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Abertura comercial não é o mesmo que inserção nas cadeias globais

Por Alberto Machado Neto

Atualmente não tem sentido uma nação querer atuar autonomamente no mundo, minimizando seus relacionamentos comerciais com outros países por meio de barreiras protecionistas que acabam inibindo o desenvolvimento.

Por conta disso, as visões mais liberais defendem a abertura comercial ampla e irrestrita ao comércio internacional, como forma de desenvolver o país e inseri-lo nas chamadas cadeias globais de valor.

Entretanto, embora os objetivos desejados sejam válidos, os resultados de uma simples abertura comercial podem ser nefastos, haja vista que tal procedimento pode anular a oportunidade de uso de nossas potencialidades e promover a exacerbação de nossas deficiências como país.

Para que um produto qualquer seja lançado no mercado internacional existem vários aspectos que devem ser levados em conta, ponderados e, na medida do possível, adequados de modo a viabilizar sua entrada e aceitação. Isso vale nos dois sentidos da abertura comercial, tanto para exportação como para importação. Ao liberar a entrada de forma ampla, um país pode perder a oportunidade de possuir localmente toda uma cadeia de valor importante na geração de emprego e renda, além de comprometer seu poder de decisão.

Como exemplo, se tirarmos uma foto da situação atual do Brasil em termos de relacionamento comercial com outros países, o que vemos é uma pauta de importação composta majoritariamente por itens com alto valor agregado e uma pauta de exportação onde os maiores valores se encontram em produtos primários e em produtos semimanufaturados.

Uma abertura ampla, geral e irrestrita tende a aprofundar a situação atual, privilegiando ainda mais a saída de produtos primários e a entrada de produtos de alto valor agregado, reduzindo cada vez mais a oportunidade de agregar valor localmente.

Assim, fica patente que para obter a real inserção do Brasil nas cadeias globais de valor, é necessário que haja atuação em diversas variáveis e não simplesmente na ponta da alfândega, como, por exemplo, por meio de reduções de impostos.

O Brasil possui, entre suas riquezas, um bem de que poucos países dispõem que é o seu mercado consumidor dos diversos níveis de produto: bens de capital, bens de consumo durável e bens de consumo em geral, além de serviços e, para adequar o processo de inserção no mercado internacional, o primeiro ponto seria o uso inteligente desse mercado interno.

O poder de compra da população de um país é um patrimônio do Estado e, esse “poder de compra” deve ser usado como moeda de troca.

Cabe acrescentar que o termo “abertura comercial” não é adequado, pois, de um modo geral, as pessoas associam a abertura comercial à facilitação das importações, fato que se baseia em práticas que não deram certo no passado e que permanecem vivas na memória até de quem não viveu àquela época: o importado é melhor ou o importado é mais barato.

Por esse motivo, o termo abertura deve ser substituído por algo como aperfeiçoamento do modelo de comércio internacional, de modo a promover a inclusão desde as matérias primas mais simples aos bens de capital mais sofisticados incluindo, de forma escalonada, os bens semimanufaturados, partes, peças, componentes, os bens de consumo, os bens de consumo duráveis e por fim aqueles itens de alto valor agregado e elevado conteúdo tecnológico.

Adicionalmente, quando se trata da inserção no mercado internacional, o pensamento tem que estar voltado para uma via de mão dupla, onde o potencial de compra de nosso mercado para os itens importados deve ser “oferecido” em troca de oportunidades de exportação dos itens aqui fabricados. Agindo assim, decisões unilaterais devem ser substituídas por acordos bilaterais ou multilaterais. A implantação deve ser gradual e planejada, com a adoção concomitante de ações que permitam explorar melhor os pontos fortes e reduzir ou suprimir os pontos fracos. Investimentos para produção no Brasil devem ser estimulados ou incluídos nas moedas de troca.

Para tanto, todos os fatores de produção e de comercialização devem ser ponderados e não apenas as condições comerciais momentâneas e ou possíveis compensações tarifárias. É necessário que sejam planejadas as necessárias salvaguardas para resguardar os interesses nacionais, assegurando o suprimento futuro e garantindo a autonomia de decisão, principalmente nos aspectos ligados à capacitação tecnológica, à engenharia, à capacidade fabril e a continuidade operacional dos processos envolvidos.

Cabe assim, identificar nichos para o estabelecimento de prioridades por meio da análise de uma matriz que considere potencial x criticidade x valor envolvido, para que as medidas possam ser dimensionadas e distribuídas no tempo para que sejam aplicadas e produzam os resultados esperados.

Concluindo, é importante ter em mente que, qualquer que seja a ação a ser adotada, toda a análise envolvida deve considerar a envoltória país, de modo a obter a melhor solução global para cada caso. Somente assim será possível obter a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor como protagonista e não a participação como simples coadjuvante. A abertura sem critério pode ser o golpe de misericórdia no desenvolvimento tecnológico e industrial do Brasil.

Alberto Machado Neto, Professor e Coordenador Acadêmico da FGV e Diretor de Petróleo, Gás Natural, Bioenergia e Petroquímica da ABIMAQ

Magalu compra startup que conecta fabricantes a consumidores finais

O Magalu anunciou, nesta quinta-feira, a aquisição da startup de digitalização de pólos fabris Hubsales. A empresa, que tem sede em na cidade paulista de Franca, se especializou em clusters — pólos de produção especializados –, cujas fábricas passam a vender diretamente ao consumidor final, por meio de plataformas digitais.

A compra da Hubsales — a sétima empresa de tecnologia adquirida nos últimos três anos — faz parte da transformação do Magalu no primeiro e maior ecossistema digital do varejo brasileiro. “A partir de agora, vamos integrar, de forma rápida e fácil, os produtos de uma série de fabricantes na nossa plataforma. Só em moda, por exemplo, temos 14 polos distribuídos pelo Brasil”, diz Frederico Trajano. “Dessa forma beneficiamos todos os elos da cadeia — da indústria ao cliente final, eliminando intermediários e reduzindo custos e preços.”

Essa modalidade de comércio, conhecida como Factory to Consumers (F2C), foi implantada pela Hubsales em Franca, onde funciona um dos maiores clusters calçadistas do Brasil. A operação já movimenta mais de 700 000 pedidos e 100 milhões de reais anualmente.

