Tendências para a adoção de redes 5G em 2021

Tendências para a adoção de redes 5G em 2021

Por Rogério Ferro

O ano de 2020 foi caracterizado por acontecimentos tão incomuns que modificaram as dinâmicas sociais em todo o mundo. Nunca a conectividade foi tão importante como agora, e é exatamente nisso que a indústria de telecomunicações concentra seus esforços, com a meta de construir um futuro no qual a conectividade seja verdadeiramente acessível para todas as pessoas.

Para alcançar essa meta é necessário acelerar as implementações de redes 5G em todo o mundo e ao mesmo tempo é imprescindível que os governos liberem espectro adicional, o que permitirá às redes de acesso terem mais usuários conectados e dados trafegando. Da mesma forma, é preciso continuar com a desagregação de RAN (Radio Access Networks) à medida em que as implementações de Open RAN adquirem um grande impulso e marcam o começo de uma nova geração de produtos e tecnologias inovadoras.

Para a a indústria de telecomunicações, será de suma importância elaborar uma estratégia de rede que seja funcional. Visando o planejamento desta estratégia, abordaremos em profundidade três aspectos que ajudarão a alcançar um futuro com a melhor conectividade.

Implementação de redes 5G para 2021

A pandemia da Covid-19 afetou muito a implementação das redes 5G em algumas regiões, entretanto, o lançamento no mercado dos telefones inteligentes que suportam este tipo de tecnologia, como são os casos do Samsung Galaxy S20 e do iPhone 12 da Apple, teve uma excelente aceitação por parte dos consumidores, o que deve continuar acontecendo durante 2021.

As operadoras devem avaliar os benefícios que as implantações de Massive MIMO (Multiple Input / Multiple Output) podem oferecer para a implementação de redes 5G na região pois, embora o Massive MIMO aumente a eficiência espectral entregando maior capacidade de rede e maior cobertura, os custos adicionais e requisitos de energia podem significar uma desvantagem operacional.

As implementações de Massive MIMO são ideais para o ambiente urbano denso, entretanto, as operadoras devem estar preparadas para enfrentar desafios mesmo neste cenário, pois há casos em edifícios altos onde a cobertura do sinal não alcança de forma satisfatória todos os andares. Por esta razão é fundamental que as operadoras selecionem a antena ideal de acordo com a arquitetura onde será implementada.

A nossa recomendação de modelos de antenas para situações específicas de alta demanda de tráfego de dados varia de acordo com a topologia do local, a indicação é a utilização de 64T64R em altos edifícios urbanos, 32T32R para estruturas urbanas menores e 32T32R ou 16T16R para locais suburbanos. Em áreas rurais a melhor opção é o 32T32R (FWA) e para locais com requisito de tráfego de dados moderado, pode-se utilizar soluções 8T8R para cobrir de forma satisfatória os edifícios urbanos de altura mediana.

Os governos e o espectro de banda

Administrar o espectro de forma a atender a mais usuários e dados é essencial para alcançar a meta que planejamos aqui: um futuro no qual a conectividade seja acessível para todas as pessoas. Porém, em muitos países da América Latina a maior parte do espectro é fornecido pelo governo ou por empresas privadas que oferecem serviços de internet sem fio.

Para poder ampliar o espectro na nossa região é indispensável a regulamentação governamental que tenta reduzir o impacto para os serviços de banda larga já existentes. Apesar dos desafios que isto representa para os provedores, espera-se que os governos liberem e dediquem mais espectro para as implementações 5G e redes do futuro.

Em alguns países já estão sendo desenvolvidos planos para a implementação de novas redes. Por exemplo, na Colômbia espera-se que, a partir de 2021, seja implantada uma rede LTE de banda baixa para as áreas rurais, enquanto em Porto Rico será permitido às operadoras de Massive MIMO e provedores de serviços de internet sem fio implementar redes LTE adicionais. O Chile já realizou uma licitação de espectro 5G, com um total de 1800 MHz distribuídos em quatro bandas: 700 MHz, AWS, 3.5 GHz e ondas milimétricas (em 26 GHz).

Este tipo de licitação de espectro poderia se tornar muito popular na América Latina no próximo ano por ter se transformado em uma nova fonte de rendimentos para os governos. Por outro lado, existem países que postergaram suas licitações para meados de 2021, este é o caso do Brasil, que no mês de junho deve fazer a licitação de espectro 5G em quatro bandas diferentes:700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz. O México se programou para uma licitação com 3,5 GHz dedicado ao 5G durante a segunda metade de 2021. Deste modo, o aumento do espectro dedicado ao 5G é uma tendência em âmbito global e espera-se que continue crescendo durante o próximo ano e no futuro.

Open RAN: nova geração tecnológica

O Open RAN é um novo paradigma onde as redes celulares irão incorporar componentes de hardware e software de diferentes provedores que operarão através de interfaces de redes abertas, isto é, “interoperáveis”, esta inovação marcará o início de uma geração de produtos e tecnologia nunca vistos.

Este paradigma oferecerá alguns benefícios para as operadoras de serviços móveis:

·         Ajudará a reduzir os custos ao utilizar equipamentos de processamento existentes no mercado, para utilização nas unidades de banda base e a produção do hardware RU (Radio Unit).

·         Possibilitará a desagregação de software do hardware proprietário, o que facilita a criação e rápida implementação de novos serviços.

·         A cadeia de fornecimento ficará mais sólida à medida que ingressem novos provedores no mercado, o que permite uma integração maior de soluções.

Ao permitir a interoperabilidade dos equipamentos móveis, o Open RAN desempenha um papel na implementação da tecnologia 5G que será indispensável em relação à conectividade que será buscada no próximo ano.

Embora exista a previsão de que a pandemia da Covid-19 continue afetando a América Latina pelo menos durante a primeira metade de 2021, a indústria de telecomunicações está construindo um futuro no qual a conectividade, que nos últimos meses foi nossa ponte com o mundo exterior, seja mais acessível e presente em toda a região.

As redes 5G terão uma implantação favorável no mercado latino-americano à medida que novos dispositivos móveis sejam lançados, pois incluirão tecnologia inovadora e trarão consigo a busca por um espectro maior, permitindo cada vez mais usuários e se apresentando como um passo importante em direção ao futuro das redes.

Rogério Ferro, diretor da área de soluções de mobilidade da CommScope para as regiões da América Latina e Caribe

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