Volume de investimento anjo em startups recua 20% com pandemia, mas expectativa para 2021 é de crescimento

Volume de investimento anjo em startups recua 20% com pandemia, mas expectativa para 2021 é de crescimento

Com a pandemia, o volume de investimento anjo retrocedeu 20% em 2020 em comparação ao ano anterior (2019), voltando aos níveis de 2016. No ano passado foram aportados R$856 milhões pelos investidores anjos brasileiros. O número de investidores apresentou uma diminuição menor, de 15%, e hoje, são 6.956 investidores anjo no Brasil. Os dados fazem parte da pesquisa realizada pela Anjos do Brasil (www.anjosdobrasil.net), organização sem fins lucrativos que fomenta o investimento anjo e apoia o empreendedorismo inovador no país.   

O investimento anjo é efetuado tanto por investidores proativos, que procuram startups para investir participando de grupos de investidores anjo organizados, quanto por investidores passivos, que são procurados por empreendedores e investem oportunisticamente. A análise segmentada entre estes perfis de investidores revela que os investidores proativos apresentaram crescimento no volume de investimento aplicado. Por outro lado, os investidores passivos tiveram uma grande redução, que não foi compensada no resultado final. Isto ressalta a importância de ações de estímulo para tornar os investidores passivos em ativos. 

A pesquisa também levantou a perspectiva dos investidores para 2021 que esperam ter um aumento de 15%, embora positiva e de recuperação, a expectativa é ainda insuficiente para a demanda das startups. 

Cassio Spina, presidente e fundador da Anjos do Brasil comenta: “Apesar da perspectiva de recuperação para 2021, infelizmente o volume é insuficiente para apoiar o aumento de startups que estão surgindo. O investimento em startups precisa de estímulo e apoio para crescer e atingir todo seu potencial, estimamos que seja de R$ 12 bilhões ao ano. Considerando que o Marco Legal das Startups não trouxe os avanços necessários, é fundamental que o Congresso retome a matéria e possibilite a equiparação de tratamento tributário entre o investimento em startups e investimentos incentivados; no curto prazo esperamos que derrubem o veto ao Art. 7 que pelo menos permitia a compensação de perdas com ganhos” 

Conforme explica o executivo, hoje, o volume de investimento no Brasil é apenas 0,7% do que é investido em startups nos Estados Unidos, que somam aproximadamente 25,3 bilhões de dólares anualmente. Apesar da evolução que tivemos na última década no volume de investimento anjo, ainda estamos muito aquém do que nosso potencial. Considerando a relação do PIB dos países é de cerca de 10x, o investimento anjo no Brasil deveria ser de pelo menos R$ 12 bilhões. Para que o Brasil atinja todo seu potencial é necessário a criação de políticas públicas de fomento ao investimento em startups com ocorre nos países com ecossistemas mais dinâmicos. 

Perfil dos investidores anjo brasileiros: A pesquisa inclui pela primeira vez um levantamento de raça ou cor dos respondentes que aponta que a maioria dos investidores anjo brasileiros são brancos (81%), com 14% se declarando pretos, pardos ou indígenas e 1% amarelos. Este dado, associado com a participação de apenas 14% de mulheres no universo de investidores traz um sinal de evolução lenta no ecossistema brasileiro. Maria Rita Spina Bueno, diretora executiva da Anjos do Brasil, afirma: “A diversidade é um requisito para a inovação, é fundamental que todas as pessoas se envolvam em ações para aumentar a participação dos mais diversos perfis no universo de startups e investimento. A ação individual e coletiva precisa estar no sentido de estímulo a diversidade.” 

O relatório completo da pesquisa está publicado em www.anjosdobrasil.net/blog 

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