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Trabalho remoto é modelo dos sonhos para 49% dos empregados

Trabalhar de casa ou de qualquer outro lugar que não seja a própria empresa é a opção dos sonhos para 49% das pessoas empregadas, para 55% dos autônomos e para 55% dos desempregados. O desejo é o mesmo para os três públicos entrevistados pela pesquisa Alelo Hábitos do Trabalho, realizada pelo instituto Ipsos, nas principais regiões do Brasil.

De acordo com os empregados entrevistados, o trabalho remoto é seguido pelo coworking (espaço de compartilhamento de recursos e infraestrutura) apontado por 10% das pessoas. O ROWE (Results Only Work Environment ou ambiente de trabalho orientado a resultado), cujo modelo se refere principalmente à mensuração do desempenho de cada profissional, aparece em terceiro lugar com 7%.

O BYOD (sigla de Bring Your Own Device, ou “traga o seu próprio dispositivo”) é outra tendência que foi citada por 6% dos empregados. Neste modelo, o profissional leva ao escritório o seu próprio recurso eletrônico (laptop, smartphone ou tablet), a fim de utilizar a tecnologia com a qual já está habituado. A holocracia, modelo sem estrutura hierárquica, também foi apontada como aspiração para 6%.

“Mais do que siglas ou termos da moda, essas novas formas de se trabalhar, foram apontadas como inovadoras e modelos de trabalho do futuro para 78% dos empregados entrevistados pela pesquisa. Tais dados nos mostram a necessidade de nos adaptarmos também como empresa para atender essas necessidades de forma a garantir um melhor ambiente aos profissionais”, destaca Soraya Bahde, diretora de Gente e Inovação.

Novos ambientes

Para 97% dos empregados entrevistados, os novos ambientes de trabalho foram apontados como positivos por proporcionarem mais conforto (58%), permitirem uma maior qualidade de vida (54%) e incentivarem a produtividade dos funcionários (53%).

Ainda no grupo dos empregados, 35% afirmaram que trabalham em uma empresa que adota algumas dessas tendências. A mais citada, por 42%, foi a presença de espaços com puffs e sofás para descanso e relaxamento. A possibilidade de se vestir informalmente foi destacada por 36%, mesma porcentagem de quem disse que a empresa oferece espaço para leitura e meditação. Ações de incentivo a atividades físicas foram citadas por 29%, enquanto 27% apontaram o espaço com jogos e outras atividades recreativas como a iniciativa adotada por sua empresa.

“Cuidamos de pessoas que cuidam de empresas e empresas que cuidam de pessoas. Como o foco é gente, precisamos entender profundamente seus perfis e anseios. Isso significa olhar para o hoje, as mudanças imediatas e para o futuro. Por isso, investimos em pesquisas para entender o cenário atual do trabalho e como podemos fornecer as melhores soluções relacionadas a esse universo”, acrescenta Soraya.

Por mais que as mudanças sejam pensadas principalmente nas novas gerações que estão entrando no mercado, o cenário atual de trabalho é bastante misto. Praticamente metade dos empregados (51%) trabalha diretamente com pessoas que não estão na mesma faixa etária. Isso ocorre, principalmente, dentre faixas de 18 a 24 anos e entre 55 e 65 anos.

No entanto, independentemente do porte da empresa, além do salário, a maioria dos empregados busca flexibilidade no ambiente de trabalho, como 40% que colocam a carga horária flexível como uma condição importante de trabalho, enquanto 44% citam estabilidade e segurança.

Sobre a pesquisa

Encomendada pela Alelo ao Instituto Ipsos e realizada durante os meses de agosto e setembro de 2019, a pesquisa Alelo Hábitos do Trabalho ouviu 1.518 pessoas, com trabalho registrado, nas 12 principais regiões do país, sendo 56% homens e 44 % mulheres, de 18 e 65 anos, e a maior porcentagem (55%), população entre 25 e 44 anos.

O Instituto Ipsos entrevistou, ao todo, 2.333 pessoas, por meio de uma pesquisa online, sendo 1.518 com trabalho registrado, analisadas nesse material, além de 468 desempregadas e 347 autônomas. A pesquisa apresenta margem de erro de 2pp. O estudo foi realizado com abrangência nas principais regiões metropolitanas do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Florianópolis, Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Salvador e Fortaleza.

Quais os impactos da lei trabalhista para o FGTS?

Publicada no último dia 12 de dezembro, a Lei n.º 13.932 apresenta diversas mudanças nas áreas trabalhista, fiscal e previdenciária por meio da Medida Provisória n.º 889/2019. A decisão trará impactos tanto para empregadores quanto para funcionários registrados e informais.

Algumas das principais mudanças foram em relação à Lei n.º 8.036/1990, que trata do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), em especial à contribuição social ao “Sistema S”, além da inclusão de duas novas hipóteses de saque.

A contribuição social destinada ao “Sistema S”, popularmente conhecida como a multa de 10% paga à Caixa Econômica Federal (CEF) sobre o saldo do FGTS do empregado em caso de rescisão sem justa causa, foi extinta definitivamente por meio de Medida Provisória (MP) e já tem sido motivo de grande celebração dos empresários brasileiros.

Criada para repor valores pagos a título de atualização monetária, a contribuição social atingiu o seu objetivo em 2007, mas não deixou de ser cobrada. Por isso, tornou-se objeto de discordância e diversos empresários questionaram sua exigibilidade e solicitaram sua devolução através de medidas judiciais. .

Para Roberta Nóbrega Mangieri, advogada da Barbero Advogados, a extinção contribui com a desoneração da carga tributária sobre os contratos de trabalho, trazendo maior economia para os contratantes da mão-de-obra. “Isso não causa qualquer prejuízo ao empregado, que continua tendo direito à multa de 40% sobre o saldo de seu FGTS no caso de rescisão sem justa causa”, afirma.

Novas opções de saques

Além disso, a Lei n.º 13.932/2019 traz duas novas hipóteses de saque do FGTS: o trabalhador poderá, a partir de 1º de janeiro de 2020, realizar a retirada quando permanecer três anos ininterruptos fora do regime do FGTS, ou fazê-la anualmente, no mês de seu aniversário.

Enquanto a primeira hipótese claramente se destina ao empregado fora do mercado de trabalho formal e que não teve a oportunidade de sacar seu saldo quando da rescisão de seu último contrato de trabalho, a segunda pode ser usufruída por trabalhadores inseridos ou não no mercado de trabalho no momento do saque.

