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Como criar startups dentro de empresas centenárias

Por Antonio Serrano, CEO da Juntos Somos Mais

“Todos vocês vão falhar”.

Essa frase foi dita por um jovem gestor de venture capital do Vale do Silício, com seus 20 e poucos anos, para uma plateia com cerca de 20 CEOs de empresas ditas tradicionais.

Os executivos se entreolharam após a provocação. ‘Ele não sabe o que diz’ foi a mensagem que li, mas a verdade é que o ambiente de competição mudou e poucas empresas vão se adaptar. Que empresa hoje é tão dominante quanto era 25 anos atrás?

As empresas que alcançavam o índice S&P 500 que engloba as maiores empresas listadas na bolsa americana em 1965 costumavam permanecer durante 33 anos em média, segundo a consultoria Innosight. Em 1990, permaneceram 20 anos e a expectativa é de que esse tempo caia para 14 anos em 2026.

Por que permanecer relevante é cada vez mais difícil? Anteriormente, tamanho – e consequentemente escala – eram suficientes para as grandes corporações prosperarem. As consultorias faziam análises que indicavam alta correlação entre retorno sobre vendas e market share relativo – quanto maior o tamanho de uma empresa, maior sua lucratividade.

Surgiram então os grandes conglomerados globais. Eram necessários vultosos investimentos para construir fábricas e montar centros de pesquisa e desenvolvimento com equipamentos de última geração que traduziam-se em produtos melhores e mais baratos. Quanto mais caixa a operação gerava, mais caixa era investido e mais forte a empresa ficava. Se necessário, os bancos e acionistas aportavam ainda mais recursos. Era o jogo da escala.

Atualmente, alavancando computação em nuvem, impressão 3D e aluguel de equipamentos para produção, pode-se criar um Produto Viável Mínimo (também chamado de MVP) e validar uma ideia com poucos recursos. Recursos financeiros também não são mais um gargalo. Mesmo antes de ser testada, a ideia pode receber aporte de capital de investidores anjos. Uma vez testada, fundos de capital de risco (venture capital) correm para investir.

Como consequência dessa nova maneira de investir e criar, temos novos modelos de negócios, disruptivos, que quebram a lógica da atuação tradicional sendo testados a todo momento. É o jogo da agilidade.

Hoje, o mais ágil, que experimenta mais e arrisca mais, sai na frente em um mercado onde, antes, ganhava apenas quem tinha tamanho e riqueza. Como disse Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, “o maior risco que você tem hoje é não arriscar”. Quem está acostumado a competir no ambiente tradicional terá de se adaptar.

Na prática, isso leva à desconstrução de modelos de gestão consolidados. Empresas tradicionais operam com base em planos de negócios (business plans) com planejamento de 5 anos e revisões anuais. Com a velocidade de implementação de mudanças, a única certeza possível nesses anos todos é: você vai errar! Os business plans, por sua vez, limitam a criatividade e reduzem a velocidade de adaptação.

As empresas que crescem exponencialmente adotam o conceito de “pivotar”. A partir de uma visão sobre aonde querem chegar, despendem menos tempo no planejamento detalhado da maneira por meio da qual chegar lá. Traçam então objetivos em tempos menores e, assim, ganham flexibilidade e consequentemente agilidade. A visão e o propósito servem de guias e saber aonde estarão no ano 2, no ano 3 e no ano 4 não é mais uma prioridade. Hipóteses são testadas, ideias validadas e adaptadas de acordo com a receptividade de mercado (product/market fit).

É por isso também que o processo de decisão de empresas tradicionais tende a ser moroso e burocrático. Com tantos anos já traçados, são necessárias muitas pessoas (os comitês) para aprovar mudanças e dificilmente algo é resolvido rapidamente. Os comitês possuem representantes de áreas de negócio e funcionais, estas incumbidas muitas vezes de pensar em porque não aprovar uma mudança ou determinada iniciativa.

Nas start-ups, os executivos são empoderados com autonomia e ferramentas necessárias para decisões rápidas. As áreas funcionais operam com a lógica de mitigar riscos, não de eliminar riscos.

Além dos modelos de atuação e processos de decisão, predomina nas empresas tradicionais a cultura do acerto. Empresas costumam punir quem erra e, assim, ninguém toma qualquer decisão sem ter a máxima certeza – porque, afinal, quem quer errar? O problema dessa lógica é que acertar mais vezes significa arriscar menos. Só que quem está inovando e faz acontecer é, na verdade, quem se arrisca mais.

Nas start-ups, predomina a cultura do erro. Sabe-se que errar faz parte do aprendizado tão necessário para as “pivotagens”. Não se erra por displicência, mas para aprender rápido. O mantra é “fail fast”.

E qual a receita da inovação?

O primeiro passo é fomentar boas ideias dentro da organização. Observar e ouvir os clientes, entendendo o que está funcionando e quais necessidades ainda não foram endereçadas. Envolver-se no ecossistema de start-ups, lendo, estudando e mentorando, assim como realizar benchmarks com empresas de outros setores, possibilita acesso a modelos disruptivos que podem ser aplicados ao seu negócio. Fornecedores também são outra fonte de novidades e oportunidades.

Uma vez com as ideias em mãos, parta para a implementação. Para isso, podemos elencar quatro dicas essenciais, começando pela máxima ‘ignore os nãos’. Também evite envolver muitas áreas e pessoas: quanto mais gente, menos celeridade. Monte uma equipe com poucos e bons profissionais, que realmente acreditam no projeto. Depois, encontre o caminho do dinheiro: sempre há comitês de CAPEX, de inovação, ou algum caminho na empresa que pode ajudar a financiar um projeto. Por fim, mas não menos importante: fuja da burocracia, antes que ela descubra e o projeto morra antes mesmo de nascer.

