Pandemia acelerou a contratação de temporários no Brasil, aponta estudo da Randstad

Pandemia acelerou a contratação de temporários no Brasil, aponta estudo da Randstad

Para além da transformação digital, a pandemia acelerou outro processo dentro das empresas: a contratação de temporários. É o que afirma o estudo Flexibility @ Work*, da Randstad. Realizado há uma década, a edição deste ano mostra que a tendência ganhou força em todo o mundo. No Brasil, também é possível notar esse aumento. A Randstad apresentou crescimento de 30% de vagas neste formato, sendo a maior empregadora de trabalhadores nesse modelo de trabalho no país, fechando o ano de 2020 com 30 mil contratos.

Para Fabio Battaglia, CEO da Randstad no país, a pandemia mudou a visão das empresas sobre o trabalhador temporário. O período, que exigiu adequações rápidas para lidar com afastamentos e aumento de produção em alguns setores em que a demanda aumentou, como alimentos e bens de consumo, mostrou que a mão de obra temporária é uma solução para não perder capacidade produtiva.

“O fenômeno impulsionado pela crise, fez com que a cultura da mão de obra temporária fosse desmitificada pelas corporações. Hoje, mesmo com o aumento da vacinação no país, as empresas incorporam uma estratégia híbrida em seu pool de talentos. Os trabalhadores temporários trazem mais flexibilidade para as empresas, além de agilidade para quando é preciso atender a uma demanda excedente ou um reajuste de quadro. Há ainda a possibilidade de efetivação. Só no ano passado, 20% entraram para o quadro fixo das empresas”, comenta o executivo.

Dados de julho da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem), acenam para um segundo semestre positivo para a abertura de vagas de trabalhos temporários. O mês fechou com mais de 185 mil contratos, e superou o mês de junho, que teve 157 mil contratações. No mesmo período do ano passado, foram registradas 146 mil, o que também indica aumento na oferta de empregos desse tipo no país.

Trabalho temporário como parte do projeto de carreira

Para Lygia Zaia Morato, assistente de recursos humanos da Mosaic Fertilizantes, maior produtora de fosfatados e potássio combinados do mundo, o trabalho temporário era visto como parte de um projeto de carreira. Em outubro de 2020, a profissional entrou na empresa como temporária e encarou a proposta como uma oportunidade de se desenvolver profissionalmente em uma grande empresa. “Sabia que tinha nove meses para ganhar bastante experiência. Tirei o máximo de aprendizado deste período, pois sabia que seriam úteis para a minha carreira. Fazer parte de uma grande corporação é importante para o meu currículo e crescimento. Eu sabia da possibilidade de efetivação, mas não era nisso que me apegava. Queria aprender para me tornar uma profissional melhor”, finaliza.

Lygia, que trabalha no recrutamento e seleção de pessoas na Mosaic Fertilizantes, comenta também o que costuma avaliar quando procura por um talento: “Quando avaliamos um currículo, não analisamos se a pessoa foi temporária ou efetiva, mas qual a sua experiência, o que ela aprendeu em determinado cargo e sua capacidade de entrega para a posição que deverá ser ocupada. Logo, se tenho algo a dizer às pessoas que estão à procura de trabalho, é que encarem a vaga temporária como uma oportunidade de se recolocar e ganhar experiência. É preciso desenhar um projeto para onde se quer ir, e galgar experiência como parte de uma etapa de seu projeto profissional”, finaliza.

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