilidade de crédito para investimentos a juros equivalentes às taxas praticadas nos mercados concorrentes é um fator determinante para propiciar aos produtores nacionais condições isonômicas de competição no mercado internacional e um meio de combater um dos principais componentes do “Custo Brasil”.

Para que essas metas de disponibilidade de capital sejam alcançadas, é necessário, o fortalecimento do sistema de financiamento e garantias às exportações. Os instrumentos públicos de financiamento devem ter previsibilidade e garantir recursos para alavancar a competitividade das vendas ao exterior e ampliar o total de vendas ao mercado externo  dos bens manufaturados.

O ambiente de negócios no Brasil é um dos principais entraves ao crescimento econômico. E isso também precisa de uma ação de todos para melhorar. Tudo o que estamos mencionando aqui  tendem a promover segurança jurídica e reforçar a credibilidade do país com vistas a atrair investimentos estrangeiros e de tornar seu mercado um ambiente propício para negócios, diminuindo o tempo de espera e os custos financeiros e econômicos decorrentes de procedimentos burocráticos para investir no país.

Alguns passos já foram dados nesse sentido, por exemplo  a aprovação da reforma da Previdência e o lançamento de um amplo pacote de medidas destinadas a reduzir os gastos públicos e a burocracia assinalam o compromisso da atual gestão com o controle da dívida pública e com a melhoria do ambiente de negócios do País.

Mas acredito que dentro dessa ideia de união de todos os setores em torno do crescimento do país,  consideramos imprescindível  as ações de reestruturação normativa e institucional que evidenciem a busca pela convergência de diretrizes e estratégias com as melhores práticas adotadas internacionalmente. Ações de desburocratização da estrutura administrativa e simplificação do sistema tributário são bem-vindas para reforçar a imagem do Brasil de estabilidade jurídica e econômica frente ao mercado.

É necessário, portanto, que as políticas sigam alinhadas com a adoção de uma agenda de desenvolvimento econômico, com ações focadas na garantia de um ambiente capaz de atender à demanda crescente já em curso e que todos trabalhem não na busca de atendimento das necessidades individuais de cada setor envolvido, mas que busquem o crescimento do País como um todo.

João Marchesan, administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ

Tags, , ,

O comportamento do indivíduo versus a cultura ética das empresas

Por Tatiane Araújo

Recentemente, vimos na mídia a repercussão de casos como do engenheiro carioca e do desembargador da baixada santista que questionaram as regras sociais de combate à pandemia ao serem abordados por agentes fiscalizadores. Em ambos os casos, vemos um questionamento da sociedade quanto ao comportamento ético adotado por estes indivíduos e exposição profissional, que envolve a imagem da empresa em que atuam.

No mundo atual, já não é possível dissociar a imagem pessoal da imagem profissional. Com isso, levantamos o seguinte questionamento: como as empresas podem avaliar o posicionamento ético de seus colaboradores e como garantir um ambiente ético e de respeito às normas? Certamente, essas não são questões de resposta simples, pois possuir um ambiente organizacional ético requer um trabalho cuidadoso de engajamento e de envolvimento de toda a companhia.

Este trabalho se inicia na contratação dos profissionais e, atualmente, vemos um crescimento da preocupação das empresas em avaliar seus candidatos para além das competências técnicas e comportamentais, buscando alinhamento com sua cultura, visão e valores. Em alguns casos, vemos também a utilização de ferramentas que avaliam a percepção e a flexibilidade ética dos profissionais diante de situação de dilemas, o que é de extrema importância para compreender os riscos éticos que cada profissional pode representar para a empresa.

Mas, esse cuidado não pode se limitar ao processo de contratação do profissional e também deve estar presente no dia a dia da empresa e fazer parte de seu DNA. Não basta ter uma empresa com valores sólidos e que se preocupa com questões éticas, é preciso que essa cultura esteja enraizada em todos aqueles que fazem parte da companhia. É preciso falar de ética e vivenciar isso na prática para que se construa uma cultura forte e estruturada, que minimize os riscos decorrentes de comportamentos antiéticos no ambiente laboral.

Quando falamos de ética, entendemos que, além dos treinamentos, palestras e acompanhamentos que normalmente são feitos, também precisamos, ao longo da trajetória dos profissionais, avaliar o quanto estão internalizando todas essas boas práticas que são pregadas por seu empregador. Mesmo que exista um programa estruturado de Compliance e que ele seja amplamente divulgado dentro da empresa, ainda assim, é importante compreender como cada indivíduo enxerga esse programa, o quanto ele entende sua efetividade dentro da rotina de trabalho e se ele realmente acredita nessas diretrizes.

Ao analisar o perfil ético dos profissionais brasileiros por meio de estudos baseados em cenários reais das empresas por meio de levantamentos, identificamos que há uma maior concentração de perfis de profissionais que podem ter suas condutas influenciadas por elementos externos ou pelo ambiente em que estiverem inseridos. Isso nos alerta para a necessidade de existir uma avaliação da cultura ética como forma de utilizar essa possibilidade de influência de maneira positiva, pois ela nos permite criar controles que solidifiquem e incentivem a adoção de comportamentos éticos e, ao mesmo tempo, minimizem condutas desviantes e prejudiciais para a organização.

Avaliar a cultura ética da empresa é importante, sobretudo diante do cenário social em que vivemos. Isso nos permite entender as fortalezas que devem ser mantidas e reforçadas, assim como os pontos que representam falhas e até mesmo riscos para a empresa. Com isso, conseguimos um direcionamento assertivo para um fortalecimento da cultura ética e das práticas de Compliance, assim como minimizamos os riscos de exposição e de adoção de condutas contrárias ao que a empresa acredita.

Tatiane Araújo, analista pleno na ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados

Apps ganham protagonismo na atenção ao cliente

Por José María Pérez Melber, Diretor da Atento na Espanha

O processo de digitalização em que se encontra a grande maioria das empresas, bastante acelerado pela situação gerada pela pandemia de COVID-19, é um fardo mais pesado do que inicialmente se esperava para muitas delas, pois não se trata apenas de adotar novas tecnologias, mas um processo global de reconstrução da dinâmica das organizações e das capacidades das pessoas se adaptarem às necessidades do presente e do futuro. Isso implica uma mudança cultural, e não apenas tecnológica, que se compromete a colocar o cliente no centro da estratégia de negócios.