A receita descrita é ainda pouco utilizada na prática. Agendas cheias de reuniões impedem que “distrações” vindas de fora da organização como clientes, fornecedores e start-ups consigam atenção dos executivos. Projetos ainda incipientes que são anunciados em todos os níveis organizacionais ajudam executivos a ganharem promoções no curto prazo, mas dificultam “pivotagens” quando as primeiras incursões não seguem como esperado (o que é, na verdade, esperado). Mas embora ainda muito ignorada, a receita acima é a parte mais fácil do processo de inovação.

Entretanto, para inovar, é preciso primeiro mudar.

As empresas tradicionais estão muitas vezes consolidadas na sua posição com margens de lucro confortáveis. Manter o status quo é, portanto, benéfico no curto prazo. Por conta disso, as inovações tendem a ser pouco priorizadas ou mesmo rechaçadas.

No longo prazo, todavia, todos sabem que a falta de inovação limita o crescimento, mas os incentivos de curto prazo são muito fortes. Por isso, a desconstrução para inovação requer uma mudança profunda que, por inumeráveis vezes, não acontece.

Sem isso, no entanto, como bem previu o jovem gestor do início do texto, muitas empresas padecem e muitas mais ainda irão perecer se não conseguirem se livrar das amarras impostas pelo status quo.

Olhando em retrospectiva, vale a reflexão de se no lugar do CEO da Kodak, com 80% de market share no lucrativo negócio de filmes fotográficos, pensaríamos em desenvolver uma máquina fotográfica digital ou lutaríamos para manter o status quo?

Todos sabem a resposta atualmente, mas a pergunta é: o que mudar no seu negócio, na sua cultura, se no longo prazo não quiserem ter o mesmo fim da Kodak?

O primeiro passo essencial para alcançar esse momento é identificar o propósito do negócio.

Por que você faz o que faz? Quem você irá impactar e como irá impactar?

Ter um propósito é mais do que uma frase bonita que vai ser usada na comunicação da empresa. O propósito precisa estar na mente de todos e inspirar. Um propósito forte contribui principalmente na estratégia e no recrutamento.

O propósito embasa a visão e norteia as decisões do dia a dia. Contrariar o propósito pode parecer financeiramente melhor em alguns momentos, mas a firmeza do propósito garante um alinhamento organizacional com resultados de longo prazo.

No recrutamento, o propósito ajuda a atrair pessoas que se sentirão realizadas com as realizações da empresa, possibilitando maior retenção e consequentemente melhores resultados.

O segundo passo é criar uma cultura que tolere o erro.

Em uma sociedade que condena o erro, quebrar esse paradigma requer uma mudança mental e de comportamento muito grande. É fácil celebrar quem acerta. O verdadeiro desafio está em conseguir verdadeiramente parabenizar a iniciativa de alguém ter sido proativo em resolver um problema – mesmo que essa não tenha sido a melhor resolução.

Outro fator importante: se a sua empresa não possui projetos que falham – e muitos irão falhar – é porque você está explorando e inovando muito pouco. Entenda também que não é aceitar o erro pelo erro, o erro displicente. É falhar sim, mas extrair um aprendizado para não cometer o mesmo equívoco repetidas vezes.

Esteja aberto aos erros e a inovação será consequência.

O terceiro e último passo fundamental é dar autonomia ao time

Autonomia não significa anarquia – muito pelo contrário. Significa ter a flexibilidade para pivotar caminhos possíveis ao passo que se tem visão para ajustar a vela rapidamente, quando necessário.

Significa que a liderança precisa abrir mão de comandar e controlar. O papel da liderança passa a ser instigar, provocar e dar as ferramentas para que o time tenha suas próprias realizações. Dessa forma, a empresa se torna também mais atrativa para o jovem profissional que busca um ambiente menos burocrático e que possa realizar um trabalho em linha com suas crenças, valores e propósito de vida.

Autonomia também implica na liberdade de permitir escolhas: já pensou não apresentar o seu plano de 5 anos para o time. Pode soar “non-sense”, mas a questão é que quando você oferece um mapa com os elementos gravados, a tendência é que seja seguido à risca.

Inovar requer coragem e requer riscos ponderados. E isso somente é alcançado quando se dá abertura às novas ideias. E, novamente, se todos trabalham alinhados a um mesmo propósito, a verdade é que isso basta para que diferentes caminhos desemboquem no mesmo final.

Imagine o oceano azul de possibilidades que deixaria de ser explorado e quantas oportunidades seriam perdidas se seguíssemos uma linha reta? Vamos inovar?

Empresas de capital aberto adotam 54% das práticas recomendadas de governança corporativa, mostra pesquisa

As empresas de capital aberto estão adotando mais práticas de governança corporativa em 2020, na comparação com o ano passado. É o que mostra a pesquisa “Pratique ou Explique: Análise Quantitativa dos Informes de Governança (2020)”, divulgada nesta terça-feira (17) no 21º Congresso anual do IBGC. O estudo, feito em parceria com a EY e o TozziniFreire Advogados, constatou que, neste ano, as companhias abertas brasileiras adotaram, em média, 54,3% das práticas recomendadas pelo Código Brasileiro de Governança Corporativa – Companhias Abertas. Em 2019, esse número correspondia a 51,1%.

“Apesar de constatarmos esse leve, mas importante, aumento na adoção de práticas recomendadas, ainda temos um longo caminho a ser trilhado. Inclusive, o levantamento nos mostra que 61,7% das empresas brasileiras não possuem um plano de sucessão formalizado para seus CEOs, o que é de extrema importância, principalmente diante de uma crise da magnitude da que estamos vivendo”, diz Pedro Melo, diretor-geral do IBGC. “Uma administração preparada é o que garante vantagem competitiva e longevidade para as corporações”, ressalta.

O levantamento foi realizado com base na análise quantitativa dos dados de 360 empresas que apresentaram seus informes de governança – documento que deve ser entregue anualmente por toda companhia registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na categoria A – até o dia 5 de outubro de 2020. No documento, as companhias precisam dizer se praticam as recomendações do código ou explicar por que não o fazem e que medidas adotam em seu lugar.

