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Desafios da inovação marcam debates do 19º congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) encerrou nesta terça-feira (02/10) o 19º Congresso IBGC, em São Paulo. Com um público de cerca de 700 pessoas, formado por importantes lideranças de empresas e entidades de todo o país, o evento apresentou discussões que pudessem gerar uma reflexão sobre os impactos da cultura de inovação dentro das organizações.

Sob o tema Ecossistema de Governança: Inovação e Legado, a programação trouxe temas relacionados à mudança cultural exigida das empresas, voltada para um ambiente inovador e aberto a desafios e experimentações dentro do universo de governança. O objetivo era gerar reflexões a respeito de como os conselhos podem criar e manter uma cultura de inovação, ajudando a identificar oportunidades de negócios e entregar soluções que gerem valor.

Entre os palestrantes e painelistas do congresso estiveram CEOs de grandes empresas, como Sergio Rial (Santander Brasil), Fabio Schvartsman (Vale), Rodrigo Galindo (Kroton) e Carlos Marinelli (Grupo Fleury). Foram apresentadas também histórias de sucesso de outras personalidades do meio empresarial, como a do presidente do Grupo Reserva, Rony Meisler, e a do cartunista Mauricio de Sousa, que explicou como o apoio da família ajudou no sucesso da Mauricio de Sousa Produções em outras linhas de negócios.

Em seu discurso de abertura, o presidente do Conselho de Administração do IBGC, Ricardo Setubal, destacou a abordagem deste ano: o ecossistema da inovação. “Nesse ambiente colaborativo, o que prevalece são as ideias, e não a hierarquia. Por isso, a mudança de mindset é um desafio para as empresas “, disse Setubal.

Setubal comentou também sobre algumas das atuais preocupações dos conselhos de administração de 17 países, incluindo o Brasil, citadas na pesquisa Global Director Survey Report, realizada este ano pela Global Network of Directors Institutes (GNDI), com apoio do IBGC, e apresentada durante o congresso. Entre elas estão questões sociais, como a pobreza, e o impacto de tecnologias disruptivas nas organizações, como o Big Data. O GDNI congrega institutos de governança ao redor do mundo e tem o IBGC como representante brasileiro.

A inovação pelo mundo

O panorama internacional de inovação foi um dos principais paineis do congresso. O tema foi apresentado pelo fundador da Pacifica Global e codiretor do Stanford/NVCA Venture Capital Sympososium, Evan Espstein, e o mestre e doutor em Engenharia de Produção, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Guilherme Ary Plonski. Juntos, eles comentaram sobre como é possível tirar aprendizado dos ecossistemas da inovação existentes em Israel e nos Estados Unidos.

Durante o painel, Epstein apresentou diversos estudos realizados nas duas últimas décadas, mostrando que boa parte das startups norte-americanas foram fundadas por pessoas nascidas fora dos Estados Unidos. “A chegada dos imigrantes contribuiu bastante para o desenvolvimento da cultura inovadora naquele país”. Já Plonski trouxe um panorama histórico de Israel, explicando as circunstâncias que levaram ao atual cenário de incentivo à inovação, que conta com investimentos correspondentes a 4,5% do PIB. “Nesse sentido, Israel e Brasil são muito diferentes, pois no nosso caso são investidos apenas 1,2%”, observou.

Outros destaques

A programação contou ainda com exemplos de quem vem aplicando a cultura inovadora sem deixar de lado as boas práticas de governança, sob os pontos de vista das empresas familiares e do mercado de capitais. Foram apresentados casos bem-sucedidos de empresas como Toyota, PayPal, Schneider Electric, Sapore e inovaBra (ecossistema de inovação colaborativa do Bradesco), entre outras.

Inovação em gestão pública, governança de startups, transformação digital, novos modelos de negócio, diversidade, ética empresarial, reinvenção em negócios familiares, novo mercado de trabalho e tecnologias emergentes foram alguns dos outros temas discutidos durante o congresso.

Para a superintendente geral do IBGC e vice-presidente do GNDI, Heloisa Bedicks, o 19º Congresso IBGC deixou uma lição importante. “De tudo o que ouvimos, o que ficou marcado foi a necessidade que temos de “desaprender”, que é um conceito muito comum às startups. É estar aberto a inovações e até mesmo ao erro, algo com o qual não estamos acostumados no Brasil”. Ela ressaltou também a diversidade presente no evento. “Foram assuntos totalmente diferentes entre si e muito atuais, com palestrantes muito jovens falando para vários jovens na plateia”, explicou.

A 19ª edição do Congresso IBGC marcou também o lançamento do livro Governança Corporativa e Inovação: Tendências e Reflexões. A publicação, disponível em versão digital no Portal do Conhecimento do IBGC, traz uma série de artigos com análises de temas ligados às novas tendências e à cultura inovadora e seus impactos na governança.