Um recente relatório elaborado pela IDC Research Spain confirma que a evolução do cliente financeiro é uma realidade. Na verdade, os clientes que preferem interagir digitalmente com sua identidade financeira são 14% mais do que aqueles que optam pelos meios tradicionais. Os serviços bancários online e mobile tornaram-se os principais canais de interação bancária para muitos consumidores. O relatório prevê que o aumento para canais digitais nos próximos 5 anos será próximo a 25%.

O grande desafio das empresas é conhecer as reais necessidades de seus clientes para atendê-los onde eles estão. Portanto, o processo de digitalização deve partir do cliente, entendendo suas necessidades e desenvolvendo uma estratégia em torno das respostas obtidas, assumindo que não será uma simples mudança, mas uma revolução que afetará toda a empresa.

Nesse contexto, a grande questão é como as instituições financeiras e as empresas em geral estão ouvindo seus clientes, entendendo como o perfil do consumidor mudou diante dessa nova realidade que vivemos.

Novos enfoques para aproximar-se do cliente

Segundo o estudo da Atento, 78% das empresas notaram alguma mudança na utilização dos canais durante a crise, sendo o Contact Center o canal mais utilizado tanto para vendas e serviços (28%), como para consultas e relato de incidentes (31%). De acordo com o levantamento realizado, setores como o bancário pretendem investir em aplicativos móveis para o próximo ano – especificamente mais de 40% dos entrevistados nesses setores viram essa necessidade em decorrência da pandemia e mostraram vontade e intenção de integrar aplicativos de telefones celulares em seus modelos de negócios.

Em grande medida, a decisão de iniciar esses processos de transformação é uma decisão reativa, que corresponde mais ao medo de ser ultrapassado por concorrentes do que a uma necessidade comprovada de satisfazer as necessidades de clientes, funcionários ou colaboradores.

Os valores e sentimentos das pessoas mudaram: a importância da saúde e o valor real do tempo são aspectos que ganharam especial relevância e que continuarão a ter importância no futuro. Nossos hábitos também mudaram: novos modelos de trabalho que pareciam distantes se tornaram nossa realidade; modelos de interação e lazer que pareciam inovadores agora são uma realidade diária. E, claro, os hábitos do consumidor foram digitalizados, criando novas tendências inesperadas.

E é nesse processo de convivência, no qual a distância social é o novo normal, em que as empresas devem abordar seus clientes de forma coerente e respeitosa, ser capazes de fazer uma segmentação correta e ter ferramentas de medição adequadas que permitam entender as necessidades do consumidor, os canais que ele usa, como os usa, o que acha desses canais, etc.

A cultura digital também se caracteriza pela oportunidade de ajudar os clientes com uma capacidade de autoatendimento e com respostas em um ritmo espaçado que combina voz e texto em um estilo de conversação comum, o que também ajuda a reduzir o número de ligações e aumentar a qualidade da experiência proporcionada pelo Contact Center. E é neste cenário que as aplicações estão ganhando cada vez mais destaque.

No campo dos canais digitais, é necessário propor uma estratégia adequada à nova realidade. Aproveite como os canais digitais permitem aumentar as interações instantâneas com o Contact Center e a capacidade de atender às necessidades do cliente a qualquer hora e em qualquer lugar. Os canais digitais disponíveis por meio de dispositivos móveis e wearables são um complemento necessário para Contact Centers, principalmente em um setor como o financeiro.

Efeito Coronavírus na indústria coloca em xeque a Transformação Digital e a cultura do Data Driven

Por Anderson Aoca

A humanidade está enfrentando uma das situações mais desafiadoras dos últimos tempos. As restrições, como consequência da pandemia do Coronavírus, nos obrigaram a colocar em prática a capacidade de criação tanto para combater os desdobramentos da crise, quanto o vírus.

Como resultado, houve a aceleração de transformações, que aconteciam a passos mais lentos. Neste sentido, a digitalização de processos ganhou uma velocidade até extraordinária e avançou anos em alguns meses. Mas, qual o impacto da indústria com esse impulsionamento? Como foi afetada a base da economia sob o ponto de vista da aceleração da digitalização, uma vez que essa indústria estava construindo sua Transformação Digital de forma morosa e vagarosamente?

As mudanças no formato de trabalho afetaram drasticamente o setor industrial, principalmente as indústrias de manufatura e processos, que têm como característica uma produção que necessita da supervisão quase que constante de pessoas para tomar decisões e intervir quando necessário. Aqui, a adoção do home office foi um desafio, não do ponto de vista dos profissionais, mas dos processos de negócio, que não estão 100% digitalizados e integrados.

Em sua maioria, as informações são alimentadas, manualmente, em planilhas, por diversas fontes, ocasionando a falta de confiabilidade nas informações e disponibilidade do seu percurso para garantir a fluidez do processo desde o chão de fábrica. Isso demanda a checagem dos dados para validação, o que é dificultado à distância. Sob o ponto de vista da produtividade, o desafio é digitalizar os trabalhos manuais integrando-os horizontalmente, e não apenas ter uma digitalização vertical, como normalmente ocorre.

Neste contexto, quando falamos em transformar digitalmente os processos, se faz necessária a criação de uma indústria orientada a dados, ou seja, é preciso aplicar a cultura Data Driven. Porém, para que isso aconteça, é preciso que os profissionais de dados trabalhem integradamente com os especializados em automação e processos de fabricação para que os sistemas sejam construídos de forma consistente e segura. O modelo permitirá obter ecossistema 100% digital, abrindo caminho para os nomeados Gêmeos Digitais das operações.

No contexto da manutenção, outras tecnologias se farão necessárias, como o Machine Learning, o Deep Learning e a Inteligência Artificial, que conectadas por meio do IoT (Internet das Coisas) permitirão o acompanhamento de equipamentos e, como consequência, a geração de predições, uma tendência que também foi acelerada, ainda que timidamente, pela situação pandêmica.

De forma geral, o Coronavírus acelerou a Transformação Digital à fórceps e demandou da indústria a necessidade de conhecimento e entendimento do seu nível de maturidade do ponto de vista da tecnologia e dos dados para, a partir disso, construir um plano de ação para tornarem-se indústrias Data Driven. É um caminho sem volta e, uma coisa é certa, trará muitos benefícios!