“O modelo Pratique ou Explique é um importante indicativo do grau de comprometimento das companhias abertas em relação à adesão às boas práticas de governança corporativa. Observamos novamente um avanço, mesmo em um período de pandemia e com uma grande concorrência de temas para a agenda. Este fato demonstra não somente que as empresas vêm evoluindo e amadurecendo, mas também um potencial entendimento da necessidade de mudança de práticas em um momento crítico e com maior demanda de gestão de riscos, gestão de talentos, sucessão e continuidade. Neste sentido, há ainda um caminho a ser trilhado, com discussões de práticas que envolvem o suporte à tomada de decisão, além de aspectos processuais”, diz Denise Moraes Giffoni, sócia de Business Consulting da EY.

“A estruturação de um sistema de governança eficaz vem ganhando cada vez mais relevância na agenda das organizações e começamos a ver alguns resultados nesta edição da pesquisa. Temos percebido que esse crescimento, mesmo em um ano tão atípico, é produto das demandas de um mercado cada vez mais exigente, uma vez que uma governança corporativa consolidada torna a empresa competitiva, resiliente a crises e ainda rentável”, aponta André Camargo, sócio de TozziniFreire e representante do escritório na condução da pesquisa. “Nesse sentido, a metodologia ‘pratique ou explique’ fornece às empresas a possibilidade de aprimorar continuamente sua estrutura de governança em prol da transparência de forma ágil, eficiente e assertiva.”

Entre as diretrizes que tiveram maior adesão em 2020, quando comparadas ao ano anterior, estão as práticas que dizem respeito àquelas dos capítulos Ética e Conflitos de Interesse, cuja aderência passou de 49,4% para 53,7%; Conselhos de Administração, de 47,5% para 50,8%; e Diretoria, de 57,2% para 60,2%. As empresas de controle estatal são as que possuem maior taxa média de aderência, com 67,2%, enquanto as empresas privadas têm aderência média de 52,7%. Cabe, também, destacar que a empresa de melhor desempenho cumpre 98% das recomendações e a de pior, 8,5%.

O levantamento mostrou ainda que de 2019 a 2020 a taxa de aderência evoluiu de 60% para 64% nas companhias do Novo Mercado; de 62% para 64,3% entre as empresas do Nível 2, e de 60% para 64,3% nas companhias do Nível 1. Foram analisados, também, os informes de governança das corporações que fizeram IPO entre setembro de 2019 e o mesmo mês de 2020, no qual identificou-se a taxa média de aderência em 61,6%.

Desafios de aderência

De acordo com a pesquisa, entre as práticas menos adotadas (adotadas parcialmente ou não adotadas) destacou-se a recomendação sobre a composição do conselho com maioria de membros externos e, no mínimo, um terço de membros independentes, com apenas 16,1% de aderência. Entre aquelas que não foram adotadas nem de maneira parcial, o destaque negativo ficou por conta da recomendação de existência de plano formal de sucessão para o diretor presidente, que não foi adotada por 61,7% das empresas que entregaram o Informe.

Startups do inovabra habitat estão no Top 10 do Ranking 100 Open Startups 2020

O Ranking 100 Open Startups, publicação anual que destaca as startups mais atraentes para o mercado corporativo, anunciou durante o Whow! Festival de Inovação as empresas que mais se destacaram em 2020. Entre elas estão 10 habitantes do inovabra habitat – ambiente de coinovação do Bradesco, com atuação física e digital. As startups CoBlue, GETMORE, Smarkets, CleanCloud, Implanta IT, Digitalk, Guiando, Oficina de Valor, SVA Tech e Jobecam concorreram com mais de 13 mil inscritos e ficaram no Top 10 de oito categorias diferentes.

A Oficina de Valor, empresa focada em Data & Analytics que usa machine learning para ajudar as empresas a colocar os dados no dia a dia dos negócios, ficou em 1° lugar no ranking BigData; a Guiando, empresa especialista em desenvolvimento de tecnologias inteligentes para T.E.M. (Telecom Expense Management) e contas a pagar, também ficou em 1° lugar no ranking Fintech, a GETMORE, que atua no design e implementação de ações de gamificação, cashback e engajamento, ficou em 2° lugar no ranking Fintech; a Digitalk, que oferece SaaS para a transformação das centrais de atendimento, possibilitando um CRM omnichannel, ficou em 3° lugar no ranking Customer Service, a Implanta IT, startup especialista em inteligência de dados, que integra indústrias com seus canais de distribuição, ficou em 5° lugar no ranking de Agritechs.

A Smarkets, que consolida a demanda de diversos segmentos e possibilita a comercialização em alta escala de serviços e produtos, também ficou em 5° lugar no ranking Marketplace; a CoBlue, plataforma de gestão de desempenho & OKRs, ficou em 6° lugar no ranking New Trends; a SVA Tech, que desenvolve soluções de vídeo analítico baseadas em inteligência artificial e deep Learning, ficou em 6° lugar no ranking Indtechs; a CleanCloud, que oferece produtos para reduzir custos e melhorar conformidade com LGPD em nuvem AWS e Azure, ficou em 8° lugar no ranking NewTrends, a Jobecam, plataforma de empregos com vídeo recrutamento, inteligência artificial e entrevista às cegas por vídeo, ficou em 9° lugar no ranking Inteligência Artificial.

“Ficamos muito felizes em saber que as startups do inovabra habitat estão entre as mais atraentes para o mercado corporativo. Nosso objetivo é justamente conectar as melhores empresas e suas soluções aos desafios do Bradesco e das corporates do inovabra habitat. Vê-las no Top 10 em diferentes segmentos mostra que estamos no caminho certo. Queremos ampliar ainda mais as oportunidades de negócios conectando startups do Brasil inteiro, por meio do novo modelo digital do inovabra habitat”, destaca Renata Petrovic, head do inovabra habitat.

