Cresce ecossistema de startups para a Indústria 4.0 no Brasil

Cresce ecossistema de startups para a Indústria 4.0 no Brasil

Empresas inovadoras dedicadas a levar a mais alta tecnologia para indústria começam a ganhar espaço no país

As startups voltadas para a Indústria 4.0 levantaram, em 2020, cinco vezes o valor captado em anos anteriores. Foram US$ 61,51 milhões investidos no ano passado, ante US$ 11,66 mi em 2019 e quase US$ 15 mi em 2018 e 2017. Os números são do Distrito Indústria 4.0 Report 2021, levantamento sobre o empreendedorismo de inovação brasileiro cujas soluções são direcionadas à indústria.


O termo Indústria 4.0 é sinônimo de inovação e tem sido usado para se referir a empresas que empregam soluções ou oferecem produtos próprios voltados para a inovação nos processos industriais, tornando possível sua digitalização. O report traz um panorama das transformações na indústria e a importância das startups para esse processo.
“Uma visão ampla e mais sistêmica da Indústria 4.0 conduz a duas perspectivas relevantes: de um lado, uma aceleração agressiva da eficiência operacional; de outro, a possibilidade real de estruturar novos modelos de negócios. O primeiro, iniciando um processo de inoculação para uma cultura digital, e ambos com impacto importante no caixa da organização, seja no curto quanto no longo prazo”, afirma o sócio-líder para o segmento de manufatura da KPMG, Luiz Sávio.


De acordo com o levantamento, há, ainda, uma grande concentração de deals nos estágios iniciais de investimento, como nos rounds Seed, tipicamente um dos primeiros que uma startup recebe. Isso ajuda a entender os valores relativamente baixos de investimento de fundos de venture capital nas startups com soluções para a indústria, posto que os valores tendem a aumentar à medida que startups avançam rumo a séries maiores de investimento -os late stages. Também indica que há uma margem para expansão dos valores nos próximos anos.


Entre as startups que receberam os maiores investimentos, lideram empresas ligadas ao agronegócio, chamando atenção para a vitalidade do setor no país e a vocação brasileira para empresas que atuam na interface entre extrativismo, indústria e tecnologias digitais. Alguns exemplos são a Solinftec, que monitora todas as etapas da produção agrícola, a Agrosmart, que oferece serviços de monitoramento de lavoura, e a GlobalYeast, que oferece técnicas de fermentação sustentável.

Enquanto o venture capital no setor ainda é tímido, o cenário é próspero para fusões e aquisições. Foram 12 de 2017 para cá, envolvendo grandes empresas globais, como a brasileira WEG e a alemã Siemens. Neste ano, houve a aquisição da startup de automação e robótica Pollux Automation pela gigante da tecnologia Accenture.
“Vivemos um momento de baixa histórica da participação industrial no PIB brasileiro. Nesse contexto, vemos o ecossistema de inovação aberta como um catalisador para a digitalização da indústria brasileira, recuperando a capacidade produtiva do país”, diz Gustavo Araújo, CEO do Distrito.


Ao todo, foram mapeadas 447 startups que atuam no setor, 27,74% delas trabalham com advanced analytics, 18,12% com internet das coisas (IoT) e 10,51% com energia. Juntas, elas empregam mais de 9.000 pessoas no país. A maior parte dessas startups foram fundadas nos últimos quatro anos – houve um crescimento exponencial desde 2013, quando começa uma aceleração no relacionamento entre indústria e startups.

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