Liderança dinâmica: 8 tendências executivas para os próximos anos

Liderança dinâmica: 8 tendências executivas para os próximos anos

Estudo aponta novas tendências de lideranças que surgem da ideia de integrar transformações em todos os níveis dos negócios

Desde o ano passado o mercado de trabalho passou por muitas transformações. O local e o modo de execução das atividades mudaram, assim como as tecnologias utilizadas para a conexão social entre os colaboradores. As lideranças se mobilizaram para ajudar seus negócios a encontrar dinamismo e estabilidade necessários para prosperar.

Daqui para a frente o foco será construir a equipe C-suite, responsável por descobrir a natureza dos crescimentos a partir de uma noção dinâmica de estabilidade. Esta é uma das tendências do estudo “8 Executive Trends”, elaborados pela Page Executive, unidade de negócio do PageGroup especializada em recrutamento e seleção de executivos para alta direção (o chamado “C-Level”).

Agora a adaptação para a gestão virtual, baseada em empatia e flexibilidade, é cada vez mais importante para alcançar bons resultados. “Vemos que líderes que escutam e incentivam seus colaboradores a serem mais felizes tendem a ser mais produtivos e engajados. Com isso, novas habilidades emergem, assim como funções que acompanham os objetivos de negócios e a realidade de um mercado em constante mudança”, diz Ricardo Basaglia, diretor geral da Page Executive.

Confira abaixo as 8 tendências executivas apontadas pelo estudo, que devem perdurar para os próximos anos:

• O CFO é cada vez mais responsável por desenvolver a confiança nas organizações e gerar mudanças

Com a pandemia e o cenário de crise, as competências técnicas e emocionais dos CFOs (diretores financeiros) e de suas equipes foram ainda mais demandadas. Afinal, serão funções estratégicas para apoiar a retomada dos negócios em um cenário de normalidade, fazer as adaptações necessárias à digitalização e traçar caminhos para a lucratividade.

Agora o perfil mais valorizado para o cargo demanda adaptação, resiliência, desenvolvimento técnico e inteligência emocional para que consiga promover o entendimento de todas as mudanças frente aos colaboradores. Mais do que nunca, os CFOs precisam oferecer estabilidade dinâmica, flexibilidade e a capacidade de reinvenção dos negócios, sempre que necessário.

O CFO atual precisa estar aberto a ideias diversas, escutando acionistas e aprendendo com outras empresas. Por outro lado, com sua vasta experiência em relação a riscos e oportunidades, deve ser corajoso o suficiente para ir contra a maré. Com isso, as ferramentas dinâmicas de modelagem de risco e otimização de portfólio para desenvolver planos têm sido amplamente utilizadas para analisar novas maneiras de desenvolver a organização.

• A liderança virtual é orientada para resultados

As lideranças virtuais estão com foco em resultados, não mais em processos. Com isso, os executivos sêniores ficam em melhores posições para oferecer ambientes de trabalho mais confiáveis e transparentes, que mantenham a produtividade em alta e estimulem uma cultura de trabalho positiva entre os funcionários. O ambiente é essencial para exercer um gerenciamento remoto eficiente, que mantenha a equipe motivada, positiva e engajada.

Para promover a estabilidade dos times, os executivos devem se tornar fluentes em novas linguagens e estilos de comunicação e evitar estabelecer relações baseadas no controle de seus colaboradores. Canais de diálogo acolhedores e assertivos são essenciais para sobreviver e prosperar em ambientes de trabalho remoto.

• O perfil mais demandado de CTO combina novas tecnologias com estratégia organizacional

Os CTOs (diretores técnicos) ágeis foram fundamentais para agilizar a transição repentina dos novos modelos de negócios digitais e do trabalho remoto, assim como para garantir uma transição com o mínimo de impactos possível. Assim, durante este processo, houve uma evolução do papel do profissional, que agora precisa conectar a estratégia de negócios com as tendências digitais emergentes.