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O renascimento do dinheiro físico durante a pandemia

Por Matheus Neto, Gerente de Pré-Venda da Diebold Nixdorf do Brasil

Pagamentos instantâneos, carteiras eletrônicas, QRCode e sistemas de pagamento baseados em biometria – facial, por exemplo. Nos últimos anos, você deve ter ouvido falar – diversas vezes – que o surgimento de tecnologias como essas marcariam o fim do dinheiro físico, não é mesmo? O que pouca gente imagina, contudo, é que o ano de 2020 seria marcado, também, por um aumento expressivo no volume de moeda em espécie em circulação no Brasil. Mas seria isso, afinal, um episódio pontual ou sinal de que as projeções não estavam em dia com a realidade das pessoas?

Evidentemente, qualquer resposta agora seria precipitada. Este ano ficará para sempre marcado como um período atípico de nossa história, e seria inoportuno cravar qualquer avaliação baseado no que vimos durante a pandemia. Ainda assim, o que é possível dizer, desde já, é que, apesar do avanço dos meios eletrônicos de pagamento, a circulação de moedas e notas segue sendo um importante fator a ser considerado na economia global.

De acordo com números do Banco Central, por exemplo, o Brasil tem atualmente mais de 320 bilhões de reais em circulação. Isso representa quase 30% a mais do que tínhamos no início de 2020 e marca a maior quantidade de papel moeda em uso no País desde que os dados sobre este tema começaram a ser registrados em 2001.

Podemos explicar esse movimento de diversas formas. Entre os pontos a serem destacados, no entanto, é preciso salientar três fatos: o avanço no número de negócios informais com pagamentos em espécie; o aumento no número de pessoas estocando dinheiro em casa; e, claro, o alto impacto provocado pelo pagamento do auxílio digital pelo Governo Federal.

Ao todo, mais de 60 milhões de pessoas puderam receber o benefício – e grande parte desse contingente teve de sacar as quantias diretamente em dinheiro. Ainda nesse quesito, vale considerar que, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 70% dos beneficiários do Bolsa Família e dos que receberam o auxílio de emergência não possuem conta bancária, e sacam esses recursos em espécie.

Por outro lado, ainda que nossa realidade seja bastante específica, é preciso deixar claro, por outro lado, que esse cenário não é exclusividade do Brasil. Estudos do braço econômico da ONU mostram que em outras regiões do planeta, como a Europa e América do Norte, também foi visto o aumento no número de saques e o maior uso de dinheiro físico. Hoje, estima-se que a movimentação de dinheiro físico represente, hoje, 11% do PIB dos Estados Unidos – contra menos de 6% registrados em fevereiro desse ano. Ou seja, o mundo inteiro está vendo um aumento gradual no uso de cédulas e moedas, sacando mais dinheiro nos caixas eletrônicos – ou estocando em casa.

Seja como for, o fato é que o papel moeda ainda tem uma importante função na economia atual, sobretudo entre aqueles que não possuem contas em bancos ou acesso à digitalização real. Aqui no Brasil, relatórios da FEBRABAN apontavam que um enorme contingente de pessoas ainda não possui contas bancárias e se valem quase que exclusivamente às operações locais, em dinheiro.

Não é preciso problematizar demais a questão para supor que esses consumidores que estão fora do mercado formal e da bancarização ainda seguem distantes das inovações trazidas por soluções como o PIX, entre outras. Para eles, o dinheiro físico é a principal -senão única – forma de realizar suas compras e pagamentos. Eles aplicam suas receitas em pequenos negócios que, por sua vez, também realimentam os caixas e ATMs da rede bancária de todo o País.

Por isso, é preciso prestar atenção a este cenário – que aparentemente ficou invisível aos olhos de quem imaginava o fim das moedas já no futuro em curto prazo. Apesar de não sabermos se a sobrevida do dinheiro físico foi um fato pontual gerado somente pela pandemia, é interessante notarmos que muita gente ainda depende do velho e tradicional modelo de compra e venda com papel.

E isso também serve para ressaltar a importância e o valor da manutenção da rede de caixas eletrônicos durante as ações de restrição de mobilidade. Hoje, é possível perceber que o mundo não parou, muito porque serviços como a gestão de ATMs permaneceu firme, abastecendo e suprindo as demandas da população – necessidades essas que continuarão em evidência nos próximos meses e anos, até que a crise aberta pela disseminação de COVID-19 seja apenas como uma oportunidade para vencer novos desafios.

Santos Brasil adquire carregadores para carros elétricos para o TEV

Os carros elétricos ainda são raridade no Brasil, mas são uma tendência no mercado devido, principalmente, ao seu menor impacto no meio ambiente. A Santos Brasil, referência em movimentação portuária e logística, já deu o primeiro passo para que seu Terminal de Veículos (TEV) esteja pronto para receber cada vez mais automóveis desse tipo.

Signatária do Pacto Global, iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), que mobiliza empresas para o avanço relacionado ao desenvolvimento sustentável, a Santos Brasil equipou o TEV com dois carregadores para carros elétricos: um fixo instalado em um totem e outro móvel, que será acoplado a um veículo da Companhia para carregar automóveis que percam carga no momento do desembarque dos navios, evitando a necessidade de reboque. Com isso, o TEV passa a ser o único terminal de veículos do país a dispor deste tipo de equipamento.

De acordo com Wagner Toffoli, diretor Comercial de Operações Logísticas da Santos Brasil, a sustentabilidade faz parte da agenda da Companhia e nada mais lógico do preparar o terminal para receber com qualidade cada vez mais veículos elétricos, que não emitem gases prejudiciais ao meio ambiente ou à saúde. “Estamos prontos para aumentar o número de equipamentos caso a demanda das montadoras cresça”, diz.

Danilo Ramos, diretor Comercial de Operações Portuárias da Companhia, complementa: “esse investimento permitirá que as empresas de navegação, que operam atualmente na costa Leste da América do Sul, planejem e concentrem suas operações logísticas de transbordo de veículos elétricos no TEV a partir de agora”.

O relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), estima que o número de veículos elétricos em uso em todo o planeta deve chegar a 10 milhões neste ano. A expectativa é de que a marca de 2,1 milhões de veículos elétricos vendidos em 2019 seja superada e que o segmento chegue a representar 3% do total do setor.

O TEV é o maior terminal de veículos do Brasil, com capacidade operacional para 300.000 carros por ano. Adota elevados padrões internacionais de eficiência e segurança na operação e armazenagem dos veículos. É fruto de um projeto focado exclusivamente na movimentação de automóveis e, por isso, apresenta a melhor produtividade do mercado, com absoluto respeito a todas as diretrizes de qualidade e segurança determinadas pelas próprias montadoras.

TI Industrial é o foco da nova solução de monitoração da Paessler

A partir de agora, a plataforma de monitoração PRTG Network Monitor, da Paessler, passa a suportar plenamente os padrões de comunicação de ambientes de TI Industrial. Isso permite ao PRTG monitorar dados do chão de fábrica usando sensores nativos para OPC UA, MQTT e Modbus TCP. O resultado é uma abordagem holística à monitoração da TI industrial, permitindo a visualização simultânea de dados gerados em ambientes OT (Operational Technology) e TI.

“O PRTG gerencia de forma integrada ambientes TI e OT”, ressalta Markus Mediger, Gerente de Produtos para IoT e Indústria da Paessler. Isso facilita a verificação do status geral de CLPs, CPIs e outros controladores presentes no chão de fábrica. Ao oferecer a capacidade de coletar dados dos protocolos mais utilizados por vários fornecedores, como OPC UA, MQTT e Modbus TCP, a Paessler acelera a integração entre os mundos de TI e TI Industrial. “Isso traz enormes possibilidades para as empresas que buscam uma abordagem holística de monitoração de todos os ambientes digitais”, resume Mediger.

As inovações da solução de monitoração OT/IT da Paessler incluem:

  • Capacidade de monitorar dispositivos Modbus TCP no chão de fábrica, sem necessidade de conversores de protocolos
  • Suporte ao padrão de interoperabilidade industrial OPC UA
  • Capacidade de monitorar o status do Soffico Orchestra
  • Implementação do protocolo de mensageria MQTT (incluindo a capacidade de monitorar MQTT Broker e MQTT Statistics, e de enviar notificações baseadas em MQTT). Isso leva recursos de comunicação máquina-a-máquina a espaços de IoT e de TI industrial.

Paessler amplia ecossistema de parceiros e colaboração com órgãos do setor industrial

A Paessler estabeleceu alianças com importantes players do espaço de TI industrial – caso da INSYS icom, fabricante de gateways para máquinas inteligentes, e da Soffico, fornecedora do motor de integração Orchestra.  A meta é facilitar a comunicação entre ambientes OT e IT da empresa como um todo. Em busca de estender ainda mais esse ecossistema, a Paessler está buscando novos parceiros para ampliar a capacidade de sua solução de monitoração geral.

A Paessler uniu-se à OPC Foundation, um consórcio industrial que cria e mantém padrões para conectividade aberta de dispositivos e sistemas de automação industrial. Ao fazer parte desta comunidade, a Paessler está na vanguarda da implementação dos padrões mais recentes em TI industrial, fornecendo às empresas usuárias as mais recentes visualizações de dados para OT e TI.

Para Helmut Binger, CEO da Paessler, o fato de a Paessler contar com uma robusta base de clientes em monitoração de TI explica a expansão das capacidades do PRTG para o mundo da TI industrial. “A implementação dessas novas capacidades do PRTG, impulsionadas pelo mercado e feitas sob medida para ambientes industriais, marca o início de nossa jornada para criar uma oferta mais abrangente para atender às crescentes necessidades de monitoração de nossos clientes.”

Para consolidar ainda mais esse movimento, a Paessler contratou Marcus Kraus, profissional com mais de 20 anos de experiência como diretor comercial e administrativo no setor industrial. Kraus é o novo Gerente de Desenvolvimento Corporativo e Estratégia da Paessler. Seu papel é ampliar a rede de parcerias estratégicas no campo de TI industrial.

Formação de preço: cinco dicas para uma negociação assertiva

Quais são os influenciadores da margem de lucro na advocacia? Em que momento cobrar mais ou menos, quais os potenciais de determinado contrato e quanto tempo o advogado gastará pelo serviço ofertado? Precificar um trabalho e repassá-lo ao cliente de forma assertiva não é uma tarefa tão simples, por isso, a contadora e especialista em Controladoria e Finanças, que é pioneira da metodologia de Formação de Preços na Advocacia, Beatriz Machnick, traz algumas dicas e estratégias aos escritórios de advocacia.

Para Beatriz, antes de qualquer metodologia, no momento de fechar um contrato e repassar o preço ao cliente, o advogado precisa lembrar que a negociação não deve começar por valores. A especialista elenca cinco pontos que também podem ser aplicados por outros profissionais:

– Relacionamento: negociar é se relacionar com o cliente, seja na advocacia ou em outras áreas. Tenha empatia pela pessoa que adquire o seu serviço ou produto, pois se ela não encontrar isso em você, certamente vai procurar outro profissional que atenda suas necessidades.

– Conexão e diferenciais competitivos: pessoas se conectam com pessoas, foque na entrega de qualidade, nos diferenciais do seu trabalho e do negócio. Comece a listar esses diferenciais, trabalhe todos os pontos fortes e os transmita ao cliente de forma leve.

– Atenção às necessidades do cliente: as pessoas pagam um valor maior por serviços que valorizam mais. Se o fator determinante for o preço, elas escolherão o menor. Já no caso daqueles que priorizam a rapidez, a preferência será por um profissional rápido e prático. Para quem busca um diferencial, a escolha será pagar pela exclusividade. No entanto, para aqueles que almejam qualidade, tenha certeza que pagarão o preço.

