Aprendizados que empreendedores levam para 2021

Aprendizados que empreendedores levam para 2021

Transformação rápida, flexibilidade e resiliência foram fatores importantes para as startups sobreviverem e acelerarem seus negócios em 2020. No último ano, o conceito de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, o VUCA, que muitos ouviam falar, se apresentou como prática e trouxe diversas mudanças para o ambiente de trabalho. As empresas tiveram que agir rapidamente e analisar com cuidado os ajustes necessários na estratégia de forma a aproveitar a janela de oportunidades, criando planos de contenção, reduzindo o foco para objetivos de curto prazo e segurando o caixa para investir 100% na operação.

Segundo Livia Brando, Country Manager da Wayra, hub de inovação da Vivo, para muitos, a pandemia veio para ensinar a importância da revisão estratégica, de analisar as mudanças no comportamento do consumidor e de que forma seus produtos e serviços poderiam se encaixar neste novo contexto. Além disto, as startups precisaram exercitar testes de estresse de caixa, planos de contenção e os cuidados com a equipe. “A flexibilidade e a capacidade de adaptação rápida, que são características das startups, as levaram a rapidamente compreender as exigências do momento e de adaptar novas soluções aos seus clientes. Isso fez com que muitas delas crescessem e amadurecessem seus negócios. Além disso, a figura do(a) fundador(a) como líder se fez primordial para direcionar a empresa e engajar a equipe neste momento de incerteza e insegurança”, explica Livia.

Muitas das investidas da Wayra entenderam o momento e se adaptaram rapidamente, como é o exemplo da Conube , fintech de contabilidade. Durante o pico da crise, a startup decidiu não reduzir a equipe, o que fez com que o time, já entrosado, não perdesse velocidade e conseguisse aproveitar a chegada do Pix para alavancar sua estratégia de negócios.

O momento também trouxe novas possibilidades de negócios e de atuação, como foi o caso da Monkey Exchange , fintech especializada em antecipação de recebíveis. A startup se organizou para antecipar valores para negócios de pequeno e médio porte (PMEs), que enfrentavam uma situação crítica em termos de caixa e, com isso, auxiliou diversas empresas a passar pela crise. Já Netshow.me , startup dedicada a criar canais de transmissão online proprietários das empresas, aproveitou a onda do streaming que teve uma demanda tão elevada durante a pandemia que precisou contratar mais pessoas para atender esse crescimento acelerado em volume de trabalho e novos clientes.

“Após um ano tão difícil e com tantas outras incertezas no horizonte, os empreendedores da Wayra se fortaleceram e relataram reflexões do momento”, comenta Livia. “Esse período desafiador trouxe aprendizados que serão levados adiante para que elas continuem crescendo e escalando”, completa.

Entre os principais aprendizados do ano de 2020 que ficaram para os empreendedores foram:

• Estar preparado e ser flexível

As startups se questionaram se o modelo de negócio estava pronto para enfrentar a crise causada pela pandemia, mas muitas se surpreenderam positivamente. “O nosso time se adaptou muito bem e percebemos que estávamos mais preparados do que pensávamos”, explica Gustavo Muller, CEO da Monkey Exchange.

Soft skills como adaptabilidade, comunicação e resistência a infortúnios estiveram em alta para as lideranças das startups. “Aprendemos a importância de sermos resilientes e conhecermos as respostas que os nossos corpos e mentes dão às adversidades”, reforça Jordana Souza, CRO da VOLL , que chegou à Wayra bem no meio da pandemia. “Precisamos saber lidar com as necessidades de adaptação, muitas vezes abruptas, como foi neste ano, para aproveitar o que as mudanças têm de melhor”, aconselha Jordana.

• O home office veio para ficar

Conseguir encontrar uma forma de manter as equipes trabalhando remotamente e entregando resultados também foi um desafio superado. “A ideia do home office foi desmistificada e desbancamos antigas resistências”, conta Marc Lahoud, CEO da QueroQuitar , startup especializada em acordos e renegociações de dívidas por meio digital.

• Comunicação transparente e eficiente com foco na cultura

O reflexo de tantos aprendizados acabou impactando diretamente não apenas a comunicação interna das startups, mas também reforçou suas culturas e trouxe mais empatia entre os líderes e a equipe. “A transição para o home office evidenciou a importância do diálogo, da cultura e dos alinhamentos com o time para mantermos a conexão aos objetivos e valores organizacionais”, sintetiza Eduardo Ferreira, CEO da Cinnecta , startup especialista no uso de dados para a tomada de decisões.

• Focar na melhoria da experiência do cliente

O cuidado com as pessoas por trás das telas e a atenção com os clientes também foi um ponto importante de 2020. Na Trocafone , o gestor de marketing Ignacio Bugarin ressalta como o principal aprendizado do time a necessidade de focar ainda mais na melhoria da experiência do cliente, de forma a atendê-lo com cada vez mais atenção e mais facilidades.

Para 2021, por mais que o cenário dos primeiros meses pareçam uma “extensão” de 2020, as perspectivas dos empreendedores estão bastante otimistas e positivas, principalmente com uma vacinação em vista. “Um dos principais impactos da pandemia foi a aceleração da conectividade e da digitalização de todas as coisas”, reflete Edson Ribeiro, CEO da Ativa , que desenvolve e fabrica soluções para gerenciamento remoto com Internet das Coisas (IoT).

“Temos um portfólio com mais de 30 startups, que estão preparadas para crescer em 2021. Mesmo sabendo que acontecimentos externos podem mudar o rumo do planejamento que fizeram, elas estão prontas para “pisar no acelerador”, apresentar novos produtos e projetos focados nas necessidades dos seus clientes e captar rodadas de investimento. Por serem startups, elas aplicam as metodologias necessárias para continuarem alavancando seu negócio de forma veloz e sempre adaptadas às necessidades que surgem. Isso as torna um grande motor para a retomada do crescimento próprio e da economia neste ano”, conclui Carol Morandini, head de portfólio e scout da Wayra .

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