Líderes de tecnologia de sucesso devem incorporar o ideal da McKinsey do ‘pensador do terceiro horizonte’: gerar inovação contínua dentro do modelo de negócio atual e expandir esse modelo ao entrar em novos mercados, ao mesmo tempo em que cria novas capacidades para aproveitar as oportunidades disruptivas para crescimento.

A competência tecnológica é fundamental para o exercício do cargo, mas a habilidade de traduzir dados e jargões técnicos para uma linguagem simples e clara é muito importante para que os CTOs possam engajar stakeholders. A liderança de equipes diversas e remotas também coloca a capacidade de uma comunicação assertiva no topo da lista de competências necessárias para o pleno exercício da função, assim como a rápida tomada de decisões.

Mesmo que cada cargo tenha suas próprias prioridades, combinar um CTO com visão de negócios e um CEO familiarizado com tecnologia pode resultar em uma poderosa dupla de liderança. Os líderes nestas posições que estão de acordo têm mais possibilidade de desenvolver uma estratégia sólida de tecnologia que alinha a inovação aos objetivos do negócio.

• Níveis de diretoria veem a sustentabilidade como uma forma lucrativa de se fazer negócios

A sustentabilidade ganhou proeminência no nível da diretoria como uma forma lucrativa de fazer negócios, possibilitando às empresas ganhar fatias de mercado e, simultaneamente, trabalhar para uma mudança positiva para as pessoas e o planeta.

Com a pandemia, o foco da aceleração da sustentabilidade nas organizações ganhou amplo destaque, já que as cadeias de suprimentos e práticas de trabalho foram fortemente interrompidas. No mundo atual, os negócios sustentáveis são caminhos para estabelecer uma relação de confiança com stakeholders, funcionários, comunidade local e consumidores. Mas a sustentabilidade também é um compromisso para desenvolver planos de negócios robustos e preparados para o futuro, que não apenas sobrevivam, mas prosperem, independentemente de cenários instáveis.

As próximas gerações estão exigindo cada vez mais que as empresas demonstrem seus esforços de sustentabilidade, especialmente se são líderes no mercado. São consumidores que deixarão de interagir com instituições que não sejam compatíveis com seus valores. Por isso, grande parte das empresas está investindo em sustentabilidade porque elas não têm mais escolha, precisam se manter atualizadas.

Quando as políticas e os funcionários estão alinhados aos objetivos sustentáveis, isso não apenas ajuda no crescimento do negócio, mas também resulta em uma parceria satisfatória em que todas as partes se sentem motivadas a trabalhar por um objetivo em comum.

• O Chief Human Resouces Officer (CHRO) especializado em negócios é essencial para conectar colaboradores ao desenvolvimento da organização

Os CHROs (diretores de RH) de hoje estão na linha de frente no desenvolvimento da estratégia da empresa e na melhoria da competitividade. Em momentos de crise, é a sua agilidade que faz a diferença em manter as pessoas engajadas e comprometidas em uma cultura de confiança.

O CHRO moderno demanda um conhecimento profundo do negócio, além das competências emocionais para desenvolver relacionamentos e liderar a mudança organizacional. Eles também precisam de competências de liderança autêntica e de investimentos constantes em aprendizados que ‘humanizem’ os processos da empresa. Isto é crucial para as organizações serem competitivas em ambientes voláteis.

Os CHROs têm foco cada vez mais em pessoas e estão usando a personalização e o desenvolvimento para motivar os funcionários. As empresas que oferecem programas de atualização e qualificação aumentam o engajamento enquanto possibilitam o desenvolvimento dos talentos. Tais oportunidades de desenvolvimento estão sendo muito buscadas pelos funcionários: de acordo com uma pesquisa recente do PageGroup na Europa, 34% dos candidatos a emprego desenvolveram mais suas qualificações, 32% se atualizaram, e 31% participaram de um webinar relacionado ao seu cargo, destacando que a revolução das competências está acontecendo, com ou sem o apoio da organização onde trabalham. Dessa forma, alinhando o crescimento do negócio com o crescimento de cada funcionário, o cargo de um CHRO, hoje, é mais complexo e recompensador que nunca. As empresas estão se tornando mais humanas, promovendo a empatia e treinando seus líderes para motivar as pessoas e mantê-las comprometidas.