Anderson Aoca, gerente de Indústria 4.0 da Engineering, companhia global de Tecnologia da Informação e Consultoria especializada em Transformação Digital.

A Gestão de Pessoas e a implantação de processos em startups

Por Julia Morassutti, Head de Gente e Gestão e Jurídico na Printi

O tempo em uma startup passa rápido e intensamente, principalmente quando ela está em um momento de crescimento, no caminho de se tornar uma scale-up. O momento de transição é desafiador para toda startup, inclusive para a área de Gestão de Pessoas (ou Recursos Humanos), que precisa desenvolver uma cultura de processos compatível com grandes organizações, sem perder agilidade e seu DNA de crescimento.

De acordo com levantamento do IBGE, as scale-ups representam 0,5% das empresas em atividade no Brasil e são responsáveis por gerar 70% dos novos empregos no país. Nesse contexto fica clara, portanto, a importância da gestão de pessoas.

Em uma startup os processos tendem a ser mais simples e rápidos, por conta do tamanho da operação e da cultura organizacional. Mas à medida em que ela cresce, cresce também o quadro de colaboradores, surgem novas áreas e com tudo isso aumenta a necessidade de desenvolver ou rever os processos. Gestão de Pessoas não só tem a missão de estruturá-los, mas principalmente de acompanhar o crescimento e apoiar a sustentabilidade do negócio, por meio de boas práticas em todos os seus subsistemas. É necessário pensar e agir com foco na experiência do colaborador e nas ações que reforcem sua performance e desenvolvimento. E nessa hora é necessário tomar cuidado para não engessar a cultura ágil e flexível da startup.

Processos não precisam ser sinônimo de entraves. Além de ajudar a agilizar ainda mais a operação, processos existem para criar uma estrutura organizacional mais profissional e, acima de tudo, mais produtiva e eficiente.

Mas como desenvolver esses processos sem atrapalhar a cultura?

A área de Gestão de Pessoas precisa seguir as características de agilidade, flexibilidade e dinamismo da startup, incorporá-las aos processos e criar meios de suportar as constantes transformações da empresa. É preciso pensar em métodos que estejam alinhados com as estratégias de crescimento. Para isso, é importante a área estar próxima e dominar o negócio, entender como cada área funciona e o perfil das pessoas que trabalham nelas.

Nesse caminho é imprescindível considerar o uso de tecnologias que tragam digitalização e automação, isso permitirá velocidade e precisão às rotinas da área e também a tomada de decisões com viés menos subjetivo, baseadas em dados analíticos. Estamos falando de posicionamento estratégico e nova postura atitudinal. Tudo de forma a acompanhar o ritmo da empresa, garantir agilidade na tomada de decisões, sem perder de vista a essência e o jeito de ser da empresa.

A comunicação é outra grande aliada nesse momento. É preciso ser claro na hora de comunicar os novos processos e utilizar todos os canais da empresa (e-mail, rede social interna, vídeos, manuais etc.), buscando observar qual o melhor meio para comunicar em cada situação, qual atinge o público alvo e entrega melhor a mensagem. Muitas vezes o melhor é mesclar diferentes formatos.

Em tudo isso não existe uma fórmula para o sucesso, cada empresa possui suas particularidades e sua cultura. Mesmo em termos de parceiros, plataformas, linguagens e métodos. Cada startup tem seu DNA único e o que traz excelentes resultado para algumas pode não funcionar para outras. Erros serão cometidos no caminho e ajustes rápidos são necessários, como parte de uma acomodação natural, um aprendizado.

Em algum tempo após estruturação e uso de tecnologias para coleta, análise e gestão de dados será possível medir os resultados efetivamente alcançados. Além do inquestionável ganho de precisão e controle.

Esse é o grande desafio da Gestão de Pessoas nesse ecossistema. Criar alicerces para potencializar a produtividade no crescimento da empresa, preservando o interesse genuíno por pessoas, a cultura, flexibilidade com agilidade, criatividade e foco em inovação.

Pensando sobre upskilling – hoje e sempre

Por Miriam Rodrigues

Termo novo, necessário e atual. Mas, afinal, do que estamos falando? E se é tão necessário e atual, como vou me posicionar a respeito?

Numa tradução livre, quando falamos de skills, estamos falando de habilidades, chamadas às vezes de competências.

Já, quando falamos de upskilling, estamos tratando do desenvolvimento de habilidades, em alguns casos, há também o entendimento de requalificação.

Como sabemos há pelo menos 3 décadas, a velocidade das mudanças, em especial as mudanças tecnológicas, tem demandado o desenvolvimento cada vez mais acelerado de novas competências e isso demonstra ser cada vez mais evidente para empresas e profissionais.

Novas formas de aprender e de trabalhar surgem com uma velocidade indescritível e sem precedentes, não sendo identificada possibilidade de um retrocesso neste cenário.

Como prever as habilidades necessárias aos profissionais daqui há 2 anos, por exemplo, se a velocidade do surgimento de novas tecnológicas não é previsível? Como pensar no desenvolvimento de competências para uma carreira, que deverá durar algumas décadas, num ambiente tão mutante, instável, desafiador, incerto?

Está posto um desafio sensível e necessário, que demandará o planejamento de ações continuadas em várias instâncias: global, nacional, regional, e que envolve, também, vários atores, como escola, empresas e líderes empresariais e os próprios profissionais.

Ter consciência a respeito deste fato por parte das instâncias e atores envolvidos, com certeza, já é um primeiro passo.

A troca de experiência em comunidades presenciais ou remotas, o “olhar glocal” (global + local), a sensibilidade e, sobretudo, a crença no aprendizado contínuo durante toda a vida, precisam estar presentes, sempre.

Como outras ondas que a humanidade viveu no passado, agora temos a real necessidade de nos reinventarmos – sem exagero – quase que diariamente. Sabemos que isso é possível porque já estamos fazendo: trabalhar sem barreiras geográficas, de – literalmente – qualquer lugar do mundo, usando sempre tecnologia a nosso favor, dentre outros exemplos, e sem nunca perder de vista nossas características empáticas, tão necessárias na lide diária com os desafios que chegam sem parar.