Nos clusters, a Hubsales promove os produtos, desenvolve a estratégia de logística, estoca e integra os portfólios diretamente na plataforma do Magalu. Trata-se de um modelo já comum em países como a China. “Esse modelo é disseminado no mercado chinês, permitindo que fábricas tenham acesso a um grande público consumidor e vendam seus produtos por um preço mais baixo”, afirma Trajano.

Os centros que a Hubsales vai criar pelo Brasil passarão a integrar o marketplace do Magalu, que já inclui as operações de Zattini, Netshoes, Estante Virtual, Época Cosméticos e milhares de sellers parceiros. Esse portfólio completo é central para a estratégia do #TemNoMagalu, de aumento exponencial do número de categorias, e para o consequente fortalecimento do superapp da empresa, hoje usado por 26 milhões de consumidores. Os fabricantes, por sua vez, poderão contar com os serviços oferecidos pelo Magalu a seu Serviço, como o adiantamento de recebíveis do Magalu Pagamentos e logística do Magalu Entregas.

Luciano Oliveira assume a OTRS Brasil e Portugal

O OTRS Group, fabricante alemã e maior fornecedor mundial do conjunto de gerenciamento de serviços OTRS, anuncia a contratação de Luciano Oliveira para assumir a direção dos negócios no Brasil e Portugal.

Formado em Gestão de Negócios pela Fundação Getulio Vargas, o executivo tem mais de 22 anos de desenvolvimento de negócios internacionais em diferentes segmentos. Já atuou em empresas globais como NSO Group, Moovit, Cellebrite e BlackBerry, implementando estratégias de crescimento na América Latina.

Segundo Christopher Kuhn, COO do OTRS Group, “cada empresa é tão boa quanto os membros de sua equipe. Vemos Luciano como um executivo muito experiente, que complementará a equipe existente da melhor maneira. Com sua expertise, ele se concentrará em capturar o mercado competitivo das Fintechs e elevar a OTRS Brasil para o próximo nível de sucesso”.

Luciano Oliveira destaca que seu desafio será manter o foco em ajudar os clientes a criar negócios mais inteligentes, com custo e processos otimizados. “Precisamos garantir mais eficiência na jornada de transformação digital dos clientes, levando a melhor experiência possível por meio de nossas inovações”, complementa o executivo.

Oliveira assume a função antes ocupada por Matheus Baeta, que deixou a empresa em maio passado.

ABOL divulga pesquisa sobre o perfil dos Operadores Logísticos no Brasil

Com o objetivo de atualizar a abrangência da atuação dos Operadores Logísticos nas cadeias de suprimento, produção e distribuição dos diversos segmentos econômicos nos quais atuam, a ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos, em parceria com o Núcleo de Logística, Supply Chain e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral (FDC), divulga nesta sexta-feira (31) por meio de webinar, às 16 horas, os resultados da edição 2020 da pesquisa Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil.

O estudo realizado pela FDC, sob a coordenação do professor de logística, transporte e planejamento de operações e supply chain, e coordenador do Núcleo de Infraestrutura, Supply Chain e Logística da FDC, e pesquisador responsável pela Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes, Paulo Resende, mostrou um crescimento no faturamento anual e no número de empresas que se encaixam na taxionomia de Operadores Logísticos.

O levantamento abrangeu um universo total de 275 empresas e revelou uma Receita Operacional Bruta (ROB) total de R$ 100,8 bilhões anuais, estimando um faturamento médio de R$ 366 milhões, por empresa.

Na comparação com a primeira versão da pesquisa, divulgada em dezembro de 2018, o número de empresas era de 269 organizações, com o total da ROB anual de R$ 81,4 bilhões, o que representava um faturamento médio de R$ 302,6 milhões, por empresa

“De 2018 para 2020 – a pesquisa é realizada bianualmente – tivemos um aumento de 23,8% na ROB, o que mostra que o setor dos Operadores Logísticos é um dos que mais cresce no Brasil. Também é expressivo o crescimento do faturamento médio por empresa, que é de 21%, o que nos diz que trata-se de um setor que tem uma participação cada vez mais dilatada no Produto Interno Bruto (PIB)”, diz o professor Paulo Resende .

“Chamou-nos a atenção, também, a grande variedade de mercados de atuação dos Operadores Logísticos no Brasil. Desde comércio eletrônico, serviços bancários até a área de commodities, petróleo e gás. Essa diversidade deixa claro que os Operadores Logísticos fazem parte da economia brasileira de uma maneira bastante enraizada”, cita Resende. O professor acrescenta que o setor é um dos que mais emprega nos dias de hoje, gerando aproximadamente 1,5 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos.

Outro fator interessante trazido pelo estudo de 2020 é quanto ao recolhimento na carga tributária. “O setor de Operadores Logísticos arrecada hoje R$ 14,7 bilhões em tributos e R$ 11,5 bilhões em encargos trabalhistas, o que não é pouco, contribuindo muito para erário. Isso vê-se agravado, de certa forma, pelo fato de os Operadores não terem uma Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) própria, estando sujeitos a uma sobreposição de tributação e encargos em função das diversas atividades que executam. Por isso, é fundamental a regulamentação da atividade de Operador Logístico para que a bitributação deixe de acontecer”, afirma Resende, fazendo alusão ao Projeto de Lei nº 3.757/2020, de autoria do deputado federal Hugo Leal (PSD/RJ), em tramitação na Câmara dos Deputados Federais, o qual visa regulamentar a atividade dos Operadores Logísticos no Brasil.

O estudo completo será detalhado no webinar desta sexta-feira com a participação do professor PhD, Paulo Resende, e a mediação ficará por conta do diretor presidente e CEO da ABOL, Cesar Meireles. O encontro online faz parte da série de webinars exclusivos, em comemoração ao aniversário de oito anos da ABOL, com personalidades dos setores logístico e econômico para debater ideias, ações e compartilhar boas práticas.