Segundo Mangieri, as medidas traduzem claramente o intento de desburocratização e desoneração dos contratos de trabalho, assim como a intenção de beneficiar trabalhador e empresário. “Apesar de o impacto se apresentar maior na face prática, espera-se que gere grandes impactos financeiros capazes de estimular a economia do país”, finaliza.

Indicadores e KPIs induzem comportamentos, mas nem sempre é o que queremos

POr Javier Arevalo, Goldratt Consulting Partner América Latina

Uma das consequências negativas dos indicadores e KPIs é que eles sempre estão girando em torno de um ideal local. A lógica que tradicionalmente se segue é que, ao ter indicadores de desempenho bem definidos, podemos assegurar o funcionamento de todas as partes de um sistema e de uma organização, e que a soma dessas ações constituem uma meta como um todo.

No entanto, com os conhecimentos fornecidos e desenvolvidos pelo Dr. Goldratt, sabemos que essa premissa não se cumpre, porque ela não é uma verdade absoluta. Sistemas e organizações estão sujeitos às limitações impostas por restrições. Mostro a vocês, com um exemplo simples e recente, o efeito perverso dos indicadores e KPIs quando tratamos de maximizar o desempenho de cada uma das funções da organização.

O Check-In – D0

D0 é o indicador que as companhias aéreas possuem como substituto ao cumprimento e qualidade do serviço, para o primeiro voo do dia. O indicador do grupo de operações do balcão deve garantir que o avião saia a tempo, de acordo com a programação.

Para ter certeza de que esta meta será cumprida em cada voo, as equipes precisam reportar seu desempenho em todas as etapas do processo, sobretudo na hora do embarque. Basta um atraso no primeiro voo para que o resultado seja um terrível efeito cascata, que se transfere para todos os demais voos do dia.

Em uma viagem de avião recente que fiz, quando o processo de embarque foi iniciado, as equipes começaram a verificação dos documentos e nos retiveram na ponte de embarque. Dentro do aeroporto, a temperatura estava em torno de 22 graus, ou seja, muito agradável. Entretanto, na ponte, a temperatura estava bem mais baixa – cerca de 8 graus. Aguardamos só alguns minutos, porém estava muito frio e havia pessoas portadoras de necessidades especiais no local.

Logo, a espera terminou e nos permitiram andar… só que não chegamos a entrar no avião. Novamente, fomos obrigados a esperar e, mais uma vez, nos posicionaram mais perto da porta. Mais alguns minutos e, finalmente, entramos.

Com isto, quero mostrar que, independentemente do conforto dos passageiros, todas as ações foram tomadas simplesmente no intuito de cumprir com os indicadores impostos às equipes da companhia aérea.

Não importa em quais circunstâncias, a equipe de balcão sempre deve preparar os passageiros para entrar no avião em um determinado espaço de tempo, mesmos que eles tenham que esperar o término de outras funções como manutenção, serviço, carregamento de combustível para concluir o seu trabalho. A sincronização é perdida, e o ideal local interrompe o fluxo de ações para que os passageiros possam embarcar no momento estipulado e no menor tempo possível, sem afetar negativamente sua percepção de serviço.

Resultado final: conseguiram reportar que o início do embarque se deu como estava planejado: a tempo! Mas o tempo do embarque que – certamente tem folga – se utilizou para absorver a dessincronização e tempos de espera solicitados, para que outras áreas e funções completassem suas tarefas. O maior elemento de segurança para este processo foi a paciência dos passageiros.

Boas intenções não são suficientes

Assim, com este tipo de incentivo perverso, as empresas estão tratando de maximizar o desempenho local: perdendo de vista o ideal global. Neste caso, o objetivo global não é outro senão garantir que os passageiros tenham boas recordações e queiram comprar e voar com a companhia aérea novamente, em sua próxima viagem.

Dado o estado do mundo, é provável que ainda na América Latina, os passageiros voem mais de uma vez ao ano. Não basta ter uma tripulação amável e um bom serviço… os viajantes frequentes são os que começam a acumular vários tipos de experiências e fazem a diferença quando se trata de decidir com quem vão voar.

De onde vem então esse foco cego voltado para os indicadores ou KPIs de cada função ou para cada atividade local? De acordo com os paradigmas descritos por Dr. Goldratt desde seu best seller “A Meta” até os dias de hoje, seguimos lidando e lutando contra a causa raiz e a forma de entender o mundo (que consideramos errada) e cada vez percebemos nitidamente que este não é o caminho. Refiro-me ao confronto e à luta de gladiadores que é travada todos os dias, com KPIs e indicadores provenientes de decisões baseadas em um único paradigma: “um recurso ocioso é um desperdício”.

Ainda hoje em dia, parece que estamos perdendo a batalha do sentido comum. Continuo passando pela experiência de me encontrar com universidades e profissionais que leem “A Meta” para incrementar suas carreiras. Mas parece que não se registra o efeito que espero produzir. Felizmente, quando tenho oportunidade revisar as ideias do Dr. Goldratt, já dentro de uma empresa, imagino uma luz que ilumina sobre as cabeças das pessoas. A visão simples da perspectiva do sistema como um todo deixa claro que sempre que uma meta local não está alinhada à meta global, há dessincronização. Isso produz um péssimo serviço ao mercado e se paga gerando o que John Seddon chamou de “Failure Demand”: é a necessidade de implementar ações, funções em serviço que gerenciem a insatisfação dos clientes. A maioria dos call centers e nossos serviços de atenção ao cliente existem, sobretudo, para gerenciar todas as instâncias nas quais alguém se sentiu violado ou enganado e, ao chegar ao seu limite, decide fazer uma queixa. Mas a maioria das pessoas não fazem mais isso.

Cada vez que vejo que uma companhia que possui um departamento de atendimento ao cliente, penso na ironia: o departamento existe porque não estamos cumprindo justamente com o atendimento ao cliente.

A única forma efetiva que conheço, e que funciona muito bem, produzindo uma melhora substancial no desempenho das empresas, é nunca perder de vista seu objetivo global. Para conseguir cumpri-lo e melhorá-lo, basta apenas seguir a lógica apresentada pelo Dr. Goldratt em “A Meta”: qualquer ação que nos aproxima dela é produtiva; porém, as ações que nos distanciam, não são boas. Basta ter sempre em mente a seguinte pergunta: Qual é a meta da organização?

*Dr. Eli Goldratt foi o criador da Teoria das Restrições (TOC – Theory of Constraints), autor do best seller de gestão “A Meta” e fundador da Goldratt Consulting, consultoria global de gestão empresarial com sede em Israel.