Sim, enfrentamos inseguranças relacionadas à empregabilidade trazidas pelo ritmo acelerado da tecnologia, inovação e globalização, isso não vai mudar no curso prazo. Vamos prosseguir, vamos nos reinventar, vamos continuar aprendendo, sempre.

Miriam Rodrigues, docente de disciplinas relacionadas ao Comportamento Humano no Trabalho na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Como a digitalização da área de produção aumenta a segurança das fábricas

Por Nand Kochhar, vice-presidente de estratégias para os setores de transporte e automotivo da Siemens Digital Industries Software

A COVID-19 colocou uma pressão ainda maior nas fábricas do setor automotivo. Apesar do impacto em todos os setores das empresas automotivas, a manufatura se mostrou particularmente vulnerável por causa do elo fundamental que os operadores humanos formam na cadeia de produção de veículos.

Os operadores humanos realizam tarefas essenciais na cadeia de produção de veículos, tornando a produção automotiva particularmente vulnerável à pandemia da COVID-19.

As linhas de produção atuais foram projetadas e otimizadas para o mundo pré-pandemia. Os operadores muitas vezes trabalhavam próximos uns aos outros e compartilhavam ferramentas, caixas de peças e outros recursos para realizar suas tarefas. Mas as medidas necessárias para impedir a propagação da COVID-19 inviabilizaram muitos aspectos da área de produção.

Desafios na reorganização da área de produção

As empresas automotivas tiveram que modificar e adaptar rapidamente suas instalações de produção para garantir a segurança dos funcionários. Essas mudanças são necessárias, mas podem afetar drasticamente a eficiência e o rendimento de uma área de produção. Por exemplo, as estações de produção precisam ser redistribuídas em uma linha de produção para garantir pelo menos um metro e meio de distância entre os operadores humanos enquanto eles realizam suas tarefas. Além disso, cada operador deve ter suas próprias ferramentas e caixas de peças para evitar a propagação da doença por meio do contato com uma superfície ou objeto. Essas mudanças parecem pequenas, mas podem influenciar consideravelmente a forma de trabalhar dos operadores humanos.

A troca de turno também apresenta desafios de segurança para os funcionários. Os fabricantes devem garantir que os trabalhadores estão saudáveis ao chegar ao trabalho e reservar um tempo extra entre os turnos para limpar completamente as estações de trabalho e as ferramentas. Essas mudanças de turno mais demoradas significam mais tempo de produção parada e podem exigir que as fábricas reduzam o número de turnos por dia, causando um impacto ainda maior na produtividade.

Esses e outros efeitos da pandemia forçaram as empresas a adotar tecnologias avançadas de manufatura para mitigar as deficiências das linhas de produção e estações de trabalho com o distanciamento social. Novas aplicações de tecnologias como realidade virtual, robótica avançada e manufatura aditiva ajudam a aumentar a segurança e produtividade da manufatura. Por exemplo, os veículos guiados e automatizados (AGVs – automated guided vehicles) podem substituir caixas de peças compartilhadas, entregando materiais às estações de produção de forma rápida e eficiente e facilitando o distanciamento físico entre os operadores humanos.

Os AGVs podem ajudar a manter a distância entre os operadores humanos, automatizando a entrega de materiais e outras tarefas de logística.

Essas inovações tecnológicas ajudam muito, mas sua integração às instalações atuais pode gerar outros desafios. A implementação de novos processos de produção ou tecnologias pode exigir altos investimentos. Além disso, as novas linhas de produção devem ser testadas, verificadas e validadas para evitar problemas quando a produção estiver em operação.

Não são apenas os fabricantes de equipamento original (OEMs) que estão se ajustando às novas restrições operacionais relacionadas à pandemia global. Tanto os OEMs quanto os seus fornecedores devem analisar como podem modificar sua área de produção para respeitar as medidas de distanciamento social. Enquanto as empresas se adaptam, a digitalização mostrou ser essencial para colocar a produção novamente em operação com segurança, rapidez e maior resiliência, preparando-se para crises futuras.

A digitalização garante mais inteligência no processo

A digitalização ajuda as empresas a adaptar sua área de produção rapidamente para garantir o distanciamento social e proteger a saúde dos funcionários. Soluções de software modernas, como o gêmeo digital, podem ser simuladas para verificar, validar, detectar problemas e otimizar a área de produção e aumentar a segurança e eficiência antes de colocar as máquinas em operação ou reorganizar as áreas de produção.

As soluções de engenharia de manufatura digital permitem redesenhar virtualmente a área de produção. Recentemente, a Siemens anunciou uma nova solução que ajuda os fabricantes a simular e gerenciar os riscos de exposição dos funcionários, permitindo aumentar a produtividade em suas instalações.

Com a volta da produção e seu ritmo aumentando, as soluções de gerenciamento de operações de manufatura digital ajudam as empresas a monitorar e otimizar suas operações. Essas soluções podem reunir dados de várias fontes da produção e agregá-los em relatórios úteis e contextualizados.

Porém, uma estratégia de digitalização robusta deve ir além do layout e gerenciamento da produção. Soluções integradas que incluem design de produto e produção, gerenciamento do ciclo de vida do produto (PLM), gerenciamento de operações de manufatura (MOM) e planejamento de recursos corporativos (ERP) ajudam as empresas a transformar a complexidade em vantagem competitiva ao simplificar as operações e melhorar a colaboração em suas cadeias de suprimentos.

Em particular, será fundamental permitir a colaboração mais frequente e eficaz em toda a cadeia de suprimento, pois os OEMs e seus fornecedores continuam na recuperação de resultados e preparação para futuras crises. Melhorias na comunicação entre os parceiros também ajudam os OEMs e seus fornecedores a coordenar o aumento das capacidades de produção para atender à demanda do mercado e evitar excesso ou escassez de produtos.

Maior resiliência por meio da digitalização

A pandemia da COVID-19 exerce uma pressão específica nas fábricas e funcionários do setor automotivo. Com a progressão da pandemia, os OEMs e fornecedores automotivos enfrentaram o desafio de reorganizar e reajustar a área de manufatura para manter seus funcionários seguros e saudáveis. Porém, a reorganização da área de produção é muito difícil, principalmente sob a pressão de responder a uma crise global.