A ABOL é uma entidade sem fins lucrativos criada em 17 de julho de 2012. O objetivo principal da associação é formalizar, reconhecer, regulamentar e consolidar a figura do Operador Logístico no Brasil. Hoje, a entidade conta com 29 empresas associadas, que representam 19,4% do total do setor em ROB, com faturamento médio, por empresa, de R$ 611 milhões por ano.

Regulamentação da atividade dos Operadores Logísticos

A atualização do estudo coincide com um avanço no Projeto de Lei nº 3.757/2020, que prevê a regulamentação da atividade dos Operadores Logísticos e modernização da lei de armazenagem geral, o Decreto nº 1.102/1903. A tramitação do PL já começou na Câmara dos Deputados Federais, sob a responsabilidade do deputado federal Hugo Leal (PSD/RJ).

“Como trata-se de um setor muito novo, o do Operador Logístico, e por ser um integrador de várias atividades e ter uma ação transversal em vários segmentos da logística, o marco regulatório se faz mister para que não haja intervalos ‘cinzentos’ de legislação. Por utilizarmos várias CNAEs (Classificação Nacional de Atividade Econômica), o marco regulatório trará transparência, clareza de interpretação e, assim, stakeholders, órgãos anuentes, intervenientes e reguladores poderão ter a mesma leitura do nosso setor, das suas atividades e responsabilidades”, afirma o diretor presidente e CEO da ABOL, Cesar Meireles .

Webinar “Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil”

Data: 31/07/2020
Horário: 16:00 horas
Onde: youtu.be/LBfEsRDxRHE

Com pandemia, delivery cresce em mais de 70% em São Paulo e modelo se torna principal ganho de restaurantes: conheça os desafios dessa tendência

Com o fechamento de bares e restaurantes devido à pandemia de coronavírus, a deliveryzação se tornou uma solução tanto para esses estabelecimentos se manterem abertos. Uma pesquisa realizada pela ABRASEL (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) mostrou que, em São Paulo, 73,5% desses locais optaram por trabalhar com entregas.

Contudo, a mesma pesquisa aponta que 80% desses estabelecimentos está insatisfeito com o atendimento oferecido pelos principais marketplaces, devido a fatores como a falta de suporte online. Para solucionar essa dor e tornar a gestão de pedidos mais eficiente, além de melhorar o engajamento com as plataformas, a Go2Go, startup fundada em 2019 tem ajudado o setor alimentício na gestão de pedidos, reunindo todos os serviços em um só lugar.

A startup tem como princípio devolver o protagonismo aos restaurantes de todos os portes, ajudando-os a gerir seus negócios de forma rápida e inteligente. Entre as soluções oferecidas, estão: a integração de multiplataformas, a construção dos canais de vendas online, ferramenta de central de atendimento e o apoia a logística dos restaurantes, desde o pedido até a entrega.

Entregando inteligência de mercado, a startup de food service ainda disponibiliza aos seus clientes dados como os itens mais vendidos em cada plataforma e um mapa de calor que mostra ao gestor onde está seu público e quais são os itens de maior procura em cada região.

Intermediação reduz estresse entre anjos e startups no processo de investimento

Por Romulo Perini

Muitas vezes a cobrança exagerada por resultados ou palpites que nem sempre estão condizentes com a realidade do negócio, leva investidores em startups a adotarem formas de abordagem totalmente contrárias a um tipo de parceiro que o mercado convencionou chamar de ‘anjo’. Por outro lado, por mais angelical que seja, paciência tem limite e a falta de respostas claras por parte dos executivos que estão à frente do empreendimento investido pode acabar levando a atritos sérios.

Diante da clara necessidade de equilíbrio nessa relação, começa a ganhar força no mercado a figura do intermediador de investimento anjo. Um ente independente que consegue entender as necessidades dos dois lados e conduzir o processo, desde a análise do investimento até a realização, reduzindo significativamente a incidência de atritos e buscado tirar o máximo da relação entre ambos.

Os chamados investidores ‘Anjo’ são pessoas com capital que têm interesse em aplicar recursos nas etapas iniciais de desenvolvimento das startups como uma forma de diversificação do seu portfolio. Geralmente eles têm predileção pela aposta em um novo conceito ou na ideia inovadora de um time que tem interesse em desenvolver um novo MVP(Produto Mínimo Viável – traduzido do inglês).

Este tipo de investimento pode ser feito diretamente de duas formas diferentes como:

a. Investimento Individual – Modalidade na qual o investidor decide fazer um investimento direto em uma nova empresa, sem a participação de outros investidores. Para isso ele assina um contrato de empréstimo conversível – chamado de mútuo conversível – que permite trocar um capital emprestado por uma eventual participação dentro do negócio investido.

Ponto Atenção: Nesta modelagem o risco financeiro do investimento fica todo com o investidor que não compartilha com outros investidores, e pode faltar complementação de know-how.

b. Investimento em grupo – Formato que une em geral 10 a 20 investidores para realizar o investimento através da formalização de um empréstimo conversível (mesmo modelo do individual). Em geral, dois ou três investidores são selecionados no grupo para fazer o acompanhamento do negócio, mas todos tem acesso aos empreendedores da investida.

Ponto Atenção: O grupo pode não estar alinhado 100% durante toda a jornada do investimento e isso pode gerar estresse tanto dentro do grupo de investidores como também perante os empreendedores, prejudicando o negócio como um todo.

Nos dois casos, a falta de experiência tanto de um lado (anjos) como do outro (empreendedores da startup) pode se transformar em problema. Por isso está cada vez mais aparecendo a figura do intermediador de investimento, que tem sido geralmente assumida por consultorias especializadas ou investidores seriais, criando uma espécie de blindagem que beneficia a ambos os lados.

Os representantes deste novo elo de conexão entre as partes, implementam logo no início um modelo de gestão mais robusto nas investidas, organizando um conselho consultivo que se reúne para discutir os resultados e projetos mensalmente. O resultado desta reunião é então compartilhado com os demais investidores que se reúnem com a
mesa frequência e tem a oportunidade de ter acesso a um documento detalhado dos resultados do negócio e dar seus palpites / sugestões ou dúvidas para serem inicialmente debatidas no grupo e depois levadas aos empreendedores. Tudo isso, sempre coordenado pelo intermediador.