• O executivo deve ser empático e buscar o equilíbrio entre os objetivos de negócios e o bem-estar do candidato

A empatia é uma habilidade demandada exponencialmente no mercado de trabalho atual. Uma diretoria executiva disposta a escutar e oferecer ajuda pode criar times mais felizes, engajados, produtivos e eficientes na resolução de problemas. Além disso, uma liderança empática é chave para criar uma cultura corporativa saudável.

Cada vez mais a preocupação com os funcionários e com os resultados finais são levados em conta na formulação estratégica da empresa. Isso significa que, com funcionários trabalhando de forma remota e inseguranças, desmotivações e ansiedades vindo à tona, os líderes precisam se dedicar para conhecer e compreender as pessoas como indivíduos e considerar seus pontos fortes e fracos, checar como estão com frequência, atribuir tarefas com base em suas necessidades e objetivos e observar sinais de exaustão ou falta de envolvimento antes que atinjam um ponto crítico.

No entanto, é preciso ressaltar que há uma linha tênue entre empatia e simpatia – que pode ser vista como invasiva. Trata-se de um processo que envolve a conquista da confiança, a transparência e a escuta ativa. Manter os canais de comunicação abertos e criar um espaço seguro onde as pessoas podem ser realmente honestas é a base da liderança empática.

• O Chieff Growth Officer (CGO) está emergindo com visões integrais de crescimento de longo prazo

Conforme as empresas visam um crescimento contínuo em economias voláteis, estão encontrando valor em nomear um Chief Growth Officer (diretor de crescimento) para persistir em seus esforços de expansão. Este cargo emergente de nível executivo é uma versão expandida do CMO (diretor de marketing), e em alguns casos, pode substituir o CMO. As empresas que buscam por um bom CGO precisam procurar líderes com foco em dados, com experiência interfuncional e digital para acompanhar as tendências do mercado de trabalho.

O CGO tem o foco centrado no cliente, quebra barreiras entre departamentos e alinha equipes para estratégias futuras. Portanto, a relação estreita do CGO com o CEO e com o restante da diretoria executiva oferece benefícios e geram soluções de alto nível entre os departamentos, visando ao crescimento da organização.

• C-Levels estão mais flexíveis às mudanças de setores

A pandemia fez com que muitos executivos começassem a trabalhar fora do escritório e a reconsiderar sua trajetória de carreira. A ideia de mudar de setor era uma escolha improvável anteriormente, mas as novas circunstâncias fazem essa ideia ser mais razoável.

Em geral, os executivos estão mais flexíveis em relação às possibilidades do mercado. Muitos não pretendem esperar que ocorra uma nova crise que possa comprometer suas funções, então, o salto para um setor que seja relacionado com a indústria de alguma maneira é visto como um passo estratégico na carreira.

Contratar executivos de fora do setor para cargos de alta liderança pode ajudar a desenvolver a inovação e aprimorar a gestão de pessoas para a cultura da empresa. Por conta das experiências e perfis diversos, os novos líderes também podem contribuir com a diversidade de pensamento e ao estímulo à inovação.

Para que as transições de carreira no nível executivo tenham sucesso, os profissionais devem compreender totalmente sua trajetória profissional. Agora, estão em uma posição de encontrar uma empresa que se alinhe totalmente a quem eles são, portanto, o autoconhecimento é fundamental. As chaves para o sucesso em uma transição desafiadora continuam sendo a paciência e o esforço persistente.

A notícia motivadora para os executivos de alto nível é que a demanda por seus cargos é alta e espera-se que continue aumentando conforme o mundo avança para o futuro. O engajamento na busca por profissionais normalmente dispara durante os tempos de crise. Apesar desta demanda ter inicialmente se estabilizado no quatro trimestre de 2020, ela ainda continuará alta durante 2021 e além.

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