Em 2020, clínicas populares tiveram papel importante durante o isolamento social

Em 2020, clínicas populares tiveram papel importante durante o isolamento social

Por Antonio Carlos Brasil

Durante a pandemia do novo Coronavírus, algumas dificuldades do Sistema Único de Saúde (SUS) foram ressaltadas, causando grande preocupação e medo na população brasileira. As limitações do Ministério da Saúde em manter a unicidade no comando com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, fizeram  com que  a conduta de atuação não estivesse alinhada às suas orientações. Além disso, a falta de investimento em recursos suficientes evidenciou que equipamentos como respiradores e leitos de UTIs, que deveriam existir independentemente de um contexto pandêmico, são escassos, sem falar do número reduzido de médicos para atendimento dos casos. As dificuldades já existiam antes mesmo da pandemia e foi apenas evidenciada e piorada em 2020 com o enfrentamento da Covid-19. 

A falta de estrutura do sistema público é uma realidade incontestável e foi nesse contexto que as clínicas populares se tornaram essenciais no apoio ao atendimento da saúde. Uma das vantagens dessa modalidade para a população durante o isolamento social é que, por serem atividades essenciais, não foram fechadas, o que facilitou para o atendimento aos pacientes, oferecendo segurança e acesso aos tratamentos e, até mesmo, para a abertura de novas empresas relacionadas a esse mercado que foi crucial, aumentando, assim, a diversificação de opções para quem procurou esse tipo de serviço na pandemia. 

As clínicas populares ofereceram uma oportunidade para que as pessoas que não possuem convênio médico pudessem ser socorridas e ter seus problemas de saúde tratados. Em um momento tão delicado, as unidades ficaram disponíveis para atenderem doenças não relacionadas à Covid-19 que, obviamente, não desapareceram, mas ficaram  em segundo plano pelo sistema público de saúde. Além disso, serviram como ambientes de proteção para os profissionais da saúde que não estavam atuando na linha de frente do combate ao novo Coronavírus. 

As pessoas que precisavam continuar tomando medicamento e fazendo os seus exames foram abraçadas por esse mercado, popularizando essa modalidade de atendimento popular. O acesso fácil, sem burocracia e efetivo são as grandes vantagens das clínicas populares, mantendo as medidas de prevenção contra o  vírus. É um mecanismo privado, mas que ajudou  o sistema como um todo e, com toda a estrutura necessária, colocou verdadeiramente em prática o discurso de que o acesso à saúde é direito de todos.

O mercado das clínicas populares chegou para ficar mesmo após a pandemia. Essas  unidades privadas servirão de apoio e ainda terão atendimentos mais rápidos e efetivos do que as unidades públicas. O crescimento em 2020 em comparação a 2019, teve alta significativa de 19% no número de atendimentos, em razão da própria dificuldade em conseguir atendimento público e pelos altos preços praticados pelos planos de saúde particulares, que a cada dia se tornam mais inacessíveis para uma parcela da população. 

Mais do que nunca percebemos o quanto a atividade de saúde é essencial para a população, e que da mesma forma que o supermercado não pode fechar. A clínica popular também tem seu lugar e não pode deixar de existir, uma vez que os problemas enfrentados não acontecem só em detrimento da pandemia, eles já são institucionalizados muito antes disso e as pessoas precisam cuidar da saúde. Esse é o grande papel das clínicas populares, como uma fatia a mais do sistema, uma parte desse contingente que tem como objetivo a evolução dos cuidados com a saúde não só preventiva, mas com a efetividade das ações que vem ao encontro da população, que não tem outra alternativa para atender suas necessidades. 

O sistema de atendimento médico por meio das clínicas populares já é visto como uma solução a longo prazo e deve ser entendido também como um investimento pessoal de baixo custo, além de ser um mercado que traz efetividade atendendo a nível ambulatorial. O principal aprendizado mundial e nacional trazido pela pandemia do novo coronavírus é de que é preciso lutar para fortalecer o sistema de saúde e torná-lo  cada vez mais inclusivo.

Antonio Carlos Brasil, fundador da Acesso Saúde, sistema nacional de atendimento médico e odontológico sem mensalidade.

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