Fica claro no processo que a correta gestão de stakeholders é fundamental para o sucesso da relação visando um desenvolvimento mais rápido e bem-sucedido do negócio.

Além do capital para acelerar o processo de crescimento, um quadro de investidores qualificados pode ajudar estrategicamente o negócio.

Muitas vezes, a experiência tem mostrado que negócios com grande potencial até conseguem atrair o capital humano e financeiro necessário para alavancar seu crescimento, mas a falta de equilíbrio para administrar as tensões acaba impedindo que as coisas aconteçam de uma forma satisfatória para os envolvidos.

Ao contar com consultorias especializadas, de preferência que tenham conhecimento ou que tenham atuado até como consultoria para a startup, o gerenciamento das expectativas, frustrações e ansiedades ganha um filtro de qualidade que proporciona aos anjos a possibilidade de continuarem sendo vistos como sinônimos de bondade.

Enquanto isso, os empreendedores conseguem focar 100% no negócio em si, buscando o tão esperado crescimento que vai beneficiar a ambos os lados.

Romulo Perini, sócio-diretor da Play Studio, consultoria de inovação e venture builder

Zup desenvolve projeto gratuito que ensina programação para pessoas com deficiência

Ensinar linguagem de programação e capacitar pessoas com deficiência para o mercado de trabalho. Essa é a proposta do Programa Catalisa, promovido pela Zup de São Paulo (SP), que está com inscrições abertas. A iniciativa é gratuita.

Lançado no dia 18 de junho, mesma data em que se comemora o Dia do Orgulho Autista, o projeto tem o objetivo de ensinar as linguagens Java, Kotlin ou React em projetos para clientes reais. Inicialmente, o treinamento aconteceria presencialmente, mas devido às medidas de isolamento social em prevenção ao novo coronavírus, ele acontecerá online.
Após fazer a inscrição no programa e passar pelas etapas iniciais, os participantes são contratados pela Zup em regime temporário por um período de três meses. Depois desse tempo, será feita uma avaliação de dedicação e potencial individual, que pode levá-lo a ser contratado definitivamente pela empresa.

Experiência própria

O Programa Catalisa é encabeçado por quatro integrantes da empresa que possuem deficiências ou limitações diversas. A UX Designer Joyce Rocha (que está no espectro do autismo), a lead de acessibilidade digital e UX Jana Bernardino (deficiente visual), a Talent Acquisition Fernanda Oliveira (deficiente física) e a estrategista de diversidade e inclusão Camila Bellato (que tem lupus). Por esse motivo, todas compreendem as dificuldades de pessoas com deficiência em se estabelecer no mercado de trabalho. No caso de Camila, há ainda outro empecilho: a lúpus não é considerada uma deficiência, o que fez com que empregadores, muitas vezes, a avaliassem como uma funcionária com saúde física e mental normal.

“Tenho lúpus há 18 anos, então já é mais da metade da minha vida convivendo com a doença e tive muitas complicações. Era difícil se manter no ambiente, que era muito incompreensível e explicar sempre pelo que eu passava, mas não ser julgada, avaliada de forma errada”.

A experiência a levou a ter outro ponto de vista desta situação e, por isso, seu projeto final em um curso foi justamente a empregabilidade de mulheres com lúpus. “95% dos pacientes são mulheres, por influência hormonal, e eu via o quanto as mulheres sofriam para se manter empregadas tendo lúpus. É muito fácil dizer que as oportunidades são iguais para todos se eu não senti isso na pele”, pontua Camila.

Diferença invisível

Já Joyce reforça o fato do autismo ser uma deficiência ‘invisível’, o que faz com que os processos inclusivos sejam mais difíceis. Esse foi um dos obstáculos mais complicados de lidar no mercado de trabalho, no qual já teve experiências bastante negativas. Agora como colaboradora da Zup e uma das responsáveis pelo Programa Catalisa, ela conta que uniu seus aprendizados ao de outras pessoas para pensarem e compartilharem ideias que vão ajudar PCDs neste ambiente.

“Esse é nosso trabalho diário. Essa perspectiva de como é a nossa vivência. Nossa historia individual é tão impactante para a gente pensar em relação a outras vivências e experiências mais significativas e positivas para toda essa galera que, muitas vezes, são excluídas, discriminadas”.

Além do mercado de trabalho

Para pessoas com deficiência, as dificuldades vão além do ambiente de trabalho. Jana, por exemplo, ressalta os desafios que foi preciso enfrentar em um curso online que fez recentemente.
“Precisei de ‘buddy’, um vidente, uma pessoa que ficasse comigo em tempo integral para me explicar todas as imagens que estavam na apresentação, tudo que estivesse sendo relatado que não estivesse na fala da professora e me explicar as dinâmicas, justamente porque o material não estava 100% acessível, e dificilmente estará em todas essas plataformas de educação online”. Até recentemente, ela enxergava 100% com um dos olhos, mas ficou completamente cega depois de uma cirurgia para retirada de um tumor no cérebro. Vivendo agora dificuldades ainda maiores em razão da deficiência, ela afirma que a falta de adaptação em todos os ambientes contribui mais para a desigualdade.

“É um grande caminho a se perseguir ainda, tanto para o profissional do meio acadêmico, quanto também para inserção no mercado de trabalho. Quanto mais alto o nível do cargo, mais se exige de experiencia e, também, de atualizações de estudos. Então, é muito difícil concorrer de um pra um”.

Criando oportunidades

Atuando no setor de Talent Acquisition da Zup, Fernanda se empenha constantemente em promover a diversidade dentro do próprio time, a fim de oferecer melhores oportunidades para todos. Assim, a iniciativa do Programa Catalisa visa alcançar estas pessoas e, principalmente, mostrar que todas podem aprender e se capacitar para estarem inseridas no ambiente de trabalho. “A pessoa tem que ter vontade de aprender. Não importa se ela vai levar duas horas para responder um teste lógico enquanto outra pessoa responde em trinta minutos. A gente quer saber se ela tem capacidade de entender o conteúdo. Não queremos seguir a mesma lógica do sistema regular de ensino que existe na sociedade porque, de fato, a gente quer inclui-las, e nosso sistema é totalmente excludente da forma que ele é”, diz Camilla.

