Aumento das responsabilidades no trabalho e na vida pessoal durante a pandemia impactou desproporcionalmente as mulheres brasileiras, aponta estudo da Deloitte

Aumento das responsabilidades no trabalho e na vida pessoal durante a pandemia impactou desproporcionalmente as mulheres brasileiras, aponta estudo da Deloitte

A pesquisa Women@Work, realizada pela Deloitte, maior organização de serviços profissionais do mundo, revela que, desde o início da pandemia da Covid-19, a rotina das mulheres, mais que a dos homens, foi bastante afetada. O relatório, realizado com 5 mil respondentes de dez países, incluindo o Brasil, mostra que os níveis de satisfação e bem-estar das mulheres diminuíram no ultimo ano, e 31% dizem que sua carreira não está progredindo tão rápido quanto gostariam. Apenas 37% delas classificaram como “extremamente bom” ou “bom” seu bem-estar mental no momento; esse número era de 69% antes da pandemia. No entanto, as empresas que oferecem às mulheres o apoio necessário para lidar com esses desafios têm uma força de trabalho mais produtiva e motivada.

“A crise da Covid-19 tem mostrado como a luta das mulheres no mercado de trabalho ainda tem um caminho longo a ser percorrido. A dificuldade em cuidar dos filhos, dos afazeres domésticos e ainda assim focar na carreira, situação que já era difícil, se tornou uma questão ainda mais preocupante durante a pandemia e, sem o apoio apropriado e incentivos, infelizmente a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho ainda é algo presente. As organizações precisam focar em iniciativas para mudar esse cenário, com o objetivo de incentivar o crescimento profissional de suas funcionárias, oferecendo a flexibilização do modo de trabalho e apoio psicológico”, afirma Vênus Kennedy, líder do programa Delas da Deloitte.

Com o aumento da carga na rotina das mulheres, quase metade delas (46%) se diz menos otimista em relação às suas carreiras. Os dados apontam que, devido ao aumento das responsabilidades no trabalho e dentro de casa, 19% das brasileiras, em algum momento da pandemia, consideraram deixar completamente o mercado de trabalho. Esse era o momento em que as organizações deveriam priorizar a saúde mental dos funcionários e criar diversas iniciativas que motivassem e ajudassem as mulheres no dia a dia, mas apenas 21% relatam que seus empregadores oferecem oportunidades de trabalho flexível para todos, em comparação com 30% na amostra global. O estudo revela, ainda, que, 57% das brasileiras experimentaram comportamentos não inclusivos no ambiente de trabalho e que 17% dessas mulheres não reportaram o problema com medo de afetar negativamente sua carreira.

“A diversidade precisa estar em pauta nos projetos, contratações, mudanças e em todas as diferentes ações da empresa. Hoje em dia, trabalhar a inclusão faz toda a diferença para que os profissionais se sintam acolhidos e representados, aumentando assim a motivação e o bem-estar, com base nessa abordagem nós construímos a jornada dos Oito pilares de Inclusão além de todas as ações de Well-Being. O nosso objetivo é ir muito além da equidade de gêneros, mas também reforçar os pontos de transversalidades e assim garantir a representativa de uma forma mais ampla e real, com um forte trabalho de neutralizar os vieses. Cada vez mais entendemos que esse processo de sensibilização é contínuo e que demanda uma transformação cultural, que já está sendo percebida por nossas pessoas e mercado. Mas é ainda uma construção e devemos acelerar o ritmo e engajamento, pois somente a consistência traz os resultados que buscamos.”, destaca Angela de Castro, líder do programa All In ‘8 pilares de inclusão’ da Deloitte, programa global que tem o objetivo de acelerar a representatividade de gênero e fortalecer a cultura de inclusão e diversidade.

A pesquisa mostra que apenas 35% das mulheres dizem que suas organizações têm dado apoio suficiente desde o início da pandemia, e quase 75% revelaram que a carga de trabalho aumentou nesse último ano. Esses dois dados mostram como os níveis de dificuldade para conciliar o trabalho, a busca pelo crescimento na carreira, os afazeres domésticos e a pressão das incertezas em relação à crise da Covid-19 apenas aumentaram. Além disso, 32% responderam que têm menos probabilidade de retornar aos escritórios, quando for seguro, do que seus companheiros (a porcentagem global foi de 27%); isso revela como as oportunidades ainda são desproporcionais para homens e mulheres, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. A grande insegurança fez com que as mulheres não se desliguem do trabalho e dediquem menos tempo para elas mesmas, como reação preventiva aos potenciais impactos negativos na carreira.

De acordo com o relatório, empresas chamadas “líderes da equidade de gênero” são aquelas em que suas funcionárias se sentem confortáveis em reportar situação de comportamentos não inclusivos, amparadas por seus empregadores para equilibrar o trabalho e a vida pessoal, e acreditam que suas carreiras estão progredindo. Porém, no Brasil, foram indicadas pelas respondentes apenas 12 empresas com esse perfil, o que mostra a longa jornada que as organizações brasileiras ainda precisam trilhar para darem melhores condições e oportunidades para suas funcionárias. Questionadas sobre o tema, as respondentes brasileiras (36%) relevaram acreditar que, para elevar a equidade de gênero no ambiente de trabalho, seu empregador deve se comprometer mais em aumentar a quantidade de mulheres em níveis sênior e 31% acreditam que seus empregadores devem combater a cultura do presenteísmo, em que os funcionários são julgados pelo tempo online, e não pela qualidade de seu trabalho.

Metodologia do estudo

O estudo Women@Work foi realizado entre novembro de 2020 e março de 2021 com 5 mil mulheres de dez países para entender os impactos da pandemia da Covid-19 na vida pessoal e profissional das mulheres. Foram 1.500 respondentes do Continente Americano, incluindo 500 do Brasil, 2.000 da APAC (Ásia e países do Oceano Pacífico) e 1.500 da EMEA (Europa, Oriente Médio e África).

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