A digitalização provou ser a resposta para obter ambientes de produção seguros e eficientes no processo contínuo de reajuste e retomada das atividades da manufatura automotiva. As soluções de digitalização de projeto e simulação de produção permitem que os engenheiros desenvolvam e analisem rapidamente novas configurações das linhas de produção e estações, e as soluções de MOM, PLM e ERP permitem maior percepção do desempenho das instalações e da logística da cadeia de suprimentos. A digitalização também ajuda as empresas automotivas a se unirem em um momento de crise para melhorar a colaboração e trocar experiências. Com o setor se ajustando para superar os efeitos da pandemia da COVID-19, as lições aprendidas com essas novas parcerias ajudarão a indústria automotiva a se tornar mais resiliente e se preparar para os desafios do futuro.

Uma Reforma para o Brasil voltar mais rápido

O setor financeiro nacional tem um papel econômico e social de grande relevo na sociedade brasileira. A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), dentro de seu compromisso de transparência e de aproximação cada vez maior com a população, vem a público apoiar uma reforma ampla da tributação, por entender que, depois de 30 anos de debates, temos agora uma oportunidade única de avançarmos na Reforma Tributária.

A FEBRABAN defende um sistema tributário sustentável, que permita prover recursos para as atividades e investimentos do setor público. O atual modelo de impostos está muito aquém dos países desenvolvidos e também daqueles que competem diretamente conosco.

Nosso sistema de impostos é caótico, não é de hoje, pela sua complexidade, por sua insegurança jurídica, pela falta de transparência e pelo alto custo de observância, implicando desperdício de esforços e de gastos elevados para as empresas e para a sociedade. Uma Reforma Tributária é condição essencial para destravar o crescimento econômico, aumentar a produtividade, criar um ambiente de negócios mais favorável e melhorar a vida de empresas e famílias.

Por isso, a FEBRABAN elenca os seguintes princípios básicos que defende para a Reforma Tributária:

Neutralidade – É fundamental não haver aumento de carga tributária, já reconhecidamente alta, mantendo-a no nível atual, mas contemplando, futuramente, a perspectiva de sua redução. Além disso, o sistema tributário deve interferir o mínimo possível no funcionamento da economia e nas decisões dos agentes econômicos. As decisões de produção, consumo e investimento devem ser tomadas em função da lógica econômica, para eliminarmos as distorções e assimetrias do nosso sistema tributário.

Simplicidade – O novo sistema deve ser simples, garantindo ao contribuinte a compreensão sobre o seu funcionamento, ao tempo que cumpra suas obrigações sem gastos excessivos de recursos humanos e econômicos.

Equidade – É preciso acabar com a complexidade e assimetria dos impostos sobre o consumo de bens e serviços que se tornam um obstáculo ao nosso crescimento e, em especial, à competitividade interna e externa. A carga tributária deve ser a mesma para os iguais, garantindo que cada um contribua efetiva e proporcionalmente conforme a sua capacidade contributiva.

Transparência – É necessário que o sistema tributário seja transparente, para que o cidadão e as empresas conheçam o quanto pagam sobre cada produto, bem adquirido ou serviço tomado. A simplicidade, a transparência e a clareza das normas tributárias irão reduzir a insegurança jurídica, atraindo novos investimentos ao país.

A Reforma Tributária é um avanço que devemos perseguir e, mais que isso, alcançar e alcançar juntos: poder público, setores da economia e sociedade. O mundo mudou, e seguirá mudando, cada vez mais rápido. O Brasil não pode, uma vez mais, ficar para trás.

A crise econômica na qual o Brasil mergulhou com a pandemia do coronavírus torna ainda mais imperativa e urgente essa reforma. Só com medidas firmes e arrojadas, que sinalizem um novo e melhor horizonte para a sociedade, será possível impulsionar o país nesse esforço necessário de retomada econômica.

Reforma Tributária é fundamental para o Brasil voltar a crescer mais rápido!

Representante de um setor estratégico para o país, pelo qual passa o financiamento da atividade econômica, a FEBRABAN irá promover, ao longo das próximas semanas, seminários e debates para ouvir a sociedade e os vários setores econômicos sobre a reforma.

Isaac Sidney,Presidente da Federação Brasileira de Bancos – FEBRABAN

Da zona de conforto da inovação a novas tendências globais: o que muda para as empresas a partir de 2020

Por Arthur Gonçalves

As descobertas tecnológicas dos anos 2010 introduziram no ambiente de negócios soluções que mudaram não apenas a forma como as organizações interagem com os seus clientes, mas também a maneira com que os consumidores demandam serviços e produtos. A experiência ganhou destaque e tornou-se fundamental para as decisões de consumo, colocando a inovação como o Santo Graal de um mundo e relações agora pautados pelo digital.

A inovação veio para o centro das estratégias das organizações e, com ela, dúvidas sobre como, de fato, fomentá-la. Criar departamentos, contratar equipes ou acelerar startups? Todas as opções estavam na mesa das companhias em busca da disrupção dos seus modelos de negócios. O contexto que vivenciamos em 2020 acelerou esses processos, forçando as organizações e seus gestores a deixarem suas zonas de conforto da inovação.

Essa brusca antecipação de tendências é apenas a ponta do iceberg do que, na visão da empresa de consultoria Gartner Group, serão as organizações num futuro próximo e como elas dialogam com seus stakeholders, orientando-se por propósitos como a multiexperiência, a democratização, a transparência e a rastreabilidade no uso e tratamento de dados.

A multiexperiência já é uma realidade no contexto presente. Diante da superação das últimas barreiras que ainda existiam entre o analógico e o digital, as organizações foram – e são diariamente – desafiadas a garantir conectividade e integração de equipes em um mesmo nível de colaboração. Uma necessidade que vai além das ferramentas tradicionais para o trabalho remoto e demanda das empresas esforços em tecnologias que aperfeiçoem feedbacks, reuniões e interações no ambiente de trabalho do individual ao coletivo, e vice-versa.

Mas apenas integrar pessoas já não é suficiente no mundo atual, é preciso que o acesso a tecnologias disruptivas também seja uma realidade. Enquanto tendência, a democratização dessas tecnologias é crucial para o desenvolvimento de habilidades entre os colaboradores. Mesclar assistentes virtuais, inteligência artificial e algoritmos com pessoas capacitadas a explorar o potencial dessas ferramentas são alavancas para a competitividade das organizações.