Programa Catalisa e a individualidade de cada um

Para participar do programa, os interessados devem fazer um pré-cadastro no site e depois responder um questionário enviado por e-mail. De acordo com Fernanda, a ideia é entender os conhecimentos de cada um para a elaboração de uma espécie de teste que vai direcionar qual o melhor caminho a ser seguido.

Joyce entende que conhecer e compreender as dificuldades e limitações de cada um é essencial para a criação de processos mais democráticos e justos, que vão auxiliar o PCD – ou qualquer outra pessoa – a ter melhores condições no desempenho da função.

“No meu caso que sou autista, não adianta aplicar uma prova de 90 questões e me dar duas horas para responder. Aplicam o mesmo método para todo mundo, e a gente percebe que o método não funciona para todos. É preciso olhar essas pessoas com a sua individualidade e encontrar maneira de conseguir acolher ela de acordo com as características que ela tem”, avalia.

IdeiaGov abre sua quarta Chamada Pública para interessados em participar dos desafios tecnológicos contra a COVID-19

O IdeiaGov está com inscrições abertas para mais um chamamento público. Pessoas jurídicas que tenham interesse em apresentar propostas de soluções inovadoras relacionadas ao desafio de monitoramento dos sinais vitais e operação de aparelhos eletromédicos usados em leitos hospitalares (UTI e Enfermaria) em um modelo remoto, inteligente e integrado devem se inscrever até o dia 12/08/2020 no site do IdeiaGov: http://ideiagov.sp.gov.br/ .

A pandemia trouxe a tona a questão da segurança dos profissionais da saúde que trabalham na linha de frente com esses pacientes.

Atualmente, o monitoramento de pacientes em regime de internação é feito de forma presencial pelos profissionais de saúde. Quando são aferidos os sinais vitais, checagem de fluxo nas bombas de infusão e monitoramento de ventiladores, entre outros equipamentos que possam estar auxiliando na recuperação do paciente.

A exposição dos profissionais a pacientes internados por Covid-19 traz um alto risco de contaminação. Cada vez que um profissional acessa um leito é necessária a paramentação e desparamentação completa. O que traz aumento nos gastos com equipamentos de proteção individual (EPI).

O afastamento dos profissionais da saúde também reflete na redução do quadro de funcionários no atendimento. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o percentual de trabalhadores da saúde afetados pela Covid-19 chega a 10%.

“Encontrar soluções que permitam o monitoramento remoto de pacientes irá garantir eficiência no atendimento e segurança para os profissionais da saúde. As soluções poderão ser utilizadas nos cuidados de outras doenças e ainda evoluir para um modelo de internação em casa. Isto é inovação em governo. Quando juntos buscamos e preparamos tecnologias que beneficiem toda a sociedade”, explica Felipe Massami Maruyama, diretor de operações do IdeiaGov.

O edital que busca identificar e selecionar, para potencial adoção pelo Estado de São Paulo, está disponível no site do IdeiaGov .

Processo de seleção

As soluções propostas deverão apresentar características como monitoramento e/ou operação remota e integrada de bombas de infusão, ventiladores, oxímetros, ECGs, monitores multiparamétricos, electrocardiógrafos e cardioversores; replicabilidade para equipamentos de diferentes fabricantes e gerações; integração de dados e informações em uma plataforma única de gerenciamento, entre outros requisitos que estão descritos no edital.

Podem participar desta chamada pública pessoas jurídicas nacionais ou estrangeiras em situação regular no país, bem como consórcios, liderados por empresa nacional ou constituídos integralmente por grupo de empresas nacionais, desde que apresentados os documentos exigidos para inscrição e atendidas as demais normas da Chamada Pública.

A divulgação das propostas selecionadas acontece até 30 dias após o prazo final de inscrições, no dia 12/08/2020.

Mais informações sobre a chamada pública estão disponíveis no edital do desafio “como monitorar sinais vitais e operar aparelhos eletromédicos usados em leitos hospitalares (UTI e Enfermaria) em um modelo remoto, inteligente e integrado”. Link do edital: http://ideiagovdesafioscovid19.prosas.com.br/uticonectada.html

IdeiaGov contra a Covid-19 – Editais abertos

O IdeiaGov mantém outras duas chamadas públicas abertas e recebendo inscrições.

O Edital de desafio tecnológico de “como realizar testes de diagnóstico para Covid-19 que sejam confiáveis, acessíveis para programas de saúde pública e possam ser replicados para alcançar o maior número possível de pessoas.” E também o edital de ofertas tecnológicas do mercado para o enfrentamento da Covid-19.

O objetivo é identificar, selecionar e testar soluções inovadoras, sob a forma de tecnologias, produtos, processos e serviços, integrados ou não, bem como projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) que permitam diagnosticar, monitorar e controlar a pandemia de Covid-19 e que possam ser empregados em outras epidemias, e/ou possibilitem a produção nacional de insumos utilizados atualmente para o diagnóstico e manejo clínico da doença, ampliando a capacidade de testes.

Ambos os editais (desafio e ofertas) encerram inscrições no dia 10 de agosto. Mais informações sobre as chamadas públicas estão disponíveis no site do IdeiaGov.

FIEMG Lab 4.0 gera negócios para a indústria

O FIEMG Lab 4.0 finalizou a segunda jornada com resultados positivos, obtidos a partir de ações pioneiras e capazes de promover inovação e competitividade para a indústria. Foram R$ 7,8 milhões em negócios gerados.

Ao todo, 76 indústrias contrataram 25 startups, com 96 testes e implantações de soluções tecnológicas diretas para o setor industrial. Uma indústria fez aquisição de uma das startups participantes e outra fez sociedade com uma indústria madrinha.

De forma pioneira no país, inspirado nos grandes polos industriais internacionais, o FIEMG Lab implementou no Brasil um modelo de aceleração tecnológica combinada à aceleração de negócios. Dessa maneira, foram fomentadas soluções diretas para a indústria. Esse modelo permitiu o impulsionamento das soluções tecnológicas das startups do programa e garantiu maior aderência delas à realidade do setor.