– Seja um solucionador de problemas: entenda a real percepção do consumidor em relação ao preço que você passa para ele. A partir do momento que a pessoa te vê como um investimento, ela fecha o contrato.

– Busque ajuda especializada: por meio de uma consultoria, é possível ter a validação da rentabilidade dos contratos atuais. É muito importante que o escritório ou empresa faça uma análise criteriosa antes de formar um novo preço, e também saiba do lucro que tem nos contratos atuais. Assim, é possível formar uma nova tabela de preços, de acordo com as particularidades e diferenciais existentes.

De acordo com a pioneira da metodologia de Formação de Preços na Advocacia, esses fatores geram valor e agregam no momento da precificação, que deve ser justa para ambas as partes. “Além disso, faça com que o seu cliente tenha uma boa experiência, se ele gostou de você o preço é negociável”, finaliza Beatriz.

IdeiaGov cria o Diálogos.Gov, espaço de conversas sobre inovação em e para governo

IdeiaGov , Hub de Inovação que traz soluções de mercado e da sociedade para desafios do Governo do Estado de São Paulo, cria o Diálogos.Gov, evento mensal que tem o objetivo de fomentar conversas abertas com a sociedade sobre a inovação em e para o governo.

Primeira edição

A primeira edição do Diálogos.Gov acontece no dia 26 de novembro, às 11h, tem como tema “O papel das pessoas para inovar no governo” e contará com a participação de Virgínia Bracarense e João Arthur Reis, gestores públicos que estão fazendo a diferença na resolução de problemas na administração pública de forma inovadora.

Virgínia Bracarense é especialista em Direito Público pelo Instituto de Educação Continuada da PUC-MG (2015), bacharel em Direito pela UFMG (2007) e bacharel em Administração Pública pela Escola de Governo da Fundação João Pinheiro do Estado de Minas Gerais (2005). Em 2019, foi a vencedora do Prêmio Espírito Público 2019 na categoria Gente, Gestão e Finanças Públicas.

Servidora pública desde 2006, Virgínia iniciou sua trajetória na Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais na área central de logística, atuando em diretrizes, projetos e sistema relacionados à temática. Atualmente, trabalha para a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, atuando no projeto de desenvolvimento e implantação do Centro de Compras Compartilhadas do Estado e é professora na Escola de Governo Paulo Neves de Carvalho, da Fundação João Pinheiro.

João Arthur Reis é graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-graduado em Liderança e Gestão Pública pelo Centro de Liderança Pública, com módulo de Implementação em Governo pela Blavatnik School of Government da Universidade de Oxford.

Hoje em dia é Diretor na Coordenadoria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. Anteriormente, trabalhou com empreendedorismo inovador e cooperação internacional na Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) por meio do Programa de Trainee em Gestão Pública do Vetor Brasil, organização que aloca jovens profissionais em governos municipais e estaduais de todo o país

A mediação do Diálogos.Gov fica por conta de Felipe Massami Maruyama, pesquisador com conhecimento e prática em governos e em órgãos do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, e diretor de inovação em governo do Impact Hub à frente do IdeiaGov.

“Quando falamos de inovação em governo ainda temos o costume de lembrar apenas do papel das novas tecnologias. O que não podemos esquecer é que a tecnologia é apenas um meio para que possamos responder a problemas de interesse público. Há um ingrediente ainda mais essencial para que a inovação em governo seja sistemática e sustentável: servidoras e servidores públicos. Estes profissionais têm o papel de fazer com que novas soluções sejam planejadas, testadas e implementadas, além de sedimentarem processos contínuos e ambientes institucionais permissivos para inovação. Dialogarmos sobre inovação em governo implica em, necessariamente, debatermos sobre o papel dos milhões de servidoras e servidores públicos”, explica Felipe.

O evento será online e a participação é gratuita. Para se inscrever, basta acessar https://bit.ly/38zlnDg.

Diálogos.Gov

Data: 26/11/2020

Horário: 11h

Tema: “O papel das pessoas para inovar no governo”

Link de Inscrição: https://bit.ly/38zlnDg

Fusões e aquisições têm alta no 3º trimestre, aponta KPMG

Segundo levantamento realizado pela KPMG, o número de fusões e aquisições de empresas no Brasil, realizadas entre julho e setembro deste ano, cresceu em 53% comparado com o segundo trimestre, um salto de 228 transações para 348, a melhor parcial deste ano. Se comparada com os primeiros três meses de 2020, também existe um aumento de 22%, quando ocorreram 286 operações. No acumulado deste ano foram realizadas 862 fusões e aquisições, uma leve queda de 1,9% comparado com o mesmo período de 2019, quando foram registradas 879 negociações.

No comparativo do terceiro trimestre de ano com o mesmo período do ano passado, a pesquisa mostra um leve aumento de 4%, quando aconteceram 348 e 336 operações respectivamente; confrontando com o mesmo período de 2017 houve um crescimento de 75% (199 transações), e de 2018 com aumento 32% (263 operações).

“Apesar do impacto da pandemia nos negócios, o número de transações realizadas surpreendeu e registrou um aumento. Os indicadores são fortemente suportados pelos setores de empresas de internet e tecnologia da informação que anteciparam uma série de movimentos que deveriam ser realizados em um prazo mais longo e que devido à transformação digitais imposta pela pandemia foram fortemente disputados por investidores estratégicos e fundos de venture capital.”, explica o sócio-líder de fusões e aquisições da KPMG no Brasil, Luis Motta.

O levantamento mostrou ainda que o terceiro trimestre (348) deste ano foi o segundo melhor desde quando a pesquisa KPMG foi iniciada em 1999. Esse período ficou atrás apenas do quarto trimestre do ano passado, quando ocorreu o recorde de transações com 352 negócios concretizados.

Empresas de internet lideram o ranking:

O levantamento também aponta como cada setor da indústria brasileira se comportou no terceiro trimestre. Em destaque, aparecem as empresas de internet com 116 operações no período. Em seguida, estão os segmentos de tecnologia da informação com 57 transações, instituições financeiras com 25 negociações, companhias de energia com 19 operações e serviços para empresas com 16 transações.

