Instituto aponta principais tendências em capitalismo consciente

Instituto aponta principais tendências em capitalismo consciente

ESG, modelo de trabalho híbrido e saúde mental serão protagonistas das discussões este ano, segundo o Instituto Capitalismo Consciente Brasil 

Com as restrições impostas pela Covid-19, as empresas vêm adotando novos olhares para a relação com todos seus stakeholders, com o objetivo de minimizar os efeitos da pandemia e humanizar os negócios. Neste cenário, o Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB) enxerga o fortalecimento de algumas tendências para 2021 no que diz respeito à gestão e posicionamento das companhias.

“Todos os anos observamos alguns assuntos que permeiam o mercado e entendemos que a pandemia poderá catalisar práticas empresariais estruturadas nos pilares propósito, equidade, valores e liderança. Precisamos, mais do que nunca, construir relações mais saudáveis com toda a cadeia produtiva e diminuir a desigualdade. Nesse sentido, entendemos que ESG, a oficialização do modelo híbrido de trabalho e o viés da saúde mental serão os principais tópicos de discussão nas empresas”, argumenta Hugo Bethlem, chairman do ICCB.

Modelo híbrido de trabalho

A sensação de não ‘trabalhar em casa’, mas sim de ‘dormir no emprego’ se tornou uma verdade para muita gente, pois as pausas no trabalho presencial foram eliminadas pela ementa de vídeo conferências e confusão das atividades profissionais, escolares e familiares, não permitindo criar rotinas claras. Somada à necessidade humana de ter convivência visceral, o home office, antes tão sonhado e desejado, está causando desgaste mental e emocional em muitas pessoas. 

“Um estudo da Microsoft mostrou que 78% das pessoas em home office estão com desgaste de sua saúde mental, física e emocional e até espiritual. Quando falamos de um modelo híbrido de trabalho é muito importante separar em dois momentos: o atual, onde ainda vivemos e viveremos por um longo tempo a pandemia, onde há a permanente ameaça de lockdowns (para salvar vidas) e nos restringe o direito de escolher se vamos trabalhar ou estudar presencialmente ou ficarmos em casa on-line. E o momento pós-pandemia, que será quando mais de 80% da população estiver vacinada e, a decisão de trabalharmos onde quisermos será nossa”, complementa Bethlem.

ESG

A sigla ESG (em inglês Environment, Social and Governance), diz respeito a três fatores na medição da sustentabilidade e impacto social de uma empresa: ambientais, sociais e de governança. Esta avaliação considera que o lucro é consequência do propósito verdadeiramente vivido pela empresa com valores e um líder consciente, que pratica e alinha todos stakeholders nesse propósito.  

Na visão do chairman do ICCB, o termo deveria ser GSE, com Governança em primeiro lugar, para garantir a veracidade, a transparência e a sustentabilidade de todas as ações no Social e, consequentemente, no Ecossistema Ambiental. 

“Ter governança é pensar e agir sempre orientado para o propósito do negócio, não importando a circunstância. Acreditar no papel em ‘servir’ os seus stakeholders gerando oportunidades e riqueza para todos, enquanto trabalha na maximização do retorno ao seu acionista é fundamental. Também é importante frisar que o Social deve começar dentro da companhia, analisando e perguntando: pagamos o máximo e justo que poderíamos para proporcionar a dignidade mínima para cada colaborador? Encaramos de frente os desafios de diminuir a desigualdade de gênero, raça, LGBTQIA+, PCD, remuneração, condições de trabalho? Depois de pensar nestas questões e nas pessoas, podemos incluir a comunidade que nos recebeu e da qual fazemos parte”, explica Bethlem.

Saúde mental

Frente a um cenário de pandemia, com o isolamento social recomendado por governos e pela Organização Mundial da Saúde, é fundamental o olhar humanizado para o bem-estar mental das pessoas. A solidão causada pela restrição de contato físico tem levantado esta preocupação.

Ainda segundo Bethlem, há muitos desafios sendo enfrentados, tanto individualmente como coletivamente, principalmente em um país tão desigual quanto o Brasil. “As empresas precisam ter um líder consciente que amenize os problemas que afetam o emocional e a performance das pessoas, e entenda o momento conturbado que estamos vivendo. Promover ações de autocuidado e buscar uma rotina mais leve são alguns dos detalhes que podem fazer muita diferença na vida de quem está com ansiedade ou sofrimento psicológico. Além disso, é importante criar uma rede de confiança e compreensão dentro das empresas, pois este é um momento bastante intenso e incomum. O senso de comunidade, de pertencimento, de uma cultura forte dentro das companhias é uma das chaves de manter a saúde mental e a produtividade em tempos de isolamento. Mas esse CEO não foi treinado para esse momento e precisa também de ajuda”, finaliza o chairman do Instituto Capitalismo Consciente Brasil.

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