A segunda rodada do FIEMG Lab 4.0 começou em 2019, com a seleção de 50 startups para uma jornada compreendida por três fases classificatórias. A primeira, com duração de dois meses, focada na validação do negócio e aderência às expectativas das indústrias. Vinte startups avançaram à segunda fase, que teve como foco a aceleração dos negócios e das tecnologias, bem como a implementação de Provas de Conceito (POCs) nas indústrias. A terceira e última fase, contou com 10 startups e focou na tração, escala e implementação das soluções dentro das empresas.

O FIEMG Lab 4.0 contou quatro indústrias madrinhas: CEMIG, Gerdau, RHI Magnesita e Vale. A gerente do programa, Mariana Yazbeck, explica que essas empresas foram fundamentais para o sucesso da ação. “Elas acreditaram e investiram no programa, conectando-se amplamente às startups, investindo em um fundo para POCs e ajudando a moldá-lo para que as soluções das startups alcançassem elevado grau de pertinência à indústria. São mais do que parceiras, mas correalizadoras deste trabalho desafiador e capaz de transformar realidades”, celebra.

Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, a segunda rodada do FIEMG Lab foi um sucesso para Minas Gerais e para o Brasil. “Atuamos de forma acertada construindo para a indústria uma política de inovação que permitiu a melhoria real do ambiente de negócios no estado. Não foi por acaso que contamos com empresas do porte da Vale, da Cemig, da RHI-Magnesita e da Gerdau como parceiras e madrinhas do projeto”, afirma.

Confira os 20 cases de sucesso de startups do Programa FIEMG Lab 4.0 em indústrias de todo o país.

Conheça o projeto em www.fiemglab.com.br

Veja as empresas que mais pagaram dividendos acima da Selic em 2020

João Beck, especialista em investimentos e sócio da BRA

Um levantamento feito pela plataforma Trademap publicado pelo Estadão mostrou quais são as ações que mais pagaram dividendos aos investidores até o momento neste ano. Das 45 que distribuíram parcela do lucro acima da Taxa Selic, 14 são empresas do setor financeiro, como o Banco Amazônia (BAZA3) e Santander (SANB4 e SANB3) e 12 do setor de energia, como a CESP – Companhia Energética de São Paulo e a COELCE – Companhia Energética do Ceará.

De acordo com João Beck, especialista em investimentos e sócio da BRA, um dos maiores escritórios de renda variável da XP Investimentos, as empresas têm duas escolhas: investir ou pagar dividendos. “As companhias que mais pagam dividendos normalmente são aquelas que já estão estabelecidas e que não precisam mais investir, como bancos, empresas do setor elétrico e seguradoras”, diz.

A empresa que aparece em primeiro lugar e que mais pagou dividendos foi a companhia de eletrodomésticos Whirlpool (WHRL4 e WHRL3), com quase R$ 1,5 bilhão distribuídos.

“Por conta da insegurança causada com a crise devido ao novo coronavírus, a empresa pode ter optado por não fazer novo investimento nesse cenário e optou por distribuir esses dividendos. Os juros baixos também ajudaram as pessoas a comprar eletrodomésticos”, comenta João.

Na terceira posição do ranking, ficou a Enauta Participações (ENAT3) do setor de óleo e gás, com R$ 303 milhões em dividendos. Segundo João Beck, a empresa fez um forte investimento em um dos poços de exploração na bacia de Santos entre 2018 e 2019 e agora colhe os frutos. “É um ponto mais fora de curva, porque a Enauta investiu bastante e agora está distribuindo dividendos”, afirma.

De acordo com o especialista, é preciso que o investidor seja cauteloso, pois nem sempre a empresa que paga mais dividendos é a mais rentável. “Essas empresas que pagam bons dividendos fazem transferência do capital que está na empresa para o acionista. O valor que é repassado ao acionista é descontado do preço da ação, precisa ter cuidado”, comenta.

AEB aponta caminhos para expansão do comércio de bens de serviços

Investir na exportação de serviços e ampliar a cartela de exportações intangíveis são ações fundamentais para o Brasil alavancar seu crescimento, especialmente no contexto da pandemia e de digitalização da economia mundial. Essas foram algumas das propostas apontadas por representantes do setor privado e por autoridades durante o 11º Encontro Nacional de Comércio Exterior de Serviços − Enaserv2020 −, cujo tema foi “Novos Horizontes no Comércio Exterior de Serviços”.

Promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), ao longo do último dia 28, totalmente online, o evento teve mais de 2.500 inscrições, alcançando todos os estados do Brasil e mais 19 países. Ao iniciar os trabalhos, o presidente da entidade, José Augusto de Castro, destacou a relevância do comércio exterior de serviços no contexto da nova ordem da economia global. Ao apresentar dados do Brasil, argumentou que há espaço para um largo crescimento nesse segmento no país e explicou que essa cadeia produtiva gera empregos de melhor qualidade.

“Não podemos esquecer que nos países mais desenvolvidos, o segmento de bens e serviços representa 70% do seu Produto Interno Bruto. Os serviços são um produto invisível, que sustentam uma economia visível”, observou o presidente da AEB.

Baseado em dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), José Augusto de Castro explicou que em 2018, o comércio exterior de serviços alcançou a marca de US﹩5,6 trilhões, o que equivale a 29% do total em bens no mundo como um todo. Nesse mesmo ano, o que o Brasil exportou de serviços foi equivalente a 13% de exportações de manufaturados. Enquanto isso, acrescentou o presidente da AEB, esse quantitativo nos EUA representava 50% das exportações de manufaturados.

“Temos um espaço muito grande para crescer. O Brasil pode buscar novos horizontes e abrir novos mercados na exportação de bens de serviços”, frisou José Augusto de Castro.

Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros ressaltou a relevância de colocar na pauta de discussões a questão da exportação de bens e serviços, justamente no momento de grave crise econômica no país. Para ele, a CNC pode colaborar apontando horizontes para novos negócios. “Vamos arrostar o desenvolvimento no Brasil nesse momento de tanta dificuldade”, completou o presidente da entidade.

O vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP) e presidente da Associquim/Sincoquim, Rubens Medrano, destacou a necessidade de abertura de caminhos para novos investimentos e da busca por tecnologias avançadas no segmento de serviços. Segundo o presidente da FecomercioSP, a entidade pretende fomentar a discussão acerca de políticas de simplificação de tributos e processos, estabelecer um canal eficiente de diálogo com o poder público, colaborando para criação de condições favoráveis de crescimento e incremento da economia.

Já o presidente da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), Antonio Carlos da Silveira Pinheiro, frisou o papel estratégico da exportação de serviços na adesão do Brasil à OCDE. Para ele, este segmento da economia está vinculado à venda de inteligência, com elevado grau de competitividade.

O primeiro painel foi conduzido pela gerente de Política Comercial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Constanza Negri Biasutti, que abordou o tema “A importância dos serviços para a indústria. Propostas para um novo regime”. A especialista ressaltou a necessidade de incentivo à indústria 4.0 e à economia digital para o país acompanhar o ritmo de transformação das cadeias globais. No entanto, a representante da CNI ressaltou a necessidade de alteração na tributação entre serviços e indústria.

Em seguida, o vice-presidente do Setor Privado no Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), Jorge Arbache, realizou a conferência “Por que os serviços serão os determinantes da prosperidade no século XXI ?”. O executivo assinalou que a pandemia acelerou transformações na economia, trazendo para o cotidiano das pessoas o trabalho remoto, a telemedicina e as diversas formas de interação em plataformas digitais. Arbache explicou que os serviços geram cadeias agregadas de valor, com o chamado “Business-to-business” − caminho cujo crescimento deve ser incentivado na economia brasileira.

No painel “Exportação de serviços como estratégia de crescimento econômico sustentável”, conduzido por Javier Peña Capobianco, secretário-geral da Associação LatinoAmericana de Exportadores de Serviços (ALES), foram assinalados os avanços do trabalho remoto. Esse cenário, na visão do executivo, pode gerar oportunidades de negócios entre países latino-americanos, entre os quais temos Brasil como modelo de negócios. “Empresas de tecnologia da informação e de processos de negócios, que vendem serviços, foram as que mantiveram seu nível de emprego e até cresceram durante a pandemia. É preciso incentivar negócios abertos e ágeis”, explicou.

A manhã de debates foi encerrada com a apresentação “OCDE e as negociações de serviços”, realizada pela professora Vera Thorstensen, coordenadora do Centro de Comércio Global da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP). Na conferência, a professora diferenciou as regras da OMC e da OCDE, indicando pontos da regulação do país que precisam ser aprimorados para sincronizar as normas do país com as práticas dos países-membros da OCDE. Reforma do sistema financeiro, melhoria nos transportes e incremento de políticas de sustentabilidade foram apontados como tópicos cruciais para que o país ingresse na OCDE.

Na segunda rodada de discussões, o CEO da WTM International, Lisandro Vieira, apresentou dois painéis cujos temas foram “Exportação de serviços, desafios e oportunidades” e “Estratégia para acelerar o crescimento internacional com segurança”. Na ocasião, o especialista ressaltou a importância da coleta de dados sobre a exportação de serviços para elaboração de políticas públicas de incentivo ao setor. Ele assinalou a importância dos registros no Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (Siscoserv), que atualmente se encontram suspensos.

Em seguida, o subsecretário de Operações de Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia (SECEX/ME), Renato Agostinho da Silva, voltou a abordar o assunto. Ao longo do painel “Fatores de redução do Custo-Brasil no comércio exterior de serviços”, o executivo explicou que o governo estuda a possibilidade de haver um desligamento definitivo do Siscoserv, com a captura das informações pela nota fiscal de serviços. “Pretendemos realizar a retomada dos registros em 1º de janeiro de 2021, mas estudamos mudanças no modelo de coleta de dados, de modo a reduzir os custos”, informou o representante do ME.

Presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Sergio Ricardo Segovia Barbosa destacou em seu pronunciamento a necessidade de o país investir na inteligência de mercado, buscando soluções na esfera digital. Ele informou, também, que o Programa de Qualificação para Exportação (Peiex), promovido pela Apex-Brasil, deve ser estendido, até setembro, ao universo da exportação de bens e serviços. Ainda em sua fala, anunciou que o site da entidade foi reformulado; nessa nova página já se encontra um relatório de mercado global atualizado e uma cartilha sobre coronavírus para orientar exportadores.

O debate em torno das oportunidades de negócios geradas pelas startups encerrou o ciclo de conferência do Enaserv 2020. Apresentado pelo CEO da Mango Ventures Brazil, Wellington Galassi, o painel “Startup como fator gerador de novos negócios em serviços no comércio exterior” trouxe à tona pontos decisivos de políticas públicas para o desenvolvimento desse mercado. Segundo o especialista, é preciso incentivar a inovação, a competitividade e o desenvolvimento de negócios digitais cujo foco seja a experiência do usuário.

O Enaserv 2020 foi promovido pela AEB, com apoio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo(CNC); Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP); Agência Brasileirade Promoção de Exportações e Investimentos -Apex-Brasil; WTM do Brasil; Fair Corretora de Cambio S/A; GE Celma; e com suporte institucional da SECEX/Ministério da Economia.

Ao final do evento, os organizadores anunciaram que o Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex 2020) será realizado nos dias 12 e 13 de novembro, com transmissão por meio de plataformas digitais.

O impacto da tecnologia nos bancos durante a pandemia do COVID-19

Por Reginaldo Santos

Já faz um tempo que o comportamento das pessoas para consultas e transações financeiras passou a ser digital. De acordo com recente pesquisa da FEBRABAN relacionada ao comportamento financeiro em 2019, o orçamento total que o segmento de tecnologia obteve dos bancos foi de R﹩ 24,6 bilhões, 24% maior do que os R﹩ 19,8 bilhões registrados em 2018. Agora com a pandemia global de COVID-19 uma série de adaptações tecnológicas tornaram-se necessárias para que o setor bancário continue a operar de forma cada vez mais digital. Mas, qual é o verdadeiro impacto da tecnologia nos bancos neste momento tão delicado?