Paperless: Dinheiro em papel moeda tem fim próximo

Leo Monte e Thiago Saldanha

Por Leo Monte e Thiago Saldanha, da Sinqia

O papel moeda existe e resiste… Mas até quando? Analisando a evolução do mercado de meios de pagamento nos últimos anos, é possível perceber que o segmento vem passando por um processo de evolução acelerado — tendo a tecnologia como pilar intrínseco deste movimento. As inovações dos pagamentos são cada vez mais aceitas pelos consumidores, em parte pela praticidade que proporcionam, e também por uma própria mudança de mindset que os nativos digitais estão provocando na economia.

Só no Brasil, seis em cada dez consumidores das classes A, B e C utilizam meios digitais de pagamentos, como aplicativos próprios — PayPal, PagSeguro e Google Pay –, canais de pagamento de contas, compras e transações pela Internet. Além disso, 61% das pessoas recorrem a meios digitais e/ou carteiras digitais para realizar pagamentos e 56% fazem uso de algum tipo de serviço fornecido por fintechs. Esses dados são de um estudo realizado pela empresa IDC, sobre mudanças nos hábitos de consumo de serviços financeiros diante das novas tecnologias, que analisou exclusivamente países latinos.

Bancos digitais, pagamento pelo celular, wallets… Estas são só a ponta do iceberg da inovação. Outros meios de pagamento estão surgindo e muitos deles, inclusive, já estão se consolidando em outras partes do mundo. É de extrema importância que as instituições bancárias comecem a se atualizar e que fiquem de olhos abertos às tendências abaixo:

Reconhecimento facial

Uma das principais apostas para os próximos anos, o reconhecimento facial já é usado em muitos smartphones como requisito de desbloqueio ou liberação de alguma funcionalidade. Mas o gigante chinês Alibaba foi mais além e desenvolveu o “Smile to Pay” (sorria para pagar), em que o pagamento da compra é realizado em lojas físicas, na China, e acontece exatamente como o próprio nome já diz. Houve um incentivo bastante forte do governo do país para a propagação da solução, além do uso do QR Code, que também é febre no local.

Já no Brasil, existem propostas de sistemas de pagamento mobile que reconhecem o rosto do usuário. O Sem Parar, por exemplo, já está testando em São Paulo, nos estacionamentos dos shoppings Iguatemi e Morumbi, uma solução de reconhecimento facial para identificação em deslocamento e pagamentos. Mas a moda deve demorar a pegar aqui, uma vez que não há incentivo fiscal e é preciso ocorrer uma mudança na cultura da população, que ainda prefere usufruir do dinheiro físico.

Pagamentos invisíveis

Os pagamentos “não perceptíveis” já fazem parte do nosso dia a dia, em aplicativos como Uber, iFood, ou mesmo em lojas virtuais, em que os consumidores deixam seus cartões de crédito previamente cadastrados e só precisam autorizar o débito quando realizam a compra.

Em breve, será possível fazer o mesmo em lojas físicas, sem a necessidade de interação humana, para a alegria dos mais tímidos. A Amazon, por exemplo, possui redes de supermercados físicos nos Estados Unidos, e neles já é possível realizar compras sem passar pelo caixa — tudo é cobrado diretamente da conta Amazon, para quem é usuário da plataforma.

Criptomoedas e Blockchain

As criptomoedas são moedas digitais com grande ascensão no mercado. Elas possuem códigos que podem ser convertidos em valor real e sua tecnologia é baseada em criptografia, para que a informação seja decodificada apenas por seu usuário. Para garantir a segurança desse sistema foi desenvolvido o Blockchain, tecnologia que cria uma rede de transações, a fim de registrá-las e protegê-las contra fraudes.

O Blockchain é considerado por muitos especialistas com potencial maior do que os próprios Bitcoins para os meios de pagamento, pois acreditam que o futuro do mercado não está em criar novas moedas, mas sim digitalizar as que já existem. Isso abre caminho para o surgimento de modelos inéditos de negócio.

P2P

O peer-to-peer, ou P2P, possibilita a transferência de valores de um usuário para outro sem a necessidade de intermediação de uma instituição bancária. Em vez de terem estruturas enormes e caras, as empresas de P2P são enxutas e ágeis. A grande vantagem é que todo o processo é feito 100% online.

NFC (Contactless)

Near Field Communication ou Contactless é uma nova tecnologia que pode ser usada em pagamentos, apenas por meio da aproximação dos celulares às máquinas de cartão. A conexão e transmissão acontece via rádio frequência. Cada vez mais aparelhos já estão preparados para essa tecnologia, com sistemas iOS ou Android.

Machine Learning

Com Inteligência Artificial, o mercado cria formas de realizar tarefas, que antes só seriam possíveis com o apoio do raciocínio humano. Machine Learning é um campo de estudo que pertence a IA e por meio dele é possível criar sistemas capazes de aprender sozinhos.

Inteligência artificial e aprendizado de máquinas possibilitam a captura de um grande volume de dados, além de processá-los, compreendê-los e armazená-los com eficiência. Sua utilização vem se tornando indispensável, principalmente para o monitoramento e autorizações de transações como as de cartão de crédito, por exemplo.

Existem muitas oportunidades neste campo, como: previsão de inadimplência em compras a prazo, rastreamento de comportamento de consumidores, uso de assistentes virtuais para o atendimento aos clientes de forma segmentada e personalizada.

Internet das Coisas

A Internet das Coisas conecta diversos aparelhos a um sistema central. No setor de meios de pagamento, ela possibilita o desenvolvimento de dispositivos exclusivos, como pulseiras, para os usuários realizarem transações diretas em máquinas de cobranças, sem a necessidade de dinheiro ou cartões.

O potencial dessa tecnologia é muito alto. Imagine se sua geladeira pudesse estar conectada ao seu mercado favorito e solicitar a compra de produtos em falta, debitando automaticamente do seu cartão? Ou se seu carro pagasse o combustível de maneira automática?

Green Eletron recicla mais de 514 toneladas de lixo eletrônicos em 2019

A Green Eletron, gestora sem fins lucrativos para a logística reversa de eletroeletrônicos fundada pela Abinee em 2016, coletou e deu a destinação correta para mais de 514 toneladas de eletroeletrônicos, pilhas e baterias portáteis sem uso em 2019. A entidade também termina o ano com 104 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) de eletroeletrônicos instalados, sendo 72 disponibilizados neste ano, e 2.245 unidades voltadas a pilhas e baterias, que teve um aumento de mais de 500 novos coletores em 2019.

