Análise prevê que vendas no varejo brasileiro podem crescer 3,8% em 2022

Análise prevê que vendas no varejo brasileiro podem crescer 3,8% em 2022

Lojistas brasileiros estão investindo fortemente na recuperação da demanda e intensificação da competição do setor varejista. O boom das compras online trazido pela pandemia COVID-19 veio para ficar, levando varejistas a ajustar operações e investir em novas tecnologias.

No entanto, é muito prematuro declarar o fim das lojas físicas, isso porque elas continuaram sendo abertas no Brasil no segundo trimestre 2021.  A análise é da EMIS, do Grupo ISI Emerging Markets, que fornece dados de empresas, setores e países nos mercados emergentes.

Segundo o relatório, apesar dos varejistas brasileiros estarem investindo fortemente em e-commerce, isso não significa que as lojas não são mais relevantes. Pelo contrário, há uma integração crescente entre o físico e o online como parte da estratégia omnicanal dos varejistas. O principal objetivo é melhorar o engajamento dos clientes usando lojas físicas para apoiar as vendas online. Ao mesmo tempo, ele promove o modelo de e-commerce click-and-collect como uma forma de aumentar a presença do cliente e expandir a rede de lojas.

O Research Economist para o Brasil da EMIS, Adriano Morais, lembra que o varejista brasileiro Magazine Luiza é um bom exemplo dessa tendência. “Em julho 2021, entrou no mercado do estado do Rio de Janeiro, com a inauguração de 23 lojas, desta forma complementando sua presença online. Com a mudança, a empresa pretende fornecer um sistema integrado oferta de produtos aos clientes, incluindo lojas físicas, plataforma de e-commerce própria, mercado online e aplicativo móvel, e, ao mesmo tempo, para fortalecer parcerias com fornecedores e logística prestadores de serviços”, explica.

Crescimento do setor

A previsão de base para o setor de bens de consumo e varejo do Brasil é positiva. A EMIS prevê que as vendas no varejo no país devem crescer 3,6% ano a ano em 2021 e mais 3,8% ano a ano em 2022, em volume.

“Na versão ampliada, as vendas no varejo são projetadas para aumentar a uma taxa ainda mais rápida graças a uma recuperação da demanda por veículos automotores”, explica Morais.

O economista acredita que o desempenho setorial será sustentado pelo aumento da atividade econômica (o PIB do país deve crescer 4,9% em 2021, de acordo com o Previsões consensuais da FocusEconomics de agosto de 2021).

A principal contribuição positiva, no entanto, deverá vir de uma aceleração da campanha de vacinação, que continuaria impulsionando a mobilidade social e a demanda interna. Em termos de segmentos, a EMIS projeta que as vendas de veículos automotores, motocicletas e autopeças; construção materiais; e móveis e eletrodomésticos devem registrar as maiores taxas de crescimento em 2021 e 2022, refletindo forte demanda reprimida e maior confiança do consumidor.

“Em termos de valor, as vendas no varejo deverão crescer em ritmo mais acelerado, principalmente devido à continuidade das pressões inflacionárias. No entanto, a inflação deve retornar ao intervalo da meta do Banco Central de 2% a 5% em 2022, como resultado da o aperto da política monetária iniciado em março de 2021”, prevê o economista.

Principais riscos

De acordo com o relatório, existem três riscos principais para o rebaixamento da previsão de base para 2021-2022. Em primeiro lugar, uma inflação acima do previsto, que reduziria o poder de compra das famílias brasileiras e, subsequentemente, pressionaria a atividade para baixo. Em segundo lugar, um mais nítido, a desvalorização do real frente ao dólar norte-americano, tornando os bens importados mais caros para as famílias, reduzindo assim as vendas. Por fim, uma recuperação retardada da atividade econômica causada, por sua vez, por novos surtos locais de infecções por COVID-19 e uma política monetária mais restritiva do Banco Central visando domar a inflação.

“Neste cenário pessimista, projetamos que as vendas do varejo no Brasil crescerão marginalmente 0,4% ano a ano em termos de volume em 2021. O principal fator de crescimento será o aumento da demanda por bens essenciais – principalmente alimentos e bebidas”, afirma Morais.

Por outro lado, o cenário otimista implica a contenção da pandemia da COVID-19 no segundo semestre de 2021, que se traduziria em uma recuperação econômica mais rápida do que o esperado, a valorização da moeda nacional em relação ao dólar americano e uma moderação da inflação. Em um cenário tão favorável, a EMIS Insights prevê que as vendas de varejo no país expandam para 7,2% ano a ano em 2021 e 5,8% ano a ano em 2022.

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