Com relação aos tipos de operações realizadas no terceiro trimestre, do total de 348, o número de transações domésticas foi de 239, CB1 foram 86; CB2 somaram 16; CB3 e CB4 concretizaram três negociações cada; e uma transação de CB5

Legendas:
Transações Domésticas: entre empresas de capital brasileiro.
CB1: Empresa de capital majoritário estrangeiro adquirindo, de brasileiros, capital de empresa estabelecida no Brasil.
CB2: Empresa de capital majoritário brasileiro adquirindo, de estrangeiros, capital de empresa estabelecida no exterior.
CB3: Empresa de capital majoritário brasileiro adquirindo, de estrangeiros, capital de empresa estabelecida no Brasil.
CB4: Empresa de capital majoritário estrangeiro adquirindo, de estrangeiros, capital de empresa estabelecida no Brasil.
CB5: Empresa de capital majoritário estrangeiro adquirindo, de brasileiros, capital de empresa estabelecida no exterior.

O impacto da Inteligência Artificial no processo de inovação das empresas

Por Evandro Abreu 

De acordo com pesquisa do Gartner, realizada em setembro de 2020, com cerca de 200 profissionais de negócios e de tecnologia, 24% das organizações aumentaram seus investimentos em aplicações relacionadas à Inteligência Artificial (IA), e 42% das empresas mantiveram seus projetos inalterados, mesmo depois da pandemia originada pelo COVID-19. O estudo destaca ainda que as áreas com maior concentração são relacionadas à experiência e retenção de clientes, que incluem novas formas de crescimento de receitas e de otimização de custos. Neste cenário, a grande questão é: qual é o verdadeiro impacto da inteligência artificial nas empresas durante a pandemia? 

É fato que a tecnologia potencializa a capacidade racional do ser humano de simular situações e resolver problemas práticos. Quando falamos sobre inteligência artificial, muitos ainda pensam em robôs substituindo o ser humano em uma determinada atividade, o que não é verdade, já que sua importância vai além da automação. A inteligência artificial permite que sistemas simulem uma inteligência similar à humana, ultrapassando a programação de ordens específicas para a efetiva tomada de decisão de forma autônoma, precisa e apoiada em dados digitais. Hoje, a IA está mais relacionada à produtos que já fazem parte do nosso cotidiano do que vendida como algo individual. Portanto, esta tecnologia está em todos os lugares e presente mais do que nunca na indústria, nas redes sociais, nos dispositivos móveis e buscadores de internet. 

Com a pandemia, muitas empresas depararam-se com a necessidade de digitalizar seus processos para sobreviver. Aquelas que não estavam adequadas às novas demandas, correram atrás do prejuízo e investiram em novas tecnologias. No entanto, muito antes da pandemia, o mercado já enxergava a inteligência artificial como um pilar fundamental para os negócios, por conta do volume de informação disponível e impossível de ser processada por qualquer humano: são toneladas de dados e a serem analisados, e isso só é possível com máquinas especializadas. Do corretor ortográfico às análises da bolsa de valores, os recursos de inteligência artificial precisam fazer parte da rotina das empresas que querem se destacar frente a concorrência. 

Afinal, onde se aplica a inteligência artificial?

Uma das aplicações mais perceptíveis da IA está relacionada ao atendimento ao cliente, principalmente neste momento de isolamento social. O surgimento dos chatbots permitiu a resolução de problemas de modo fácil e descomplicado, aumentando a satisfação dos clientes e promovendo maior agilidade e facilidade na comunicação, agora à distância. Entretanto, empresas mais maduras tecnologicamente optam por oferecer uma solução mais personalizada do que o chatbot, como um assistente de voz que reproduz perfeitamente a linguagem humana. Além de ser uma solução omnichannel, a implantação é praticamente plug and play (tecnologia ligar e usar).   

A inteligência artificial também está nas lojas virtuais quando oferece recomendações personalizadas de produtos para clientes de acordo com suas pesquisas e seus hábitos de consumo. Além disso, o mercado já oferece tecnologias especializadas na gestão do estoque e layout dos sites. Existem até mesmo recursos capazes de negociar variações de preço com os clientes direto do site. Encontramos também sistemas que utilizam a IA como recurso de automação e análise, atuando de maneira objetiva e precisa na avaliação de crédito automático de consumidores ou até em diagnósticos de exames clínicos. As aplicações da inteligência artificial são inúmeras. No segmento bancário, por exemplo, esta tecnologia permitiu que vários bancos digitais passassem a ser completamente virtuais e de fácil acesso.

Segundo dados da consultoria Allied Market Research, o setor de reconhecimento facial está em rápida evolução e deve crescer cerca de 21,3% ao ano, movimentando US$ 9,6 bilhões em 2022. Nesse sentido, um modelo de inteligência artificial muito utilizado em empresas aéreas é a biometria facial, que captura mais de mil pontos da face humana e permite a identificação e criação de um “CPF facial” de cada pessoa, facilitando assim o embarque de passageiros e acabando com a necessidade de apresentar o cartão de embarque impresso ou na tela do celular para entrar na aeronave. 

Inteligência artificial é o caminho para a inovação nas empresas

Muitos especialistas acreditam que estamos entrando na quarta revolução industrial, caracterizada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Nesse contexto, a inteligência artificial tem papel protagonista nesta próxima onda de inovação, trazendo grandes mudanças na maneira como pessoas e empresas se relacionam com tecnologia. Segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers (PWC), os investimentos estimados nessas tecnologias atingirão US $ 70 bilhões, ainda em 2020.

