Logtechs: startups logísticas crescem durante a pandemia

Logtechs: startups logísticas crescem durante a pandemia

Na contramão de outros setores econômicos, o mercado de tecnologia segue ‘a todo vapor’, mesmo durante a pandemia, e registra crescimento significativo. É o caso das startups nacionais, que receberam valores recordes de investimentos somente no primeiro trimestre deste ano: no total de R$ 11 bilhões – mais que o triplo dos aportes registrados no mesmo período de 2020, de R$ 3 bilhões.

As informações apontam para um aumento ainda mais considerável quando levado em conta o comparativo com o ano anterior inteiro: apenas o montante aplicado de janeiro a março de 2021 representa mais da metade dos R$ 19,9 bilhões investidos em todo o ano passado, ou seja, é 54% maior. Os números são do levantamento “Inside Venture Capital”, desenvolvido pela Distrito Dataminer, unidade de dados da plataforma de inovação aberta chamada Distritoe.

O mesmo cenário positivo se percebe quando avaliado somente o desempenho das startups logísticas, as chamadas logtechs, que também registraram uma alta expressiva no volume de negócios durante o primeiro ano de pandemia. É o caso da Pegaki, startup que conecta o e-commerce ao varejo físico para a coleta e a retirada de mercadorias. Fundada há quatro anos, a empresa vem conquistando espaço no mercado e alcançando patamares cada vez mais altos, principalmente neste momento em que o comércio eletrônico de produtos atingiu níveis nunca vistos antes e a demanda por entregas subiu meteoricamente.

É o que diz o cofundador da marca, João Cristofolini. “Durante os últimos quatro anos, aumentamos bastante nossa rede, captamos importantes investimentos e expandimos nosso portfólio de soluções – como no ano passado, em que lançamos o Drop Off Point, que permite que o cliente vá até pontos de envio mais próximos possíveis de sua casa, sem a necessidade de ir a uma agência de correios. Mas, foi em 2020 que obtivemos nossa maior alta: este foi um ano recorde para nós, em que crescemos mais de 50 vezes. Saímos, literalmente, de cerca de 20 mil entregas por mês, antes da crise sanitária, para quase 1 milhão no ano passado”, afirma.

Expansão que continuou em 2021. “No começo deste ano, anunciamos nossa fusão com a Intelipost (empresa de tecnologia logística para e-commerce), com um plano bem agressivo de crescimento, com o qual pretendemos atingir altas ainda maiores – não apenas no número de pacotes movimentados, mas também no de pontos de coleta e retirada espalhados pelo Brasil. A ideia é ir dos atuais 1.500 pontos para 20 mil ao redor do país em até três anos, tanto no serviço de Pick Up, que consiste em pontos de coleta, quanto no de Drop Off e no de Logística Reversa”, acrescenta.

Outra startup que obteve bons resultados na pandemia foi a curitibana LogComex, especializada em soluções de inteligência para o segmento de comércio exterior, que dobrou de tamanho no período. “Acompanhando o crescimento do mercado de tecnologia, muito acelerado por este momento que estamos enfrentando, tivemos até que aumentar nosso quadro de colaboradores, saindo de uma média de 60 profissionais em 2020 para cerca de 130 atualmente. Outra vantagem que obtivemos foi o fato do home office ter dado oportunidades para encontrarmos talentos, inclusive, de outros estados e regiões do Brasil”, ressalta o diretor de operações da empresa, criada em 2016, Carlos Souza.

Novos Players  Engana-se quem pensa que a atual situação do país beneficiou apenas as empresas que já estavam no mercado – espantando novos negócios. Pelo contrário, o recente cenário abriu espaço também para novos players, como a Stokki, startup especializada em armazenamento on-demand, lançada em dezembro de 2020.

De acordo com o cofundador e CEO da companhia, Edison Kweco, o negócio surgiu com uma proposta muito clara: democratizar e simplificar ao máximo possível a logística nacional. “Trazemos ao mercado diversas informações logísticas – como detalhes sobre vários players do setor, os preços mais acessíveis no momento, planos de contingência para eventuais riscos, entre muitas outras – de forma simples e direta, assim, nossos clientes conseguem focar naquilo que realmente importa: as vendas de produtos e serviços”, pontua.

E o resultado foi melhor do que o esperado. Segundo ele, a marca não apenas foi bem aceita pelo mercado, como cresceu em três meses o que levaria três anos para alcançar. “Em números práticos, já expandimos 150% ao mês somente no primeiro trimestre deste ano, além de termos triplicado nossa carteira de clientes. Agora, nosso principal objetivo é nos tornarmos a principal plataforma de contratação e gestão de serviços de armazenagem e distribuição do país, em um primeiro estágio. Depois, da América do Sul e, por fim, do mundo”, finaliza.

Ponto de Encontro – As principais empresas do segmento e os mais importantes debates a respeito do tema estarão na Intermodal South America 2021, plataforma de negócios voltada exclusivamente aos setores logístico, de transporte de cargas e comércio exterior, que está programada para ocorrer no segundo semestre deste ano, de 1 a 3 de setembro, no São Paulo Expo, na capital paulista.

Comments are closed