Ainda há espaço para fintechs na América Latina?

Ainda há espaço para fintechs na América Latina?

Por Francisco Ferreira, CEO e co-fundador da BizCapital

O ano de 2020 foi um importante ponto de inflexão para as fintechs na América Latina, que provaram sua resistência diante de uma das maiores crises já vistas no mundo. As fintechs chegaram com a missão de simplificar a vida do cliente final, usando a tecnologia para desburocratizar processos e transformar, de uma vez por todas, a relação entre pessoas e dinheiro. Mas, a dúvida que fica é: existe espaço para elas na América Latina?

Aí que vem a boa notícia. Não só há espaço para as fintechs, como também elas vivem o seu momento de ouro. Para se ter uma ideia, mais da metade da população de vinte países da América Latina está desbancarizada, segundo dados do VI Congresso Latino-Americano de Inclusão Financeira. Isso significa que existem milhares de pessoas que não encontram um sistema financeiro que atenda às suas necessidades ou empresas que não conseguem acessar os serviços bancários que correspondam ao seu modelo de negócio. Em países como México, Peru e Colômbia, por exemplo, esse percentual ultrapassa 60%.

E isso é muito grave. É por isso que o mercado das fintechs, e os investimentos que elas recebem, crescem em um ritmo sem precedentes, especialmente no Brasil, já que concentramos em nosso território, em média, 50,5% das fintechs situadas na América Latina, de acordo com o Banco de Compensações Internacionais.

O que não falta é espaço para empreender no mercado das fintechs, só que a regra é simples: precisa ser inovador, simplificar e tornar os processos mais inteligentes. Não dá para prever todos os desafios que vêm pela frente, mas uma coisa é certa: se não muda a vida do cliente, você perde o jogo.

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