Antes de mais nada, é importante contextualizar e relembrar as iniciativas realizadas pelos bancos neste momento. No que diz respeito aos negócios, as primeiras medidas adotadas foram a criação de linhas de crédito e a prorrogação/renegociação dos contratos vigentes. O impacto recessivo da COVID-19 sobre a economia reduz a inflação e torna o ambiente cada vez mais propício à queda das taxas de juros, cuja tendência de declínio já se apresentava desde antes da crise. Outro aspecto a ser considerado é que, embora tenha havido um crescimento da abertura de novas contas bancárias, grande parte desses clientes não tem perfil de consumo de outros produtos bancários. Logicamente, os bancos terão que tentar capitalizar e fidelizar estes clientes. Desta forma, é necessário que estejam preparados para lidar com este cenário e todas essas questões, especialmente para o risco de perdas, uma vez que inevitavelmente ocorrerão inadimplências.

A resposta para o enfrentamento desta situação passa cada vez mais pela tecnologia, pela digitalização de tudo o que envolve a atividade bancária. Em relação ao atendimento, é extremamente necessário educar o comportamento dos clientes durante o período da crise, ensinando-os e incentivando-os a poupar, direcionando-os para as linhas mais interessantes, entre outros.

No campo dos produtos tornou-se ainda mais importante acelerar o que já estava sendo feito para operacionalizar as vendas e os serviços digitais. De fato, existem bancos mais maduros e outros menos, porém, o caminho do digital foi obrigatoriamente acelerado neste momento. Há questões bem especificas a serem tratadas, como por exemplo, os refinanciamentos que, neste momento, apresentam-se como cruciais. Existem necessidades relacionadas ainda a ajustes no modelo operacional e ao controle de custos, já que investir em soluções que sobreviverão após a pandemia e que continuarão interessantes é sempre o caminho mais estratégico.

Atendimento ao cliente X tecnologias nos bancos

A multiplicação dos canais digitais de atendimento é uma solução já existente, mas deve ser aprimorada. Hoje, diversos bancos já utilizam tecnologias mais avançadas como inteligência artificial e chatbots, para minimizar a necessidade de interação com os atendentes. Os bancos que já nasceram digitais estavam com toda a plataforma tecnológica preparada para o atendimento não presencial. Alguns bancos tradicionais, no entanto, por conta da pandemia tiveram que acelerar a corrida por mudanças em sistemas e procedimentos, inclusive com a reconstrução de suas plataformas de internet banking e mobile banking.

O aumento da demanda por canais digitais reforçou a necessidade do segmento bancário em ampliar e aprimorar os seus recursos, com a implementação de novas tecnologias. A multicanalidade, por exemplo, consiste em oferecer várias formas de acessar os produtos, por meio de canais diferentes. Já o conceito omnichannel, representa oferecer uma ótima experiência ao cliente independentemente do canal pelo qual o cliente entrou e uma resposta padronizada e satisfatória. Além disso, há a continuidade do atendimento. Para o omnichannel, ainda há um caminho a ser perseguido e este é mais um processo no qual os bancos que já nasceram digitais possuem vantagem frente aos bancos tradicionais.

O open banking é outro conceito, mais do que nunca, importante, já que permite que as pessoas levem seus históricos de relacionamento com uma determinada instituição financeira para outra, democratizando o segmento e permitindo uma maior competição no setor. Ou seja, o usuário final terá acesso às suas informações financeiras para compartilhar com a instituição financeira que desejar e com isso buscar melhores taxas e preços, com liberdade ao cliente de diversificar o ambiente e alinhar os serviços financeiros de acordo com os seus interesses.

Desafios da tecnologia nos bancos

É fato que hoje, não ser digital não é uma opção. A digitalização para atender aos clientes é importante e necessária. O desafio é quebrar a mentalidade tradicional, mesmo em um banco que já nasceu 100% digital e entender qual é a real necessidade do cliente. Um exemplo, é a abertura de conta. Muitas vezes, é irrelevante para o cliente se existem ou não pessoas e processos por trás, se ao final ele conseguir abrir sua conta virtualmente. Sendo assim, um processo que ainda não é 100% digital atinge essa necessidade do cliente. Porém, quando olhamos internamente, este banco gastou muito mais do que um banco completamente digital. A pandemia evidenciou que as instituições que estavam mais avançadas nesse processo encontram-se em uma posição mais vantajosa.

Pagamentos instantâneos e open banking

Recentemente, o Banco Central anunciou que o sistema de pagamentos instantâneos (PIX), será gratuito para pessoas físicas. Segundo o BC, o baixo custo para o consumidor é uma questão central do PIX, já que a iniciativa se propõe a ser um meio de pagamento acessível para quem paga e para quem recebe, além de permitir um funcionamento 24×7, simples e sem burocracia. O PIX promete transações seguras com período de liquidação de poucos segundos, sem restrições de datas ou horários. É uma iniciativa que vem ganhando força em outros países e proporciona assim, um ambiente disruptivo e novo no Brasil. O PIX veio para trazer uma experiência mais rápida para o consumidor já que a movimentação financeira é instantânea, diferentemente de uma TED, em que você tem um tempo para a compensação.

Considerando o PIX e o open banking, onde os dados passam a estar disponíveis, está mais fácil criar um negócio novo hoje no setor financeiro do que há dois anos, por exemplo. O PIX e o open banking permitirão a inclusão de mais pessoas nesse universo financeiro, sendo uma excelente oportunidade para oferecer serviços diferenciados. Até 2010, o mercado financeiro no Brasil era fechado e reduzido a um pequeno número de instituições. Após essa abertura, empresas focaram em inovação e apostaram em tecnologia para criação de produtos e soluções para as Instituições de Pagamentos – IP. Embora sejam muito semelhantes aos bancos tradicionais, especializados em intermediar o dinheiro investido e empréstimos, as IPs viabilizam serviços de pagamento e cobrança e movimentação de recursos, diferenciados dos bancos.

Por todos estes aspectos mencionados, o forte impacto da COVID-19 no setor bancário acentuou ainda mais a busca por soluções tecnológicas. O desafio imposto pela pandemia escancarou a importância e a urgência em investir em tecnologias que mantenham e promovam a relevância das instituições financeiras.

Reginaldo Santos, Diretor Executivo da Provider IT