No programa de Descarte Green, focado em eletroeletrônicos, a gestora mais que triplicou a quantidade coletada em comparação com 2018. Neste ano, com os produtos descartados em PEVs e com a ajuda de campanhas, foram recicladas 343 toneladas, em comparação com as 102 toneladas do ano anterior. Os principais produtos descartados pelos consumidores foram acessórios de computadores (teclados, mouses, carregadores e cabos).

“Estamos honrados em fazer parte da solução para esse problema. Vamos continuar nos próximos anos reciclando cada vez mais e assim incentivar a Economia Circular no Brasil”, disse Ademir Brescansin, gerente executivo da Green Eletron.

Com a reciclagem do lixo eletrônico foi possível o reaproveitamento de aproximadamente 100 toneladas de metais ferrosos (ferro fundido, aço e suas ligas) e não-ferrosos (cobre, estanho, zinco, chumbo, e outros) pela indústria siderúrgica, diminuindo a necessidade da extração de matérias-primas virgens da natureza. Foram recicladas também cerca de 47,5 toneladas de plástico, fazendo que 69 toneladas de CO2 deixassem de ser emitidas.

Em 2019, dez novas empresas fabricantes, importadores ou distribuidores de eletroeletrônicos e pilhas se associaram à Green Eletron. Até o momento, são 54 organizações representando 61 marcas. Com o Acordo Setorial para a Logística Reversa de Eletroeletrônicos assinado no dia 31 de outubro deste ano, a expectativa é que mais empresas se juntem a sistemas coletivos ou implementem seus próprios com o objetivo de até 2025 reciclar 17% em peso dos aparelhos eletroeletrônicos colocados no mercado em 2018, como estabelecido pelo acordo assinado pelo Ministério do Meio Ambiente.

“Tivemos um ano extremamente positivo para o crescimento da Green Eletron e suas ações para minimizar os efeitos do lixo eletrônico na nossa sociedade. Também presenciamos um marco histórico para a Indústria com a assinatura do Acordo Setorial após nove anos de negociações, que estabelece metas de reciclagem e traz segurança jurídica às empresas”, disse Humberto Barbato, Presidente da Abinee e Green Eletron.

A gestora também promoveu e apoiou diversas ações de conscientização e coleta do lixo eletrônico em 2019. A Green Eletron organizou o Dia Internacional do Lixo Eletrônico dentro de empresas associadas que resultou na coleta de uma tonelada em apenas duas semanas. Também atuaram como parceiros no Movimento Greenk, que arrecadou 227 toneladas de lixo eletrônico, o Programa Nacional Lixão Zero, o Mutirão do Lixo Eletrônico em Presidente Prudente que possibilitou a reciclagem de 50 toneladas, entre outras. Para as próximos meses, uma Caravana para coleta de pilhas passará por 120 cidades do interior paulista.

Atualmente, a Green Eletron conta com dois parceiros homologados que fazem a reciclagem e destinação correta do lixo eletrônico, a Sinctronics e a GM&C Soluções em Logística Reversa e Reciclagem LTDA. Outras duas novas recicladoras já estão na fase final de avaliação.

Quem investe em segurança da informação financeira?

Por Carlos Baleeiro, Country Manager da ESET no Brasil

Todas as empresas estão suscetíveis a vazamentos de informações, pois lidam com dados sensíveis de seus usuários e parceiros. Porém, quando falamos do setor financeiro, esse risco pode ser maior. No início deste ano, por exemplo, tivemos mais um ataque a uma importante instituição financeira que expôs o nome completo, CPF e e-mail de seus correntistas, deixando os dados vulneráveis.

Este tipo de falha de segurança da informação torna os clientes propícios a golpes de engenharia social e phishing, enganando os correntistas por meio de mensagens falsas com dados reais. De acordo com a Federação Nacional dos Bancos (Febraban) o setor bancário é um dos mais preocupados em investir em tecnologia, com um aporte em torno de R﹩ 20 bilhões ao ano.

As fintechs, startups do setor financeiro, são estratégicas para suprir os gaps que os grandes bancos enfrentam, como operações de crédito, aberturas de contas jurídicas e entre outros problemas. Elas são as mais receosas com a segurança da informação dos seus usuários. Esta apreensão não é à toa, o avanço de tecnologias como inteligência artificial e machine learning também fazem com que os cibercriminosos sofistiquem seus ataques, o que certamente põe em risco o investimento dos seus clientes.

De acordo com o estudo Fintech Mining Report 2019 existem 550 fintechs no país. Dessas, 231 surgiram entre 2016 e 2018. 20,73% estão enquadradas na categoria meios de pagamento, e 15,46%, em crédito. Já na divisão geográfica, o Sudeste comporta a maior quantidade de startups do meio financeiro, com 74,5%. O Sul vem em segundo, com 17,9%, seguido pelo Nordeste (4,7%), Centro-Oeste (2,2%) e Norte (0,7%).

Algumas fintechs que são adquiridas por empresas e bancos maiores, como já ocorreu no Brasil, são beneficiadas pelas experiências das instituições financeiras e sua capacidade operacional, por isso investem nos seus processos, sistemas, infraestruturas, e na segurança de seus dados.

Depois da fase das criptomoedas, que já tiveram uma grande influência na transformação do mercado financeiro, o Blockchain é a próxima tecnologia que ouviremos muito falar nos próximos anos. De acordo com a IDC, em seu estudo Worldwide Semiannual Blockchain Spending Guide, os investimento de Blockchain devem chegar a quase 12 bilhões de dólares até 2022.

A tecnologia já é base de importantes evoluções no setor de finanças, por ter um alto padrão de segurança para lidar com quantidades excessivas de dados e uma enorme agilidade para reduzir processos de transações e contratos.

O Banco Central do Brasil (Bacen) é um dos entusiastas do Blockchain e está desenvolvendo um sistema de pagamentos instantâneos que irá substituir o TED e o DOC. A plataforma, que ainda está em desenvolvimento, pretende extinguir as duas formas de pagamento vigentes, conectando bancos, empresas e pessoas sem intermediários. O desenvolvimento da base de dados deve custar cerca de R﹩ 4,3 milhões, já a sua manutenção custará aproximadamente R﹩ 1,2 milhão por ano. Esta plataforma será lançada em 2020.

E falando em Bacen, outro ponto importante é a resolução nº 4.658/18 do Banco Central do Brasil para regulamentação da utilização de serviços de cloud computing por instituições financeiras e outras empresas regidas pelo órgão. Publicada no ano passado, a norma reforça a ênfase no preparo das equipes, tanto internas quanto de terceiros, para lidar com a segurança da informação, e principalmente garantir contenção de prejuízos em casos de incidentes em serviços de armazenamento de dados e de computação em nuvem tanto país quanto no exterior.