Essa união da tecnologia com o melhor das pessoas altera o foco do debate sobre a substituição da força de trabalho dos humanos por algoritmos, para a busca de soluções que combinem o processamento de linguagem natural e IA em uma melhor experiência e oferta de soluções pelas equipes.

O contexto demanda, assim, não apenas ferramentas para a transparência, rastreabilidade e confiança no uso e tratamento de dados, mas também a preparação de equipes no que diz respeito à responsabilidade e consciência da sensibilidade dessas informações. Na Concentrix, nossos esforços resumidos nestas tendências alocaram-se em iniciativas como a entrega de softwares de comunicação com tecnologia própria direcionados às necessidades de experiência das equipes, na capacitação de sete mil horas dos agentes para integridade de dados e na potencialização do Centro de Automação Cognitiva com bots de conhecimento, assistentes inteligentes e softwares sofisticados de PNL.

O ano de 2020 é também o início de uma década e marca um novo capítulo na história da humanidade, ressignificando o valor da inovação e mudando paradigmas praticados por empresas. Os mais aptos a realizar tais mudanças serão considerados pioneiros e, outros, coadjuvantes, com a única certeza de que essa ordem pode em um curto espaço de tempo ser alterada novamente.

Arthur Gonçalves, principal consultant e head de inovação da Concentrix Brasil, multinacional de soluções de customer experience

Covid-19: A transformação da indústria na dimensão do futuro

Por Anita Dedding

Empresas que estavam tendo bons resultados com retomada da economia, com crescimento de 1,2% do PIB em 2019, com reformas importantes, melhores indicadores e ainda com uma agenda positiva, agora enfrentam uma brusca mudança no cenário, exigindo agilidade dos seus executivos de empresas na tomada de decisão, para enfrentar as deteminações do governo,  para a preservação da saúde, seguindo as orientações da OMS.

Com a disseminação mundial de uma nova doença, o COVID-19 está provocando nas sociedades onde se incluem as empresas, uma corrida para a imunização e o enfrentamento contra o coronavírus, levando a transformações no ambiente social e de trabalho, criando novos valores, junto com a consolidação de uma imagem positiva e forte frente o atual cenário. No ambiente de trabalho estão sendo experimentadas novas formas do senso de pertencimento organizacional, levando a novos olhares sobre a avaliação da eficiência, o desempenho, a motivação e principalmente sobre o comprometimento de cada colaborador. 

Home office, um ambiente digital, um dos protocolos a serem seguidos pelas empresas, para a segurança dos colaboradores para evitar contágios, foi adotado como solução emergencial, o trabalho remoto subsequente ao início da pandemia foi abrupto, configurando a principal mudança nas relações de trabalho esse ano. Essa solução tem se mostrado bastante efetiva, e está sendo um dos maiores desafios para empresas manter um novo modelo de gestão, junto ao seu maior ativo, o capital intelectual, motivado. Esse ambiente deve oferecer possibilidade para dar continuidade aos trabalhos da empresa, com infraestrutura necessária, flexibilidade pela interferência normal de um ambiente residencial e ainda com um controle eficaz das atividades e dos processos em execução.

A fusão casa/trabalho, uma realidade hoje, onde atividades profissionais se confundem com atividades prazerosas e o lazer em um único ambiente. Cuidados trabalhistas, desgastes familiares, jornadas de trabalho excessivas, saúde dos colaboradores, comprometimentos, devem fazer parte da agenda do RH da empresa.

Como benefício as empresas vivenciam uma aparente diminuição de conflitos internos, um ambiente harmonioso e favorável para a realização de trabalhos individuais ou conjuntos, onde um grupo pode interagir online, na elaboração e revisão de documentos, pareceres, estudos, entre outras atividades.

Para a indústria madura e tradicional, calcada em processos e tecnologia, oportunidades se desenham para torná-las dinâmicas, voltadas para a inovação, consequentemente preparadas para a grande mudança. As empresas precisam estar conscientes de que não existe mais um único caminho a percorrer, devem vislumbrar uma atuação o mais amplo possível, visando sua atualização, modernização, e foco na sua diferenciação no mercado. Existirá sempre muitas formas de envolver as diversas áreas técnicas e expertises junto com toda a infraestrutura instalada nas empresas, para ampliar e criarem novas possibilidades de negócios, produtos e serviços, tendo nas pessoas, as suas contribuições nessa jornada de renovação. As pessoas em situações adversas, se sentem desafiadas, se unem, tornam-se mais humildes na sua interação e articulação, para buscarem soluções de superação.

Com a pandemia, as indústrias estão ficando mais adaptativas, precisam avaliar e investir em novas tecnologias, diante do momento em que estão vivendo, um ambiente desconhecido e incerto e ainda precisam sair de forma fortalecida para um uma mudança de paradigma, um novo futuro no mercado.

Para isso as organizações romperão barreiras culturais, organizacionais e buscarão um novo modelo de liderança, de forma a acompanhar a transformação da economia com mudança em hábitos de consumo, com adoção acelerada do comércio sem contato físico, crescimento de serviços públicos digitais, junto com a transformação digital, uma nova maneira de pensar, uma nova mentalidade estratégica, mais do que que da infraestrutura de TI. A Transformação Digital está voltada sobretudo, aos principais fatores: Clientes, Competição, Dados, Inovação e Valor.

Diante disso, a mudança não é mais uma opção, sem inovação não será possível responder de forma rápida e construtiva, sendo necessário a valorização do trabalho em rede, de um ambiente de cooperação, a utilização do Marketing Digital, E-Commerce, Varejo Digital, entre outros recursos, ferramentas em alta no momento, e devem estar no planejamento da retomada em um cenário em transformação.

Esta nova realidade vai transformar a empresa, o mercado, os seus clientes e os seus parceiros de negócios. E não há porque acreditar que a sua empresa não será transformada.

Anita Dedding, Gerente Divisional de Tecnologia Industrial da ABIMAQ

Open Banking no Brasil: o que muda para os consumidores?


Por Marco Santos

Você já imaginou a facilidade de poder acessar diversas contas bancárias usando um único sistema sem a necessidade de ter vários aplicativos ou tokens? Já pensou em receber uma análise de suas movimentações financeiras, oferta/cotação de produtos baseado em sua real necessidade (independentemente de você ser correntista da instituição), padrões de comportamento de suas compras e um alerta sobre seus custos? E, além disso, saber qual é o melhor investimento para se fazer a curto, médio ou longo prazos?