A inteligência artificial tornou-se possível por meio da união de big data, computação em nuvem e bons modelos de dados. Sem dúvida alguma, essa tecnologia nunca foi tão real quanto presenciamos hoje. A inteligência artificial combinada com a capacidade humana, pode impulsionar pessoas e empresas a fazerem coisas incríveis. Desta forma, é importante salientar que, no mundo dos negócios, se você não está sendo disruptivo em seu setor, certamente alguém está. E a IA pode ser a maior parceira para contribuir com a transformação digital que as empresas tanto almejam, especialmente neste momento delicado que o mundo enfrenta.  

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LGPD e a ascensão do uso da nuvem

Por Leonardo Barros

Uma das obrigações previstas pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) é que dados pessoais sejam armazenados apenas em território nacional. Em contrapartida, hoje, os grandes players de armazenamento em nuvem são estrangeiros. Diante deste cenário, é previsto que a exigência da nova Lei faça o Brasil crescer em número de operações de data centers. Neste ponto, muitas empresas estão em dúvida em relação à adoção de uma estrutura própria ou terceirizada.

Analisando o primeiro ponto, manter um data center interno envolve um custo alto, sem contar o investimento com a aquisição de uma infraestrutura composta por alimentação de energia, hardwares, ar condicionados de precisão, nobreaks, geradores, entre outros equipamentos. Já para ter segurança, que é o que evitará ataques cibernéticos, será necessário investir, entre outras coisas, em redundância, ou seja, toda a infraestrutura será em dobro.

Mesmo com todo este investimento, uma infraestrutura própria não consegue atingir o padrão dos data centers certificados, que oferecem mais camadas de segurança e, por isso, se tornam seguros e disponíveis. Além de ser mais confiável e menos oneroso, terceirizar o trabalho de manutenção da segurança das informações significa manter o foco na atividade principal da empresa.

Ao hospedar os dados em uma cloud terceirizada, as empresas têm mais vantagens em estarem em compliance com a LGPD, bem como com a saúde financeira do negócio. Uma pesquisa da Global Data Protection Inde revelou que, em 2018, 72% das companhias brasileiras tiveram problemas com perda ou indisponibilidade de dados. 

Isso significa que essas companhias vazaram os dados de clientes, o que no cenário atual, seria uma infração à Lei, já que a LGPD alerta para a responsabilidade de guarda dos dados pessoais. E, no quesito indisponibilidade, a latência dos servidores, que é quanto tempo os dados demoram para ser entregues na nuvem, pode ocasionar a falta de acesso aos sistemas, o que vai gerar uma lentidão na execução de tarefas, prejudicando a saúde financeira da empresa.

Terceirizar a administração do ambiente de TI, a guarda e a manutenção de informações com um fornecedor especializado envolve muito mais do que estar em conformidade com a LGPD. Estamos falando de redução de custos, segurança e disponibilidade no acesso e armazenagem das informações, além da garantia de foco no negócio.

Leonardo Barros, diretor executivo da Reposit

Innovathon: Leroy Merlin e Danone propõe desafio entre startups

O princípio ‘Circular’ motivou a parceria entre duas empresas altamente representativas em seus segmentos, Danone e Leroy Merlin (indústria de alimentos e varejo de materiais da construção) se unem de forma inédita para o bem comum, com visão estratégica de consumo consciente associado a reutilização de resíduos da cadeia de produção de ambas.

Assim surgiu a ideia do desafio Inovadoria – Parcerias que fazem as ideias circularem. A conversa entre os times de sustentabilidade e inovação das empresas fluiu com a motivação de contribuir para um mundo mais consciente no que diz respeito ao consumo e utilizando para isso os conceitos de economia circular. O projeto objetiva dar uma segunda vida à determinados tipos de plástico comumente usados em embalagens, buscando mitigar o impacto desses componentes no meio ambiente. A circularidade propõe uma mudança em toda a maneira de consumir, do design dos produtos até a relação com as matérias-primas e resíduos .

As duas marcas, juntamente com a WaM (Worth a Million), empresa aceleradora de inovação corporativa, selecionaram 10 startups para esse desafio, as escolhidas para próxima fase foram: Boomera, Ecoplanplas, Triciclo, Instituto Muda, Minha Coleta, Trashin, Residuall, Yougreen, Greening Hub e MadTech.

Formato do hackathon

Serão 4 etapas – webinar, apresentação dos pitches das startups, escolha das finalistas e desenvolvimento do produto. O desafio para as startups selecionadas será o de transformar a partir das embalagens plásticas descartas da Danone, um produto circular e sustentável que será retornado ao mercado para comercialização nas lojas Leroy Merlin Brasil.

A vencedora vai receber uma bolsa investimento de 50 mil reais. Será um Hackathon totalmente online, em que as empresas se reúnem a fim de explorar, discutir novas ideias e desenvolver projetos.

“O Cross Industry Innovation é um passo além na inovação corporativa. Imagine que no open innovation utilizamos startups para gerar uma mudança cultural nas corporações. Isso geralmente acontece do menor para o maior. Agora imagine as mudanças significativas que a junção de grandes corporações privadas poderiam causar no país e no mundo? Esse é o grande objetivo dessa parceria com a Danone vamos juntar o open innovation e o cross industry innovation em um só desafio e estamos motivados para ver os resultados e contribuir para transformar o mundo em um lugar melhor para se viver”, revela Rodrigo Spillere – Gerente de Inovação, Leroy Merlin Brasil.

“Como empresa comprometida em promover a saúde das pessoas e do planeta, queremos contribuir para promover o conceito de economia circular, no qual produtos e materiais permaneçam em uso e na economia, assim eliminando resíduos e poluição. Acreditamos que essa parceria com a Leroy Merlin Brasil é um passo importante e fundamental para darmos um novo olhar aos materiais plásticos, podendo transformá-los em novos produtos úteis para o consumidor como itens decorativos para sua casa, por exemplo comenta Luiza Yang, gerente de sustentabilidade da Danone. “Estamos empolgados com esta colaboração e confiantes que o resultado traduzirá a ideia de que é possível consumir considerando o impacto positivo que nossas escolhas podem causar, na comunidade ao planeta”, finaliza.