Para garantir recursos e investimentos de seus negócios, a segurança da informação é um tema que deve estar sempre na agenda das empresas do setor financeiro, sejam elas startups ou bancos.

Como a LGPD vai impactar o setor de logística

Por Paulo Padrão, Vice-Presidente Senior e General Manager da ASG Technologies para a América Latina

Como você sabe, a nova Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) marcará uma profunda transformação no modo como as empresas utilizam as informações de seus clientes. Mas, embora já esteja claro que a regulamentação alterará por completo a rotina de segmentos como o e-commerce, varejo, bancos, telcos, o fato é que outros mercados ainda parecem seguir longe das discussões. Por exemplo: você já imaginou como a LGPD vai impactar o setor de logística no Brasil?

Essencial para o sucesso do comércio eletrônico, o transporte de cargas e encomendas é uma das áreas que mais precisarão se adequar às demandas da nova regra. Afinal de contas, além da loja virtual de sua preferência, quem faz a entrega de seus pedidos também tem acesso a suas informações pessoais – como nome, endereço, telefone, documentos etc. Sendo assim, não é difícil entender por que as companhias do setor logístico precisam se atentar às definições da LGPD, sobretudo no que se refere à privacidade e à gestão de dados.

A nova regulamentação exigirá que todas as organizações que trabalham com dados pessoais e ou dados sensíveis busquem modelos de atuação mais seguros e inteligentes, protegendo seus clientes contra possíveis roubos ou vazamentos de dados. Por isso, mesmo que as empresas logísticas não sejam responsáveis diretas por coletar as informações dos consumidores, elas também devem trabalhar para manter suas operações em conformidade com as regras.

De forma geral, as companhias do setor logístico precisarão alterar por completo as exigências para uso, armazenamento e compartilhamento de informações dos clientes. Além disso, há uma questão a ser pensada: o que fazer com os dados dos consumidores depois de uma entrega? Qual é o destino a ser dado a essas informações? É justamente esse tipo de resposta que a LGPD exigirá e norteará a partir de agosto de 2020.

O primeiro passo na preparação para essa jornada é avançar no conhecimento sobre como a LGPD afetará a rotina das operações, planejando ações que garantirão a visibilidade e o controle de todos os ativos digitais. Para a criação desse ambiente regulamentado, será preciso analisar toda a estrutura para mapear quais dados são armazenados, os locais de armazenamento, as áreas que utilizam essas informações e quais são as verificações e controles que precisam ser criados para as necessidades específicas de cada equipe ou área de atuação.

Mas é preciso deixar claro que a nova lei não pode ser encarada apenas como mais uma exigência regulamentar ou um simples projeto de TI. É importante que os líderes vejam a LGPD como uma oportunidade de reforçar suas habilidades para o futuro digital, transformando as informações e análises de dados em uma rica e verdadeira fonte de evolução dos negócios. A adequação à legislação não é somente um projeto de tecnologia ou jurídico – mais do que isso, é uma chance de construir uma operação segura e eficiente por meio da inovação tecnológica e da visão estratégica dos negócios.

De fato, o grande impacto que a LGPD traz às empresas é a necessidade de cuidar e utilizar seus dados como um tesouro a ser protegido de forma permanente dentro das operações. Com processos cada vez mais conectados, as informações estão no centro das atividades empresariais e diretamente associadas à satisfação dos clientes – ainda mais em um ramo como o mercado logístico, que precisa entregar agilidade, segurança e confiança em seus serviços.

O que os líderes devem avaliar, portanto, é como alinhar suas rotinas às exigências da lei e, a partir dela, construir um ambiente de inteligência de dados mais robusto e preparado para potencializar os resultados de suas corporações. Pesquisas indicam que veremos, em breve, um grande salto no uso de sistemas de automação focados em Data Intelligence, Analytics e Inteligência Artificial. E essas são justamente as ferramentas tecnológicas que ajudarão a integrar novas perspectivas de negócios.

A combinação entre a tecnologia e a estratégia das empresas é o melhor caminho para simplificar a geração de insights que permitam às organizações se ajustarem ao futuro. O momento demanda inteligência e preparo, acima de tudo. O que significa dizer, portanto, que as companhias de todas as áreas devem adequar o quanto antes suas estruturas. A continuidade dos negócios dependerá diretamente dos dados e não há tempo a perder. As empresas que conseguirem transformar os desafios da nova lei em oportunidades de crescimento e de geração de valor avançarão rumo ao sucesso.

Impacta Open Startup é o mais novo Hub de inovação do Brasil

Os modelos tradicionais de incubadoras e aceleradoras vem sendo substituídos, paulatinamente, por modelos menos mecânicos e mais focados em validar ideias, construir times e colocar de pé modelos de negócios com diferenciais significativos. E é com este foco mais simplista, mas que traz mais agilidade e resultados práticos e mensuráveis para novos empreendimentos e startups no país, que nasce o Impacta Open Startup, um hub de inovação que vinha operando dentro de um módulo experimental desde o primeiro semestre do ano e que agora é lançado oficialmente.

Idealizado pela Faculdade Impacta, líder no segmento de ensino de tecnologias digitais; a DUXcoworkers, que utiliza as boas práticas de UX e cultura de coworking para desenvolver projetos inovadores; e a My First IPO, plataforma de Equity Crowfunding, a iniciativa tem como objetivo fomentar o ecossistema de inovação e de novos negócios no Brasil, suprindo a necessidade de médias empresas e startups evoluírem o desempenho de resultados através de venture builder e crowdfunding. “O maior desafio de empreendedores não está somente na tecnologia, no modelo de negócios, na escolha do time ou na velocidade do crescimento. O grande desafio do empreendedor é entender os fundamentos e aprender como construir uma empresa inovadora para o longo prazo”, explica Adolfo Menezes Melito, presidente da My First IPO.

A iniciativa ocorre dentro da Faculdade Impacta, que já operou mais de 1,2 mil projetos de startups e, além das empresas parceiras, também contará com o apoio dos alunos. A ideia é utilizar o pitch reverso, em que a My First IPO entra com o acesso ao capital de risco, oferecendo caminhos para o financiamento, e a DUXcoworkers no desenvolvimento de soluções com a aplicação de técnicas de Design e User Experience. “As empresas e startups têm dificuldade em tomar decisões quando o foco é a experiência do usuário. Falta assertividade nos projetos frente aos objetivos de seu criador e os anseios do público a ser atingido. Se os consumidores têm o poder de decisão, é preciso encantá-los e fidelizá-los. E é aí que o design de experiência entra e trilha um caminho para que estas empresas prosperem”, explica Melina Alves, CEO da DUXcoworkers.