Isso tudo é possível com o Open Banking, um termo da área de serviços financeiros que estabelece um conjunto de regras sobre o uso e compartilhamento de dados e informações financeiras entre instituições, por meio de uma integração de sistemas, com o consentimento do titular. As medidas para implementação deste novo modelo no país foram aprovadas recentemente pelo Banco Central, que estabeleceu um cronograma de ações em fases ,para que o sistema esteja em funcionamento a partir de 30 de novembro de 2020 e a conclusão prevista até outubro de 2021.

Era dos dados

A ideia é que esse novo modelo traga reduções de custos bancários e diminua burocracias em prol do consumidor. A medida é, sem dúvida, um grande avanço para o mercado financeiro nacional e vai facilitar o compartilhamento de informações de clientes entre instituições e, consequentemente, melhores serviços e produtos mais personalizados. A regulamentação do Open Banking vem ao encontro da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em que o consumidor é titular de suas informações e deve autorizar qualquer alteração financeira.

Essas integrações das instituições financeiras serão feitas por interfaces de programação de aplicação, conhecidas como APIs, que são interfaces de comunicação de programas. Utilizamos as APIs todo tempo: quando fazemos o cadastro de um site ou aplicativo, que permite que façamos login com perfil de uma rede social, por exemplo. No mercado financeiro, as APIs permitem que suas informações bancárias apareçam no aplicativo ou site, ou seja, cada banco possui uma API.

Com o Open Banking, será definido um padrão de API, o que vai permitir que empresas do setor financeiro acessem o banco de dados diferentes e integrem seus respectivos sistemas, compartilhem dados e realizem transações de forma automatizada e segura.

A Resolução Conjunta do Banco Central e do Conselho Monetário, que dispõe sobre a implementação do Sistema Financeiro Aberto, determina que as instituições financeiras de categoria S1 e S2, o que inclui os bancos de grande porte, serão obrigadas a aderir ao sistema financeiro aberto. A adesão é opcional para as instituições a partir da categoria S3, como bancos de pequeno porte, fintechs e cooperativas de crédito. Todos os participantes devem compartilhar entre si as informações de clientes, a partir de autorização explícita. O consumidor tem o poder de gerir as informações que serão compartilhadas, a finalidade, e o prazo para esse compartilhamento.

Menos burocracia

No mundo em que a informação vale ouro, conhecer o comportamento financeiro do consumidor fará não apenas com que ele tenha acesso a produtos, serviços e crédito que estejam mais adequados às suas necessidades, mas também trará mais segurança para bancos e instituições financeiras que conseguirão avaliar melhor o perfil para quem oferecem crédito. Assim, conseguirão discernir entre os bons e maus pagadores e ter um risco operacional menor, por exemplo.

Outro ponto que defendo é que o Open Banking facilitará a inclusão financeira de desbancarizados. Com um celular, é possível abrir uma conta digital, sem a burocracia de ir à uma agência e perder tempo com a documentação. No Brasil, o número de pessoas que não movimentam a conta bancária há mais de 6 meses ou optaram por não ter um banco é de 45 milhões, de acordo com uma pesquisa levantada pelo Instituto Locomotiva. Esse grupo movimenta cerca de R$800 bilhões por ano.

Segurança da Informação

Muitos consumidores devem se perguntar qual é a possibilidade de vazamento de dados com o Open Banking, já que o sistema lidará com dados sensíveis dos usuários. Mesmo que não exista um sistema 100% seguro, as instituições financeiras investem bastante em mecanismo de proteção para garantir a segurança dos dados. Porém, o consumidor também deve fazer a sua parte, protegendo computadores e dispositivos móveis com um antivírus e mantendo todos os aplicativos e softwares atualizados.

O Brasil não é o pioneiro na elaboração do Sistema Financeiro Aberto, países da união europeia implementaram o sistema no bloco em 2019. Austrália, Índia e Canadá já estão em discussões avançadas sobre o tema. Na era em que os dados são essenciais para todos, o Open Banking pode representar uma grande revolução digital e cultural.

Marco Santos, presidente da GFT para América Latina

Existirá um novo normal? Estratégias para não perder o market share

Por Mônica Schimenes, CEO da MCM Brand Group

Quando a situação pandêmica começou, no primeiro momento, eu tive medo. Receio sobre tudo o que estava acontecendo. Já em um segundo momento, senti que era a hora de ser generosa. Mas, por que? Acredito que seja isso que vai sobrar no final de tudo, saber olhar para ao redor e ver quem são as pessoas que estavam e ainda estão necessitadas e com quem podemos dividir e compartilhar nossos conhecimentos.

Porém, as mudanças não foram apenas pessoais e internas, quando pensamos em aspectos do empreendedorismo e nas próprias empresas, o novo chegou adaptando a camisa do B2B para o B2C e também nos transformando no H2H. Muitas marcas não sabiam exatamente por onde seguir, o que fazer, como manter uma jornada de experiência ou como se relacionar com seu cliente final. Depois desse start, chegou o momento de olhar para todos que estavam ao nosso lado, de alguma forma, e buscar uma estratégia, pensando em desenvolver uma nova jornada de comunicação e fazer com que as empresas não percam market share.

Neste contexto, o Live Marketing é extremamente importante e as companhias precisam entender e acompanhar esse desenvolvimento. As plataformas de vídeo ganharam ainda mais espaço, podemos trabalhar de uma forma híbrida e conquistar lugares que antes eram apenas uma parte de nosso trabalho, mas hoje já é uma extensão de tudo o que realizamos. Além disso, os nossos valores fundamentais serão baseados em empatia, olhar o próximo e levar soluções aos mesmos.

O cenário atual fez com que as empresas se digitalizassem num curto espaço de tempo, pois tudo aquilo que pensávamos ser uma transformação digital para cinco ou dez anos aqui no Brasil, tivemos que transformar em, no máximo, 90 dias. O home office chegou para todos, sendo que para muitos não existia ou que, igual a nós aqui na agência, era realidade uma vez por semana ou a cada 15 dias, dependendo dos projetos. Então, os profissionais precisaram desenvolver novos skills e, com isso, foram surgindo novas personalidades dentro do mundo corporativo, exatamente por nós redescobrirmos a cada dia.

