Não existe protagonismo no ESG: caminho é coletivo e urgente

Não existe protagonismo no ESG: caminho é coletivo e urgente

A sigla ESG, ou sustentabilidade, sociedade e governança, não para de aparecer em manchetes no mundo todo. Ao mesmo tempo que os cidadãos compreendem melhor o tema e passam a exigir mudanças reais das empresas e do governo, o mundo corporativo começa a perceber que o movimento consciente veio para ficar e que as obrigações legais seguem em avanço.

Segundo Daniela Klaiman, um dos principais nomes brasileiros na futurologia, quando falamos em ESG nos referimos a um ecossistema no qual cada ator tem seu papel, importância e momento. Ela explica que o impacto positivo não se faz sozinho, mas coletivamente e que cada elo dessa corrente é uma peça fundamental.

“Todos os anos nós ultrapassamos o limite de uso dos recursos naturais da Terra, ou seja, usamos mais matérias-primas do que temos capacidade de recuperar. Por isso, precisamos nos unir e pensar juntos na forma como nos relacionamos com o planeta”, diz Klaiman. Segundo ela, as empresas devem liderar essa mudança de mentalidade .

Consumo consciente em disparada

Vale dizer que os brasileiros estão cada vez mais conscientes desse compromisso. A “Pesquisa Akatu 2018 – Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações” mostra que a expectativa dos consumidores é que as marcas façam mais do que a legislação exige e cuidem da sociedade como um todo. Em uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada em novembro de 2020, 98% dos entrevistados se consideram preocupados com o meio ambiente e 80% acreditam que é possível explorar de maneira inteligente os recursos da natureza, para preservá-los.

Uma das maneiras mais simples de permitir que o cidadão tenha informação acessível e rápida sobre a marca que está consumindo são os selos com atuação séria e efetiva (preferencialmente auditados), que estão impressos nas embalagens para comprovar as ações dessa marca, como o selo eu reciclo (maior certificadora de logística reversa de embalagens do país), que informa, em suas três versões, sobre a atuação da marca para garantir a reciclagem de um material equivalente ao que coloca no mercado.

Setor privado: o meio ambiente e o futuro dos negócios

Os investidores já estão atentos e, atualmente, muitos deles já tratam o comprometimento e o engajamento das marcas com a sustentabilidade como um requisito. Isso mostra que os resultados e lucros não dependem mais apenas das vendas, mas da conquista aos mercados consumidor e investidor. “Larry Flink, CEO do BlackRock, um dos maiores fundos de investimento do mundo, disse que não terá mais em seu portfólio as empresas que não estiverem comprometidas com as metas globais e a neutralização da emissão carbono até 2050 para combater as mudanças climáticas”, completa Klaiman.

Uma grande aliada no processo rumo à sustentabilidade é a tecnologia. Unir ações e inovação é a maneira mais simples de colocar em prática uma jornada ESG. “Podemos tornar o processo escalável e garantir transparência e segurança quando trazemos avanço tecnológico para viabilizar medidas em prol do meio ambiente”, explica Camila Bós Vidal, head de Marketing da eureciclo .

Por meio de um sistema que tem como base a inovação, a certificadora ajuda as empresas a entrarem nessa jornada promovendo a compensação ambiental de suas embalagens. Existe uma enorme dificuldade de realizar a logística reversa e a reciclagem dos resíduos sólidos em um país tão grande como o Brasil, porque uma embalagem comercializada no sul do país pode ser descartada, por exemplo, no norte, o que compromete a logística.

“Quando uma marca fecha parceria com a eureciclo, investe diretamente na causa e na cadeia de reciclagem como um todo. Dessa forma, conseguimos garantir duas coisas muito importantes: que uma quantidade equivalente daquele material foi efetivamente reciclada e que os operadores da região receberam uma remuneração adicional justa pelo trabalho importante que eles fazem. Portanto, o impacto positivo ocorre social e ambientalmente”, diz a head de Marketing.

Poder público: compensação ambiental e legislação

“O mecanismo de garantir a reciclagem de quantidades equivalentes do mesmo material e na mesma região, que chamamos de compensação ambiental, é uma maneira de cumprir a lei, que já instituiu como meta a reciclagem de pelo menos 22% das embalagens colocadas no mercado, com total transparência e amparo jurídico”, segundo Camila Vidal.

Muitas empresas de consumo já internalizaram a necessidade de causar impacto positivo e estão trabalhando com a eureciclo para tornar suas marcas regenerativas. Cerca de 20% dos clientes da certificadora fazem a compensação ambiental de mais embalagens do que o exigido por lei, o que mostra uma tendência no setor.

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