Após a análise da empresa ou da startup, todo o time da Impacta Open Startup tem cinco dias úteis para apresentar um relatório com sugestões, além de prover assistência durante 30 dias para estruturar um plano máster de inovação para a empresa. “Esse novo ecossistema é essencial para dar agilidade e velocidade no desenvolvimento dos projetos”, explica Célio Antunes, presidente do Grupo Educacional Impacta Tecnologia. “Essa conversa começou há um tempo com essa essência, que é a colaboração de três empresas pioneiras e de caráter eminentemente inovador, e é desta forma que esse hub é concretizado”, finaliza o executivo.

Confira a agenda de tecnologia dos bancos para 2020

Sistema de Pagamentos Instantâneos e início da adoção do Open Banking são destaques da agenda de tecnologia dos bancos; conheça também as inovações que devem decolar em breve nas instituições financeiras

Entre os principais destaques da agenda de tecnologia do setor financeiro para o próximo ano estão o começo da adoção do Open Banking no Brasil, a partir do segundo semestre, e o início, em novembro, da operação do sistema de Pagamentos Instantâneos, que permitirá enviar e receber dinheiro durante 24 horas por dia, 7 dias por semana em até 10 segundos.

Para padronizar e organizar a plataforma de pagamentos instantâneos, em um ambiente de segurança e comodidade para os clientes, as instituições financeiras investem em infraestrutura, tecnologia e discussões técnicas. E tem levado propostas e recomendações ao Banco Central para a criação do ecossistema do Open Banking, de maneira a garantir sua segurança, financiamento adequado e confiabilidade.

Adicionalmente, para o próximo ano, investimentos em tecnologias como inteligência artificial, big data, internet das coisas e biometria prometem mudar de forma significativa os modelos operacionais e de negócios dos bancos, e devem trazer mais produtos e soluções bancárias inovadores.

“Para fazer frente às inovações e manter de pé uma estrutura que atenda a milhares de brasileiros, o setor bancário brasileiro vem investindo anualmente cerca de R﹩ 19,5 bilhões em tecnologia”, afirma Gustavo Fosse, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da FEBRABAN. “O montante é um reflexo do esforço das instituições para continuar sempre acompanhando a evolução da tecnologia.”

Conheça abaixo o que estará no radar e na agenda dos bancos brasileiros em 2020:

Sistema de Pagamentos Instantâneos

Enviar e receber dinheiro em menos de 10 segundos, durante 24 horas por dia, sete dias por semana, será possível no país a partir de novembro de 2020, quando está prevista a implementação do ecossistema de pagamentos instantâneos no Brasil. As instituições financeiras já estão se preparando para aderir ao sistema e investem em infraestrutura, tecnologia e discussões técnicas para padronizar e organizar uma plataforma de pagamentos instantâneos dentro de um ambiente de segurança para os clientes.

“A nossa meta é fazer com que uma transação realizada pelo sistema de pagamento instantâneo leve até, no máximo, 10 segundos”, afirma Leandro Vilain, diretor de Negócios e Operações da FEBRABAN. Hoje, 95% das TEDs acontecem geralmente em até 5 minutos, apesar de o prazo estabelecido na regulação ser de até 30 minutos.”

A partir de fevereiro de 2020, estará disponível, no Banco Central, o ambiente de testes de conectividade com as potenciais instituições participantes. Em junho, todas as instituições iniciam os primeiros testes relacionados à implementação do sistema de pagamentos instantâneos.

Open Banking

O sistema de Open Banking cria novos modelos de negócios digitais com o uso de APIs (interfaces de programação de aplicações). O modelo permite aos clientes compartilhar o acesso aos seus dados financeiros com provedores terceiros não-bancários, que podem usar esses dados para oferecer ao consumidor uma melhor experiência com serviços financeiros.

Em novembro, o Banco Central pôs a proposta de Open Banking em consulta pública até 30 de janeiro de 2020. A edição da regulação está prevista para o primeiro semestre, e o início da implementação deverá começar no segundo semestre, segundo o Bacen.

Para Fernando Freitas, superintendente-executivo do Departamento de Pesquisa de Inovação do Bradesco, o Open Banking impacta, praticamente, todas as áreas do banco. “Nesse cenário, o open banking pode permitir a construções de novos serviços financeiros e não financeiros como onboarding e validação de identidade.”

Big Data e Fast Data

O potencial do Big Data e das ferramentas para análise de dados, chamadas de Analytics, já permitem que as instituições reduzam seus custos e exposição a riscos, e conheçam melhor seus clientes.

Entretanto, o desenvolvimento e a expansão dos negócios nos bancos em áreas como IoT (internet das coisas) fizeram com que as instituições priorizem, agora, casos de uso de fast data e streaming (dados gerados em tempo real) que permitem interceptar, interpretar e responder a eventos em interações dos clientes com os canais de atendimento do banco com muito mais velocidade.

“Trata-se de uma nova fase em Big Data, em que a instantaneidade é o novo normal”, diz Richard Flávio da Silva, superintendente-executivo de Tecnologia do Santander. “Em uma sociedade em que os desejos são para o ‘agora’, vemos muito valor na capacidade de dialogar com os clientes no que chamamos ‘momento zero’, o instante mais próximo possível do tempo real.”

Inteligência artificial (IA)

A Inteligência Artificial (IA) ainda continuará revolucionando o atendimento bancário, por meio de chatbots e assistentes virtuais. Aqui, os robôs são dotados da capacidade de “pensar” como seres humanos, o que inclui a prática de raciocinar e tomar decisões a partir do cruzamento de dados. Com isso, ajudam a tirar dúvidas, dar informações e auxiliar em consultas e até sugerir investimentos.

“Agora, a bola da vez é o atendimento por voz, serviço que se expandirá nos bancos em 2020”, afirma Gustavo Fosse, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da FEBRABAN e também diretor de Tecnologia do Banco do Brasil.

O uso da tecnologia também avançará no processo de onboarding (abertura de contas) digital, reconhecimento de imagens, reconhecimento de assinaturas em cheques, financiamentos, modelos de risco de crédito, e em áreas como a de recursos humanos e na jurídica, para leitura de contratos e pareceres.

5G e internet das coisas

A internet das coisas (IoT) ganhará ainda mais importância na estratégia de negócios das instituições financeiras com a chegada da rede 5G, já que essa tecnologia deve impulsionar o uso massivo de IoT e a oferta de produtos e serviços inovadores.