Com as adaptações e novas ideias, todo esse turbilhão em conjunto, veio a carga do humano, que diariamente estamos tendo que aprender a lidar. Cansaço, excesso de tela e pouco cuidado com o físico pode atrapalhar no desenvolvimento da empresa nesse momento tão difícil. É por isso que precisamos nos informar, buscar boas práticas para conseguir entender os colaboradores e clientes. Olhá-los com sensibilidade e sabermos que são humanos antes de qualquer profissão e que precisamos deles bem para o mercado rodar .

Numa empresa de médio porte como a nossa, quando temos menos recursos, precisamos abusar do relacionamento, se fazer presente na vida dos colaboradores, para que todos se ajudem. Essa atitude faz com que o estresse diminua e, consequentemente, aumente a produtividade, as entregas e o trabalho. Essa conduta vale para os clientes também, sendo necessário mostrar a eles que estamos disponíveis para ajudá-los, para que eles continuem se desenvolvendo e comunicando o seu negócio.

Outra visão que acredito ser extremamente válida dentro de qualquer empresa é priorizar a inclusão dentro dos prestadores de serviços. Esse é o momento de encontrarmos fornecedores de diversidade para trabalhar com a gente, trazer os pequenos para o nosso lado e entender quais deles conseguiram se habilitar digitalmente para conseguirem oferecer soluções novas. Esse é um novo dilema e desafio, mas existem aqueles que conseguem atender em tempos onde requer tanta inovação.

Para finalizar, gostaria de deixar algumas dicas importantes na área dos negócios: entregue seus produtos, desenhe lançamentos, leve o live marketing para outro nível de experiência e transforme o propósito da empresa. Não se esqueça de abusar do ambiente híbrido e da digitalização. O resultado chega e é muito mais prazeroso do que antes, porque – no final – o que fica disso tudo é que o mundo mudou, é uma outra comunicação, e nós vamos nos adaptando de acordo com o que vai acontecendo. Por mais que a pandemia tenha trazido essa mudança, a vida também sempre nos trouxe e esse é o normal, nos adaptarmos todos os dias.

Mônica Schimenes, fundadora e CEO da MCM Brand Group

A inovação só ocorre com informação e planejamento

Estamos no momento de uma retomada econômica global tímida em função dos perigos da pandemia da Covid-19. Diante disso, muitas empresas ainda precisam acelerar o posicionamento no jogo dos negócios, tendo como questões a revisão de seus comportamentos empresariais e visão no relacionamento com os clientes.

Hoje, o mercado exige uma mudança nas tradicionais estratégias comerciais, focada em um modelo de negociações mais humanizadas. E, como auxílio, a comunicação digital é um dos pilares para a implementação dessa ação, que visa apoiar a retomada dos negócios de maneira eficiente.

A pandemia comprovou que os clientes já são digitais e que muitas empresas ainda não chegaram lá. Para quem não entendeu a real situação, é preciso rever a maneira de interação online nos negócios e criar um padrão de tratamento que esteja de acordo com as reais necessidades dos consumidores. As organizações não serão mais avaliadas pelos seus resultados, mas sim pela maneira como contribuirão para a sociedade.

Um estudo realizado pela McKinsey, “Winning the Recovey”, indica que o consumo brasileiro online aumentou 40% durante a pandemia. Já 40% dos entrevistados afirmaram que pretendem fazer mais compras pela internet quando acabar a quarentena e 35% pretendem fazer menos visitas às lojas físicas no pós-Covid-19.

Processos

Implementar uma estratégia de comunicação eficaz não é tão simples. São necessárias decisões integradas para que a empresa atinja os objetivos esperados, bem como os meios de implementação do projeto para concretizar e conquistar o sucesso.

Também é importante frisar que o desenvolvimento da comunicação digital só servirá caso esteja focado unicamente nas necessidades dos clientes. As referências de demanda são outras e exigem mais visibilidade, agilidade, produtividade e uma conectividade personalizada com o consumidor. O seu produto só será importante se a sua empresa valorizar o que o cliente precisa ou quer.

Nesse cenário, é preciso estar ciente de que o mal planejamento na implementação das estratégias de comunicação digital pode tornar as boas expectativas em sérios problemas para a corporação. Para impedir um possível desastre, as empresas precisam adotar a mentalidade constante de uma startup, buscando centrar o foco no humano, ser ágil, utilizar a tecnologia como apoio e ter adaptabilidade aos diferentes desafios que possam surgir.

Nas tomadas de decisão relacionadas ao marketing, por exemplo, as organizações precisam voltar alguns passos para entender e desenvolver estratégias corretas. Durante o processo de conhecimento dos clientes, a empresa adquiri informações por meio de ferramentas tecnológicas e para esses dados possibilitarem o desenvolvimento de um plano comercial mais assertivo, é necessária a interação entre o conhecimento humano e o que foi coletado pelas soluções de TI.

Em um mundo perfeito, a recuperação nos negócios está relacionada com a cultura das empresas, que devem ter em sua estrutura os conceitos de resiliência, lucratividade e sustentabilidade. O uso da tecnologia tem um papel fundamental para esses pilares, porque oferecem ferramentas que contribuem para a gestão, aquisição e análise de dados, utilizados para o desenvolvimento das estratégias.

Outro ponto importante é que precisamos unificar os departamentos para trabalhar de forma mais colaborativa, com o objetivo de dar mais ênfase nos processos e na tomada de decisão. Um exemplo prático aconteceu durante a pandemia, em que algumas organizações criaram comitês de gestão para debater os melhores procedimentos a serem tomados. Esse modelo promove, entre tantos benefícios, mais agilidade e eficácia no cotidiano corporativo.

Ainda existem alguns obstáculos para a implementação das estratégias de comunicação digital nas empresas. O excesso de trabalho operacional diário dos gestores é um exemplo que impede o desenvolvimento de inovações. O cotidiano leva o foco desses profissionais para a produtividade e não para as estratégias inovadoras, dificultando a elaboração de projetos que otimizem os resultados.

Por isso, para participar dos novos conceitos mundiais de gerenciamento, as empresas precisam entender que a inovação só trará bons resultados com informação, planejamento e estratégias que visem longevidade e sucesso para os negócios.