Segundo previsão do Gartner, 14,2 bilhões de equipamentos conectados estarão em uso até o final de 2019, e esse total chegará a 25 bilhões de dispositivos até 2021, produzindo cada vez mais um imenso volume de informações.

O 5G promete elevar a comunicação móvel a um novo patamar. Além de maior velocidade (de até 1,5 Gbps de downlink – transmissão via satélite), cerca de 20 vezes mais rápida, e baixa latência (quanto mais baixa a latência, melhor a qualidade da transmissão), a tecnologia será capaz de conectar dez vezes mais dispositivos que as redes sem fio 4G. Neste mês, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) adiou a aprovação da proposta de edital para leilão de frequências 5G, que ficará para 2020, e o leilão poderá ficar para o início de 2021.

Biometria

Formas alternativas de biometria continuarão a avançar nas instituições financeiras em 2020. A biometria digital, ou pela palma da mão, já é velha conhecida dos clientes bancários brasileiros nos terminais de autoatendimento. As biometrias de voz e a facial, já estudadas por grandes instituições, deverão, em breve, ser usada em larga escala pelos clientes bancários.

“A biometria garante que é você mesmo que está fazendo a transação bancária, trazendo unicidade e veracidade para a operação”, diz Walter Faria, diretor-adjunto de Operações da FEBRABAN.

Os bancos também investem na biometria comportamental, para poder autenticar o cliente o tempo todo sem que ele seja incomodado. As instituições investigam aspectos cognitivos e ações adotadas pelos usuários, como, por exemplo, padrão de rolagem de tela e movimentação do mouse.

Os estudos com biometria comportamental crescem para atender diversos setores que precisam de tecnologias para reconhecimento, identificação e controle de acesso. “Nos EUA, o Pentágono já está estudando a biometria de batimento cardíaco; se esta tecnologia se mostrar viável no futuro, nada impede que seja usada no setor financeiro”, afirma Faria.

RPA

Os robôs não serão apenas assistentes virtuais que ajudarão clientes em suas operações bancárias. Para o próximo ano, eles continuarão a atuar nos bastidores das instituições financeiras, por meio da Automação Robótica de Processos (RPA, na sigla em inglês), com a ajuda de inteligência artificial. “RPA será uma tecnologia-chave para que os nossos colaboradores possam eliminar tarefas repetitivas e de baixo valor agregado”, avalia Fernando Freitas, do Bradesco.

Pesquisa feita pela Jupiter Research revelou que as receitas do setor bancário com RPA chegarão a US﹩ 1,2 bilhão até 2023. De acordo com o levantamento, quando combinada com inteligência artificial, o RPA pode reduzir consideravelmente os custos de conformidade, aumentar a produtividade e melhorar a experiência do cliente.

TOTVS anuncia aquisição da Consinco e reforça a liderança no segmento de soluções de gestão para supermercados

A TOTVS – líder brasileira no desenvolvimento de software de gestão – anuncia a aquisição da Consinco, empresa especializada em sistemas de gestão para varejo, atacado e distribuição. A transação, que ainda depende da implementação de condições estabelecidas em contrato, prevê o pagamento inicial de R$ 197 milhões por 100% das ações da companhia na data de fechamento, além de um valor adicional de até R$ 55 milhões, condicionados ao atingimento de metas relativas a 2020 e 2021. Com a compra, a TOTVS reforça sua liderança no segmento de soluções de gestão para supermercados.

A aquisição está relacionada à estratégia da TOTVS de reforçar sua atuação em verticais e em novos mercados, por meio de fusões e aquisições. Para isso, em maio de 2019, a companhia realizou um follow-on (oferta subsequente de ações), no qual captou mais de R$ 1 bilhão. Além da Consinco, em outubro, a empresa divulgou a compra da Supplier – que atua com a oferta de crédito B2B – por R$ 455,2 milhões.

“A partir da aquisição da Consinco vamos ampliar a presença no segmento de varejo e consolidar nossa posição de liderança na vertical de supermercados. Nossa ideia é explorar as sinergias das operações das duas empresas para atuais e novos clientes, a partir de uma nova unidade de negócios, que será liderada pelos executivos da companhia adquirida”, destaca Dennis Herszkowicz, presidente da TOTVS. “Além disso, essa transação é estratégica para nossa atuação como Techfin. Isso porque, a vertical de supermercados é a ponta de uma cadeia de valor longa e que possibilita a oferta de soluções de serviços financeiros como, por exemplo, o crédito B2B”, complementa.

A Consinco é a principal provedora de sistemas de gestão para a vertical de supermercados e atacadistas de autosserviço (atacarejo) do mercado brasileiro, com portfólio de soluções “end-to-end”, isto é, que suportam desde as rotinas de backoffice, com o ERP, até as de front-office, com o PDV (Ponto de Venda / Frente de Caixa). Com cerca de 400 colaboradores e mais de 230 clientes, dentre os quais, os maiores supermercadistas e redes de atacarejo, a empresa atingiu receita bruta de aproximadamente R$ 72 milhões, em 2019.

Neste ano, a TOTVS fez outros importantes anúncios focados no segmento de varejo, entre eles: uma joint venture com a VTEX para a oferta conjunta da plataforma de e-commerce da companhia, aprimorando assim a integração dos ambientes de vendas físicos e digitais dos clientes; o lançamento do ROC (Retail Operations Center), uma ferramenta de gestão que monitora todo o ponto de venda, garantindo a prevenção de erros, integração e funcionamento de todo o sistema; e a oferta da plataforma de gestão de pedidos TOTVS OMS by Moddo, em parceria com a Moddo, que oferece aos clientes uma solução integrada para uma experiência omnichannel única.

Estudo global da KPMG aponta 4 startups brasileiras como as mais inovadoras do mundo

O Brasil tem quatro fintechs (startups que atuam na área de finanças) entre as cem mais inovadoras do mundo, segundo a sexta edição do relatório Fintech100 de 2019 elaborado pela KPMG. As empresas são as seguintes: Nubank, Banco Inter, Creditas e Rebel. Elas foram selecionadas após pesquisas e análises globais com base em dados relacionados a cinco fatores. O levantamento foi feito em conjunto com a H2 Ventures em 29 países.

O estudo separa as empresas selecionadas em duas categorias: Top 50 na qual constam as melhores do setor que foram classificadas em inovação, aumento de capital, tamanho e localização; e a outra chamada de Emerging 50 que reúne as mais novas que estão na vanguarda de tecnologias e práticas inovadoras

“Um número cada vez maior de fintechs do Brasil está ganhando destaque na pesquisa, aumentando a representação brasileira no levantamento. Isso demonstra a importância que as startups de finanças daqui estão tendo em todo o mundo. Já com relação aos destaques globais, constatamos um aumento relacionado às empresas da região Ásia-Pacífico (incluindo a China) que ocuparam as seis primeiras posições e sete das dez primeiras posições do ranking das empresas de fintech em 2019,” analisa o sócio da KPMG no Brasil, Oliver Cunningham.

Sobre os números globais:

Empresas da China e da região Ásia-Pacífico aparecem entre as dez primeiras colocadas no relatório. Assim como em 2018, a lista deste ano mostrou as empresas de pagamentos e transações na liderança, representando 26 das empresas do ranking. Elas foram seguidas por empresas de gestão de patrimônio (20), companhias seguradoras (17) e empresas de concessão de crédito (15).

A China, que liderou o ranking do relatório Fintech100 nos últimos três anos, contou com três empresas entre as dez primeiras posições no relatório deste ano. De forma geral, a região Ásia-Pacífico dominou o top 10 por mais um ano, com cinco empresas no ranking. Duas empresas localizadas na Índia também figuraram entre as dez primeiras colocadas neste ano, assim como duas empresas dos Estados Unidos e uma do Reino Unido (veja o ranking completo das 10 primeiras posições abaixo).

As 10 primeiras posições do Fintech100 de 2019:

As dez primeiras colocadas são as seguintes: Ant Financial (China), Grab (Cingapura), JD Digits (China), GoJek (Indonésia), Paytm (Índia), Du Xiaoman Financial (China), Compass (Estados Unidos), Ola (Índia), Opendoor (Estados Unidos) e OakNorth (Reino Unido).

Os fatores de seleção utilizados são o total de capital obtido; taxa de obtenção de capital; diversidade geográfica; diversidade setorial e elemento X que leva em conta o nível de inovação em produtos, serviços e modelos de negócios.

Home office: sua empresa está preparada?

Por Fábio Bier

A cada dia as relações e os negócios são construídos por meio de ferramentas virtuais. Ainda que o contato físico, o famoso olho no olho, nunca deva perder sua importância, muitas organizações têm entendido que, a depender da atividade, condicionar o colaborador a ir até o escritório diariamente é enquadrá-lo em uma rotina que não contribui em nada com a criatividade, a inovação e o engajamento.

Pensando em grandes centros urbanos, onde além de tudo o próprio deslocamento é estressante, a jornada ainda pode ser menos produtiva, do ponto de vista de capacidade de criação, desenvolvimento de ideias e inovação, assim como foco e comprometimento com resultados.

Nesse cenário, adotar políticas de flexibilização da jornada e trabalho a distância – home office – fomenta o engajamento, aumenta o sentimento de pertencimento e orgulho do colaborador e promove a inovação.

À medida que as pessoas vão se habituando ao mundo digital e conhecem tantas novas tecnologias que permitem encontros e conexões bem-sucedidas, é natural que elas passem a não entender a necessidade de ir todos os dias ao escritório. Afinal, trânsito, correria, aquele colega que fala alto e tira o foco, chuva lá fora e alagamentos são motivos mais que suficientes para que o colaborador prefira trabalhar em casa, ainda que seja uma vez por semana.

E, quando isso acontece, a flexibilização da jornada e home office passam a ser fatores de atração e retenção de talentos, e, portanto, uma estratégia importante para a empresa.

Antes, porém, é importante que a organização se prepare para essa nova realidade. E tudo começa com a capacidade da liderança de fazer gestão por resultado – definir claramente papéis e responsabilidades, estabelecer objetivos e metas e proporcionar aos colaboradores informações claras a respeito da estratégia.

Muitos gestores ainda se sentem mais confortáveis em ter os colaboradores por perto, para que possam distribuir tarefas de última hora (incêndios acontecem!) e fiscalizar a produtividade do trabalho. Ainda que as vezes isso seja necessário, não deveria ser a função principal da liderança, e, portanto, é mais fácil definir como fazê-lo de maneira remota.

Para garantir a produtividade longe do escritório, antes de adotar flexibilizações na jornada, é importante responder a perguntas básicas:

1. A liderança está preparada para delegar atividades, comunicar metas e acompanhar resultados de maneira consistente?

2. A cultura da empresa favorece agendamentos de reunião com antecedência, planejamento semanal ou mesmo mensal?

3. A empresa conta com recursos tecnológicos de comunicação remota (celular, aplicativo de mensagem instantânea, VPN, laptops etc.)?

E, até que a cultura esteja estabelecida, a empresa pode contar com recursos para fiscalizar a produtividade, o que pode ser até mesmo a simples exigência de relatórios que formalizem a atividade de home office com descrição hora a hora.
Mais do que criar um ambiente dinâmico e prezar pela qualidade de vida e bem-estar dos colaboradores, políticas de trabalho remoto podem também significar redução das “despesas de estar”, aquelas que incorrem da presença do funcionário no escritório.
A mudança cultural promovida pela flexibilização da jornada de trabalho pode ser muito positiva. Mas é necessário um projeto cuidadoso, em que os líderes realmente estejam comprometidos com o sucesso. Como em todo projeto, uma fase piloto com métodos mais rigorosos de controle da jornada de trabalho – como o relatório hora a hora aqui mencionado – é fundamental.

Política transparente, regras claras e treinamento sobre comportamento e resultados esperados no home office são condição básica antes de qualquer mudança. Pelo menos no início, também é recomendado manter o posto de trabalho disponível – se o colaborador não se adaptar, ele pode simplesmente vir ao escritório, e a empresa poderá medir a aderência. Também é muito importante, é claro, avaliar todos os impactos legais trabalhistas que as alterações na jornada de trabalho podem provocar.

Além de ser um indicador importante para a marca empregadora da empresa, modernizar a jornada de trabalho com home office e entrada e saída com horários flexíveis, por exemplo, fomenta a capacidade de criação e aumenta o compromisso com a empresa. Quem não gostaria de ter pelo menos um dia da semana sem pegar trânsito? Ou mesmo um dia trabalhando com a vista preferida? O quanto os colaboradores se dedicariam a mais a uma organização que pensa na conveniência e no bem-estar do indivíduo? O quanto a organização pode esperar de novas ideias, inovação e criatividade dos colaboradores que têm a sua disposição a oportunidade de trabalhar em lugares mais inspiradores? Vale a reflexão.

Fábio Bier, gerente de RH da Husqvarna para América Latina